sábado, 29 de março de 2025

Quaresma: eliminemos toda murmuração, julgamento e desprezo (14/03)

                                                            


                    Quaresma: eliminemos toda murmuração,       julgamento e desprezo


"Trabalhai para a vossa salvação, com temor e tremor. Pois é Deus que realiza em vós tanto o querer como o fazer, conforme o seu desígnio benevolente. Fazei tudo sem reclamar ou murmurar, para que sejais livres de repreensão e ambiguidade, filhos de Deus sem defeito." Fl 2,12b-15a


Ao ouvimos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 18,9-14) proclamada no sábado da 3ª semana do Tempo da Quaresma, sejamos iluminados pela “Conferência sobre o julgamento do próximo”, escrita por São Doroteu de Gaza (séc. VI).

“Irmãs, se recordarmos bem as sentenças dos santos anciãos e as meditamos sem cessar, difícil será que pequemos ou que sejamos negligentes.

Se como eles nos dizem, não menosprezarmos o pequeno e aquilo que julgamos insignificante, não cairemos em faltas graves. O repito sempre a vocês. Por coisas ligeiras, como dizer por exemplo: ‘O que  é isto? O que é aquilo?’, nasce um mau hábito na alma, e se começa a desprezar inclusive as coisas importantes. Percebem quão grave é o pecado que se comente ao julgar o próximo? O que há de mais grave? Existe algo que Deus deteste tanto e do qual se afaste com tanto horror?

Os Padres disseram: ‘nada é pior do que julgar'. E, contudo, é por estas coisas que se dizem ser de pouca importância, que se chega a um mal tão grande. Se admite uma ligeira suspeita contra o próximo, se pensa: ‘O que importa se escuto o que tal irmão diz? O que importa se também eu digo somente esta palavra? O que importa se vejo o que vai fazer aquele irmão ou aquele estranho?’, e o espírito começa a esquecer os seus próprios pecados e a ocupar-se do próximo. Daí vem os juízos, murmurações e desprezos, e finalmente se cai nas faltas que se condenavam.

Quando alguém é negligente, a respeito de suas próprias misérias, quando alguém não chora a sua própria morte, segundo a expressão dos padres, não pode corrigir-se nunca, porque se ocupa constantemente do próximo. Entretanto, nada irrita tanto a Deus, nada despoja ao homem e lhe conduz ao abandono, como fato de murmurar do próximo, de julgá-lo e de desprezá-lo.

Murmurar, julgar e desprezar são coisas diferentes. Murmurar é dizer de alguém: ‘aquele mentiu’, ou: ‘enraivecer-se’, ou: ‘fornicou’. Ou outra coisa semelhante. Se murmurou dele, ou seja, se falou contra ele se revelou seu pecado, existe impulsos da paixão.

Julgar é dizer: ‘aquele é um mentiroso, colérico, fornicário’. Eis aí que se julga a própria disposição de sua alma e se aplica a sua vida inteira, dizendo que ele é assim, e se lhe julga como tal. Isto é grave. Porque uma coisa é dizer: ‘encolerizou-se’, e outra coisa: ‘é colérico’, pronunciando-se desta forma sobre toda a sua vida.

Julgar ultrapassa em gravidade a todos os pecados, de modo que Cristo mesmo disse: ‘Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então poderás tirar o cisco do olho do teu irmão’. A falta do próximo a comparou com um cisco, e o juízo uma trave, pois o julgar é muito grave, mais grave talvez que cometer qualquer outro pecado.

O fariseu que orava e dava graças a Deus por suas boas ações, não mentia; mas dizia a verdade; não foi condenado por isso. Na realidade devemos dar graças a Deus pelo bem que Ele nos concede realizar, já que é com a Sua ajuda e Seu auxílio.

Desta forma, ele não foi condenado por ter dito: “Não sou como os demais homens’; não. Foi condenado quando, voltando-se para o publicano, acrescentou: ‘nem como esse publicano’. Foi então quando se tornou gravemente culpado, porque julgava a própria pessoa do publicano, as próprias disposições de sua alma, em uma palavra: sua vida inteira. Por isso, o publicano partiu dali justificado e ele não. Não há nada mais grave, nada mais prejudicial, e o digo com frequência, que julgar ou desprezar ao próximo”.

À luz da Conferência, reflitamos sobre os nossos relacionamentos cotidianos, e o quanto também podemos incorrer em graves murmurações, julgamentos e desprezos, tornando desagradáveis a Deus nossas palavras e orações.

Antes, é preciso que nos voltemos para nossa própria “miséria”, como o autor mesmo afirma, e sintamos a necessidade da misericórdia divina, sem nos tornarmos parâmetros de santidade e salvação para o outro.

É sempre tempo de aprendermos a viver a misericórdia, compreendendo a fragilidade do nosso próximo, o que não é sinônimo de conivência, cumplicidade. 

A misericórdia divina não se afasta da justiça, tão pouco da verdade, não exclui nem elimina o pecador, mas abomina o seu pecado.

Trilhando o itinerário quaresmal, temos um caminho para percorrer e aprender o que significa, de fato, a misericórdia querida por Deus, para que sejamos misericordiosos como o Pai (Lc 6, 36).

Tão somente assim nossas orações se tornarão agradáveis e chegarão ao coração de Deus,  e sendo por Ele ouvidas, alcançaremos a justificação.


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp. 741-743

Quaresma: sinceridade e pureza de coração

                                                               

Quaresma: sinceridade e pureza de coração

Com a Liturgia do sábado da 3ª semana do Tempo da Quaresma, refletimos sobre a nossa proximidade com o Altar e as exigências próprias no cotidiano, e também a nossa responsabilidade diante de Deus e da Comunidade.

A vivência da verdadeira religião consiste na fidelidade aos preceitos divinos, na defesa da vida, preferencialmente a defesa dos empobrecidos.

Contemplamos na Sagrada Escritura que Deus está sempre pronto para escutar e intervir na defesa dos empobrecidos, e por isto, a oração destes chega sempre aos Seus ouvidos e não fica sem resposta, como vemos na passagem do Livro do Eclesiástico (Eclo 35,15b-17.20-22a).

A proximidade do Altar pede confiança, generosidade, gratuidade, simplicidade, coerência e entrega da própria vida no bom combate da fé, como fez o Apóstolo Paulo (2Tm 4,6- 8.16-18).

Trilhando com coragem o caminho da fé e do discipulado, Paulo tornou-se para nós modelo de crente, que nos leva a duas atitudes: reconhecimento dos nossos próprios limites e a confiança na misericórdia divina contra toda autossuficiência.

Deste modo, na Parábola que encontramos na passagem do Evangelho, Jesus revela o rosto misericordioso de Deus, por aqueles que se reconhecem pecadores, de modo que a humildade acompanhada da confiança na misericórdia de Deus nos permite ser melhores.

Deus não Se preocupa tanto com nossos pecados, mas com a autenticidade de nossa amizade com Ele: quanto mais amigos d’Ele formos, menos pecadores o seremos!

“Tende compaixão de mim porque sou pecador” (Lc 18,9-14) há de ser nossa suplica diante de Deus. De modo poético, diz Santo Agostinho, referindo-se se ao pecador público nesta passagem mencionada: “... o remorso o afastava, mas a piedade o aproximava; o remorso o rebaixava; mas a esperança o elevava”.

Se de um lado o remorso sincero dos pecados rebaixa, por outro nos aproxima e nos eleva. Lição tão difícil de aprendermos, porém indispensável...

Aprendemos que não podemos nos colocar em relação ao outro como melhor, superior, perfeito... A atitude de pequenez, para que se possa ser justificado e alcançar a misericórdia, o amor e a bondade de Deus é mais do que desejável:

“Hoje a suficiência farisaica não é mais a observância de uma lei: toma outro nome. Em muitos ela é a convicção de que o homem pode salvar-se como homem, apelando unicamente para os seus recursos.

O homem salva o homem mediante a ciência, a política, a arte... é por isso mais do que nunca necessário que os cristãos anunciem ao mundo Cristo como Salvador. A Salvação que Ele traz não se opõe a salvação humana, mas a conduz à plenitude.

Com a celebração dos Sacramentos, especialmente da Eucaristia, os cristãos dão testemunho da necessidade da intervenção divina na vida do homem, põem-se sob a ação do Deus presente, com Seu Espírito, e fazem a experiência privilegiada da justificação obtida mediante a fé em Jesus Cristo.

Devem, por isso, estar continuamente vigilantes para não participarem dos Sacramentos com espírito farisaico”. (1)

A proximidade do Altar não significa que haja proximidade com Deus, e aqui o perigo que a Parábola revela: uma boa dose dos sentimentos do publicano, nos levará a menor farisaísmo e orações mais autênticas que agradarão ao Senhor.

Vivendo o fecundo Tempo Quaresmal, firmemos os passos na caminhada de fé, no “bom combate da fé”, alimentados pela verdadeira atitude orante.

Sintamos a presença de Jesus que caminha ao nosso lado e a glória de Deus será elevada, verdadeiramente, se não separamos o culto da vida.

Deste modo, podemos afirmar que quanto mais próximos do Altar, maior será a exigência de Deus para conosco!

(1) - Missal Dominical - Editora Paulus - pág. 1276

Misericórdia vivida, eternidade alcançada

                                                           


Misericórdia vivida, eternidade alcançada

Vivendo o Tempo da Quaresma, sejamos iluminados por um dos Sermões do Bispo São Gregório de Nazianzo (Séc. VI), sobre a prática da caridade.

“Diz a Escritura: Bem-Aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia (Mt 5,7). 

A misericórdia não é certamente a última das Bem-Aventuranças. Lemos também: Feliz de quem pensa no pobre e no fraco (Sl 40,2). E ainda: Feliz o homem caridoso e prestativo (Sl 111,5). E noutro lugar: O justo é generoso e dá esmola (Sl 36,26). 

Tornemo-nos dignos destas Bênçãos, de sermos chamados misericordiosos e cheios de bondade.

Nem sequer à noite interrompa a tua prática da misericórdia. Não digas: ‘Vai e depois volta, amanhã te darei o que pedes’. Nada se deve interpor entre a tua resolução e o bem que vais fazer. Só a prática do bem não admite adiamento.

Reparte o teu pão com o faminto, acolhe em tua casa os pobres e peregrinos (Is 58,7), com alegria e presteza. Quem se dedica às obras de misericórdia, diz o Apóstolo, faça-o com alegria (Rm 12,8). 

Essa presteza e solicitude duplicarão a recompensa da tua dádiva. Mas o que é dado com tristeza e de má vontade não se torna agradável nem é digno.

Devemos alegrar-nos, e não entristecer-nos, quando prestamos algum benefício. Diz a Escritura: Se quebrares as cadeias injustas e desligares as amarras do jugo (Is 58,6), isto é, da avareza e das discriminações, das suspeitas e das murmurações, que acontecerá?

A tua recompensa será grande e admirável! Então, brilhará tua luz como a aurora e tua saúde há de recuperar-se mais depressa (Is 58,8). E quem há que não deseje a luz e a saúde?

Por isso, se me julgais digno de alguma atenção, vós, servidores de Cristo, Seus irmãos e coerdeiros, em todas as ocasiões visitemos a Cristo, alimentemos a Cristo, tratemos as feridas de Cristo, vistamos a Cristo, acolhamos a Cristo, honremos a Cristo; não apenas oferecendo-lhe uma refeição, como fizeram alguns, não apenas ungindo-O com perfumes como Maria, não apenas dando-lhe o sepulcro como José de Arimateia, não apenas dando o necessário para o sepultamento como Nicodemos que dava a Cristo só uma parte do seu amor, nem, finalmente, oferecendo ouro, incenso e mira, como fizeram os magos, antes de todos esses. 

O Senhor do universo quer a misericórdia e não o sacrifício, e a compaixão tem muito maior valor que milhares de cordeiros gordos. 

Ofereçamos a misericórdia e a compaixão na pessoa dos pobres que hoje na terra são humilhados, de modo que, ao deixarmos este mundo, eles nos recebam nas moradas eternas, juntamente com o próprio Cristo nosso Senhor, a quem seja dada a glória pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Urge a vivência da caridade, de modo que sirvamos a Cristo na pessoa dos empobrecidos, com os quais Ele Se identificou, como tão bem é expresso na passagem do  Evangelho de São Mateus sobre o último julgamento a que todos seremos submetidos diante do Senhor (Mt 25, 31-46)

Vivamos mais intensamente a caridade e a solidariedade para com o próximo, pois somente o amor a Deus, vivido concretamente para com o próximo, é que nos possibilitará o encontro definitivo e eterno com o Pai. 

Jesus não apenas mostrou o caminho, mas Se fez o próprio Caminho.
Como Jesus nos ensinou nos Evangelhos, é preciso dar primazia ao amor, amando a Deus e se consagrando totalmente a Ele, amando, inseparavelmente ao próximo como a si mesmo.

Nisto constitui dois eixos da religião que agrada a Deus, de modo que tudo o mais será complemento e terá valor relativo. 

É sempre possível que, com muita facilidade, no caminho para Deus, o ser humano embrenhe por atalhos, abandonando a estrada principal, empobrecendo tristemente, porque deixa de lado o caminho do amor a Deus e ao próximo. 

Somente o caminho do amor poderá nos levar ao destino que esperamos: a eternidade, o encontro com Deus Uno e Trino. 


(1) Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - página 236-237

Quaresma: levedados pelo fermento do amor

                                                    


Quaresma: levedados pelo fermento do amor

“Meu Deus, tende compaixão de mim,
que sou pecador” (Lc 18,13)

No sábado da 3ª semana do Tempo da Quaresma, a Liturgia nos apresenta a conhecida passagem da Parábola sobre a oração do fariseu e do publicano, no templo (Lc 18,9-14).

Vejamos o que nos diz o Comentário do Missal Dominical sobre um e outro:

“O fariseu diz a verdade, quando fala da sua fidelidade à Lei, em si mesma louvável. Por seu lado, o publicano é um pecador público; pelo seu ofício poder-se-ia dizer que vive ou enriquece, tal como Zaqueu – espremendo os seus concidadãos sobre quem recai o peso dos impostos para os invasores.”.

O que os diferencia é a atitude que têm diante da misericórdia divina; duas concepções distintas de religião:

“Mas o primeiro (o publicano) não só ‘batia no peito’, apelando humildemente para a misericórdia divina. Estas personagens, descritas com traços deliberadamente exagerados, encarnam duas concepções opostas de Deus e, por conseguinte, dois tipos de religião”.

A constatação de que a santidade é graça que nos vem de Deus, porque tão somente Deus é santo, e por meio do Seu Filho, nos vem graça e santificação:

“Só Deus é Santo. Se somos justos, é n’Ele e por Ele, não pelos nossos méritos”.

Deste modo, a Igreja é uma realidade santa e pecadora: santa, porque tem Jesus como seu divino fundamento; pecadora, porque formada de pecadores por Ele perdoados:

“A Igreja é uma comunidade de pecadores perdoados que dá graças pela Salvação obtida por Cristo e pelo dom do Espírito de santidade”.

Daqui decorre uma súplica do comentário, que temos que fazer constantemente por toda a Igreja, da qual somos membros pela graça do batismo:

“Que o Senhor guarde os Seus discípulos do farisaísmo que constantemente os ataca”.

Oremos:

Livrai-nos Senhor, do fermento do farisaísmo, e que sejamos levedados pelo fermento do Vosso amor, para amar como amastes a Deus e ao nosso próximo, na prática dos Mandamentos inseparáveis que nos destes, e sabemos que tão somente assim somos justificados e nossa oração Vos será sempre agradável. Amém.



PS: Citações extraídas do Missal Quotidiano, Dominical e Ferial – Editora Paulus – Lisboa –p.2145 

sexta-feira, 28 de março de 2025

Em poucas palavras...

 


Os Dez Mandamentos

“A Lei antiga é o primeiro estádio da lei revelada. As suas prescrições morais estão compendiadas nos Dez Mandamentos.

Os preceitos do Decálogo assentam os alicerces da vocação do homem, feito à imagem de Deus: proíbem o que é contrário ao amor de Deus e do próximo e prescrevem o que lhe é essencial.

O Decálogo é uma luz oferecida à consciência de todo o homem, para lhe manifestar o apelo e os caminhos de Deus e o proteger contra o mal: Deus «escreveu nas tábuas da Lei o que os homens não fiam nos seus corações» (Santo Agostinho)” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.1962

Em poucas palavras...

                                                       


Os Mandamentos não se separam

“O Decálogo forma um todo indissociável. Cada «Palavra» remete para cada uma das outras e para todas; elas condicionam-se reciprocamente.

As duas «tábuas» esclarecem-se mutuamente; formam uma unidade orgânica. Transgredir um mandamento é infringir todos os outros (Tg 2,10-11).

Não é possível honrar a outrem sem louvar a Deus seu criador; nem se pode adorar a Deus sem amar todos os homens, suas criaturas. O Decálogo unifica a vida teologal e a vida social do homem.” (1)

 

 

(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafo n. 2069

Quaresma: Vivamos o Novo Mandamento do Amor

                                                          

Quaresma: Vivamos o Novo Mandamento do Amor

Ouvimos, na Liturgia da sexta-feira da 3ª semana do Tempo da Quaresma, a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 12,28b-34).

Voltemo-nos a uma passagem do Antigo Testamento (Dt 32,15-24.30-34), que retrata o retorno de Moisés do cume da montanha, trazendo em suas mãos as duas Tábuas da Aliança, escritas de ambos os lados, como obra de Deus.

As Tábuas trazidas por Moisés, o Decálogo, eram o  coração da Aliança no Sinai; uma síntese da Lei e são como “balizas” para a nossa vida, nossa conduta e atitudes em relação a Deus e ao próximo.

Como “sinais de trânsito”, asseguram o percurso para a liberdade e vida verdadeira: “A formulação das Dez Palavras, na sua maioria negativas, varia na extensão: mais ampla a que diz respeito á relação com Deus; muito concisa a que concerne a relação com o próximo” (1)

Mas, esta Lei não é uma imposição externa, pois se trata de Dez Palavras de vida: “É um caminho traçado, diante de nós e dentro de nós, para guardarmos e saborearmos as belezas da vida” (2).

A Aliança do Povo com Deus implica em obrigações fundamentais diante d'Ele, e elas são sintetizadas nos Dez Mandamentos para que não volte à velha escravidão e opressão da qual o Senhor os libertou, pois Deus quer ser adorado por um Povo livre e feliz.

A maior parte dos Mandamentos, de outro lado, assegura relações comunitárias e fraternas, sem egoísmo e cobiça.

Sendo o Senhor dono do templo, deveria receber toda adoração, e não se poderia adorar os ídolos que O substituiria e levaria o Povo para nova escravidão: egoísmo, autossuficiência, injustiça, comodismo, paixões, cobiça, exploração.

Curvar-se-ia diante de outros “deuses”: dinheiro, poder, afetos humanos, realização profissional, reconhecimento social, interesses egoístas, valores da moda e ideologias que se contrapõem a Lei do Senhor.

Portanto, a Lei exerce uma função fundamental para que não se caia em nova escravidão, como fora experimentada no Egito: “A Lei é a Palavra que estabelece a relação entre nós e o Senhor, uma Palavra que não nos limitaremos a cumprir exteriormente, mas que escutaremos e compreenderemos com uma participação intensa do coração” (3).

Voltando à passagem do Evangelho, Jesus sintetizou os Mandamentos em dois: “E Jesus respondeu-lhe: O primeiro de todos os mandamentos é: Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor. Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento, e de todas as tuas forças; este é o primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Não há outro mandamento maior do que estes” (Mc 12, 29-31).

Segundo o Bispo Santo Agostinho: “Esses dois Preceitos devem ser sempre lembrados, meditados, conservados na memória, praticados, cumpridos. O amor de Deus ocupa o primeiro lugar na ordem dos Preceitos, mas o amor do próximo ocupa o primeiro lugar na ordem da execução. Pois, quem te deu esse duplo preceito do amor não podia ordenar-te amar primeiro ao próximo e depois a Deus, mas primeiramente a Deus e depois ao próximo”.

Concluindo, o Papa Bento XVI, em sua Encíclica “Deus caritas est”, assim afirmou: “O amor ao próximo é também uma estrada que conduz a Deus. Não amar o próximo é tornar-se míope de Deus”.

Reflitamos:

 -   Como vivemos os Dez Mandamentos da Lei de Deus?
 -   De que modo amamos e servimos ao Deus Vivo e Verdadeiro?

 -   Existe algum ídolo que nos afasta deste Deus?
 -   Como é a nossa relação com Deus e com nosso próximo?

Oremos:

Ó Deus de Amor, suplicamos o Vosso Espírito Santo, Espírito de Amor, para que vivamos um amor verdadeiro, fiel, profundo e sofredor, para que mais configurados ao Vosso Filho sejamos e vivamos a fidelidade aos ensinamentos e Mandamento do Amor, curados de toda a miopia espiritual, e assim, a Trindade amar na primeira ordem dos preceitos e ao próximo em primeiro lugar na ordem da execução. Amém.



PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal
(1) Lecionário Comentado – volume I – Tempo Comum - Ed. Paulus – Lisboa – p. 793
(2) idem p. 794
(3) Idem p. 797

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