sábado, 25 de janeiro de 2025

Lições paulinas para uma Igreja missionária (25/01)

                                     

Lições paulinas para uma Igreja missionária

Na passagem do Livro dos Atos dos Apóstolos, encontramos o discurso de Paulo dirigido aos responsáveis da Igreja de Éfeso, um “discurso de adeus”.

Assim como Jesus, o Divino Mestre, quando da iminência da Sua partida, reúne os discípulos, recorda o que fez e disse, Paulo confia aos seus o cuidado da comunidade e o prolongamento da sua missão, adverte-os dos perigos que os ameaçam, convida-os a vigiar e perseverar (At 20,17-27).

Vemos a incansável e intensa atividade missionária de Paulo, traduzida em serviço e dom da própria vida, numa total pertença a Deus, entrega incondicional da existência, por amor do Senhor.

O adeus de Paulo aos presbíteros e responsáveis pela Igreja, que ele gerou para a fé, é como seu testamento espiritual e pastoral, cheio de ternura e recomendações, de esperanças e temor: “Começa a etapa final da terceira viagem de Paulo. Como as anteriores, também esta se fecha com discurso. Na primeira viagem, o discurso foi aos judeus (Atos 13, 16-41).

Na segunda, aos pagãos (Atos 17, 23-31). Nesta terceira, o discurso se dirige às lideranças, aqui representadas pelos anciãos da Igreja de Éfeso. É uma despedida, que faz memória e apresenta um testemunho de vida.

O Apóstolo olha o momento presente, afirmando que não sabe o que espera por ele em Jerusalém. Por fim, prepara sua substituição. Dá as últimas instruções e relembra aos anciãos que ‘eles foram colocados pelo Espírito Santo como guardiães do rebanho’.

Entre as recomendações, destaca-se não cobiçar nada de ninguém, dar testemunho verdadeiro e ajudar os fracos. Lucas relembra aos líderes cristãos das comunidades de sua época que eles são os sucessores de Paulo, e devem levar adiante a missão dos Apóstolos”. (1)

Com o Apóstolo, aprendemos que servir ao Senhor exige doação total, exclusiva, incondicional e contínua, em fidelidade constante, por isto é uma fonte de liberdade.

A atividade deste revela que sua missão não foi sua opção, mas fruto de uma eleição da comunidade, uma confiança que vem do próprio Senhor, como ele mesmo afirma – “a missão que recebi do Senhor” (v.24).

Realizando a missão com total gratuidade, pôde exortar aos anciãos, que devem evangelizar com total desinteresse material, como ele mesmo o fez, para que, assim, fiquem livres para anunciar o Evangelho e serem solidários com os pobres (vv. 34-35): – “A fidelidade ao Evangelho e o desinteresse escrupuloso são a melhor defesa dos Pastores da Igreja contra todas as intrigas dos que os perturbam” (vv. 29-31). (2)

Deste modo, podemos destacar alguns traços que devem estar presentes na vida dos discípulos missionários do Senhor:

- enfrentar com coragem as provações e tribulações, assim como Jesus (cf. Jo 13, 18-27);

- ter a consciência de que o ministério apostólico não tem êxito garantido, no sentido que não está imune ao sacrifício e até mesmo do martírio;

- estar preparado para a possibilidade de desertores e quem o renegue, assim como o próprio Senhor teve em Seu grupo um que O traiu e alguns que desertaram, em fuga, no momento crucial, no momento da prova, do flagelo e da morte na Cruz;

- ter a  humilde confiança de que por mais que tenhamos feito é ainda nunca bastante pelo que Deus fez e faz, por Amor, em favor de todos nós; confiando plenamente no justo Julgamento que será feito por Jesus;

- a missão que Deus nos confia tem uma motivação Trinitária: a missão vem do Espírito e diz respeito à Igreja, que Deus Pai conquistou pelo Sangue do Seu Filho;

- viver uma relação profunda de comunhão, amor e ternura com a comunidade que foi lhe confiada: “Em tudo lhes mostrei que, trabalhando assim, é preciso ajudar os fracos, recordando as Palavras do Senhor Jesus que disse: ‘Há mais felicidade em dar do que em receber’. Tendo dito isto, Paulo ajoelhou-se com todos eles e rezou. Todos então começaram a chorar muito. E, lançando-se ao pescoço de Paulo, o beijavam. Estavam muito tristes, sobretudo porque lhes havia dito que nunca mais veriam a sua face. E o acompanharam até o navio.” (vv. 35 -38);

- ser vigilante para não se fragilizar diante das dificuldades;

- coragem para suportar os momentos e acontecimentos adversos, ventos contrários, e confiança na Palavra de Deus, precisam estar sempre presentes, inseparavelmente, na vida dos discípulos missionários.

Podemos também fazer nossa parte, com a ação e presença do Espírito Santo que nos foi enviado, para que suportemos as  provações, incompreensões e dificuldades na evangelização, como o Apóstolo Paulo e tantos outros suportaram, por amor ao Senhor, empenhados na construção do Reino de Deus.

Reflitamos:
- Quais são outras características que aparecem?
- De que modo elas estão presentes em nossa missão como discípulos missionários do Senhor?
  
Oremos:
“Vinde Espírito Santo, enchei o coração dos Vossos fiéis, e acendei neles o fogo do Vosso Amor...”



(1) Nova Bíblia Pastoral – Editora Paulus – 2013 – nota p.1353.
(2) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - 2011 - p.631 

Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade (25/01)


Aprendendo com o Apóstolo Paulo: o Pastor e a Comunidade

Reflexão à luz da passagem da Carta aos Filipenses: “Assim, meus irmãos, a quem quero bem e dos quais sinto saudade, minha alegria, minha coroa, meus amigos, continuai firmes no Senhor.” (Fl 4,1).

Um pouco antes Paulo lamentava chorando, que alguns pelo agir comportavam-se como inimigos da Cruz de Cristo, porque tão distantes da vontade de Deus, exortando a comunidade a viver como cidadãos dos céus (Fl 3,17-4,1).

Infelizmente esta realidade é teimosamente persistente em cada tempo.

Notemos a relação do pastor com a comunidade. Vejamos como Paulo se referiu à comunidade: “... meus irmãos, a quem quero bem...” e mais ainda: “... dos quais sinto saudade...”

Como é bom viver em comunidade e escrever na Igreja uma história de amor, deixando marcas e sendo marcado pelo amor verdadeiro que se celebra em cada Eucaristia.

Reflitamos:

- De quem sentimos saudades?
- A quem queremos tão bem, ainda que não tão perto, mas mais do que perto de nós, pois é próprio do amor encurtar distâncias?
- Quem são as pessoas que poderiam ouvir de nós: vocês são “... minha alegria, minha coroa, meus amigos”?

E a parte final do versículo: “... continuai firmes no Senhor”. Quantos neste exato momento precisam ouvir esta palavra, ou melhor, esta Palavra. Porque há palavras e Palavra. Deus tem a Palavra, Ele é a Palavra que nos ilumina e nos fortalece em todos os instantes.

Bem nos disse o próprio Paulo – “tudo posso n’Aquele que me fortalece” (Fl 4,13), somente assim poderemos com ele repetir, se considerarmos tudo como perda por causa do conhecimento de Jesus.

Há muito o que aprendermos com o Apóstolo, para, a seu exemplo, termos graça de aumentar o rol de nossas alegrias e coroas: nossos amigos e amigas; termos a graça de nos ajudarmos mutuamente na firmeza da fé, porque a caridade não pode deixar de ser a mais Bela Chama Devoradora do Amor de Deus, tão pouco a esperança como âncora que assegure melhores travessias para horizonte outro: felicidade presente, glória da eternidade, céu!

Permanecer na fé é preciso!
E assim, o conhecimento e o enamoramento por Cristo
nos concederão a graça de multiplicarmos relacionamentos
que serão saudades a serem 
silenciosamente contempladas
e guardadas no mais
Belo Coração, o Coração de Jesus.
                

Paulo, um apaixonado por Cristo! (parte I)(25/01)

                                                       


Paulo, um apaixonado por Cristo!                    
Também o sejamos!

A Igreja celebra em 25 de janeiro a conversão de São Paulo ou poderíamos dizer sua vocação! “Conversão ou vocação”?

Diremos “vocação”, porque o próprio Paulo nunca se refere ao seu chamado como um ato de conversão.

O radicalismo com que ele aderiu ao Cristo estava em continuidade ao que trazia de suas convicções judaicas. Em Gálatas (Gl 5,16) ele nos fala em poucas palavras o que aconteceu: “Quando, porém, Aquele que me separou desde o seio materno e me chamou por Sua graça, houve por bem revelar em mim o Seu Filho, para que eu o evangelizasse entre os gentios, não consultei carne nem sangue...”. Lembra as vocações de Jeremias e Isaías (Is 49,1; Jr 1,5), mas os supera, pois ele próprio diz: “... chamou por Sua graça...”.

Sua conversão não era o resultado de bonitos pensamentos, de puras reflexões pessoais, mas o fruto de uma intervenção divina, de uma graça divina imprevisível.

A partir dessa mudança, tudo o que antes constituía para ele um valor se converteu em perda e lixo (Fl 3,7-10). 

Suas Cartas, sua vida, sua trajetória, sua conversão, sua vocação nos provocam a fidelidade ao Reino e ao Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. 

Meditá-las é sempre gratificante, pois nos questiona, levando-nos a ter mais coragem, maior amor, ardor e empenho com a causa do Evangelho…

Urge num mundo marcado por tantas infidelidades, desencontros, que nosso encontro com o Senhor, cotidianamente, seja marcado por maior fidelidade incondicional!

Oremos:

Ó Deus, dai-nos ardor para que, a exemplo de Paulo, formando e gerando Cristo em nós, digamos e assim o vejam em nós: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20).

Dai-nos a humildade para reconhecer nossas limitações e incoerências; medos e inconsistências... E, assim, sejamos, um dia, dignos de contemplarmos Aquele que, por ora, na fé anunciamos e testemunhamos, na alegria e esperança da eternidade que em nosso coração, dia a dia, desabrocha, para glorioso encontro com todos os que já Vos servem e Vos cercam nos céus. Amém!

Paulo, um apaixonado por Cristo! (Parte II)(25/01)

                                               

Paulo, um apaixonado por Cristo!                       
Também o sejamos!

O “nascimento” de Paulo para o cristianismo, como testemunha e enviado de Jesus Cristo acontece nas dores do parto da Igreja primitiva, que sai das estruturas e instituições judaicas para se aventurar nas estradas do mundo dos povos.

Paulo não conviveu pessoalmente com Jesus de Nazaré, não participou das Suas idas e vindas missionárias pela Judeia, Galileia e Samaria, não presenciou nenhum milagre realizado por Ele.

Mas, a partir daquela inesquecível interpelação quando se dirigia a Damasco: "Saulo, Saulo, por que me persegues?"... Sentiu-se agarrado por Jesus, a ponto de fazer sua opção radical por Ele: "que queres que eu faça?" (At 9, 4-6).

A experiência de Damasco (cerca de 200 km de Jerusalém) foi decisiva em determinar a direção de seu pensamento.

A sua “conversão” é descrita em Atos 9, 1-30; 22-5-16; 26,9-18.

A graça na teologia paulina: doação, ação, benefícios concedidos em transbordamento; gera e edifica.

Paulo fez uma experiência interna da verdade de Jesus. Ele experimentou dentro dele mesmo, por graça de Deus, que Jesus existia, estava vivo e não era uma fraude. Algo muito forte aconteceu na vida de Paulo naquele momento. Ele sentiu por dentro a presença de Jesus e entregou-se. Não tinha outro jeito. Ali estava Jesus vivo! O Messias vindo de Nazaré, enviando-o a anunciar o Evangelho aos pagãos.

Se o discípulo (a) nasce pelo fascínio do encontro pessoal com Cristo ressuscitado, São Paulo aparece como modelo ímpar de apóstolo no amor e no seguimento de Jesus.

A experiência do encontro pessoal com Cristo tocou fundo a pessoa de Paulo, provocando nele a “conversão” e o compromisso inadiável com o anúncio explícito do Evangelho: "Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho" (1Cor 9, 16).

Desde aquele momento, Paulo pôs todas as suas energias a serviço exclusivo de Jesus Cristo e de Seu Evangelho. Ele se definirá como: "Apóstolo por vocação" (Rm 1, 1; 1Cor 1, 1); "Apóstolo por vontade de Deus" (2Cor 1, 1; Ef 1, 1; Cl 1, 1), um Apóstolo que quer "fazer-se tudo a todos", sem reservas (1Cor 9, 22).

Em sua primeira pregação, encontrou a hostilidade dos judeus, que o perseguiram pelo resto de sua vida; então foi considerado, e o seria a seguir: o grande renegado.

Foi provavelmente depois de sua fuga de Damasco que retornou a Jerusalém pela primeira vez, desde sua partida como perseguidor dos cristãos, e ali encontrou os Apóstolos (Gl 1,18-19).

Paulo o “convertido” torna-se protótipo e pregador da conversão diante dos judeus e dos pagãos. Desse momento em diante, ele passa para o campo dos que são perseguidos e ameaçados de morte por causa da fé em Jesus Cristo.

Nesse contexto se explica a tentativa de linchamento por parte dos judeus no templo de Jerusalém: “É por isso que os judeus me perseguiram e tentaram matar-me” (At 26,21). Paulo, o “perseguidor” dos seguidores de Jesus, se torna o “perseguido” por parte dos judeus. Ele mesmo diz:

“Sou agradecido para com Aquele que me deu força, Cristo Jesus, Nosso Senhor, que me julgou fiel, tomando-me para o Seu serviço, a mim que outrora era blasfemo, perseguidor e insolente. Mas, obtive misericórdia, porque agi por ignorância, na incredulidade. Superabundou, porém, para mim, a graça de Nosso Senhor, com a fé e o amor que há em Cristo Jesus” (1Tm 1,12-14).

Tenhamos também nós a "fineza paulina"
na conquista das almas e dos corações.
Olhemos para Paulo e procuremos reproduzir
em nossa ação evangelizadora o que ele confessa:
"De modo nenhum considero a minha vida 
preciosa para mim mesmo, 
contanto que eu leve a bom termo 
a minha carreira 
e realize o ministério que recebi do Senhor Jesus:
Testemunhar a Boa Nova da graça de Deus"
(At 20,24).

Paulo, um apaixonado por Cristo! (Parte III) (25/01)


Paulo, um apaixonado por Cristo!                                  
Também o sejamos!                                                

Celebrando a “vocação” de Paulo, sejamos enriquecidos com a Homilia memorável de São João Crisóstomo (séc. IV), na qual ele expressa, com profundidade inquestionável, o testemunho de Paulo.

“O que é o homem, quão grande é a dignidade da nossa natureza e de quanta virtude é capaz a criatura humana, Paulo o demonstrou mais do que qualquer outro.

Cada dia ele subia mais alto e se tornava mais ardente, cada dia lutava com energia sempre nova contra os perigos que o ameaçavam.

É o que depreendemos de suas próprias palavras: esquecendo o que fica para trás, eu me lanço para o que está na frente (cf. Fl 3,13).

Percebendo a morte iminente, convidava os outros a comungarem da sua alegria, dizendo: alegrai-vos e congratulai-vos comigo (Fl 2,18).

Diante dos perigos, injúrias e opróbrios, igualmente se alegra e escreve aos Coríntios: eu me comprazo nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições (2Cor 12,10); porque sendo estas, conforme declarava, as armas da justiça, mostrava que delas lhe vinha um grande proveito

Realmente, no meio das insídias dos inimigos, conquistava contínuas vitórias triunfando de todos os seus assaltos.

E em toda parte, flagelado, coberto de injúrias e maldições, como se desfilasse num cortejo triunfal, erguendo numerosos troféus, gloriava-se e dava graças a Deus, dizendo: graças sejam dadas a Deus que nos fez sempre triunfar (2Cor 2,14).

Por isso, corria ao encontro das humilhações e das ofensas que suportava por causa da pregação, com mais entusiasmo do que nós quando nos apressamos para alcançar o prazer das honrarias; aspirava mais pela morte do que nós pelas riquezas; e desejava muito mais o trabalho sem descanso do que nós o descanso depois do trabalho.

Uma  só coisa o amedrontava e fazia temer: ofender a Deus. E uma única coisa desejava: agradar a Deus. Só se alegrava no amor de Cristo, que era para ele o maior de todos os bens; com isto julgava-se o mais feliz dos homens; sem isto, de nada lhe valia ser amigo dos senhores e poderosos.

Com este amor preferia ser o último de todos, isto é, ser contado entre os réprobos, do que se encontrar no meio de homens famosos pela consideração  e pela honra, mas privados do amor de Cristo.

Para ele, o maior e único tormento consistia em separar-se de semelhante amor; esta era a sua geena, o seu único castigo, o infinito e intolerável suplício.

Em compensação, gozar do amor de Cristo era para ele a vida, o mundo, o anjo, o presente, o futuro, o reino, a promessa, enfim, todos os bens. Afora isto, nada tinha por triste ou alegre.

De tudo o que existe no mundo, nada lhe era agradável ou desagradável. Não se importava com as coisas que admiramos, como se costuma desprezar a erva apodrecida.

Para ele, tanto os tiranos como as multidões enfurecidas eram como mosquitos. Considerava como brinquedo de crianças os mil suplícios, os tormentos e a própria morte, desde que pudesse sofrer alguma coisa por Cristo”. (cf. Liturgia das Horas pág.1208 – vol. III).

Temos um longo caminho para alcançar a meta, para a qual corremos... Importa, porém, não desistir!

Meditemos: por amor de Cristo, Paulo tudo suportou.

Diante de tão grande testemunho de fidelidade ao Senhor, supliquemos:

Dai-nos, Senhor, o sopro do Teu Espírito,
Para que haja maior proximidade entre
O que cremos e o que vivemos;
Maior sintonia entre o que vivemos e cremos!
Amém.

Com o Apóstolo Paulo, reaprendamos! (25/01)

                                                        

Com o apóstolo Paulo, reaprendamos!

No dia 25 de janeiro, celebramos a “conversão” do apóstolo Paulo,  coluna da Igreja, o Apóstolo das nações, pela graça de Deus (Gl 1,15).

É sempre tempo de reavivar o dom espiritual que Deus depositou em cada um de nós  (2Tm 1,6), e com o apóstolo reaprendemos algumas preciosas lições,

O apóstolo nos diz o que não é-nos permitido: o espírito do medo e da desesperança; desânimo e cansaço, mas o espírito de força, de amor e de sobriedade, não nos envergonhando de dar testemunho de Nosso Senhor (2Tm 1,7-8), nas mais diversas, controvertidas e desafiadoras situações e questões que a pós-modernidade possa nos colocar. Afinal, o Espírito Santo vem em socorro de nossa fraqueza (Rm 8,26-27).

Ressoem no coração de todo cristão as palavras do apóstolo Paulo, revendo os pensamentos e sentimentos, perfeitamente configurados a Cristo Jesus:  Tende em vós o mesmo sentimento de Cristo Jesus” (Fl 2,5).

Deste modo, com o apóstolo, urge reaprender:

     - a se reencantar com a renovação da pessoa humana e a promoção de sua dignidade, na defesa da sacralidade da vida, desde a concepção até o seu declínio natural;

      - a se reencantar com o fortalecimento dos vínculos da vida em comunidade, na comunhão e fraternidade, sinalizando a emergência de uma nova sociedade, onde a verdade e o amor se encontrarão, justiça e paz se abraçarão, brotará da terra a verdade e a justiça inclinará do alto céu (Sl 85, 11-12).

     -  que a Espiritualidade cristã é, inevitavelmente, marcada pela mística da cruz, carregada cotidianamente, como já anunciara o Senhor Jesus (Lc 9,23-24);

     -   a completar em nossa carne o que falta às tribulações de Cristo por amor à Igreja que é Seu corpo (Cl 1,24).

     -  que a vitalidade do ministério, como no de Paulo e todos os ministérios, é diretamente proporcional ao nosso apaixonamento por Cristo, de tal modo que, se por Cristo nos apaixonarmos incansavelmente, poderemos como o Apóstolo dizer:  “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo quem vive em mim” (Gl 2,20), assumindo em nosso dia a dia as marcas da Paixão e Cruz.

Retomemos a longa lista de tudo o que Paulo passou e sofreu por amor a Jesus, a fim de que “o Evangelho fosse anunciado” (2Cor 12,22-33), “combatendo o bom combate da fé” até o martírio (2Tm 4,7-8), e assim jamais haveremos de “perder a alegria” (Fl 4,4-9).

Continuemos o aprendizado, para que reencontremos “o ardor da chama do primeiro amor” (Ap 2,4).

Concluindo, de modo muito especial, elevemos orações para que todos bispos e presbíteros, configurados a Jesus, sejam homens da compaixão, e esta prática de amor revelará compromissos com a realidade dos empobrecidos, onde a partilha e a solidariedade são a expressão do conteúdo da Boa Notícia aos pobres (Mt 9,36),

Tão somente assim, cada presbítero participará da irrupção da novidade do Reino de Deus: um Reino de amor, verdade, vida, justiça, paz e fraternidade, tendo sempre o Apóstolo Paulo como grande luminar em seu Ministério.

“Ó Paulo, mestre dos povos...” (25/01)

 


“Ó Paulo, mestre dos povos...” 

“Ó Paulo, mestre dos povos,
ensina a nós teu amor:
correr em busca do prêmio,
chegar ao Cristo Senhor.

A vós, Trindade a honra,
poder e glória também;
que sois eterna unidade
nos séculos, sempre. Amém.”


(1)  Hino das Laudes da Conversão do Apóstolo Paulo

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