sexta-feira, 9 de janeiro de 2026

Discurso do Papa Francisco no Simpósio Internacional (Síntese)

                                                                     


Discurso do Papa Francisco no Simpósio Internacional (Síntese)

 

“Para uma teologia Fundamental do Sacerdócio”

 

O Papa partilha uma reflexão fruto dos seus 52 anos de Sacerdócio, e do convívio com tantos padres ao longo de sua vida, a fim de iluminar a vida e o ministério dos padres, e assim tenham os traços do Bom Pastor, Jesus Cristo, e não percam o fogo do primeiro amor, tornando estéril, repetitivo e quase sem sentido o ministério.

 

Na sua vida, o sacerdote atravessa condições e momentos diferenciados, e é necessária a atitude de abertura às mudanças, sem jamais cair na tentação de recuo à procura de refúgio, ou o otimismo exagerado, seguindo em frente e sem as decisões necessárias – “São dois tipos de fuga, que fazem lembrar as atitudes do mercenário que vê vir o lobo e foge: foge para o passado ou foge para o futuro. Mas nenhuma destas atitudes leva a soluções amadurecidas.”.

 

Urge a edificação de comunidades com vida, fervor e o anseio de levar Cristo aos outros, a fim de que surjam vocações genuínas: –“Quando caímos no funcionalismo, quando tudo é organização pastoral e nada mais, isto não atrai de maneira alguma; mas quando há o padre ou a comunidade que tem o tal fervor cristão, batismal, então há a atração de novas vocações”.

 

A vida de um sacerdote é, antes de mais nada, a história de salvação de um batizado, de modo que não se pode cair na grande tentação de viver um sacerdócio sem batismo: – “Com toda a razão nos lembrava São João Paulo II que «o sacerdote, como a Igreja, deve crescer na consciência da sua permanente necessidade de ser evangelizado» (Exort. ap. pós-sinodal Pastores dabo vobis, 25/03/1992, 26). Tenta ir dizer a um bispo, a um sacerdote que deve ser evangelizado. Não compreendem! Isto sucede. É o drama de hoje”

Afirma que nossa vocação é uma resposta Àquele que nos amou primeiro (cf. 1 Jo 4, 19),  e diz que sempre relê o Profeta Ezequiel 16, com o qual se sente identificado,  além de nomear outros (Pedro, Paulo, Mateus...).

O Papa nos apresenta quatro sólidos alicerces, ou seja, quatro atitudes que dão solidez à pessoa do sacerdote; quatro colunas constitutivas da vida sacerdotal, as «quatro proximidades», pois seguem o estilo de Deus, que é fundamentalmente um estilo de proximidade (cf. Dt 4, 7): proximidade com Deus, com os bispos, presbíteros e Povo de Deus.

Este estilo de Deus é proximidade especial, compassiva e terna, e as palavras que definem a vida de um sacerdote (e também de um cristão), porque são tiradas precisamente do estilo de Deus: proximidade, compaixão e ternura.

Tudo isto manterá viva a chama do primeiro amor, na expressão das palavras de exortação do Apóstolo Paulo a Timóteo, para que mantivesse vivo o dom de Deus que recebera pela imposição das mãos dele, pois Deus não nos concedeu um espírito de timidez, mas de fortaleza, amor e sobriedade (cf. 2 Tm 1, 6-7).

1 - Proximidade com Deus:

«Eu sou a videira; vós, os ramos (João diz isto no seu Evangelho a propósito de «permanecer»): é preciso permanecer n’Ele, Jesus, a fim de que o ministério seja fecundo:

- “A proximidade com Jesus, o contato com a Sua Palavra, permite-nos comparar a nossa vida com a d’Ele e aprender a não nos escandalizarmos com nada do que nos acontece, a defender-nos dos «escândalos». Como sucedeu com o Mestre, passareis por momentos de alegria e festas nupciais, milagres e curas, multiplicação de pães e descanso. Haverá momentos em que poder-se-á ser louvado, mas virão horas também de ingratidão, rejeição, dúvida e solidão, a ponto de ter que dizer: «Meu Deus, meu Deus, porque me abandonastes?» (Mt 27, 46)”.;

- “A proximidade com Jesus convida-nos a não temer nenhuma destas horas, não porque somos fortes, mas porque olhamos para Ele e agarramo-nos a Ele, dizendo-Lhe: «Senhor, não permitais que eu caia em tentação!... Por vezes esta proximidade com Deus assume a forma duma luta: havemos de lutar com o Senhor sobretudo nos momentos em que a sua ausência se faz sentir mais na vida do sacerdote ou na vida das pessoas a ele confiadas; lutar toda a noite e pedir a sua bênção (cf. Gn 32, 25-27), que será fonte de vida para muitos...”

A escassa vida de oração torna-se fonte de muitas crises, de modo que é preciso distinguir uma vida espiritual de uma prática religiosa“Sem a intimidade da oração, da vida espiritual, da proximidade concreta com Deus através da escuta da Palavra, da Celebração Eucarística, do silêncio da adoração, da consagração a Maria, do sábio acompanhamento duma guia, do sacramento da Reconciliação… sem estas «proximidades» concretas, um sacerdote não passa, por assim dizer, dum trabalhador cansado que não se aproveita dos benefícios dos amigos do Senhor”

Muitas vezes, pratica-se a oração apenas como um dever, esquecendo-se que a amizade e o amor não podem ser impostos como uma regra externa, mas são opção fundamental do nosso coração: – “Um sacerdote que reza permanece, radicalmente, um cristão que compreendeu profundamente o dom recebido no Batismo. Um padre que reza é um filho que se lembra continuamente de ser filho e ter um Pai que o ama. Um padre que reza é um filho que se aproxima do Senhor.”.

É necessário cultivar espaços de silêncio ou pode-se cair num ativismo como expressão de fuga: – “Se não se sabe largar o «fazer» de Marta, para aprender o «estar» de Maria.”

 

O caminho do deserto leva à intimidade com Deus, mas sob condição de não fugir, não encontrar formas para escapar deste encontro. Hei de conduzi-lo ao deserto «para lhe falar ao coração»: diz o Senhor ao Seu povo, pela boca do profeta Oseias (cf. Os 2,16).

 

Um sacerdote deve ter, portanto, um coração suficientemente «ampliado», para dar espaço ao sofrimento do povo que lhe está confiado e ao mesmo tempo, como sentinela, anunciar a aurora da Graça de Deus que se manifesta precisamente naquele sofrimento, e nesta proximidade com Deus, o sacerdote reforça a proximidade com o seu povo; e, vice-versa, na proximidade com o seu povo vive também a proximidade com o seu Senhor, por isto, rezar é tarefa primeira tarefa de todo bispo e sacerdote.

2 - Proximidade com o bispo

A obediência não é um atributo disciplinar, mas a característica mais forte dos laços que nos unem em comunhão, de modo que obedecer – neste caso, ao bispo – significa aprender a escutar.

Esta atitude de obediência implica na capacidade de saber escutar, pois nos ajuda a individuar o gesto e a palavra oportunos que nos desinstalam da cômoda condição de espectadores, uma escuta respeitosa e compassiva.

Esta obediência “é a decisão fundamental de acolher quem está colocado à nossa frente como sinal concreto daquele sacramento universal de salvação que é a Igreja; obediência que pode ser também confrontação, escuta e, nalguns casos, tensão, mas não se separa. Isto requer necessariamente que os sacerdotes rezem pelos bispos e saibam exprimir, com respeito, coragem e sinceridade, o seu parecer. Requer, igualmente dos bispos, humildade, capacidade de escuta, de autocrítica e de se deixar ajudar. Se defendermos esta ligação, avançaremos com segurança no nosso caminho”.

3 - Proximidade entre presbíteros

“Fraternidade é optar deliberadamente por procurar ser santo com os outros, e não em solidão, santo com os outros”.

Cita um provérbio africano: “«Se queres chegar depressa, vai sozinho; se queres chegar longe, vai com os outros». Às vezes parece que a Igreja seja lenta – e é verdade –, mas apraz-me pensar que seja a lentidão de quem decidiu caminhar em fraternidade; inclusive acompanhando os últimos, mas sempre em fraternidade”.

A partir da Primeira Carta de Paulo aos Coríntios, capítulo 13, descreve algumas atitudes que devem marcar a vida do sacerdote nesta proximidade a ser vivida: a paciência, a benignidade, a vigilância em relação ao pecado da inveja, vencer toda tentação de solidão, o amor fraterno que não busca o próprio interesse e não deixa espaço à ira, ao ressentimento.

Quanto ao amor fraterno, compara-o como um ginásio do espírito, onde dia a dia nos confrontamos conosco e temos o termómetro da nossa vida espiritual, e é a profecia da fraternidade permanece viva e tem necessidade de arautos.

No caso dos presbíteros, este amor fraterno se exprime como caridade pastoral, que impele a viver concretamente na missão – “...o amor entre os presbíteros tem a função de guardar, de se guardarem mutuamente”.

E completa: – “Atrevo-me a dizer que, onde reina a fraternidade sacerdotal, a proximidade entre os padres, e existem laços de verdadeira amizade, é possível viver com mais serenidade também a opção celibatária...Sem amigos e sem oração, o celibato pode tornar-se um peso insuportável e um contratestemunho da própria beleza do sacerdócio”.

4 - Proximidade com o povo

Convida-nos a retomar os números 8 e 12 da “Lumen Gentium”, na compreensão desta proximidade.

A relação com o santo Povo de Deus deve ser  para cada um de nós, não um dever, mas uma graça – “«O amor às pessoas é a força espiritual que favorece o encontro em plenitude com Deus”, de modo que a paixão por Jesus deve ser simultaneamente uma paixão pelo seu povo, e Ele quer servir-Se dos sacerdotes para ficar mais próximo do santo Povo fiel de Deus...”

Deste modo, o Povo de Deus espera encontrar pastores com o estilo de Jesus e não «clérigos de Estado», vivendo ao estilo do Senhor, que é de proximidade, compaixão e ternura, capazes de parar junto de quem está ferido e estender-lhe a mão; homens contemplativos que possam, na proximidade com o seu povo, anunciar nas chagas do mundo a força operante da Ressurreição.

Reflete sobre a perversão do clericalismo: – “O clericalismo é uma perversão. E um dos seus sinais – a rigidez – é outra perversão. O clericalismo é uma perversão, porque se constitui com base no «distanciamento». Curioso! Não sobre as proximidades, mas sobre o contrário! Quando penso no clericalismo, vem-me ao pensamento também a clericalização do laicado, ou seja, a promoção duma pequena elite que, ao redor do padre, acaba inclusivamente por desnaturar a sua missão fundamental (cf. Gaudium et spes 44): a do fiel leigo”.

Cada batizado é uma missão nesta terra, e para isto está no mundo;  é  preciso nos considerarmos como marcados a fogo por esta missão (EG 273).

Relaciona a proximidade com o Povo de Deus e a proximidade com Deus, porque a oração do pastor se nutre e encarna no coração do Povo de Deus. Quando reza, o pastor carrega consigo os sinais das feridas e das alegrias do seu povo, que apresenta em silêncio ao Senhor para que as unja com o dom do Espírito Santo. Está aqui a esperança do pastor, que tem confiança e luta para que o Senhor abençoe o seu povo.

Conclui afirmando que estas quatro proximidades são fundamentais, para que o sacerdote responda melhor ao chamado,  sem medo, sem rigidez, sem reduzir nem empobrecer a missão, de modo que a proximidade com o Senhor não se trata de uma nova tarefa, mas um dom que Ele concede para que se mantenha viva e fecunda a vocação, uma proximidade compassiva e terna com Deus, com o bispo, com os irmãos presbíteros e com o povo que lhes foi confiado – uma proximidade ao estilo de Deus, marcada pela compaixão e ternura.

 

PS: Discurso proferido na Sala Paulo VI, no dia 17 de fevereiro de 2022, que pode ser conferido na integra:

http://www.vatican.va/content/francesco/pt/speeches/2022/february/documents/20220217-simposio-teologia-sacerdozio.html

  

Sempre é tempo de Profecia em favor da vida!

                                                          


Sempre é tempo de Profecia em favor da vida!

Vocação que antes de tudo é chamado, é dom de Deus e resposta humana, vivendo intensamente e com paixão nossa vocação, sobretudo a Vocação Profética, a qual somos chamados a viver pelo Batismo.

Viver a profecia é estar inserido na escola do Amor, eternos aprendizes do Mestre.

O Profeta promove o cortejo da vida (caminho da esperança, ressurreição, transformação do choro de morte na alegria da vida), em contraposição aos cortejos da morte (sem esperança, desespero, fome, analfabetos, excluídos, drogados, vazios de sentido existencial etc.).

Profecia é como uma chama que precisa ser alimentada na Mesa da Eucaristia, na escuta da Palavra do Mestre. Em todo tempo somos desafiados a dar testemunho profético.

Urge a discussão com a sociedade para que, através da participação de todos, possamos buscar soluções eficazes salvaguardando o valor incalculável da vida humana. 

Ser profeta exigirá de todos nós:

-  Uma fé em permanente processo de acrisolamento, amadurecimento, alimentada na necessária intimidade e amizade com Deus, numa Paixão incondicional e profunda por Jesus Cristo;

-  A encarnação na realidade;
-  Passar de perseguidor a perseguido pela paixão do Reino;
-  O testemunho da gratuidade Divina;

-  Arriscar a vida (contra toda incompreensão, solidão, abandono, perseguição...);
- Ação num lugar concreto e no cotidiano da vida, no chão da realidade;
-  Saber escutar, aprender e acolher a voz de Deus para que todo o povo tenha vida;

-  Lutar pela libertação integral da pessoa toda e toda a pessoa;
-  Participar do cortejo da vida;
-  Possuir o vigor que procede de Deus;

-  Portar um anúncio que não envelhece;
-  Ser, aqui e agora, uma denúncia que não se cala, por ser a própria voz de Deus;
-  Não ser devorado pelas estruturas de morte que devoram a vida;

-  Uma profunda coerência de vida;
-  Saber silenciar para que a voz de Deus possa ressoar;
-  Uma luta incansável contra a idolatria;

-  Ser, por excelência, pessoa de esperança contra toda falta de esperança, abrindo-se à vontade de Deus num mundo marcado pela pluralidade cultural, crise de valores;
-  Ser possuidor de uma sexualidade integrada e integradora...

Profecia vivida é a certeza de que um dia poderemos brilhar como o sol no Reino do Pai (cf. Mt 13,43), já resplandecendo Sua Luz aqui na terra!

quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 111 (112)


 

Frutos da luz: bondade, justiça e verdade


“–1 Feliz o homem que respeita o Senhor
e que ama com carinho a sua Lei!
–2 Sua descendência será forte sobre a terra,
abençoada a geração dos homens retos!

–3 Haverá glória e riqueza em sua casa,
e permanece para sempre o bem que fez.
–4 Ele é correto, generoso e compassivo,
como luz brilha nas trevas para os justos.

–5 Feliz o homem caridoso e prestativo,
que resolve seus negócios com justiça.
–6 Porque jamais vacilará o homem reto,
sua lembrança permanece eternamente!

–7 Ele não teme receber notícias más:
confiando em Deus, seu coração está seguro.
–8 Seu coração está tranquilo e nada teme,
e confusos há de ver seus inimigos.

=9 Ele reparte com os pobres os seus bens,
permanece para sempre o bem que fez, *
e crescerão a sua glória e seu poder. –

=10 O ímpio, vendo isto, se enfurece,
range os dentes e de inveja se consome;
mas os desejos do malvado dão em nada.”

Com o Salmo 111(112) refletimos sobre a felicidade do justo que confia em Deus e procura viver a Sua Lei.

Somos iluminados pelas palavras do Apóstolo Paulo para que vivamos do mesmo modo e produzamos os frutos por Deus esperados:

“Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Procedei como filhos da luz. E o fruto da luz é toda espécie de bondade e de justiça e de verdade.” (Ef 5,8-9).

Rezando com os Salmos - Sl 110(111)

 




As obras do Senhor são verdade e justiça

–1 Eu agradeço a Deus de todo o coração *
junto com todos os Seus justos reunidos!
–2 Que grandiosas são as obras do Senhor, *
elas merecem todo o amor e admiração!

–3 Que beleza e esplendor são os Seus feitos! *
Sua justiça permanece eternamente!
–4 O Senhor bom e clemente nos deixou *
a lembrança de suas grandes maravilhas.

–5 Ele dá o alimento aos que O temem *
e jamais esquecerá Sua Aliança.
–6 Ao Seu povo manifesta Seu poder, *
dando a Ele a herança das nações.

–7 Suas obras são verdade e são justiça, *
seus preceitos, todos eles, são estáveis,
–8 confirmados para sempre e pelos séculos, *
realizados na verdade e retidão.

=9 Enviou libertação para o Seu povo, †
confirmou Sua Aliança para sempre. *
Seu nome é santo e é digno de respeito.

=10 Temer a Deus é o princípio do saber, †
e é sábio todo aquele que o pratica. *
Permaneça eternamente o Seu louvor.”

Com o Salmo 110(111) contemplamos as grandes obras do Senhor, sobretudo os prodígios durante o Êxodo.

Também o autor do Livro do Apocalipse nos convida a contemplar as maravilhas por Deus realizadas:

“Grandes e maravilhosas são as tuas obras, Senhor Deus todo-poderoso! (Ap 15,3).

Supliquemos a Deus para nos conceda um olhar contemplativo de Suas maravilhas, e assim renovemos nossos sagrados compromissos com a Boa Nova do Reino, passando sempre da contemplação para a oblação. Amém.

Oremos pelos nossos Bispos e Presbíteros

                                                                        

                             

Oremos pelos nossos Bispos e Presbíteros

Ó Deus, a Vós suplicamos por todos os Bispos e Presbíteros, para que, pela palavra, conduta, caridade, fé, pureza, sejam exemplos aos fiéis a eles confiados.

Com o Vosso Espírito, vivam na fidelidade ao Evangelho comunicado pelo Vosso Filho, Jesus, e coloquem em prática tudo o que ensinam, fazendo progressos contínuos de santidade.

Sejam perseverantes na fé vigilante e inquebrantável, esperança ativa e comprometida, como sinais e instrumentos da caridade que jamais passará.

Sejam conduzidos e iluminados pelo Santo Espírito, para que, na dedicação à leitura da Sagrada Escritura, à exortação e ao ensino, jamais se descuidem do dom da graça do Ministério que lhes foi confiado, amando e servindo a Vossa Igreja. Amém.

 

Fonte inspiradora: 1Tm 4,12-16

Olhos da alma fixos em Jesus

                                                       

Olhos da alma fixos em Jesus

“Jesus, enrolando o livro, devolveu ao auxiliar e Se sentou.
Toda a sinagoga tinha os olhos fixos n’Ele” (Lc 4, 20)

Retomemos um trecho do Sermão escrito por Orígenes (séc. III), sobre o Evangelho de Lucas à luz da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,14-22a).

“Também agora, nesta sinagoga, nesta assembleia, podeis – se assim desejais – fixar os olhos no Salvador. Desde o momento em que tu dirijas o mais profundo olhar de teu coração para a Sabedoria, para a Verdade e ao Unigênito de Deus, para mergulhar em Sua contemplação, teus olhos estão fixos em Jesus.

Ditosa a assembleia, da qual a Escritura testifica que os olhos de todos estavam fixos n’Ele! O que eu não daria para que esta assembleia merecesse semelhante testemunho, de maneira que os olhos de todos: catecúmenos e fiéis, homens e mulheres e crianças, tivessem os seus olhos fixos em Jesus! E não os olhos do corpo, mas os da alma. 

De fato, quando os vossos olhos estiverem fixos n’Ele, Sua luz e Seu olhar farão vossos rostos mais luminosos, e podereis dizer:  ‘a luz de Tua face nos assinalou, Senhor’.

A Ele corresponde à glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Urge fixarmos os olhos da alma em Jesus, a fim de que nossos rostos sejam mais luminosos, sobretudo se considerarmos os desafios a serem enfrentados cotidianamente.

Haja o que houver, haveremos de ter os olhos da alma fixos em Jesus, para que nos seja comunicada a Sabedoria do Espírito, para que nossas palavras e obras correspondam ao querer de Deus, e assim venhamos a dar testemunho de nossa fé, e manifestar a força libertadora da Palavra de Deus em nossa vida.

Olhos da alma fixos em Jesus, firmemos nossos passos no bom combate da fé, como peregrinos de esperança que somos, na alegria do discipulado.

 Oremos:

“Deus eterno e todo-poderoso, dirigi a nossa vida segundo o Vosso amor, para que possamos, em nome do Vosso Filho, frutificar em boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”



(1): Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.624-625.

Em poucas palavras...

                                              


Maná: prefiguração da Eucaristia

“É com base nesta harmonia dos dois Testamentos (Dei Verbum 14-16) que se articula a catequese Pascal do Senhor (Lc 24,13-49) e, depois, a dos Apóstolos e dos Padres da Igreja.

Esta catequese desvenda o que estava oculto sob a letra do Antigo Testamento: o mistério de Cristo. É chamada «tipológica», porque revela a novidade de Cristo a partir das «figuras» (tipos) que a anunciavam nos fatos, palavras e símbolos da primeira Aliança.

Por esta releitura no Espírito de verdade a partir de Cristo, as figuras são desvendadas (2 Cor 3,14-16).

Assim, o dilúvio e a arca de Noé prefiguravam a salvação pelo Batismo (1 Pd 3,21), tal como a nuvem, a travessia do Mar Vermelho e a água do rochedo eram figura dos dons espirituais de Cristo (1 Cor 10,1-6); e o maná do deserto prefigurava a Eucaristia, «o verdadeiro Pão do céu» (Jo 6, 48).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n.1094

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG