terça-feira, 1 de julho de 2025

Apóstolo Paulo, modelo de servidor do Evangelho

                                                                 

Apóstolo Paulo, modelo de servidor do Evangelho
 
Na passagem da Segunda Carta de Paulo aos Coríntios (2 Cor 4,6-11), encontramos o modelo de evangelizador que devemos ser, a partir do exemplo de ardor apostólico de São Paulo.
 
O Apóstolo, por sua vida, foi um prolongamento da vida de Cristo, apesar das fragilidades próprias, de modo que a mensagem evangélica não fica comprometida mesmo com nossas fragilidades.
 
Com o Apóstolo, aprendemos que o evangelizador é portador de um tesouro precioso e a obra evangelizadora é obra do poder de Deus.
 
A grande mensagem da passagem está nas frases de abertura e de conclusão, que servem de moldura a esta descrição autobiográfica de Paulo: ele não se anuncia a si mesmo (v. 5), mas anuncia “a glória de Deus, que se reflete no rosto de Cristo” (v. 6), e que Deus, autor da luz na criação do mundo, fez brilhar como luz no seu coração:

"O objetivo de Paulo é demonstrar que Cristo está vivo no seu ministério apostólico, mesmo a partir da fragilidade que se manifesta na forma como é perseguido e entregue à morte em nome de Cristo (v. 11).” (1)
 
Como vemos, o Apóstolo Paulo é um modelo de servidor do Evangelho para todos os que, na Igreja, se posicionam ao serviço humilde do Povo de Deus:
 
“Dele aprendemos que a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se incarna na própria vida aquilo que se ensina”. (2)
 
Com Paulo, aprendemos que “...a  vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus. Só uma grande intimidade com Jesus Cristo, como a que teve Paulo, poderá dar-nos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos”. (3)
 
Deste modo, a grande característica do apostolado, mais que as ações pastorais inovadoras ou não, é a relação com Cristo, a ponto de trazer na própria vida as marcas dessa união, seja nas tribulações que se sofre por causa de Cristo e do Evangelho, seja porque se encarna na própria vida aquilo que se ensina.
 
Com Paulo, aprendemos que a  vida do evangelizador deve conformar-se cada vez mais à vida de Cristo a ponto de se tornar um espelho de Cristo, um livro aberto do Evangelho, onde se pode ler os sinais da vida oferecida de Jesus.
 
Neste sentido, é preciso fortalecer nossa intimidade com Jesus Cristo, assim como fez o Apóstolo, e assim teremos a possibilidade de sermos pessoas identificadas com o Evangelho que anunciamos e haveremos de testemunhar com palavras e obras.
 
Urge que aprendamos com Paulo a evangelizar, empenhando-nos em viver a nossa missão com a mesma dedicação e coragem, assistidos pelo mesmo Espírito que o conduziu em sua missão, e com ele, também, possamos dizer – “ai de mim se eu não evangelizar” (1 Cor 9,16).
 
  
PS: Citações extraídas de www.Dehonianos.org/portal

Rezando com os Salmos - Sl 58(59),2-5.10-11.17-18

 



O Senhor é a minha força, refúgio e proteção

“–2 Libertai-me do inimigo, ó meu Deus,
e protegei-me contra os meus perseguidores!
–3 Libertai-me dos obreiros da maldade,
defendei-me desses homens sanguinários!

–4 Eis que ficam espreitando a minha vida,
poderosos armam tramas contra mim.
=5 Mas eu, Senhor, não cometi pecado ou crime;
eles investem contra mim sem eu ter culpa:
despertai e vinde logo ao meu encontro!

=10 Minha força, é a Vós que me dirijo,
porque sois o meu refúgio e proteção,
11 Deus clemente e compassivo, meu amor!
– Deus virá com Seu amor ao meu encontro,
e hei de ver meus inimigos humilhados.

–17 Eu, então, hei de cantar Vosso poder,
e de manhã celebrarei Vossa bondade,
– porque fostes para mim o meu abrigo,
o meu refúgio no dia da aflição.

=18 Minha força, cantarei Vossos louvores,
porque sois o meu refúgio e proteção,
Deus clemente e compassivo, meu amor!”

O Salmo 58(59),2-5.10-11.17-18 é a oração do justo perseguido:

“Ameaçado por gente poderosa, o salmista protesta sua inocência; numa prece confiante invoca o socorro divino contra os que desejam matá-lo.” (1)

Segundo Eusébio de Cesareia, estas palavras ensinam a todos o amor filial do Salvador para com Seu Pai.

Também deve ser esta a nossa atitude diante de Deus em meio às provações e dificuldades. E sempre que preciso for, façamos deste Salmo a nossa oração e, no Senhor, em quem colocamos toda a confiança, busquemos refúgio e proteção, não evasão ou omissão dos sagrados compromissos. Amém.

 

(1) Comentário Bíblia Edições CNBB – pág. 774

A fé no Senhor na travessia do mar da vida

                                                 

A fé no Senhor na travessia do mar da vida
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,23-27), em que contemplemos o Amor de Deus, que está sempre de braços dados com a humanidade.
 
Sua mão está sempre estendida ao nosso alcance. Mais ainda, na travessia do mar, a partir da fé de Pedro, somos convidados a renovar nossa fé e confiança no poder de Deus e atravessar para a outra margem, comprometidos com o Reino de Deus.
 
A barca da Igreja fará a travessia para a outra margem, e Deus nos garante o êxito nesta travessia.
 
Tenhamos fé! A Salvação de Deus é para todos, mas depende do empenho de cada um de nós; de nossa abertura, da nossa entrega, do nosso compromisso e confiança.
 
Jesus está sempre nos dirigindo a Sua Palavra: “Vem, não temais, tende confiança...".
 
A escuridão de nossas noite será sempre iluminada; o medo será afastado; as forças devoradoras da vida serão vencidas; os ventos contrários cessarão e as tempestades serão acalmadas, pois elas não são e não serão para sempre. Em outro momento Jesus disse: “Coragem, eu venci o mundo!”
 
O simbolismo da passagem é extremamente rico: O mar é sinal de morte, frustração, desânimo, desilusão.
 
Vençamos as forças da morte! Façamos a mesma experiência de fé das primeiras comunidades.
 
A outra margem é o Banquete do Reino, que só será alcançado por quem não sucumbir, não submergir na luta. É preciso enfrentar o mar de dificuldades com fé.

Reflitamos:
 
- Qual o tempo reservo e dedico para a minha intimidade com Deus?
- Sei fazer silêncio para que Deus e Sua presença possa sentir?
 
- Quais são as raízes que não posso perder, ou que devo revitalizar, para corresponder ao Projeto de Salvação que Deus tem para mim e para a humanidade, para não ficar mergulhado num estéril intimismo que d’Ele, ao contrário, me afasta?
 
- Abro-me à Salvação que Deus me oferece e correspondo com gestos, compromissos, atitudes?
- Sou fiel aos valores do Reino?
 
- A Celebração Eucarística tem sido para mim o maior e o melhor momento do meu encontro com Deus e com os meus irmãos e irmãs?
- Tenho uma proposta credível, iluminadora,  para ao mundo apresentar e testemunhar?
 
Concluindo, crer no Cristo Ressuscitado é a certeza de que jamais seremos vencidos. 

Como disse o Apóstolo Paulo: “Nada nos separe do Amor de Cristo porque n’Ele somos mais que vencedores” (Rm 8,37).
 
Coragem!
 
Com o Senhor atravessaremos as noites escuras e enfrentaremos os ventos contrários. Amém.
 
“Creio em Deus Pai todo Poderoso...

Coragem! O Senhor está conosco

                                                              

Coragem! O Senhor está conosco

“E Jesus perguntou:
Por que este medo, gente de pouca fé?
Então, levantando-se, deu ordens aos ventos
e ao mar, e fez-se uma grande calmaria.” (Mt 8, 26)

Senhor, somos Teus discípulos missionários,
E queremos viver com fidelidade e autenticidade
O seguimento de Ti, por isto suplicamos:
Dá-nos, Senhor, coragem para assumir as implicações desta missão,
Para levar a bom termo o bom combate da fé,
Pois não bastam entusiasmo e boa vontade.

Senhor, ajuda-nos a ter disposição de deixar muitas coisas para trás,
inclusive o conforto, os costumes, a cultura, se necessário,
e até mesmo os grandes valores que não forem os Teus.

Dá-nos a disposição de seguir em frente, de ir além,
sempre buscando o novo, para que a boa-nova aconteça,
escrevendo linhas de uma vida marcada por novos desafios.

Senhor, fica conosco e nos dê segurança para atravessar o lago
e buscar a outra margem, onde novas pessoas esperam
para serem evangelizadas, porque têm sede de vida e paz,
que somente encontrarão em Ti e em Tua Palavra,
portanto, que nada se anteponha ou sobreponha à Tua vontade, .
porque seguir-Te é colocar a evangelização acima de tudo.

Senhor, nesta travessia, nossa vida é constantemente marcada por turbulências
que nem sempre são fáceis de serem vencidas,
Muitas vezes temos a impressão de que seremos naufragados.
Tantas situações nos desafiam, e parecem maiores do que possamos suportar.
Reconhecemos, Senhor, nossa impotência diante de determinadas situações,
Faça com que nossa fé em Ti fale mais alto.

Senhor, não permita que nossa vida seja marcada pelo medo paralisante,
pela covardia ou pela transferência da responsabilidade para Ti.
Esteja conosco no assumir com coragem os desafios;
Reaviva em nós a certeza de que és nosso grande companheiro
E que sendo nosso eterno aliado, seremos mais que vitoriosos,
porque não realizaremos uma obra que é nossa, mas, antes de tudo, Tua.

Senhor, fica em nossa barca nesta longa travessia,
Tua Palavra nos dá força e coragem
Para enfrentar ventos contrários e ondas que geram medo;
Contigo nada poderá nos fragilizar, porque tens poder,
Tens poder sobre tudo e todos, sobre a vida e a morte,
E Teu amor na Cruz vivenciado, vitória do Ressuscitado.

Senhor, que jamais Te recusemos ou reneguemos,
Que jamais nos fechemos à evidência do Teu amor,
E com a sabedoria que vem do Teu Espírito,
Na fidelidade a Deus, Teu Pai e nosso Pai,
Saibamos discernir o que é essencial e mais importante
E nunca colocar nenhum bem material acima de Ti,
Porque és para nós o supremo bem, o bem maior. Amém.


PS: Fonte inspiradora: Mt 8, 23-27

segunda-feira, 30 de junho de 2025

Exemplos de coragem e fidelidade ao Senhor

                                                        

Exemplos de coragem e fidelidade ao Senhor

Celebramos no dia 30 de junho a Memória dos Santos Protomártires da Igreja de Roma, como veremos na Carta do Papa São Clemente I aos Coríntios (séc. I):

“Deixemos de lado os exemplos dos antigos e falemos de nossos atletas mais recentes. Apresentemos os generosos exemplos de nosso tempo.

Vítimas do fanatismo e da inveja, aqueles que eram as maiores e mais santas colunas da Igreja, sofreram perseguição e lutaram até a morte.

Tenhamos diante dos olhos os bons apóstolos. Por causa de um fanatismo iníquo, Pedro teve de suportar duros tormentos, não uma ou duas vezes, mas muitas; e depois de sofrer o martírio, passou para o lugar que merecia na glória. Por invejas e rivalidades, Paulo obteve o prêmio da paciência: sete vezes foi lançado na prisão, foi exilado e apedrejado, tornou-se pregoeiro da Palavra no Oriente e no Ocidente, alcançando assim uma notável reputação por causa da sua fé. Depois de ensinar ao mundo inteiro o caminho da justiça e de chegar até os confins do Ocidente, sofreu o martírio que lhe infligiram as autoridades. Partiu, pois, deste mundo para o lugar santo, deixando-nos um perfeito exemplo de paciência.

A estes homens, mestres de vida santa, juntou-se uma grande multidão de eleitos que, vítimas de um ódio iníquo sofreram muitos suplícios e tormentos, tornando-se, desta forma, para nós um magnífico exemplo de fidelidade. Vítimas do mesmo ódio, mulheres foram perseguidas, como Danaides e Dirceia. Suportando graves e terríveis torturas, correram até o fim a difícil corrida da fé e mesmo sendo fracas de corpo, receberam o nobre prêmio da vitória.

O fanatismo dos perseguidores separou as esposas dos maridos, alterando o que disse nosso pai Adão: ‘É osso dos meus ossos e carne de minha carne’ (cf. Gn 2,23). Rivalidades e rixas destruíram grandes cidades e fizeram desaparecer povos numerosos.

Escrevemos isto, não apenas para vos recordar os deveres que tendes, mas também para nos alertarmos a nós próprios. Pois nos encontramos na mesma arena e combatemos o mesmo combate. Deixemos as preocupações inúteis e os vãos cuidados, e voltemo-nos para a gloriosa e venerável regra da nossa tradição.

Consideramos o que é belo, o que é bom, o que é agradável ao nosso Criador. Fixemos atentamente o olhar no Sangue de Cristo e compreendamos quanto é precioso aos olhos de Deus, Seu Pai, esse Sangue que, derramado para nossa salvação, ofereceu ao mundo inteiro a graça da penitência.” (1)

Muitos cristãos foram martirizados com terríveis tormentos, como vimos na Carta do Papa e também no testemunho dado pelo escritor pagão, Tácito.

Foram vítimas da primeira perseguição desencadeada pelo Imperador Nero, depois do incêndio da cidade de Roma no ano 64.

Como o Papa disse: “vítimas de um ódio iníquo sofreram muitos suplícios e tormentos, tornando-se, desta forma, para nós um magnífico exemplo de fidelidade”.

Os tempos hoje são outros, mas as provações, dificuldades, cansaços, desilusões também têm suas marcas e desafiam o testemunho de nossa fé, sem jamais deixarmos de dar a razão de nossa esperança, na prática incansável e frutuosa da caridade.

Quando fazemos memória dos Apóstolos, Pedro e Paulo e tantos que deram a vida por causa de Jesus e do Evangelho, reavivamos a chama do Espírito que em nosso peito habita.

Não podemos jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e esfriar na caridade, como nos ensina a Igreja. Professemos nossa fé com palavras e obras, porque tão somente assim para Deus se torna agradável.


(1) Liturgia das horas – Vol. III - pp.1401-1402

Em poucas palavras...


 

“Maranatha”

“Esta petição é o «Maranatha», o clamor do Espírito e da esposa: «Vem, Senhor Jesus!»:

«Mesmo que esta oração não nos tivesse imposto o dever de pedir a vinda deste Reino, teríamos espontaneamente soltado este grito, com pressa de irmos abraçar o objeto das nossas esperanças. 

As almas dos mártires, sob o altar de Deus, invocam o Senhor com grandes gritos: "Até quando, Senhor, até quando tardarás em pedir contas do nosso sangue aos habitantes da terra?" (Ap 6, 10). 

Eles devem, com efeito, alcançar justiça, no fim dos tempos. Apressa, portanto, Senhor, a vinda do Teu Reino!» (Tertuliano).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 2817

domingo, 29 de junho de 2025

Pedro e Paulo: as Colunas Mestras da Igreja


 

Pedro e Paulo: as Colunas Mestras da Igreja
 
Dia 29 de junho a Igreja celebra, numa só Festa, duas colunas mestras da Igreja: São Pedro e São Paulo (quando cai no dia da semana, no Brasil, transfere-se para o domingo seguinte).
 
Assim falou Santo Agostinho, no século V, sobre eles: “O martírio dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo consagrou para nós este dia... Estes mártires viram o que pregaram, seguiram a justiça, proclamaram a verdade, morreram pela verdade... Num só dia celebramos o martírio dos dois Apóstolos.
 
Na realidade, os dois eram como um só. Embora tenham sido martirizados em dias diferentes, deram o mesmo testemunho. Pedro foi à frente; Paulo o seguiu. Celebramos o dia festivo consagrado para nós pelo sangue dos Apóstolos.
 
Amemos a fé, a vida, os trabalhos, os sofrimentos, os testemunhos e as pregações dos dois Apóstolos”.
 
A complementaridade dos dois ”carismas” continua atual: Pedro, a responsabilidade institucional; Paulo, a criatividade missionária.
 
Quando falamos de Pedro, nos lembramos da instituição e o exercício do poder; da responsabilidade, hierarquia; e quando falamos de Paulo, nos lembramos da pregação, do carisma, missão, evangelização, fundação de novas comunidades.
 
Deste modo, elevemos a Deus orações pelo nosso querido Papa Leão XIV, que continua a missão a Pedro confiada pelo Senhor, pois assim nos ensina o Catecismo da Igreja Católica (n. 882):
 
“O Papa, Bispo de Roma e sucessor de São Pedro é princípio perpétuo e visível, e fundamento da unidade que liga, entre si, todos os bispos com a multidão dos fiéis”.
 
Que o Espírito de Deus o conduza e ilumine, pois, como Vigário de Cristo e Pastor de toda a Igreja, o Pontífice Romano tem sobre a mesma Igreja um poder pleno, supremo e universal; que pode exercê-lo livremente.
 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG