quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

A força indispensável da oração

                                                   


 A força indispensável da oração


Ó Deus, rico em misericórdia, muitas vezes nossa vida é uma “luta”, como lemos nas Sagradas Escrituras, quando contemplamos a figura de Jó, exemplo de coragem, fé e fidelidade, e podemos repetir, que de fato, “A vida do homem é uma luta” (Jó 7,1).

Ó Deus, consolação dos aflitos, contemplamos Vosso Filho que, em diálogo contínuo convosco encontrou força para aceitar a incompreensão, as humilhações, traições, sofrimentos, que lhe ofereceram em paga de Seu amor.

Ó Deus, divina fonte de ternura, contemplamos Vosso Filho, sempre confortado pela oração, e refeito por esta comunhão íntima convosco, comunica coragem aos discípulos e os tornam prontos e disponíveis para o Reino, a fim de que não naufraguem na travessia do mar da vida.

Ó Deus, refúgio e proteção, Adoramos e aprendemos com Vosso Filho que orava constantemente, para que, como nosso Divino Mestre, não apenas nos dando exemplo, mais ainda, porque Se sentia verdadeiro homem, necessitado, portanto, desse contato permanente Convosco.

Ó Deus, plenitude de bondade, quantas vezes nos sentimos fatigados pela labuta cotidiana, pela desilusão, desconfiança, incompreensões, provocações que a vida nos reserva, sacudidos pelo vento de tendências opostas, ideologias contrárias, paixões violentas...

Ó Deus, a quem recorremos em todos os momentos, agora suplicamos a presença constante do Vosso Filho na barca de Vossa Igreja, e que ouçamos de Seus lábios as palavras pronunciadas naquele dia, hoje e sempre: “Coragem, sou Eu, não tenhais medo!” (Mc 6,50).

Ó Deus, que estais nos céus, queremos santificar Vosso nome, pedindo para que não nos deixeis cair em tentação, nem nos deixeis naufragar no mar dos perigos e adversidades, e tenhamos sempre as mãos estendidas do Vosso Filho e a presença do Santo Espírito, que vem em nosso socorro de nossa fraqueza. Amém.


Fonte inspiradora: Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – pp.152-153 – sobre a passagem do Evangelho de Marcos  (Mc 6,45-52) proclamada na quarta-feira, após a Epifania do Senhor.

Testemunhar a fé em todo o tempo

                                                     

Testemunhar a fé em todo o tempo
 
Sejamos enriquecidos pelo Sermão Escrito por Orígenes (séc. III):
 
Senhor, salva-nos, que estamos perecendo. Era tanto o temor que tinham, estavam tão perturbados e tão fora de si, que chegaram ao Senhor com grande alteração, sem descanso nem sossego, mas muito apressados, e lhe disseram assim: Senhor, salva-nos, que estamos perecendo.
 
Ó bem-aventurados e verdadeiros discípulos de Deus! Tendes convosco ao verdadeiro Senhor e Salvador do mundo, e temeis algum perigo? Tendes convosco a vida, e temeis a morte? Tendes presente ao Criador do mar, e lhe despertais com medo da tempestade? Como? Pois não basta seu poder, mesmo que com o corpo durma, para amansar as ondas e aplacar a tempestade?
 
Mas a isto responderão estes santos e tão amados discípulos: ‘Agora nós somos pequenos, somos fracos, não estamos fortificados na fé, e por isso tememos, ainda não vimos a cruz do Senhor; ainda não fomos confirmados na gloriosa Paixão e triunfante Ressurreição; na sua maravilhosa Ascensão aos céus; não nos visitou com a vinda do Espírito Santo sobre nós, e desta forma não vos maravilheis de que sejamos fracos e temamos, e por isso mesmo ouvimos muitas vezes que, repreendendo-nos, o Senhor nos chama homens de pouca fé, e tudo o sofremos com amor e humildade para segui-Lo’.
 
Por que estais tão medrosos, homens de pouca fé? Por que não tendes fortaleza? Por que não tendes perfeita confiança e segurança? Como?
 
E se a morte vos viesse, não seria motivo que com muita constância a sofrêsseis? Não sabeis que a fortaleza é virtude necessária para sofrer tudo o que nos sobrevém?
 
Qualquer perigo e tribulação, até a própria morte se sofre com a fortaleza: a fortaleza também é útil contra os prazeres, riquezas e honras do mundo, porque com ela nos defendemos para não nos ensoberbecermos, para não desvanecermos.
 
Porque a fortaleza nos ensina a não menosprezar aos nossos inimigos, nem ter em pouca consideração aos pobres humildes; ensina-nos como não devemos esquecer-nos de Deus, nem desamparar ao nosso Criador, nem ser-lhe ingratos; e de uma coisa vos aviso: que se é necessária a virtude da fortaleza para combater as adversidades e as dificuldades, para armar-se da fé e sofrer tudo por Deus, não é menos necessária para saber usar das honras, riquezas e prosperidades que o mundo nos dá, para que não nos sirvam de ciladas em que o diabo nos amarre.
 
Portanto, por que estais perturbados, ó homens de pouca fé? Se crestes que Eu sou verdadeiramente Deus, Criador de todas as coisas, e por isso me seguistes e me tomastes por Mestre, como duvidais que o que Eu criei esteja em meu poder e ao meu comando? Por que duvidastes, ó homens de pouca fé? Não sabeis que está escrito que aquele que pouco crê será repreendido; e o que nada crê, será menosprezado? Os fracos na fé serão repreendidos, os que forem completamente alheios à fé serão castigados.
 
Então, levantando-se, ordenou aos ventos e ao mar, e houve grande calmaria. O grande profeta disse: E levantando-se o Senhor como quem dormia, ou como um poderoso embriagado por vinho, feriu a todos os seus inimigos nas costas; agora, levantando-se, ordenou aos ventos e ao mar, e houve grande calmaria. Ordenou aos ventos e ao mar como seu Criador que era: ordenou aos seus como poderoso, ordenou aos ventos como seu Senhor, e ordenou-lhes antes por seus discípulos, para que eles, vendo-o, fossem confirmados na fé.” (1)
 
Também nós, podemos passar por momentos difíceis, em que devemos testemunhar nossa fé em Deus, e n’Ele colocar toda a nossa confiança.
 
Urge que não vacilemos na fé, nem esmoreçamos na esperança e não esfriemos na caridade (Papa São Leão Magno - séc. V), a fim de que sejamos resistentes na tentação, pacientes na tribulação e agradecidos a Deus nos mais preciosos sinais de prosperidade.
 
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - pp. 412-414

terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O amor deseja ardentemente ver Deus

                                                              

O amor deseja ardentemente ver Deus

“O amor não desiste perante o impossível, 
não desanima diante das dificuldades”

Sejamos enriquecidos pelo Sermão de São Pedro Crisólogo, Bispo do século V, que muito nos ajuda na preparação do Natal do Senhor.

“Vendo o mundo oprimido pelo temor, Deus procura continuamente chamá-lo com amor, convidá-lo com a Sua graça, segurá-lo com a caridade, abraçá-lo com afeto.

Por isso, purifica com o castigo do dilúvio a terra que se tinha inveterado no mal; chama Noé para gerar um mundo novo; encoraja-o com palavras afetuosas, concede-lhe Sua confiante amizade, o instrui com bondade acerca do presente e anima-o com Sua graça a respeito do futuro.

E já não Se limita a dar-lhe ordens, mas tomando a parte no seu trabalho, encerra na arca toda aquela descendência que havia de perdurar por todos os tempos, para que esta Aliança de Amor acabasse com o temor da servidão e se conservasse na Comunhão de Amor o que fora salvo com a comunhão de esforços.

Por esse motivo chama Abraão dentre os pagãos, engrandece seu nome, torna-o pai dos crentes, acompanha-o em sua viagem, protege-o entre os estrangeiros, cumula-o de bens, exalta o com vitórias, dá-lhe garantia de Suas promessas, livra-o das injúrias, torna-Se seu Hospede, maravilha-o com o nascimento de um filho que ele já não podia esperar.

Tudo isso a fim de que, cumulado de tantos benefícios, atraído pela grande doçura da caridade divina, aprendesse a amar a Deus e não mais temê-Lo, a honrá-Lo com amor e não com medo.

Por isso também, consola em sonhos a Jacó quando fugia, desafia-o para um combate em seu regresso e na luta aperta-o nos braços, para que não temesse, porém, amasse o instigador do combate.

Por isso ainda, chama Moisés na própria língua e fala-lhe com afeto paterno, convidando-o a ser o libertador de Seu povo.

Em todos esses fatos que relembramos, de tal modo a chama da caridade divina inflamou o coração dos homens e o inebriamento do Amor de Deus penetrou os seus sentidos que, cheios de afeto, começaram a desejar ver a Deus com os olhos do corpo.

Deus, que o mundo não pode conter, como o olhar limitado do homem o abrangeria? Mas o que deve ser, o que é possível, não é a regra do amor. O amor ignora as leis, não tem regra, desconhece medida. O amor não desiste perante o impossível, não desanima diante das dificuldades.

O amor, se não alcança o que deseja, chega a matar o que ama; vai para onde é atraído, e não para onde deveria ir. O amor gera o desejo, cresce com ardor e pretende o impossível. E que mais?

O amor não pode deixar de ver o que ama. Por isso todos os Santos consideravam pouca coisa toda recompensa, enquanto não vissem a Deus.

Por isso Moisés se atreve a dizer: ‘Se encontrei graça na Vossa presença, mostrai-me o Vosso Rosto’ (Ex 33,13.18). Por isso, diz também o salmista: ‘Não me escondais a Vossa Face’ (Sl 26,9). Por isso, enfim, até os próprios pagãos, no meio de seus erros, modelaram ídolos, para poderem ver com seus próprios olhos o objeto de seu culto.”  (1).

As palavras tão inflamadas de amor do Bispo nos servirão como inspiração e força para a necessária travessia do mar da vida, ao encontro do Senhor que vem ao nosso encontro.

Que o Advento seja este Tempo maravilhoso de esvaziamento do coração de tudo aquilo que ocupe o lugar do Sumamente Essencial: o Amor de Deus, manifestado de modo indescritível em Jesus na forma de uma criança.


(1) Liturgia das Horas - Vol. I – pp. 199/200.

A insustentabilidade da crítica

                                                            


A insustentabilidade da crítica
 
A insustentabilidade da crítica é
diretamente proporcional à incapacidade da autocrítica.
 
A crítica, bem-feita, é sempre bem-vinda,
mas de mãos dadas com a autocrítica.
 
Deste modo, ela acontece
Quando acompanhada da humildade,
Finas flores da caridade e sinceridade.
 
Crítica, bem-feita, pede complemento: 
Construtiva, edificante, sincera, simplesmente.
 
Precisamos reaprender o poder
Fermentador da crítica,
Germinadora para frutos produzir,
como semente em sua pequenez.
 
Preciosa e mútua colaboração seja,
Para um mundo mais fraterno e humano
Sobretudo se temos a chama
Do Amor Divino, do Espírito Santo iluminador.
 
Sejamos críticos! 
Acolhamos a crítica!
Mas regada, acompanhada de amor,
Sem o que, faremos mal à alma: indesejável dor.
 
Não deixemos de acreditar na semente do novo,
que brota da crítica e autocrítica, 
como expressão de bondade e caridade, 
para edificar relacionamentos mais sinceros e fraternos.
 
Crítica de mãos dadas e entrelaçadas com a autocrítica, 
certeza de caridade vivenciada. Amém.
 
PS: Oportuno para a reflexão das passagens do Evangelho (Lc 6,39-45; Mt 7,1-15) e também que cresçamos com a crítica e autocrítica no dia a dia, sempre acompanhada da caridade que edifica.

Em poucas palavras...

 


“Amor pede amor...”

“Amor pede amor, mas para ser autêntico, mais que uma resposta ‘vertical’ de amor para com  Deus, Ele nos pede amor para com os irmãos: ‘Nisto vos reconhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros’ (Jo 13,35; 1 Jo 4,12-20).” (1)

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – Comentário da passagem (1Jo 4,7-10) – p. 148

Evangelizar é missão de todos nós

                                                      

Evangelizar é missão de todos nós

Reflexão sobre a missão evangelizadora de todos nós, à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 6,34-44).

Assim lemos no comntário Missal Dominical, em que nos apresenta uma pequena citação do Documento “Lumen Gentium” (n.32):

“A distinção que o Senhor estabeleceu entre os ministros sagrados e o restante Povo de Deus, contribui para a união, já que os pastores e os demais fiéis estão ligados uns aos outros por uma vinculação comum: os pastores da Igreja, imitando o exemplo do Senhor, prestem serviço uns aos outros e aos fiéis: e estes deem alegremente a sua colaboração aos pastores e doutores.

Deste modo, todos testemunham, na variedade, a admirável unidade do Corpo místico de Cristo: a própria diversidade de graças, ministérios e atividades, consagra em unidade os filhos de Deus, porque «um só e o mesmo é o Espírito que opera todas estas coisas» (1Cor 12,11).”

Pela condição batismal, todos somos responsáveis pela evangelização, e dentro desta missão as funções se diferenciam para formar a “admirável unidade do Corpo místico de Cristo”.

A mútua colaboração torna-se mais do que indispensável dentro da Igreja, para que avançando em águas mais profundas encontremos respostas para as questões mais inquietantes de nosso tempo.

Os ministros, ordenados ou não, devem ter no mais profundo de si o desejo de ser a imitação do exemplo do Senhor no serviço feito com zelo, entusiasmo, para que todos tenham mais vida e vida plena.

O grande sopro que o Espírito Santo trouxe para a Igreja com a realização do Vaticano II foi a graça de todos, pelo Batismo, continuarem a missão do Senhor, com o Sacramento da Ordem ou não.

“Ai de mim se eu não evangelizar” (1Cor 9,16), disse Paulo. Que cada um de nós, ordenados, consagrados ou como cristãos leigos e leigas, renovemos constantemente a alegria de sermos membros do rebanho, e ao mesmo tempo cuidadores deste, pois assim Deus quis e nos confiou.

Não nos omitamos na consolidação da santidade a que fomos chamados, nem percamos tempo com questões pequenas e insignificantes, com quirelas que nos consomem inutilmente, enquanto há um povo faminto e sedento de Deus, sedento de vida, de amor e de paz.

"Amor, obediência e alegria"

                                                                  

"Amor, obediência e alegria"

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São João (Jo 15,9-11).

Antes de tudo, é necessário o amor de Jesus por nós; Ele que por sua vez, é amado pelo Pai, e este amor de Jesus pede nossa resposta: 

“Permanecei no meu amor”, que corresponde ao convite – “Permanecei em mim”.

Este amor é notável na observância dos Mandamentos de Jesus, que dá o exemplo, caminhando ao encontro da morte em obediência ao Pai, de tal modo que, vivido na obediência, tem como fruto a plena alegria.

Portanto, para amar a Deus, pressupõe, antes de tudo, que é preciso deixar-se amar por Ele, porque amar a Deus nunca é iniciativa nossa, mas sempre uma resposta do dom que nos vem de Deus, que nos comunica o Seu infinito amor.

Oremos:

Concedei-nos, ó Deus, a graça de viver esta tríplice relação de amor, obediência e alegria, no seguimento de Jesus Cristo, Vosso Filho, em comunhão com o Espírito Santo. Amém.


PS: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p. 440

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG