domingo, 28 de setembro de 2025

Não sejamos pedra de tropeço, nem motivo de escândalo (XXVDIDTCB)

 


Não sejamos pedra de tropeço, nem motivo de escândalo

“E, se alguém escandalizar um destes pequeninos que creem, melhor seria que fosse jogado no mar com uma pedra de moinho amarrada ao pescoço.” (cf. Mc 9,42)

Senhor, somos Teus discípulos missionários, peregrinos da esperança de tempos novos, como Igreja à serviço do Reino de amor, vida e fraternidade e paz.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizamos nosso próximo com a nossa vida, colocando à prova a fé dos mais humildes.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que nossa atitude e conduta possa ser um perigo para a fé dos mais simples.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizemos, vivendo de tal modo que levemos alguém ao abandono do caminho da Igreja.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais escandalizar nossos irmãos e irmãs matando a alegria da fé em Deus no coração dos simples.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizemos, manipulando a religião para alimentar culpa e medo de Deus.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais que escandalizemos e façamos sofrer os pequeninos impondo sobre os ombros dos mais vulneráveis pesados fardos do legalismo e do moralismo.

Ajudai-nos, Senhor, e não permitais toda e qualquer forma de escândalo que possa causar a morte.

Ajudai-nos, Senhor, para que, como Igreja, cortemos na raiz toda forma daquilo que parece valioso, mas pode ser causa de escândalo.

Ajudai-nos, Senhor, para que, como Igreja, cortemos as raízes do clericalismo, de toda e qualquer forma de poder opressor das consciências.

Ajudai-nos, Senhor, para que, como Igreja, não tenhamos novas páginas de abuso sexual de menores, da suntuosidade, de rigorismo, a cultura da aparência e da ostentação, a riqueza escandalosa, a falta de humanidade, ritualismos extravagantes, a insensibilidade diante da miséria e violência. Amém.


PS: Fonte inspiradora – Reflexão do Pe. Adroaldo Palaoro – SJ, para o 26° Domingo do Tempo Comum.

 

O Senhor nos chama, qual a nossa resposta? (XXVIDTCA)

O Senhor nos chama, qual a nossa resposta?

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 21,28-32), encontramos a Parábola dos dois filhos, mais uma vez leva-nos a refletir sobre a alegria e graça de trabalhar na Vinha do Senhor.

Para além da aparente singeleza da Parábola, há um conflito muito forte que deve ser percebido. 

Jesus está em Jerusalém, onde culminará Sua missão, cenário de Sua Paixão e Morte. Mais precisamente está no Templo, que é o centro do poder político, econômico e ideológico daquela época e Se dirige ao chefe dos sacerdotes (poder religioso ideológico) e aos anciãos do povo (poder econômico), ou seja, os líderes religiosos judaicos que se constituirão nos opositores e principais sujeitos de Sua morte.

A Parábola fala de um filho que disse sim ao pai e não foi para a vinha (que são os próprios acima descritos). De outro lado o filho que disse não e foi para a vinha são os pecadores, as prostitutas, os marginalizados, os publicanos que se abriram à Boa-Nova de Jesus.  Trata-se de Parábolas de confronto e de conflito entre o Mestre da Justiça e os promotores da sociedade injusta.

Mais tarde, Mateus aplicará a Parábola na recusa dos Judeus e no acolhimento por parte dos pagãos à Boa Nova de Jesus.

Com a Parábola, Jesus nos ensina que todos somos chamados para trabalhar na Vinha. Não há lugar para o imobilismo, a preguiça, o comodismo, a autossuficiência, o egoísmo.

Não basta assentar-se nos bancos das Igrejas e pregar em seus púlpitos. É preciso testemunhar a Palavra que se anuncia, que se proclama. Testemunhá-la com toda nossa fragilidade, imperfeição, dando o melhor de nós onde quer que estejamos.  

É preciso por em prática a Fé, a Esperança e a Caridade que temos. Dar, incansavelmente, provas concretas de nosso amor. Como uma mãe que diz ao filho: “Pára de me dizer que gosta de mim. Prova-me!” . Fácil é dizer, é preciso viver, dar o melhor de nós, simplesmente por amor.

Abramo-nos ao questionamento de Nosso Senhor, para que nosso “sim” a Deu seja um “sim” vivo e verdadeiro, denso de conteúdo e compromissos. 

Tenhamos Jesus como modelo de vida, tenhamos a coragem de imitá-Lo, pois Ele chegou à glória, passando pela Cruz; desceu ao poço mais profundo da miséria e solidão humana para ser exaltado, glorificado e “diante d’Ele todo joelho se dobre e toda língua proclame que Ele é o Senhor” (Fl 2,11).

Embora sem méritos, o Senhor nos chamou para trabalhar em Sua vinha.

Reflitamos:

- Qual é a nossa resposta ao chamado do Senhor para trabalhar em sua vinha?
- Quais as conversões que devemos realizar em nossa vida, para melhor corresponder aos desígnios de Deus e caminhar rumo aos horizontes de uma sociedade justa e fraterna?

- O que significa dizer “sim” a Deus? Somente a procura dos Sacramentos não basta.
- Como vivo os Sacramentos que celebro e qual o conteúdo vivencial da Palavra que escuto?

Procuremos a mais perfeita coerência entre o que cremos e o que vivemos, para que o mundo veja Cristo em nós, e como o Apóstolo Paulo, digamos: 

“E já não sou eu que vivo: é Cristo que vive em mim. E a vida que vivo agora na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.” (Gl 2,20)

O imperativo da conversão no trabalho da Vinha do Senhor (XXVIDTCA) (26/09)

O imperativo da conversão no trabalho da Vinha do Senhor

Com a Liturgia do 26º Domingo do Tempo Comum (ano A), contemplamos um Deus que chama a todos para participarem, com empenho concreto, da construção do Mundo Novo de justiça e paz que Ele sonhou e propõe insistentemente.

Diante deste convite, podemos nos acomodar, isolar ou colaborar. Portanto, não basta dizer sim, mas realizar este sim dado com todo ardor, como Jesus o fez no anúncio e realização de Sua missão redentora e concretização do Reino. Sua vida foi marcada pelo amor, serviço, doação até a entrega total na Cruz.

Vivendo um amor que ama até o fim, esvaziando-Se, empobrecendo-Se, despojando-Se para nos enriquecer, nos cumular de todas as bênçãos, graças e riquezas. Fazendo-Se pobre, enriqueceu-nos copiosamente.

Na passagem da primeira Leitura (Ez 18,25-28) vemos a missão do Profeta Ezequiel, tido como o “Profeta da esperança”, num período que marca a volta do exílio e o recomeço de uma nova história.

O Profeta tem que destruir as falsas esperanças, provocar atitudes de conversão e responsabilidade pela própria história de cada um diante de Deus. Ele deve ressuscitar a confiança e a esperança do povo em Deus. De nada ajudará o povo ficar culpando os antepassados, ou atribuir a Deus a culpa de seus pecados e infidelidades. O presente está em nossas mãos para que correspondamos à vontade divina, assegurando um futuro novo e melhor.

O Profeta chama à responsabilidade a cada um, pois de nada adianta procurar culpados se antes não nos revermos diante de Deus e de Sua proposta. Revermos como realizamos o que a nós é próprio; como e com que intensidade e fidelidade aos preceitos de Deus, a Sua adoração em Espírito e verdade se vivemos.

O Profeta Ezequiel assegura-nos que Deus está sempre presente no meio de Seu povo, nunca o abandona, sendo que o contrário pode acontecer, e se isto ocorre as consequências são extremamente danosas. 

Toda infidelidade a Deus traz frutos amargos: sofrimentos, desolação, enfraquecimento. De outro lado, a fidelidade a Deus é fonte de bênçãos. Deus está sempre pronto a selar aliança de amor conosco, e não nos é permitido ficar com rodeios, desculpas evasivas e subterfúgios que nos afastam d’Ele e de nossa felicidade.

É preciso que o povo tenha consciência de seus limites e não acuse Deus como o responsável pelos erros que comete. Deste modo, novo horizonte de vida e liberdade se abrirá diante dele. 

Deus em Sua fidelidade não se alegra com nossa flutuabilidade, incoerência e contradição.

Reflitamos:

- Diante d’Ele qual é a nossa resposta?
- Quais são os nossos compromissos?
- Qual é a nossa parcela de culpa diante dos sinais de morte? 
- Qual é a nossa participação na construção da cultura da vida, em total fidelidade ao Senhor?
- O que preciso fazer para me converter?

A passagem da segunda Leitura (Fl 2,1-11) traz o maravilhoso Hino Cristológico Paulino. Uma carta dirigida a uma comunidade viva, piedosa, generosa, mas não perfeita (haverá comunidade perfeita?).

Ela precisa aprender o desprendimento, a humildade, a simplicidade, dizendo não ao orgulho, à autossuficiência, à vaidade e à ambição. Para isto precisará comportar-se como Cristo, em atitude “kenótica”, ou seja, despojamento, esvaziamento, aniquilamento. Assumir a Cruz de Nosso Senhor, vivendo em total entrega, obediência, amor e serviço.

A Carta nos provoca: num mundo competitivo, como viver esta lógica de Jesus, que é o caminho da glorificação, o caminho da vida plena, da glória que não prescinde da Cruz.

A passagem do Evangelho de Mateus (Mt 21,28-32), apresenta-nos a Parábola dos dois filhos, e mais uma vez refletimos sobre a alegria e graça de trabalhar na Vinha do Senhor. 

Para além da aparente singeleza da Parábola, há um conflito muito forte que deve ser percebido. 

Jesus está em Jerusalém, onde culminará Sua missão, cenário de Sua Paixão e Morte. Mais precisamente está no Templo, que é o centro do poder político, econômico e ideológico daquela época e Se dirige ao chefe dos sacerdotes (poder religioso-ideológico) e aos anciãos do povo (poder econômico), ou seja, os líderes religiosos judaicos que se constituirão nos opositores e principais sujeitos de Sua morte.

A Parábola fala de um filho que disse sim ao pai e não foi para a vinha (que são os próprios acima descritos). De outro lado o filho que disse não e foi para a vinha são os pecadores, as prostitutas, os marginalizados, os publicanos que se abriram à Boa Nova de Jesus.  Trata-se de Parábola de confronto e de conflito entre o Mestre da Justiça e os promotores da sociedade injusta.

Mais tarde Mateus aplicará a Parábola na recusa dos Judeus e no acolhimento por parte dos pagãos à Boa Nova de Jesus.

Com a Parábola, Jesus nos ensina que todos somos chamados para trabalhar na Vinha. Não há lugar para o imobilismo, a preguiça, o comodismo, a autossuficiência, o egoísmo.

Reflitamos:

- O que significa dizer “sim” a Deus? Somente a procura dos Sacramentos não basta.

- Como vivo os Sacramentos que celebro e qual o conteúdo vivencial da Palavra que escuto?

Não basta assentar-se nos bancos das Igrejas e pregar em seus púlpitos. É preciso testemunhar a Palavra que se anuncia, que se proclama. Testemunhá-la com toda nossa fragilidade, imperfeição, dando o melhor de nós onde quer que estejamos.  

É preciso por em prática a Fé, a Esperança e a Caridade, dando, incansavelmente, provas concretas de nosso amor. Como uma mãe que diz ao filho: “Para de me dizer que gosta de mim. Prova-me!” Fácil é dizer, é preciso viver, dar o melhor de nós, simplesmente por amor.

Concluindo, acolhamos a Palavra do Profeta Ezequiel que nos chama à conversão, confiança, responsabilidade, esperança encarnada, em total fidelidade a Deus.

Abramo-nos ao questionamento de Nosso Senhor, para que nosso “sim” a Deus seja um “sim” vivo e verdadeiro, denso de conteúdo e compromissos. 

Tenhamos Jesus como modelo de vida, tenhamos a coragem de imitá-Lo, pois Ele chegou à glória, passando pela Cruz; desceu ao poço mais profundo da miséria e solidão humana para ser exaltado, glorificado e “diante d’Ele todo joelho se dobre e toda língua proclame que Ele é o Senhor”.

Embora sem méritos, o Senhor nos chamou para trabalhar em Sua vinha.

Reflitamos:

- Qual é a nossa resposta?
- Quais as conversões que devemos realizar em nossa vida para melhor correspondermos aos desígnios de Deus e caminharmos rumo aos horizontes de uma sociedade justa e fraterna?

Procuremos a mais perfeita coerência entre o que cremos e o que vivemos, para que o mundo veja Cristo em nós, e como Paulo, digamos: 

“E já não sou eu que vivo: é Cristo que vive em mim. E a vida que vivo agora na carne, eu a vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e Se entregou a Si mesmo por mim.” (Gl 2,20)

A vida está acima dos bens que passam(28/09)

                                                   


A vida está acima dos bens que passam

No dia 28 de setembro, com a Igreja, celebramos a memória do mártir São Venceslau (Séc. X).

Sejamos enriquecidos à luz da Primeira Legenda Paleoslava:

“Pela morte de seu pai Bratislau, os habitantes da Boêmia constituíram Venceslau seu príncipe. E pela graça de Deus ele era perfeito. Pois fazia o bem a todos os pobres, vestia os nus, alimentava os famintos, acolhia os peregrinos consoante a palavra evangélica. Não admitia que se causasse danos às viúvas, amava a todos, pobres e ricos, servia os servos de Deus, adornava muitas igrejas.

Mas alguns homens da Boêmia tornaram-se soberbos e persuadiram a Boleslau, seu irmão mais moço, dizendo: “Teu irmão Venceslau, conspirando com a mãe e seus homens, vai te matar”.

Celebrando-se festas da dedicação das igrejas em todas as cidades, Venceslau visitava-as todas. Entrou na cidade de Boleslávia, num domingo, festa de Cosme e Damião. Terminada a missa, quis voltar a Praga. Mas Boleslau, com más intenções, reteve-o dizendo: ‘Por que te vais embora, irmão?’ De manhã, soaram os sinos para o ofício matutino. Ouvindo o som dos sinos, Venceslau disse: ‘Louvor a ti, Senhor, que me deste viver até esta manhã’. Levantou-se e foi ao ofício matutino.

Boleslau logo o alcançou à porta. Venceslau olhou-o e disse: ‘Irmão, ontem nos serviste bem’. O demônio inclinou-se ao ouvido de Boleslau e perverteu seu coração; desembainhando a espada, respondeu-lhe: ‘Vou, agora, servir-te melhor’. Dito isto, feriu-lhe a cabeça com a espada.

Venceslau, voltando-se para ele, disse: “Qual é a tua intenção, irmão?” E agarrando-o, lançou-o por terra. Mas acorreu um dos conselheiros de Boleslau e feriu a mão de Venceslau. Este, com a mão ferida, largou o irmão e refugiou-se na igreja. Contudo dois malfeitores o mataram à porta da igreja. Veio um terceiro e traspassou-lhe o lado com a espada. Vensceslau expirou logo com estas palavras: Em tuas mãos, Senhor, entrego o meu espírito (cf. Sl 30,6).”

Quando lemos sobre o martírio de São Venceslau, imediatamente nos vem à mente as primeiras páginas do Livro do Gênesis (Gn 4,1-16), sobre o fratricídio de Abel por seu irmão Caim.

Lamentavelmente, páginas como esta e de São Venceslau, continuam se repetindo, ainda que de modos diversos, e talvez não chegando à sua expressão máxima.

Por vezes, contendas entre irmãos por questões mínimas, relacionadas à herança, inveja, ciúme, enfermidade, ou outras motivações.

Roguemos a Deus por tantos quanto possam estar vivendo situações difíceis de relacionamento com os irmãos da própria família, ou mesmo da família maior, a comunidade de que possam fazer parte.

Oremos:

Ó Deus, que inspirastes ao rei e mártir São Venceslau preferir o Reino do céu ao da terra, dai que, por suas preces, saibamos renunciar a nós mesmos e seguir-Vos de todo o coração. Por N.S.J.C. Amém.”

 

PS: “Venceslau nasceu na Boêmia, cerca do ano 907; de uma tia paterna recebeu sólida formação cristã e assumiu o governo de seu ducado por volta de 925. Suportou muitas dificuldades no governo e na formação cristã de seus súditos.

Traído por seu irmão Boleslau, foi morto por uns sicários no ano de 935. Foi logo venerado como mártir e escolhido pela Boêmia como seu patrono principal” (Liturgia das Horas – Tempo Comum – Volume II - pág. 1308)

sábado, 27 de setembro de 2025

Em poucas palavras...(27/09)

                                                 


“Se na hora da oração...”

“Se na hora da oração for necessário dar remédios ou auxílio a algum pobre, ide tranquilos, oferecendo a Deus esta ação como se estivésseis em oração.

Não vos perturbeis com angústia ou medo de estar pecando por causa de abandono da oração em favor do serviço dos pobres. Deus não é desprezado, se por causa de Deus dele nos afastarmos, quer dizer, interrompermos a obra de Deus, para realizá-la de outro modo”.

 

(1)Presbítero São Vicente de Paulo (1581-1660)

A indissociabilidade que nos conduz aos céus!(27/09)

                                                            

A indissociabilidade que nos conduz aos céus!

À Luz dos Escritos do Presbítero São Vicente de Paulo, cuja memória celebramos dia 27 de setembro, vemos quão indispensável é a oração, mas não menos indispensável é o serviço aos pobres.

O Presbítero não tem dúvida alguma em dizer que se deve preferir o serviço aos pobres acima de tudo.

A caridade para ele é como “uma grande dama” que nos impões o imperativo de nos colocarmos ao serviço dos pobres ou mesmo nos colocarmos em sua procura para servi-los.

Aqui, ressoa Mateus 25 sobre o julgamento final: Amando e servindo o pobre, estaremos amando e servindo o próprio Senhor. Amando-O e servindo-O nos pobres credenciamo-nos para sermos convivas do Banquete da Eternidade.

Ponhamo-nos em frutuosa leitura de seus Escritos:

“Não temos de avaliar os pobres por suas roupas e aspecto, nem pelos dotes de espírito que pareçam ter.

Com frequência são ignorantes e curtos de inteligência. Mas muito pelo contrário, se considerardes os pobres à luz da fé, então percebereis que estão no lugar do Filho de Deus que escolheu ser pobre.

De fato, em Seu sofrimento, embora quase perdesse a aparência humana – loucura para os gentios, escândalo para os judeus – apresentou-Se, no entanto, como o Evangelizador dos pobres: Enviou-Me para evangelizar os pobres (Lc 4,18). Devemos ter os mesmos sentimentos de Cristo e imitar aquilo que Ele fez: ter cuidado pelos indigentes, consolá-los, auxiliá-los, dar-lhes valor.

Com efeito, Cristo quis nascer pobre, escolheu pobres para Seus discípulos, fez-Se servo dos pobres e de tal forma quis participar da condição deles, que declarou ser feito ou dito a Ele mesmo tudo quanto de bom ou de mau se fizesse ou dissesse aos pobres.

Deus ama os pobres, também ama aqueles que os amam. Quando alguém tem um amigo, inclui na mesma estima aqueles que demonstram amizade ou prestam obséquio ao amigo. Por isto esperamos que, graças aos pobres, sejamos amados por Deus.

Visitando-os, pois, esforcemo-nos por entender os pobres e os indigentes e, compadecendo-nos deles, cheguemos ao ponto de poder dizer com o Apóstolo: Fiz-me tudo para todos (1Cor 9,22).

Por este motivo, se é nossa intenção ter o coração sensível às necessidades e misérias do próximo, supliquemos a Deus que derrame em nós o sentimento de misericórdia e de compaixão, cumulando com ele nossos corações e guardando-os repletos.

Deve-se preferir o serviço dos pobres a tudo o mais e prestá-lo sem demora. Se na hora da oração for necessário dar remédios ou auxílio a algum pobre, ide tranquilos, oferecendo a Deus esta ação como se estivésseis em oração.

Não vos perturbeis com angústia ou medo de estar pecando por causa de abandono da oração em favor do serviço dos pobres. Deus não é desprezado, se por causa de Deus d’Ele nos afastarmos, quer dizer, interrompermos a obra de Deus, para realizá-la de outro modo.

Portanto, ao abandonardes a Oração, a fim de socorrer a algum pobre, isto mesmo vos lembrará que o serviço é prestado a Deus. Pois a caridade é maior do que quaisquer regras, que, além do mais, devem todas tender a ela. E como a caridade é uma grande dama, faz-se necessário cumprir o que ordena.

Por conseguinte, prestemos com renovado ardor nosso serviço aos pobres; de modo particular aos abandonados, indo mesmo a sua procura, pois nos foram dados como senhores e protetores”.

Orar, amar e servir...
Orar, servir e amar...
Amar, orar e servir...
Amar, servir e orar...
Servir, orar e amar...
Servir, amar e orar...

Oramos para amar e servir melhor!
Amamos e servimos porque oramos!
Servimos porque oramos e amamos!
Oh feliz indissociabilidade que nos conduz aos céus!

Nos passos do Servo Sofredor (26/09)

                                              


Nos passos do Servo Sofredor
 
“O Cristão é aquele que segue Cristo,
primeiro nos sofrimentos; depois, na glória.”
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de São Lucas (Lc 9,43b-45).
 
Depois do primeiro anúncio da Paixão do Senhor e da confissão de Pedro, o Evangelista nos apresenta as consequências que os discípulos deverão assumir no seguimento de Jesus, “O Filho do Homem que vai ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 9, 44).
 
Nesta afirmação de Jesus, encontramos a união de duas imagens do Filho do Homem e do Servo:

- “Filho do Homem” – revela a transcendência de Sua origem celeste (Dn 7,13);
- “entregue nas mãos dos homens” – entregue à morte, traído – Servo de Deus, como vemos na passagem do Livro do Profeta Isaias (Is 53,8).
 
Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:
 
“Na Páscoa está o grande momento da Salvação, mas os apóstolos não compreendem a associação de dois títulos para eles contraditórios. Compreendê-lo-ão somente após a Ressurreição e a descida do Espírito Santo, então, compreenderão melhor ainda a própria missão. O Cristão é aquele que segue Cristo, primeiro nos sofrimentos; depois, na glória.” (1)
 
Como discípulos missionários do Senhor, renovemos a alegria da missão que Ele nos confere, pedindo a Deus a graça necessária para segui-Lo, testemunhá-lo, com fé sólida e coragem criativa, sobretudo, nos momentos de provações que marcam nossa vida.
 
Não corremos atrás de aplausos, elogios e aclamações, como o Senhor nunca o fez; e assim deve ser marcado o nosso discipulado.
 
Por ora, vamos carregando nossa cruz, em comunidade, alimentados pela Santa Eucaristia, e conduzidos pela Palavra divina, para que jamais esmoreçamos na fé, vacilemos na esperança e tão pouco esfriemos no essencial e que nos distingue como discípulos do Senhor, a prática do Mandamento do Amor a Deus e ao próximo.
 
Concluo com as palavras do Bispo São Basílio Magno (Séc. IV):
 
“...A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a Paixão, a Cruz, o Sepultamento e a Ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.
 
Portanto, para atingir à perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo: 'Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos' (Fl 3,10)”.
 
 
(1) Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1995 – p.1319 - Esta passagem é proclamada no sábado da XXV Semana do Tempo Comum.


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