sábado, 6 de setembro de 2025

Em poucas palavras...

                                                        




A compaixão de Cristo

“Muitas vezes Jesus pede aos enfermos que creiam (Mc 5,34-36; 9,23). Serve-se de sinais para curar: saliva e imposição das mãos (Mc 7,32-36; 8,22-25); lama e ablução (Jo 9,6-15).

Os doentes procuram tocá-Lo (Mc 3,10; 6,56), porque d’Ele saía uma ‘força que a todos curava’ (Lc 6,19). Também nos Sacramentos de Cristo continua a nos ‘tocar’ para nos curar”. (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica n. 1504

Misericórdia acima de tudo

                                                                  

Misericórdia acima de tudo

No sábado da 22ª semana do Tempo Comum e na segunda-feira da 23ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,1-5 e Lc 6,6-11, respectivamente).

O Evangelista nos apresenta dois episódios na vida de Jesus: em dia de sábado Seus discípulos colhem espigas para comer, e Ele cura um homem que tinha a mão seca.

Na conclusão, vemos que os escribas e fariseus encheram-se de raiva e começaram a discutir sobre o que fariam contra Jesus.

Sejamos enriquecidos por este Comentário do Missal Dominical:

“Nas mãos dos doutores da Lei e dos escribas, o sábado se transformara numa série de minuciosa e pesada de prescrições e proibições, a ponto de se tornar sinal de nova escravidão, a de um culto formalista e exterior.

Mas Jesus vem corrigir todas essas inúteis e opressoras prescrições. Ele não Se coloca contra o sábado eliminando-o ou transtornando-lhe o sentido, Observa o sábado, mas vai diretamente ao essencial, afirmando duas ideias:

o primado da misericórdia sobre as exigências culturais e as prescrições relativas ao repouso sabático (cura o homem da mão paralítica):

o primado da consciência sobre a regra, do homem sobre a Lei (o sábado é feito para o homem e não o homem para o sábado).”

Para Jesus, o mais importante é que o bem seja feito em todo o tempo, o mal jamais.

A prática da misericórdia ressalta o valor sagrado da vida humana, que está acima de toda prescrição legalista e fria que não gera vida, empobrecendo, assim, o sentido da Lei e sua prática.

Fundamental que, como Igreja, aprendamos com Jesus o primado da misericórdia e da consciência, para nos colocarmos sempre a serviço da vida plena e definitiva.

  
Missal Dominical – Editora Paulus – 1995 – pp.918-919

A Lei a serviço da vida

                                                     

A Lei a serviço da vida

No sábado da 22ª semana do Tempo Comum e na segunda-feira da 23ª Semana do Tempo Comum,  ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 6,1-5 e Lc 6,6-11 - respectivamente).

À luz destes acontecimentos, refletimos sobre o Dia do Senhor (sábado para os judeus, domingo para os cristãos), que devemos guardar a fim de fazer memória da ação criadora e redentora de Deus com Seu Povo que somos.

Voltemos à passagem do Livro do Deuteronômio (Dt 5,12-15), que nos recorda o preceito do terceiro Mandamento, de guardar o sábado para santificá-lo, sugerindo que seja um dia que exprime a unidade do Povo que celebra a ação libertadora de Deus, sem qualquer tipo de desigualdades.

Temos a enunciação do Mandamento, uma explicação didática de como devemos praticá-lo e uma fundamentação teológica para essa mesma prática.

O referido Mandamento funciona como um símbolo dos deveres para com Javé (Dt 5,6.15) e para com o próximo (Dt 5,14.21).

Urge regressar aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, tomando a sério o valor do verbo “santificar”.

Santificar o Dia do Senhor implica em adorá-lo, acima de tudo e de todos, mas também implica em viver relações mais justas e fraternas com o próximo, para não incorrermos em nova escravidão.

Voltando aos fundamentos da celebração do Dia do Senhor, viveremos o sábado (ou Domingo), como memorial da libertação do Pecado na Páscoa de Cristo, que atualiza a obra libertadora de Deus da escravidão do Egito.

A celebração do Dia do Senhor tem uma grande dimensão social, sendo dia de descanso para todos, garantindo esse direito, sobretudo aos pobres que se veem assim protegidos pela Lei divina, como nos ensina o Catecismo da Igreja Católica:

“O agir de Deus é o modelo do agir humano. Se Deus ‘descansou’ no sétimo dia, o homem deve também ‘descansar’ e deixar que os outros, sobretudo os pobres, ‘tomem fôlego’. O sábado faz cessar os trabalhos quotidianos e concede uma folga. É um dia de protesto contra as servidões do trabalho e o culto do dinheiro” (n. 2172).

O Papa Bento XVI nos ajuda a compreender a importância do Domingo para os cristãos:

“Precisamos do Pão da vida para enfrentar as fadigas e o cansaço da viagem. O Domingo, Dia do Senhor, é a ocasião propícia para haurir a força d'Ele, que é o Senhor da vida.

Por conseguinte, o preceito festivo não é um dever imposto pelo exterior, um peso sobre os nossos ombros. Ao contrário, participar na Celebração dominical, alimentar-se do Pão eucarístico e experimentar a comunhão dos irmãos e irmãs em Cristo é uma necessidade para o cristão, é uma alegria, e assim pode encontrar a energia necessária para o caminho que devemos percorrer todas as semanas.

Um caminho, aliás, não arbitrário: a via que Deus nos indica na sua Palavra vai na direção inscrita na própria essência do homem, a Palavra de Deus e a razão caminham juntas. Seguir a Palavra de Deus e caminhar com Cristo significa para o homem realizar-se a si mesmo; perdê-la equivale a perder-se a si próprio”. (1)

Voltemos à passagem do Evangelho em que se retoma a temática do terceiro preceito do Decálogo, nos episódios em que os discípulos colhem espigas para comer e um homem com uma mão atrofiada curado - ambos os episódios em dia de sábado.

A mensagem central: quando se faz uma interpretação demasiado rigorista dos preceitos da Lei, esta deixa de cumprir a sua missão de estar ao serviço do homem em cada tempo.

Jesus nos convida, por isso, a posicionar-nos ao serviço dos necessitados, tendo em conta que o Dia do Senhor foi feito para o homem, não para fazer do homem um escravo.

O Evangelista nos convida a centrar nas palavras de Jesus que ajudam a interpretar a sua liberdade diante da instituição do sábado judaico: "O Filho do homem é senhor do sábado" (Lc 6,5):


“Diante do poder de Jesus e das necessidades humanas, as coisas sagradas não têm um valor próprio (nem o pão do santuário, no caso de David, nem o sábado, no caso dos discípulos de Jesus ou do homem com a mão atrofiada), mas existem para o bem da humanidade (os pães da proposição para alimentar David e os seus homens, o sábado para o homem e para Jesus); na interpretação de Jesus, é fundamental que o que é sagrado esteja ao serviço do homem...

Jesus escolheu fazer o bem e colocar-Se ao serviço das necessidades humanas, satisfazendo-as, mesmo se isso lhe acarreta a decisão do conluio das autoridades políticas e religiosas contra Ele, para O condenarem à morte” (2)

Não se trata, portanto, da interpretação libertina ou relativista do sábado, mas de fazer dele o dia da relação com Deus, que vem em auxílio de quem está em necessidade.

As interpretações rigoristas da Lei – como são as dos fariseus no nosso texto – cegam e não deixam ver as necessidades humanas que, na perspectiva de Jesus, são o verdadeiro critério para manter uma atitude livre diante da Lei, sendo assim o cristão prolonga a existência da vida de Cristo, e no Dia Maior, o Domingo, a Ele consagrado, não pode perder de vista os que foram os Seus prediletos, com gestos de amor, solidariedade e partilha.

Por fim, concluímos que todas as instituições, sejam elas religiosas ou civis, devem estar ao serviço da vida humana, para que possam realizar a missão para a qual nasceram, do contrário, perderão a razão de existir.


PS: Citações extraídas de www.Dehonianos.org/portal 

sexta-feira, 5 de setembro de 2025

Contemplemos a Sabedoria divina

                                                            

Contemplemos a Sabedoria divina

Assim escreveu o Apóstolo Paulo aos Coríntios sobre a sabedoria de Deus, que nos foi revelada pelo Seu Filho, Jesus (1Cor 2,7-10a):

“Falamos da misteriosa Sabedoria de Deus, Sabedoria escondida, que, desde a eternidade, Deus destinou para nossa glória.

Nenhum dos poderosos deste mundo conheceu essa Sabedoria. Pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória.

Mas, como está escrito, o que Deus preparou para os que O amam é algo que os olhos jamais viram, nem os ouvidos ouviram, nem coração algum jamais pressentiu. A nós Deus revelou esse Mistério através do Espírito”.

A nós, como discípulos missionários do Senhor, cabe testemunhar nossa fé, deixando-nos conduzir pela Sabedoria divina, que nos é concedida pelo dom do Espírito que nos foi confiado.

Viver conduzido pela Sabedoria é ter coragem de fazer as renúncias necessárias, para que, tomando nossa cruz a cada dia, sigamos o Senhor, participando da construção do Reino de Deus.

Conceda-nos, Deus, olhos para contemplar, ouvidos para captar e coração para acolher, compreender e sentir a Sua presença entre nós, e abertos plenamente à vontade divina, realizá-la, sem demora, sem adiamentos, sem medos, na mais perfeita e incondicional fidelidade em todo e qualquer lugar, e em qualquer situação.

Oremos: 

"Ó Deus, cuja inefável sabedoria maravilhosamente se revela no escândalo da Cruz, concedei-nos de tal modo contemplar a bendita paixão de Vosso Filho, que confiantes nos gloriemos sempre na Sua Cruz. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém."

Nem sábios, nem ricos, nem poderosos...

                                                                   

Nem sábios, nem ricos, nem poderosos...

“Pois a loucura de Deus é mais sábia do que os homens,
e a fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.”
(1Cor 1,25)

Voltemo-nos para o Sermão do Bispo e Doutor da Igreja Santo Agostinho (séc. V), em que reflete sobre a escolha que Jesus Cristo fez, chamando para ser Apóstolos alguns pescadores.

Estando o bem-aventurado Pedro com outros dois discípulos de Cristo Senhor, Tiago e João, na montanha com o próprio Senhor, ouviu uma voz vinda do céu: ‘Este é o meu Filho amado, meu predileto, escutai-O’.

Recordando este episódio, o mencionado Apóstolo escreve em sua carta: ‘Esta voz trazida do céu nós a ouvimos estando com ele na montanha sagrada’. E em seguida continua dizendo: Isto nos assevera a palavra dos Profetas’. Se ouviu aquela voz do céu, e se garantiu a palavra dos Profetas’.

Este Pedro, que assim fala, foi pescador: e na atualidade é um inestimável sinal de glória para um orador ser capaz de compreender ao pescador. Esta é a razão pela qual o Apóstolo Paulo, falando dos primeiros cristãos, lhes dizia: ‘Atenham-vos, irmãos, em vossa assembleia: não há nela muitos sábios, segundo a carne, nem muitos poderosos, nem muitos aristocratas; pelo contrário: Deus o escolheu o néscio do mundo para humilhar aos sábios; Deus escolheu o fraco do mundo para humilhar ao forte. Ainda mais: tem escolhido o vil e desprezível, aquilo que não conta, para anular ao que conta’.

Se para dar início à Sua obra Cristo tivesse escolhido um orador, o orador teria dito: ‘Fui escolhido em consideração a minha eloquência’. Se tivesse escolhido um senador, o senador teria dito: ‘Fui escolhido em atenção a minha dignidade’. Finalmente, se tivesse primeiramente escolhido a um imperador, o imperador teria dito: ‘Fui escolhido em consideração ao meu poder’.

Que esses tais descansem e aguardem ainda um pouco. Descansem um pouco: não se prescinda deles nem sejam desprezados; sejam somente diferidos aqueles que podem gloriar-se de si mesmos e em si mesmos.

Dá-me, diz, esse pescador, dá-me esse ignorante e ao analfabeto, dá-me a esse com quem o senador não se digna falar, nem sequer quando lhe compra um peixe: dá-me esse. E quando lhe tenha cumulado de meus dons, ficará manifesto que sou em quem atuo.

Ainda que seja verdade que me proponho a fazer o mesmo com o senador, o orador e o imperador: quando chegar o momento também farei com o senador, mas com um pescador a minha ação é mais evidente.

O senador pode gloriar-se de si mesmo, o orador também e o imperador: porém o pescador somente pode gloriar-se em Cristo.

Que venha, que venha primeiro o pescador a ensinar a humildade que salva; através dele o imperador será mais facilmente conduzido a Cristo.

Lembrai-vos, portanto, do pescador santo, justo, bom, pleno de Cristo, em cujas redes, lançadas por todo o mundo havia de ser pescado, junto com os outros, este povo africano; lembrai-vos, portanto, que ele tinha dito: ‘Isto nos assevera a palavra do Profeta’”. (1)

Deus verdadeiramente subverte qualquer lógica humana, chamando humildes pescadores e a eles confiando a missão de ser apóstolos: nem sábios, nem ricos; homens rudes e simples deram início à pregação, e semearam pelo mundo todo a Palavra que ouviram.

Regaram a Palavra com a vida e o sangue derramado, frutificando e multiplicando novos discípulos a partir do chamado, da convivência com Jesus, passando pelo Mistério da Paixão e Morte, e testemunhando a glória da Ressurreição.

Pescadores simples puderam chegar ao coração de sábios e ricos, apenas confiando, anunciando e testemunhando Aquele que mudou suas vidas: Jesus Cristo.

Como bem expressou o Bispo, não tinham a eloquência dos oradores, a dignidade dos senadores e tão pouco o poder dos imperadores, mas tinham humildade, confiança, disponibilidade, coragem, ardor e, sobretudo confiança na Palavra do Mestre e Senhor.

Creram e testemunharam Aquele que depois permaneceu vivo e Ressuscitado no Banquete da Eucaristia, cuja Palavra faz arder o coração, e o Pão partilhado faz abrir os olhos para o reconhecimento de Sua Divina presença, como o fez ao se manifestar aos discípulos de Emaús, e cada vez que nos reunimos para o Banquete Celestial.

Agora é o tempo favorável de nossa missão, com a força e a presença do Espírito Santo, continuar a missão de Jesus Cristo, a nós confiada, participando humildemente da construção do Reino de Deus.


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2013 – pp.631-632

Sedentos do Vinho Novo

                                                         

Sedentos do Vinho Novo

 “O Amor de Deus foi
derramado em nossos corações.”

Na sexta-feira da 22ª Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5,33-39), em que Jesus nos questiona: “Acaso podeis fazer que os amigos do noivo jejuem enquanto o noivo está com eles?” (Lc 5,34).  E nos disse: “Põe-se, antes vinho novo em odres novos” (Lc 5,38).

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões de um autor anônimo do século VI, que nos leva a refletir sobre a unidade da Igreja que, recebendo o dom do Espírito Santo, fala todas as línguas, de modo que todos se comunicam e se entendem.

“Os Apóstolos começaram a falar em todas as línguas. Aprouve a Deus, naquele momento, significar a presença do Espírito Santo, fazendo com que todo aquele que O tivesse recebido, falasse em todas as línguas.

Devemos compreender, irmãos caríssimos, que se trata do mesmo Espírito Santo pelo qual o Amor de Deus foi derramado em nossos corações.

O amor haveria de reunir na Igreja de Deus todos os povos da terra. E como naquela ocasião um só homem, recebendo o Espírito Santo, podia falar em todas as línguas, também agora, uma só Igreja, reunida pelo Espírito Santo, se exprime em todas as línguas.

Se por acaso alguém nos disser: ‘Recebeste o Espírito Santo; por que não falas em todas as línguas?’ devemos responder:

‘Eu falo em todas as línguas. Porque sou membro do Corpo de Cristo, isto é, da Sua Igreja, que se exprime em todas as línguas. Que outra coisa quis Deus significar pela presença do Espírito Santo, a não ser que Sua Igreja haveria de falar em todas as línguas?’

Deste modo, cumpriu-se o que o Senhor tinha prometido: Ninguém coloca vinho novo em odres velhos. Vinho novo deve ser colocado em odres novos. E assim ambos são preservados (cf. Lc 5,37-38).
       
Por isso, quando ouviram os Apóstolos falar em todas as línguas, diziam alguns com certa razão: Estão cheios de vinho (At 2,13).

Na verdade, já se haviam transformado em odres novos, renovados pela graça da santidade, a fim de que, repletos do vinho novo, isto é, do Espírito Santo, parecessem ferver ao falar em todas as línguas.

E com este milagre tão evidente prefiguravam a universalidade da futura Igreja, que haveria de abranger as línguas de todos os povos.

Celebrai, pois, este dia como membros do único Corpo de Cristo.

E não o celebrareis em vão, se realmente sois aquilo que celebrais, isto é, se estais perfeitamente incorporados naquela Igreja que o Senhor enche do Espírito Santo e faz crescer progressivamente através do mundo inteiro.

Esta Igreja Ele reconhece como Sua e é por ela reconhecida como seu Senhor. O Esposo não abandonou sua esposa; por isso ninguém pode substituí-la por outra.

É a vós, homens de todas as nações, que sois a Igreja de Cristo, os membros de Cristo, o corpo de Cristo, a esposa de Cristo, é a vós que o Apóstolo dirige estas palavras:

Suportai-vos uns aos outros com paciência, no amor. Aplicai-vos em guardar a Unidade do Espírito pelo vínculo da paz (Ef 4,2-3).

Reparai como, ao lembrar o Preceito de nos suportarmos uns aos outros, falou-nos do amor, e quando Se referiu à esperança da unidade, pôs em evidência o vínculo da paz.

Esta é a casa de Deus, edificada com pedras vivas. Nela o Eterno Pai gosta de morar; nela Seus olhos jamais devem ser ofendidos pelo triste espetáculo da divisão entre Seus filhos.”

Acolhendo o dom do Espírito Santo, e com Ele o Amor de Deus, que é derramado em nossos corações; tornamo-nos membros do único Corpo de Cristo, e assim devemos viver e agir.

Somos membros de uma Igreja, edificada com pedras vivas, e todo esforço deve ser feito para que se supere o “triste espetáculo da divisão entre Seus filhos”, como refletimos na conclusão do Sermão.

Envolvidos pelo Amor de Deus derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que preenche nossos corações, com coragem e ousadia, sejamos arautos contumazes e intrépidos da “Alegria do Evangelho”.

Deste modo seremos eternos aprendizes da mais bela linguagem universal: a linguagem do Espírito Santo, a linguagem de Deus, que consiste na linguagem do Amor.

Com o coração renovado, a cada dia, acolhamos o Vinho Novo do Amor de Deus e, uma vez transbordante, seja derramado a quantos precisarem, porque sedentos de amor, vida, alegria e paz.

Como preciso de Tua Palavra, ó Senhor

                                          


Como preciso de Tua Palavra, ó Senhor

No caminho, em todo o tempo, preciso de Tua Palavra: enquanto Pão para saciar a fome, enquanto Luz para iluminar as noites escuras, e quando da ausência de luz, em pleno meio-dia.

Tenho fome de Tua Palavra, e quero acolhê-la com respeito; conservando sua imutável pureza, sem nada alterar, nada acrescentar.

Vivê-la sem me inclinar às interpretações ao sabor de minhas vontades e caprichos, mas curvar-me à Tua vontade, que não necessariamente seja a minha, ainda que com renúncias e sacrifícios.

Tenho sede de Tua Palavra, como água cristalina, e saciada toda a sede, pôr-se a caminho na travessia de possíveis desertos cotidianos, até que possa fazer necessárias travessias.

Acolha eu Tua Palavra purificada, livre de escórias; a Palavra santa, na vigilância e atento para captá-la, compreendê-la e vivê-la a serviço do Reino, alcançado a graça da salvação.

Te peço, com humildade e confiança, um coração reto, sincero e livre de preocupações desnecessárias, sem apegos, a fim de que tenha tão apenas o pouco necessário, sem acúmulos, usar os bens necessários e abraçar os eternos.

Assim, dá-me sabedoria, para que saiba pedir o absolutamente necessário, sem incorrer em posturas medíocres, para que eu seja livre da opulência e da indigência, e tenha total disponibilidade e adesão a Ti no carregar da Cruz, tendo de Ti mesmos sentimentos. Amém.

 

PS: Fonte: Missal Cotidiano -  Editora Paulus – passagem da Leitura – Provérbios (Pr 30,5-9) – p.1305

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG