sexta-feira, 9 de janeiro de 2026
Catequista: coração para sempre seduzido e apaixonado pelo Senhor
Catequista: coração para sempre seduzido e apaixonado pelo Senhor
- Tomar consciência de que como discípulo missionário, não pode se omitir no campo vasto e complicado da política, para que ela seja, de fato, expressão sublime de caridade na promoção do bem comum;
Ser catequista é enfim, saber que fez a melhor escolha, e não há melhor resposta: Somente Ele, Jesus, tem Palavra de Vida Eterna, e poderá saborear as palavras do Livro do Cântico dos Cânticos, também fazendo suas estas palavras, numa expressiva declaração de amor ao Senhor Jesus:
A misericórdia do Senhor veio ao nosso encontro
A misericórdia do Senhor veio ao nosso encontro
“Eu quero, fica purificado” (Lc 5,13)
Na passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 5,12-16), Jesus cura um leproso, reintegrando-o na comunidade, uma vez que a sua condição de enfermo, o colocava à margem da sociedade, do convívio com todos.
A Palavra de Jesus, Sua voz alcança a profundidade maior que possamos conceber, quando diz – “Eu quero, fica purificado” (Lc 5,13).
Sua Palavra penetra até nas entranhas mais profundas do coração daquele que n’Ele confia.
Assim aconteceu com aquele considerado “maldito” por todos. Jesus o declara transformado, transparente e puro, de modo que todo o perdão de Deus se encontra implícito nestas Palavras de Jesus. Tão breves e tão densas de misericórdia!
A Igreja, na fidelidade a Jesus, assim o será por todo o sempre: misericordiosa, e este será o fundamento da vida da Igreja.
Retomemos os dois versículos finais da passagem:
“Não obstante, Sua fama ia crescendo, e numerosas multidões acorriam para ouvi-Lo e serem curadas de suas enfermidades. Ele, porém, se retirava para lugares solitários e se entregava a oração” (Lc 5,15-16).
Vemos duas atitudes primordiais de toda a existência autêntica, como discípulos missionários do Senhor: a oração pessoal e o serviço em favor dos mais necessitados.
Concluindo, como Igreja que somos, haveremos de comunicar a misericórdia de Deus, em sua tríplice expressão, como tão bem nos falou Santa Margarida Maria Alacoque (séc. XVII), aludindo ao Coração Misericordioso do Senhor:
“Deste Divino Coração correm sem parar três rios: o primeiro é de misericórdia pelos pecadores, derramando neles o espírito de contrição e de penitência.
O segundo é de caridade, para auxílio de todos os sofredores, em particular dos que aspiram à perfeição, para que encontrem os meios de superar as dificuldades.
Do terceiro, enfim, emanam o amor e a luz para Seus amigos perfeitos, que Ele deseja unir a Sua ciência e à participação de Seus preceitos, para que, cada um a seu modo, se dedique totalmente à expansão de Sua glória”.
Uma Igreja misericordiosa e missionária
Uma Igreja misericordiosa e missionária
“Eu quero, sê purificado” (Lc 5,13)
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5,12-16), que tem passagens paralelas nos Evangelhos de Mateus e Marcos (Mc 1,4-45; Mt 8,1-4).
Contemplemos a ação de Deus, que Se revela pleno de Amor, bondade e ternura, através de Sua ação que acolhe, cura, liberta e integra a todos na vida da comunidade.
Nisto consiste a vontade de Deus: que se supere toda forma de discriminação e marginalização, e a comunidade deve empenhar-se, com sabedoria e coragem, para que isto se torne uma realidade.
Voltemos à passagem do Livro de Levítico (Lv 13, 1-2.44-46), que nos apresenta “a lei da pureza”, e uma visão deturpada de Deus que leva à invenção de mecanismos que discriminam, rejeitam e excluem em nome de Deus, numa total marginalização.
Dentre as impurezas, a lepra era considerada a mais grave, de modo que quem por ela fosse acometido, deveria ser segregado e afastado da convivência diária com outras pessoas, e tal medida tinha uma intenção higiênica e também para evitar o contágio.
Mais grave ainda, era considerado um pecador, amaldiçoado por Deus e indigno de pertencer à comunidade do Povo de Deus e não podia ser admitido nas assembleias em que Israel celebrava o culto na presença do Deus Santo.
Voltando à passagem do Evangelho, o leproso curado por Jesus, inaugura um novo modo de relacionamento, destruindo o triste mecanismo de marginalização que exclui estes do convívio social e da própria comunidade.
Jesus, com Sua Palavra e ação, cura e integra a todos na comunidade do Reino, sem jamais compactuar com a discriminação, exclusão, racismo ou qualquer outra forma de marginalização.
Com a Sua ação revela a face de um Deus cheio de Amor que vem ao encontro da nossa humanidade e da nossa condição pecadora e enferma, para nos curar e nos redimir.
Jesus, rosto da Misericórdia de Deus, toma para Si nossas dores e sofrimentos e nos comunica a chegada do Reino de Deus, porque completou-se o tempo esperado.
Novos tempos são inaugurados pela Sua presença e ação: a cura do leproso revela o Amor de Deus que cura, liberta, integra e impulsiona para o testemunho:
"A voz de Jesus, porém, é ainda mais profunda: ao decretar 'fica curado', penetra até nas entranhas daquele homem maldito e declara-o transformado, transparente e puro; todo o perdão de Deus está presente nesta frase.
O perdão de Deus que Jesus ofereceu aos marginalizados da terra tem que ser agora o fundamento da vida da Igreja... Só quando destruir todas as barreiras, só quando congregar todos como irmãos, a Igreja será lugar de Deus na terra. Então será satisfeita a antiga esperança messiânica da cura dos leprosos". (1)
Oportunas as palavras da Igreja, para refletirmos sobre a íntima união da Igreja com toda a família humana:
“As alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos aqueles que sofrem, são também as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos discípulos de Cristo; e não há realidade alguma verdadeiramente humana que não encontre eco no seu coração.
Porque a sua comunidade é formada por homens, que, reunidos em Cristo, são guiados pelo Espírito Santo na sua peregrinação em demanda do Reino do Pai, e receberam a mensagem da salvação para a comunicar a todos. Por este motivo, a Igreja sente-se real e intimamente ligada ao gênero humano e à sua história”. (2)
Reflitamos:
- Quais são as enfermidades que ainda hoje levam à exclusão e à marginalização?
- Até que ponto nossa ação também acolhe, liberta e integra na comunidade e na sociedade?
- De que modo os marginalizados e excluídos se abrem para a acolhida e integração na comunidade e na sociedade?
- Como vivemos a fidelidade ao Senhor, tendo d’Ele mesmos pensamentos e sentimentos?
- Como expressamos em nossa vida o amor, a ternura e a bondade de Deus para com o nosso próximo?
- Sabemos renunciar a direitos pessoais por bem maiores em favor de outros?
Sejamos na fidelidade ao Senhor, uma Igreja verdadeiramente misericordiosa e missionária, que viva a acolhida, o perdão, a integração de todos na vida da comunidade, com amor e alegria que gera comunhão, solidariedade e fraternidade.
Deste modo, participaremos da missão da construção do Reino: acolhidos, amados e curados para acolher, amar e curar num círculo que não pode se fechar, interromper.
(1) Comentários à Bíblia Litúrgica - Gráfica de Coimbra 2 - pág. 1076-1077
(2) Constituição Pastoral Gaudium Et Spes sobre a Igreja no mundo atual (n.1).
Rezando com os Salmos - Sl 112 (113)
Glorifiquemos a Deus em todo o tempo
“–1 Louvai, louvai, ó servos
do Senhor,
louvai, louvai o nome do Senhor!
–2 Bendito seja o nome do Senhor,
agora e por toda a eternidade!
–3 Do nascer do sol até o seu ocaso,
louvado seja o nome do Senhor!
–4 O Senhor está acima das nações,
sua glória vai além dos altos céus.
=5 Quem pode comparar-se ao nosso Deus,
ao Senhor, que no alto céu tem o Seu trono
6 e se inclina para olhar o céu e a terra?
–7 Levanta da poeira o indigente
e do lixo ele retira o pobrezinho,
–8 para fazê-lo assentar-se com os nobres,
assentar-se com os nobres do Seu povo.
–9 Faz a estéril, mãe feliz em sua casa,
vivendo rodeada de seus filhos.”
Com o
Salmo 112(113) glorificamos o nome do Senhor, porque Ele é digno de toda a
nossa honra, glória e louvor:
“Que
em toda parte e sempre ressoe o louvor ao Altíssimo, que na sua infinita grandeza
se digna olhar para os humildes.” (1)
Concluímos
rezando o Canto do Magnificat:
“A
minha alma engrandece o Senhor, e meu espírito exulta em Deus, meu Salvador...”
(Lc 1,46-55).
(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.825
Se quiseres seguir Jesus..
Quando nos calamos e nos silenciamos, temos a possibilidade de a voz de Deus ouvir. No silêncio de nossas palavras, a Palavra ecoa e ressoa trazendo as respostas às inquietantes questões que nos roubam a paz, a alegria. A alegria e a saúde brotam no coração de quem sabe silenciar diante dos Mistérios de Deus, para Sua Palavra acolher e frutificar…
Somente a Ti, Senhor, queremos amar e seguir.
Somente por Ti nosso coração se deixará seduzir.
Alegria, paz e o encanto no coração hão de resplandecer!
Mães: discípulas do Divino Amor, Jesus
Mães: discípulas do Divino Amor, Jesus
Mães são necessárias discipulas missionárias do Senhor, discípulas do Divino Amor.
São aprendizes e educadoras para a construção de uma cultura de vida e de paz, que passa necessariamente pela vivência do Mandamento do Amor que nosso Senhor nos ordenou: “Amai-vos uns aos outros, assim como Eu vos amei” (Jo 15,12).
Neste sentido, volto a algumas preciosas fontes da Igreja sobre o amor:
Assim os padres do deserto escreveram sobre o amor, a partir de um diálogo entre o mestre e seu discípulo:
“Perguntaram-lhe a um grande mestre:
Quando o amor é verdadeiro?
Quando é fiel – foi a resposta.
E quando é profundo?
Quando é sofredor – foi a resposta.
E como fala o amor?
A resposta foi:
O amor não fala.
O amor ama”.
Disse Santo Tomás de Aquino (séc. XII):
“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada."
Mais tarde, assim nos falou o Presbítero João da Cruz (séc. XVI), sobre o julgamento final:
“Ao entardecer desta vida, examinar-nos-ão no amor”.
Memoráveis, também, as palavras de Santa Teresinha do Menino Jesus (séc. XIX):
“Então, delirante de alegria, exclamei: Ó Jesus, meu amor, encontrei afinal minha vocação: minha vocação é o amor. Sim, encontrei o meu lugar na Igreja, Tu me deste este lugar, meu Deus. No coração da Igreja, minha mãe, eu serei o amor e desse modo serei tudo, e meu desejo se realizará”.
Concluindo, peçamos a Deus por todas as mães que, tendo vivido amor assim, estejam na glória Deus, brilhando como os justos no Reino do Pai, como nos prometeu o Senhor (Mt 13,43); e por aquelas que estão entre nós, que sejam sábias discípulas do Verbo, o Divino Amor que se fez Carne e habitou entre nós (cf. Jo 1,14).







