domingo, 4 de janeiro de 2026

Abertos aos ensinamentos do Espírito

                                                             

Abertos aos ensinamentos do Espírito

Tendo iniciado o ano novo e com ele as nossas atividades pastorais, sejamos iluminados por um pequeno trecho do Sermão do Venerável e Doutor da Igreja, São Beda (séc. VIII), sobre a Visitação de Maria a Isabel:

“Estando Isabel iluminada pelo mesmo Espírito Santo de que estava cheia, soube o que significava a alegria do infante que trazia em si: a consciência da visita da Mãe preciosa do soberano Senhor, e de quem ele haveria de ser embaixador e precursor. Foi admirável esta obra do Espírito Santo, porque, quando Ele é o que ensina, não retarda o conhecimento do que aprende.

Deste modo, abertos ao Espírito Santo que nos conduz, ensina e ilumina, trilhemos o caminho da Evangelização, anunciando e testemunhando Jesus Cristo e a Sua Boa Notícia em todo lugar e a todas as pessoas, com amor, zelo e alegria, confiantes na presença e ação do Santo Espírito: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim” (Lc 4,18).

É nossa missão ser sinal e presença de Jesus Cristo, que nos revela a misericórdia do Pai, vivendo conduzidos e iluminados pelas Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora no Brasil da Ação Evangelizadora no Brasil - 2019-2023 - Conferência Nacional da Igreja do Brasil:

Alimentados pelo Pão da Eucaristia e iluminados pela Palavra de Deus, renovemos nossos compromissos batismais como alegres e incansáveis trabalhadores da vinha, pois apesar de nossas fraquezas e limitações, Ele sabe com elas trabalhar. 

Evidentemente, não podemos prescindir da presença da Estrela da Evangelização, que nos acompanha em todos os momentos: Maria; ela que é a primeira discípula missionária do Senhor.

Nela o Espírito Santo pôde agir plenamente, na fidelidade a Deus, cremos, caminhará conosco, se o cansaço vier, se dificuldades aparecerem, seremos acolhidos em seu colo maternal e cobertos por seu manto sagrado, para que, a seu exemplo, refeitas nossas forças, continuemos a nossa missão.

Anunciar e testemunhar Aquele que encontramos

                                                          


Anunciar e testemunhar Aquele que encontramos
 
As palavras de Tertuliano (séc. III), “Vede como eles se amam”, dirigidas às comunidades pelo modo como viviam e testemunhavam a fé e fidelidade ao Senhor, são iluminadoras para um Planejamento Paroquial ou Diocesano. 
 
E para que digam o mesmo hoje, precisamos ter, na mente e no coração, sagrados e irrenunciáveis compromissos, celebrados e revigorados no Banquete da Eucaristia e iluminados pela Palavra proclamada, acolhida e testemunhada. 
 
Apresento alguns compromissos que podem nos conduzir neste santo propósito:
 
Intensificar esforços para crescermos como uma comunidade evangelizadora, que teve o encontro pessoal com o Senhor, que transformou nossa vida, e nos fez membros de Sua Igreja;
 
- Aprofundar o conteúdo da Exortação do Papa Francisco, “Evangelii Gaudium”, para que sejamos uma Igreja em saída, autenticamente missionária, anunciando e testemunhando no mundo a Palavra e a vida d’Aquele que encontramos;
 
- Continuar procurando os caminhos de conversão das estruturas de nossas Igrejas, para que sejamos mais acolhedores, fraternos, mas sempre em incondicional fidelidade ao Evangelho e obediência à fé, dando razão de nossa esperança, num crescimento da virtude maior da caridade (cf 1 Pd 3,15);
 
Traduzir em realidade visível o apelo dos Bispos do Brasil, conforme o Documento nº100 da CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil –, a fim de que sejamos uma Comunidade de Comunidades: Uma nova Paróquia; reavivando e fortalecendo os grupos de reflexão, não apenas ocasionalmente, mas permanentemente, como lugar do encontro, da Leitura Orante, da partilha, da descoberta de novas lideranças;
 
Enfim, anunciar e testemunhar Jesus Cristo, o mesmo ontem, hoje e sempre, e como as primeiras comunidades, perseverar na Doutrina dos Apóstolos, na Comunhão Fraterna, na Fração do Pão e na Oração (At 2,42-45).
 
Que nos abramos sempre ao Espírito Santo, protagonista da Evangelização, na fidelidade à Boa-Nova de Jesus, em total e incondicional obediência ao amor de Deus, que jamais nos abandona, permanecendo na Escola de Maria, a Estrela da Evangelização que nos conduz no caminho desta obediência, porque, antes de tudo, foi fiel testemunha da vontade divina. 


Jamais nos cansemos de fazer bem e com amor o que nos for próprio

                                                             

Jamais nos cansemos de fazer bem e com amor o que nos for próprio 

“Faça bem e com amor o que lhe é próprio”

A ação evangelizadora não conhece ocaso, portanto, muito já se fez, mas ainda há muito para que seja feito, a fim de que o Senhor Jesus Cristo seja conhecido e amado por todos.

Reconheçamos a presença do Ressuscitado em nosso meio nos cumulando da paz, que pode ser traduzida por shalom, ou seja, a plenitude dos bens e graças divinas, que nos enriquecem em cada momento do nosso existir e no desenvolvimento das nossas atividades dentro e fora dos espaços da Igreja.

Renovemos o compromisso de viver o Princípio da Subsidiariedade, que teve seus momentos nascentes na Encíclica “Quadragesimo Anno” (1931), quando o Papa Pio XI chamava o mundo para a necessária busca de caminhos para uma verdadeira ordem internacional. Princípio que consiste essencialmente em “cada um fazer bem e com amor o que lhe é próprio”.

Urge o fortalecimento da Pastoral de Conjunto, levando em conta este Princípio que há muito norteia a ação da Igreja, pois se vivido, a alegria, o amor, a gratidão, gratuidade, ardor, vigor, desprendimento, coragem, empenho, discernimento, sabedoria se farão presentes no coração de cada agente.

Não haverá divisões nem cansaços inúteis na procura dos primeiros lugares, pois faremos do poder expressão de amor e serviço, a exemplo de Jesus que veio servir e não para ser servido, num permanente lava-pés com ressonâncias eucarísticas.

Deste modo, renovemos nossa fidelidade ao Senhor, para que as diversas pastorais, movimentos e serviços sejam revigorados.

Avancemos para águas mais profundas e não nos percamos com questões pequenas, insignificantes, que nos desviam do essencial: “Ai de mim se eu não evangelizar“ (1Cor 9,16), pois “É necessário que Ele cresça” (Jo 3,30). 

A paz será notável em nossos corações e dentro de nossas comunidades, em nossos espaços e estruturas,  e deste modo seremos como as primeiras comunidades, notabilizadas pela perseverança e fidelidade à Doutrina dos Apóstolos, à Comunhão Fraterna, à Fração do Pão e à Oração (At 2,42-47).

Crescerá a Igreja, o nosso Batismo ganhará nova expressão, será fortalecida a Evangelização, que se renovará em expressões e métodos, e a Paz tão sonhada não será uma ilusão, mas um projeto, uma construção em mutirão, em que mãos e corações que amam se comprometem com a vida, da concepção ao declínio natural e com o meio onde ela floresce:  – “A Paz esteja convosco!”

Com o Espírito Santo, alegres peregrinos de esperança

                                                       

Com o Espírito Santo, alegres peregrinos de esperança 

“A graça do Espírito ignora a lentidão”

Emoção e gratidão pulsam nas entranhas do coração ao olhar para cada ano que termina e ver o quanto se fez, com amor, empenho, dedicação nas inúmeras reuniões, encontros, Sacramentos, formações, manifestações, enfim, múltiplas atividades, sempre contando com a graça do Espírito Santo que ignora a lentidão, mas conhece a fecundidade da prontidão, e a mais bela atitude dos humildes, a gratidão pelas graças divinas recebidas.

Neste sentido, são oportunas as palavras do Bispo Santo Ambrósio (séc. IV): 

Logo ao ouvir a notícia, Maria dirigiu-se às montanhas não por falta de fé, nem por duvidar do exemplo dado, mas guiada pela felicidade de ver cumprida a promessa, levada pela vontade de prestar um serviço, movida pelo impulso interior de sua alegria. Já plena de Deus, aonde ir depressa senão às alturas? A graça do Espírito Santo ignora a lentidão. Manifestaram-se imediatamente os benefícios da chegada de Maria e da presença do Senhor, pois quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança exultou no seu ventre e Isabel ficou cheia do Espírito Santo...”.

Agora, olhemos para frente, um Ano Novo começaremos e, com ele,  renovada e imensurável alegria, assistidos pelo fogo do Espírito, na concretização dos objetivos e estratégias pastorais.

Iniciaremos sem lentidão, para não entristecermos o Espírito de Deus, que de nós espera sempre pronta e imediata disponibilidade, como encontrou no coração de Maria. Como o poeta, nossos olhares tenham fome de horizontes novos...

Permaneçamos na cidade, não em atitude estática, mas extática diante das manifestações maravilhosas de Deus através de Sua Igreja.

“Judá” e cada Cidade tem suas “montanhas” que são os inúmeros desafios que se nos apresentam... Urge que aprendamos com Maria a nos colocarmos prontamente a caminho no encontro do outro, para que levemos a alegria da presença de Deus.

Somente quando nos pomos a caminho Deus aparece e Sua alegria transborda, como naquele encontro de Maria e Isabel, que ressoa em nossos ouvidos e coração.

Com a graça do Espírito, superemos toda a lentidão; com mãos e joelhos fortalecidos, como bem profetizou Isaias (35,3), e o coração pela Palavra e Eucaristia nutrido, para a Semente do Verbo lançar, sem esquecer de que nada teremos para semear se, antes, a Palavra, no mais profundo de nós, não acolhermos e, uma vez regada e fecundada, frutos abundantes hão de se multiplicar.

Como Maria, ponhamo-nos a caminho sem demora, letargia, desculpas... Sem retrocessos inúteis e indesejáveis; se recuos houver que seja para rever erros e multiplicar acertos. E como bem disse o bispo: “A graça do Espírito ignora a lentidão”.

Com alegria de amar e servir, para que não sejamos ignorados pelo Espírito, aprendamos com Maria, e no caminho da Evangelização, mais do que empenhados, horizontes inéditos, alcançarmos.

Com as bênçãos divinas  sobre nós, abundantemente derramadas, nada façamos sem invocar o Divino Espírito“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos Vossos fiéis e acendei neles o fogo do Vosso amor...”.

Evangelizar com o azeite da humana ternura e o vinho da alegre esperança

                                                                

Evangelizar com o azeite da humana ternura e o vinho da alegre esperança 

Alegrai-vos! O Espírito Santo repousa sobre nós!

Na Sinagoga de Nazaré, a Palavra de Deus se cumpriu: “O Espírito do Senhor repousa sobre mim e me enviou para Evangelizar os pobres” (Lc 4,16-21).

E, para que esta mesma Palavra continue sendo anunciada, o mesmo Espírito continua repousando sobre a Igreja,

A fim de que sejam renovadas as forças, supliquemos as luzes divinas, para que anunciemos a Boa-Nova na Cidade em que habitamos.

Invoquemos a Sabedoria do Espírito, para que correspondamos ao querer de Deus Pai de Misericórdia; para continuarmos, com alegria e dedicação, a missão realizada pelo Seu Filho Jesus, com a mesma fidelidade e compromisso, ao mundo sinalizando as alegrias do Reino.

Permaneçamos na  Cidade e Proclamemos a Boa Nova, ungidos pelo azeite da humana ternura e inebriados com o vinho da alegre esperança, numa atualização de Pentecostes, reaprendendo a linguagem do Espírito que sopra na Sua Igreja, comunicando o fogo do Amor, para sermos, com renovado ardor, portadores desta Boa-Nova.

Mesmo apostolado, mas não mesmos apóstolos; mesmo discipulado, novos discípulos; mesma missão, embora tempos diferentes. Mas sempre o mesmo Evangelho! O mesmo Cristo, ontem, hoje e sempre (Hb 12,14).

Cuidemos com zelo do rebanho a nós confiado

                                                                 

Cuidemos com zelo do rebanho a nós confiado 

Permanecer na cidade e
alegremente anunciar a Boa-Nova do Evangelho!
  
Iniciamos o ano com as bênçãos de Deus e com a intercessão de Maria, Mãe de Deus, Mãe da Igreja, retomando os caminhos para  frutuosa evangelização.

Neste sentido, jamais poderemos nos esquecer de alguns desafios para a Evangelização na Cidade. Ainda que grandes sejam,  maiores serão a força e a imensurável graça divina que nos acompanha. 

Deste modo, alguns propósitos devem se fazer presentes na ação evangelizadora:

Conversão – conversão em todos os níveis e de todos os envolvidos na Evangelização: leigos (as), consagrados (as), ordenados. Conversão das estruturas para que se intensifique a comunhão e a participação, respondendo aos apelos da acolhida, realidade de pastoral urbana missionária e ecumênica.

Acolhimento  de irmãos e irmãs com alegria, como comunidade do Amor na alegre fraternidade e ternura.

Defesa da vida, desde a sua concepção até o seu declínio natural, respondendo aos clamores que emergem na defesa da mesma, ressaltando sua dignidade e sacralidade. Defender a vida também enquanto meio ambiente, numa espiritualidade ecológica.

Comunicação da Boa-Nova do Evangelho através dos Meios de Comunicação Social já existentes, com a necessária penetração nos novos areópagos da cidade: Internet, rádio, TV, jornais, escolas, universidades, hospitais, shoppings...

Catequese e Evangelização - Não é suficiente a catequese é preciso Evangelizar, permear a vida toda com o Evangelho, fazendo do mesmo princípio ético de conduta e promoção do bem comum, construção de uma sociedade justa e fraterna.

Revigoramento e solidificação da Família, diante dos incontáveis desafios (fragmentação, desestruturação, falta de diálogo...), para que ela seja sacrário vivo da vida, espaço primeiro e privilegiado da formação humana, espiritual, psicológica, assimilação dos valores que devem nortear a vida de toda pessoa e a pessoa toda para sempre...

Reavivamento da evangélica opção preferencial pelos pobres, com comprometimento sociopolítico, em busca de políticas públicas que assegurem vida, parcerias viáveis, fortalecimento dos diversos conselhos paritários...

Contando com a presença e ação do mesmo Espírito que pousou sobre Jesus na Sinagoga de Nazaré, seremos enriquecidos pelos dons necessários: sabedoria , discernimento, conselho, fortaleza, ciência, temor e piedade.

Sendo a fé viva quando são as obras que falam (cf. Santo Antônio), deixemos as obras falarem no cuidado do rebanho, por Deus, a nós confiado! (1Pd 5,1-4).  

Lancemos as redes em águas mais profundas

                                                   

Lancemos as redes em águas mais profundas 

“Como são belos sobre os montes,
os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52,7)

Ano Novo é sempre promissor, sobretudo quando temos em mãos um Planejamento Pastoral (Guia Pastoral), fruto do precioso trabalho de muitos, para lançarmos as redes em águas mais profundas, em comunhão e participação,  na perspectiva da Pastoral de Conjunto.

A evangelização jamais pode ser um ato individualista, mas com estreita vinculação com a caminhada e orientação do Magistério da Igreja, com seus organismos, assessorias e serviços, numa comunhão que se expressa na Pastoral de Conjunto.

Desafia-nos, como Igreja, a permanente urgência da busca de respostas evangélicas para os grandes desafios, que enfrentamos na realidade urbana e pós-moderna.

Com a presença e ação do Espírito Santo, faz-se necessário intensificar encontros, numa caminhada de Oração, formação e compromisso, valorizando a diversidade de carismas, dons e ministérios.

Seja a caridade princípio vital na caminhada de comunidade – “... já que o Cristo nos deu a escada da caridade pela qual todo cristão pode subir ao céu, conservai fielmente a caridade verdadeira, exercitai-a uns pra com os outros e, subindo por ela, progredi sempre mais no caminho da perfeição” (São Fulgêncio de Ruspe, bispo séc. IV).

Em todo o tempo, devemos participar da construção da casa da paz, fundados nos pilares da verdade, justiça, amor e liberdade, como nos falou o Papa São João João XIII (séc. X).

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG