terça-feira, 20 de maio de 2025

Pontes de concórdia, fraternidade e paz

 


Pontes de concórdia, fraternidade e paz

Reflexão à luz da Carta aos Coríntios, escrita pelo papa São Clemente (séc. I), em que nos fala das muitas veredas, mas somente um Caminho:

“Este é o caminho, caríssimos, onde encontramos nossa salvação: Jesus Cristo, o pontífice de nossas oferendas, nosso defensor e arrimo nas fraquezas.

Por Ele nossos olhos se voltam para as alturas dos céus; por Ele contemplamos, como num espelho, o rosto puríssimo e sublime de Deus; por Ele abrem-se os olhos de nosso coração; por Ele a nossa inteligência, insensata e obscurecida, desabrocha para a luz; por Ele quis o Senhor fazer-nos saborear a ciência imortal, pois sendo Ele o esplendor da glória de Deus, foi colocado tão acima dos anjos quanto o nome que herdou supera o nome deles (cf. Hb 1,3.4).

Combatamos, portanto, irmãos, com todas as forças, sob as suas ordens irrepreensíveis.

Consideremos os soldados, que combatem sob as ordens dos nossos comandantes. Quanta disciplina, quanta obediência, quanta submissão em executar o que se ordena! Nem todos são chefes supremos, ou comandantes de mil, cem ou cinquenta soldados, e assim por diante; mas cada um, em sua ordem e posto, cumpre as ordens do imperador e dos comandantes. Os grandes não podem passar sem os pequenos, nem os pequenos sem os grandes. A eficiência depende da colaboração recíproca.

Sirva de exemplo o nosso corpo. A cabeça nada vale sem os pés, nem os pés sem a cabeça. Os membros do corpo, por menores que sejam, são necessários e úteis ao corpo inteiro; mais ainda, todos se harmonizam e se subordinam para salvar todo o corpo. Asseguremos, portanto, a salvação de todo o corpo que formamos em Cristo Jesus, e cada um se submeta ao seu próximo conforme o dom da graça que lhe foi concedido.

O forte proteja o fraco e o fraco respeite o forte; o rico seja generoso para com o pobre e o pobre agradeça a Deus por ter dado alguém que o ajude na pobreza. O sábio manifeste sua sabedoria não por palavras, mas por boas obras; o humilde não dê testemunho de si mesmo, mas deixe que outro o faça. Quem é casto de corpo não se vanglorie, sabendo que é Deus quem lhe dá o dom da continência.

Consideremos, então, irmãos, de que matéria somos feitos, quem éramos e em que condições entramos no mundo, de que túmulo e trevas nos fez sair Aquele que nos plasmou e criou, para nos introduzir no mundo que lhe pertence, onde nos tinha preparado tantos benefícios antes mesmo de termos nascido. Sabendo, pois, que recebemos todas estas coisas de Deus, por tudo lhe demos graças. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.”(1)

Uma profissão de fé:

Cremos que Cristo é a cabeça da Igreja, e que esta, por sua vez, é o Seu Corpo.

Cremos que Ele é o Princípio, o Primogênito dentre os mortos, e que, com Ele. ressurgirmos pela fé no poder de Deus, que O ressuscitou.

Cremos que n’Ele habita corporalmente a divina plenitude e que temos n’Ele a plenitude, porque fomos sepultados com Ele no dia de nosso Batismo.

Cremos, portanto, que devemos sempre superar todas as distâncias, empenhando-nos na construção de pontes de comunhão e fraternidade, e jamais muros dos distanciamentos e dispersões.

Cremos que, por sermos um Corpo, devemos fazer tudo para que a concórdia, o diálogo, a fraternidade e a paz sejam promovidas, superando todas as formas de conflitos e guerras.

Cremos na civilização do amor e, com a fé no Ressuscitado, firmamos nossos passos como peregrinos da esperança, comprometidos com um novo céu e uma nova terra. Amém.

 

 

 

(1) Liturgia das Horas – Tempo da Quaresma e da Páscoa – Volume II – pág. 718-719

segunda-feira, 19 de maio de 2025

Em poucas palavras...

 


Os sinais de Deus na evangelização

“Descobrir os sinais que possam falar de Deus ao ateu de hoje é o grande problema da evangelização e da reflexão teológica.

Num mundo secularizado, o sinal será talvez o de uma Igreja despojada, pobre, a inteiro serviço do homem, purificada de todo conceito demasiado materialista de Deus...

Poderão ser sinais os cristãos engajados na construção de uma cidade mais humana e fraterna, pacífica e justa.” (1)

 

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano sobre a passagem dos Atos dos Apóstolos (At 14,5-18) - pág. 427

A vida nova que brota da Páscoa

                                                             

A vida nova que brota da Páscoa

Sejamos iluminados pelo Sermão do Bispo São Gregório de Nissa (séc. IV):

Começou o Reino da vida e foi dissolvido o império da morte. Apareceu um novo nascimento, uma vida nova, um novo modo de viver; a nossa própria natureza foi transformada. 
Que novo nascimento é este? É o daqueles que não nasceram do sangue nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,13).

Tu perguntas: como isso pode acontecer? Escuta-me, vou te explicar em poucas palavras. 

Este novo ser é concebido pela fé, é dado à luz pela regeneração do Batismo; tem por mãe a Igreja que o amamenta com sua doutrina e tradições. Seu Alimento é o Pão celeste; sua idade adulta é a santidade; seu matrimônio é a familiaridade com a sabedoria; seus filhos são a esperança; sua casa é o reino; sua herança e riqueza são as delícias do paraíso; seu fim não é a morte, mas aquela vida feliz e eterna que está preparada para os que dela são dignos.

Este é o Dia que o Senhor fez para nós (Sl 117,24), dia muito diferente daqueles que foram estabelecidos desde o início da criação do mundo e que são medidos pelo decurso do tempo.

Este é o início de uma nova criação. Nele Deus faz um novo céu e uma nova terra, como diz o Profeta. Que céu é este? Seu firmamento é a fé em Cristo. E que terra é esta? O coração bom, de que fala o Senhor, é a terra que absorve a água das chuvas e produz frutos em abundância. 

O sol desta nova criação é uma vida pura; as estrelas são as virtudes; a atmosfera é um comportamento digno; o mar é a profundidade da riqueza, da sabedoria e da ciência (Rm 11,33). As ervas e as sementes são a boa doutrina e a escritura divina, onde o rebanho; isto é, o povo de Deus, encontra pastagem e alimento; as árvores frutíferas são a prática dos Mandamentos.

Neste dia, o verdadeiro homem é criado à imagem e semelhança de Deus não é, porventura, um novo mundo que começa para ti neste dia que o Senhor fezNão diz o Profeta que esse dia e essa noite não têm igual entre os outros dias e noites? 

Mas ainda não explicamos o dom mais precioso que recebemos neste dia de graça. Ele destruiu as dores da morte e deu à luz o Primogênito dentre os mortos. 

Subo para junto do Meu Pai e vosso Pai, Meu Deus e vosso Deus (Jo 20,17), diz o Senhor Jesus. Que notícia boa e maravilhosa! O Filho Unigênito de Deus, que por nós Se fez homem, a fim de nos tornar Seus irmãos, apresenta-Se como homem diante de Seu verdadeiro Pai, para levar Consigo todos os novos membros da Sua família” (1).

São Gregório nos apresenta uma analogia, que nos leva mais perto de Deus e do desejo mais profundo de uma vida nova que brota do Mistério da Morte e Ressurreição de Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo, e somos 
convidados a renovar compromissos com a vida nova em todas as suas dimensões.

Reflitamos:

- Quais os sentimentos e compromissos que a meditação deste  Sermão me desperta?

- De que modo o Mistério Pascal de Nosso Senhor marca, reorienta e renova meus passos, minha vida e projetos?

- Como tenho vivido a vida nova que nasceu no dia do meu Batismo?

Pai Nosso que estais nos céus...

(1) Cf. Liturgia das Horas - Vol. II - pp. 743-744.

domingo, 18 de maio de 2025

Amar como Jesus Ama: desafio e missão (VDTPC)

                                                    

Amar como Jesus Ama: desafio e missão

“Vede como eles se amam” (Tertuliano)

A Liturgia do 5º domingo da Páscoa (Ano C) nos convida a aprofundar a vivência do essencial do cristianismo: a prática do Mandamento do Amor – “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei” (já anunciado no Livro do Levítico 19,18-34 e Dt 10,19).

A vida cristã tem esta marca que garante sua autenticidade: a capacidade de amar até o extremo, no dom total da própria vida.

A passagem da primeira Leitura (At 14,21b-27) retrata o fim da primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé.

A missão do anúncio e do testemunho do Ressuscitado tem traços fundamentais que podem ser assim sintetizados:

- O entusiasmo necessário para vencer os perigos e as dificuldades para o anúncio da boa nova;

- Ter palavras de consolação para fortalecer a fé da comunidade confiada;

- O necessário apoio mútuo; a Oração e a consciência de que a missão não é obra puramente humana, mas de iniciativa divina, tendo Deus como autor autêntico da conversão, sob a ação e iluminação do Espírito Santo.

A passagem da segunda Leitura (Ap 21, 1-5a) nos apresenta a missão de construirmos um novo céu e uma nova terra, que é a meta última de nossa história.

A visão do autor – “Jerusalém que desce do céu” – retrata a realidade de que o novo céu e a nova terra têm origem divina e possibilita nossa resposta, nossa participação.

Discípulos do Ressuscitado, esperamos e nos comprometemos com a Jerusalém Celeste tornando o mundo mais fraterno, mais justo e solidário, a meta da harmonia e da felicidade sem fim. Não haverá mais dor, luto, morte e sofrimento.

A partir desta fé inaugura-se um relacionamento que transforma a si mesmo e todos os que estão em sua volta, culminando até na renovação de todas as estruturas geradoras de lágrimas, dor, sofrimento e luto.

O amor e a alegria de sermos partícipes na construção do Reino devem estar presentes em nossas comunidades. Isto ocorre quando os ministérios diversos são postos a serviço da comunidade, e não nos servimos dela para qualquer outro objetivo. A grandiosidade está no servir à comunidade e não o contrário.

Somente no amor vivido é que reconhecerão que somos discípulos do Ressuscitado, e esta passa a ser para sempre a nossa identidade, de modo que nossa identidade não é uma filosofia, tão pouco a prática de ritos em si mesmo, mas a intensidade e profundidade do como e do quanto amamos (cf. Jo 13,35).

A Ressurreição de Jesus Cristo nos convoca a nossa própria renovação, bem como de todas as estruturas do mundo, para que seja a expressão de uma Aliança que deu certo. Ter nos amado e nos amado até o fim, não foi em vão.

Esta missão é explicitada na passagem do Evangelho (Jo 13,31-33a.34-35) em que, num contexto de despedida dos Seus discípulos, Jesus deixa o Novo Mandamento do Amor.

Trata-se de um momento muito solene, e não havia possibilidade para conversas inúteis, porque se aproximava o fim, e era preciso recordar aos discípulos o mais fundamental na proposta cristã: o Mandamento do Amor.

A medida do amor fraterno é Ele próprio, o Amor de Cristo – “como Eu vos amei” (Jo 13,34). Portanto, o amor não consiste numa ideia, e tão pouco pode ser reduzido a qualquer sentimento, mas um autêntico movimento de entrega que faz o outro viver, porque gera vida.

Amemos como Jesus nos ama, porque isto é a exigência fundamental para aquele que n’Ele crê.  O Mandamento do Amor é a expressão máxima da vida cristã.

A comunidade será para o mundo um sinal do Deus vivo e que ama a humanidade.

Ser discípulo é testemunhar o Amor de Deus na fidelidade, acolhida, serviço, entusiasmo, generosidade, partilha...

“Nisto conhecerão todos que sois os meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.” Segundo Tertuliano, autor sagrado, os primeiros cristãos tomaram tão a sério estas Palavras do Senhor, que os pagãos exclamavam admirados «Vede como eles se amam!» (cf. Jo 15, 12.13.17; 1 Jo 2, 8; Mt 22, 39; Jo 17, 23; Act 4, 32).

Reflitamos:

- De que modo vivemos o Novo Mandamento do Amor que o Senhor nos ordenou?
- Somos uma comunidade onde o amor é o nosso distintivo?

- Nossas relações dentro da comunidade são marcadas pelo amor fraterno?
- Somos uma comunidade missionária, indo ao encontro daqueles que não conhecem ainda a Boa Nova do Ressuscitado?

- Quais são os sinais que expressam nossos compromissos na construção de um novo céu e uma nova terra?
- Ao virem nossas comunidades, as relações entre os que dela participam e outras manifestações, os que dela não participam dirão – “vede como eles se amam”?

Eis o desafio, eis a nossa missão. Um longo caminho já fizemos, sem nos esquecermos de que somos a Igreja do Ressuscitado, uma Igreja santa e pecadora, somos convidados a viver a religião do amor, a amar como Deus ama, como aprendemos com o Filho, iluminados e inflamados pelo Fogo do Espírito.

Quando não perdemos a meta da Jerusalém Celeste, não nos perdemos também no caminho.

É tempo de amar como Jesus ama; somente assim nossa vida terá sentido e a alegria Pascal transbordará verdadeiramente em nosso coração. Aleluia!

O Mandamento do Amor é o nosso distintivo! (VDTPC)

                                                        

O Mandamento do Amor é o nosso distintivo!

“Amor que desconhece barreiras e limites...”

O Mandamento do Amor é a proposta essencial do cristianismo: “Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.” (Jo 13,13,31-33a.34-35). A identidade cristã passa pela intensidade e profundidade de como e do quanto se ama o próximo. Deste modo, nos reconhecerão como discípulos do Senhor.

A nossa identidade não é uma filosofia, conjunto de ideologias... Não somos meros cumpridores da lei; cumpridores da prática de ritos em si mesmo.

O discípulo de Cristo é marcado pelo doar-se totalmente, como Ele o fez: Amou-nos até o fim, até as últimas consequências e continua nos amando...

O Mandamento do Amor não é conselho ou condição, é imperativo! Foi dado, a nós, pelo Senhor. Amar na alegria e na tristeza, nos momentos bons e difíceis, amar o igual e o diferente, amar mesmo sem ser amado...

Amor que desconhece barreiras e limites... Amor que supera preconceitos, discriminações.

Assim é o amor cristão, o novo Mandamento, porque é o amor vivido como Ele viveu, e não segundo nossos mesquinhos conceitos e critérios.

A partir desta fé, inaugura-se um relacionamento que transforma a si mesmo e todos os que estão a sua volta, culminando na renovação de todas as estruturas geradoras de lágrimas, luto, dor e sofrimento.

A fé na Ressurreição de Cristo nos convoca a nossa própria renovação, bem como de todas as estruturas do mundo, para ser a expressão de uma Aliança que deu certo.

 Ø   Jesus, plenitude do Amor de Deus por nós, teria morto em vão?

O amor e a alegria de sermos partícipes de um novo céu e de uma nova terra devem estar presentes em nós e em nossas comunidades, de modo que os ministérios na comunidade estejam a serviço do Reino.

Tudo se torna mais belo e grandioso quando nos pomos a servir a comunidade e não nos servir da mesma.

Ser discípulo é ser testemunha, no mundo, do Amor de Deus, na fidelidade, acolhida, partilha e serviço...  É ser marcado pelo entusiasmo, generosidade, solidariedade, no respeito à liberdade, no sentido mais pleno e belo que se possa dizer...

A vida cristã se move a partir da novidade da Ressurreição, construindo o novo céu e a nova terra, a Jerusalém Celeste, a utopia que nos move.

A utopia que nos faz crescer a cada dia no Mandamento fundamental que nos identifica com Ele, Jesus!

Eis o grande desafio: a construção de uma comunidade escatológica que experimente sinais do Reino, e ainda que não plenamente, mas experimente...

Por isto uma comunidade alegre e consciente de que o horizonte de um mundo novo, renovado, transformado, com vida e dignidade, marcado pela fraternidade e paz, é possível...

Amemos como Jesus nos amou! Exigência fundamental para aquele que n’Ele crê! Amar, não na nossa medida, mas na medida em que Ele nos amou! A maneira de Jesus nos amar ultrapassa a nossa maneira de amar.

A nossa religião é a religião do amor, se não o for não terá mais razão de ser, de existir...

Amar é condição para pertencer a Comunidade de Jesus, e assim, descobrirão através de nossa vida, relacionamentos e testemunhos, a presença e a vida do Amor de Deus em nós!

Eis a força que nos move: 
Ser, no mundo, sinal vivo do Deus que ama!

Amor que ultrapassa nossa humana compreensão,
Porque Amor de Divina condição!
Amém. Aleluia!

Foi por amor a ti (VDTPC)

                                                 

Foi por amor a ti

“Tendo amado os Seus que estavam no mundo,
amou-os até o fim.”
(Jo 13,1)

Foi por amor a ti
Que desci e vim e ao teu encontro na forma de uma criança.

Foi por amor a ti
Que aprendi palavras para falar contigo, Eu que sou a Palavra.

Foi por amor a ti
Que me fiz frágil e indefeso, Eu que sou o Deus forte.

Foi amor a ti
Que venci Satanás, para que comigo também possas vencer.

Foi por amor a ti
Que suportei a sede, para me tornar tua perene e salutar fonte.

Foi por amor a ti
Que suportei o abandono, para que não te sintas só.

Foi por amor a ti
Que mesmo negado e traído, fui adiante, sem desistir de ti.

Foi por amor a ti,
Para saciar tua fome de amor e vida, que me fiz Comida e Bebida.

Foi por amor a ti
Que, para vencer o peso da Cruz, me Transfigurei antecipando a visão da glória.

Foi por amor a ti,
Para secar tuas lágrimas, que também as vi em mim vertidas.

Foi por amor a ti
Que suportei o trespassar do coração, alargando-o, para nele tu coubesses.

Foi por amor a ti
Que enfrentei ventos e tempestades, para atravessar os mares contigo.

Foi por amor a ti
Que não tive onde reclinar a cabeça, a não ser no trono da Cruz.

Foi por amor a ti
Que venci a escuridão da noite, para fazer claros os teus dias: Ressuscitado fui.

 Foi por amor a ti,
Para que nunca te sintas sozinho, que o meu Espírito te foi enviado.

Foi por amor a ti
Que isto e muito mais Eu fiz, e muito mais o farei até o fim dos tempos. 

Amém. Aleluia!

A essência do ser cristão: Amar como Jesus amou (VDTPC)

                                                   

A essência do ser cristão: Amar como Jesus amou
 
Reflitamos sobre o maior Mandamento da Lei, e sejamos iluminados pelo escrito do Bispo e Mártir São Cipriano (séc. III):
 
“A vontade de Deus é aquela que Cristo cumpriu e ensinou: a humildade no comportamento, a firmeza na fé, o respeito nas palavras, a retidão nas ações, a misericórdia nas obras, a moderação nos costumes, o não ofender os outros e tolerar aquilo que nos fazem, o conservar a paz com os nossos irmãos: amar ao Senhor de todo o coração, amá-Lo enquanto Pai, temê-Lo enquanto Deus; o não preferir nada a Cristo, já que Ele nada preferiu a nós; o manter-nos inseparavelmente unidos ao Seu Amor, o estar junto à Cruz com fortaleza e confiança; e, quando está em jogo o Seu nome e Sua honra, mostrar em nossas palavras a constância da fé que professamos; nos tormentos, a confiança com que lutamos, e na morte, a paciência que nos obtém a coroa.
 
Isto é querer ser coerdeiro de Cristo, isto é, cumprir o Preceito de Deus e a vontade do Pai.
 
Pedimos que se faça a vontade de Deus no céu e na terra: ambas as coisas pertencem à consumação de nossa incolumidade e salvação.
 
Pois ao ter um corpo terreno e um espírito celeste, somos ao mesmo tempo céu e terra, e, em ambos, isto é, no corpo e no espírito, pedimos que se faça a vontade de Deus.
 
Porque existe guerra declarada entre a carne e o espírito, e um antagonismo diário entre os dois oponentes, de maneira que não fazemos o que queremos, porque enquanto o espírito deseja o celestial e divino, a carne se sente arrastada pelo terreno e temporal.
 
Por isso, pedimos que, com o socorro e o auxílio divino, reine a concórdia entre os dois setores em conflito, de modo a cumprir-se a vontade de Deus tanto no espírito como na carne, possa salvar-se a alma renascida por Ele no Batismo.
 
É o que aberta e claramente declara o Apóstolo Paulo, dizendo: ‘Porque os desejos da carne se opõem ao do Espírito, e estes aos da carne. Pois são contrários uns aos outros. É por isso que não fazeis o que quereríeis.
 
Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, libertinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdia, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes.
 
Destas coisas vos previno como já preveni: os que praticarem não herdarão o Reino de Deus! Ao contrário, o fruto do Espírito é: caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, brandura, temperança’. (cf. na íntegra Gl 5, 13-26).
 
Por isso, com Oração cotidiana e até continua, temos de pedir que no céu e na terra se cumpra a vontade de Deus sobre nós. Porque esta é a vontade de Deus: que o terreno dê lugar ao celestial e que prevaleça o espiritual e o divino”. (1)
 
Como vemos é uma exortação para que nada prefiramos a não ser Jesus Cristo, vivendo segundo o Espírito.
 
Assim vivendo, teremos do Senhor mesmos pensamentos e sentimentos, de modo que poderemos dizer como o Apóstolo Paulo: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21)
 
Na vinha do Senhor, muitos são chamados, mas poucos são os que dão resposta generosa e decidida, exatamente pelas provações, exigências próprias de um autêntico discipulado, que não acontece sem a cruz, inevitável para o alcance da glória eterna.
 
Deste modo, autênticos discípulos do Senhor seremos se soubermos dar nossa resposta generosa e decidida, exatamente pelas provações, exigências próprias de um autêntico discipulado, que não acontece sem a cruz, inevitável para o alcance da glória eterna.
 
Urge que não percamos a essência do ser cristão, e que a graça de Deus seja abundantemente em nós derramada, para nos colocarmos no caminho com o Senhor, vivendo os inseparáveis Mandamentos como distintivos do ser cristão, para que nosso discipulado seja fecundo.
 
 
 
(1) Lecionário Patrístico Dominical - Editora Vozes - 2013 - p.225.
PS: Oportuno para reflexão das passagens: Mt 21,29-32Mc 12,28b-34
 
 


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