terça-feira, 18 de março de 2025

Brasão Episcopal de Dom Otacilio Ferreira de Lacerda (18/03)

                                                                 

Brasão Episcopal de Dom Otacilio Ferreira de Lacerda

O Brasão é composto de um escudo dividido em quatro partes, uma cruz dourada em fundo chapado azul, que representa a devoção de Dom Otacilio a Nossa Senhora do Bom Sucesso, fonte inspiradora para aceitar o chamado ao ministério episcopal. O “SIM” de Maria iluminou o “SIM” de Dom Otacilio.

Cruz dourada significa AUTORIDADE AMOROSA, como deve ser marcada a vida de um bispo.

Na parte superior do Escudo, à direita, está uma Bíblia aberta, prateada, com contorno dourado, tendo no centro uma lança ladeada das letras gregas ALFA E ÔMEGA: Cristo, o princípio e o fim da dedicação episcopal de Dom Otacilio.

À esquerda da parte superior do brasão está uma Âncora prateada que significa o Cristo que ancora a perseverança fiel de seu ministério, mesmo nos momentos de dificuldades e, ao mesmo tempo, a renovação da esperança nas promessas de Cristo, onde ancora seu coração.

Abaixo, à direita do brasão, a imagem do Cordeiro, que devido à sua candura e tolerância é símbolo de mansidão e pureza de coração, qualidades necessárias para os que estão a serviço do acolhimento dos fiéis que procuram a pessoa do Bispo, como pastor da Igreja onde ele está.

Abaixo, à esquerda, está uma Estrela, que significa “Maria, a Estrela da Nova Evangelização”, propósito claro na opção de Dom Otacilio no seu ministério episcopal.

Atrás do brasão, a Cruz em ouro simboliza o cajado do pastor, que deve continuar a Missão de Jesus Cristo, Morto e Ressuscitado, sustento e modelo do serviço pastoral que o novo Bispo deseja exercer. Na ponta da cruz-cajado, o listel com o lema de Dom Otacilio: “PARA MIM O VIVER É CRISTO” - “MIHI VIVERE CHRISTUS EST” (Fl 1,21).

Encimando o brasão está o chapéu prelatício verde, com seis borlas de cada lado, símbolo do Episcopado.

Dom Otacilio deseja transparecer em seu ministério a vida de Cristo, através da Palavra proclamada, da tradição dos Santos Padres trazidas para a experiência da vida.

A espiritualidade Paulina que inspirou seu lema, e a devoção e espiritualidade Mariana estão presentes em seu ministério e no serviço de uma Igreja missionária.

Na Eucaristia, encontra o sustento e força da presença de Cristo, experiência profunda de comunhão. 

Celebrar a graça do Ministério Episcopal (18/03)

Celebrar a graça do Ministério Episcopal
 
“Para mim o viver é Cristo” –
“Mihi vivere Christus est” (Fl 1,21)
 
Ao celebrar cada ano o Ministério Episcopal, agradeço a Deus por esta graça a mim concedida.
 
Elevo a Ele orações, com toda a Igreja, a fim de que continue me iluminando como pastor do rebanho, para que eu corresponda ao desafio de ser como um ícone vivo do Bom Pastor, com a convicção de que Deus nos chama não por causa de nossas forças, méritos, capacidades tão apenas humanas.
 
Deus nos chama bispos para sermos sinal de Sua presença, na missão de pastores, e com Ele, na plena comunhão com Seu Filho com a ação e presença do Espírito, que nos conduz e nos ilumina na realização do tríplice múnus de ensinar, santificar, governar.
 
Esta missão não é jamais um ato solitário, mas vivido na comunhão com tantos colaboradores (presbíteros, religiosos, religiosas, consagrados e consagradas, cristãos leigos e leigas).
 
Unamos nossa voz para rezar suplicando a Deus que, pastor e rebanho, vivam a plena comunhão de amor e vida, amando e seguindo o Bom Pastor, Jesus Cristo:
 
Oremos:
 
Ó Deus, nós Vos suplicamos por todos os bispos, pastores de Vossa Igreja, para que conduzam o rebanho com carinho, sabedoria, amor e zelo;
 
Apontem e se empenhem em passar pela porta estreita da Salvação, que é a Cruz onde Vosso Filho deu a Sua vida por nós;
 
Carreguem a cruz de cada dia, tomando sempre consciência da missão que Vós confiastes;
 
Tenham consciência e testemunhem, que foram chamados não pelos méritos, mas porque assim  Vós quisestes;
 
Guiados pelo Espírito, sejam uma voz a iluminar e conduzir, por caminhos que levem à construção de uma nova civilização do amor, com vida plena e feliz para todos. Amém!

O perdão vivido recria vínculos fraternos (10/03)


O perdão vivido recria vínculos fraternos

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35), que nos fala sobre a prática do perdão, presente nos relacionamentos fraternos, dentro e fora da Comunidade.

Assim nos falou o Apóstolo Paulo sobre a vivência da caridade, como pleno cumprimento da Lei: “Não devais nada a ninguém. A não ser o amor mútuo, pois quem ama o outro cumpriu a Lei.” (Rm 13,8).

De fato, há uma dívida que todos somos mais ou menos insolventes: a dívida do amor recíproco:

“Deveríamos preocupar-nos verdadeiramente com isto. Por isto sentimos que é para nós a exortação de Paulo, que apela a que vivamos o ‘amor mútuo’. Amar é entregar-se totalmente a um outro, é passar da lógica consumista do ‘tu és meu’, para a oblativa do ‘eu sou para ti’: uma experiência a que não é possível colocar limites” (1)

Mas para viver este amor a um outro (próximo) é preciso sentir-se amado por Deus, o totalmente Outro, que nos ama e quer que o mesmo façamos:  “Dou-vos um Mandamento novo: que vos ameis uns aos outros como Eu vos amei” (Jo 13,34).

Sentir-se amado por Deus leva-nos ao empenho de correspondência ao Seu amor, e isto se dá concretamente na restituição do amor na caridade fraterna, corrigindo e permitindo que sejamos corrigidos, sem marcas de presunção, rivalidade ou despeito.

Vejamos o que nos diz o Lecionário Comentado:

“Não podemos estar em relação com a infinita riqueza de Deus se não estivermos em relação com a pobreza do irmão” (2)

Somos encorajados a viver como reconciliados; empenhados na busca da paz, ajudando-nos e deixando-nos ajudar, de modo a criar vínculos mais sólidos e fraternos na comunidade em que participamos:

“Preocupemo-nos em deixar este mundo depois de termos desatado ou ajudado a desatar todos os vínculos, então as portas do Céu abri-se-ão para nós (Mt 18,18)” (3).

Oportunas são as palavras do Bispo Santo Agostinho (séc. IV), que aplicou exatamente à correção fraterna as palavras do Apóstolo Paulo sobre a caridade: 

“Ama e faze o que queres. Seja que cales, cala por amor, seja que fales, fala por amor; seja que corrijas, corrige por amor; seja que perdoes, perdoa o amor. Esteja em ti a raiz do amor, porque desta raiz não pode nascer outra coisa a não ser o bem”.

Sendo assim, que Deus nos conceda coração e espírito novos, para nos tornarmos mais sensíveis ao nosso próximo, no pleno cumprimento da Lei, o Mandamento do Amor, que consiste no compêndio de toda a Lei.

Supliquemos a Ele, para que jamais desistamos deste aprendizado, desta difícil e revitalizante expressão de amor, que sabe corrigir sem desencorajar e lutar sem ofender.

De fato, na escola do Divino Mestre do Amor, somos todos eternos aprendizes. Há muito que aprender, sem cansaços, recuos e desistências.

Somente deste modo, não veremos o perdão como a fraqueza de quem não sabe fazer valer as suas razões, mas como a novidade que rompe as cadeias, que tornam a pessoa amarrada a si mesma (4).

  
(1)  Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa -  p.281.
(2)  Idem – p. 157
(3)  Idem - p.284.
(4)  Idem – p. 158

“Dai Graças ao Senhor” (18/03)

                                                                     

“Dai Graças ao Senhor”                                                                   
“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom!
‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1)

Com estas palavras do Salmista, faço um breve agradecimento...

Dou graças ao Senhor pelo Sacramento da Ordenação Episcopal hoje recebido.

Dou graças ao Senhor pela minha nomeação para Bispo da Igreja, feita pelo nosso querido Papa Francisco, no dia 21 de dezembro do ano passado.

Dou graças ao Senhor pelos Bispos Ordenantes, Dom Walmor Oliveira Azevedo e Dom Edmilson Amador Caetano e Dom Emílio Pignoli. O primeiro, por ser o Arcebispo que me acolherá como Bispo auxiliar em Belo Horizonte – MG; o segundo, por ser o atual Bispo da Diocese em que fui Ordenado Presbítero; e o terceiro, Dom Emílio Pignoli, Bispo da Diocese de Mogi das Cruzes, quando Guarulhos pertencia a esta Diocese.

Dou graças ao Senhor por todos os Bispos aqui concelebrando, ou unidos conosco em oração.

Dou graças ao Senhor pelo Presbitério da Diocese de Guarulhos e da Arquidiocese de Belo Horizonte, pois é inconcebível a realização presbiteral como se fosse uma ilha no desafiador mar da história.

Dou graças ao Senhor pela Arquidiocese de Aparecida, nas pessoas de Dom Raymundo Damasceno e Dom Orlando Brandes, que abriram as portas e o coração deste Santuário Nacional do Brasil, para a realização da minha Ordenação Episcopal, certos de que atenderam ao desejo e à atitude de nossa querida Mãe, que sempre abre a porta de sua casa para seus filhos e filhas.

Dou graças ao Senhor pela Diocese de Ji-Paraná, onde fui acolhido por três anos pelo Bispo Dom Antonio Possamai. Foi um tempo fecundo e marcante para o meu Ministério Presbiteral.

Dou graças ao Senhor pela presença dos religiosos e religiosas e seminaristas, que fizeram parte desta história, com a oração e a comunhão vivida nos diversos trabalhos pastorais.

Dou graças ao Senhor pela presença e participação de cristãos leigos e leigas, com os quais tivemos a graça e a coragem de lançar redes em águas mais profundas.

Dou graças ao Senhor pelos amigos e amigas que Deus me concedeu ao longo destes anos, e que haverão de permanecer e somar com muitos outros que Deus, com certeza, em Sua infinita misericórdia, haverá de me conceder.

Dou graças ao Senhor por todos aqueles que fizeram parte da minha história, e que estão no descanso e na luz eterna: bispos, padres e tantos irmãos e irmãs que poderiam ser lembrados.

Dou graças ao Senhor por todas as Equipes, sem nenhuma omissão, por todas as pessoas que não mediram esforços para a beleza e a harmonia deste acontecimento, fazendo reluzir o esplendor da Sagrada Liturgia.

Finalmente, dou graças ao Senhor pela minha família, santuário da vida e berço das vocações. Sou agradecido a Deus pelos meus pais, já na glória de Deus, por terem plantado a semente da fé no dia do meu batismo, e por terem me transmitido os mais belos e sagrados ensinamentos, que têm como fonte a Sagrada Escritura, e na sadia religiosidade, como pude testemunhar, na devoção a Nossa Senhora, e, de modo especialíssimo, Nossa Senhora da Conceição de Aparecida, desde a minha concepção e nascimento.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! ‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1), mais uma vez repito, pedindo perdão se me esqueci de fazer menção a alguém, e ainda que o tenha feito, jamais serão omitidos e esquecidos por Deus, mas ricamente recompensados.

Peço que orem, incessantemente, para que, no exercício do Ministério, eu tenha graça, sabedoria e luz para viver o Lema Episcopal que escolhi: “Mihi vivere Christus (est)” – “Para mim o viver é Cristo” – (Fl 1,21), sendo um eterno aprendiz do “sim” que um dia Maria deu ao anjo no Anúncio da Encarnação do Verbo, que Se fez Carne e habitou entre nós.

“Dai graças ao Senhor, porque Ele é bom! ‘Eterna é a Sua misericórdia!’” (Sl 117,1).
Muito obrigado! E que, pela intercessão de nossa querida Mãe Aparecida, o Senhor nosso Deus cumule a todos de bênçãos e graças.



PS: Mensagem de agradecimento ao final da minha Ordenação Episcopal, no dia 18 de março de 2017, no Santuário Nacional de Aparecida.  

A graça do segundo ano de Ministério Episcopal (18/03)

A graça do segundo ano de Ministério Episcopal

“Para mim o viver é Cristo” (Fl 1, 21)

Glorificando a Deus pelo segundo ano de Ministério Episcopal, retomo as palavras do Apóstolo Paulo, para expressar meu carinho e gratidão à Diocese de Guarulhos, pela minha história escrita, da qual o povo de Deus desta cidade teve e tem grande participação: “Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor” (Fl 4,1).

Alargando os horizontes do meu amor pela Igreja, desenvolvo o meu ministério como Bispo Auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte – MG, que conta com aproximadamente cinco milhões de habitantes; quase trezentas Paróquias; quatro Regiões Pastorais e uma Região de missão; trinta Foranias; com setecentos presbíteros; além de um imenso número de religiosos, religiosas, cristãos leigos e leigas, que vou conhecendo cada vez mais, e animando-os na caminhada de fé.

Diante das comunidades, nas Missas que presido (feriais, dominicais, Crismas, Ordenações, Festas de Padroeiros); nos diversos encontros de formação; reuniões de encaminhamentos pastorais, de modo especial no acompanhamento das Pastorais Sociais da Arquidiocese, sinto o carinho do Povo de Deus, que procura na pessoa do Bispo a Pessoa de Jesus Cristo.

Ser Bispo tem sido para mim a graça de cuidar do rebanho como pai, amigo e pastor, animando e corrigindo, quando necessário; estreitando laços de conhecimento de novas pessoas, novas experiências.

Nesta nova realidade, com os desafios acentuados pelo momento nacional de incertezas no âmbito da política; alguns com pouca esperança ou crédito no mundo da política; com a diminuição e esfriamento da chama da profecia no coração de alguns, me empenho na missão evangelizadora, buscando ser um instrumento de ânimo e encorajamento na caminhada de todos, pois, é na adversidade, sobretudo, que devemos dar razão de nossa esperança e multiplicar espaços e grupos de reflexão, para que não nos evadamos do sagrado compromisso da construção do Reino, que passa, necessariamente, pela vivência da caridade, e a Igreja nos ensina que a política, no seu sentido mais autêntico, é a sublime expressão da caridade.

Concluo assegurando minhas orações pela Diocese Guarulhos, que completa 38 anos de existência, para que continue, com amor, zelo e alegria, proclamando a Palavra de Deus nesta Cidade, e ao mesmo tempo, peço que rezem por mim, para que, no cumprimento do ministério, eu seja fiel no tríplice múnus de santificar, ensinar e governar a Igreja, dando sentido ao meu Lema Episcopal, que deve guiar a minha vida e ação como bispo da Igreja: “Para mim o viver é Cristo” (Fl 1,21).

Rogo à Virgem Maria, sob o título de nossa Senhora da Piedade, Padroeira de Minas Gerais, que abençoe a todos, para que permaneçamos firmes no Senhor.


PS: Escrito em 18/3/2019, quando celebrei o segundo ano de Ministério Episcopal.

segunda-feira, 17 de março de 2025

“Mulher e Homem: Imagem de Deus” (CF 90) (08/03)

                                                       

           “Mulher e Homem: Imagem de Deus”

Com vistas ao Dia Internacional da Mulher (08/03), retomo a Campanha da Fraternidade de 1990, que teve como tema: "Fraternidade e a Mulher"; e como lema: "Mulher e Homem: Imagem de Deus".

O Objetivo Geral:

Conscientizar que mulher e homem juntos são imagem de Deus e que Deus entregou a criação a todos. Ajudar a ver como, na realidade, a mulher não é reconhecida e tratada como igual ao homem.


Enfocar a vocação inicial da mulher e do homem: construir juntos uma nova sociedade.

A oração:


Creio em DEUS-PAI
- que criou Mulher e Homem à Sua imagem,
entregou aos dois o cuidado pelo mundo
e viu que isto era muito bom;
- que pediu o consentimento de uma Mulher
para realizar Sua obra de Salvação.
 
Creio em JESUS
Filho de Deus,
nascido de uma Mulher,
- que escutava e valorizava as mulheres
e as protegia contra os homens acusadores;
- que tinha mulheres discípulas
que O seguiam e O serviam;
- que apareceu primeiro a Maria Madalena e às mulheres
e as enviou para transmitir
a Boa-nova da Ressurreição aos discípulos.
 
Creio no ESPÍRITO SANTO,
Sopro e princípio da vida,
- que foi derramado sobre mulheres e homens
no dia de Pentecostes
- e que anima a comunidade da Igreja em direção
à igualdade, pois todos, mulheres e homens,
são UM EM CRISTO

A parábola do servo sem compaixão (10/03)

 


A parábola do servo sem compaixão

 

Aprofundando a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 18,21-35); voltemo-nos para a Bula Misericordiae Vultus”, do Papa Francisco, quando da declaração do Ano da Misericórdia (08/12/15 - 20/11/16). 

“Temos depois outra parábola da qual tiramos uma lição para o nosso estilo de vida cristã.

Interpelado pela pergunta de Pedro sobre quantas vezes fosse necessário perdoar, Jesus respondeu: «Não te digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete» (Mt 18, 22) e contou a parábola do «servo sem compaixão».

Este, convidado pelo senhor a devolver uma grande quantia, suplica-lhe de joelhos e o senhor perdoa-lhe a dívida. Mas, imediatamente depois, encontra outro servo como ele, que lhe devia poucos centésimos; este suplica-lhe de joelhos que tenha piedade, mas aquele recusa-se e fá-lo meter na prisão.

Então o senhor, tendo sabido do fato, zanga-se muito e, convocando aquele servo, diz-lhe: «Não devias também ter piedade do teu companheiro, como eu tive de ti?» (Mt 18, 33). E Jesus concluiu: «Assim procederá convosco meu Pai celeste, se cada um de vós não perdoar ao seu irmão do íntimo do coração» (Mt 18, 35).

A parábola contém um ensinamento profundo para cada um de nós. Jesus declara que a misericórdia não é apenas o agir do Pai, mas torna-se o critério para individuar quem são os Seus verdadeiros filhos.

Em suma, somos chamados a viver de misericórdia, porque, primeiro, foi usada misericórdia para conosco. O perdão das ofensas torna-se a expressão mais evidente do amor misericordioso e, para nós cristãos, é um imperativo de que não podemos prescindir.

Tantas vezes, como parece difícil perdoar! E, no entanto, o perdão é o instrumento colocado nas nossas frágeis mãos para alcançar a serenidade do coração.

Deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz. Acolhamos, pois, a exortação do Apóstolo: «Que o sol não se ponha sobre o vosso ressentimento» (Ef 4, 26). E sobretudo escutemos a palavra de Jesus que colocou a misericórdia como um ideal de vida e como critério de credibilidade para a nossa fé: «Felizes os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia» (Mt 5, 7) é a bem-aventurança a que devemos inspirar-nos, com particular empenho, neste Ano Santo.

Na Sagrada Escritura, como se vê, a misericórdia é a palavra-chave para indicar o agir de Deus para conosco. Ele não Se limita a afirmar o Seu amor, mas torna-o visível e palpável. Aliás, o amor nunca poderia ser uma palavra abstrata. Por sua própria natureza, é vida concreta: intenções, atitudes, comportamentos que se verificam na atividade de todos os dias.

A misericórdia de Deus é a Sua responsabilidade por nós. Ele sente-Se responsável, isto é, deseja o nosso bem e quer ver-nos felizes, cheios de alegria e serenos. E, em sintonia com isto, se deve orientar o amor misericordioso dos cristãos. Tal como ama o Pai, assim também amam os filhos. Tal como Ele é misericordioso, assim somos chamados também nós a ser misericordiosos uns para com os outros.”

Contemplamos a misericórdia divina através da parábola, em que Jesus nos apresenta a pergunta de Pedro, sobre quantas vezes se deve perdoar um irmão: deve-se perdoar setenta vezes sete, ou seja, o perdão se expressa em plenitude ilimitada.

Jesus, de fato, é o rosto da misericórdia divina:

“Jesus Cristo é o rosto da misericórdia do Pai. O mistério da fé cristã parece encontrar nestas palavras a sua síntese. Tal misericórdia tornou-se viva, visível e atingiu o seu clímax em Jesus de Nazaré” (Misericodiae vultus” – Papa Francisco).

Sejam nossas comunidades lugar do aprendizado e da vivência do perdão, que deverá ser vivido em todos os âmbitos e em todo o tempo, como sinal do Reino de Deus.

 

PS: A dívida do servo perdoado era exorbitante (10.000 talentos; sendo que um talento equivale a 6000 denários; 1 denário equivalente a um dia de trabalho). Seriam necessários mais de 165.000  anos para pagamento de sua dívida. De outro lado, a dívida não perdoada por ele em relação ao seu devedor era de apenas 100 denários, ou seja, menos de um terço de dias de trabalho de um ano: conclusão – de fato, o amor de Deus por nós é pleno e ilimitado (exorbitante). De acordo com a nota da Bíblia de Jerusalém, 10.000 talentos equivale a 174 toneladas de ouro; 100 denários a 0,30 gramas de ouro.

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG