sexta-feira, 18 de julho de 2025

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

                                                                           

“Eu e minha família serviremos ao Senhor”

“A quem serviremos?”

Esta questão a família precisa se colocar todos os dias, e a resposta deve ser aquela que Josué deu naquele dia:  

“Se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem quereis servir: se aos deuses e a quem vossos pais serviram na Mesopotâmia, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Quanto a mim e à minha família, nós serviremos ao Senhor” (Js 24,15).


Sendo a família uma espécie de Igreja Doméstica, como nos ensina a “Lumen Gentium” (n.11), deve nutrir-se sempre da Divina Fonte do Amor, Jesus, que alarga os horizontes da vida, dando-lhe um novo sentido, novo odor e esplendor: odor do amor, luz que aquece e ilumina.

Ressoem em nosso coração as palavras do Bispo São João Crisóstomo (séc IV), que sugere aos jovens casados que façam este discurso às suas esposas, e que poderá também ser dito pelos cônjuges em juras eternas de amor:

“Tomei-te em meus braços, amo-te e prefiro-te à minha própria vida. Porque a vida presente não é nada e o meu sonho mais ardente é passá-la contigo, de maneira que estejamos certos de não sermos separados na vida futura que nos está reservada [...]. Ponho o teu amor acima de tudo, e nada me seria mais penoso do que não ter os mesmos pensamentos que tu tens”.

Que nas famílias haja sempre o silêncio orante, fecundo, em que as mais preciosas Sementes do Verbo, da Sua Palavra, caiam, floresçam e frutifiquem maravilhosamente, e nelas se vivam relações intensas e profundas de amor.

Deste modo, a família de fato servirá ao Senhor, e poderá dizer como Josué, quando na travessia pelo deserto rumo à Terra Prometida: “Eu e minha família serviremos ao Senhor”, porque Deus é a mais genuína e inesgotável fonte do Amor.

Inserida no Mistério de amor da Trindade Santíssima, a família viverá maior simplicidade, disponibilidade e alegria, dando cada um de sua pobreza, movidos pela oração, na mais bela e frutuosa devoção, imitando as virtudes de nossa tão querida Mãe da Igreja, Mãe das Famílias – Maria.

Perseverantes na participação da Mesa Sagrada da Palavra e da Santa Eucaristia, nossas famílias renovem a chama ardente do primeiro encontro, que o Senhor acendeu no coração de todos, e que esta jamais se apague, porque haverá de se eternizar no Céu, onde contemplaremos o Fogo Eterno do Amor de Deus, que jamais se apaga e se consome, e que apenas experimentamos. 

Em poucas palavras... (Amizade)

                                                              


Precisamos de companheiros de viagem nas tribulações

“Frequentemente, um fato humano difícil como o de Jó é a ocasião para alguém enveredar pelo caminho nada fácil do sentido real das coisas, de um significado que possa realmente dar valor à luta quotidiana pela vida.

Nesta caminhada, tão profundamente humana, todos podemos descobrir-nos irmãos, companheiros de viagem e iluminar-nos reciprocamente com os dons que Deus concede a cada um.” (1)

 

(1)               Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume II – Editora Paulus – Lisboa – pág. 474 - passagem do Livro de Jó (Jó 38,1.12-21;40,3-5)

Em poucas palavras... (Amizade)

                                            


O Amigo e o Amado

O amigo disse ao seu Amado que lhe pagasse o tempo em que o havia servido. O Amado fez a conta dos pensamentos, desejos, prantos, perigos e trabalhos que o amigo padecera por amor dele, e acrescentou à conta a eterna bemaventurança, e deuse a Si próprio em pagamento ao seu amigo (1)

 

(1)  R. Llull, Livro do amigo e do Amado, 64.

 

Não deixe a chama apagar...

                                                              

Não deixe a chama apagar...

Há músicas que são para sempre e a tradução precisa ser conhecida. Uma delas é esta de Elvis Presley – “Always on my mind” – cuja tradução aqui transcrevo:

Sempre em minha mente -
Talvez eu não tenha te tratado tão bem quanto deveria. Talvez eu não tenha te amado com tanta frequência quanto poderia. Pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito, eu simplesmente nunca me dei ao trabalho. Você sempre estava em meus pensamentos...

Talvez eu não te abracei em todos aqueles solitários, solitários momentos. E eu acho que nunca te disse que sou muito feliz por você ser minha. Se eu fiz você se sentir a segunda melhor garota, eu sinto muito, eu estava cego...

Diga-me, Diga-me que seu doce amor não morreu. Me dê, Me dê mais uma chance de te manter satisfeita, satisfeita.

Pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito. Eu simplesmente nunca me dei o trabalho. Você sempre estava em meus pensamentos...”

Quantos relacionamentos conjugais se esvaziaram, perderam seu brilho com o tempo, exatamente pela falta da atenção, do carinho, da escuta ou de quaisquer outras coisas tão pequenas, aparentemente insignificantes, mas que aos poucos, somadas se avolumam, se cristalizam, ou mesmo abrem enormes fossos nos relacionamentos. Relacionamentos não sobrevivem tão apenas porque se está no pensamento.

Aos casais, um convite para reverem suas atitudes: Cuidem bem do seu amor! Mantenham viva a chama! Não a deixem apagar, enquanto é tempo...

Também poderíamos dizer o mesmo em relação às amizades, dentro ou fora da comunidade.
Às vezes coisas simples, gestos pequenos, como uma palavra de  carinho, de reconhecimento, de gratidão manteriam a chama do amor, da amizade acesa.

“Pequenas coisas que eu deveria ter dito e feito”, simplesmente são suficientes. Em nome de algo maior e melhor fazer, não fazemos o trivial, o aparentemente banal, mas que regado com gotas de ternura e carinho, com fagulhas de bondade e amor, fariam imensa diferença, manteriam vivas quaisquer chamas de amor. Às vezes por falta do mínimo o máximo será impossível, ou ainda, que não o máximo, será tarde...

A propósito, hoje no dia do amigo “Dia do Amigo e Amiga", faço pequeno acerto de contas, uma pequena amortização de minha enorme dívida.

Saudar meus amigos e amigas.
Saldar  minha eterna dívida...
Feliz “Dia do Amigo” sempre!
Mantenhamos acesa a chama viva da amizade. 

Em poucas palavras...

                                                 


Eucaristia e Cruz: pedras de tropeço

“O primeiro anúncio da Eucaristia dividiu os discípulos, tal como o anúncio da paixão os escandalizou: «Estas palavras são insuportáveis! Quem as pode escutar?» (Jo 6, 60).

A Eucaristia e a Cruz são pedras de tropeço. É o mesmo mistério e não cessa de ser ocasião de divisão. «Também vos quereis ir embora?» (Jo 6, 67): esta pergunta do Senhor ecoa através dos tempos, como convite do Seu amor a descobrir que só Ele tem «Palavras de vida eterna» (Jo 6, 68) e que acolher na fé o dom da Sua Eucaristia é acolhê-Lo a Ele próprio” (1)


(1) Catecismo da Igreja Católica - n.1336

A autenticidade da oração

                                                                 

A autenticidade da oração

“Ouvi a tua oração, vi as tuas lágrimas” (Is 38,5)

Na sexta-feira da 15ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Livro do Profeta Isaías (Is 38,1-6.21-22.7-8), que nos apresenta a súplica de Ezequias e a cura alcançada.

Vemos que a oração jamais consistirá em impor a Deus nossa vontade, ao contrário, é colocarmo-nos totalmente nas mãos do Senhor, com nossas fraquezas, dúvidas, medos, cansaços, contrariedades, adversidades e quanto mais possa ser mencionado, bem como, toda confiança, humildade, simplicidade de coração.

Mas é fundamental que a oração seja a expressão de uma relação íntima e profunda de amor com Deus, pois se não aprendemos a Deus amar, jamais saberemos orar.

Aprendamos, a cada dia, contemplar e sentir a presença do amor misericordioso de Deus e, assim, a oração será nosso contínuo diálogo com Ele, sem jamais sair de Sua presença, contando com sua graça, luz e paz:

“Mas só ’boa’ a oração que não pretende ligar Deus aos nossos caprichos ou interesses. Devemos crer em Seu amor, saber entrar confiantemente em Seu plano, que é sempre um plano de salvação, embora diferente do nosso. Porque ainda não aprenderam a amar, muitos cristãos nunca aprenderam a orar” (1)

A oração como fruto do amor a Deus, é certeza de que jamais nos sentiremos desamparados em nossa fraqueza, miséria, e condição de criaturas e pecadores, mas sentiremos a força, onipotência e a infinita misericórdia divina que vem em nosso socorro. 

(1)         Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 – p. 1039

quinta-feira, 17 de julho de 2025

Ó amoroso convite, expressão da inefável bondade divina

                                                                

Ó amoroso convite, expressão da inefável bondade divina

“Vinde a mim todos os que estais cansados sob o peso do vosso fardo e vos darei descanso. Tomai sobre vós o meu jugo
e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração
 e encontrareis descanso para as vossas almas,
pois meu jugo é suave e meu fardo é leve” (1)

O mais amoroso dos convites que possamos ouvir,
Brotam dos lábios do Senhor, manso e humilde de coração.
Ó inefável bondade divina, que se compadece de nossos humanos cansaços, e sem demora a Ele acorremos e deles nos refazemos.

“Quem será tão de pedra, quem tão teimoso que não obedeça a um convite tão bondoso?... Não vos assusteis ao ouvir ‘jugo’, porque este ‘jugo’ nem roça o pescoço nem faz abaixar a cabeça, ao contrário, ensina a pensar nas coisas do alto e forma na verdadeira filosofia” (2)

Bem sabia o Mestre o peso do jugo da dominação em que viviam,
E já dissera pouco antes, tomado de compaixão,
Que o povo que a Ele acorria, eram como ovelhas sem pastor,
Em todas as dimensões próprias da condição humana.

Hoje, também estamos cansados e fatigados por motivos diversos:
A pandemia que se manifestou numa sociedade muito antes enferma;
A insegurança, o medo que, por vezes, devora nossa coragem
E a esperança de um amanhã certo, que parece tardar acontecer.

Cansados da mentira sendo semeada e cultivada,
No canteiro dos pensamentos fecundos porque vazios;
Da hipocrisia já não mais disfarçada por falta de pudor,
Espalhando palavras e posturas de insana mediocridade.

Cansados pela violação da sacralidade da vida,
Sem limites e escrúpulos da violação do humano,
Porque curvados sob a ânsia do lucro, do acúmulo,
Subservientes do ídolo que ceifa vidas – o capital.

Embora cansados, e porque cansados, não podemos desistir
De buscar um novo céu e uma nova terra,
Construindo pontes de fraternidade e solidariedade.
Derrubando muros que separam com seus preconceitos e inimizades.

Ouçamos, em tempo, o amável convite que o Senhor nos faz.
A Ele acorramos, e aos Seus pés nos prostremos.
Tomemos o jugo da Cruz que nos oferece, e nos pede conversão,
Novas posturas, novas atitudes e mentalidades.

Cruz que, ainda que nos pese, grande ou pequena, levaremos,
Dependendo da medida da capacidade do amor que por Ele temos.
E se pesar, contemos com o sopro e a presença do Espírito,
Que não nos permite curvarmos na busca das coisas do alto.

Ó amoroso convite, expressão da inefável bondade divina.



(1)         (Mt 11, 28-30).
(2)        São João Crisóstomo, Bispo e Doutor da Igreja (séc. V)

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG