terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Preteridos ou Preferidos

                                                            

Preteridos ou Preferidos

A vida pode apresentar situações em que somos preferidos ou  preteridos.

Saber lidar com esta situação dependerá da importância que damos ao fato, da abertura e predisposição que tenhamos para as variações, opções, escolhas e surpresas que a vida nos apresenta.

Assimilar esta dialética com naturalidade e, sobretudo com boa e sadia espiritualidade é sempre o caminho.

Vejamos as duas definições para ajudar na reflexão:

Preterido:
Aquele ou algo que foi alvo de preterição; rejeitado; desprezado; diz-se, também, do herdeiro omitido em testamento; aquele ou aquilo que não foi mencionado; por último, a pessoa que não foi promovida.

Preferido:
Aquele ou aquilo que se prefere; que foi o escolhido; que é o mais querido; favorito; predileto; antônimo de preterido.

Aparentemente, são simples as definições (cf. Aulete Virtual), mas podem nos ajudar na reflexão sobre o viver em comunidade, seja religiosa ou de toda a ordem.

Diante de Deus quem são os preferidos ou os preteridos?

Diante d’Ele, os preferidos são os pobres, os excluídos, os sofredores, as crianças, os enfermos, os famintos, os últimos, os marginalizados, a escória da sociedade, os pequenos e simples...

Preteridos são, por sua vez, os orgulhosos, os autossuficientes, os gananciosos, os arrogantes, os prepotentes, os egoístas, os invejosos, os preguiçosos, os indolentes, os incrédulos, os idólatras...

E no dia a dia, desde a infância, a relação das crianças passa pelo ser preferido ou preterido. Preferidos ou preteridos, na exata medida, possibilita o amadurecimento, mas, em intensidade desmedida, torna-se marcante pelo aspecto negativo. Carência ou segurança será o resultado.

A vida terá páginas em que ora seremos preferidos, ora preteridos. Importa saber lidar com esta realidade.

A psicologia nos ensina que as relações humanas devem ser trabalhadas como sentimentos e emoções; quer em relação para consigo mesmo, quer em relação aos outros. Se atritos houver, será oportunidade para superação. Metas a serem alcançadas pedem sempre superação de etapas, desafios...

Bem sabemos que muitos problemas nas comunidades surgem de relações de preferência ou preterimento.

Assim também se dá no espaço religioso: Somos mais seguros quando jamais nos sentimos preteridos por Deus, mas por Ele amados, preferidos.

Preferidos para que amemos mais, em atitudes amadurecidas, expressas em doação, entrega e serviço:

“Sabeis que os que são considerados chefes das nações dominam sobre elas e os seus grandes as tiranizam.

Entre vós não será assim: Ao contrário, aquele que dentre vós quiser ser o grande, seja o vosso servidor, e aquele que quiser ser o primeiro dentre vós seja o servo de todos.

Pois, o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida em resgate por muitos” (Mc 10,42-45).

Tenhamos maturidade e sabedoria para corresponder quando preferidos, e saber superar quando preteridos.

Assim é a vida: ora preferidos, ora preteridos...

Vós não resististes até o sangue...

                                                       


Vós não resististes até o sangue...

"O Senhor é a minha força e o meu escudo; n’Ele o meu coração confia, e d’Ele recebo ajuda. Meu coração exulta de alegria, e com o meu cântico lhe darei graças."

(Sl 28,7)

Celebramos dia 03 de fevereiro a memória de um grande Santo da Igreja, São Brás, Bispo e Mártir do século IV, e faz parte da religiosidade popular buscar,  neste dia, a Bênção da garganta.

O vermelho dos paramentos anuncia o martírio, o sangue derramado...

Desde as primeiras Missas que celebrei, “sempre tremi” ao colocar paramentos vermelhos, pois ou lembrava a memória dos mártires, aqueles que deram a vida  pela Igreja ou a força do Espírito Santo.

São Brás é  conhecido como protetor da garganta, pois ao se dirigir para o martírio lhe foi apresentada uma mãe desesperada com seu filho, que estava sufocado por uma espinha de peixe entalada na garganta.

Diante desta situação o Santo em Deus curou milagrosamente a criança.

Interessante que mesmo caminhando para o martírio encontra serenidade e tempo para a solidariedade, para fazer o bem!

Quantas vezes colocamos tantos empecilhos para fazer o bem a alguém.

Mesmo em situação absolutamente adversa, a compaixão tomava conta de São Brás.

Ele foi vítima de morte cruenta: foi pendurado, sua pele esfolada com dentes de  ferro, e finalmente degolado, porém seu amor por Jesus Cristo lhe falou mais forte e mais alto ao coração.

A Epístola aos Hebreus (Hb 12,1-4), muito nos ajuda a refletir sobre a vida deste mártir da Igreja que, a exemplo de Cristo, também derramou seu sangue.

O autor da Epístola nos convida à fidelidade, à perseverança, a não desanimar no caminho do seguimento de Jesus, mantendo nossos olhos fixos Naquele que é o autor e realizador de nossa fé: Jesus!

A alegria que alcança e pela qual Se entrega tem caminho que ultrapassa nosso entendimento, não segue os parâmetros da razão: sofrendo na Cruz testemunha um amor que ama até o fim!

Nisto consiste o verdadeiro amor e causa da verdadeira alegria que o mundo não pode oferecer...

Exorta-nos a não nos deixarmos fatigar pelo desânimo: “Vós ainda não resististes até o sangue em vosso combate contra o pecado!".

Devoção aos santos, antes de tudo, é imitar suas virtudes na fidelidade ao Senhor, pois Ele é O Caminho, A Verdade e A Vida, o único capaz de nos Salvar.

Deste modo, peçamos a Deus a luz da verdadeira ciência para não nos desviarmos do caminho do bem e do amor, pois "… Somente o Espírito Santo tem o poder de purificar nossa mente… É necessário, portanto, alegrar em tudo o Espírito Santo pela paz da alma, mantendo em nós sempre acesa a lâmpada da ciência.

Quando ela não cessa de brilhar no íntimo da mente, conhece-se os ataques cruéis e tenebrosos dos demônios, o que mais ainda os enfraquece sendo eles manifestados por aquela santa e gloriosa luz” (Diádoco de  Foticeia, Bispo – séc. V).

Não apagaremos o Espírito guardando nosso pensamento de tudo aquilo que nos afasta de Deus, evitando tudo que for maldade, contrário à vontade Divina, evitando que mergulhemos em escuridão insuportável que é a absoluta falta da ciência de Deus.

Apresento duas Orações que podem ser rezadas quando necessário:

- Oremos:

- "Ó glorioso São Brás que restituístes, com uma breve oração, a perfeita saúde de um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, esteve prestes a expirar, obtendo para nós todos, a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta.

Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores de Deus. Amém!"

- "Senhor, pelos méritos de São Brás, peço-Vos por minha saúde e, especialmente, que me liberteis dos males da garganta.

Rogo-Vos, também, por minha vida espiritual. Liberta-me da preguiça na oração, pois é a única maneira de manter-me sempre unido a Deus. São Brás rogai por nós. Amém.”

E a fórmula da bênção, finalmente, mais conhecida e rezada no dia em que celebramos sua Memória:

Por intercessão de São Brás, Bispo e Mártir, livre-te
Deus do mal da garganta e qualquer outra enfermidade.
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém”.

E em todo tempo assim também oremos:

“Senhor, dai-nos força para resistir à tentação,
paciência na tribulação e sentimentos de
gratidão na prosperidade”.

A chama do Divino Amor

                                                            

A chama do Divino Amor

Na terça-feira da quarta Semana do Tempo Comum (ano ímpar), ouvimos a passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 12,1-4), e temos a possibilidade de refletir sobre a radicalidade da missão, como discípulos missionários do Senhor, na vivência da vocação profética que Ele nos confiou.

Assim também foram os Profetas, e um dos exemplos é o Profeta Jeremias (Jr 38,4-6;8-10), com a missão de testemunhar a ação de Deus e a necessária fidelidade a Ele, à luz da verdade e com coerência, pois Ele tem um Projeto de vida para humanidade.

Esta missão, no entanto, atraiu dos chefes do povo o ódio e a desconfiança. No entanto, confiando em Deus, não se omite em sua missão, ainda que pague com o preço da própria vida (abandono, solidão, tradição, desolação...).

A atividade profética de Jeremias se deu numa época muito complicada em termos históricos (a partir de 627 a.C.) até bem depois da queda de Jerusalém em 586 a.C.).

A sua vida foi constantemente arriscada por causa da Palavra de Deus e de sua missão profética, por isso é modelo do Profeta que  dá sua própria vida para que a Palavra de Deus ecoe no mundo e na vida da humanidade.

O Profeta, como Jeremias, sabe que Deus está sempre ao lado dos que anunciam e testemunham fielmente a Sua Palavra, de modo que suportam perseguição e marginalização pelo mundo e pelos poderosos. Assim é a história de Jeremias: incompreendido, humilhado, esmagado, abandonado (não por Deus, que é sempre presença amiga e reconfortante).

De fato, o caminho percorrido pelo Profeta: “não é um percurso fácil, nem carreira recheada de êxitos humanos, nem um caminho atapetado pelo entusiasmo e pelas palmas das multidões; mas é um caminho de cruz, de sofrimento, de incompreensão, com o poder daqueles que pretendem construir o mundo sobre valores de egoísmo, de prepotência, de orgulho, de morte” (1)

Reflitamos:

- O que tenho a aprender com o Profeta Jeremias?
- Como vivo a vocação profética?
- Sinto a presença de Deus em todos os momentos da minha vida?

Assim também aconteceu com os primeiros cristãos como vemos na mencionada Epístola. Daqui decorre a necessidade de uma mensagem dirigida a uma comunidade cansada, acomodada, desanimada diante das dificuldades e do aparente fracasso da missão.

A comunidade vivia num contexto de hostilidade e o autor exortou para que os cristãos corram, incansável e determinantemente, para a meta, que é o próprio Cristo, e assim alcançará a vitória, a Salvação.

Para tanto, os cristãos precisam despojar-se do fardo do pecado (egoísmo, comodismo, autossuficiência), tendo Jesus Cristo como modelo fundamental, pois Ele enfrentou a Cruz e sentou-Se à direita do trono de Deus:

“O caminho do cristão não é um passeio fácil e descomprometido, mas um caminho duro e difícil que não se compadece com ‘meias tintas’ nem com compromissos mornos e a ‘meio gás’. Exige coragem para vencer os obstáculos, capacidade de luta para enfrentar a oposição, compromissos profundos e radicais.” (2)

Reflitamos:
- Como está a vida de fé de nossa comunidade?
- Quais os obstáculos que encontramos no caminho, na vivência de nossa fé?
- Como testemunho com radicalidade o amor de Deus?

Que o nosso coração seja inflamado pelo fogo purificador do amor do Senhor, tão somente assim, seremos verdadeiros discípulos Seus, e viveremos, com ardor e coragem, a vocação profética que Ele nos confia.

Acendei, Senhor, em nós a chama do Vosso divino amor!


(1) (2) cf. www.dehonianos.org.br

“Sacrifica-te por minhas ovelhas”

                                                                

“Sacrifica-te por minhas ovelhas”

Ao Celebrar a Memória de São Brás, Bispo e Mártir (séc. IV), a Liturgia das Horas nos apresenta um dos Sermões do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que nos convida a refletir sobre o zelo pastoral no cuidado do rebanho pelo Senhor confiado.

O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,28). Eis como o Senhor Se fez servo, eis como nos ensinou a servir. Deu a Sua vida como resgate em favor de muitos: Ele nos remiu.

Quem dentre nós tem condições para redimir alguém? Foi pelo sangue de Cristo que fomos redimidos, foi pela Sua morte que fomos resgatados da morte; estávamos caídos, e, pela sua humildade, fomos reerguidos da nossa prostração. Mas devemos também contribuir com nossa pequena parte para ajudar os Seus membros, pois nos tornamos membros d’Ele: Ele é a cabeça e nós somos o corpo.

Aliás, o apóstolo João nos exorta, em sua carta, a seguirmos o exemplo do Senhor que disse: Quem quiser tornar-se grande, torne-se vosso servidor, pois o Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a Sua vida como resgate em favor de muitos (Mt 20,27.28). O mencionado apóstolo nos exorta, por isso, a imitar o exemplo do Salvador com estas palavras: Jesus deu a Sua vida por nós. Portanto, também nós devemos dar a vida pelos irmãos (1Jo 3,16).

O próprio Senhor, falando depois da ressurreição, perguntou: Pedro, tu me amas? Ele respondeu: Sim, Senhor, tu sabes que Te amo. Por três vezes o Senhor fez a mesma pergunta e por três vezes Pedro deu idêntica resposta. Em todas as três vezes, o Senhor acrescentou: Apascenta as minhas ovelhas (Jo 21,15s).

Como podes mostrar que me amas, a não ser apascentando as minhas ovelhas? O que podes me dar com teu amor, se recebes tudo de mim? Portanto, se tu me amas, eis o que tens de fazer: Apascenta as minhas ovelhas.

Uma vez, duas, três vezes: Tu me amasAmoApascenta as minhas ovelhas. Três vezes o negara por medo. Então o Senhor logo lhe disse: Quando eras jovem, tu te cingias e ias para onde querias. Quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir. Jesus disse isso, significando com que morte Pedro iria glorificar a Deus (Jo 21,18-19). Anunciou-lhe Sua Cruz, predisse-lhe Sua paixão.

Prosseguindo, o Senhor lhe disse: Apascenta as minhas ovelhas. Sacrifica-te por minhas ovelhas”.

Retomemos as palavras finais do Sermão: “Apascenta minhas ovelhas. Sacrifica-te por minhas ovelhas”.

Assim deve ser a vida de todos aqueles que responderam ao chamado de Deus para trabalhar na Sua messe.

Cuidar do rebanho que nos foi confiado exige de todos, sobretudo daqueles que receberam o Sacramento da Ordem, um amor incondicional como assim fizeram o Apóstolo Pedro, Paulo, São Brás e tantos outros que possam ser mencionados.

Elevemos a Deus súplicas e orações contínuas, por todos aqueles a quem foi confiado o cuidado do rebanho do Senhor, para que correspondam cada vez mais ao que Deus espera.

Somente quem vive a autenticidade do amor está pronto para os sacrifícios pelas suas ovelhas, e tudo fará para que elas sejam conduzidas a verdes pastos e águas cristalinas.

PS: Apropriado ao celebrar a Solenidade de São Pedro e São Paulo

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras... (Apresentação do Senhor)

 


Que necessidade teria Maria de purificação?

“Pensas – pergunta São Bernardo – que não podia queixar-se e dizer:

Que necessidade tenho eu de purificação? Por que me impedem de entrar no templo se as minhas entranhas, não tendo conhecido varão, se converteram em templo do Espírito Santo?

Por que não hei de entrar no templo, se gerei o Senhor do templo?

Não há nada de impuro, nada de ilícito, nada que deva submeter-se à purificação nesta concepção e neste parto; este Filho é a fonte da pureza, pois veio purificar os pecados. De que irá purificar-me o rito, se o próprio parto imaculado me fez puríssima?” (1)

 

(1) São Bernardo, Sermão sobre a purificação de Santa Maria, III, Citado em www.hablarcomdios.com

Festa da Apresentação do Senhor: Simeão e Ana contemplaram e testemunharam o Salvador

                                                                    

Festa da Apresentação do Senhor:
Simeão e Ana contemplaram e testemunharam o Salvador

Aquele dia memorável entrou para sempre na história da humanidade e da Salvação de todos nós: a apresentação do menino Jesus no Templo de Jerusalém, por Maria e José, a fim de se cumprir o que era previsto pela Lei do Senhor.

Uma apresentação acompanhada da oferta feita pelos pobres: um par de rolas ou dois pombinhos, como era previsto na Lei.

Contemplando a cena narrada pelo Evangelista Lucas (Lc 2,22-40), encontramos duas presenças fundamentais: Simeão e Ana.

Eles representam o Povo de Israel fiel, que esperava ansiosamente a libertação e a restauração do reinado de Deus sobre o Seu Povo.

Simeão, um homem justo e piedoso, como nos fala Lucas, com quem estava o Espírito Santo, e a ele havia anunciado que não morreria antes de ver o Salvador. E assim se cumpriu a promessa: teve diante de si o Menino Deus, o Salvador esperado.

Foi movido pelo Espírito que Simeão foi ao Templo, e são para sempre suas palavras, que penetraram profundamente na alma de Maria e de José, ao acolher e bendizer a Deus:

“Agora, Senhor, conforme a Tua promessa, podes deixar Teu servo partir em paz; porque meus olhos viram a Tua salvação, que preparaste diante de todos os povos: luz para iluminar as nações e glória do Teu povo Israel” (Lc 2,29). Palavras que trouxeram a admiração de Maria e José.

E em seguida, Simeão dirigindo-se a Maria, a Mãe de Jesus, disse:

“Este Menino vai ser causa tanto de queda como de reerguimento para muitos em Israel. Ele será um sinal de contradição. Assim serão revelados os pensamentos de muitos corações. Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (Lc 2,35).

Com estas palavras, temos a revelação da universalidade da Salvação de Deus para todos os povos, independentemente de raça, cultura, fronteiras e esquemas religiosos, e ao mesmo tempo, pré-anunciam o “drama da Cruz”.

Ana, como nos descreve Lucas, uma profetisa, filha de Fanuel, da tribo de Aser; de idade muito avançada (oitenta e quatro anos); e quando jovem, tinha sido casada e vivera sete anos com o seu marido, e depois ficara viúva.

Diz-nos o Evangelista que ela não saía do Templo, dia e noite servindo a Deus com jejuns e orações.

Ao chegar e ver o Menino Jesus, pôs-se a louvar a Deus e falar d’Ele a todos que esperavam a libertação de Jerusalém (Lc 2,37-38).

Ana é uma figura do Israel pobre e sofredor (“viúva”, que se manteve fiel ao Senhor, esperando a salvação de Deus, e assim viu se cumprir ao ver o Menino Jesus.

Simeão e Ana são a revelação de um Povo esperançoso nas promessas de Deus fiel à sua Aliança, e realizador de Suas promessas:

“Mesmo quando não se vê o modo de sair de uma crise, quando Deus parece mais longínquo, talvez esquecido de nós, eis que Ele vem ao Templo, numa figura frágil, de um Menino, ‘sinal de contradição’, mas também, e, sobretudo, sinal de redenção, de libertação para todos os que ainda ousam crer e esperar num mundo segundo a ordem de Deus, em que a ‘sabedoria’ e a ‘graça’ que habitavam a Pessoa de Jesus possam ser os fundamentos de uma ‘civilização do amor’”. (1)

Simeão e Ana, encontramos em nossas comunidades. São todos aqueles/as que vivem dia pós dia a graça do batismo, irradiando a luz divina e contribuindo para que sejamos uma Igreja missionária e misericordiosa, que apresenta ao mundo uma mensagem de vida e esperança.

São todos aqueles/as que cultivam no coração e se comprometem com um novo céu e uma nova terra, na fidelidade aos Mandamentos divinos, vivendo o amor de Deus e o amor ao próximo, pois são amores inseparáveis por toda a eternidade.

São todos aqueles/as que não se dobram diante de ídolos ou ideologias que passam, mas cultivam com zelo a semente da fé, esperança e caridade no coração, para frutificar em sagrados frutos do Reino.

São todos aqueles/as que têm coragem de renunciar a si mesmo, tomando a cruz de cada dia, põem-se a caminho, vivendo o Mistério Pascal, com maturidade e serenidade, pois sabem em quem confiam.

São todos aqueles/as que assumem a graça de edificar uma Igreja, comprometidos com a ação evangelizadora, vivendo e edificando comunidades, como uma casa com pilares que dão solidez e jamais serão derrubadas por ventos e tempestades, como nos falou Mateus (Mt 7,25).

São todos aqueles/as que se deixam iluminar e guiar pela Palavra de Deus; alimentam-se do Pão de Eternidade, o Pão da Eucaristia; envolvidos pelo amor de Deus, e deste, verdadeiras testemunhas, no incansável combate da fé, em permanente ação missionária.



(1)         idem

"Ó Virgem Mãe de Deus”

                                                                

"Ó Virgem Mãe de Deus”

Rezemos com a Igreja, o Hino das Vésperas da Liturgia das Horas, ao celebrar a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, dogma de nossa fé, “Ó Virgem Mãe de Deus”, proclamado pelo Papa Pio IX, em 8 de dezembro de 1854, através da Bula “Ineffabilis Deus”, e cuja Solenidade celebramos neste dia.

“Ó Virgem Mãe de Deus,
das virgens guardiã,
ó porta azul dos céus,
estrela da manhã.

És lírio entre os espinhos,
és pura sem igual,
brilhando nos caminhos
da culpa original.

Estrela na procela,
tu és nossa esperança:
o porto se revela
e a nau, segura, avança.

És torre inabalada,
farol que nos conduz,
trazendo, imaculada,
o bálsamo: Jesus.

A culpa onipresente
não mancha a tua aurora:
venceste a vil serpente.
Protege-nos agora!

És mãe, esposa e filha
do Deus que é uno e trino:
tão grande maravilha
cantamos neste hino.”

À luz deste Hino, façamos uma oração:

Maria, “És mãe, esposa e filha do Deus que é uno e trino: tão grande maravilha cantamos neste hino”, que a Igreja nos enriquece e a alma eleva e ilumina.

“Ó Virgem Mãe de Deus”, oriente-nos no caminho, agraciados pelos dois Dogmas sobre ti aqui mencionados: a Virgindade Perpétua e a Maternidade divina, porque és a Mãe de Deus.

“Das virgens guardiã” tu és, e não somente, mas de todos nós e de toda a Igreja, por isto, sentimos tua permanente presença, envolvendo-nos com teu carinho e maternal proteção.

“Ó porta azul dos céus”, incansavelmente estás a nos indicar o caminho que nos conduz aos céus, na pleníssima fidelidade e adesão à Pessoa, Palavra e ao Projeto do seu Filho.

“Estrela da manhã”, que paira sobre nós, conduzindo-nos sob as sombras por vezes assustadoras da história, assim como soubestes caminhar, sem desistir da meta divinal.

“És lírio entre os espinhos”, exemplo de pureza, confiança e serenidade diante da dor pela espada que transpassou, permanentemente, Teu Imaculado Coração.

“És pura sem igual”, santa e irrepreensível aos olhos de Deus no amor, não maculando a alma com a nódoa do pecado, livre da culpa original, fidelidade plena à vontade divina.

“Estrela na procela”, seja em tempos ensolarados ou nas procelas, sempre “brilhando nos caminhos”, como nossa esperança de um novo amanhecer.

Como “porto se revela e a nau, segura, avança”, porque Mãe da Igreja, aos pés da Cruz pelo Teu Filho, a humanidade, no discípulo,  te foi entregue e confiada.

“És torre inabalada, farol que nos conduz”, deste modo jamais nos desviaremos ou nos perderemos na missão e horizonte do Reino que teu Filho inaugurou e nos confiou.

Maria, “trazendo, imaculada, o bálsamo: Jesus”, vos louvamos por nada reter para si, nem mesmo Aquele que em teu ventre foi concebido pelo Espírito Santo.

Maria, cremos que “a culpa onipresente não mancha a tua aurora: venceste a vil serpente”, por isto confiante te pedimos“Protege-nos agora!”, “roga por nós pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém”.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG