quarta-feira, 5 de março de 2025

Oração: Para escutarmos Deus, silenciar é preciso!

                                                      

Oração:
Para escutarmos Deus, silenciar é preciso!

Deus fala na ausência de nossas palavras!
Oração não consiste num multiplicar de palavras, como o próprio Senhor o disse. Oração, muitas vezes, é a ausência delas...

Se silenciarmos Deus nos falará!
No melhor silêncio que possamos fazer, captar a voz de Deus que fala serenamente em nossa alma, no mais profundo de nós…

São tantos ruídos, gritos que nos impedem de momentos verdadeiramente orantes…

Some-se a isso o tempo exíguo para o muito fazer, e muitas vezes não tão bem fazer…

Oração!
Quem dela não precisa?
Orar é ser capaz de um diálogo (não monólogo) com Deus, o Amor  que apenas quer ser amado.

Na Oração simplesmente estabelecemos uma relação de amor com Deus e os frutos indubitavelmente se multiplicam.

A Oração que o Senhor nos ensinou...
Haverá Oração mais bela?
Pai nosso que estais no céu...

Oração: diálogo e intimidade com Deus

                                                        

Oração: diálogo e intimidade com Deus

“... quando você rezar, entre no seu quarto,
feche a porta, e reze ao seu pai ocultamente;
e o seu Pai, que vê o escondido, recompensará você.”
(Mt 6, 6)

Na passagem do Evangelho (Mt 6, 5-6), Jesus recomenda a Oração silenciosa como um dos elementos essenciais para o processo de conversão e sintonia com Deus.

Se quisermos que chegue até Deus, a nossa Oração precisa:

- Brotar da sinceridade de um coração sedento de contínua conversão;

- Ser oculta, no silêncio do quarto, de portas fechadas e a sós com Deus.

Neste espaço do recolhimento e na intimidade, diante d’Ele, a sós, não há necessidade de usar máscaras e representar papéis.

Quaresma é tempo favorável para que nos coloquemos diante do Pai com alma e o coração nus, sem querer encobrir erros, falhas e pecados, revelando a sinceridade do coração e das intenções, porque Deus sabe quem cada um é e o que pretende:

“Javé, Tu me sondas e me conheces. Tu conheces o meu sentar e o meu levantar, de longe penetras o meu pensamento. Examinas o meu andar e o meu deitar, meus caminhos são todos familiares a Ti. A palavra ainda não me chegou à língua, e Tu, Javé, já a conheces inteira. (Sl 138, 1-4).

Multipliquemos e intensifiquemos este tempo diante de Deus, abrindo a Ele nosso coração, numa relação sincera, íntima, confiante, e assim, daremos passos significativos para celebrarmos com exultação a Páscoa do Senhor.

Oremos ocultamente, no silêncio do quarto, que é o nosso coração, onde Deus habita, onde podemos encontrá-Lo.


Fonte: Liturgia da Palavra I – reflexões para os dias da semana – Paulus, p.46

Quaresma, Tempo de ascese e fraternidade

                                                    

Quaresma, Tempo de ascese e fraternidade

Quaresma é tempo de ascese, da prática de exercícios que nos levam ao aperfeiçoamento espiritual. De modo especial, a Igreja nos convida a três indispensáveis exercícios: Oração, Jejum e Esmola (Lc 4,1-13; Mt 6,1-6.16-18).

O Missal Dominical cita longamente o Teólogo Paulo Evdokimow, e quem não pode ter acesso a este, não tenho dúvida que poderá em muito ser enriquecido em seu esforço de conversão.

Nesta caminhada rumo à Páscoa do Senhor, a ascese nos fará mais puros de todas as escórias que nos roubam a liberdade ou impossibilitem ver melhor os traços tão belos de Deus impressos em cada um de nós, porque feitos a Sua imagem e semelhança.

"A ascese cristã nunca foi fim em si mesma; é apenas um meio, um método a serviço da vida, e como tal procurará adaptar-se às novas necessidades.

Outrora, a ascese dos Padres do deserto impunha jejuns e privações intensas e extenuantes; hoje a luta é outra. O homem não tem necessidade de sofrimento suplementar; cilício, cadeias de ferro, flagelações, correriam o risco de extenuá-lo inutilmente.

A mortificação da nossa época consistirá na libertação da necessidade de entorpecentes, pressa, ruídos, estimulantes, drogas, álcool sob todas as formas.

A ascese consistirá acima de tudo no repouso imposto a si mesmo, na disciplina da tranquilidade e do silêncio, onde o homem encontra a possibilidade de concentrar-se para a Oração e a contemplação, mesmo em meio a todos os ruídos do mundo, no metrô, entre a multidão, nos cruzamentos de uma cidade. 

Consistirá principalmente na capacidade de compreender a presença dos outros, dos amigos, em cada encontro. O jejum, ao contrário da maceração imposta, será a renúncia alegre do supérfluo, a sua repartição com os pobres, um equilíbrio espontâneo, tranquilo".

Ainda o mesmo Missal cita o Bispo São João Crisóstomo (séc. IV) que já nos advertia sobre esta necessidade da ascese espiritual para a construção de relações mais sinceras e fraternas na vivência comunitária:

"Mas, direis, que divisão vês entre nós? Aqui, nenhuma, mas quando termina a nossa assembleia, um critica o outro; esse injuria publicamente o irmão; aquele se enche de inveja, de avareza ou de cobiça; aquele outro se entrega à violência; outro ainda à sensualidade, à impostura, à fraude.

Se nossas almas pudessem ser postas a nu, veríeis então a exatidão de tudo isso... Desconfiando uns dos outros, nos tememos mutuamente, falamos ao ouvido do vizinho e se vemos aproximar-se um terceiro, calamo-nos e mudamos de assunto...

Respeitai, respeitai esta Mesa da qual todos nós comungamos; respeitai o Cristo imolado por nós, respeitai o Sacrifício que é oferecido".

Iniciemos o itinerário quaresmal, revendo nossa conduta cristã, e neste caminho de conversão, abrirmo-nos à graça divina, para que nossas comunidades sejam mais fraternas, mais credíveis da presença do Ressuscitado.

Que a cada Oração, e de modo especial a cada Celebração Eucarística participada renovemos sagrados compromissos do aperfeiçoamento espiritual, para que possamos celebrar verdadeiramente a alegria da Páscoa, precedida de esforços indispensáveis para que o resplendor da glória divina seja vislumbrado em nosso olhar, porque oriunda de um coração que foi moldado e purificado pela misericórdia divina.

Práticas que nos santificam

                                                            

Práticas que nos santificam

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 6,1-6.16-18), em que Jesus nos aponta o caminho da autêntica e frutuosa prática da Oração, jejum e caridade, e tão somente assim firmamos nossos passos no  caminho de aperfeiçoamento espiritual desejável.

Vejamos no que estas práticas consistem:

A Oração:
Trata-se do relacionamento da criatura com o Criador, através da oração, viver e intensificar a profunda relação filial com Deus;

A Esmola:
Trata-se do relacionamento da criatura com o seu próximo, através da partilha, sobretudo com os mais necessitados;

O Jejum:
Trata-se do relacionamento da criatura com a natureza, com os bens criados por Deus.

O homem e mulher são senhores de todos os bens. Através do jejum, sentem na pele a necessidade do outro; sentem-se interpelados a fazer com que todos participem dos frutos da criação e do trabalho humano.

Concluo com as palavras do Bispo São Pedro Crisólogo (séc. V):

“Há três coisas, meus irmãos, três coisas que mantém a fé, dão firmeza à devoção e perseverança à virtude. São elas a Oração, o Jejum e a Misericórdia. O que a Oração pede, o Jejum alcança e a Misericórdia recebe".

"A Palavra é um dom. O outro é um dom"

 


"A Palavra é um dom. O outro é um dom"


Retomo a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2017: - "A Palavra é um dom. O outro é um dom".

O Papa nos apresentou a Quaresma como “...um novo começo, uma estrada que leva a um destino seguro: a Páscoa de Ressurreição, a vitória de Cristo sobre a morte. E este tempo não cessa de nos dirigir um forte convite à conversão: o cristão é chamado a voltar para Deus «de todo o coração» (Jl 2, 12), não se contentando com uma vida medíocre, mas crescendo na amizade do Senhor”.

Vivendo a Quaresma, intensificamos a vida espiritual, através da prática do jejum, da oração e da esmola, tendo como base a Palavra de Deus a ser ouvida e meditada mais intensamente neste tempo.

Sua mensagem tomou como fundamentação principal a parábola do homem rico e do pobre Lázaro (cf. Lc 16, 19-31), uma chave para compreensão de como se tem que agir para alcançar a verdadeira felicidade e a vida eterna, que passa pela sincera conversão anteriormente mencionada.

Com isto, o Papa nos apresenta o “outro” como um dom.

Embora a parábola inicie “...com a apresentação dos dois personagens principais, mas quem aparece descrito de forma mais detalhada é o pobre que se encontra numa condição desesperada e sem forças para se solevar, jaz à porta do rico na esperança de comer as migalhas que caem da mesa dele, tem o corpo coberto de chagas, que os cães vêm lamber (cf. vv. 20-21)”.

Este pobre tem um nome: “Lázaro”, literalmente, “Deus ajuda” e nos interpela a solidariedade: “Lázaro ensina-nos que o outro é um dom”.

O Papa nos diz que a parábola nos faz alguns convites, e o primeiro é o de abrir a porta do nosso coração ao outro, porque cada pessoa é um dom, seja ela o nosso vizinho ou o pobre desconhecido –

Em seguida, o Papa nos alerta para o fato de que a parábola também põe em evidência as contradições em que vive o rico, cego pelo pecado e indiferente à realidade de Lázaro.

Entrevê-se no rico dramaticamente, a corrupção do pecado, que se realiza em três momentos sucessivos: amor ao dinheiro, vaidade e soberba.

Cita a passagem da Carta a Timóteo, em que o apóstolo Paulo diz que “a raiz de todos os males é a ganância do dinheiro” (1 Tm 6, 10) – “Em vez de instrumento ao nosso dispor para fazer o bem e exercer a solidariedade com os outros, o dinheiro pode-nos subjugar, a nós e ao mundo inteiro, numa lógica egoísta que não deixa espaço ao amor e dificulta a paz”.

Acena também para o Evangelho de Mateus, sobre a condição do homem rico da parábola: «Ninguém pode servir a dois senhores: ou não gostará de um deles e estimará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro» (Mt 6, 24).

Na última parte, o Papa nos apresenta a Palavra de Deus como um dom: “O Evangelho do homem rico e do pobre Lázaro ajuda a prepararmo-nos bem para a Páscoa que se aproxima.

Exortou-nos para que nos abríssemos à escuta atenta da Palavra de Deus, uma força viva, capaz de suscitar a conversão no coração dos homens e orientar de novo a pessoa para Deus, de modo que o fechamento do coração ao dom de Deus que fala, tem como consequência fechar o coração ao dom do irmão.

Finalizou exortando a todos nós, para que vivamos a Quaresma como tempo favorável de renovação e encontro com Cristo vivo, na Sua Palavra, nos Sacramentos e no próximo, num grande itinerário a ser percorrido.

Quaresma e sagrados compromissos com a Amizade Social (2024)

 


Quaresma e sagrados compromissos com a Amizade Social

A Quaresma é tempo favorável de conversão e penitência, a fim de que bem nos preparemos para a Celebração da Páscoa do Senhor, Mistério de Morte e Ressurreição – “Arrependei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15), disse Jesus.

A Igreja nos ensina que a Quaresma não deve ser apenas interna e individual, mas também com dimensão externa e social.

Neste sentido a Igreja no Brasil realiza todo ano na Quaresma, a Campanha da Fraternidade (CF), que longe de esvaziar o sentido quaresmal, dá a ele conteúdo e fecundidade para flores e frutos pascais.

A CF é, na verdade, uma iniciativa concreta para realizarmos ações que dão testemunho de arrependimento e verdadeira conversão nos diversos âmbitos: pessoal, comunitário, eclesial e social.

O Tema da CF 2024 “Fraternidade e Amizade Social”, em perfeita comunhão com o Papa Francisco, que nos agraciou com a Encíclica “Fratelli tutti” (2020), trata desta urgente e desafiadora temática, que tem como lema “Vós sois todos irmãos e irmãs (cf. Mt 23,8).

Destaco o Objetivo Geral da CF: “Despertar para o valor e a beleza da fraternidade humana, promovendo e fortalecendo os vínculos da amizade social, para que, em Jesus Cristo, a paz seja realidade entre todas as pessoas e povos”.

Exorto toda a Diocese, bem como os grupos de reflexão de nossas Paróquias se encontrem para refletir, rezar e encontrar caminhos para que demos sagrados passos na edificação da “Amizade Social”, criando vínculos de comunhão fraterna.

Que cada Paróquia crie espaços e momentos para que vivamos a perfeita sintonia da Quaresma e da Campanha da Fraternidade, e assim podermos celebrar com alegria a gloriosa Ressurreição do Senhor.

Campanha da Fraternidade 2024

 


Campanha no momento, compromisso sempre!


A Igreja no Brasil realiza mais uma Campanha da Fraternidade, com uma proposta extremamente atual e de importância indiscutível.
 
Tema: 
“FRATERNIDADE E AMIZADE SOCIAL”

Lema: Vós sois todos irmãos e irmãs (cf. Mt 23,8)

Exorto que nos empenhemos em acompanhar, refletir e ajudar a desenvolver esta Campanha, que não se encerra, como se diz, indevidamente, com a Páscoa.

Oração da Campanha da Fraternidade 2024 - CNBB

Deus Pai, Vós criastes todos os seres humanos

com a mesma dignidade.

Vós os resgatastes pela vida,

morte e ressurreição do Vosso Filho, Jesus Cristo,

 e os tornastes filhos e filhas santificados no Espírito.

 

Ajudai-nos, nesta Quaresma,

a compreender o valor da amizade social

e a viver a beleza da fraternidade humana aberta a todos,

para além dos nossos gostos, afetos e preferências,

num caminho de verdadeira penitência e conversão.

 

Inspirai-nos um renovado compromisso

batismal com a construção de um mundo novo,

de diálogo, justiça, igualdade e paz,

conforme a Boa-Nova do Evangelho.

 

Ensinai-nos a construir uma sociedade solidária,

sem exclusão, indiferença, violência e guerras.

E que Maria, Vossa Serva e nossa Mãe,

eduque-nos, para fazermos vossa santa vontade.

Amém!

 

PS: Riquíssimo material da CF/2024, o leitor poderá encontrar acessando a página da CNBB: https://campanhas.cnbb.org.br/campanha/campanha-da-fraternidade-2024

 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG