domingo, 26 de janeiro de 2025

A conversão no discipulado (IIIDTCB)


 

A conversão no discipulado


Com a Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (ano B) continuamos a refletir sobre o chamado de Deus e a resposta que devemos dar.

Dando um passo a mais, somos interpelados a uma atitude de conversão para melhor resposta ao chamado de Deus. O imperativo da conversão é indispensável para que possamos acolher bem e frutuosamente a proposta de Salvação de Deus que se dirige a todos os povos, a todas as nações. Ninguém fica excluído da misericórdia, bondade e ternura de Deus.

Na passagem da primeira Leitura (Jn 3,1-5.10), temos a figura de Jonas que num primeiro momento recusa a missão por Deus confiada de anunciar a conversão dos habitantes de Nínive. Somente num segundo momento é que Jonas aceita a missão, e a conversão dos ninivitas torna-se um modelo de resposta adequada ao chamamento de Deus.

Na Profecia de Jonas temos duas lições: a universalidade do Amor de Deus que ama os pecadores e quer a sua conversão e a abertura dos pagãos ao Projeto de Salvação de Deus, o que não necessariamente se deu com o Povo eleito. Mais uma vez contemplamos a lógica divina que é bondade e misericórdia.

A atualidade desta passagem bíblica nos leva a refletir sobre a fragilidade de nacionalismos, racismos, particularismos, exclusivismos, marginalização e atitudes xenofóbicas.

A passagem da segunda Leitura (1 Cor 7,29-31) nos leva à reflexão sobre a brevidade do tempo, com a expressão Paulina – “a figura deste mundo passa”. A adesão ao Reino e o amor a Jesus exigem que saibamos fazer uma escala de valores: o que é eterno e o que é efêmero. O discípulo de Jesus não pode ser seduzido pelo que é passageiro.

Reflitamos:

- Onde se encontram nossa esperança, confiança e objetivo de nossa vida?
- Sabemos viver intensamente cada momento que Deus nos concede, considerando sua brevidade?
- Os valores do Reino são os valores absolutos em nossa vida?

Da mesma forma, na passagem do Evangelho (Mc 1,14-20), Jesus faz a todos os homens o convite para se tornarem Seus discípulos, mas num necessário caminho de conversão e adesão à Sua Boa Nova. A chegada do Reino implica em “metanoia” (conversão) para sua acolhida. Acolher sua Boa Nova e nela acreditar num permanente caminho de conversão.

 Podemos dividir o Evangelho em duas partes:

- Na primeira temos um resumo da pregação de Jesus;
- Na segunda refletimos sobre os primeiros passos de Sua comunidade.

Há algumas marcas que transparecem e que nos levam ao aprofundamento:

- O chamamento dos discípulos é uma iniciativa de Jesus a homens simples do povo; pessoas com suas histórias de vida, profissão, ocupadas em atividades do cotidiano;

- O chamado é categórico – não há preparação remota para seguimento. Uma decisão radical que pedirá constante entrega da própria vida;

- A adesão e o seguimento não são abstratos para depois seguir. Adesão e seguimento num permanente processo de aprendizado para que, como pessoas novas, ame-se a Deus e aos irmãos;

- O chamado de Deus exige resposta pronta e imediata, total e incondicional. Deixar tudo para segui-Lo.

Diante disto já podemos nos questionar sobre:

- a disponibilidade que temos para a maravilhosa aventura do Reino;
a disposição e alegria que temos em sermos instrumentos do Reino de Deus;
- a nossa disposição em acolher e percorrer o caminho do discípulo, o caminho de conversão.

Iniciando mais um ano, que o olhar do Divino Mestre, que incansavelmente se volta para cada de nós, não fique sem uma resposta alegre e generosa.

Que nossas “trocas de olhares” com o Amado, nos levem a dizer sim ao Deus Amante, para que sejamos envolvidos pelo sopro do Amor que nos vem do Divino Espírito.

Que o olhar cheio de Amor e ternura de Deus pela humanidade tenha de cada de um nós o melhor olhar de quem se sentiu amado, seduzido e por Seu Amor envolvido.

É impossível ficar indiferente e insensível ao olhar amoroso de Deus e ao apelo de conversão que Ele nos faz insistentemente.

Quanto mais profunda e sincera nossa conversão mais límpido será nosso olhar, mais felizes o seremos.

Quanto mais correspondermos ao olhar amoroso de Deus, mais largos horizontes veremos, e um mundo novo vislumbraremos. Esta é a mística do Reino, esta é a mística e o efeito do Amor de Deus em nós. Deus nos ama para nos fazer melhores, realizados.

Deus nos ama, e quando nos deixamos envolver por este Amor o tempo tem outro sentido, as coisas que nos cercam também.

Ser discípulo é viver intensamente envolvido na paixão pelo Reino, inserido e envolvido pelo Amor Trinitário.

Que o nosso coração transborde o Amor Divino (IIIDTCB)

                                                       


Que o nosso coração transborde o Amor Divino

“Pois o Amor que d’Ele vem e
experimentamos é impossível de ser contido.”

Aprofundemos o tema da Liturgia do 3º Domingo do Tempo Comum (Ano B): a Encarnação e Missão do Verbo, uma vez que a missão do Senhor é também a nossa missão, missão de uma comunidade que escuta, acolhe, acredita, anuncia, testemunha a Sua Palavra.

Vejamos o que nos diz o autor da Epístola aos Hebreus:

“Muitas vezes e de muitos modos falou Deus outrora aos nossos pais, pelos Profetas; nestes dias, que são os últimos, Ele nos falou por meio do Filho, a quem Ele constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual Ele também criou o universo.

Este é o esplendor da glória do Pai, a expressão do Seu ser. Ele sustenta o universo com o poder de Sua Palavra. Tendo feito a purificação dos pecados, Ele sentou-Se à direita da Majestade Divina, nas alturas. Ele foi colocado tanto acima dos Anjos quanto o nome que Ele herdou supera o nome deles.” (Hb 1,1-4)

De fato, Deus Se revelou e Se comunicou com a humanidade num momento histórico, por meio de Jesus de Nazaré, a Palavra de Deus viva e encarnada.

Esta citação nos ajuda a dar um passo neste itinerário espiritual:

“Jesus é a Palavra de Deus no meio de nós, porque a Palavra não é uma coisa, mas uma pessoa: ‘A Palavra fez-Se Carne e habitou entre nós’ (Jo 1,14).

Jesus é o Messias enviado por Deus e consagrado pelo Espírito para falar em nome do Senhor, trazendo a Sua misericórdia, a liberdade e o auxílio aos cativos, aos pobres, aos oprimidos (Lc 4,14-21).

A condição hoje necessária a cada cristão é o acolhimento de Jesus e da Sua Palavra” (1)

Apresento citações do Missal Cotidiano para a compreensão desta inserção do Verbo em nossa história:

- “A Bíblia é a literatura de um povo; nela estão reunidas as vicissitudes, os sofrimentos, as angústias, as alegrias e as esperanças da história de um povo; as reflexões dos sábios, os líricos, os hinos dos poetas, as canções populares até a vida das primitivas comunidades cristãs... A história passada é lida como Palavra de Deus para que, à sua luz, possamos ler a nossa história, a nossa vida, e descobrir e encontrar Deus nas vicissitudes do nosso cotidiano”

“... A Igreja não proclama uma abstrata ideologia humana, mas a Palavra que Se fez Carne em Cristo, Filho de Deus, Senhor e Redentor de todos os homens”.

- “Antigo e Novo Testamento se tornam atuais, próximos, se não ficarmos presos à letra morta. Mais cedo ou mais tarde descobriremos que podemos dizer a cada página – ‘Aqui se fala de nós. Eu sou Adão.

Nós somos os apóstolos no mar. Encontramo-nos precisamente como Jesus no caminho do Calvário e da Ressurreição. Assim, através da Palavra de Deus, vamos lentamente descobrindo como é nossa vida aos olhos d’Ele, isto é, na dimensão profunda...’

A Palavra que vem de Deus possui a força e a eficácia de Deus. Interpela, provoca, consola, cria comunhão e salva, das mais diversas maneiras, conforme os momentos e as formas; todo ato de pregação é glorificação de Deus e acontecimento sociológico para os homens. Hoje, também, a Palavra quer tornar-se carne para nossa vida”.

A força e a eficácia da Palavra em nossa vida são inegáveis:

“A Palavra de Deus deve ser conhecida, redescoberta, vivida. A Palavra de Deus fundamenta a fé dos crentes e constrói a Igreja: ‘A Palavra de Deus é viva, eficaz’ (Hb 4,12); ‘toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar... para que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda a boa obra’ (2Tm 3,16-17). Pedro diz claramente que: ’nascemos de novo, não de uma semente mortal, mas imortal, por meio da Palavra de Deus, que é viva e permanece’” (1Pd 1,23)”.

Concluamos com as palavras de São João Crisóstomo, em sua Homilia sobre o Evangelho de São João:

“As Escrituras não nos foram dadas para que as conservássemos só escritas nos livros, mas para que as gravássemos no coração [...] impressas na alma para que esta fosse purificada”.

Ouçamos o Senhor falando bem no fundo de nossa alma, sintamos Sua afetuosa presença.

Digamos a Ele o quanto ainda não bastante O amamos, mas digamos, também, que desejamos amá-Lo com todo o nosso ser, nossa alma, nossa força e nosso entendimento, pois Ele é Aquele que Se fez igual a nós, exceto no pecado, para caminhar conosco.

Reclinemos em Seu Sagrado Coração, como fez o discípulo amado, e nada mais digamos, pois diante do amor, as palavras se tornam desnecessárias. 

Refeitos pelo Amor e carinho do Senhor, revigorados pelo Pão da Palavra e da Eucaristia, vamos ao encontro de nosso próximo, pois o Amor que d’Ele vem e experimentamos é impossível de ser contido.


(1) Lecionário Comentado -  Volume Tempo Comum – Editora Paulus - Lisboa -  p.121. 

Timóteo e Tito: corajosas testemunhas e luminares de nossa fé (26/01)

                                                             

Timóteo e Tito: corajosas testemunhas e luminares de nossa fé
 
Fé não é ausência de problemas, ao contrário,
é saber que o Senhor caminha conosco e
nos ajuda a enfrentá-los e superá-los .
 
Celebramos no dia 26 de janeiro a Memória de dois Bispos da Igreja: São Timóteo e São Tito, que foram dois grandes fiéis colaboradores do Apóstolo Paulo nos primeiros momentos missionários da Igreja.


Sejamos enriquecidos por uma das Homilias do Bispo São João Crisóstomo (séc IV), na celebração desta Memória.


“Na estreiteza do cárcere, Paulo parecia habitar no céu. Recebia os açoites e feridas com mais alegria do que outros que recebem coroas de triunfo; e não apreciava menos as dores do que os prêmios, porque considerava estas mesmas dores como prêmios que desejava, e até as chamava de graças.


Caminhando com o Senhor, não são poucas  as dificuldades, provações, perseguições e incompreensões, como Ele mesmo advertiu quando escolhia, chamava, formava e enviava os Seus discípulos.
 
Considerai com atenção o significado disto: prêmio, para ele, era partir, para estar com Cristo (cf. Fl 1,23), ao passo que viver na carne significava o combate. Mas, por causa de Cristo, sobrepunha ao desejo do prêmio à vontade de prosseguir o combate, pois considerava ser isto mais necessário.
 
Estar longe de Cristo representava para ele o combate e o sofrimento, mais ainda, o máximo combate e a mais intensa dor. Pelo contrário, estar com Cristo era um prêmio único. Paulo, porém, por amor de Cristo, prefere o combate ao prêmio.
 
Talvez algum de vós afirme: Mas ele sempre dizia que tudo lhe era suave por amor de Cristo! Isso também eu afirmo, pois as coisas que são para nós causa de tristeza eram para ele enorme prazer.
 
E por que me refiro aos perigos e tribulações que sofreu? Na verdade, seu profundo desgosto o levava a dizer: Quem é fraco, que eu também não seja fraco com ele? Quem é escandalizado, que eu não fique ardendo de indignação? (2Cor 11,29).
 
Rogo-vos, pois, que não vos limiteis a admirar este tão ilustre exemplo de virtude, mas, imitai-o. Só assim poderemos ser participantes da sua glória.
 
E se algum de vós se admira por eu dizer que quem imita os méritos de Paulo participará da sua recompensa, ouça o que ele mesmo afirma: Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé. Agora está reservada para mim a coroa da justiça, que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia; e não somente a  mim, mas também a todos que esperam com amor a Sua manifestação gloriosa (2Tm 4,7-8).
 
Por conseguinte, já que é oferecida a todos a mesma coroa de glória, esforcemo-nos todos por ser dignos dos bens prometidos.
 
Não devemos considerar em Paulo apenas a grandeza e a excelência das virtudes, a prontidão de espírito e o propósito firme, pelos quais mereceu tão grande graça; mas pensemos também que a sua natureza era em tudo igual à nossa; e assim, também a nós, as coisas que são muito difíceis parecerão fáceis e leves.
 
Suportando-as valorosamente neste breve espaço de tempo em que vivemos, ganharemos aquela coroa incorruptível e imortal, pela graça e misericórdia de nosso Senhor Jesus Cristo. A Ele a glória e o poder, agora e sempre, pelos séculos dos séculos. Amém.”
 
A São Timóteo e são Tito. colaboradores do Apóstolo Paulo, como mencionarmos, foram dirigidas as Cartas chamadas “Pastorais”, nas quais se encontram excelentes recomendações para a formação dos pastores e dos fiéis.
 
À luz do testemunho destas corajosas testemunhas do Evangelho, renovemos a nossa coragem e fidelidade no seguimento como discípulos missionários do Senhor.
 
Timóteo, filho de pai pagão e mãe judia, foi o discípulo predileto de Paulo, e  talvez tenha sido convertido pelo Apóstolo durante sua primeira viagem missionária. A ele, foi confiado inúmeros encargos, em várias circunstâncias, às comunidades de Tessalônica, Macedônia e Corinto.
 
No Novo Testamento, há duas Cartas dirigidas a São Timóteo pelo Apóstolo. Esteve ao lado de Paulo em sua primeira prisão, e sua presença foi solicitada por ele em sua segunda prisão. Exerceu a função de Bispo em Éfeso.
 
Tito, de família pagã, foi fiel colaborador de Paulo, provavelmente convertido na primeira viagem missionária do Apóstolo. Também acompanhou Paulo e Barnabé em viagem a Jerusalém, onde o Apóstolo se opôs energicamente aos que pretendiam impor a circuncisão a seu discípulo. Há uma Carta a ele dirigida no Novo Testamento.
 
Urge que vivamos com mais ardor a nossa fé, tendo como exemplos o testemunho de Timóteo, Tito e Paulo, a fim de que sejamos intrépidos na fé.
 
Neste sentido, compreendamos como ter fé,  não como ausência de problemas, ao contrário, é saber que o Senhor caminha conosco e nos ajuda a enfrentá-los e superá-los.
 
Oremos:
 
“Ó Deus, que ornastes São Timóteo e São Tito com as virtudes dos Apóstolos, concedei-nos, pela intercessão de ambos, viver neste mundo com piedade e justiça, para chegar ao céu, nossa pátria. Por N. S. J. C. Amém!”
 
 
PS: Passagem bíblica - Segunda Carta de Paulo a Timóteo (2 Tm 3,10-17)

Vivamos com equilíbrio, justiça e piedade (26/01)

                                                        

Vivamos com equilíbrio, justiça e piedade 

No dia 26 de janeiro, celebramos a Memória de dois bispos da Igreja, São Timóteo e São Tito, discípulos e colaboradores de São Paulo

Timóteo nasceu em Listra, na Ásia Menor, de mãe judia e pai gentio, e converteu-se na primeira viagem de São Paulo àquela cidade. Destacou-se pela fidelidade com que seguia o Apóstolo; devia ser muito jovem quando São Paulo pediu aos cristãos de Corinto que o tratassem com respeito, e ainda não tinha muitos anos quando foi nomeado bispo de Éfeso. A tradição diz que morreu mártir nesta cidade.

Tito foi um dos discípulos mais apreciados por São Paulo. Filho de pais pagãos, foi convertido pelo próprio Apóstolo. Assistiu com ele e com Barnabé ao Concílio de Jerusalém. Nas Epístolas de São Paulo, aparece como um homem cheio de coragem e firmeza contra os falsos mestres e as doutrinas errôneas que já começavam a aparecer. Morreu, quase centenário, por volta do ano 105”.

Na passagem da Carta de Paulo a Tito, proclamada no Natal do Senhor (Missa da Noite), o Apóstolo nos apresenta a face de um Deus que comunica a Sua graça a todos, oferecendo a Salvação, conduzindo a todos para uma vida feliz e verdadeira (Tt 2,11-14).

O Nascimento de Jesus reorienta o curso da História e o sentido de nossas vidas, de modo que, acolhê-lo como nosso Salvador, d’Ele, tornar-se um discípulo, exigirá que vivamos com equilíbrio, justiça e piedade,  renunciando ao mal, como tão bem nos exorta o Apóstolo Paulo escrevendo a Tito.

Seja a nossa vida pautada por estas palavras, com sua densidade salutar e inesgotável: equilíbrio, justiça e piedade.

Em todos os momentos deste ano, nossos pensamentos e ações sejam iluminados por esta exortação, e tão somente assim, teremos vida plena e feliz.

  

Espírito de fortaleza, amor e sobriedade (26/01)

                                                         

Espírito de fortaleza, amor e sobriedade

No dia 26 de janeiro, celebramos a Memória dos Bispos São Timóteo e São Tito, e ouvimos, na primeira leitura, a passagem da segunda Carta de Paulo a Timóteo (2 Tm 1,1-8).

O Apóstolo Paulo exorta Timóteo, e toda a comunidade, a se manterem fiéis no discipulado, deixando de lado todo o medo, acomodação, instalação e distração.

Na vida dos discípulos missionários, não pode haver lugar para o desânimo e vacilo na fé. É preciso manter o ânimo, com fortaleza; enfrentar e superar as dificuldades, com fidelidade total no testemunho da fé n’Aquele que nos chamou, Jesus.

Tomando consciência da presença amorosa e da preocupação de Deus para conosco, continuar no bom combate, no testemunho da fé. É preciso sempre levar a sério a vocação para a qual Deus nos chama, superando toda e qualquer forma de timidez, medo, insegurança.

Deste modo, a presença de Deus sentimos pela ação do Espírito Santo, certos de que não nos foi dado “Espírito de timidez, mas de força, de amor, de sabedoria”.

Assim afirma o Missal Cotidiano:

“Não devemos envergonhar-nos de dar testemunho de Cristo. É necessário coragem diante dos opositores externos e internos à comunidade. Como Paulo, que não tem desgostos, porque lutou bem e está em vias de dar a Cristo o supremo testemunho de fé e amor, precisamos não nos deixar desgastar pela luta, mas permanecer unidos aos que receberam de Cristo a missão de guiar a comunidade dos fiéis” (p. 856). 

Com a graça, a misericórdia e a paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor, reavivemos a chama do dom de Deus, que nos foi concedida por Sua misericórdia, e não nos envergonhemos de dar testemunho de nosso Senhor e de todos os que por Ele foram chamados para a continuidade de Sua missão, como nos exortou o próprio Apóstolo Paulo (2Tm 1,8).

Renovemos, portanto, a alegria e o ardor na graça de sermos discípulos missionários do Senhor, fazendo a mais bela súplica: Enviai-nos, Senhor, o Vosso Espírito e renovai as nossas forças. Enviai-nos, Senhor, Vosso Espírito, e tudo se renovará. Amém. 

sábado, 25 de janeiro de 2025

Lições paulinas para uma Igreja missionária (25/01)

                                     

Lições paulinas para uma Igreja missionária

Na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos o discurso de Paulo dirigido aos responsáveis da Igreja de Éfeso, um “discurso de adeus”.

Assim como Jesus, o Divino Mestre, quando da iminência da Sua partida, reúne os discípulos, recorda o que fez e disse, Paulo confia aos seus o cuidado da comunidade e o prolongamento da sua missão, adverte-os dos perigos que os ameaçam, convida-os a vigiar e perseverar (At 20,17-27).

Vemos a incansável e intensa atividade missionária de Paulo, traduzida em serviço e dom da própria vida, numa total pertença a Deus, entrega incondicional da existência, por amor do Senhor.

O adeus de Paulo aos presbíteros e responsáveis pela Igreja, que ele gerou para a fé, é como seu testamento espiritual e pastoral, cheio de ternura e recomendações, de esperanças e temor: “Começa a etapa final da terceira viagem de Paulo. Como as anteriores, também esta se fecha com discurso. Na primeira viagem, o discurso foi aos judeus (Atos 13, 16-41).

Na segunda, aos pagãos (Atos 17, 23-31). Nesta terceira, o discurso se dirige às lideranças, aqui representadas pelos anciãos da Igreja de Éfeso. É uma despedida, que faz memória e apresenta um testemunho de vida.

O Apóstolo olha o momento presente, afirmando que não sabe o que espera por ele em Jerusalém. Por fim, prepara sua substituição. Dá as últimas instruções e relembra aos anciãos que ‘eles foram colocados pelo Espírito Santo como guardiães do rebanho’.

Entre as recomendações, destaca-se não cobiçar nada de ninguém, dar testemunho verdadeiro e ajudar os fracos. Lucas relembra aos líderes cristãos das comunidades de sua época que eles são os sucessores de Paulo, e devem levar adiante a missão dos Apóstolos”. (1)

Com o Apóstolo, aprendemos que servir ao Senhor exige doação total, exclusiva, incondicional e contínua, em fidelidade constante, por isto é uma fonte de liberdade.

A atividade deste revela que sua missão não foi sua opção, mas fruto de uma eleição da comunidade, uma confiança que vem do próprio Senhor, como ele mesmo afirma – “a missão que recebi do Senhor” (v.24).

Realizando a missão com total gratuidade, pôde exortar aos anciãos, que devem evangelizar com total desinteresse material, como ele mesmo o fez, para que, assim, fiquem livres para anunciar o Evangelho e serem solidários com os pobres (vv. 34-35): – “A fidelidade ao Evangelho e o desinteresse escrupuloso são a melhor defesa dos Pastores da Igreja contra todas as intrigas dos que os perturbam” (vv. 29-31). (2)

Deste modo, podemos destacar alguns traços que devem estar presentes na vida dos discípulos missionários do Senhor:

- enfrentar com coragem as provações e tribulações, assim como Jesus (cf. Jo 13, 18-27);

- ter a consciência de que o ministério apostólico não tem êxito garantido, no sentido que não está imune ao sacrifício e até mesmo do martírio;

- estar preparado para a possibilidade de desertores e quem o renegue, assim como o próprio Senhor teve em Seu grupo um que O traiu e alguns que desertaram, em fuga, no momento crucial, no momento da prova, do flagelo e da morte na Cruz;

- ter a  humilde confiança de que por mais que tenhamos feito é ainda nunca bastante pelo que Deus fez e faz, por Amor, em favor de todos nós; confiando plenamente no justo Julgamento que será feito por Jesus;

- a missão que Deus nos confia tem uma motivação Trinitária: a missão vem do Espírito e diz respeito à Igreja, que Deus Pai conquistou pelo Sangue do Seu Filho;

- viver uma relação profunda de comunhão, amor e ternura com a comunidade que foi lhe confiada: “Em tudo lhes mostrei que, trabalhando assim, é preciso ajudar os fracos, recordando as Palavras do Senhor Jesus que disse: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber’. Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se com todos eles e rezou. Todos então começaram a chorar muito. E, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam. Estavam muito tristes, sobretudo porque lhes havia dito que nunca mais veriam a sua face. E o acompanharam até o navio.” (vv. 35 -38);

- ser vigilante para não se fragilizar diante das dificuldades;

- coragem para suportar os momentos e acontecimentos adversos, ventos contrários, e confiança na Palavra de Deus, precisam estar sempre presentes, inseparavelmente, na vida dos discípulos missionários.

Podemos também fazer nossa parte, com a ação e presença do Espírito Santo que nos foi enviado, para que suportemos as  provações, incompreensões e dificuldades na evangelização, como o Apóstolo Paulo e tantos outros suportaram, por amor ao Senhor, empenhados na construção do Reino de Deus.

Reflitamos:
- Quais são outras características que aparecem?
- De que modo elas estão presentes em nossa missão como discípulos missionários do Senhor?
  
Oremos:
“Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos Vossos fiéis, e acendei neles o fogo do Vosso Amor...”



(1) Nova Bíblia Pastoral – Editora Paulus – 2013 – nota p.1353.
(2) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - p.631 

Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade (25/01)


Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Filipenses: “Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.” (Fl 4,1).

Um pouco antes Paulo lamentava chorando, que alguns pelo agir comportavam-se como inimigos da Cruz de Cristo, porque tão distantes da vontade de Deus, exortando a comunidade a viver como cidadãos dos céus (Fl 3,17-4,1).

Infelizmente esta realidade é teimosamente persistente em cada tempo.

Notemos a relação do pastor com a comunidade. Vejamos como Paulo se referiu à comunidade: “... meus irmãos, a quem quero bem...” e mais ainda: “... dos quais sinto saudade...”

Como é bom viver em comunidade e escrever na Igreja uma história de amor, deixando marcas e sendo marcado pelo amor verdadeiro que se celebra em cada Eucaristia.

Reflitamos:

- De quem sentimos saudades?
- A quem queremos tão bem, ainda que não tão perto, mas mais do que perto de nós, pois é próprio do amor encurtar distâncias?
- Quem são as pessoas que poderiam ouvir de nós: vocês são “... minha alegria, minha coroa, meus amigos”?

E a parte final do versículo: “... continuai firmes no Senhor”. Quantos neste exato momento precisam ouvir esta palavra, ou melhor, esta Palavra. Porque há palavras e Palavra. Deus tem a Palavra, Ele é a Palavra que nos ilumina e nos fortalece em todos os instantes.

Bem nos disse o próprio Paulo – “tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13), somente assim poderemos com ele repetir, se considerarmos tudo como perda por causa do conhecimento de Jesus.

Há muito o que aprendermos com o Apóstolo, para, a seu exemplo, termos graça de aumentar o rol de nossas alegrias e coroas: nossos amigos e amigas; termos a graça de nos ajudarmos mutuamente na firmeza da fé, porque a caridade não pode deixar de ser a mais Bela Chama Devoradora do Amor de Deus, tão pouco a esperança como âncora que assegure melhores travessias para horizonte outro: felicidade presente, glória da eternidade, céu!

Permanecer na fé é preciso!
E assim, o conhecimento e o enamoramento por Cristo
nos concederão a graça de multiplicarmos relacionamentos
que serão saudades a serem 
silenciosamente contempladas
e guardadas no mais
Belo Coração, o Coração de Jesus.
                

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