quarta-feira, 5 de março de 2025

Uma súplica à luz das virtudes cardeais

 


Uma súplica à luz das virtudes cardeais
 
Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos
são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8, 7).
 
Nesta Quaresma, seja nossa vida conduzida pelas virtudes cardeais, fortalecendo os passos no frutuoso caminho penitencial de conversão, de reconciliação com Deus e com os irmãos, e tão somente assim, participaremos da construção de uma autêntica cultura de vida e de paz, vendo no outro o nosso irmão: “Vós sois todos irmãos” (cf. Mt 23,8).
 
Oremos:
 
Senhor, como discípulos missionários Vossos, queremos viver intensamente o itinerário quaresmal, e  cada vez mais configurados a Vós, e com mesmos sentimentos (Fl 2,5), com as renúncias necessárias para carregar nossa cruz de cada dia.
 
Senhor, ajudai-nos em nosso aperfeiçoamento e crescimento espiritual, fazendo progressos ainda maiores neste Tempo da Quaresma, assim como em todo o tempo, orientando nossas vida e atitudes pelas virtudes cardeais da Prudência, Justiça, Fortaleza e Temperança.
 
Senhor, ajudai-nos a viver a virtude cardeal da Prudência, para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e escolher os justos meios de o atingir, pois “O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15); e como nos falou Vosso Apóstolo -  “Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pd 4, 7); e não permitais que confundamos a prudência com a timidez ou o medo, a duplicidade ou dissimulação.
 
Senhor, ajudai-nos a viver a virtude cardeal da  Justiça, com a firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhe é devido, no respeito dos direitos de cada pessoa e a estabelecer, nas relações humanas, e a harmonia que promove a equidade na promoção do  bem comum.
 
Senhor, ajudai-nos a viver a virtude cardeal da  Fortaleza, para que em meio às dificuldades, tenhamos firmeza e constância na realização do bem, resistindo  resistir às tentações, com o firme propósito de superação de todos os obstáculos, vencendo todo o medo, mesmo da morte, e enfrentar todas as provações e possíveis perseguições, com a confiança do Salmista - “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14); e como nos falou Vosso Apóstolo -  “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).
 
Senhor, ajudai-nos a viver a virtude cardeal da  Temperança, a fim de que moderemos a atração dos prazeres, a fim de que tenhamos o equilíbrio no uso dos bens criados; com o domínio da vontade sobre os instintos, bem como desejos dentro dos limites da honestidade, não nos deixando conduzir pelas paixões do coração, conforme as Palavras do Apóstolo, vivamos com “...moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).
 
Senhor, enviai Vosso Espírito para que aprendamos que “Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)”  (Santo Agostinho). Amém.
 
 
Fonte: Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1805-1809),
 

Em poucas palavras...

                                                    


A penitência favorece a comunhão fraterna

“O fato de serem crentes, membros da mesma Igreja, não suprime as contradições humanas, não elimina os contrastes, não resolve as contestações.

A Igreja, contudo, ajuda a viver as contradições no amor, reúne à mesma mesa pessoas divididas pelas ideias, ensina a recorrer à penitência quando não se é capaz de controlar os próprios sentimentos.”

 

1) Comentário do Missal Cotidiano (pág. 182), sobre a passagem do Livro do Levítico (Lc 19,1-2.11-18)

A verdadeira Oração

                                                        

A verdadeira Oração

Na passagem do Evangelho (Mc 7,24-30), temos a súplica da mulher pagã que se dirige a Jesus pedindo que Ele libertasse sua filha possuída por um espírito impuro.

Jesus, depois da súplica insistente da mulher, realizou o que ela pedira, mandando que esta voltasse para casa, pois o demônio já havia saído de sua filha: “Ela voltou para casa e encontrou sua filha deitada na cama, pois o demônio já havia saído dela” (Mc 7, 30).

A súplica desta mulher nos ensina como deve ser a verdadeira Oração: expressão de fé; feita com humildade, acompanhado de perseverança e confiança.

O bispo Santo Agostinho (séc. IV) nos ensina que se nossa Oração não for escutada deve-se a três razões:

- primeiro, porque não somos bons, nos falta pureza no coração ou retidão na intenção;
- porque pedimos mal, sem fé, sem perseverança, sem humildade.
- ou porque pedimos coisas más, isto é, o que não nos convém, o que nos pode fazer mal ou desviar-nos do nosso caminho. (1)

A Oração não é eficaz quando não é verdadeira Oração, mas quando verdadeira ela será infalivelmente eficaz, como afirmou São Tomás de Aquino (séc XIII), porque Deus nunca se desdiz e decretou que o fosse. (2)

Sendo a Quaresma tempo favorável de nossa salvação, somos convidados pela Igreja a intensificar e prolongar nosso tempo de Oração, acompanhado de jejum e expresso em gestos concretos através da esmola (solidariedade).

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V), que nos ajuda neste aprofundamento:

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

Que nossa Quaresma seja marcada então pela verdadeira Oração, que aprendemos com a mulher pagã e com a Tradição da Igreja, com seus imprescindíveis ensinamentos, e assim nossa Oração será a expressão de nossa fé, que busca um sincero diálogo com Deus, e nossas súplicas, feitas com humildade e confiança, e de coração puro e sincero, saberemos o que pedir, e Deus, no seu tempo, saberá como e quando nos atender.

1 - cf. Santo Agostinho, Sobre o sermão do Senhor no monte, II, 27, 73)
2 - cf. São Tomás, Suma Teológica, 2-2, q. 83, a. 2.

Quaresma: "Deus merece que sejamos melhores"

Quaresma: "Deus merece que sejamos melhores"

“Agora, diz o Senhor, voltai para mim com todo o
vosso coração, com jejuns, lágrimas e gemidos...”
(Jl  2, 12)

Dando os primeiros passos no Itinerário Quaresmal rumo a Páscoa do Senhor, precisamos viver o verdadeiro espírito de conversão, que não consiste simplesmente em dar uma satisfação da própria vida a outras pessoas, para conseguir aprovação, e assim, passar por um bom religioso (a).

Antes, é preciso aprofundar nosso relacionamento com Deus, procurando superar imaturidades, fraquezas.

Com um espírito contrito e humilde, eliminar quaisquer resquícios do fermento da maldade que possa se instalar em nosso coração, com a consequência do pecado, para que vivamos mais dignamente, realizando a vocação à santidade, graça que nos foi concedida no dia de nosso Batismo.

Quaresma é tempo favorável para que façamos as renúncias necessárias; para que, com maior liberdade e desprendimento, tomemos nossa cruz de cada dia e a carreguemos com confiança e coragem, na melhor e maior fidelidade ao Senhor.

Deste modo, iniciaremos as primeiras reflexões sobre a Campanha da Fraternidade 2025, com o tema: “FRATERNIDADE E ECOLOGIA INTEGRAL", e o lema: “Deus viu que tudo era muito bom" (Gn 1,31).

Seja a Quaresma para nós, o tempo de aprendermos a ser misericordiosos como Pai, como bem nos lembrou o Papa Francisco, em sua Mensagem Quaresmal, anos passados:

“Ter  um  coração  misericordioso  não  significa  ter  um  coração  débil.  Quem  quer  ser  misericordioso  precisa de um coração forte, firme, fechado ao tentador mas aberto a Deus; um coração que se deixe  impregnar pelo Espírito e levar pelos caminhos do  amor que conduzem aos irmãos e irmãs; no fundo,  um coração pobre, isto é, que conhece as suas limitações e se gasta pelo outro”.

Seja para nós a Quaresma, o tempo de sermos melhores, porque Deus merece que sejamos melhores, empenhando todo o esforço na busca do bem, vendo no próximo um templo vivo do Altíssimo, templo do Santo Espírito, porque somos todos irmãos e irmãs.

Dai-nos, Senhor, o dom das lágrimas

                                                       

Dai-nos, Senhor, o dom das lágrimas

Em seu discurso aos párocos da Diocese de Roma, no dia 6 de março de 2014, o Papa Francisco fez referência à oração para pedir o dom das lágrimas, encontrada nos Missais antigos.

Assim se rezava na Oração da “Coleta”:

“Ó Deus onipotente e misericordiosíssimo, que fizestes sair da rocha uma fonte de água viva para o povo sedento, fazei sair, da dureza do nosso coração, lágrimas de arrependimento, para que possamos chorar os nossos pecados e merecer, por vossa misericórdia, a remissão. Por nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, que vive e reina na unidade do Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.”

Oremos:

Senhor, não mais bebemos da água que jorrou daquela rocha no deserto. Bebemos da água viva que tendes para nos oferecer (Jo 4,1-25). Saciai, Senhor, nossa sede de amor, vida e paz.

Senhor, contemplamos Vosso trespassado Coração, do qual verteu água e sangue, sinais que nos remetem aos Sacramentos do Batismo e da Eucaristia. Ajudai-nos a viver a graça do Batismo, nutridos pelo Vosso Corpo e Sangue, no Divino Banquete Eucarístico.

Senhor, façais sair, não obstante a dureza de nosso coração, as necessárias lágrimas de arrependimento, para que, contritos e com propósitos de conversão, choremos copiosamente nossos pecados, despindo-nos das obras das trevas, revestindo-nos com as armas da luz. (Rm 13,11-14a).

Senhor, não permitais que nosso coração fique endurecido, frio, curvado diante da globalização da indiferença, diante da dor, sofrimento e angústia de nosso próximo, sobretudo dos que se encontram feridos à beira do caminho (Lc 10,25-37).

Senhor, concedei-nos a graça de viver neste Tempo da Quaresma os sinceros propósitos de reconciliação convosco e com nosso próximo, na prática da oração, jejum e esmola, a fim de que façamos progressos maiores ainda na prática das virtudes divinas que nos movem, e assim, poderemos celebrar a alegria transbordante da Páscoa. Amém.

Em poucas palavras...

                                             


 

“A fé que prefiro...”

“É preciso esperar em Deus, é preciso ter fé em Deus, é uma coisa só, é tudo a mesma coisa. É preciso ter em Deus esta fé de esperar n’Ele. É preciso crer n’Ele, isto é, esperar.

A fé vê aquilo que é, no tempo e na eternidade. A esperança vê aquilo que será, no tempo e na eternidade. A caridade ama aquilo que é, mas a esperança ama aquilo que será. A fé que prefiro, diz Deus, é a esperança.” (Charles Péguy)

 

Fonte: O Verbo se faz Carne – Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria – 2013 – pág. 486

Por um autêntico Jejum

Por um autêntico Jejum

 “Jejuou durante quarenta dias e
quarenta noites e, por fim, teve fome”.

Retomemos a mensagem do Papa Bento XVI para a Quaresma de 2009, a fim de melhor compreendermos e vivermos o verdadeiro sentido do Jejum, para uma frutuosa Quaresma e, assim, possamos saborear depois as Delícias da Páscoa.

Com o tema: “Jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome”, ele nos propõe um Itinerário Espiritual a ser percorrido.

A espiritualidade Quaresmal nos propõe três práticas penitenciais muito queridas da tradição bíblica e cristã – a Oração, a Esmola, o Jejum – a fim de nos predispormos para celebrar melhor a Páscoa e, deste modo, fazer a experiência do poder de Deus na Vigília Pascal.

O Jejum é um dos três Exercícios Quaresmais que devemos realizar. 

Fundamentando-se em passagens bíblicas, sobretudo, o Papa nos falava do Jejum, que é de grande ajuda para evitar o pecado e tudo o que a ele induz. Por isto, na história da Salvação é frequente o convite a jejuar. Entorpecidos pelo pecado e pelas suas consequências, o Jejum é-nos oferecido como um meio para restabelecer a amizade com o Senhor.

Ele refletiu sobre o valor e o sentido do Jejum a partir da prática de Jesus, que jejuou durante quarenta dias e quarenta noites e, por fim, teve fome (Mt 4, 1-2), nos dando o exemplo necessário.

Como Moisés antes de receber as Tábuas da Lei (cf. Ex 34,28), como Elias antes de encontrar o Senhor no monte Horeb (cf. 1Rs 19, 8), assim Jesus rezando e jejuando Se preparou para a Sua missão, cujo início foi um duro confronto com o tentador.

Jesus nos dá o exemplo do Jejum necessário, respondendo a satanás, no final dos 40 dias transcorridos no deserto, que “nem só de pão vive o homem, mas de toda a Palavra que sai da boca de Deus” (Mt 4,4).

O verdadeiro Jejum se finaliza, portanto, a comer o “verdadeiro Alimento”, que é fazer a vontade do Pai (cf. Jo 4, 34). Há a necessidade de recuperar o verdadeiro sentido bíblico do Jejum que é para os que creem em primeiro lugar, uma “terapia” para curar tudo o que os impede de se conformarem coma vontade de Deus, valorizar o significado autêntico desta antiga prática penitencial, mortificando nosso egoísmo e abrindo nosso coração ao Amor de Deus e ao próximo, primeiro e máximo Mandamento da Lei e de todo o Evangelho (Mt 22,34-40).

A prática fiel do Jejum contribui ainda para conferir unidade à pessoa, corpo e alma, ajudando-a a evitar o pecado e a crescer na intimidade com o Senhor.

Privar-se do sustento material que alimenta o corpo facilita uma ulterior disposição para ouvir Cristo e para se alimentar da Sua Palavra de Salvação.

Com o Jejum e com a Oração permitimos que Ele venha saciar a fome mais profunda que vivemos no nosso íntimo: a fome e a sede de Deus. Ao mesmo tempo, o Jejum nos ajuda a tomar consciência da situação na qual vivem tantos irmãos nossos - “Aquele que tiver bens deste mundo e vir o seu irmão sofrer necessidade, mas lhe fechar o seu coração, como estará nele o Amor de Deus?” (3, 17).

Jejuar voluntariamente ajuda-nos a cultivar o estilo do Bom Samaritano, que se inclina e socorre o irmão que sofre (cf. Enc. Deus caritas est, 15). Escolhendo livremente privar-nos de algo para ajudar os outros, mostramos concretamente que o próximo em dificuldade não nos é indiferente. Com o Jejum fazer o dom total de si a Deus (cf.Enc. Veritatis Splendor, 21– Papa João Paulo II).

Para manter viva esta atitude de acolhimento e de atenção para com os irmãos,  encorajou as Paróquias e todas as Comunidades a intensificarem na Quaresma a  prática do Jejum pessoal e comunitário, cultivando de igual modo à escuta da Palavra de Deus, a Oração e a Esmola, multiplicando coletas e gestos de partilha  e solidariedade, além de usar de modo mais sóbrio palavras, alimentos, bebidas,  sono e jogos...

Exortou-nos à prática da leitura orante da Bíblia, participação no Sacramento da Reconciliação e participação ativa na Eucaristia, sobretudo na Santa Missa dominical.

Finalizou pedindo a companhia e o amparo da Bem-Aventurada Virgem Maria, no esforço de libertar o nosso coração da escravidão do pecado para torná-lo cada vez mais “Tabernáculo vivo de Deus”.

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