segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

Rezando com os Salmos - Sl 67(68)

 


Contemplemos e glorifiquemos a salvação que vem de Deus

“–1 Ao maestro do coro. Salmo de Davi. Cântico.

–2 Eis que Deus Se põe de pé, e os inimigos se dispersam!
 Fogem longe de Sua face os que odeiam o Senhor!
=3 Como a fumaça se dissipa, assim também os dissipais,
como a cera se derrete, ao contato com o fogo,
assim pereçam os iníquos ante a face do Senhor!

–4 Mas os justos se alegram na presença do Senhor
rejubilam satisfeitos e exultam de alegria!

=5 Cantai a Deus, a Deus louvai, cantai um salmo a Seu nome!
Abri caminho para Aquele que avança no deserto;
o Seu nome é Senhor: exultai diante d’Ele!

–6 Dos órfãos Ele é Pai, e das viúvas protetor;
é assim o nosso Deus em Sua santa habitação.
=7 É o Senhor quem dá abrigo, dá um lar aos deserdados,
quem liberta os prisioneiros e os sacia com fartura,
mas abandona os rebeldes num deserto sempre estéril!

–8 Quando saístes com o povo, caminhando à Sua frente
e atravessando o deserto, a terra toda estremeceu;
–9 orvalhou o próprio céu ante a face do Senhor,
e o Sinai também tremeu perante o Deus de Israel.

–10 Derramastes lá do alto uma chuva generosa,
e Vossa terra, Vossa herança, já cansada, renovastes;
–11 e ali Vosso rebanho encontrou Sua morada;
com carinho preparastes essa terra para o pobre.

–12 O Senhor anunciou a boa-nova a Seus eleitos,
e uma grande multidão de nossas jovens a proclama:
–13 ‘Muitos reis e seus exércitos fogem um após o outro,
e a mais bela das mulheres distribui os seus despojos.

=14 Enquanto descansais entre a cerca dos apriscos,
as asas de uma pomba como prata resplandecem,
e suas penas têm o brilho de um ouro esverdeado.
–15 O Senhor onipotente dispersou os poderosos,
dissipou-os como a neve que se espalha no Salmon!’

–16 Montanhas de Basã tão escarpadas e altaneiras
ó montes elevados desta serra de Basã,
=17 por que tendes tanta inveja, ó montanhas sobranceiras,
deste Monte que o Senhor escolheu para morar?
Sim, é nele que o Senhor habitará eternamente!

–18 Os carros do Senhor contam milhares de milhares;
do Sinai veio o Senhor, para morar no santuário.
=19 Vós subistes para o alto e levastes os cativos,
os homens prisioneiros recebestes de presente,
até mesmo os que não querem vão morar em Vossa casa.

–20 Bendito seja Deus, bendito seja cada dia,
o Deus da nossa salvação, que carrega os nossos fardos!
–21 Nosso Deus é um Deus que salva, é um Deus libertador;
o Senhor, só o Senhor, nos poderá livrar da morte!
–22 Ele esmaga a cabeça dos que são Seus inimigos,
e os crânios contumazes dos que vivem no pecado.

–23 Diz o Senhor: ‘Eu vou trazê-los prisioneiros de Basã,
até do fundo dos abismos vou trazê-los prisioneiros!
–24 No sangue do inimigo o teu pé vai mergulhar,
e a língua de teus cães terá também a sua parte’.

–25 Contemplamos, ó Senhor, Vosso cortejo que desfila,
é a entrada do meu Deus, do meu Rei, no santuário;
–26 os cantores vão à frente, vão atrás os tocadores,
e no meio vão as jovens a tocar seus tamborins.

–27   ‘Bendizei o nosso Deus, em festivas assembleias!
Bendizei nosso Senhor, descendentes de Israel!’
=28 Eis o jovem Benjamim que vai à frente deles todos;
eis os chefes de Judá com as suas comitivas,
os principais de Zabulon e os principais de Neftali.

–29 Suscitai, ó Senhor Deus, suscitai Vosso poder,
confirmai este poder que por nós manifestastes,
–30 a partir de Vosso templo, que está em Jerusalém,
para Vós venham os reis e Vos ofertem seus presentes!

=31 Ameaçai, ó nosso Deus, a fera brava dos caniços,
a manada de novilhos e os touros das nações!
Que Vos rendam homenagem e Vos tragam ouro e prata!
= Dispersai todos os povos que na guerra se comprazem!
32 Venham príncipes do Egito, venham dele os poderosos,
e levante a Etiópia suas mãos para o Senhor!

=33 Reinos da terra, celebrai o nosso Deus, cantai-lhe salmos!
34 Ele viaja no Seu carro sobre os céus dos céus eternos.
Eis que eleva e faz ouvir a Sua voz, voz poderosa.

–35 Dai glória a Deus e exaltai o Seu poder por sobre as nuvens.
Sobre Israel, eis sua glória e Sua grande majestade!
–36 Em seu templo Ele é admirável e a Seu povo dá poder.
Bendito seja o Senhor Deus, agora e sempre. Amém, amém!”

 

O Salmo 67(68) retrata a entrada triunfal do Senhor e contempla a salvação que Deus concedeu a Israel:

“Como numa grandiosa procissão pelo deserto, Deus vem do Sinai à frente do Seu povo, fazendo-o triunfar sobre os inimigos. Do templo, onde Se estabeleceu, Deus protege e exerce um reino universal.” (1)

Contemplemos e glorifiquemos a Deus, que caminha conosco, nos conduzindo sempre em meio às adversidades, comunicando a luz do Santo Espírito, para que, como Igreja, continuemos, com fidelidade, a missão do Seu Amado Filho em todo o tempo e lugar. Amém.



(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.780

 

Em poucas palavras... (Epifania)

 


Mais que presentes

“Eles (magos) trouxeram três presentes: ouro, para honrar Sua Realeza; incenso, para honrar Sua Divindade; e mirra para honrar a Sua Humanidade, que estava destinada à morte.

A mirra foi usada em Seu sepultamento (Jo 19,39). O presépio e a Cruz estão novamente relacionados, pois há mirra em ambos.” (1)

(1)          Vida de Cristo – Fulton J. Sheen – Editora Molokai – 2024 – p.81

Contemplemos o esplendor da glória

                                                            

Contemplemos o esplendor da glória

Sejamos enriquecidos pelo Sermão escrito pelo Bispo São Pedro Crisólogo (Séc. V), sobre Jesus Cristo, “Aquele que quis nascer para nós não quis ser ignorado por nós”:

“Embora no Mistério da encarnação do Senhor os sinais de Sua divindade tenham sido sempre claros, a solenidade que hoje celebramos manifesta e revela de muitas formas que Deus veio ao mundo num corpo humano, para que os homens, mergulhados nas trevas, não perdessem por ignorância o que só puderam alcançar e possuir pela graça. Com efeito, aquele que quis nascer para nós não quis ser ignorado por nós. Por isso manifestou-Se deste modo, para que o grande Mistério de Seu amor não desse ocasião a um grande erro.

Hoje os Magos que O procuravam resplandecente nas estrelas, O encontram num berço. Hoje os Magos veem claramente, envolvido em panos, Aquele que há muito tempo procuravam de modo obscuro nos astros. Hoje os Magos contemplam maravilhados, no presépio, o céu na terra, a terra no céu, o homem em Deus, Deus no homem e, incluído no corpo pequenino de uma Criança, Aquele que o universo não pode conter. Vendo-O, proclamam sua fé e não discutem, oferecendo-lhe místicos presentes: incenso a Deus, ouro ao Rei e mirra ao que haveria de morrer.

Assim o povo pagão, que era o último, tornou-se o primeiro, porque a fé dos Magos deu início à fé de todos os pagãos.

Hoje Cristo entrou nas águas do Jordão para lavar o pecado do mundo. E João dá testemunho de que foi para isso que veio, ao dizer: 'Eis o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo' (Jo 1, 29).

Hoje o servo recebe o Senhor, o homem recebe Deus, João recebe Cristo; recebe-O para obter o perdão, não para conceder. Hoje, como disse o Profeta, a voz do Senhor ressoa sobre as águas (Sl 28,3). E o que diz esta voz? 'Eis o meu Filho amado, no qual Eu pus o meu agrado' (Mt 3, 17). Hoje o Espírito Santo, em forma de pomba, paira sobre as águas: assim como uma pomba anunciou a Noé o fim do dilúvio, por Sua presença os homens saberiam que havia terminado o ininterrupto naufrágio do mundo. Esta pomba não trouxe, como a outra, um ramo da antiga oliveira, mas derramou sobre a cabeça do Senhor toda a riqueza do novo óleo, cumprindo-se assim o que o Profeta anunciara: É por isso que Deus Vos ungiu com Seu óleo, deu-Vos mais alegria que aos Vossos amigos (Sl 44,8).

Hoje Cristo, convertendo a água em vinho, realiza o primeiro de Seus sinais celestes. A água, porém, devia converter-se no Sacramento do Sangue, a fim de que o Cristo oferecesse aos homens a bebida pura do cálice de Seu corpo, conforme a palavra do Profeta: 'O meu Cálice precioso transborda' (Sl 22,5)”.

Três momentos são refletidos: a Epifania (manifestação de Jesus, como Salvador e luz de todos os povos), o Seu Batismo (prefigurando a Sua missão, sendo Ele o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo) e o sinal realizado nas bodas de Caná (prefiguração de Sua Paixão e Morte, e o Cálice Sagrado da Eucaristia, em que Se oferece a nós, como a pura Bebida de nossa redenção).

Celebrando a Epifania do Senhor, saciados pelo Pão da Eucaristia e inebriados pelo Sangue por nós oferecido no Cálice Sagrado,  preparamo-nos para a Celebração do Batismo do Senhor.

Oremos:

“Nós Vos pedimos, ó Deus, que o esplendor da Vossa glória ilumine os nossos corações para que, passando pelas trevas deste mundo, cheguemos à Pátria da luz que não se extingue. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém”.

O Senhor é nosso único caminho

O Senhor é nosso único caminho

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida (Jo 14,6)

Em nossas atividades pastorais, é preciso lançar as redes em águas mais profundas (Lc 5,1-11), pois a evangelização prima pela superação da superficialidade e ativismo inconsequente; provoca-nos para respostas comunitárias, sem ações individualizadas, mas inseridas na Pastoral de Conjunto.

Precisamos buscar respostas evangélicas para os grandes desafios que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna:

- A realidade urbana: desafios e respostas;
- A evangelização da família;
- O resgate da pessoa humana no exercício de sua cidadania;
- O aprimoramento das atitudes de acolhida e fortalecimento dos vínculos de comunhão fraterna;
- O desafio da evangelização da juventude;
- Um projeto missionário que expresse a dimensão missionária de toda a Igreja;
- Presença evangelizadora nas escolas, universidades;
- Meios de comunicação social e a Evangelização;
- Fortalecimento das Pastorais Sociais;
- Formação bíblica e espiritualidade do Agente de Pastoral;
- Maior cuidado com os momentos litúrgicos, para que sejam momentos fortes de Oração e de espiritualidade.

Urge vocações leigas, alimentadas pela Palavra e Eucaristia, juntamente com padres, bispos, religiosos e religiosas, presentes nas diversas estruturas, organismos e pastorais, para que no espírito da comunhão e participação, e na evangélica opção preferencial pelos pobres, participemos da construção de uma sociedade justa, fraterna e mais solidária, a caminho do Reino definitivo.

Conduzidos pelas Diretrizes da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil (2019-2023), não nos esqueçamos de que o Protagonista da evangelização é o Espírito Santo, de modo que a diversidade de carismas, dons e ministérios devem ser compartilhados, garantindo êxito na evangelização.

É tempo favorável para a evangelização, comunicando a luz do Ressuscitado em todos os momentos e em todos os âmbitos, e continuemos fiéis no Caminho que é o próprio Jesus, a Verdade que nos liberta e nos comunica vida plena e definitiva.

Uma súplica pela paz, concórdia e unidade

                                                            

Uma súplica pela paz, concórdia e unidade

Retomemos parte do parágrafo do Catecismo da Igreja Católica que nos fala da Comunhão na Santíssima Trindade e o que ela exige de nós, quando aprofunda a Oração do Senhor, o “Pai Nosso”, de modo especial quando dizemos – “...Assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido”.

Apresenta-nos a Comunhão da Santíssima Trindade como a fonte e o critério da verdade de toda relação, e esta é vivida, na Oração, sobretudo na Eucaristia.

Enriquecedoras são as palavras mencionadas de São Cipriano:

‘Deus não aceita o sacrifício dos que fomentam a desunião; Ele ordena que se afastem do altar para primeiro reconciliarem com seus irmãos: Deus quer ser pacificado com orações de paz. Para Deus, a mais bela obrigação é nossa paz, nossa concórdia, a unidade no Pai, no Filho e no Espírito Santo de todo o povo fiel’” (1).

Oremos:

Ó Deus, ajudai-nos a perdoar sem limites, também aos nossos “inimigos”, como assim fizestes e nos ensinastes – “Pai perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lc 23,34).

Ajudai-nos a viver o perdão, testemunho maior de que o amor é mais forte do que o pecado, pois gera vida nova, comunhão e fraternidade.

Concedei-nos Vossa graça, para que jamais fomentemos a desunião onde quer que estejamos, quer na família, comunidade ou no mundo, sempre conduzidos pela Verdade de Vosso Evangelho.

Que jamais nos dirijamos ao Vosso Altar com o coração cheio de mágoa e rancor, mas de coração limpo, para que assim nossas ofertas Vos sejam agradáveis.

Acolhei nossas orações de paz, e ajudai-nos a promover a cultura da vida e da paz, fortalecendo os vínculos da concórdia para viver intensamente a comunhão de amor convosco.

Ajudai-nos a viver Convosco, ó Pai, Eterno Amante; com Vosso Filho, o Eterno Amado, e o Espírito Santo, o Eterno Amor na mais profunda e fecunda comunhão de vida e paz. Amém. 


(1) Citado no Catecismo da Igreja Católica n.2845
São Cipriano de Cartago, De dominica oratione, 23: CCL 3A, 105 (PL 4, 535-536).

Em poucas palavras...

                                                       

Deus falou conosco por meio do Filho 

Deus, ao contrário dos ídolos mudos, falou conosco e por muito tempo, de modo especial pelos Profetas:

“Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos profetas; nestes dias, que são os últimos, Ele nos falou por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo”. (1)

 

(1) Início da Epístola aos Hebreus (Hb 1,1-6)

“Faça bem e com amor o que lhe é próprio”

 


                      “Faça bem e com amor o que lhe é próprio”
 
Na ação evangelizadora é fundamental que retomemos as avaliações do ano que passou, com seus objetivos e estratégias, e ver o quanto nos falta fazer para que o Senhor cresça e seja conhecido e amado por todos.
 
Para o êxito da ação evangelizadora é fundamental a presença do Ressuscitado em nosso meio,  com Seu Espírito que repousa sobre nós e nos alcança a graça da paz necessária -  shalon, ou seja, a plenitude dos bens e graças divinas que nos enriquecem em todos os momentos e em todas as nossas  atividades dentro e fora dos espaços da Igreja.
 
Esteja sempre presente em nossos trabalhos o Princípio da Subsidiariedade, que tem seus momentos nascentes na Encíclica “Quadragesimo Anno” (1931), quando o Papa Pio XI chamava o mundo para a necessária busca de caminhos para uma verdadeira ordem internacional.
 
Este Princípio consiste, essencialmente,  em “cada um fazer bem e com amor o que lhe é próprio”, e deve nortear a ação da Igreja, pois se verdadeiramente vivido, a alegria, o amor, a gratidão, gratuidade, ardor, vigor, desprendimento, coragem, empenho, discernimento, sabedoria se farão presentes no coração de cada agente e firmaremos passos na edificação de uma Igreja autenticamente sinodal, caminhando sempre juntos.
 
Não haverá divisões nem cansaços inúteis na procura dos primeiros lugares, pois faremos do poder expressão de amor e serviço, a exemplo de Jesus que veio servir e não para ser servido, num permanente lava-pés com ressonâncias eucarísticas.
 
Que Jesus cresça, as pastorais se revigorem. Que avancemos para águas mais profundas (Lc 5,1-11) e não nos percamos com questões pequenas, insignificantes que nos desviam do essencial: “Ai de mim se eu não evangelizar“ (1Cor 9,16), pois “É necessário que Ele cresça” (Jo 3,30). 
 
A paz será notável em nossos corações e dentro das pastorais, ultrapassando  nossos espaços, estruturas, porque seremos como as primeiras comunidades, notabilizadas pela perseverança e fidelidade à Doutrina dos Apóstolos, à Comunhão Fraterna, à Fração do Pão e à Oração (At 2,42-47).
 
Crescerá a Igreja, assim como o nosso Batismo ganhará nova expressão, será fortalecida a Evangelização, que se renovará em expressões e métodos, e a Paz tão sonhada não será uma ilusão, mas um projeto, uma construção em mutirão, em que mãos e corações que amam se comprometem com a vida, da concepção ao declínio natural. Amém.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG