domingo, 7 de dezembro de 2025

Advento: Conversão e renovação pelo Fogo do Espírito (IIDTAA)

                                                    



Advento: Conversão e renovação pelo Fogo do Espírito

A Liturgia do 2º Domingo do Advento (ano A) nos convida a rever os valores que orientam a nossa vida, a fim de que coincidam com os valores do Reino, daí a necessidade permanente de conversão e amadurecimento, preparando a chegada do Senhor, em mais um Natal a ser celebrado.

Na passagem da primeira Leitura (Is 11,1-10), o profeta Isaías nos fala de um descendente de Davi sobre o qual repousa a plenitude do Espírito de Deus, um Messias.

Sua palavra profética é de fato uma poesia e o sonho de um mundo novo e melhor, numa realidade marcada pela opressão, sofrimento e desolação.

Nisto consiste a mensagem profética de Isaías: a vinda do Messias e a restauração da prosperidade do Reino, com a superação de divisões, conflitos, restaurando a verdadeira paz (Shalom), a plenitude de todos os bens de Deus para uma vida plena e feliz. Um tempo novo sem armas e sem guerras, numa paz sem fim.

E este Messias é o próprio Jesus, como veremos mais tarde, e que, como Igreja que somos, cremos, anunciamos e testemunhamos, e a Sua missão continuamos.

Quanto aos dons, o Messias será mais que Salomão (em sabedoria e inteligência); mais que Davi (conselho e fortaleza); mais que os patriarcas (conhecimento e temor).

Reflitamos:

- Como realizamos esta missão?
- Somos sinais de esperança na realidade em que nos encontramos inseridos?

- O que deve ser mudado em nós (enquanto indivíduos), família e sociedade, para que construamos um mundo novo, com novas relações de comunhão, partilha e fraternidade?

Na passagem da segunda Leitura (Rm 15,4-9), o Apóstolo Paulo exorta que os cristãos sejam o rosto visível do Cristo, testemunhando a união, a partilha e a comunhão, a harmonia, acolhida e a não discriminação, porque vive o amor mútuo.

Deste modo, a comunidade precisa viver a solidariedade com os  mais frágeis e necessitados; doando a vida em favor da vida do outro, promovendo e fortalecendo incansavelmente a unidade.

Reflitamos:

- De que modo nossa comunidade vive este testemunho?

- Quais atitudes acima precisam ser mais marcantes em nossas comunidades?

- Que esforço a comunidade faz para vencer o egoísmo e a autossuficiência?

Na passagem do Evangelho (Mt 3,1-12) destaca-se a pessoa de João Batista, uma voz a gritar no deserto, anunciando a proximidade da concretização do Reino, por isto, sua palavra é um forte grito profético que chama à conversão: “Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” (Mt 3,1). E ainda: “Esta é a voz que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas” (Mt 3,2).

Com João Batista, somos exortados à mudança de valores para que se conformem aos valores do Reino; a deixar o supérfluo na procura do que seja, de fato, essencial para a nossa vida.

Podemos falar, então, de uma “metanoia”, uma mudança de mentalidade e atitudes, em total e incondicional retorno ao Deus da Aliança, numa contínua atitude de conversão.

Deste modo, para a acolhida do Messias é preciso esvaziar-se de todo o egoísmo, orgulho, autossuficiência e preocupação excessiva com os bens materiais.

Quanto ao Batismo de João Batista, é precedido pela pregação para um batismo de conversão, arrependimento, perdão dos pecados e agregação ao resto de Israel; o Batismo de Jesus será a introdução a uma relação de filiação divina, incorporação à vida da Igreja e participação ativa em sua missão (batismo no Espírito Santo e no fogo).

Reflitamos:

- Em que precisamos nos converter, neste Tempo do Advento, para bem celebrar o Nascimento do Salvador?
- Quais são os valores que orientam nosso pensar, falar e agir?

- São eles diferentes dos valores do mundo?
- O que significa, hoje, preparar o caminho do Senhor (em todos os âmbitos: pessoal, familiar, comunitário, social e planetário)?

Concluindo, permitamos que o Fogo do Espírito queime nossos pecados, e suas raízes sejam arrancadas de nosso coração, para que nele fiquem apenas entranhadas as raízes da misericórdia, e as obras corporais e espirituais sejam seus desejados frutos no cotidiano.

Sejamos transformados por este Fogo Divino do Espírito, para que celebremos um Natal cristão, recuperando o sentido Pascal do Natal, marcado pela conversão, pela passagem para uma nova atitude, mentalidade, compromissos com a Boa-Nova do Reino.

Somente a partir de corações e mentes renovadas, o mundo terá um novo coração e uma nova mentalidade.


Será Natal para quem viver o Perdão!

                                                                   


Será Natal para quem viver o Perdão! 

“Eu confessar?” “Pra que se vou pecar de novo”; “Confessar com padre? Eu não! Confesso diretamente com Deus”; “Eu não tenho pecado, vou confessar o quê?”...

Estas expressões e outras semelhantes ouvimos muitas vezes, portanto, urge que aprofundemos sobre este assunto tão vital para uma vida cristã mais ativa, piedosa, consciente e frutuosa, conhecendo a Doutrina e a fundamentação bíblica do Sacramento da Penitência, que o Papa Francisco tanto insistiu em  sua Carta Apostólica “Misericordia et misera”.

A Igreja recorda-nos precisamente neste período a necessidade irrevogável da Confissão Sacramental, para que possamos viver a Ressurreição de Cristo não só na Liturgia, mas também transcorrer de nossos dias.

O tempo do Advento é um Tempo oportuno para procurarmos um Sacerdote, a fim de receber um dos sete Sacramentos da Igreja, o Sacramento da Penitência. Bem entendido e vivido, este Sacramento nos introduz no Mistério do Amor de Deus, renova-nos, para que melhor imagem d’Ele sejamos: “sede santos como Deus é santo”.

Retomo as palavras de São Josemaria Escrivá, que aconselhava com critério simples e prático que as nossas confissões fossem concisas, concretas, claras e completas., com o objetivo de ajudar a quantos possa, e que cheguem melhor preparados para o Sacramento da Misericórdia Divina:

Confissão concisa, sem muitas palavras: apenas as necessárias para dizermos com humildade o que fizemos ou omitimos, sem nos estendermos desnecessariamente, sem adornos. A abundância de palavras denota às vezes o desejo, inconsciente ou não, de fugir da sinceridade direta e plena; para evitá-lo, temos que fazer bem o exame de consciência.

Confissão concreta, sem divagações, sem generalidades. O penitente “indicará oportunamente a sua situação e o tempo que decorreu desde a sua última confissão, bem como as dificuldades que teve para levar uma vida cristã”, declarando os seus pecados e o conjunto de circunstâncias que tenham caracterizado as suas faltas a fim de que o confessor possa julgar, absolver e curar.

Confissão clara, para sermos bem entendidos, declarando a natureza precisa das faltas e manifestando a nossa própria miséria com a necessária modéstia e delicadeza.

Confissão completa, íntegra, sem deixar de dizer nada por falsa vergonha, para “não ficar mal” diante do confessor.”

É sempre tempo favorável de nossa salvação, de não desperdiçarmos a graça de Deus, como bem falou o Apóstolo Paulo na Carta aos Coríntios. “Sendo assim exercemos a função de embaixadores em nome de Cristo, e é por meio de nós que o próprio Deus vos exorta. Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliai-vos com Deus” (2Cor 5,20).

Preparar o Caminho do Senhor... (IIDTAA)

                                                         

Preparar o Caminho do Senhor... 

Não há Natal para quem só espera passivamente.
Não há Natal para quem vive pusilanimemente.
Preparemos o Caminho para a vinda do Senhor...
Transformemos sinais de ódio em sinais de amor!

Esperemos pelo Natal com total confiança, mas, antes,
Ponhamo-nos em atitude de vigilância constante!
Será Natal para quem se puser decididamente a caminho,
Para acolher Aquele que é A Verdade, A Vida e O Caminho!

Natal é a Festa de quem teve coragem de ousar!
É a Festa de quem teve coragem de n’Ele acreditar,
Para que um dia, na vida acolhida, paixão assumida,
Alcançando também a graça de n’Ele Ressuscitar!

Natal é a Festa de quem teve coragem de mudar,
De rever caminhos, passos, atitudes e projetos...
Não se reduziu aos sonhos da noite, sonhando em pleno dia...
Quem multiplicou relações fraternas de sinceros afetos.

Nova Família, Mundo Novo, jamais existirão,
Se nada de novo, em nós, germinar, começar,
Antes que o Natal chegue, e Ele chega silenciosamente,
Preparemos o Caminho do Senhor, inexoravelmente!

Que o Espírito do Senhor repouse sobre nós (IIDTAA)

                                                                  

Que o Espírito do Senhor repouse sobre nós

                                            “Do tronco de Jessé nasceu a vara...

O Profeta Isaías (Is 11,1-10) nos apresenta um Oráculo pronunciado num momento dramático da história de Israel. A esperança da dinastia havia ruído. As palavras de Isaías são palavras de confiança e esperança.

Do tronco da origem de Jessé brotará prodigiosamente um novo rebento, através do qual se cumprirão todas as promessas feitas por Deus.

Sobre Ele pousará o Espírito e com Ele Sua ação que se revela em:

Espírito de Sabedoria – habilitação para o governo segundo os desígnios de Deus;
Espírito de Inteligência – discernimento entre o bem e o mal;
Espírito de Conselho e Fortaleza – compreensão dos planos do Senhor e contar com a força de Deus para o cumprimento;
Espírito de Conhecimento e Temor de Deus – docilidade em todo momento à vontade Divina.

A Igreja desenvolverá este último em Piedade – perfeita sintonia com a vontade de Deus.

Em Jesus a promessa se cumpriu: brotado como um rebento da família de Davi.

Advento, portanto, consiste na preparação para celebrarmos o nascimento d’Aquele que cumpriu a promessa: Jesus. Assim é Deus: promete e cumpre.

Jesus é a revelação da Sabedoria e Inteligência, muito mais do que Salomão.

A manifestação do Conselho e Fortaleza, muito mais do que Davi.
Sobre Ele o Conhecimento e o Temor de Deus, muito mais do que dos Patriarcas Abraão, Isaac e Jacó, muito mais do que Moisés e os Profetas.

Jesus Cristo, o Verbo Encarnado é a promessa mais bela que Deus pode realizar em favor da humanidade, como máxima expressão do Seu amor, na ação do Espírito.

Concluamos com esta canção - “Cálix Bento” - “Ó Deus salve o Oratório”:

“Ó Deus salve o Oratório
Onde Deus fez a morada
Oiá, meu Deus, onde Deus fez a morada, oiá
Onde mora o Cálix Bento
Onde mora o Cálix Bento
E a Hóstia Consagrada
Óiá, meu Deus, e a Hóstia Consagrada, oiá
De Jessé nasceu a vara
De Jessé nasceu a vara
E da vara nasceu a flor
Oiá, meu Deus, da vara nasceu a flor, oiá
E da flor nasceu Maria
E da flor nasceu Maria
De Maria o Salvador
Oiá, meu Deus, de Maria o Salvador, oiá”.

Suavidade e beleza do Tempo do Advento (IIDTAA)

                                                              

Suavidade e beleza do Tempo do Advento

Concedei-nos, ó Deus, viver o Tempo do Advento como uma  parábola do tempo presente, em que esperamos com alegria e humildade a hora do grande encontro com Jesus, distribuindo todos os bens com infinita generosidade e de maneira imprevisível, e que voltará em Sua segunda vinda gloriosa, quando menos esperarmos.

Fortalecei-nos, ó Deus, para que vivamos este tempo de gozo espiritual, em que caminhamos olhando para a frente, com o coração pleno de fé, esperança e caridade.

Despertai-nos, ó Deus, para que vivendo este tempo, abramos a Vós nosso coração, acompanhado de orações de súplica confiante e ação de graças por todos os bens que nos concedeis, e dentre eles, o maior de todos os bens, o Bem Divino, que é o Vosso Filho, em comunhão com o Santo Espírito.

Ajudai-nos, ó Deus, para que vivamos com ardor a missão de discípulos missionários do Vosso Filho, assistidos pela docilidade do Santo Espírito, o Vosso projeto para nós, confiantes em Vossa Palavra viva e eficaz, empenhados na prática do bem, orantes e vigilantes em todo o tempo.

Abri, ó Deus, nossos olhos e nosso coração, para que sintamos e vivamos a beleza e suavidade do Tempo do Advento, para  bem celebrarmos as vindas primeira e segunda do Vosso Filho, vivendo intensamente a vinda intermediária, experimentando Vossa força, proteção e imprescindível presença, para que sejamos partícipes de um novo tempo e promotores da fraternidade e amizade social, caminho da paz plena e universal. Amém.

 

Fonte inspiradora: Missal Quotidiano, Dominical e Ferial, Editora Paulus, Lisboa, 2010 – pp.100/102 

Tempo do Advento: a conversão necessária (IIDTAA)

                                                              


Tempo do Advento: a conversão necessária

Nas  passagens do Evangelho (Mc 1,1-8; Mt 3,1-12; Lc 3,1-6), João Batista, uma voz a gritar no deserto, anuncia a proximidade da concretização do Reino, por isto, sua palavra é um forte grito profético que chama à conversão:

“Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo” (Mt 3, 1). E ainda: “Esta é a voz que grita no deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai suas veredas” (Mt 3, 2).

Todos precisamos de conversão, pois podemos, também hoje, nos considerarmos religiosos (como se julgavam os fariseus e os saduceus), e permanecermos longe de Deus.

Podemos nos purificar com ritos, deles participar, mas sem nada corrigir e reorientar a própria vida, sem ressonâncias no agir cotidiano, sem nada nos transformar e renovar.

Também podemos cair no risco de reduzir nossa oração a intensos monólogos com Deus, acompanhado de demasiado silêncio imposto a Ele, e com isto caímos no vazio, ficamos desorientados e desmotivados.

Neste Tempo do Advento, ouvindo a voz de João Batista, o precursor do Salvador, no deserto, ponhamo-nos em atitude de conversão, procurando viver na simplicidade de vida, na demolição de tantos ídolos e cultos desviantes que nos afastem do Deus Vivo e Verdadeiro.

Purifiquemo-nos através de orações autênticas, múltiplas formas de religiosidade puras e purificadoras. 

Deste modo, Deus não ficará aparentemente perto, apenas nas palavras vazias de conteúdo; e ficará bem mais perto de nós, do que nós de nós mesmos, então será o Verdadeiro Natal do Senhor que vamos Celebrar e mais um ano por Ele iluminado, caminhar com fidelidade, a cruz cotidiana, com renúncias necessárias, compromissos com o Reino jamais adiar.


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa – 2011 - PP 86-87

Em poucas palavras... (IIDTAA)

                                             


Advento: vamos ao encontro da Verdade, Jesus

“João Batista ajuda-nos a ultrapassar as nossas incertezas. Ele é um crente verdadeiro: debate-se entre muitas perplexidades, coloca interrogações, mas não renega o Messias porque não corresponde aos seus critérios, põe de lado as suas seguranças e confia no Senhor.

Só quem, como ele, procura a verdade com ardor é que está preparado para se encontrar com Cristo, que é a ‘Verdade’”.   (1)

 

(1) Leccionário Comentado – Advento-Natal - Editora Paulus -  Lisboa – Paulus – pág. 154-155


Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG