quarta-feira, 5 de março de 2025

O sentido das Cinzas

                                                

  O sentido das Cinzas

Receber a cinza, na Missa da Quarta-Feira de Cinzas, não é receber vacina ou remédio. A Cinza que recebemos é para lembrar-nos que temos que viver a Quaresma no jejum, na oração e na penitência: “Convertei-vos e crede no Evangelho!" (Mc 1,15); e ainda: " “Lembra-te que és pó e ao pó voltarás”.

A cinza é produzida pela queima dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior. Isto quer dizer que eu vivi um ano com Jesus. O ramo com o qual O aclamamos, voltamos a recebê-lo em cinza até a próxima "Entrada em Jerusalém".  

Cinza na cabeça, significa que temos que ser melhores: Deus merece que sejamos melhores a cada dia.

Quarta-feira de Cinzas: iniciamos o itinerário quaresmal

                                                                      

Quarta-feira de Cinzas: iniciamos o itinerário quaresmal

Com as missas e celebrações da Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a caminhada penitencial da Quaresma, com o rito solene e  austero da imposição das cinzas, e deste modo, cumpre-se, mais uma vez, a palavra profética que nelas se proclama: um povo que se reúne para pedir perdão a Deus e para elevar até Ele as suas súplicas; um povo que deseja acolher o convite de conversão, a “rasgar o coração e não as vestes” (cf. Jl 2,12-18); um povo que se deixa ferir pela forte Palavra de Deus, para o regresso a Ele, a quem reconhece como um Senhor “clemente e compassivo, paciente e misericordioso” (Sl 145,8);.

Com a imposição das cinzas, somos interpelados a refletir sobre nossas escolhas, renúncias necessárias, para maior fidelidade ao Senhor, para segui-Lo, carregando nossa cruz de cada dia, em atitude permanente de conversão e resposta a um Deus que nos ama e jamais nos abandona, querendo sempre o melhor para nós.

A mortificação e os sacrifícios a que somos chamados, neste tempo, não são inspirados pelo desprezo da nossa humanidade, mas pelo sincero desejo de reencontrar o que é essencial, a única coisa necessária, Deus, nosso bem maior e fonte de todos os bens que quer nos conceder, a vida plena e feliz.

Supliquemos ao Senhor, para que nos conceda a  graça de começar com o santo jejum o Tempo da Quaresma, a fim de que, no combate contra o espírito do mal, sejamos fortalecidos com o auxílio das virtudes cardeais da prudência, justiça, fortaleza e temperança, dando testemunho das virtudes divinas que nos movem: fé, esperança e caridade. Amém.

 

Fonte: Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - Lisboa - pp.37-41

Cinzas e os Exercícios Quaresmais

                                                           

Cinzas e os Exercícios Quaresmais

Com a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas, nós, cristãos, somos convidados a viver um tempo de recolhimento e de reflexão, antes de empreendermos a longa subida rumo à Páscoa do Senhor.

Deus nos fala, na Liturgia deste dia, pela voz do Profeta Joel, de São Paulo e do próprio Filho, Jesus Cristo.

Tomamos consciência da meta que haveremos de alcançar, assim como também são apresentados os meios que deveremos usar e o espírito com o qual haveremos de caminhar.

Por isto, somos exortados à prática do jejum, da oração e da esmola, os três exercícios tradicionais da Quaresma, que devem ser feitos sem ostentação, mas em segredo, com humildade, para que tão apenas Deus veja, no segredo de nosso coração.

Iniciamos, portanto, um itinerário de conversão a Deus, do pecado que nos afasta d’Ele – “Perdoai, Senhor, ao Vosso povo” (Jl 2,12-18). E como disse o Apóstolo Paulo, – “É agora o tempo favorável, é agora o dia da salvação... Reconciliai-vos com Deus: nós vo-lo pedimos em nome de Cristo. Ele não tinha pecado, mas Deus identificou-O com o pecado por amor de nós, para que em Cristo nos tornássemos justos aos olhos de Deus” (2 Cor 5,20-6,2).

O rito e o gesto da imposição das cinzas, é para nós expressão de arrependimento, de consciência de nossa finitude e miséria diante da infinita misericórdia de Deus, e assim, trilhemos este caminho de conversão, crendo no Evangelho, consciente de que somos pó –“Lembra-te, homem, que és pó da terra e à terra hás-de voltar” (Gn 3,19).

A alegria de sermos discípulos missionários de Jesus Cristo

                                                     

A alegria de sermos discípulos missionários de Jesus Cristo

"Disse-vos essas coisas para que a minha alegria esteja em vós,
e a vossa alegria seja completa"  (Jo 15,11)

Iniciando o itinerário Quaresmal, vejamos no que consiste ser Cristão, conforme dois parágrafos do Documento de Aparecida.

Ser cristão é:

- ter feito um encontro com Cristo, que se expressa na alegria de ser discípulo do Senhor e de ter sido enviado com o tesouro do Evangelho;

- é um dom divino e não uma carga, pois Deus Pai nos abençoou em Jesus Cristo Seu Filho, Salvador do mundo;

- irradiar a alegria recebida do encontro com Jesus Cristo, a quem Se reconhece como Filho de Deus, encarnado e redentor;

- fazer chegar a todos os homens e mulheres feridos pelas adversidades a Boa-Nova do Evangelho do Reino de Deus, anunciada por Jesus Cristo vencedor do pecado e da morte;

- empenhar-se para que a alegria desta Boa-Nova chegue de modo especial a todos quantos jazem à beira do caminho, pedindo esmola e compaixão (Lc 10,29-38; 18,25-43);

- ter uma alegria autêntica, que é antídoto frente a um mundo atemorizado pelo futuro e oprimido pela violência e pelo ódio;

- testemunhar uma alegria que não é um sentimento de bem-estar egoísta, mas uma certeza que brota da fé, que serena o coração e capacita para anunciar a Boa-Nova do amor de Deus.

Enfim, ser Cristão é conhecer Jesus, e tê-Lo encontrado foi o melhor que ocorreu em nossas vidas, e torna-se uma necessidade vital, fazê-Lo conhecido através das nossas palavras e obras, e nisto consiste a mais perfeita, plena e verdadeira alegria que somente Jesus pode nos dar, como Ele mesmo nos falou na passagem do Evangelho de João (Jo 15, 11).


Fonte: Conferência geral do Episcopado Latino-Americano e do Caribe – DAP, 28 e 29

Da Paixão, Morte e Cruz à glória da Ressurreição

Da Paixão, Morte e Cruz à glória da Ressurreição

Como Igreja, vivemos o tempo da Quaresma, um tempo favorável de graça e salvação para todos que se põem a caminho com o Senhor. Urge fortalecer a todos nesta travessia em que consiste a vida humana, atentos à voz de Deus, que incansavelmente nos fala aos corações e conduz a história.

A Palavra de Deus ricamente proclamada nas Missas da Quaresma, leva-nos a tomar consciência de nossos pecados, em fecunda penitência, na prática dos exercícios quaresmais da esmola, da oração e do jejum (Mt 6, 1-18) e, também, somos renovados pela misericórdia divina, sobretudo pela experiência profunda do amor e do perdão de Deus recebido, e também vivido entre nós.

Para que vivamos uma verdadeira e frutuosa Quaresma, com gestos multiplicados na construção de um mundo mais fraterno, é preciso que tenhamos a coragem de fazer nossa travessia pelo deserto, amadurecendo nossa fidelidade a Deus e ao Seu Projeto, sem ceder às tentações do maligno (ter, ser e poder), reaprendendo a alegria da partilha, do poder autêntico que se expressa no serviço, sem jamais procurar a fama, o prestígio fácil, até mesmo em prejuízo do próximo.

Precisamos subir ao Monte Tabor para escutar o que tem a nos dizer o Filho Amado; descer à planície para viver a Lei e a profecia, transfigurando o mundo em que vivemos, multiplicando ações para que a globalização da indiferença seja superada, como tão bem nos alertou o Papa Francisco em sua Mensagem Quaresmal de 2015: “Amados irmãos e irmãs, como desejo que os lugares onde a Igreja se manifesta, particularmente as nossas paróquias e as nossas comunidades, se tornem ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença!”

Tão somente assim viveremos uma religião autêntica, não apenas dentro do Templo, mas fora dele, como Igreja missionária, “Igreja em saída”, que promova a dignidade e a beleza da vida, vendo em cada pessoa um templo de Deus, por Ele criado como Sua imagem e semelhança. 

A verdadeira religião não pode jamais deixar de lado a promoção da vida, da fraternidade, da justiça, da igualdade, do respeito e da liberdade, pois tão somente assim nossos cultos serão agradáveis a Deus.

Entretanto, essas ações exigem que tenhamos coragem para caminhar com o Senhor, sofrer com Ele no Mistério de Sua Paixão e Morte, morrer com Ele, não fugir do Calvário e da Cruz, e com Ele Ressuscitar, Mistério da fé que professamos e que nos encoraja a combater o bom combate, sem jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e esfriar na caridade.

Continuemos nosso itinerário marcado pelo deserto, montanhas, planícies, templos, calvário, cruz, morte e a vitória final para quem perseverar até o fim: a glória da Ressurreição, pois como falou o Papa São Leão Magno (séc. V): “Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

Quaresma: plenamente configurados a Jesus Cristo

Quaresma: plenamente configurados a Jesus Cristo

Quaresma é tempo de nos configuramos mais ainda a Jesus Cristo, no Mistério de Sua Vida, Paixão e Morte, para com Ele também Ressuscitar.

Assim vemos na passagem de Paulo a Timóteo (2Tm 2,8-13), em que nos exorta para que tenhamos plena identificação com Jesus Cristo, dando substancial matiz à nossa vida cristã, não obstante nossas fragilidades.

Deste modo ela será marcada pela fidelidade, doação, amor e entrega, em confiança inabalável em Deus, em todas as circunstâncias, favoráveis ou  adversas, porque também podemos contar com o Seu Espírito, que nos ilumina, assiste e nos conduz.

Continuemos nosso itinerário quaresmal, perseverando na fé; em fidelidade à Doutrina que professamos; renovando a alegria da  pertença à comunidade, numa vida marcada pela total dedicação e serviço à causa da evangelização, do anúncio e testemunho do Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Continuemos nosso itinerário quaresmal, sedentos da alegria transbordante da Páscoa que haveremos de celebrar.

A Quaresma e as Virtudes Cardeais

A Quaresma e as Virtudes Cardeais

Para fazermos progressos ainda maiores neste Tempo da Quaresma, assim como em todo o tempo, apresento, conforme Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1805-1809), as quatro virtudes que desempenham um papel como de uma dobradiça.

As virtudes da prudência, da justiça, da fortaleza e da temperança denominam-se “cardeais”, pois todas as outras se agrupam em torno delas.

Aparecem em numerosas passagens da Sagrada Escritura, e uma delas, encontramos no Livro da Sabedoria (Sab 8,7): “Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8, 7).

Vejamos as quatro virtudes:

Prudência: é a virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de o atingir. “O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15);  Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pd 4, 7).

A prudência não pode ser confundida com a timidez ou o medo, a duplicidade ou dissimulação, e é também chamada de “auriga virtutum – condutor das virtudes”, porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.

Para Santo Tomás e Aristóteles, ela é a reta norma da ação, de modo que, o juízo da consciência é guiado pela prudência, e assim a pessoa prudente decide e ordena a sua conduta segundo este juízo.

Graças à virtude da prudência, aplicamos sem erro os princípios morais aos casos particulares e ultrapassamos as dúvidas sobre o bem a fazer e o mal a evitar.

Justiça: é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

A justiça para com Deus chama-se “virtude da religião”, em relação aos homens, ela leva ao respeito dos direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum.

O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo – “Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade’ (Lv 19, 15); “Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4, 1).

Fortaleza: é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na realização do bem.

Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral, dando a capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições.

Ela dispõe a pessoa para ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa de uma causa justa – “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14); “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Temperança: é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados.

Ela garante o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos dentro dos limites da honestidade.

Deste modo a pessoa prudente orientará para o bem os apetites sensíveis, guardando uma sã discrição e não se deixará arrastar pelas paixões do coração.

No Antigo Testamento é muitas vezes louvada – “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30).

No Novo Testamento, é chamada “moderação’, ou “sobriedade” – Devemos “viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).

Finaliza com uma citação de Santo Agostinho, que sintetiza tudo quanto se disse:

“Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)” .

Deste modo, nossa vida, conduzida pelas virtudes cardeais, nos fortalecerá os passos no frutuoso caminho penitencial de conversão, de reconciliação com Deus e com os irmãos.

Tão somente assim, participaremos da construção de uma autêntica cultura de vida e de paz, vendo no outro o nosso irmão: Vós sois todos irmãos!” (Mt 23,8).

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