quinta-feira, 27 de março de 2025

Eterno recomeço

                                                                

Eterno recomeço

Vivemos aprendendo com as perdas, pois ainda que percamos algo valioso, haverá sempre a esperança de recuperação.

De fato, temos perdas diversas, desejáveis e indesejáveis, mas a perda mais necessária, a mais bela perda, é perder a vida por uma causa santa, a causa do Reino.

Assim vivemos, escrevendo as linhas do cotidiano, e fazendo de cada perda por amor, uma luz acesa para quem mais precisar, com discernimento e sabedoria divinas, necessárias.

Deste modo, haverá sempre sinais de esperança, e as perdas se tornarão ricos aprendizados, belas lições que poderemos fazer, acompanhadas sempre da oração.

Reflitamos sobre as múltiplas faces das perdas, que se fazem presentes em nosso dia a dia. E quando perdas doloridas vierem, tenhamos maturidade para suportá-las, revigorados e iluminados pelas virtudes divinas, num eterno recomeço. Amém. 

Enfrentar os desafios e plantar a esperança

                                                     

Enfrentar os desafios e plantar a esperança

Retomando e atualizando mais uma página do meu tempo de Missão, em Rondônia, volto-me às cartas que escrevia, habitualmente, para amigos/as da Diocese de Guarulhos.

“Enfrentar desafios, plantar a esperança, brotar a vida, florescer a alegria e comer os frutos que saciam!”

Hoje, repito estas palavras, para que continuemos plantando a esperança para ver brotar a vida, florescendo a alegria e comer os frutos que saciam, porque como ontem, embora vivamos outra realidade, os desafios nos acompanham e desafiam nossa fé e a missão de fazer florescer o melhor de Deus no mundo e no coração de cada pessoa e de nós próprios.

Semear a Boa-Nova do Jesus, pois somente Ele tem a melhor semente e é o Semeador do Pai, por excelência.

Que se multipliquem corações fecundos, e que não caiam à beira do caminho, ou terrenos pedregosos ou espinhos, não dando assim, os frutos que Deus espera não para Ele, mas para nós mesmos, como nos fala a Parábola do Semeador (Mt 13, 3-8; Mc 4,1-20).

Também devemos pedir a Deus a cura de nosso olhar, suplicar o “colírio da fé”, para vermos além das grades as estrelas que brilham e iluminam nosso céu para tornar mais firmes e seguros nossos passos na terra; ainda que a “lama” de mil nomes (corrupção, crise política, ética, econômica, moral; degradação ambiental, violação da sacralidade da vida, etc.) queira nos atolar, e nos fazer perder a esperança.

Voltar a sorrir um sorriso com matiz Pascal, crendo que a morte, a dor, o luto serão superados e nossas lágrimas serão enxugadas, pois cremos, anunciamos e testemunhamos Aquele que por nós morreu e Ressuscitou.

Cremos que o Pai O Ressuscitou, e por meio d’Ele nos enviou o Santo Espírito, para trilharmos o caminho da reconstrução do Paraíso, compromisso que se impõe a todo batizado, sem fugas, esmorecimentos com as necessárias renúncias, para a missão realizar.

Ser uma Igreja decididamente missionária, “em saída”, em estado permanente de missão, e tão somente assim ela se torna fiel à missão que o Senhor nos confiou. Peregrinos de esperança sempre. Amém. Aleluia!

Quaresma: intensificar e prolongar nossa Oração

                                                            

Quaresma: intensificar e prolongar nossa Oração

Sejamos enriquecidos pelo Tratado da Oração do Presbítero Tertuliano escrito no séc. III:

“A Oração é o sacrifício espiritual que aboliu os antigos sacrifícios.

Que importa a abundância de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. Quem vos pediu estas coisas? (Isaías 1,11)

O Evangelho nos ensina o que pede o Senhor: Está chegando a hora, diz Ele, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Deus é espírito (Jo 4,23.24), e por isso procura tais adoradores.

Nós somos verdadeiros adoradores e verdadeiros sacerdotes, quando, orando em Espírito, oferecemos o sacrifício espiritual da Oração, como oferenda digna e agradável a Deus, aquela que Ele mesmo pediu e preparou.

Esta oferenda, apresentada de coração sincero, alimentada pela fé, preparada pela verdade, íntegra e inocente, casta e sem mancha, coroada pelo amor, é a que devemos levar ao Altar de Deus, acompanhada pelo solene cortejo das boas obras, entre salmos e hinos; ela alcançará de Deus tudo o que pedimos.

Que poderia Deus negar à Oração que procede do Espírito e da verdade, se foi Ele mesmo quem assim exigiu? Todos nós lemos, ouvimos, entre salmos e hinos; ela nos alcançará de Deus tudo o que pedimos.

Nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome; e, no entanto, ainda não havia recebido de Cristo toda a sua eficácia.

Quanto maior não será, portanto, a eficácia da Oração cristã! Talvez não faça descer sobre as chamas o orvalho do Anjo, não feche a boca dos leões, não leve à refeição os camponeses famintos, não impeça milagrosamente o sofrimento, mas vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, aumenta a graça aos que sofrem com fortaleza, para que vejam com os olhos da fé a recompensa do Senhor, reservada aos que sofrem pelo nome de Deus.

Outrora a Oração fazia vir as pragas, derrotava os exércitos inimigos, impedia a chuva necessária. Agora, porém, a Oração autêntica afasta a ira de Deus, vela pelo bem dos inimigos e roga pelos perseguidores. Será para admirar, que faça cair do céu às águas, se conseguiu que de lá descessem línguas de fogo? Só a Oração vence a Deus. Mas Cristo não quis que ela servisse para fazer mal algum; quis, antes, que toda a eficácia que lhe deu fosse apenas para servir o bem.

Consequentemente, ela não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas das prisões, romper os grilhões dos inocentes. Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os peregrinos, acalma as tempestades, detém os ladrões, dá alimento aos pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé.

Oram todos os Anjos, ora toda criatura. Oram à sua maneira os animais domésticos e as feras, que dobram os joelhos. Saindo de seus estábulos ou de suas tocas, levantam os olhos para o céu e não abrem a boca em vão, fazendo vibrar o ar com seus gritos. Mesmo as aves quando levantam voo, elevam-se para o céu e, em lugar de mãos, estendem as asas em forma de cruz, dizendo algo semelhante a uma prece.

Que dizer ainda a respeito da Oração? O próprio Senhor, também, orou. A Ele honra e poder, pelos séculos dos séculos”. 

No Tempo Quaresmal, somos exortados a intensificar a Oração, como disse Tertuliano, uma oração como sacrifício espiritual que nos acompanha em toda a vida, colocando-nos em comunhão com Deus.

Oração assim não nos dispensa de compromissos, muito pelo contrário; não é a evasão do tempo presente, mas o fortalecimento necessário para transformá-lo.

Urge redescobrirmos a força da Oração que vence a Deus, que sempre solícito está aos nossos gemidos, clamores e súplicas, louvores e agradecimentos.

Reflitamos:

- Quais são os pontos que mais chamam atenção no Tratado da Oração de São Tertuliano?

- Qual o tempo que dedico à Oração?
- Oração para que e por quê?

- Qual a importância da Oração em minha vida?
- Qual o modo de Oração que mais me ajuda na intimidade com Deus?

- Acredito na eficácia, na força da Oração? 

Façamos da Oração uma elevação de nossa alma ao Mistério Absoluto; uma expressão, resposta e encontro com Deus que sempre pronto está a nos ouvir, conosco dialogar.

Por ora, a Oração é um encontro provisório com o Eterno... Um sentir-se constantemente, por Sua ternura, abraçado, para que na eternidade possamos para sempre contemplá-Lo, na certeza de que jamais nos sentimos e nunca seremos abandonados, desamparados, não amados.

Oração: Provisório abraço do Eterno,
para um dia, mergulho definitivo
na eternidade de Seu Amor! Amém.



(1) Liturgia das Horas - Volume Quaresma/Páscoa - Quinta-feira da da terceira semana da Quaresma - pág. 221-222

JMJ 2013 - Oração Oficial

 


JMJ 2013 - Oração Oficial

Ó Pai, enviaste o Teu Filho Eterno para salvar o mundo e escolheste homens e mulheres para que, por Ele, com Ele e n'Ele, proclamassem a Boa-Nova a todas as nações. Concede as graças necessárias para que brilhe no rosto de todos os jovens a alegria de serem, pela força do Espírito, os evangelizadores de que a Igreja precisa no Terceiro Milênio.

Ó Cristo, Redentor da humanidade, Tua imagem de braços abertos no alto do Corcovado acolhe todos os povos. Em Tua oferta pascal, nos conduziste pelo Espírito Santo ao encontro filial com o Pai. Os jovens, que se alimentam da Eucaristia, Te ouvem na Palavra e Te encontram no irmão, necessitam de Tua infinita misericórdia para percorrer os caminhos do mundo como discípulos-missionários da nova evangelização.

Ó Espírito Santo, Amor do Pai e do Filho, com o esplendor da Tua Verdade e com o fogo do Teu Amor, envia Tua Luz sobre todos os jovens para que, impulsionados pela Jornada Mundial da Juventude, levem aos quatro cantos do mundo a fé, a esperança e a caridade, tornando-se grandes construtores da cultura da vida e da paz e os protagonistas de um mundo novo.

Amém!

  

PS: Retomemos esta oração da Jornada Mundial da Juventude (2013-RJ) -  para que a rezemos sempre que possível, sobretudo pelos jovens e com os jovens, para que sejamos todos peregrinos da esperança, alegres discípulos missionários de Jesus.

Amados para amar

                                                     

Amados para amar
“Amai-vos uns aos outros assim
como Eu vos amei”

Senhor Deus, contemplo Vosso amor, que nos requer como seres humanos por inteiro, porque assim desejais desde o princípio ao nos criar à Sua imagem e semelhança.

Senhor Deus, fazei transbordar em nosso coração, no centro de cada pessoa, nas ideias e nas decisões, o Vosso indizível e mais que necessário amor.

Senhor Deus, amando-nos, imensuravelmente, infundi em nossa alma o Vosso amor, fonte dos afetos, dos sentimentos e das emoções, a fim de que sejamos santificados os nossos sentimentos e afetos...

Senhor Deus, conduzi-nos e ensinai-nos a amar como Vosso Filho, Jesus Cristo, que nos confirmou no amor a Vós com toda a nossa mente, sem nada para Si reter.

Senhor Deus, envolvei-nos com Vosso imenso amor, iluminai a nossa inteligência e mente, dilatando nossos pensamentos, a fim de que evitemos quaisquer resquícios de fanatismos e os entusiasmos passageiros.

Senhor Deus, que Vos amando com toda a mente, reconheçamos em Vós o Deus único, absoluto e onipotente e misericordioso, um Deus infinitamente maior do que possamos conceber.

Senhor Deus, por Vós amados, podemos Vos amar e amar nosso próximo como Jesus Cristo, Vosso Amado Filho, nos amou, e um Novo Mandamento nos deixou:

Amai-vos uns aos outros assim como Eu vos amei” (Jo 15,12).


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado – Volume II, Editora Paulus – 2011 – p. 641; Mt 22, 34-40, Mc 12,28b-34; Lc 10,25-38; 12,28-34).

Maturidade e serenidade no seguimento do Senhor

                                                      

Maturidade e serenidade no seguimento do Senhor

À luz da passagem do Evangelho da terça-feira da 14ª Semana Tempo Comum (Mt 9,32-38), refletimos sobre qual deve ser a verdadeira atitude dos discípulos de Jesus, diante de Sua ação.

Quando Jesus realiza a expulsão de um demônio, é caluniado, pois afirmam que é pelo poder do mal que Ele faz exorcismos.

Sem Se deixar abalar, Jesus simplesmente continua a Sua caminhada, preocupando-Se com o sofrimento e as dores de todos aqueles que encontra pelo caminho, fazendo o bem a todos, olhando a todos, com compaixão, preocupando-Se porque são como ovelhas que não têm pastor.

Assim também devemos ser, não devemos viver preocupados com as calúnias que nos são dirigidas, mas sim preocupados em fazer o bem.

Oportunas são as palavras do Apóstolo Pedro: “Porque melhor é que sofreis fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (1 Pd 3,17).

Existem pessoas que vivem chorando pelos cantos, por causa das ofensas e calúnias das quais são vítimas no trabalho evangelizador. A Humanidade, por vezes, se apresenta como uma multidão doente e esgotada, perante a qual, a exemplo de Jesus, precisamos nos comover até as entranhas, comprometidos com a misericórdia de Deus, bebendo do seio de Amor, de onde nascem a nossa vida e a nossa Salvação.

Todos somos chamados a participar deste desígnio, colocando nossos talentos a serviço dos que mais precisam, pois tão somente assim são multiplicados, e rendemos a Deus verdadeira adoração, em espírito e verdade.

A fidelidade ao Senhor nos pede sempre crescimento em maturidade e serenidade diante das dificuldades, provações, perseguições, calúnias e difamações, como Ele mesmo nos disse, no Sermão da Montanha:

"Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa" (Mt 5, 11). 


PS: Oportuno para reflexão da passagem do Evangelho de Lucas (Lc 11,14-23) proclamado na terceira Quinta-feira da Quaresma.

Quaresma: Deus nos liberta por meio do Filho e Seu Espírito

                                                                         

Quaresma: Deus nos liberta por meio do Filho e Seu Espírito

Na quinta-feira da 3ª semana do Tempo da Quaresma, a Liturgia nos  apresenta a passagem em que Jesus expulsou os demônios pelo dedo de Deus, anunciando a chegada do Reino (Lc 11,14-23).

Muitas dificuldades encontramos para o testemunho de uma vida cristã autêntica, porque muitas são as forças que se contrapõem ao Reino de Deus.

Entretanto, se forte e poderosa é a força demoníaca, muito mais forte e incomparável é a força de Deus atuando em cada um de nós, em permanente vigilância:

“A batalha do Messias exige uma decisão clara a favor ou contra Ele. Não é possível neutralidade alguma. Além disso, quem foi libertado da presença de Satanás não se deve julgar inatacável e completamente seguro. Sem vigilância, mesmo que se converter pode ficar pior do que antes (Hb 6,4-6).” (1)

Para que vençamos as forças satânicas, que nos fragilizam e nos desviam de uma relação sincera e amorosa com Deus e com nosso próximo, é preciso o dom da fé, para que façamos o devido discernimento da presença de Deus em nossa vida.

Ao dom da fé, se some:

- a escuta orante da Palavra de Deus, de modo especial no aprendizado do exercício da Leitura Orante, insistentemente motivado pelo Papa Francisco (leitura, meditação, Oração, contemplação e ação);

- a vivência dos Sacramentos e sua riqueza imensurável;

- uma vida litúrgica ativa, piedosa, consciente e frutuosa: participação nas Missas dominicais e feriais, e quanto mais se possa, para que sejamos nutridos pelo Pão de Imortalidade, antídoto contra todos os males.

Ressoem as palavras de Santo Inácio: “Poderia haver algo de mais admirável que este Sacramento? De fato, nenhum outro Sacramento é mais salutar do que este; nele os pecados são destruídos, crescem as virtudes e a alma é plenamente saciada de todos os dons espirituais”;

- a solidariedade concreta em favor dos que mais precisam nos revigora, e revitaliza nossos sonhos e compromissos com o Reino de Deus.

Enquanto houver uma centelha de bondade e disponibilidade dentro de nós, podemos nos empenhar contra o domínio de Satã, sobretudo se batizados e enxertados em Cristo, a Videira do Pai, deixando-nos revitalizar sempre com a Seiva do Amor do Santo Espírito, em fidelidade incondicional a Deus.

O Missal Cotidiano expressa de maneira contundente:

“Existem homens quase totalmente possuídos pelo espírito maligno, mas não temos o poder nem o direito de julgar os homens. Uma centelha de bondade e disponibilidade, portanto de contato com Cristo, pode ainda existir sob as cinzas em muitas vidas aparentemente rebeldes, egoístas e depravadas. E Jesus certamente não apagará a centelha.” (2) 

Acolhamos a Palavra do Senhor renovando sagrados compromissos com o Reino e agradecendo a Deus a sua misericórdia e paciência conosco:

“Ele não quebrará o caniço rachado, nem apagará o pavio que ainda fumega, até que leve o julgamento à vitória. E no Seu nome as nações terão esperança” (Mt 12,20-21).

Concluo com as palavras do Apóstolo Paulo:

“Mas em todas essas coisas somos bem mais que vencedores, graças Àquele que nos amou.

Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem o presente nem o futuro, nem os poderes, nem a altura nem a profundeza, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do Amor de Deus, manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 9,37-39).


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - pág.527.
(2) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.1368.

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