quinta-feira, 12 de junho de 2025

Fidelidade ao Senhor, frutos abundantes (29/05)


Fidelidade ao Senhor, frutos abundantes

À luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 11,11-26), refletimos sobre a missão da Igreja, mais precisamente, como favorecemos ou enfraquecemos esta missão.

Como discípulos missionários do Senhor, elevemos a Deus esta Oração, renovando a graça de sermos Igreja e a ela pertencermos, para que, na vivência do Novo Mandamento do Amor que Ele nos deu, possamos produzir os frutos esperados.

Oremos:

Senhor, que a Vossa Igreja, por Vós edificada, seja para nós um local privilegiado para o encontro pessoal com o Vosso Pai, envolvidos pelo Vosso Espírito Santo de Amor, de modo que possamos fazer progressos na fé, sempre revigorados na esperança e reavivados na prática da caridade, e assim viver maior comunhão e verdadeiro amor fraterno, correspondendo, de maneira sublime, ao Projeto do Reino por Vós inaugurado.

Senhor, livrai-nos da tentação de fazer da Vossa Igreja lugar de posturas e práticas que têm por finalidade, tão somente, a promoção pessoal, o lucro, a competição e a concorrência entre as pessoas, a busca do prestígio, da fama; pouco importando se fazemos multiplicar  sentimentos que não estão em sintonia com o Vosso Evangelho, como ciúmes, rancor, raiva, ira, inveja...

Senhor, afastai de nós tudo que seja contrário aos Vossos ensinamentos, proclamados no Sermão da Montanha, na Oração do Pai Nosso, e em outros momentos memoráveis, que nos fazem iluminados e iluminantes, comunicadores de Vossa Divina Luz, num mundo tão marcado por sombras e escuridão, como expressão do pecado e morte, que teimosamente insistem em sobreviver. Amém. 

O grito de Nabot continua subindo aos céus (15/06)

                                                             


O grito de Nabot continua subindo aos céus

Na passagem do Primeiro Livro dos Reis (1Rs 21,1-16), encontramos narrado o trágico acontecimento da morte de Nabot (apedrejado), por uma trama de Jezabel e Acab, o rei da Samaria.

Vemos neste fato até que ponto pode chegar o absolutismo régio e o poder despótico de uma mulher e de um soberano fraco e dominado por sua esposa: ambos se mancham com duplo crime de homicídio e furto contra Nabot.

Acab, mediante um grave delito, se apropria dos bens do justo Nabot, defraudando-o de uma terra (a vinha) e de uma vida que tão somente pertence a Deus, ao matá-lo.

Notável o contraste entre o rico insaciado e o pobre Nabot, contente com seu pedacinho de terra, e a sua reivindicação de seus direitos:

“Nabot morre na sua retidão, para não atraiçoar o dever de conservar a posse da terra de seus pais, acolhida como dom de Deus, ao passo que Acab, consciente do delito, apropria-se dela, aumentando a sua riqueza. Nabot, o justo, é alguém que perde, e Acab um vencedor, segundo a lógica humana; mas a lógica de Deus subverte os esquemas dos homens, e ainda mais os denuncia com o anúncio e o estilo de vida evangélica encarnado por Jesus” (1).

Podemos ficar indignados com o casal mencionado, no entanto, os personagens podem se fazer presentes em cada um de nós, numa atitude de egoísmo permissivo:

“Acab e Jezabel estão também em mim. Saberei dar-lhes um nome? Também Nabot está em mim, naturalmente. Pode-se ler o fato na clave “sociedade indivíduos”. Emerge então o acúmulo de necessidades fictícias, de pseudonecessidades de nossa sociedade de consumo, que alimentam uma insaciável avidez”. (2)

Podemos também, como Jezabel e Acab, ser movidos por falsas necessidades e não nos alegrado com o que temos; apropriando-nos do que não nos pertence, aumentando a distância entre os poucos que têm tudo, e os muitos que nada possuem, o que pode ser chamado de pecado da desigualdade social.

Neste sentido, também podemos ler esta página bíblica, na linha do binômio “ricos-pobres” (nações, regiões, grupos, pessoas), como que numa espécie de parábola econômica de justiça social.

À luz da passagem, temos um longo caminho de conversão em todos os âmbitos, a fim de que os pobres tenham seus direitos garantidos, e assim seja assegurada vida plena e digna para todas as pessoas.

“Jezabel e Acab” estão vivos, bem como “Nabots” estão sendo expropriados e mortos inocentemente; privados do pão de cada dia, do essencial para viver, porque a ganância  de poucos os devoram.

Oremos:

“Ó Deus, sois o amparo dos que em Vós esperam e, sem Vosso auxílio, ninguém é forte, ninguém é santo; redobrai de amor para conosco, para que, conduzidos por Vós, usemos de tal modo os bens que passam, que possamos abraçar os que não passam. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”.

(1)Lecionário Comentado – Tempo Comum - Volume I – Ed. Paulus – 2011 – p.530
(2) Missal Cotidiano – Ed. Paulus – pp.901-902

Somente a misericórdia divina cria laços fraternos (08/06)

 


Somente a misericórdia divina cria laços fraternos
 
"Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o Amor Divino cria o bem na criatura amada" (Santo Tomás de Aquino)
 
Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), que se trata de uma parte do desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12).
 
No versículo vigésimo, Jesus nos diz: “Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e dos fariseus, não entrareis no Reino dos Céus”.
 
Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, mas somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos é que alcançaremos vida plena e feliz.
 
Por isto, Jesus dá exemplos em que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade.

Importa fortalecer as relações fraternas acompanhadas da contínua necessidade da reconciliação; fortalecer os relacionamentos na sinceridade e na confiança, tornando os relacionamentos sadios e edificantes.

Em todo o tempo, firmemos nossos passos em nosso itinerário marcado pela penitência e conversão ao Senhor.

Somente deste modo, não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.
 
Deste modo, para quem quiser viver na dinâmica da Boa-Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.
 
É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.
 
Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta, e como podemos afirmar “o amor é querer o bem do amado”. 
 
O amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.
 
E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).
 
São iluminadoras as palavras do Missal Cotidiano:
 
A oferenda da própria vida em oblação a Deus (1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).
 
Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções.
 
Em relação a Deus, sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo, sejamos fraternos e solidários.

Somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:
 
“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .
 
"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."
 
Reflitamos:
 
- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?
 
- O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor, considerando que para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...)?
 
- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?
 
- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?
 
Eis o grande desafio para nós, discípulos missionários do Senhor: O Sermão da Montanha foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. 
 
Na missão de ser sal da terra e luz do mundo, torna-se necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja. 
 
(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199

Bênção para os namorados (12/06)

                                                         

Bênção para os namorados

Ó Deus Pai de Amor, que viveis e reinais em comunhão com Vosso amado Filho, e com o Espírito Santo, derramai copiosas bênçãos sobre os namorados que a Vós recorrem neste e em todos os dias.

Abençoados por Vós, cresçam em estima um pelo outro, com amor sincero, e se conformem aos Vossos desígnios, dando passos para o aprofundamento do amor vivido.

Também Vos pedimos que, na graça do namoro santo, sejam para o mundo testemunhas da santidade por Vós querida, conduzidos pela Vossa Palavra e alimentados pelo Vosso Sacramento da Eucaristia, não se curvem à imposição da cultura do prazer sem maiores compromissos.

Ó Deus, que por Vós abençoados, como namorados, sal da terra e luz do mundo, no seguimento dos ensinamentos recebidos de Vosso amado Filho, com a força e sabedoria do Santo Espírito que neles habitam, tenham os passos orientados e os corações confirmados em Vosso amor. Amém. 

Com Santo Antônio, aprendamos a prática das Obras de Misericórdia (13/06)

                                                           

Com Santo Antônio, aprendamos a prática das Obras de Misericórdia

Em 2016, quando Pároco da Paróquia Santo Antônio – Gopoúva, Guarulhos, vivemos dias de intensa alegria com a realização da Festa do Padroeiro.

Com o Tríduo, refletimos sobre a prática das obras da misericórdia corporais e espirituais, que tão bem Santo Antônio as viveu, e que muito nos ilumina no tempo presente, para que nossa devoção aos Santos seja fecunda, concretizada em sagrados compromissos com a vida plena e feliz, com a Boa-Nova do Reino de Deus.

Como discípulos missionários do Senhor, com plena confiança em Deus e em Sua Palavra, iluminados pelo Espírito Santo, fonte de sabedoria, que nos orienta, ilumina e conduz, somos desafiados a testemunhar nossa fé.

Vivendo intensamente a prática das obras da misericórdia, coloquemo-nos a serviço do Reino de Deus por Jesus inaugurado, com a seiva do amor do Santo Espírito, e assim daremos firmes passos de solidariedade, enamorados pela vida, desde a concepção até seu declínio natural, sem jamais medir esforços para nos colocarmos todos a caminho, como assim fez nosso querido padroeiro.

As obras de misericórdia se bem entendidas e lidas na perspectiva do reino nos farão misericordiosos como o Pai (Lc 6,36), como nos exortou o Senhor, e tornaremos mais fraternos os vínculos que nos unem.

Olharemos para a história, e não conceberemos que a humanidade fique “mergulhada no abismo da morte” (Sl 29), da impunidade, do abandono, do descaso, da cumplicidade com a mentira e hipocrisia que maculam a vida e o projeto de Deus.

Olharemos a história, e as lágrimas da tristeza cederão lugar às lágrimas da vitória, daqueles que não se acomodaram e nem se acovardaram diante de sagrados e irrenunciáveis compromissos com a vida humana e do planeta, dons preciosos de Deus que nos foram confiados.

Na construção do Paraíso, renovaremos nossos compromissos, iluminados pela Palavra e nutridos pela Eucaristia, como assim viveu Santo Antônio, como também assim haveremos de viver. 

Amor puro e verdadeiro (08/06)

                                                               

Amor puro e verdadeiro

"Se a vossa justiça não for maior que a
justiça dos mestres da Lei e dos fariseus,
vós não entrareis no Reino dos Céus” (Mt 5, 20).

Na quinta-feira da décima Semana do Tempo Comum, ouvimos a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5, 20-26), desdobramento do Sermão da Montanha (Mt 5,1-12a).

Contemplamos o Projeto de Salvação para a humanidade, cientes de que somente na fidelidade ao Senhor e aos Seus Mandamentos,  alcançaremos vida plena e feliz.

Não será o cumprimento das regras externas que nos levará ao alcance da felicidade e de uma religião a Deus agradável, mas antes a atitude de adesão interior a Deus e à Sua Proposta.

Viver as Bem-Aventuranças, e ser sal da terra e luz do mundo, é viver um amor que quer e cria o bem do amado. 

Deste modo, somos remetidos a dois grandes Santos da Igreja, São Tomás de Aquino e São João da Cruz que, respectivamente, assim disseram:

“Enquanto o amor humano tende a apossar-se do bem que encontra no seu objeto, o amor divino cria o bem na criatura amada" .

"O afeto e o apego da alma à criatura torna-a semelhante a esta mesma criatura. Quanto maior a afeição, maior a identidade e semelhança, porque é próprio do Amor, tornar aquele que Ama semelhante ao amado."

Por isto, Jesus dá o exemplo de que o amor verdadeiro e puro tem que falar mais alto, se sobrepondo a qualquer sentimento de ódio, indiferença, ira, posse, condenação, falsidade. 

Urge fortalecer as relações fraternas, promovendo a contínua necessidade da reconciliação, pois o amor fraterno, preocupado com a reconciliação, torna frutuoso e agradável o sacrifício que oferecemos a Deus.

E ainda, o Senhor nos alerta que quem comparecer diante do divino Juiz sem haver perdoado será condenado a pagar até o último centavo (v.24).

A questão essencial é: para quem quiser viver na dinâmica da Boa Nova do Reino de Deus, não basta o cumprimento rigoroso e escrupuloso da Lei, seguindo a casuística das regras da Lei.

Deve-se procurar a justiça através do perdão e do amor, um amor novo, gratuito que vai além dos méritos; uma justiça que leva em conta não somente as ações em si, mas suas retas intenções:

A oferenda da própria vida em oblação a Deus ( 1 Cor. 13,3) e o próprio sacrifício eucarístico não são aceitos por Deus, se não procedem do amor e da paz recíproca” (1).

É preciso que se tenha uma atitude interior nova, que revele um compromisso verdadeiro com Deus, envolvendo a pessoa toda, transformando seu coração, suas escolhas, seus relacionamentos, sua postura diante do Criador e Suas criaturas.

Em relação a Deus sejamos filhos e filhas, em relação ao próximo sejamos fraternos e solidários.

O Sermão de Nosso Senhor foi e continua sendo ouvido na montanha, mas é preciso que desçamos à planície do cotidiano. Eis o grande desafio para todos nós.

Temos a missão de ser sal da terra e luz do mundo. Por isto, se faz necessária a invocação da Sabedoria Divina, a Sabedoria do Santo Espírito, para que sejamos uma Igreja no coração do mundo, e ao mesmo tempo homens e mulheres do mundo no coração da Igreja.

Somente assim não seremos sal insípido, sem gosto, que para nada serve, como já nos alertara o Senhor.

Reflitamos:

- Cumprimos os Mandamentos da Lei Divina por medo ou amor?

- Para Jesus, “não matar” é evitar tudo aquilo que cause dano ao próximo (egoísmo, prepotência, autoritarismo, injustiça, indiferença...). O que podemos evitar para que sejamos fiéis ao Senhor?

- Em que as afirmações dos Santos da Igreja, citadas acima, nos ajudam para que vivamos as Bem-Aventuranças e sejamos sal da terra e luz do mundo?

- Fazemos dos Mandamentos Divinos sinais indicadores no caminho que conduz à vida plena?

Oremos: 

"Ó Pai, que nos amais a todos como filhos, ajudai-nos a tirar o véu dos nossos corações, para que possamos remover os obstáculos que se opõem à comunhão convosco e amar-nos verdadeiramente como irmãos." (1)

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 198-199 
(2) Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - p. 498

quarta-feira, 11 de junho de 2025

São Barnabé: corajosa testemunha do Senhor (11/06)

                                                                    

São Barnabé:  corajosa testemunha do Senhor


A Liturgia das Horas nos apresenta parte dos Tratados sobre o Evangelho de São Mateus, escrito pelo Bispo São Cromácio (Séc. IV), ao celebrarmos a Memória de São Barnabé, no dia 11 de junho, e refletimos sobre a missão do cristão de ser luz do mundo.

“'Vós sois a luz do mundo. Não pode ficar escondida uma cidade construída sobre um monte. Ninguém acende uma lâmpada e a coloca debaixo de uma vasilha, mas sim num candeeiro, onde ela brilha para todos os que estão em casa'(Mt 5,14-15).

 O Senhor chamou Seus discípulos de sal da terra, porque eles deviam dar um novo sabor, por meio da sabedoria celeste, aos corações dos homens que o demônio tornara insensatos. E também os chamou de luz do mundo porque, iluminados por Ele, verdadeira e eterna luz, tornaram-se também eles luz que brilha nas trevas.

O Senhor é o Sol da Justiça; é, por conseguinte, com toda razão que chama Seus discípulos luz do mundo; pois é por meio deles que irradia sobre o mundo inteiro a luz do Seu próprio conhecimento. Com efeito, eles afugentaram dos corações dos homens as trevas do erro, manifestando a luz da verdade.

Iluminados por eles, também nós passamos das trevas para a luz, como afirma o Apóstolo: ‘Outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor. Vivei como filhos da luz' (Ef 5,8). E noutra passagem: 'Todos vós sois filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas’ (1Ts 5,5).

Com razão diz também São João numa epístola sua: ‘Deus é luz’ (1Jo 1,5); e quem permanece em Deus está na luz, da mesma forma como ele próprio está na luz. Portanto, uma vez que temos a felicidade de estar libertos das trevas do erro, devemos caminhar sempre na luz, como filhos da luz. A esse propósito, diz ainda o Apóstolo: ‘Vós brilhais como astros no universo. Conservai com firmeza a palavra da vida' (Fl 1,15-16).

Se não procedemos assim, ocultaremos e obscureceremos com o véu da nossa infidelidade, para prejuízo tanto nosso como dos outros, uma luz tão útil e necessária. 

Eis o motivo por que incorreu em merecido castigo aquele servo que, recebendo o talento para dar juros no céu, preferiu escondê-lo a depositá-lo no banco.

 Assim, aquela lâmpada resplandecente, que foi acesa para nossa salvação, deve sempre brilhar em nós. Pois temos a lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual a que se refere Davi: ‘Vosso mandamento é uma luz para os meus passos, é uma lâmpada em meu caminho’ (cf. Sl 118,105). E Salomão também diz acerca dela: ‘O preceito da Lei é uma lâmpada’ (cf. Pr 6,23).

Por isso, não devemos ocultar esta lâmpada da Lei e da fé, mas colocá-la sempre no candelabro da Igreja para a salvação de todos. Então gozaremos da luz da própria verdade e serão iluminados todos os que creem”.

Urge que sejamos vigilantes, para que o “véu da incredulidade” não obscureça a luz que haveremos de fazer resplandecer no mundo, cuja missão nos confiou o Senhor.

Tenhamos sempre a “lâmpada dos Mandamentos de Deus e da graça espiritual”, como nos falou o Bispo, para irradiar a luz divina, onde quer que estejamos.

São Barnabé, por sua vida e testemunho, assim o fez, e o mesmo haveremos de fazer, pois, assim como ele, queremos estar sempre cheios de fé e do Espírito.

Oremos:

“Ó Deus, que designastes São Barnabé, cheio de fé e do Espírito, para converter as nações, fazei que a Vossa Igreja anuncie por palavras e atos o Evangelho de Cristo que ele proclamou intrepidamente. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém

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