segunda-feira, 1 de dezembro de 2025

A autêntica Oração e o crescimento espiritual

                                                    



A autêntica Oração e o crescimento espiritual

O trecho da “Carta a Proba”, do Bispo Santo Agostinho (Séc. V) nos fala sobre a autêntica Oração, na qual exercitamos a nossa vontade.

“Por que nos dispersamos entre muitas coisas e, temendo rezar de modo pouco conveniente, indagamos o que pedir, em vez de dizer com o Salmo:

Uma só coisa pedi ao Senhor, a ela busco: habitar na casa do Senhor todos os dias de minha vida, para contemplar as delícias do Senhor e visitar Seu Templo? (Sl 26,4).

Pois ali os dias não vêm e vão, o fim de um não é o princípio de outro. Todos ao mesmo tempo não têm fim, ali onde nem a própria vida, a que pertencem estes dias, tem fim. 

Para alcançarmos esta vida feliz, a verdadeira Vida nos ensinou a orar. Não com multiplicidade de palavras, como se quanto mais loquazes fôssemos, mais nos atenderia.

Mas rogamos Àquele que conhece, conforme Suas mesmas Palavras, aquilo que nos é necessário, antes mesmo de lhe pedirmos (cf. Mt 6,7-8). 

Pode alguém estranhar por que motivo assim dispôs quem já de antemão conhece nossa necessidade. Temos de entender que o intuito de nosso Senhor e Deus não é ser informado sobre nossa vontade, que não pode ignorar.

Mas despertar pelas Orações nosso desejo, o que nos tornará capazes de conter aquilo que se prepara para nos dar. Isso é imensamente grande, mas nós somos pequenos e estreitos demais para recebê-lo.

Por isto, nos é dito: Dilatai-vos; não aceiteis levar o jugo com os infiéis (2Cor 6,13-14). 

Isso é tão imensamente grande que os olhos não o viram, porque não é cor; nem os ouvidos ouviram, porque não é som; nem subiu ao coração do homem (cf. 1Cor 2,9), já que o coração do homem deve subir para lá.

Isso nós o recebemos com tanto maior capacidade quanto mais fielmente cremos, com mais firmeza esperamos, mais ardentemente desejamos. 

Por conseguinte, nesta fé, esperança e caridade, sempre oramos pelo desejo incessante. Contudo, em certas horas e tempos também rezamos a Deus com palavras, para nos exortar a nós mesmos, mediante seus símbolos, e avaliar nosso progresso neste desejo e a nos estimular com maior veemência a aumentá-lo.

Pois tanto mais digno resultará o efeito, quanto mais fervoroso preceder o afeto. 

É também por isso que diz o Apóstolo: Orai sem cessar! (1Ts 5,17). O que isso pode significar a não ser: desejai sem cessar a vida feliz, a eterna, e nenhuma outra, recebida d’Aquele que é o único que a pode dar?”

A prática da autêntica Oração não se limitará em tão apenas na repetição de fórmulas prontas, em lugares ou tempo especiais, exclusivos; falaremos com Deus com nossas próprias palavras, num diálogo sincero e aberto, expressando nossas alegrias e tristezas, angústias e esperanças.

A Oração nos coloca no caminho da busca de uma vida plena e feliz até o encontro definitivo com Deus, na glória da eternidade.

A Oração sem a luta, sem os compromissos concretos é uma fuga. A labuta cotidiana sem a Oração é desespero, inapelavelmente.

Pediremos, agradeceremos, louvaremos e renovaremos nossas forças para a ação, para as indispensáveis obras. A Oração assim nos impele para o bem fazer, sem jamais nos omitirmos, sem jamais adiarmos sagrados compromissos.

A Deus nos dirigiremos em todo e qualquer lugar, e em todo tempo, sem reduzirmos nossa Oração à recitação de fórmulas, em tempos e espaços limitados.

O encontro com o Amado leva-nos à contemplação; de modo que se dilata o nosso coração e entramos em outra dimensão de diálogo, espaço e tempo.

Participando desta Escola da Oração de tantos Santos, continuemos nosso aprendizado e oração bem feita para fazermos progressos maiores na vida espiritual, para que vivamos a graça da missão de discípulos missionários do Senhor mais comprometidos com a causa do Reino. 


PS: Oportuno para o Tempo da Quaresma e do Advento em que somos convidados a oração mais intensa e fecunda.

Que o nosso coração seja manso e humilde

                                                          

Que o nosso coração seja manso e humilde

“Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração,
e vós encontrareis descanso”
(Mt 11, 29)

Façamos uma breve súplica, à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 11, 28-30).

Senhor, que não vivamos a religião do rigorismo e do ritualismo vazio e estéril, sobretudo no que diz respeito às exigências morais.

Senhor, que, à luz do que nos ensinastes, renovemos sagrados compromissos convosco, que viestes ao mundo para trazer a libertação do jugo do pecado e da morte.

Senhor, fortalecei-nos, para que sejamos empenhados na prática de uma verdadeira religião, comprometidos com a libertação de todas as pessoas, de todos os pesos que as oprimem.

Senhor, que  vivamos um verdadeiro cristianismo, não fundamentado no autoritarismo e tão pouco na rigidez sem matizes de ternura, mas fixemos âncoras seguras na humildade e na mansidão de coração.

Senhor, cremos que tão somente assim, tendo a Vós como Pedra principal, Pedra angular, sobre a qual se edifica a Sua Igreja, seremos pedras vivas nesta construção.

Senhor, que em todo tempo e, de modo especial, no Tempo do Advento, nosso coração seja manso e humilde como é o Vosso,  e que isto transpareça em nosso pensar, falar, e agir, sem adiamentos e impensável omissão. 

Salvação: obra e iniciativa divinas

                                                         

Salvação: obra e iniciativa divinas

“Vem, Senhor Jesus”

O Apóstolo Paulo nos apresenta a salvação que nos vem por meio de Cristo, e não pela observância da Lei apenas.

Jesus Cristo é o único e definitivo mediador da salvação para todos, como vemos na passagem de sua Carta aos Gálatas (Gl 1,1-2.6-10).

Como servo de Cristo, nos apresenta a salvação como obra de Deus, como graça, dom imerecido: faz-se necessária a colaboração do homem, mas a iniciativa é de Deus. 

O Apóstolo nos exorta a confiar na salvação que vem de Cristo: o absoluto não é a Lei, mas Cristo:

“A Lei fica sempre exterior ao homem e não pode, de modo algum, mudar o homem; ainda que possa observar todas as leis, o homem não mudará. Se o homem não fosse pecador ‘interiormente’, não teria necessidade de ser mudado.

Mas o homem, todo homem, é pecador, e só Deus pode transformá-lo; a Lei não o pode. É Cristo que opera tudo isso no homem. Paulo convida os gálatas a escolher entre a Lei e Cristo”. (1)

Santo Agostinho dirá mais tarde: “Aquele que te criou sem ti não pode salvar-te sem ti!”.

Como vemos, a Salvação é obra e iniciativa divinas, mas não dispensa nossa participação ativa e generosa.

Seja para nós o Tempo do Advento, tempo de abrirmos nosso coração à graça divina, e rever nossos passos e compromissos batismais, para que melhor correspondamos ao amor de Deus, pois tão somente assim, estaremos nos preparando para um verdadeiro e santo Natal do Senhor.

O Tempo do Advento está apenas começando. Fiquemos atentos e vigilantes à espera do Senhor que veio, vem e virá. 

Maranathá! Vem, Senhor Jesus!



domingo, 30 de novembro de 2025

Advento: Vem, ó Senhor, com o teu povo caminhar (IDTAA)

                                                        


Advento:  Vem, ó Senhor, com o teu povo caminhar

Advento: Vem ó Senhor, com o teu povo caminhar. Tempo de compromisso com o Reino e um novo tempo se inaugura para a humanidade.

Oremos:

Venha a nós, Senhor, o Vosso Reino, que se firma na verdadeira paz, ressoando as palavras do Salmista: “O Amor e a Verdade se encontram, Justiça e Paz se abraçam, da terra germinará a Verdade, e a Justiça se inclinará do céu. O próprio Senhor dará a felicidade e nossa terra dará seu fruto. A Justiça caminhará a sua frente, e com seus passos traçará um caminho” (Sl 85,11-14).

Conduzi, Senhor, a Vossa Igreja, no semear da semente da Palavra para que o Reino aconteça, irradiando para todo o mundo uma mensagem de paz, promovendo a conversão de todos os povos, superando toda e qualquer forma de violência, e todas as ideologias que a legitimem.

Ajudai-nos, Senhor,  a transformar as “espadas em peças de arado e as lanças em foices”, de tal modo que não haja mais as espadas e lanças do egoísmo, do desinteresse, do ódio e do desamor. Que tenhamos uma  permanente atitude de vigilância e oração, na espera do Senhor que veio, vem e virá, inaugurando novos tempos e novas realidades; sinais de um novo céu e uma nova terra. Amém.

 

 

Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – pág. 11 – comentário da passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 2,1-5).

 

Advento: Preparemos a vinda do Verbo! (Parte I) (IDTAA)

                                                              

Advento: Preparemos a vinda do Verbo!

Na Liturgia do primeiro Domingo o Tempo do Advento (ano A), encontramos um forte apelo para que nos coloquemos em atitude de vigilância na preparação de um verdadeiro Natal.

Assim lemos no  Missal Dominical:

“A assembleia eucarística é a Igreja em estado de vigilância, que aprende a ler a vinda do Senhor nos acontecimentos e que encontra o Senhor da Glória na História da Salvação e na dos homens”. (1)

Na passagem da primeira Leitura (Is 2,1-5), temos no oráculo, um poema da paz universal e da convergência de todos os povos na volta para Deus em perfeita concórdia, harmonia, uma paz sem fim. Muito oportuna quando estamos assistindo o multiplicar da violência e a banalização da vida com diversos conflitos entre povos e nações.

O Profeta com coração de poeta sonha um novo tempo, logo precisamos recuperar a dimensão da profecia e a vitalidade da poesia, que não nos distancia do tempo, mas nos insere corajosamente nele. Poesia e profecia devem caminhar sempre juntas!

Em Jesus este sonho se realizará: Ele veio, vem e virá para derrubar os muros que nos separam, a fim de que construamos o Seu Reino, como vimos recentemente na Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo:  Reino eterno e universal, da santidade e da graça, da verdade e da vida, do amor, da alegria, da paz... (cf. Prefácio da Solenidade Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo).

A problemática das divisões é tão real em todo o tempo que Paulo a abordou mais do que uma vez, e na segunda leitura (Rm 13,11-14) retomará esta questão: a comunidade é congregada a viver no amor, e deve estar em permanente vigilância no amor mútuo, abandonando as obras das trevas – “Revesti-vos do Senhor Jesus Cristo”.

Com Paulo somos sempre provocados à conversão, ao despertar para uma fé mais sólida, esperança enraizada e caridade vivenciada em todos os níveis, enquanto o Senhor não vem – “A noite já vai adiantada, o dia vem chegando: despojemo-nos das ações das trevas e vistamos as armas da luz”. Na aurora de Sua chegada a noite será iluminada!

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 24, 37-44) encontramos o crente ideal: vigilante e atento, sempre preparado para a chegada do Senhor. Na espera do Senhor que vem a responsabilidade ocupa o lugar do ócio, do trabalho que esgota, da não vigilância que leva à perda do sentido...

Vigiar é, sobretudo, fortalecer-se, paradoxalmente, com a força desarmada do amor. Paradoxal, pois se é força desarmada, não tem arma alguma, e não a tendo, como ser fortalecido?

Eis a beleza da fé cristã: a força do amor é a força de todas as forças. Sem ela não haverá Natal!

Vigiar é avaliar o quanto nos empenhamos no essencial da fé cristã, no suprassumo da pregação do Senhor: o amor a Deus e ao próximo, pois nisto consiste toda Lei.

Com o Tempo do Advento, vamos nos preparar para o Natal do Verbo, que iluminará nossas trevas, reacendendo em nós a mais bela de todas as chamas, a chama da caridade; e esta inflamada em nossos corações, fará resplandecer a verdadeira luz do Natal, concretizando e renovando esperanças, porque sempre movidos pela fé que descortina novos horizontes...

(1) Missal Dominical - Editora Paulus - 1995 - p.5

Advento: Preparemos a vinda do Verbo! (parte II) (IDTAA)

                                                         


Advento: Preparemos a vinda do Verbo!

Advento, Tempo favorável de preparação da vinda do Senhor, de esperar Sua chegada, reacendendo e mantendo acesa a chama da caridade, e assim o Natal, de fato, aconteça.

Sejamos enriquecidos pela Comentário do Missal Dominical, intensificando nossa preparação para a vinda do Verbo.

O ritmo da vida atual, cada vez mais agitado, as engrenagens de um sistema que pretende planejar todos os momentos do homem, mesmo o que há de mais privado, reduzem cada vez mais os limites do imprevisto. Tudo deve ser passado pelo computador, classificado, neutralizado, assegurado. Mas para o cristão, Cristo continua a ser um acontecimento revolucionador: quando irrompe em sua vida, impõe uma mudança radical que quebra e transforma a rotina cotidiana. Cristo não pode ser programado; deve ser esperado. Devemos deixar em nossa vida um espaço para Sua presença. A vigilância cristã permite ler em profundidade os fatos para neles descobrir a vinda do Senhor. Exige coração suficientemente missionário para ver essa vinda nos encontros com os outros”. (1)

A atitude de Vigilância, com dimensões pascais (Morte e Ressurreição) nos prepara para o verdadeiro Natal com passagens múltiplas, em renovado compromisso com o Reino:

- Passagem das trevas para a luz;
- do pecado à graça;
- da distância dos relacionamentos à comunhão;
- do ódio ao amor;
- do egoísmo à partilha;
- das práticas injustas para práticas com equidade;
- da mentira à verdade...

Ao cristão jamais será permitido instalações em atitudes que não condizem com a fé cristã, como o comodismo, passividade, desleixo, rotina, desunião, desânimo, esfriamento no caminho da fé, perda da esperança (“hoppelesness” que alguns dizem hoje crescer entre nós), ausência de empenho no enfrentar dos desafios, insensatez, imprevidência, comer e beber sem medida; divertir-se tão apenas, arrivismo (ambições), desejos da concupiscência da carne (desejos em excesso)...

Oremos:

Acendei e reacendei, ó Deus, sempre em nossos corações, a Vossa maviosa Chama; a chama da caridade, que nos impulsiona a viver como amados filhos Vossos, no amor a Vós e ao nosso próximo. Amém.

Vigilância na espera do Senhor que vem (IDTAA)

                                                                        

Vigilância na espera do Senhor que vem

 “Vós sabeis em que tempo estamos, pois já é hora de despertar.
Com efeito, agora a Salvação está mais perto de nós
do que quando abraçamos a fé.” ( Rm 13,11)

No 1º Domingo do Advento do Ano Litúrgico (ano A), somos exortados para uma frutuosa preparação para o Natal:

“O apelo à vigilância, atentos ao Senhor que veio, vem e virá: “Nas Leituras deste primeiro domingo do Ano Litúrgico predominam dois temas: a vinda do Senhor e o tema da Vigilância.

Mais do que dois temas, trata-se antes, de dois ‘movimentos’: O Senhor vem – vamos a Seu encontro; Deus vem ao homem, mas só O encontra quem se coloca ao encontro d’Ele, quem está pronto” .(1)

Numa atitude de vigilância, como cristãos, precisamos superar todo comodismo, passividade, desleixo, sem nos acomodarmos numa rotina sem brilho e sem luz.

A passagem da primeira Leitura (Is 2,1-5) é um dos oráculos mais profundos e mais belos do Antigo Testamento: trata-se de uma visão em que os povos se encontram no Monte Sião (Jerusalém), em harmonia e paz sem fim.

Somente o encontro com Deus e com Sua Palavra possibilita a harmonia, o progresso, o entendimento entre os povos, traduzido em vida em abundância e paz universal.

Monte Sião é o contrário de Babel, pois esta segunda se caracteriza pelo confronto dos homens com Deus, o orgulho, a autossuficiência, o conflito, a confusão, a falta de entendimento, a dispersão e tudo que destrói a paz e relação de amizade com Deus.

Urge que nos ponhamos a caminho, ao encontro de Deus e Sua proposta de vida, amor e paz, e este sonho se realizará perfeitamente e plenamente em Jesus.

Na passagem da segunda Leitura (Rm 13,11-14), o Apóstolo Paulo nos exorta para que despertemos de nosso sono, ou seja, passemos das trevas para a luz. Deixemos de lado todo egoísmo, injustiça, mentira e pecado, e nos empenhemos numa vida marcada pela partilha, justiça, verdade e graça.

Na acolhida e espera do Senhor que vem, contra toda possibilidade de divisão, é preciso, congregados pelo Evangelho, viver na vigilância e no amor mútuo.

Como batizados, esperar o Senhor que vem é o abandono das obras das trevas, para que, como pessoa, família, Igreja e sociedade, vivamos na luz.

Para isto, é preciso que sejamos sempre despertados de nosso sono: na aurora da chegada do Senhor a noite de nossa existência será totalmente iluminada.

Importante lembrar que “Santo Agostinho compara seu estado na vigília da conversão a um sono semidesperto, em que metade de sua vontade, acordada e ao lado de Deus, mandava que a outra metade despertasse e se decidisse.

Sono profundo ou sono semidesperto, não somente o estado de quem está em pecado ou vive esquecido de Deus, mas também a tibieza, a incoerência, a indecisão: um cristianismo ‘implícito’ que seria melhor chamar de cristianismo apagado...

Foram precisamente as últimas palavras de Paulo que acabamos de ouvir que levaram Agostinho a dar o último passo para a conversão. Encontrava-se num jardim em Milão, no ápice daquela luta entre ‘as duas vontades’, quando ouviu uma voz misteriosa que cantava: ‘Pega e lê’.

Pegou a Bíblia e abriu-a, leu as palavras de Paulo que diziam para que se despertasse do sono, e dessa forma encontrou luz e paz no coração, Havia, enfim, tomado sua decisão diante de Deus” (2).

A passagem do Evangelho de São Mateus (Mt 24,37-44), reforça a atitude de vigilância na fé que o cristão deve ter, em compromisso irrenunciável e inadiável com o Reino. 

A vinda do Senhor é certa, é preciso estar vigilante, preparado e ativo, e isto implica em abertura e disponibilidade para o Reino de Deus, eterno e universal, marcado por relações de verdade, vida, graça, justiça, santidade e paz, como tão bem expressa o Prefácio da Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo.

Para isto, o Evangelista nos apresenta três quadros: o ócio, o trabalho e a não vigilância, ou seja, a despreocupação com a vida e a existência; ou o contrário, os compromissos e trabalhos para a subsistência; e por fim a ausência da vigilância, que leva à perda do encontro com o Senhor que vem. (v.37-39; 40-41; 43-44, respectivamente).

Somente a atitude de vigilância nos prepara para o verdadeiro Natal: a passagem das trevas para a luz, do pecado para a graça, do distanciamento para a comunhão e intimidade com Deus, do ódio para o amor.

Recuperemos a dimensão Pascal do Natal para celebrar o Nascimento de Jesus, o Sol Nascente, a Luz sem ocaso, que nos veio visitar e sempre vem nos visitar.

Nossa espera é memória e presença. Memória porque Aquele que esperamos, Jesus, já veio (por isto a preparação necessária para o Natal), e presença, porque cremos e sentimos que Jesus está desde agora conosco; presente de modo salutar e real na Santíssima Eucaristia, que não apenas celebramos, mas comungamos, porque é o  Deus Conosco, o Deus que Se faz Pão, Comida e Bebida para nos Alimentar e nos Salvar.

Que o Tempo do Advento seja a nossa ida com alegria ao encontro de Alguém que caminha conosco, e mais do que caminhar ao nosso lado, Se faz morada em nós pelo Espírito Santo.


(1) O Verbo se fez carne –  (Pe. Raniero Cantalamessa) - Editora Ave Maria - 2013 - p. 17.
(2) Idem pp. 18-19.

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