terça-feira, 6 de janeiro de 2026

Em poucas palavras...

                                              


A obediência de Maria, a “Mãe dos vivos”

"Como diz Santo Irineu, 'obedecendo, Ela tornou-se causa de salvação, para si e para todo o gênero humano'. 

Eis porque não poucos Padres afirmam, tal como ele, nas suas pregações, que 'o nó da desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou, com a sua incredulidade, desatou-o a Virgem Maria com a sua fé' (Santo Irineu); e, por comparação com Eva, chamam Maria a 'Mãe dos vivos' e afirmam muitas vezes: "a morte veio por Eva, a vida veio por Maria"» (Lumen Gentium 56).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 494

Obediência com liberdade e não subserviência

                                          


Obediência com liberdade e não subserviência

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 17,22-27), que nos apresenta a questão do pagamento do imposto do Templo.

Sejamos enriquecidos pelo comentário do Missal Cotidiano:

“Entretanto, para que sua ‘liberdade’ (não compreendida) não ofenda o senso comum, enquanto o tributo tinha um significado religioso, paga por si e por Pedro. Ante problemas semelhantes - cumprir ou não certos ‘deveres’ sociais ou políticos - o exemplo de Jesus mostra que, obedecer ‘com liberdade’, e não por subserviência, e pagar um justo tribuno à convivência humana.” (1)

Muitas vezes, somos colocados diante de questões que pedem a mesma atitude que nos ensina o Divino Mestre: embora sendo Filho de Deus, e portanto isento,  obedece com total liberdade por causa de questões maiores, a causa do Reino, a fim de que sejam evitados eventuais escândalos:

“Neste caso, porém, para que não haja escândalo, Jesus procede contrariamente à Sua forma de pensar.” (2)

Por causas maiores, também somos chamados à mesma atitude, no entanto, não a fazer por subserviência, mas com a convicção e sem jamais a perda da liberdade na ação realizada.

Somente com a ação e presença do Espírito Santo, poderemos fazer os necessários discernimentos para as necessárias tomadas de decisões, sem jamais trair os princípios da ética e da vontade divina.


(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 1135

(2)Lecionário Comentado - Volume II do Tempo Comum - Editora Paulus - p. 104

Peregrinar na esperança na fidelidade ao Amor de Deus

                                          


Peregrinar na esperança na fidelidade ao Amor de Deus

 

Com a passagem da primeira Carta de São João (1Jo 4,7-10), contemplamos a face de Deus, o ser de Deus – “Deus é Amor”; portanto, a comunidade precisa deixar-se envolver pelo amor, que é a essência de Deus: um amor incondicional, gratuito, desinteressado, radical e total.

 

O amor a ser vivido não é algo secundário, é o absolutamente essencial na vida cristã e deve transparecer em gestos, no dia a dia, na fecunda expressão da comunhão com Deus.

 

Os discípulos, portanto, vivem no amor que os faz homens novos; empenham-se pela libertação própria e do outro. 


São, por natureza, alegres e entusiasmados. É preciso que nos sintamos amados por Deus, que é a fonte inesgotável de Amor, como discípulos missionários, amigos de Jesus.

 

Quando amamos e guardamos o Mandamento de Deus, Ele permanece em nós e nós n’Ele, e toda a comunidade é convidada a viver o essencial: o Mandamento do Amor; constituindo-se como a comunidade do amor e que vive do amor, anunciando, dialogando, servindo e testemunhando a Salvação de Deus que se destina a todos os povos.

 

Sentir-se por Deus amado para amar, e tão somente comunicaremos o Amor de Deus se nos sentirmos por Ele amados.

 

A caridade vivida, dia após dia, aceitando e enfrentando as contradições da vida, com a determinação de superação, conscientes de que somente o amor está em condições de dar sentido e significado a cada fato, a cada momento.

 

Deste modo, a comunidade deve ter um rosto, deve ser como um "cartaz vivo" do Amor de Deus, um amor em sua expressão máxima: o amor de Cruz, da Cruz, pela Cruz, na Cruz.

 

Muito mais que uma humanidade que anseia por Deus, é Deus que anseia pela humanidade, em compaixão, Se encontrando naquela Cruz. 


Não é a humanidade que procura e ama a Deus, mas é, antes, e desde sempre, Deus quem procura apaixonadamente a humanidade, vai ao seu encontro, descendo ao abismo da mansão dos mortos para nos resgatar. O Amor de Deus tudo suporta.

 

Reflitamos:

- Vivenciamos o amor incondicional, gratuito, desinteressado, comprometido e solidário para com o próximo?

 

- Sentimos a presença de Deus em nosso meio?

- Levamos a sério o Mandamento do Amor?

 

- Sentimo-nos amigos de Jesus?

- Qual é a verdade de nossa alegria, entusiasmo e paixão pelo Senhor e o Reino por Ele inaugurado?

 

- Estamos comprometidos com a busca e a construção de um mundo novo?

- Somos uma comunidade que testemunha e faz transparecer o Amor de Deus?

 

Peregrinar na esperança e viver o Mandamento do Amor, o Amor pela Fonte de Amor, Jesus, que em Amor incondicional, incrível, extremo, não fugiu da Cruz (doação, entrega, fidelidade, redenção...), a mais bela de todas as lições que devemos aprender, permanentemente. 


Batizar-se e se tornar discípulo do Filho amado (Batismo - Ano C)

                                                             


Batizar-se e se tornar discípulo do Filho amado

“Tu és o meu Filho amado,
em Ti ponho o meu benquerer” (Lc 3,22)


Com a Liturgia da Festa do Batismo do Senhor (ano C), refletimos sobre a revelação de Jesus Cristo, o Filho Amado de Deus que veio ao mundo para salvar a humanidade, vivendo a nossa condição humana, igual a nós, exceto no pecado, assumindo nossa fragilidade e humanidade, para que, assim, nos libertasse do egoísmo e do próprio pecado, concedendo-nos vida em plenitude.

Temos, também, a graça de refletir e renovar os compromissos batismais, para que sejamos, verdadeiramente, sacerdotes, profetas e reis.

O Batismo do Senhor é apresentado de diferentes modos pelos Evangelistas São Marcos e São Lucas, que apenas fazem menção ao Batismo; São Mateus narra o Batismo de Jesus com mais pormenores, e São João, por sua vez, o evoca na ocasião em que Jesus chama os primeiros discípulos.

Cada um apresenta de modo próprio, mas são unânimes em reconhecer que, no momento do Batismo, Jesus é testemunha de uma manifestação divina, e assim é designado como “Filho muito Amado” enviado pelo Pai.

Esta teofania é o começo do Evangelho, uma vez que Jesus é investido solenemente na Sua Missão, pelo Pai e pelo Espírito Santo: Jesus tendo Se manifestado aos homens na realidade de nossa natureza, exteriormente semelhante a nós, para que sejamos renovados interiormente pela graça do Batismo, e, por Sua infinita misericórdia, através do perdão de nossos pecados.

Poderíamos falar de uma “ordenação messiânica”, ou seja, “Ele é Aquele que os Profetas, especialmente Isaías, anunciaram como o Servo que Deus constituiu como Aliança de um povo, Luz das nações, ‘o Soberano das nações’, ‘o Pastor que apascenta Seu rebanho’ e reúne as ovelhas dispersas.

Quem acredita n’Ele torna-se ‘filho de Deus, porque n’Ele ‘apareceu a graça de Deus, que traz a salvação para todos os homens’. Consequentemente, não se pode separar o Batismo de Jesus do Batismo recebido pelos seus discípulos” (1).

A primeira Leitura (Is 42,1-4.6-7), trata-se de uma pequena passagem do “Livro da Consolação”, nome dado convencionalmente pelos biblistas, e refletimos sobre o primeiro Cântico do Servo Sofredor, que se refere a um excepcional enviado de Deus: manso e humilde de coração, infinitamente misericordioso com todos, com força interior invencível, e é constituído Luz das nações e Aliança de Deus com o Seu Povo.

Retrata a fase final do Exílio, um período muito difícil vivido pelo Povo de Deus, e o Profeta anuncia a reconstrução de Jerusalém, uma cidade que a guerra reduziu às cinzas, mas Deus, na Sua infinita bondade, vai fazer voltar a reinar a alegria e a paz sem fim.

Na figura do Servo mencionado pelo Profeta, vemos um instrumento através do qual Deus age no mundo para comunicar a salvação à humanidade:

“É alguém que Deus escolheu entre muitos, a quem chamou e a quem confiou uma missão – trazer a justiça, propor a todas as nações uma nova ordem social da qual desaparecerão as trevas que alienam e impedem de caminhar e oferecer a todos os homens a liberdade e a paz... O Servo contará com a ajuda do Espírito de Deus, que lhe dará a força de assumir a missão e de concretizá-la” (2).

Este Messias pacífico “estabelecerá a justiça sobre a Terra”, por isto os cristãos viram prefigurados neste Cântico a própria Pessoa de Jesus Cristo, o ungido do Senhor, o “Filho Amado de Deus”, como ouviremos no Evangelho, em Ti ponho o meu benquerer” (Lc 3,22).

Ele, Jesus, veio realizar esta missão, e os Seus discípulos darão continuidade a esta, não por iniciativa pessoal, mas certos de que a vocação profética é dom de Deus, e não uma iniciativa humana. É Deus quem escolhe, chama, capacita e envia para a missão e nos comunica o Seu  Espírito que nos fortalece, anima, ilumina...

A passagem da segunda Leitura do Livro dos Atos dos Apóstolos (At 10,34-38); a parte inicial do Querigma, em que nos é apresentado Jesus, Aquele que “passou pelo mundo fazendo o bem”, trazendo a libertação aos oprimidos, curando todos os que se encontravam oprimidos pelo demônio e através de Seus gestos de bondade, de misericórdia, de perdão, de solidariedade e de amor, podemos ver o Projeto libertador de Deus se realizando.

Na segunda parte, nos fala da Salvação que se destina a todos os povos da terra, com o Batismo de Cornélio, pois se trata do primeiro pagão admitido ao cristianismo por um dos Doze Apóstolos, revelando, assim, que Deus não faz acepção de pessoas, de modo que não há como disseminar discriminações por qualquer motivo.

Comprometidos com Jesus e com Sua missão, desde o nosso Batismo, também somos chamados o mesmo fazer, como discípulos missionários Seus.

Na passagem do Evangelho (Lc 3,15-16.21-22)temos a realização da promessa profética, e Jesus é apresentado como o Filho de Deus, o Servo de Javé, enviado pelo Pai, sobre o qual repousa o Espírito Santo, com uma missão muito concreta a ser realizada.

Temos o encontro de Jesus com João Batista, às margens do rio Jordão, e Jesus recebe o Batismo de João (de purificação, arrependimento e perdão dos pecados), não porque necessitasse do mesmo, mas para revelar a Sua missão específica e a Sua verdadeira identidade: Jesus é o Messias anunciado pelos Profetas que Deus enviou para libertar o Seu Povo, comunicando vida plena e definitiva.

Jesus, ao receber o Batismo de João, Se solidarizou com o homem limitado e pecador, assumindo a sua condição e colocando-Se ao seu lado para sair desta situação. E neste sentido, Jesus cumpriu plenamente o Projeto do Pai. 

O Que Deus espera de nós é que correspondamos ao Seu Amor, acolhendo e assumindo a Salvação que Jesus veio trazer, e este compromisso tem início com o nosso Batismo.

Inaugura-se um novo tempo para nós, para caminharmos com Jesus “que vai seguir, com toda a liberdade, o caminho de Jerusalém e nós iremos acompanhar, ao longo Ano Litúrgico, os Seus ensinamentos e redescobrir os sinais que Ele realiza.”

Deste modo, o Batismo de Jesus revela o início de Sua missão, e o nosso Batismo é a continuidade desta missão. 

Vivamos o Batismo seguindo os passos de Jesus, vivendo em comunhão entre nós, tendo d’Ele mesmos sentimentos, como disse Paulo (Fl 2,5), vivendo na humildade, despojamento e obediência incondicional a Deus, com a força do Espírito.

Retomemos o Prefácio da Missa do Batismo do Senhor:

“Nas águas do rio Jordão, realizastes prodígios admiráveis, para manifestar o Mistério do novo Batismo: do Céu fizestes ouvir uma voz, para que o mundo acreditasse que o Vosso Verbo estava no meio dos homens; pelo Espírito Santo, que desceu em figura de pomba, consagrastes Cristo Vosso Servo com o óleo da alegria, para que os homens O reconhecessem como o Messias enviado a anunciar a Boa-Nova aos pobres...”.

Oremos:

“Deus eterno e onipotente, que proclamastes solenemente Cristo como Vosso Amado Filho quando era batizado nas águas do rio Jordão e o Espírito Santo descia sobre Ele, concedei aos Vossos filhos adotivos, renascidos pela água e pelo Espírito Santo, a graça de permanecerem sempre no Vosso amor. Por N. S. J. C. Amém

  
(1) Missal Quotidiano Dominical e Ferial – p. 224


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Em poucas palavras...

                                                    


“Se rasgam com açoites o corpo de Jesus...”

“Se rasgam com açoites o corpo de Jesus, Maria sente todas essas feridas; se lhe atravessam com espinhos a cabeça, Maria sente-se dilacerada pela ponta desses espinhos; se lhe apresentam fel e vinagre, Maria experimenta todo esse amargor; se lhe estendem o corpo sobre a cruz, Maria sofre toda essa violência”  (1)

 

(1)  A. Tanquerey, La divinización del sufrimiento, pág. 108

Em poucas palavras...

                                                 


Palavras, milagres, prodígios e sinais feitos por Jesus

“Jesus acompanha as suas palavras com numerosos «milagres, prodígios e sinais» (At 2,22), os quais manifestam que o Reino está presente n'Ele. Comprovam que Ele é o Messias anunciado (Lc 7,18-23).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 547

Diálogo aos pés da Cruz

                                                                

Diálogo aos pés da Cruz

Meditemos sobre a relação profunda e intensa de amor entre Maria e Jesus, a partir do Hino “Mãe Dolorosa”, escrito pelo Diácono São Romano, o Melodioso (séc. VI).

“Venham todos, celebremos Àquele que foi crucificado por nós. Maria O viu atado na Cruz: “Bem que você pode ser colocado na Cruz e sofrer – ela lhe disse -, mas nem por isso és menos meu Filho e meu Deus”.

Como uma ovelha, que vê ao seu pequeno arrastado ao matadouro, assim Maria O seguia, abatida pela dor. Como as outras mulheres, ela O acompanhava chorando:

Aonde você vai meu Filho? Por que este passo apressado? Acaso há em Caná outra boda, para que te apresses a converter a água em vinho? Eu Te seguirei, meu Menino? Ou é melhor que Te espere?

Diga-me alguma palavra, Tu que és a Palavra; não me deixes assim, em silêncio, ó Tu que me conservaste pura, meu Filho e meu Deus”.

“Eu não pensava, Filho de minha alma, ver-Te um dia assim como estás: não teria acreditado nunca, mesmo quando via aos ímpios estender suas mãos para Ti. Porém, suas crianças ainda têm nos lábios o clamor: Hosana! Bendito seja!

As palmas do caminho ainda mostram o entusiasmo com que Te aclamavam. Por que, como aconteceu esta mudança? Ó, é necessário que eu o saiba. Como pode acontecer que cravem em uma Cruz ao meu Filho e ao meu Deus?”.

“Ó Tu, Filho de minhas entranhas: Vais para uma morte injusta, e ninguém se compadece de Ti. Pedro não Te dizia: mesmo que seja necessário morrer, nunca Te negarei? Ele também Te abandonou.

E Tomé exclamava: 'morramos todos contigo'. E os outros Apóstolos e discípulos, aqueles que devem julgar as doze tribos, onde estão agora? Nenhum está aqui; mas Tu , meu Filho, morres em solidão por todos. Abandonado. Contudo, és Tu quem os salvou; Tu satisfizeste por todos eles, meu Filho e meu Deus”.

Assim é como Maria, cheia de tristeza e aniquilada de dor, gemia e chorava. Então seu Filho, voltando-se para Ela, respondeu-lhe desta maneira:

“Mãe, por que choras? Por que, como as outras mulheres, estás oprimida? Como queres que salve a Adão, se Eu não sofro e não morro?

Como serão chamados de novo à vida os que estão retidos nos infernos, se não  permanecer no sepulcro? Por isso estou crucificado, tu o sabes; é por isto que Eu morro.

Por que choras, Mãe? Diga antes, em tuas lágrimas: é por Amor pelo que morre meu Filho e meu Deus”.

“Procura não encontrar amargo este dia no qual vou sofrer: é para isto que Eu, que sou o próprio deleite, desci do céu como o maná; não sofre o Sinai, mas ao teu seio, pois nele me recolhi.

Segundo o Oráculo de Davi: esta montanha recolhida sou Eu; o sabe Sião, a Cidade Santa. Eu, que sendo o Verbo, em ti me fiz Carne.

Nesta Carne sofro e nesta Carne morro. Mãe, não chores mais; diz somente: se Ele sofre, é porque o quer, meu Filho e meu Deus”

Ela respondeu: “Tu queres, meu Filho, secar as lágrimas de meus olhos. Somente  meu coração está perturbado. Não podes impor silêncio aos meus pensamentos. Filho de minhas entranhas, Tu me dizes: se Eu não sofro, não há salvação para Adão... Mas, contudo, curaste a tantos sem padecer.

Para curar o leproso te foi suficiente querer sem sofrer. Tu curaste a enfermidade do paralítico, sem o menor esforço. Também fizeste o cego enxergar com uma única Palavra, sem sentir nada por isto. Óh própria bondade, meu Filho e meu Deus”.

Aquele que conhece todas as coisas, mesmo antes que existam, respondeu a Maria: “Tranquiliza-te, Mãe: após minha saída do sepulcro, tu serás a primeira a me ver; Eu te ensinarei de que abismo de trevas fui libertado, e quanto custou.

Meus amigos o saberão: porque Eu levarei a prova inscrita em  minhas mãos. Então, Mãe, contemplarás a Eva rediviva, e exclamarás com júbilo: São meus pais!, e Tu lhes salvaste, meu Filho e meu Deus”.

Impossível a indiferença e a insensibilidade diante deste diálogo, porque nos leva a refletir sobre o Mistério da Paixão e Morte de Nosso Senhor; tão imenso Amor por nós, e também a tão imensa dor que Sua Mãe sentiu naqueles dias ao ver o rebento de seu ventre sendo crucificado, morto, e ela impotente diante de tal desígnio, aos olhos humanos incompreensível.

Como Maria, a quem chamamos de Nossa Senhora das Dores, também em diálogo sincero, amoroso e confiante, apresentamos a Deus nossas inquietações, dificuldades, que por vezes não as compreendemos, e até mesmo quase que não as suportamos.

Aprendamos com Maria, a Virgem Dolorosa, aos pés da Cruz, a viver mesma atitude diante do Mistério da dor e da morte, crendo na última Palavra que é sempre de Deus.

Contemplando as Chagas Vitoriosas de Nosso Senhor suportemos as chagas dolorosas do cotidiano, certos de que, se assumidas com amor, como a cruz que Ele nos propôs, serão propícias para o alcance da verdadeira felicidade e eternidade.

Com Jesus, Aquele que suportou as Chagas Dolorosas, por Suas Chagas Gloriosas, Ressuscitado, renovemos nossas forças na Ceia Eucarística que celebramos, fonte e ápice de todo o nosso existir, porque nela somos iluminados e alimentados com O Pão da Eternidade, Pão de Imortalidade, antídoto para não morrermos, remédio para todos os males, bálsamo para todas as nossas dores.

PS: Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 -  pp.332-334. 

PS: Reflexão é oportuna para a Celebração da Memória de Nossa Senhora das Dores no dia 15 de setembro, precedida pela Festa da Exaltação da Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

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