quinta-feira, 15 de maio de 2025

Amar, servir e a Palavra proclamar (30/04)

                                                                  

Amar, servir e a Palavra proclamar

Senhor Jesus, Vós nos ensinastes, ao lavar os pés dos discípulos, que “‘O servo não está acima do seu Senhor’, e assim fizestes muito mais que um rito, mostrando-nos que o verdadeiro e definitivo sinal dos que Vos seguem é o serviço aos irmãos; preocupação e solidariedade para com os necessitados, os pequeninos que tanto amais.

Senhor Jesus, cremos que estais, de forma especialíssima, no Pão e Vinho consagrados, mas também nos ensinastes que devemos reconhecer a Vossa presença no pobre, faminto, nu, peregrino, fraco, marginalizado; naquele que mais precisa de nossa mão, carinho e solidariedade, pois seríamos míopes de Deus se assim não fizéssemos.

Senhor Jesus, queremos que a Eucaristia que celebramos jamais se torne uma mentira, sem o devido prolongamento no cotidiano, mas que seja expressa na caridade e no serviço ao próximo, cumprindo o preceito do amor que nos destes, e assim, amando intensamente, coloquemo-nos humildemente em serviço, anunciando e testemunhando a  Vossa Santa Palavra.

Senhor Jesus, renovamos o nosso compromisso como discípulos missionários Vossos, vivendo com amor, zelo e alegria a missão que nos confiastes, contando com a Luz e presença do Vosso Espírito, na mais perfeita comunhão com o Vosso Pai de Amor, pois tão somente assim, somos mergulhados e envolvidos nesta relação de amor, ternura e comunhão.

Senhor Jesus, que
 amemos intensamente como nos mandastes; sirvamos com humildade e alegria ao nosso próximo e assim proclamemos, com coragem e ardor, a Vossa Palavra, incansáveis arautos da Vossa Boa-Nova. Amém. Aleluia!

PS: Fonte inspiradora: Jo 13,16-20 – (Liturgia da quinta-feira da 4ª semana da Páscoa)

Rezando com os Salmos - Sl 44 (45)

 


Espera vigilante para o encontro com o Rei Glorioso


“1 Ao maestro do coro. Na melodia ‘Os lírios’.

Dos filhos de Coré. Poema. Cântico de amor.
=2 Transborda um poema do meu coração;
vou cantar-vos, ó Rei, esta minha canção;
minha língua é qual pena de um ágil escriba.

=3 Sois tão belo, o mais belo entre os filhos dos homens!
Vossos lábios espalham a graça, o encanto,
porque Deus, para sempre, vos deu sua bênção.

–4 Levai vossa espada de glória no flanco,
herói valoroso, no vosso esplendor;
–5 saí para a luta no carro de guerra
em defesa da fé, da justiça e verdade!

= Vossa mão vos ensine valentes proezas,
6 Vossas flechas agudas abatam os povos
e firam no seu coração o inimigo!
=7 Vosso trono, ó Deus, é eterno, é sem fim;
vosso cetro real é sinal de justiça:
8 Vós amais a justiça e odiais a maldade.

= É por isso que Deus vos ungiu com seu óleo,
deu-vos mais alegria que aos Vossos amigos.
9 Vossas vestes exalam preciosos perfumes.

– De ebúrneos palácios os sons vos deleitam.
10 As filhas de reis vêm ao vosso encontro,
– e à vossa direita se encontra a rainha
com veste esplendente de ouro de Ofir.

–11 Escutai, minha filha, olhai, ouvi isto:
'Esquecei vosso povo e a casa paterna!
–12 Que o Rei se encante com vossa beleza!
Prestai-lhe homenagem: é vosso Senhor!

–13 O povo de Tiro vos traz seus presentes,
os grandes do povo vos pedem favores.
–14 Majestosa, a princesa real vem chegando,
vestida de ricos brocados de ouro.

–15 Em vestes vistosas ao Rei se dirige,
e as virgens amigas lhe formam cortejo;
–16 entre cantos de festa e com grande alegria,
ingressam, então, no palácio real'.

–17 Deixareis Vossos pais, mas tereis muitos filhos;
fareis deles os reis soberanos da terra.
–18 Cantarei vosso nome de idade em idade,
para sempre haverão de louvar-vos os povos!”
 

O Salmo 44(45) é um cântico sobre as núpcias do Rei:

“Cerimônia nupcial no palácio. Aplicado ao rei ideal. O texto ganhou sentido messiânico e é referido a Cristo (Hb 1,8s) – Divisão: 2: apresentação do poeta; 3-8: alocução ao rei; 9-10: o rei ao lado da rainha-mãe; 11-13: alocução à escolhida; 14-16: entrada da nova rainha; 17-18: conclusão do poeta (dirigida ao rei).” (1)

Este Salmo também nos remete à passagem do Evangelho de Mateus sobre a parábola das dez virgens, que nos convida a viver a vigilância necessária na espera do Senhor que vem (Mt 25,1-13).

Peregrinos da esperança que somos, precisamos estar pontos para a segunda vinda do Senhor, assim como as damas para um cortejo nupcial, ainda que o noivo demore (Parusia).

Seja nosso discipulado expressão de apaixonamento pelo Senhor, em total fidelidade à Sua Pessoa e Palavra, como Igreja que somos, a serviço do Reino. Amém.

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 764



Para quem tem sede de paz...

                                                   

Para quem tem sede de paz...

Este Sermão, atribuído ao Bispo São Pedro Crisólogo (Séc. V), nos ajuda na compreensão do verdadeiro sentido e compromisso com a paz.

“Diz o evangelista: Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus (Mt 5,9). De fato, as virtudes cristãs florescem naquele que vive a concórdia da paz cristã; e só merecem o nome de filhos de Deus aqueles que promovem a paz.

É a paz, caríssimos, que liberta o homem da sua condição de escravo e lhe dá um nome nobre; que muda a sua condição perante Deus, transformando-o de servo em filho, de escravo em homem livre.

A paz entre os irmãos é a realização da vontade de Deus, a alegria de Cristo, a perfeição da santidade, a norma da justiça, a mestra da doutrina, a guarda dos bons costumes e a louvável disciplina em todas as coisas.

A paz é a recomendação das nossas orações, o caminho mais fácil e eficaz para as nossas súplicas, a realização perfeita de todos os nossos desejos.

A paz é a mãe do amor, o vínculo da concórdia e o claro indício da pureza de coração, capaz de pedir a Deus tudo o que quer; pede tudo quanto quer e recebe tudo o que pede.

A paz deve ser garantida pelos Mandamentos do Rei. É o que diz Cristo nosso Senhor: Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou (Jo 14,27). O que quer dizer: Deixei-vos em paz, em paz quero vos encontrar. Ao partir deste mundo, Ele quis dar aquilo que deseja encontrar em todos quando voltar.

É um Mandamento do céu conservar esta paz que Cristo nos deu. Uma só palavra resume o que Ele desejou na despedida: que ao voltar, encontre o que deixou. Plantar e enraizar a paz é obra de Deus; arrancá-la totalmente é coisa do inimigo. Pois, assim como o amor fraterno vem de Deus, assim o ódio vem do demônio. Então devemos condenar o ódio, porque está escrito: Todo aquele que odeia seu irmão é um homicida (1Jo 4,7); consequentemente, quem não tem caridade também não possui a Deus.

Irmãos, pratiquemos os Mandamentos; são eles que nos dão a vida. Que a nossa fraternidade se mantenha unida pelos laços de uma paz profunda: que ela se fortaleça mediante o vínculo salutar do amor recíproco que cobre uma multidão de pecados.

Que este amor fraterno seja a nossa maior aspiração, pois ele pode nos dar todo bem e toda recompensa. A paz deve ser conservada mais do que todas as virtudes, porque onde existe paz, Deus aí está.

Amai a paz e em tudo encontrareis tranquilidade. Desta maneira, a paz será para nós um prêmio, para vós uma alegria. E a Igreja de Deus, fundada na unidade da paz, se manterá fiel aos ensinamentos de Cristo.”

Renovemos nossos sagrados compromissos com a paz, que é, como ele mesmo disse, “a mãe do amor”, que uma vez encontrada, em tudo encontraremos a tranquilidade.

Saciemos nossa sede de Deus, logo, nossa sede de amor, vida e paz, e somente o Senhor Jesus, o Filho de Deus, pode nos dar (Jo 1427-31a).

Como Igreja, sejamos todos instrumentos da paz! 
Aleluia! Aleluia!

O novo Mandamento do amor

                                                   

O novo Mandamento do amor

À luz dos Tratados sobre o Evangelho de São João, do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), reflitamos sobre o Novo Mandamento do amor que nos foi dado por Jesus Cristo.

“O Senhor Jesus afirma que dá um novo Mandamento a Seus discípulos, isto é, que se amem mutuamente: Eu vos dou um novo Mandamento: amai-vos uns aos outros (Jo 13,34).

Mas este Mandamento já não estava escrito na antiga Lei de Deus, onde se lê: Amarás o teu próximo como a ti mesmo? (Lv 19,18). Por que então o Senhor chama novo o que é evidentemente tão antigo?

Será um novo Mandamento pelo fato de nos revestir do homem novo, depois de nos ter despojado do velho? Na verdade, ele renova o homem que o ouve, ou melhor, que lhe obedece; não se trata, porém, de um amor puramente humano, mas daquele que o Senhor quis distinguir, acrescentando: Como Eu vos amei (Jo 13,34).

É este amor que nos renova, transformando-nos em homens novos, herdeiros da nova Aliança, cantores do canto novo. Foi este amor, caríssimos irmãos, que renovou outrora os antigos justos, os Patriarcas e os Profetas e, posteriormente, os Santos Apóstolos.

Ainda hoje é ele que renova as nações e reúne todo o gênero humano espalhado pelo mundo inteiro, formando um só povo novo, o corpo da nova esposa do Filho unigênito de Deus.

É dela que se diz no Cântico dos Cânticos: Quem é esta que sobe vestida de branco? (cf. Ct 8,5). Vestida de branco, sim, porque renovada; e renovada de que modo, senão pelo Mandamento novo?

Por isso os membros desta esposa sentem uma solicitude mútua. Se um membro sofre, todos sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os outros se alegram com ele. Pois ouvem e praticam a palavra do Senhor: Eu vos dou um novo Mandamento: amai-vos uns aos outros. Não como se amam aqueles que vivem na corrupção da carne; nem como se amam os seres humanos apenas como seres humanos; mas como se amam aqueles que são deuses e filhos do Altíssimo.

Deste modo, se tornam irmãos do Filho unigênito de Deus, amando-se uns aos outros com aquele mesmo amor com que Ele os amou, e por Ele serão conduzidos à plenitude final, onde os seus desejos serão completamente saciados de bens. Então nada faltará à sua felicidade, quando Deus for tudo em todos.

Quem nos dá este amor é o mesmo que diz: Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei. Foi para isto que Ele nos amou, para que nos amássemos mutuamente. E com o Seu amor, deu-nos a graça, para que, vivendo unidos em recíproco amor, como membros ligados por tão suave vínculo, formemos o Corpo de tão sublime Cabeça”. (1)

O Mandamento do amor que Jesus nos deu é novo, pois deve ser como Ele nos amou, que tendo nos amado, nos amou até o fim.

Amou-nos dando a Sua vida, livre e incondicionalmente, para que fôssemos libertos de toda forma de jugo, escravidão.

Amou-nos para que nos sintamos e sejamos livres e amados. E tão somente por Ele amados, que nos amou primeiro, amar nosso próximo como Ele nos amou.

Eis o que nos distingue como cristãos: a prática concreta do Mandamento do amor a Deus e ao próximo: O primeiro, na ordem dos preceitos, e ao próximo, na ordem da execução.

Oremos:

Ó Deus, que restaurais a natureza humana dando-lhe uma dignidade ainda maior, considerai o Mistério do Vosso amor, conservando para sempre os dons da Vossa graça naqueles que renovastes pelo Sacramento de uma nova vida. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém!”

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Quaresma/Páscoa - pag. 710-712

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Rezando com os Salmos - Sl 43 (44)

 


Entre sombras e luzes, nossa confiança está no Senhor

“-I Ao maestro do coro. Poema dos filhos de Coré.
–2 Ó Deus, nossos ouvidos escutaram,
e contaram para nós, os nossos pais,
 – as obras que operastes em seus dias,
em seus dias e nos tempos de outrora:

 =3 Expulsastes as nações com Vossa mão,
e plantastes nossos pais em seu lugar;
para aumentá-los, abatestes outros povos.
 –4 Não conquistaram essa terra pela espada,
nem foi seu braço que lhes deu a salvação;

 – foi, porém, a Vossa mão e vosso braço
e o esplendor de Vossa face e o vosso amor.
 –5 Sois Vós, o meu Senhor e o meu Rei,
que destes as vitórias a Jacó;
–6 com Vossa ajuda é que vencemos o inimigo,
por Vosso nome é que pisamos o agressor.

 –7 Eu não pus a confiança no meu arco,
a minha espada não me pôde libertar;
–8 mas fostes Vós que nos livrastes do inimigo,
e cobristes de vergonha o opressor.
 –9 Em Vós, ó Deus, nos gloriamos todo dia,
celebrando o Vosso nome sem cessar.

 –10 Porém, agora nos deixastes e humilhastes,
já não saís com nossas tropas para a guerra!
 –11 Vós nos fizestes recuar ante o inimigo,
os adversários nos pilharam à vontade.

 –12 Como ovelhas nos levastes para o corte,
e no meio das nações nos dispersastes.
–13 Vendestes vosso povo a preço baixo,
e não lucrastes muita coisa com a venda!

 –14 De nós fizestes o escárnio dos vizinhos,
zombaria e gozação dos que nos cercam;
–15 para os pagãos somos motivo de anedotas,
zombam de nós a sacudir sua cabeça.

 –16 À minha frente trago sempre esta desonra,
e a vergonha se espalha no meu rosto,
 –17 ante os gritos de insultos e blasfêmias
do inimigo sequioso de vingança.

–18 E tudo isso, sem Vos termos esquecido
e sem termos violado a Aliança;
–19 sem que o nosso coração voltasse atrás,
nem se afastassem nossos pés de Vossa estrada!
 –20 Mas à cova dos chacais nos entregastes
e com trevas pavorosas nos cobristes!

 –21 Se tivéssemos esquecido o nosso Deus
e estendido nossas mãos a um Deus estranho,
 –22 Deus não teria, por acaso, percebido,
ele que vê o interior dos corações?
 –23 Por Vossa causa nos massacram cada dia
e nos levam como ovelha ao matadouro!

 –24 Levantai-vos, ó Senhor, por que dormis?
Despertai! Não nos deixeis eternamente!
 –25 Por que nos escondeis a Vossa face
e esqueceis nossa opressão, nossa miséria?

 –26 Pois arrasada até o pó está noss’alma
e ao chão está colado o nosso ventre.
– Levantai-Vos, vinde logo em nosso auxílio,
libertai-nos pela Vossa compaixão!”

O Salmo 43(44) retrata as calamidades do povo, acompanhado por uma súplica confiante do salmista a Deus:

“Sem ter violado os compromissos da Aliança, o povo é oprimido pelos inimigos. O salmista descreve a desventura do povo e busca conforto na lembrança dos tempos felizes em que Deus comandava seu povo nas batalhas.” (1)

Cada tempo suas calamidades e seus desafios. No entanto, urge firmar nossos passos, escrevendo páginas de acrisolamento, amadurecimento, aperfeiçoamento.

Vivamos o Mistério da Paixão e Morte do Senhor, para com Ele Ressuscitar, e com Ele, sermos mais que vencedores:

– “Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores por Aquele que nos amou. Pois estou convencido de que nem morte nem vida, nem anjos nem demônios, nem o presente nem o futuro, nem quaisquer poderes, nem altura nem profundidade, nem qualquer outra coisa na criação será capaz de nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus” (Rm 8,37-39).

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág.  762-763

Rezando com os Salmos - Sl 42(43)

 


Da angústia à alegria com inabalável confiança em Deus 

“–1 Fazei justiça, meu Deus, e defendei-me
contra a gente impiedosa;
– do homem perverso e mentiroso
libertai-me, ó Senhor!

–2 Sois Vós o meu Deus e meu refúgio:
por que me afastais?
– Por que ando tão triste e abatido
pela opressão do inimigo?

–3 Enviai vossa luz, vossa verdade:
elas serão o meu guia;
– que me levem ao Vosso Monte santo,
até a Vossa morada!

–4 Então irei aos altares do Senhor,
Deus da minha alegria.
– Vosso louvor cantarei, ao som da harpa,
meu Senhor e meu Deus!

–5 Por que te entristeces, ó minh'alma,
a gemer no meu peito?
– Espera em Deus! Louvarei novamente
o meu Deus Salvador!”

O Salmo 42(43), continuação do anterior, reflete a saudade do templo e a expressão de uma angústia confiante de restauração da alegria, com viva esperança no Senhor, em que “...o levita pede a Deus, justo juiz, que seja reconhecido inocente e assim possa percorrer o caminho de volta ao santuário, onde dará graças a Deus.”(1).

Essa oração reflete a experiência de quem busca no Senhor a verdadeira luz e refúgio, enquanto enfrenta as trevas da opressão e da solidão, e deste modo, como discípulos missionários do Senhor, em todo tempo, favorável ou adverso, é preciso perseverança e confiança no Senhor, e dar testemunho de esperança, de tal modo que irradie a luz do Espírito que em nós habita, pela graça batismal recebida.

De fato, o próprio Senhor nos disse que somos a luz do mundo (Mt 5,14), e “Eu Sou a luz do mundo, quem me segue, não anda nas trevas mas terá a luz da vida” (Jo 8,12); e no mesmo Evangelho: “Enquanto estou no mundo Eu sou a luz.” (Jo 9, 5); e finalmente afirmou – “Eu vim ao mundo como luz, para que too aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.” (Jo 12,46).

Firmemos nossos passos sem jamais perder a alegria de anunciar e testemunhar nossa fé. Seja nossa angústia transformada em alegria, com inabalável confiança em Deus. Amém.

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 762

Rezando com os Salmos - Sl 41 (42)

 


Sede de Deus, saudade do templo

 “–1  Ao maestro do coro. Poema. Dos filhos de Coré.

–2 Assim como a corça suspira
pelas águas correntes,
– suspira igualmente minh'alma
por vós, ó meu Deus!

–3 Minha alma tem sede de Deus,
e deseja o Deus vivo.
– Quando terei a alegria de ver
a face de Deus?

–4 O meu pranto é o meu alimento
de dia e de noite,
– enquanto insistentes repetem:
'Onde está o teu Deus?'

–5 Recordo saudoso o tempo
em que ia com o povo.
– Peregrino e feliz caminhando
para a casa de Deus,
– entre gritos, louvor e alegria
da multidão jubilosa.

–6 Por que te entristeces, minh'alma,
a gemer no meu peito?
– Espera em Deus! Louvarei novamente
o meu Deus Salvador!

–7 Minh'alma está agora abatida,
e então penso em vós,
– do Jordão e das terras do Hermon
e do monte Misar.

–8 Como o abismo atrai outro abismo,
ao fragor das cascatas,
– vossas ondas e vossas torrentes
sobre mim se lançaram.

–9 Que o Senhor me conceda de dia
sua graça benigna
– e de noite, cantando, eu bendigo
ao meu Deus, minha vida.

–10 Digo a Deus: 'Vós que sois meu amparo,
por que me esqueceis?
– Por que ando tão triste e abatido
pela opressão do inimigo?'

–11 Os meus ossos se quebram de dor,
ao insultar-me o inimigo;
– ao dizer cada dia de novo:
'Onde está o teu Deus?'

–12 Por que te entristeces, minh'alma,
a gemer no meu peito?
– Espera em Deus! Louvarei novamente
o meu Deus Salvador!”

Com o Salmo 41(42), o salmista expressa a sede de Deus que tem a sua alma, acompanhada da saudade do templo:

“Forçado a viver longe do Templo, onde era feliz na presença de Deus, um levita exprime seu ardente desejo e sua esperança segura de um dia voltar; enquanto isso, seu consolo é a recordação das belas liturgias.” (1)

Seja também nossa alma sedenta de Deus, que sacia nossa sede, como tão bem expressa a passagem do Livro do Apocalipse – “O Espírito e a Esposa dizem: ‘Vem’! E quem ouve também diga: ‘Vem’! Quem tem sede, venha, e quem quiser, receba gratuitamente a água da vida.” (Ap 22,17).

Retomemos as palavras de Santo Anselmo, bispo (séc. XII)

“Ensinai-me a Vos procurar e mostrai-Vos quando Vos procuro; não posso procurar-Vos se não me ensinais  nem encontrar-Vos se não Vos mostrais. Que desejando eu Vos procure, procurando Vos deseje, amando Vos encontre, e encontrando Vos ame”. Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – pág. 761

 

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