segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

Em poucas palavras...

                                                             


Jesus: do presépio até a Cruz

“O Reino é dos pobres e pequenos, quer dizer, dos que o acolheram com um coração humilde. Jesus foi enviado para «trazer a Boa-Nova aos pobres» (Lc 4, 18) (Lc 7,22).

Declara-os bem-aventurados, porque «é deles o Reino dos céus» (Mt 5,3). Foi aos «pequenos» que o Pai se dignou revelar o que continua oculto aos sábios e inteligentes (Mt 11,25).

Jesus partilha a vida dos pobres, desde o presépio até à cruz: sabe o que é sofrer a fome (Mc 2,23-26; Mt 21,28), a sede  (Jo 4,6-7; 19,28) e a indigência (Lc 9,58).

Mais ainda: identifica-se com os pobres de toda a espécie, e faz do amor ativo para com eles a condição da entrada no seu Reino (Mt 25,31-46).” (1)

 

(1)       Catecismo da Igreja católica – parágrafo n. 544

É Advento em minha alma

                                                     


É Advento em minha alma

“A santidade não consiste em não mais cair,
 porém no propósito de não mais cair” ( Cardeal Schuster)

Advento:
Tempo de vigilância e preparação para celebrarmos o Mistério do Amor de Deus na Encarnação de Seu Filho;

Tempo de preparar a manjedoura mais querida aos olhos de Deus: o coração de cada pessoa que anseia e espera a Sua chegada;

Tempo de revigorar as relações entre nós, para que sejam mais sinceras e fecundas
De sagrados compromissos com a Boa-Nova do Reino;

Tempo de ver florir o jardim que Deus sempre desejou para a humanidade, e que nossos pais pisaram ao serem por Ele criados;

Tempo de ver frutificar o amor e a verdade que se encontram e a justiça e a paz que se abraçam, sinalizando que vivemos novos tempos;

Tempo de pautar a vida pela fidelidade a Deus e à Sua Palavra, para que a Salvação tão
Desejada seja contemplada e alcançada.

Tempo de ver descendo pelo abismo a violência, a injustiça, a impunidade, a maldade,
O fanatismo, e tudo quanto possamos completar, sem retorno possível.

Tempo de viver a santidade que não consiste em não mais cair, porém, no propósito de não mais cair, contando com a graça divina.

É tempo de nos pormos de pé, com alegria, coragem e total fidelidade,
Acolhidos pela Misericórdia divina, misericordiosos sejamos.

Tempos novos, com o Advento d’Aquele que veio, vem e virá fazer novas todas as coisas,
Pelo Mistério da Encarnação, Paixão e Morte, Gloriosa Ressurreição.

O Tempo urge! Não percamos mais tempo.
É Tempo do Advento em minha alma, em nossa alma. Amém 

Esperamos Aquele que veio, vem e virá (IDTAC)

                                                            

Esperamos Aquele que veio, vem e virá

O Tempo Litúrgico do Advento beleza própria, e propicia que nos preparemos para celebrar a vinda de Jesus Cristo, no tempo e na história da humanidade, trazendo-nos a graça da salvação. 

Acentua-se em nosso coração a alegre expectativa, ativa e contagiante, para recebermos dignamente o Senhor no momento em que Ele vier.

Num sermão memorável, São Bernardo (abade do século XII) afirma a tríplice vinda do Senhor, acenando para uma vinda intermediária entre a primeira e a última:

“... Na primeira vinda o Senhor apareceu na terra e conviveu com os homens... Na última, todo homem verá a salvação de Deus e olharão para Aquele que transpassaram. A vinda intermediária é oculta, e nela somente os eleitos o veem em si mesmos e recebem a salvação. Na primeira, o Senhor veio na fraqueza da carne; na intermediária, vem espiritualmente, manifestando o poder de Sua graça; na última, virá com todo o esplendor de Sua glória. Esta vinda intermediária é, portanto, como um caminho que conduz da primeira a última; na primeira, Cristo foi nossa redenção; na última, aparecerá como nossa vida; na intermediária, é nosso repouso e consolação”.

Nesta vinda intermediária, algumas atitudes são esperadas de todos os presbíteros e comunidades. A primeira, e sempre necessária é a vigilância na fé, acolhendo os sinais de sua presença em nosso meio. 

Ao lado desta vigilância o imperativo da conversão; preparação dos caminhos do Senhor, numa incansável busca de acertar nossos projetos com o Projeto do Criador. Pode-se assim acolher e testemunhar a alegria que procede do Verbo que se encarna e se faz um de nós, assumindo nossa condição humana, exatamente igual a nós, exceto no pecado.

As Celebrações Eucarísticas, com a riqueza Litúrgica de cada Domingo, convida-nos ao mergulho no Mistério desta Encarnação, fazendo de nossa existência lugar privilegiado de sua morada, para que na total fidelidade a Ele, asseguremos morada na eternidade.

Com o Advento reiniciamos um tempo intenso de muita oração, novenas, celebrações penitenciais, gestos de reconciliação, multiplicação de sinais de partilha e solidariedade... Urge adentrar neste caminho celebrativo e inovador de alegrias e esperanças, rompendo todas as amarras de angústias e tristezas.

A cor roxa, predominante na liturgia, não é sinal de tristeza, como em tempos fúnebres, mas um singelo convite à reflexão, meditação e oração. Mais uma vez o Criador aposta em nós e em nossa capacidade de iluminar a história; a vida de milhões de pessoas que vivem nas trevas do ódio, da mentira, da opressão.

Que o Mistério d’Aquele que veio, vem e virá traga para todos nós, Presbíteros e Comunidades, mais ardor e empenho em nossa missão, para que o próximo Natal seja uma Festa repleta de Amor e Luz. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas”

                                               


“Hoje vimos coisas maravilhosas”
 

“Naquele dia, Jesus estava ensinando e à Sua volta se encontravam fariseus e doutores da Lei, vindos de todas as aldeias da Galileia, da Judeia e de Jerusalém. E a virtude do Senhor O levava a curar.” (Lc 5,17). 

O Evangelista Lucas nos descreve esse acontecimento memorável: perdão que Jesus concede ao paralítico e a cura de sua paralisia (Lc 5,17-26). 

E conclui a passagem dizendo: “Naquele dia todos ficaram fora de si e glorificam a Deus e cheios de temor diziam: ‘Hoje vimos coisas maravilhosas’” (Lc 5, 26). 

Também nós vemos, a cada dia, coisas maravilhosas que o Senhor faz em favor daqueles que n’Ele confiam e colocam sua esperança em incondicional fidelidade. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas” em tantas comunidades que se reuniram para celebrar a Eucaristia; como também onde celebrei, num pequeno salão, com o vento cortante passando entre as frestas das madeiras. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas” quando famílias se encontraram para a realização da Novena de Natal, em salutar e frutuosa preparação à celebração do Natal do Senhor. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas” em rostos anônimos nos trabalhos pastorais diversos, cada pessoa com o seu coração e olhar misericordioso e solidário. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas” em pequenos gestos de amor que, aos olhos de Deus, grandes se tornam, ainda que não ocupem as páginas de um jornal, ou as telas de um celular. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas”, quando alguém consolou quem em aflição se encontrava, o ombro oferecendo; as lágrimas vertentes de dor pelo luto, enxugando. 

“Hoje vimos coisas maravilhosas”, quando jovens se contrapuseram a pensamentos e práticas que não condiziam com o Evangelho ouvido, acolhido e, no coração, enraizado, entranhado. 

Vimos muito mais que se possa descrever, pois é próprio de quem por Deus se sente amado, contemplar, na pequenez do grão de mostarda, a Sua grandiosidade alcançada. 

Vimos muito mais que se possa dizer, porque palavras não serão ainda o bastante para descrever a incansável ação divina para nos perdoar, e de paralisias nos libertar. 

Vimos, vemos e veremos muito mais do que com os olhos propriamente, mas com os olhos do coração, que crê no poder e onipotência de Deus expressa em Sua misericórdia. 

Vimos, vemos e veremos coisas maravilhosas, porque maravilhas fez conosco, e faz por nós, o Senhor, ainda que não mereçamos, ainda que não enxerguemos, ainda que não agradeçamos.   

A autêntica Oração e o crescimento espiritual

                                                    



A autêntica Oração e o crescimento espiritual

O trecho da “Carta a Proba”, do Bispo Santo Agostinho (Séc. V) nos fala sobre a autêntica Oração, na qual exercitamos a nossa vontade.

“Por que nos dispersamos entre muitas coisas e, temendo rezar de modo pouco conveniente, indagamos o que pedir, em vez de dizer com o Salmo:

Uma só coisa pedi ao Senhor, a ela busco: habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para contemplar as delícias do Senhor e visitar Seu Templo? (Sl 26,4).

Pois ali os dias não vêm e vão, o fim de um não é o princípio de outro. Todos ao mesmo tempo não têm fim, ali onde nem a própria vida, a que pertencem estes dias, tem fim. 

Para alcançarmos esta vida feliz, a verdadeira Vida nos ensinou a orar. Não com multiplicidade de palavras, como se quanto mais loquazes fôssemos, mais nos atenderia.

Mas rogamos Àquele que conhece, conforme Suas mesmas Palavras, aquilo que nos é necessário, antes mesmo de lhe pedirmos (cf. Mt 6,7-8). 

Pode alguém estranhar por que motivo assim dispôs quem já de antemão conhece nossa necessidade. Temos de entender que o intuito de nosso Senhor e Deus não é ser informado sobre nossa vontade, que não pode ignorar.

Mas despertar pelas Orações nosso desejo, o que nos tornará capazes de conter aquilo que se prepara para nos dar. Isso é imensamente grande, mas nós somos pequenos e estreitos demais para recebê-lo.

Por isto, nos é dito: Dilatai-vos; não aceiteis levar o jugo com os infiéis (2Cor 6,13-14). 

Isso é tão imensamente grande que os olhos não o viram, porque não é cor; nem os ouvidos ouviram, porque não é som; nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9), já que o coração do homem deve subir para lá.

Isso nós o recebemos com tanto maior capacidade quanto mais fielmente cremos, com mais firmeza esperamos, mais ardentemente desejamos. 

Por conseguinte, nesta fé, esperança e caridade, sempre oramos pelo desejo incessante. Contudo, em certas horas e tempos também rezamos a Deus com palavras, para nos exortar a nós mesmos, mediante seus símbolos, e avaliar nosso progresso neste desejo e a nos estimular com maior veemência a aumentá-lo.

Pois tanto mais digno resultará o efeito, quanto mais fervoroso preceder o afeto. 

É também por isso que diz o Apóstolo: Orai sem cessar! (1Ts 5,17). O que isso pode significar a não ser: desejai sem cessar a vida feliz, a eterna, e nenhuma outra, recebida d’Aquele que é o único que a pode dar?”

A prática da autêntica Oração não se limitará em tão apenas na repetição de fórmulas prontas, em lugares ou tempo especiais, exclusivos; falaremos com Deus com nossas próprias palavras, num diálogo sincero e aberto, expressando nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças.

A Oração nos coloca no caminho da busca de uma vida plena e feliz até o encontro definitivo com Deus, na glória da eternidade.

A Oração sem a luta, sem os compromissos concretos é uma fuga. A labuta cotidiana sem a Oração é desespero, inapelavelmente.

Pediremos, agradeceremos, louvaremos e renovaremos nossas forças para a ação, para as indispensáveis obras. A Oração assim nos impele para o bem fazer, sem jamais nos omitirmos, sem jamais adiarmos sagrados compromissos.

A Deus nos dirigiremos em todo e qualquer lugar, e em todo tempo, sem reduzirmos nossa Oração à recitação de fórmulas, em tempos e espaços limitados.

O encontro com o Amado leva-nos à contemplação; de modo que se dilata o nosso coração e entramos em outra dimensão de diálogo, espaço e tempo.

Participando desta Escola da Oração de tantos Santos, continuemos nosso aprendizado e oração bem feita para fazermos progressos maiores na vida espiritual, para que vivamos a graça da missão de discípulos missionários do Senhor mais comprometidos com a causa do Reino. 


PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e do Advento em que somos convidados a oração mais intensa e fecunda.

Que o nosso coração seja manso e humilde

                                                          

Que o nosso coração seja manso e humilde

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração,
e vós encontrareis descanso”
(Mt 11, 29)

Façamos uma breve súplica, à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11, 28-30).

Senhor, que não vivamos a religião do rigorismo e do ritualismo vazio e estéril, sobretudo no que diz respeito às exigências morais.

Senhor, que, à luz do que nos ensinastes, renovemos sagrados compromissos convosco, que viestes ao mundo para trazer a libertação do jugo do pecado e da morte.

Senhor, fortalecei-nos, para que sejamos empenhados na prática de uma verdadeira religião, comprometidos com a libertação de todas as pessoas, de todos os pesos que as oprimem.

Senhor, que  vivamos um verdadeiro cristianismo, não fundamentado no autoritarismo e tão pouco na rigidez sem matizes de ternura, mas fixemos âncoras seguras na humildade e na mansidão de coração.

Senhor, cremos que tão somente assim, tendo a Vós como Pedra principal, Pedra angular, sobre a qual se edifica a Sua Igreja, seremos pedras vivas nesta construção.

Senhor, que em todo tempo e, de modo especial, no Tempo do Advento, nosso coração seja manso e humilde como é o Vosso,  e que isto transpareça em nosso pensar, falar, e agir, sem adiamentos e impensável omissão. 

Salvação: obra e iniciativa divinas

                                                         

Salvação: obra e iniciativa divinas

“Vem, Senhor Jesus”

O Apóstolo Paulo nos apresenta a salvação que nos vem por meio de Cristo, e não pela observância da Lei apenas.

Jesus Cristo é o único e definitivo mediador da salvação para todos, como vemos na passagem de sua Carta aos Gálatas (Gl 1,1-2.6-10).

Como servo de Cristo, nos apresenta a salvação como obra de Deus, como graça, dom imerecido: faz-se necessária a colaboração do homem, mas a iniciativa é de Deus. 

O Apóstolo nos exorta a confiar na salvação que vem de Cristo: o absoluto não é a Lei, mas Cristo:

“A Lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador ‘interiormente’, não teria necessidade de ser mudado.

Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a Lei não o pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. Paulo convida os gálatas a escolher entre a Lei e Cristo”. (1)

Santo Agostinho dirá mais tarde: “Aquele que te criou sem ti não pode salvar-te sem ti!”.

Como vemos, a Salvação é obra e iniciativa divinas, mas não dispensa nossa participação ativa e generosa.

Seja para nós o Tempo do Advento, tempo de abrirmos nosso coração à graça divina, e rever nossos passos e compromissos batismais, para que melhor correspondamos ao amor de Deus, pois tão somente assim, estaremos nos preparando para um verdadeiro e santo Natal do Senhor.

O Tempo do Advento está apenas começando. Fiquemos atentos e vigilantes à espera do Senhor que veio, vem e virá. 

Maranathá! Vem, Senhor Jesus!



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