terça-feira, 11 de fevereiro de 2025

Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente (síntese)

 


Mensagem para o XXXI Dia Mundial do Doente (síntese) 


«Trata bem dele!» -
A compaixão como exercício sinodal de cura 

O XXXI Dia Mundial do Doente celebrado no dia 11 de fevereiro de 2023, e o Papa Francisco nos oferece uma mensagem, com o título: «Trata bem dele!» - A compaixão como exercício sinodal de cura.

A doença que faz parte da experiência humana, pode se tornar desumana, se vivida no isolamento ou no abandono.

Por isto é preciso caminhar junto, em pleno percurso sinodal que estamos vivendo como Igreja – é preciso “...refletir sobre o fato de podermos aprender, precisamente através da experiência da fragilidade e da doença, a caminhar juntos segundo o estilo de Deus, que é proximidade, compaixão e ternura.”

Um dos textos citados na Mensagem é o Livro do Profeta Ezequiel que nos oferece um grande oráculo, que constitui um dos pontos culminantes de toda a Revelação – “Sou Eu que apascentarei as minhas ovelhas, sou Eu quem as fará descansar – oráculo do Senhor Deus. Procurarei aquela que se tinha perdido, reconduzirei a que se tinha tresmalhado; cuidarei a que está ferida e tratarei da que está doente (...). A todas apascentarei com justiça” (34, 15-16).

É preciso aprender com Deus, a fim de que sejamos uma comunidade que caminha em conjunto, capaz de não se deixar contagiar pela cultura do descarte:

“Não tem valor só o que funciona, nem conta só quem produz. As pessoas doentes estão no âmago do povo de Deus, que avança juntamente com eles como profecia duma humanidade onde cada qual é precioso e ninguém deve ser descartado.”

Remete-nos à Encíclica Fratelli Tutti, pois esta propõe uma leitura atualizada da parábola do Bom Samaritano (cf. nº 56), pois pode nos iluminar como ponto de mudança para sairmos das «sombras dum mundo fechado» (cap. I) e «pensar e gerar um mundo aberto» (cap. III).

O Papa destaca a profunda conexão entre esta parábola de Jesus e as múltiplas formas em que é negada hoje a fraternidade, sobretudo em relação aos que mais precisam, como na doença pois “...nunca estamos preparados para a doença; e muitas vezes nem sequer para admitir a idade avançada. Tememos a vulnerabilidade, e a invasiva cultura do mercado impele-nos a negá-la. Não há espaço para a fragilidade...Todos somos frágeis e vulneráveis; todos precisamos daquela atenção compassiva que sabe deter-se, aproximar-se, cuidar e levantar. Assim, a condição dos enfermos é um apelo que interrompe a indiferença e abranda o passo de quem avança como se não tivesse irmãs e irmãos.” (grifos meus)

No Dia Mundial do Doente não convida apenas à oração e à proximidade com os que sofrem. É também momento oportuno para a sensibilização do povo de Deus, das instituições de saúde e toda a sociedade civil para uma nova forma de avançar juntos.

Afirma o Papa que a Palavra de Deus é oportuna na denúncia, mas também na apresentação de propostas na prática da fraternidade, no nível mais próximo uns dos outros, bem como um tratamento organizado realizado pelo ministério de sacerdotes, no trabalho de operadores de saúde e agentes sociais, no empenho de familiares e voluntários, graças aos quais cada dia, em todo o mundo, o bem se opõe ao mal.

A pandemia aumentou o sentimento de gratidão por tantos que trabalham em prol da saúde, assim como a investigação médica, mas ao sair desta tragédia coletiva, é necessário que cada país realize uma busca ativa de estratégias e recursos a fim de serem garantidos a todo o ser humano o acesso aos cuidados médicos e o direito fundamental à saúde.

Aprendamos com a recomendação do samaritano ao estalajadeiro - «Trata bem dele!» (Lc 10, 35), e acolhamos a Palavra de Jesus que nos diz a cada um de nós - «Vai e faz tu também o mesmo», pois efetivamente «fomos criados para a plenitude que só se alcança no amor. Viver indiferentes à dor não é uma opção possível» (Fratelli Tutti nº 68), conclui o Papa.

Conclui nos concedendo a Bênção Apostólica, confiando-nos à intercessão de Maria, Saúde dos enfermos: todos os doentes; os que cuidam deles em família, com o trabalho, a investigação médica e o voluntariado; os que se esforçam por tecer laços pessoais, eclesiais e civis de fraternidade. 

 

PS: Se desejar, confira a mensagem na integra

https://www.vatican.va/content/francesco/pt/messages/sick/documents/20230110-giornata-malato.html

 

Prática religiosa agradável ao Senhor

                                                            


Prática religiosa agradável ao Senhor

Vejamos o que nos diz Jesus na passagem sobre a prática religiosa que agrada a Deus (Mc 7,1-13), proclamada na terça-feira da 5ª Semana do Tempo Comum.

Esta pressupõe o contínuo esforço de conversão, para que tenhamos pureza de coração, pois como o próprio Senhor disse: “somente os puros de coração verão a Deus” (Mt 5,8).

Já Moisés, na passagem do Livro do Deuteronômio  (Dt 4,1-2.6-8), acentuou o compromisso do Povo com a Palavra de Deus e Sua Aliança, numa sincera acolhida e vivência de Sua Lei. Não se pode adaptar, amenizar, suprimir e nada acrescentar à Palavra de Deus.

A Lei Divina deve ser vivida como expressão de gratidão a Deus; ainda mais porque ela é garantia de felicidade e liberdade, para concretizar os sonhos e esperanças do Povo Eleito e amado por Deus. Não se pode adulterar a Palavra de Deus ao sabor dos interesses pessoais.

Alguns perigos que nos acompanham e que devemos evitar:

- esvaziarmos a radicalidade da Palavra;
- cortarmos (omitirmos) seus aspectos mais questionadores;
- fazermos ou dizermos coisas que não procedem de Deus;
- cairmos num ativismo em que sacrificamos o tempo do silêncio orante diante de Deus, na acolhida de Sua Palavra;
- esvaziamento por causa do cansaço, da perda do sentido e, consequente, falta de espiritualidade e intimidade com a Palavra de Deus.

Também na Carta de São Tiago (Tg 1,17-18.21-22.27), vemos a inseparável relação  entre fé e obras. A fidelidade aos ensinamentos de Cristo nos compromete com o próximo (representado na figura do órfão e da viúva).

E nisto consiste a verdadeira religião, pura e sem mancha: solidariedade vivida e vigilância, para não se contaminar com os contravalores que o mundo apresenta.

É preciso, portanto, superar a frieza, o legalismo e o ritualismo religioso, procurando viver uma Religião comprometida com o Reino por Jesus inaugurado.

O autor da Carta nos exorta a não sermos meros ouvintes da Palavra, mas praticantes da mesma, não nos enganando a nós mesmos.

A Palavra de Deus quer encontrar no coração humano a frutuosa acolhida, portanto, há um itinerário da Palavra: acolher, acreditar, anunciar e testemunhar a Palavra de Deus, que nos garante vida e felicidade plena.

Voltando à passagem do Evangelho, Jesus nos convida à pureza de coração. Seus discípulos não podem  apenas “parecer”, mas é preciso “ser” sinal vivo da presença de Deus. Não basta parecer justo, tem que ser justo; não basta parecer piedoso, tem que ser piedoso; não basta parecer verdadeiro, tem que ser verdadeiro...

Mais que uma “carapaça exterior” é preciso de uma “coluna vertebral interior”. A religião não vive de aparências, e exige de cada crente uma sólida e forte estrutura para suportar o peso da cruz, a coragem do testemunho, a coerência de vida, o esforço contínuo de conversão, a solidariedade constante, caminho que não tem volta e tem apenas um destino: o céu.

Os mestres da Lei e os fariseus tinham aproximadamente 613 preceitos a cumprir (365 proibições e 248 prescrições). O povo simples, por não os conhecer, nem os praticar, era considerado impuro, e este será um tema de grande polêmica entre Jesus e os fariseus em vários momentos.

Para Jesus importa a pureza interior, a pureza do coração que é a sede de todos os sentimentos, desejos, pensamentos, projetos e decisões.

Jesus afirma: o que torna o homem impuro é o que sai de seu coração (apresenta uma longa lista) e não o que entra pela sua boca.

É do coração humano puro que nasce uma autêntica religião, a religião do coração, da intimidade profunda com Deus.

As Leis da Igreja não têm fins em si mesmas, mas garantem a nossa comunhão com Deus e com o próximo, na concretização do Reino.

É preciso que demos mais tempo à Palavra de Deus, em frutuosa Oração e reflexão que fará brotar novas atitudes e compromissos com Deus e o Seu Projeto para a Humanidade.

É sempre tempo de cultivar maior intimidade e compromisso com a Palavra de Deus.

Cristãos de coração (10/02)

                                                                        

Cristãos de coração

Ouvimos a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 7,1-13) proclamado na terça-feira da 5ª semana do Tempo Comum, que nos convida a refletir sobre como ser cristãos de coração e não apenas cristãos de palavras.

Um povo que honra a Deus apenas com os lábios, mas não o faz com o coração, encontra-se longe d’Ele, como dissera o Profeta Isaías, e o próprio Jesus.

Somos de palavras quando vivemos uma religiosidade de mero cumprimento de preceitos, normas e rituais, como se eles em si já nos alcançassem resultados, respostas, soluções sem maiores compromissos, como que num ritual de magia com matizes de superstição.

Quando somos cristãos de coração, amamos a Deus sobre todas as coisas, com nossa alma, força e entendimento, e este amor se torna concreto quando o expressamos também em relação ao nosso próximo.

Cristãos de coração, somos quando temos consciência de que somos templos de Deus, e que Ele também habita no nosso próximo, e assim nos reconhecemos santuários onde Deus habita, porque também criados por Ele, obra de Suas mãos, o sopro de vida d’Ele acolhido, feitos à Sua imagem e semelhança.

Cristãos de coração, seremos sempre se a nossa vida for marcada pela misericórdia e as obras que a expressem, tanto corporais como as espirituais.

Cristãos de coração, seremos, quando soubermos valorizar a pessoa humana e não medirmos esforços na promoção de sua dignidade, desde a concepção até o seu declínio natural.

E o seremos também quando soubermos falar menos, agir mais, e se for preciso falar ou calar, que seja  apenas o necessário, e para isto, precisamos de sobriedade e da sabedoria que nos vem do  Espírito.

Cristãos de coração, e não de palavras, não separa o culto celebrado da vida, ao contrário, celebra o que vive, e empenha-se em viver cada vez mais o que celebrou no Altar, encurtando a distância entre a fé e a vida, o culto e o cotidiano.

Cristãos de coração procuram viver inseparavelmente as virtudes divinas da fé, da esperança e da caridade, esperando, renovando e vivendo compromissos, na espera de um novo céu e de uma nova terra, aguardando ansiosamente a vinda gloriosa do Senhor, mas sem fazer da sua religião uma evasão, uma alienação do tempo presente, como uma fuga para o lugar nenhum.

Cristãos de coração vivem a solidariedade e a generosidade, com irrenunciáveis e inadiáveis compromissos fraternos, iluminados pela Palavra Divina, revigorados pela Santa Eucaristia, Alimento da caminhada e Pão de Eternidade.

Deus quer tão apenas nossa resposta de amor

                                                 

Deus quer tão apenas nossa resposta de amor

Voltemo-nos para a passagem do Livro de Gênesis (Gn 22,1-19), em que retrata o sacrifício de Abraão oferecendo seu filho único, Isaac, e sejamos enriquecidos pela Homilia do Presbítero Orígenes (séc. III).

Abraão tomou a lenha do sacrifício e colocou-a sobre os ombros de seu filho Isaac. Tomou na mão o fogo e o cutelo, e foram ambos juntos.

Ora, Isaac, carregando a lenha para o próprio holocausto, é uma figura de Cristo carregando Sua Cruz. No entanto levar a lenha para o holocausto é ofício de sacerdote.

Torna-se então ele mesmo a vítima e o sacerdote. O que se segue: e foram ambos juntos refere-se a essa realidade, porque Abraão, como sacrificador, leva o fogo e o cutelo; mas Isaac não vai atrás e sim a seu lado, para que se veja que, juntamente com ele, exerce igual sacerdócio.

E depois? Disse Isaac a seu pai Abraão: Pai! Neste momento, uma palavra assim parece uma tentação. Como terá abalado o coração paterno esta palavra do filho que ia ser imolado!

Mesmo endurecido pela fé, Abraão responde com voz branda: Que queres, filho? E ele: Vejo o fogo e a lenha, mas onde está a ovelha para o holocausto? Abraão respondeu: Deus providenciará uma ovelha para o holocausto, meu filho.

Impressiona-me a resposta cuidadosa e prudente de Abraão. Não sei o que via em espírito, pois responde olhando para o futuro e não para o presente: Deus mesmo providenciará uma ovelha. Assim fala do futuro ao filho que indaga pelo presente. O Senhor providenciava para Si um cordeiro em Cristo.

Abraão estendeu a mão para pegar a faca e imolar o filho. O Anjo do Senhor chamou-o do céu, dizendo: Abraão, Abraão. Respondeu ele: Eis-me aqui. Tornou o Anjo: Não toques no menino nem lhe faças nenhum mal. Agora sei que temes a Deus.

Comparemos estas palavras com as do Apóstolo a respeito de Deus: Ele não poupou Seu Filho, mas entregou-O por todos nós. Vede Deus rivalizando com os homens em magnífica generosidade. Abraão, mortal, ofereceu a Deus o filho mortal, que não morreria então. Deus entregou à morte por todos o Filho imortal.

Olhando Abraão para trás, viu um carneiro preso pelos chifres entre os espinhos. Dissemos acima, creio, que Isaac figurava Cristo e, no entanto, também o carneiro parece figurar Cristo.

É muito importante ver como ambos se relacionam a Cristo: Isaac que não foi morto e o carneiro que o foi. Cristo é o Verbo de Deus, mas o Verbo Se fez carne.

Padece, portanto, Cristo, mas, na carne; morre enquanto homem do qual o carneiro é figura; já dizia João: Eis o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

O Verbo, porém, permanece incorrupto, isto é, Cristo segundo o espírito; a imagem deste é Isaac. Por isto Ele é vítima e também pontífice segundo o Espírito. Pois aquele que oferece a vítima ao Pai, segundo a carne, este mesmo é oferecido no altar da Cruz.”

Roguemos a Deus que tenhamos a mesma coragem e fidelidade de Abraão, e também ofereçamos a Deus o melhor de nós para que o Seu Reino aconteça.

Somente assim daremos sentido à nossa vida, nosso sal não perderá o seu sabor, e a nossa luz resplandecerá nas sombras e nos momentos obscuros que tenhamos que enfrentar, e a luz de Deus comunicar.

Cremos que Deus está sempre pronto a dar o Seu Filho em Alimento na Eucaristia, para nos fortalecer no carregar de nossa cruz.

Ontem como hoje, Deus não cessa de nos amar, pois é próprio de Seu amor a eternidade: Deus nos amou ontem, hoje e sempre. Que o mesmo o façamos, com toda nossa força, alma, coração e entendimento.

O Amor de Deus pede de nós tão apenas amor e não sacrifícios: “Quero a misericórdia e não o sacrifício” (Mt 9, 13), confirmou-nos o Seu Filho Amado. 

Diocese de Guarulhos: 40 anos de Evangelização!

Diocese de Guarulhos: 40 anos de Evangelização!

No dia 11 de fevereiro de 1981, Festa de Nossa Senhora de Lourdes, foi criada pelo Papa São João Paulo II a Diocese de Guarulhos pela Bula “Plane Intelligitur” (1981).

A Missa de Ordenação do primeiro Bispo, D. João Bergese, aconteceu no dia 05 de abril, às 15 horas, na praça de esportes do Hospital Padre Bento - Gopoúva.

Com alegria, portanto, celebramos trinta e oito anos de Evangelização em nossa Cidade, procurando ser uma presença iluminadora, à luz do Evangelho, porque quis o Senhor que os Seus discípulos missionários fossem luz do mundo, fermentando uma nova realidade, transformando os sinais de morte em sinais de vida, e assim, não perdermos a graça de sermos sal da terra, dando gosto de Deus a todo o existir. 

Fazemos memória aos três primeiros Bispos: D. João Bergese (1981-1991), com o Lema Episcopal – “Chamados à Comunhão; D. Luiz Gonzaga Bergonzini (1992-2012, com o Lema – “É necessário que Ele cresça”; D. Joaquim Justino Carreira (2012-2013), com o Lema “Pax Vobis”.

Também fazemos memória aos padres e cristãos leigos que fizeram parte desta história e que, tendo combatido o bom combate da fé, já se apresentaram diante de Deus.

Ressaltamos também todos aqueles que continuam a missão evangelizadora na cidade de Guarulhos, com seus desafios incontáveis, e outros que se encontram em outras Dioceses no Brasil ou no exterior.

Muito nos ajuda em nossa travessia turbulenta até a outra margem, as palavras que nossos bispos nos deixaram:

- “É mal menor, errar agindo que nada fazer. As lutas são vencidas por aqueles que lutam, não por aqueles que criticam.” (frase escrita à mão por D. João Bergese, em sua carta testamento, do lado superior);

“Temos consciência que a tarefa é árdua, espinhosa, difícil. Temos consciência de que somos limitados e fracos, mas anima-nos o saber que a tarefa não é nossa, mas também e principalmente d’Ele... Se dispensarmos o Cristo e Sua graça, confiando unicamente em nossas forças, recursos e capacidades pessoais, ficaremos sozinhos e a derrota será total: pois além de não vencermos, estaríamos impedindo a Cristo de lutar ao nosso lado e vencer juntamente conosco” (D. Luiz Gonzaga Bergonzini).

- “Neste tempo de mudança de época que estamos vivendo, quando as atitudes se destacam com relativismo e fundamentalismo, os cristãos são chamados a não desertar do mundo que Deus lhes confia para evangelizar, através de uma verdadeira conversão pessoal e pastoral, discernindo os sinais dos tempos” (D. Joaquim Justino Carreira).

Hoje, sob o pastoreio de nosso quarto Bispo, Dom Edmilson, vivemos um cenário nacional extremamente delicado, marcado pela crise econômica e política. Entretanto, é exatamente neste momento que precisamos fortalecer nossa missão evangelizadora, com zelo, amor e alegria, como vimos na realização da 10ª Assembleia Diocesana de Pastoral, no ano passado.

Iluminadoras são para nós as palavras do Apóstolo Pedro, para que reavivemos a chama da fé um dia acesa em nosso batismo, dando razão de nossa esperança, na prática da efetiva e afetiva caridade:

“E quem há de vos fazer mal, se sois zelosos do bem: Mas se sofreis por causa da justiça, bem-aventurados sois! Não tenhais medo nenhum deles, nem fiqueis conturbados, antes, santificai a Cristo, o Senhor, em vossos corações, estando sempre prontos a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede.” (1 Pd 3,13-15).

É tempo de multiplicar todos os esforços possíveis. Não é tempo de luto sem esperança. Somos discípulos do Cristo Vencedor, Aquele que passou pela morte, e a última palavra foi a Sua Ressurreição.

Que a força e a vida nova do Ressuscitado façam renascer em nosso coração a esperança, para que continuemos trilhando o caminho da evangelização, mesmo nas dificuldades, certos de que Ele caminha conosco, e, quando a travessia do mar nos assustar, não permitamos que o medo nos faça submergir na mediocridade, no desespero, pois Deus em Sua infinita misericórdia jamais nos abandona à mercê de naufrágios irreversíveis.


PS: Publicado no Jornal “Folha Diocesana” – Guarulhos – Edição nº231.

As primeiras lições que a renúncia nos ofereceu

As primeiras lições que a renúncia nos ofereceu

Doze anos passados, naquele amanhecer, fiquei atônito com a notícia revelada ao mundo sobre a renúncia do Papa.

Esperei algum tempo para me certificar se fato ou boato. Ao compreender que se tratava de um fato real, a serenidade voltou ao coração quando li suas próprias palavras, que precisam ser lidas por todos, católicos ou não.

“Caríssimos Irmãos, convoquei-vos para este Consistório não só por causa das três canonizações, mas também para vos comunicar uma decisão de grande importância para a vida da Igreja. Depois de ter examinado repetidamente a minha consciência diante de Deus, cheguei à certeza de que as minhas forças, devido à idade avançada, já não são idôneas para exercer adequadamente o Ministério Petrino.

Estou bem consciente de que este ministério, pela sua essência espiritual, deve ser cumprido não só com as obras e com as palavras, mas também e igualmente sofrendo e rezando. Todavia, no mundo de hoje, sujeito a rápidas mudanças e agitado por questões de grande relevância para a vida da fé, para governar a barca de São Pedro e anunciar o Evangelho, é necessário também o vigor, quer do corpo, quer da mente; vigor este, que, nos últimos meses, foi diminuindo de tal modo em mim que tenho de reconhecer a minha incapacidade para administrar bem o ministério que me foi confiado.

Por isso, bem consciente da gravidade deste ato, com plena liberdade, declaro que renuncio ao ministério de Bispo de Roma, Sucessor de São Pedro, que me foi confiado pela mão dos Cardeais em 19 de Abril de 2005, pelo que, a partir de 28 de Fevereiro de 2013, às 20 horas sede de Roma, a sede de São Pedro, ficará vacante e deverá ser convocado, por aqueles a quem tal compete, o Conclave para a eleição do novo Sumo Pontífice.

Caríssimos Irmãos, verdadeiramente de coração vos agradeço por todo o amor e a fadiga com que carregastes comigo o peso do meu ministério, e peço perdão por todos os meus defeitos.

Agora confiemos a Santa Igreja à solicitude do seu Pastor Supremo, Nosso Senhor Jesus Cristo, e peçamos a Maria, sua Mãe Santíssima, que assista, com a sua bondade materna, os Padres Cardeais na eleição do novo Sumo Pontífice.
Pelo que me diz respeito, nomeadamente no futuro, quero servir de todo o coração, com uma vida consagrada à Oração, a Santa Igreja de Deus".

Algumas horas passadas, compreendo na decisão do Papa como um belo gesto de humildade, reconhecendo que não tem mais condições físicas e de saúde para estar à frente da Santa Igreja em sua missão de Romano Pontífice.

Uma lição de vida a aprender, uma vez que vivemos momentos em que as pessoas estão muito ligadas ao poder. Ele, mesmo tendo cargo vitalício, abdicou pelo melhor da Igreja.

Indubitavelmente, uma lição a ser aprendida dentro e fora dos espaços da Igreja. Seu gesto foi expressão de coerência e amor à vida, um gesto humano para consigo mesmo, mas acima de tudo de amor para com a própria Igreja.

Cargos, ministérios, títulos são para servir a Igreja, antes de tudo à vivência da graça batismal, como Profetas, Sacerdotes e Reis.

Agora, cabe a nós rezar a Deus para que o assista como o fez até o presente, para que ele viva o propósito de uma vida consagrada à Igreja.

A renúncia ao cargo não o dispensou do bom combate da fé, até que mereça um dia a contemplação da face divina, a coroa da glória. 

“Mensagem para o dia Mundial dos Enfermos (2012)

“Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!”

Retomemos a Mensagem do Papa Bento XVI para o XX Dia Mundial do Doente - 2012.

Iluminado pela passagem do Evangelho na qual Jesus cura os dez leprosos – “Levanta-te e vai, a tua fé te salvou!” (Lc 17, 19) oferece riquíssima reflexão sobre os Sacramentos de Cura (Sacramento da Penitência e da Reconciliação e o Sacramento da Unção dos Enfermos), que se voltam e se alimentam do Sacramento da Eucaristia, pois nele encontram o seu cumprimento natural.

Ressaltou a missão da Igreja, e de todo cristão que, a exemplo de Cristo, que Se debruçou sobre os sofrimentos materiais e espirituais do homem para  curá-los, devem fazer o mesmo (cf. Lc 10, 29-37).

Urge a tomada de consciência acerca da importância da fé para aqueles que, angustiados pelo sofrimento e pela enfermidade, se aproximam do Senhor. Ajudá-los a sentir que Deus não nos abandona em nossas angústias e sofrimentos, mas está intimamente próximo e nos ajuda a suportá-los, e por isto deseja curar profundamente o nosso coração (cf. Mc 2, 1-12).

Cada Sacramento expressa e põe em prática a proximidade do próprio Deus, que redime nossa dimensão corporal e espiritual: criação e redenção são inseparáveis. Deus que de modo admirável nos criou, de modo mais admirável nos redimiu e os Sacramentos são expressão desta unidade indissociável.

Gratidão e alegria transbordam abundantemente no coração de quem é curado, redimido da alma e do corpo – como ele próprio o diz sobre o “binómio entre saúde física e renovação das dilacerações da alma ajuda-nos a compreender melhor os «Sacramentos de cura».

Ressaltou por vários parágrafos o valor inestimável do Sacramento da Penitência, que esteve com frequência no centro da reflexão dos Pastores da Igreja, precisamente devido à sua grande importância no caminho da vida cristã, uma vez que «toda a eficácia da Penitência consiste em restituir-nos à graça de Deus e em unir-nos a Ele numa amizade perfeita» (Catecismo da Igreja Católica, n. 1.468).

A exortação Paulina «Em nome de Cristo... sejamos embaixadores: através de nós, é o próprio Deus quem exorta. Suplicamo-vos, em nome de Jesus Cristo: deixai-vos reconciliar com Deus» (2Cor 5, 20) une-se estreitamente a vida e ação de Jesus que anunciou e tornou presente a misericórdia do Pai.

“Ele veio não para condenar, mas para perdoar e salvar, para incutir esperança também na obscuridade mais profunda do sofrimento e do pecado, para conceder a vida eterna; deste modo, no Sacramento da Penitência, na «medicina da confissão», a experiência do pecado não degenera em desespero, mas encontra o Amor que perdoa e transforma” (cf. João Paulo II, Exortação Apostólica pós-sinodal Reconciliatio et paenitentia, 31)."

O Papa falou dos momentos de sofrimento, nos quais podem surgir a “... tentação de se abandonar ao desânimo e ao desespero, mas podem também transformar-se assim em tempo de graça para voltar a si mesmo e, como o filho pródigo da Parábola, reconsiderar a própria vida, reconhecendo os próprios erros e fracassos, sentindo a saudade do abraço do Pai e repercorrendo o caminho rumo à sua Casa. No Seu grande Amor, Ele vigia sempre e de qualquer modo sobre a nossa existência, e espera-nos para oferecer a cada um dos filhos que volta para Ele, o dom da plena reconciliação e da alegria.”
Ressaltou a importância do Sacramento da Unção dos Enfermos, explicitando os Evangelhos de onde sobressai claramente o modo como Jesus sempre demonstrou uma atenção particular para com os enfermos. Ele não só convidou os Seus discípulos a curar as feridas dos mesmos (cf. Mt 10, 8; Lc 9, 2; 10, 9).

Refere-se também à Carta de Tiago que valoriza e “dá testemunho da presença deste gesto sacramental já na primeira comunidade cristã (cf. Tg 5, 14-16): mediante a Unção dos Enfermos, acompanhada pela Oração dos Presbíteros, a Igreja inteira recomenda os doentes ao Senhor sofredor e glorificado, a fim de que alivie as suas penas e os salve, aliás, exorta-os a unir-se espiritualmente à Paixão e à Morte de Cristo, para contribuir deste modo para o bem do Povo de Deus.”

Tal Sacramento leva-nos a contemplar o dúplice Mistério do Monte das Oliveiras: a senda da Paixão, como gesto supremo de Amor, e como lugar da Redenção da humanidade, morrendo e subindo ao Pai. – “Na Unção dos Enfermos, a matéria sacramental do óleo é-nos oferecida por assim dizer, «como medicamento de Deus... que agora nos torna seguros da Sua bondade e deve revigorar-nos e consolar, mas ao mesmo tempo aponta para além do momento da enfermidade, para a cura definitiva, a Ressurreição (cf. Tg 5, 14)».”

Chamou a atenção para uma consideração merecida a este Sacramento, por parte de toda a Igreja, tanto na reflexão como na atuação pastoral: Valorizar os conteúdos da Oração Litúrgica que se adaptam às diversas situações humanas ligadas à doença, e não só quando o doente está no fim da própria vida (cf. Catecismo da Igreja Católica, n. 1.514), e ainda salienta que o Sacramento da Unção dos Enfermos não deve ser considerado como quê «um Sacramento menor» em relação aos demais.

Este Sacramento bem compreendido revela a atenção e a cura pastoral pelos enfermos, como sinal da ternura de Deus por aqueles que se encontram no sofrimento, e o benefício espiritual que é oferecido também aos Sacerdotes e a toda a comunidade cristã, na consciência de que o que fazemos aos mais pequeninos, é ao próprio Jesus que o fazemos (cf. Mt 25, 40).

Ressaltou a importância da Eucaristia, que quando recebida no momento da doença, contribui de maneira singular para realizar tal transformação, associando aquele que se alimenta do Corpo e do Sangue de Jesus à oferenda que Ele fez de Si mesmo ao Pai, para a Salvação de todos.

Chamou-nos a atenção: “Toda a Comunidade Eclesial, e as comunidades paroquiais em particular, prestem atenção para garantir a possibilidade de se aproximarem com frequência da Comunhão Sacramental àqueles que, por motivos de saúde ou de idade, não podem acorrer aos lugares de culto. Deste modo, a estes irmãos e irmãs é oferecida a possibilidade de revigorar a relação com Cristo Crucificado e Ressuscitado, participando com a Sua vida oferecida por Amor a Cristo, na missão da própria Igreja.”

Reafirmou que os Sacerdotes “... que exercem a sua obra delicada nos hospitais, nas casas de cura e nas habitações dos doentes se sintam verdadeiros «“ministros dos enfermos”, sinal e instrumento da compaixão de Cristo, que deve alcançar cada homem assinalado pelo sofrimento» (Mensagem para o XVIII Dia Mundial do Doente, 22 de Novembro de 2009).”

Apontou para a Eucaristia como Alimento de eternidade, citando o próprio Evangelho de João: «Quem come a minha carne e bebe o meu Sangue tem a vida eterna, e Eu ressuscitá-lo-ei no último dia» (Jo 6, 54).

Citou Santo Inácio de Antioquia, que afirmou mais tarde: «A Eucaristia é remédio de imortalidade, antídoto contra a morte» (Carta aos Efésios, 20: PG 5, 661), Sacramento da passagem da morte para a vida, deste mundo para o Pai, que a todos espera na Jerusalém Celeste.

O Papa finalizou animando e encorajando todos os trabalhos que são feitos em favor do enfermo, pois o são, na exata medida, em favor do próprio Jesus, ressaltando que é sempre necessário redescobrir a força e a beleza da fé, aprofundar os seus conteúdos e testemunhá-los na vida de todos os dias (cf. Carta Apostólica Porta fidei, 11 de Outubro de 2011).

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