sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações (IIDTCA)

Apresentar e testemunhar Jesus, a Luz das Nações

“Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser.
Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica.”

A Liturgia do 2º Domingo do Tempo Comum (Ano A) nos apresenta as passagens bíblicas: Is 49,3.5-6; Sl 39, 2.4.7-10-11ab; 1 Cor 1,1-3; Jo 1,29-34.

Na primeira Leitura, uma passagem do Antigo Testamento, o Profeta Isaías anuncia a ação divina, que fará do Servo Sofredor a luz das nações, para que seja a Salvação de Deus oferecida a toda a humanidade. Trata-se do segundo cântico do Servo Sofredor.

A Tradição cristã viu sempre nesta página o anúncio profético do Messias, que veio ao mundo como luz e Salvação para a Humanidade.

O Salmo traz um refrão que deve iluminar toda a nossa vida, sobretudo nossa prática pastoral como discípulos missionários do Senhor – “Eu disse: ‘Eis que venho, Senhor, com prazer faço a Vossa vontade!’”.

Servir a Deus com alegria, exultação, sinceridade, doação... Sem reclamar, sem sentir-se obrigado a qualquer coisa. Impulsionados pelo amor, quando algo fazemos, o prazer e a alegria são mais que alcançados, notados e partilhados.

Não encontramos nenhum gosto saboroso naquilo que não fazemos por amor e com prazer, sobretudo quando se refere à vontade divina, que pode exigir de nós algo mais: renúncia, sacrifício.

A passagem da segunda Leitura é a introdução da Carta que Paulo dirige à comunidade de Corinto, convidando todos a trilhar o caminho de santidade e a viver a única vocação que Deus tem para nós: sermos santos.

Finaliza a Carta com uma preciosa saudação que devemos trocar mutuamente, sobretudo quando estivermos esmorecidos, não enxergando a mão e a intervenção amorosa de Deus, que nos concede toda graça e toda paz: “A graça e a paz de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo estejam convosco”.

Na passagem do Evangelho, vemos a presença de João que nos apresenta Jesus, o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

João batizou Jesus, não porque este fosse pecador, mas para santificar a água na qual todos seríamos batizados. João viu e dá  testemunho sobre Jesus:  Ele,  João, viu, no dia do Batismo, descer do céu sobre Jesus o Espírito como uma pomba. É Jesus, batizado por João, o Messias esperado, o enviado de Deus para com o Batismo no Espírito comunicar Luz e salvação para toda a humanidade.

Oportuna a citação do Lecionário Comentado: “Hoje a Palavra de Deus qualifica João como o ‘apresentador do Messias.

Estamos habituados a assistir às entrevistas na televisão, em que o apresentador se serve de personagens famosas para ganhar audiência: os outros são para ele um pretexto para aumentar sua popularidade.

João, não! Não se serve de Jesus para aumentar a sua fama, ao invés convida os seus discípulos a seguirem Jesus” (p. 62).

A propósito, João dirá em outra passagem: “É necessário que Ele cresça e eu diminua” (Jo 3,30).

Iniciando o ano, somos todos convidados a renovar a alegria da graça do Batismo e também sermos no mundo sinal da Luz que é o Cristo Senhor.

É nossa missão sermos também apresentadores do Senhor, com o anúncio do Evangelho em todos os espaços e por todos os meios.

Mas não basta apresentar Jesus, falar de Jesus. É preciso que nossa vida corresponda ao que anunciamos, ou seja, é necessário o testemunho permanente e incansável, até que um dia possamos contemplar a face d’Aquele que nos foi apresentado, e também ao mundo apresentamos, na glória da eternidade.

Finalizo com as palavras de Santo Inácio de Antioquia (séc I):

Melhor é calar-se e ser do que falar e não ser. Coisa boa é ensinar, se quem diz o pratica. Pois só um é o Mestre que disse e tudo foi feito, mas também, tudo quanto Ele fez em silêncio é digno do Pai”.

Peçamos a Deus a graça de continuarmos apresentando o Senhor ao mundo, sempre acompanhado do necessário testemunho, em constante atitude de amor, diálogo, comunhão e serviço.

Setas ardentes do Amor Divino

 


Setas ardentes do Amor Divino

“Mas quem pode livrar-se porventura

dos laços que o amor arma brandamente” (Camões)

 

É uma manhã como todas as demais: o sol desponta timidamente no horizonte para iluminar o novo dia, com seus raios também aquecer e garantir a sagrada teimosia da existência, não obstante depredações e destruições, superaquecimento global, camada de ozônio...

Caminhando entre pedras e espinhos, sigo curando os cortes, e vencendo as dores, carregando as lembranças sacramentadas pelas cicatrizes.

Não fosse o Amor do Amado, quem avançar suportaria? Mais fortes seriam os turbilhões das emoções e medos a levar consigo os sonhos, metas, cantos, prosas e a mais belas poesias.

Mas Deus e Seu amor, que dá vertigem, porque ultrapassa nossos limites, as métricas dos méritos, créditos e débitos dos pecados e acertos que marcam os humanos relacionamentos.

As esperanças se renovam, porque amados por Ele, Jesus, trazemos nos olhos e no coração, a luz da fé, que nos torna intrépidos a vencer os inevitáveis desafios.

Agora, por um instante, silêncio das entranhas do coração, tão somente por Deus conhecido, declaro meu amor pelo Filho Amado do Pai; Amado que nos ama com o Fogo do Amor do Espírito, e  caminhamos mendicantes de imerecido Amor.

E assim, vou descortinando cada dia como páginas de um grande livro, que somente o Autor da Vida conhece seu epílogo, ao Amado abrindo meu coração, ferido pelas setas pontiagudas das Suas Palavras de ternura.

Tão lancinante dor do Amor que:

- Consome, sem me consumir, que, paradoxalmente me faz reencontrar o verdadeiro sentido do existir, sem me fazer perder a direção da vontade e o objetivo da alma do eterno encontro na eternidade Celestial, plenitude de Luz e Amor;

- Devolve o olhar da transcendência, que rompe ilusões e nos conduz no absolutamente essencial, para que a condição existencial tenha beleza e graça;

- Garante a mais bela e necessária de todas as conexões: a conexão com o Divino e Sua vontade a se realizar. E tão somente assim, a felicidade alcançar. Amém.

Perdoados e libertos pelo Senhor

                                                          

Perdoados e libertos pelo Senhor

A Liturgia da Palavra, da Sexta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum, nos apresenta a passagem do Evangelho (Mc 2,1-12).

Reflitamos sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, e que se viu realizado na Pessoa de Jesus, que deve ser acolhido como Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6). 

Reflitamos, também,  sobre o perdão dos pecados, a verdadeira doença da humanidade que Jesus combate e derrota ao cuidar da pessoa humana em sua totalidade.

Através d’Ele, a humanidade pode se voltar novamente para Deus (reconciliação), sobretudo se considerarmos que em cada um de nós existe uma profunda necessidade de libertação do exílio de nós mesmos, das nossas múltiplas paralisias, do nosso afastamento de Deus (pecado).

Deste modo, Jesus é a manifestação da bondade, da misericórdia e do Amor divino que liberta o homem de toda paralisia, de todo pecado. Começa a ser desenhado um conflito que o levará à Cruz, por ação e rejeição das autoridades constituídas.

Lembramos que Marcos não faz uma reportagem jornalística, mas uma autêntica catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus, que deverá ser por sua vez a missão de todo aquele que O seguir.

Um paralítico é levado por quatro homens e introduzido pelo telhado na casa onde Jesus Se encontrava. Ele será liberto e perdoado manifestando o poder que Jesus possuía, pelo Pai confiado.

Quatro homens significa a humanidade solidária com quem sofre, e vai ao encontro d'Aquele que tem a última Palavra, a resposta, a libertação.

O paralítico sem nome é a mesma humanidade sedenta de vida, liberdade, movimento, dinamismo, enfim, de uma nova possibilidade.

Também revela que a Salvação de Jesus não é somente para a comunidade judaica, mas para a humanidade inteira. Os esforços feitos para que o paralítico chegasse até Jesus retratam os esforços que devemos fazer para chegarmos até Jesus.

Nada pode impedir nosso encontro com a Fonte da Vida e da Liberdade. Tudo se torna nada, para conhecê-Lo, encontrá-Lo. Os esforços são a revelação da ânsia por libertação. Normalmente Jesus Se revela precisamente em nossas fraquezas, temores, cansaços, incertezas.

Ele tem a Palavra e a resposta. Ele é a própria Palavra que cura, liberta, perdoa, porque a plena manifestação do Amor de Deus.

O perdão que Jesus nos concede é a oportunidade do começo de uma nova vida, ao mesmo tempo revela o poder divino que possui, pois é Deus, e somente Deus pode perdoar (aqui o grande conflito: as autoridades reagem dizendo tratar-se de blasfêmia).

A grande mensagem catequética do Evangelista: Jesus tem autoridade para trazer a vida em plenitude. N’Ele, Deus Se revelou como misericórdia, bondade, amor e perdão.

A humanidade que percorre diariamente as estradas de sofrimento e angústia encontra em Jesus uma resposta, uma palavra de Libertação e Vida plena. Somente Ele pode colocar a humanidade numa órbita de vida nova. Sem Ele nada pode ser feito.

O pecado redimido deixa a lembrança no coração do pecador perdoado, não para imobilizá-lo, mas para que relembre sempre a história de um amor vivenciado, de uma nova oportunidade encontrada. 

Recorda-se como uma História de Salvação, como que um sigilo de um amor que foi e continua a ser maior do que qualquer enfermidade, qualquer pecado, quaisquer deslizes ou infidelidades.

O perdão purifica e renova. No coração de quem foi perdoado, por um pecado cometido, fica a  lembrança do amor vivido; força impulsionadora para um novo modo de ser e agir, para a não repetição indesejável das mesmas faltas.

Reflitamos:

- Como testemunhamos Jesus e Seu poder?
- Quem nós conduzimos até Jesus?
- Quem recebe da Igreja a solidariedade necessária para o encontro da vida digna e plena?

- Procuramos superar a cada instante o perigo de uma forma de vida cômoda, instalada, medíocre?

- Testemunhamos nossa fé com coragem para a transformação em todos os níveis?

- Quais são as paralisias que nos roubam o compromisso com a construção do Reino?

- Quais são os pecados assumidos, para que confessados diante da misericórdia de Deus mereçam o perdão?

- Antes de nosso pedido de perdão chegar até Deus, quais são os esforços que fazemos para alcançá-lo?

Deste modo, por meio de palavras e gestos, Jesus ama, salva, perdoa, liberta.

Concluindo: 
A Face misericordiosa de Deus Se revela em Sua ternura, solidariedade, fidelidade, perdão, liberdade e vida plena para todos.

PS: Passagem paralela - Evangelho de Mateus (Mt 9,1-8)

Uma súplica pelos amigos

                                                             

Uma súplica pelos amigos

“Como a águia que vela por seu ninho 
e revoa por cima dos filhotes, 
Ele o tomou, estendendo as Suas asas, 
E o carregou em cima de Suas penas” (Dt 32,11)

Quando tuas inquietações e preocupações forem tantas, como que te fazendo cair no caminho, lá estarei para te estender a mão e te levantar, para aliviar teus fardos a fim de te pores a caminho, sem jamais desistir de encontrar as superações necessárias.

Quando sonhos que te moviam se tornarem pesadelos, levando-te ao mais profundo do abismo do desespero, aparentemente sem consolo, te farei voltar à planície, a fim de que não desista jamais deles. Se sagrados forem, imortais serão.

Quando não mais forças tiveres para subir à montanha em busca da brisa que nos envolve e nos dá novo fôlego para enfrentar as tramas diabólicas do cotidiano que nos asfixiam, lá estarei invocando sobre ti o Sopro do Espírito.

Quando os mares das adversidades e contrariedades parecerem ser mais fortes, num aparente naufrágio, sem perspectiva de travessia para a margem, estarei presente, te resgatando com a Palavra do Divino Mestre que todos precisamos: “Coragem!”.

Quando a linha do horizonte a ti se apresentar com nuvens escurecidas, sem perspectivas de luminosidade, com o enterro da semente da esperança, lá estarei para te dizer que juntos e com fé, a faremos desabrochar, florescer, ressuscitar.

Quando o céu e o brilho das estrelas, o calor do sol dourado, e a beleza da prateada forem apenas astros, lá estarei para te ajudar a encontrar o reencantamento pela beleza da vida, fazendo-te reencontrar contigo mesmo e com o Sol Nascente que te conduz e ilumina.

Quando nem pela palavra, nem pelos atos eu nada mais puder fazer, na mais pura e fina flor da misericórdia, elevarei orações por ti, no silêncio fecundo que te fará reencontrar o caminho, para que voes mais alto nas asas do Espírito, porque Deus jamais te abandonará.

Levanta-te, creia, luta, não desistas jamais!
Leva contigo minha súplica a Deus,
E com ela, a certeza de que não seremos vencidos,
Porque com Ele, somos mais que vencedores.

Levanta-te,  amigo(a)!

Em poucas palavras...

                                              


A remissão dos pecados

“Na remissão dos pecados realiza-se também a unidade dos Sacramentos: o Batismo é ministrado para a remissão dos pecados; o Espírito é infundido para a remissão dos pecados; o Cálice é derramado para a remissão dos pecados. 

Juntamente com os Santos Padres podemos afirmar que tudo aquilo que Jesus era na terra está presente agora nos Sacramentos da Igreja.” (1)

 

 

(1)   Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume I – Paulus – 2010 – pág. 53 – Comentário da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 2,1-12)

Tempo de promover a concórdia e a paz

         


                       Tempo de promover a concórdia e a paz
 
     “Suportemos as fraquezas dos menos fortes” (cf. Rm 15,1-3)
 
Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo aos Romanos:

“Nós que temos convicções firmes devemos suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação.
 
Cada um de nós procure agradar ao próximo para o bem, visando a edificação. Com efeito, Cristo também não procurou a Sua própria satisfação, mas, como está escrito: ‘Os ultrajes dos que te ultrajavam caíram sobre mim’”. (Rm 15,1-3)
 
Todos nós já tivemos oportunidade de viver esta realidade: uma ação impiedosa, um ato pensado e realizado por alguém, quase ou mesmo roubando nossa serenidade.
 
E isto pode ser no âmbito da comunidade, bem como em todos os níveis de relacionamentos.
 
Eis o grande desafio: “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Jamais podemos perder de vista nossa missão de “edificar” a comunhão, a fraternidade, sobretudo porque somos discípulos missionários do Senhor, que nos deu a mais bela lição pelo Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte, como nos fala o Apóstolo.
 
Não é um caminho fácil a ser percorrido, e está explícito no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a), que nos exorta a viver a mansidão e promover a paz, suportando, se houver, calúnias, difamação e perseguições por causa do nome de Jesus e do Evangelho, que cremos, anunciamos e testemunhamos.
 
Vivendo em comunidade, somos desafiados a dar razão de nossa fé e esperança, sem jamais faltar com a caridade que jamais passará, e é exatamente nestes momentos e situações, o apóstolo nos exorta a “suportar as fraquezas dos menos fortes e não buscar a nossa própria satisfação”.
 
Urge a edificação da unidade, um grande desafio para nossa fé e testemunho: - “Agradar ao próximo para o bem, visando a edificação”.
 
E isto somente se torna possível, se tivermos como modelo o próprio Cristo “que não procurou a Sua própria satisfação”, fazendo cair sobre Si os ultrajes todos, ainda que não merecidos, por amor de nós, quando ainda pecadores.
 
Deste modo, é sempre tempo crescer na espiritualidade cristã e:
 
- Suportar as fraquezas dos menos fortes;
- Edificar a unidade, movidos pelas virtudes divinas;
- Ter os mesmos sentimentos, pensamentos e atitudes de Jesus.
 

Oremos:
 
"Concedei-nos, Senhor nosso Deus, adorar-Vos de todo o coração, e amar todas as pessoas com verdadeira caridade. Por N.S.J.C. Amém" (1)
 
(1) “Oração do Dia” - IV domingo do Tempo Comum (ano A)
 

Não percamos o foco

 


Não percamos o foco

Ao iniciar o ano, é fundamental que tenhamos projetos, metas, desafios a serem superados.

“Perguntaram a um ancião como um irmão sério não deveria se escandalizar se visse alguns monges retornarem ao mundo.

Ele disse: ‘Ele deveria observar os cães de caça que caçam lebres e notar que, quando um deles avista uma lebre, ele a persegue sem se distrair até alcançá-la.

Os outros cães, vendo apenas o cão perseguindo-a, correm com ele por algum tempo, mas acabam olhando em volta e ficam para trás,

Só aquele cão que viu a lebre a persegue até alcançá-la, não se deixando distrair nem um pouco do alvo de sua corrida pelos cães que recuaram.

Também não presta atenção a desfiladeiros, vegetação espessa ou espinhos. Assim faz aquele que busca Cristo Senhor-e-mestre: mantendo a cruz em mente sem titubear, supera todos os obstáculos que encontra, até alcançar o crucificado’”. (1)

Este dito anônimo nos remete às palavras do Apóstolo Paulo que nos ilumina para que não desistamos de santos projetos a serem alcançados; bem como a superação de eventuais dificuldades na vivência da fé em nossas comunidades eclesiais, e em  outros espaços em que convivemos:

“Por isso, eu corro, mas não sem meta. Eu luto, não como quem golpeia o ar. Trato duramente o meu corpo e o subjugo, para não acontecer que, depois de ter pregado aos outros, eu mesmo seja reprovado.” (2)

Sigamos em frente, o ano está apenas começando...

 

 

(1)  Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 203 – pp. 154-155

(2)1 Cor 9,26-27

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