quarta-feira, 15 de janeiro de 2025

O Senhor nos cura de todas as enfermidades (14/01)

                                                          

O Senhor nos cura de todas as enfermidades

 “Minhas lágrimas e minha penitência
têm sido para mim como o Batismo”

Ouvimos, na primeira quarta-feira do Tempo Comum, a passagem do Evangelho de Marcos, em que nos apresenta a ação de Jesus, dentre elas curando a sogra de Pedro (Mc 1,29-39).

Sejamos enriquecidos pelo Comentário de São Jerônimo, Doutor da Igreja, (séc. V).

“A sogra de Pedro estava com febre.
Oxalá venha e entre em nossa casa o Senhor e com uma ordem Sua cure as febres de nossos pecados! Porque todos nós temos febre.

Tenho febre, por exemplo, quando me deixo levar pela ira. Existem tantas febres como vícios. Por isso, peçamos que intercedam frente a Jesus, para que venha a nós e segure nossa mão, porque se Ele segura a nossa mão, a febre foge em um instante. Ele é um médico nobre, o verdadeiro protomédico.

Médico foi Moisés, médico Isaías, médico todos os Santos, mas este é o protomédico. Sabe tocar sabiamente as veias e perscrutar os segredos das enfermidades.

Ele não toca o ouvido, não toca a fronte, não toca nenhuma outra parte do corpo, mas a mão. Tinha febre, porque não possuía boas obras.

Em primeiro lugar, portanto, tem que curar as obras, e logo remover a febre. A febre não pode fugir se não são curadas as obras. Quando nossa mão possui más obras, jazemos no leito, sem podermos levantar, sem poder andar, pois estamos totalmente consumidos na enfermidade.

E aproximando-Se daquela que estava enferma.
Ela mesma não pôde levantar-se, pois jazia no leito e, portanto, não pôde sair ao encontro do que vinha. Porém, este médico misericordioso, ele mesmo acode ao leito; Aquele que tinha levantado sob Seus ombros a ovelhinha enferma, Ele mesmo acorre ao leito. E aproximando-Se...Sobretudo Se aproxima, e o faz para curá-la. E aproximando-Se... Observa o que Ele diz. É como dizer: seria suficiente sair-me ao encontro, achegar-te à porta e receber-me, para que tua saúde não fosse totalmente obra de minha misericórdia, mas também de tua vontade. Porém, já que te encontras oprimida pelas altas febres e não pode levantar-se, Eu mesmo venho a ti.

E aproximando-Se, a levantou.
Visto que ela mesma não podia levantar-se, é segurada pelo Senhor. Ele a levantou, tomando-a na mão. Segurou-a precisamente na mão. Também Pedro, quando perigava no mar e afundava, foi agarrado na mão e erguido. E levantou-a tomando-a pela mão, Com Sua mão o Senhor tomou a mão dela. Ó feliz amizade, ó formoso afago! Levantou-a segurando-a com Sua mão: com Sua mão curou a mão dela. Segurou sua mão como um médico, tomou o pulso, comprovou a intensidade das febres, Ele mesmo, que é médico e medicina ao mesmo tempo.

Jesus a toca e a febre foge. Que Ele toque também a nossa mão, para que nossas obras sejam purificadas, que Ele entre em nossa casa: por fim, levantemo-nos do leito, não permaneçamos abatidos. Jesus está de pé frente ao nosso leito, e nós permanecemos deitados? Levantemo-nos e fiquemos de pé: é para nós uma vergonha que estejamos recostados diante de Jesus.

Alguém poderá dizer: Onde está Jesus? Jesus está aqui agora. No meio de vós, diz o Evangelho, está alguém a quem não conheceis. O Reino de Deus está no meio de vós. Creiamos e vejamos que Jesus está presente. Se não podemos tocar Sua mão, prostremo-nos aos Seus pés. Senão podemos chegar à Sua cabeça, ao menos lavemos Seus pés com nossas lágrimas. Nossa penitência é unguento do Salvador. Vede quão grande é a Sua misericórdia. Nossos pecados fedem, são podridão e, contudo, se fizermos penitência pelos pecados, se os chorarmos, nossos pútridos pecados se convertem em unguento do Senhor. Peçamos, portanto, ao Senhor que nos tome pela mão.

E no mesmo instante, afirma, a febre a deixou.
Apenas a segura pela mão e a febre a deixa. Observa o que segue: No mesmo instante a febre a deixou. Tem esperança, pecador, contanto que te levantes do leito.

O mesmo ocorreu com o santo Davi, que tinha pecado, deitado na cama com a mulher de Urias, o hitita, sentindo a febre do adultério, depois que o Senhor o curou, depois de ter dito: tem piedade de mim, ó Deus, por tua grande misericórdia, assim como: Contra Ti, só contra Ti pequei, cometi o mal aos Teus olhos. Livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu... Porque ele tinha derramado o sangue de Urias, ao ter ordenado derramá-lo. Disse: livra-me do sangue, ó Deus, Deus meu, e renova meu espírito em meu interior.

Observa o que diz: Renova. Porque o tempo em que cometi o adultério e perpetrei o adultério e o homicídio, o Espírito Santo envelheceu em mim. E o que mais ele diz? Lava-me e ficarei mais branco do que a neve. Porque me lavaste com minhas lágrimas.

Minhas lágrimas e minha penitência têm sido para mim como o Batismo. Observa, então, de penitente em que se converte. Fez penitência e chorou, por isso foi purificado. O que acontece em seguida? Ensinarei aos iníquos Teus caminhos e os pecadores voltarão a Ti. De penitente se tornou mestre.

Por que disse tudo isto? Porque aqui está escrito: E no mesmo instante a febre a deixou e se pôs a servir-lhes. Não basta que a febre a deixasse, mas também se levanta para o serviço de Cristo. E se pôs a servi-lhes. Servia-lhes com os pés, com as mãos, corria de um lugar ao outro, venerava ao que lhe tinha curado. Sirvamos também nós a Jesus. Ele acolhe com gosto o nosso serviço, mesmo que tenhamos as mãos manchadas: Ele Se digna olhar aquele que curou, porque Ele mesmo o curou. A Ele a glória pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Jesus é, ao mesmo tempo, o médico e a medicina. Ele tem a cura para nossas enfermidades, sejam quais forem.

Assim como Jesus curou a sogra de Pedro da febre que a acometia, e ela logo se pôs a serviço, também sejamos curados de nossas febres de tantos nomes (soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça), que consistem exatamente nos sete pecados capitais, que nos escravizam e nos roubam a alegria do serviço.

Curados pelo Médico e pela Medicina, curados pelo próprio Senhor, tomado pela Sua Mão, levantemo-nos e coloquemo-nos a serviço da vida e da esperança, para que a justiça e a paz se abracem, o amor e a verdade se encontrem, como rezou o Salmista (Sl 85,11).

Há febres que precisamos ser curados, e há uma febre que deve cada dia mais tomar conta de nosso coração: sermos febris de amor pelo Senhor.

A sogra foi curada de uma febre para pôr-se a serviço; Pedro precisou, mais tarde, ser tomado pela febre de amor, para que o Senhor lhe confiasse o rebanho.

Tão somente febris de amor pelo Senhor, somos curados das febres indesejáveis, que nos afastam da alegria da participação da construção do Seu Reino.



Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes - 2013 - pp.382-384

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

Confiemos plenamente na Palavra do Senhor (13/01)

                                                     

Confiemos plenamente na Palavra do Senhor

“O que é isso? Um ensinamento novo, dado com autoridade...
Ele manda até nos espíritos maus, e eles obedecem!”

Com a Liturgia da terça-feira da 1ª Semana do Tempo Comum,  refletimos sobre o Projeto de liberdade e vida plena que Deus tem para a humanidade, que se contrapõe aos projetos marcados pelo egoísmo, escravidão de toda forma e morte, como vemos na proclamação da passagem do Evangelho (Mc 1, 21b-28)

Reflitamos, também,  sobre a ação de Jesus, o Filho de Deus, que veio cumprir o Projeto de libertação.

Depois de apresentar o chamamento dos discípulos, o Evangelista apresenta uma jornada ministerial do Senhor, com Sua autoridade revelada no ensino e diante dos “espíritos impuros”.

Com Sua Palavra e ação, Jesus renova aqueles que O acolhem e acreditam em Sua Palavra, tornando-os verdadeiramente livres do egoísmo, do pecado e da própria morte: crendo no Senhor e em Sua Palavra, nos tornamos verdadeiramente livres.

A ação de Jesus faz suscitar a interrogação daqueles que O viram ensinar e expulsar os demônios: “Que vem a ser isto? Uma nova doutrina e com que autoridade!”. Também nós precisamos nos fazer perguntar “quem é Jesus para nós?”

Jesus veio nos libertar de tudo o que nos faça “prisioneiros” e nos roube a vida e a alegria de viver. Com Sua Palavra e ação, Jesus nos revela que Deus não desistiu da humanidade, e quer conduzi-la à vida plena e feliz.

Seus seguidores não poderão cruzar os braços, continuando a Sua missão na luta contra os “demônios” de tantos nomes, percorrendo o mesmo caminho que Ele percorreu, lutando até o fim, em total doação da vida para que tenhamos um mundo mais humano, livre, solidário, justo e fratern.

Há um mundo a ser transformado e, como Igreja em saída (como tem insistido o Papa Francisco), não podemos ficar fechados em nossas sacristias, mas assumir corajosamente, com a força do Espírito, com sabedoria e criatividade, a dimensão missionária, elemento constitutivo da Igreja, presença nas mais diversas realidades, em incansável empenho para a transformação das realidades:  familiar, social, política, econômica, cultural, do trabalho e da comunicação.

No entanto, nem sempre isto se dá de modo tranquilo, porque pode gerar conflitos, divisões, sofrimentos, incompreensões, perseguições, mas vale a pena, porque é fiel Aquele que prometeu jamais nos desamparar, jamais nos deixar órfãos na missão por Ele confiada, afinal nos comunicou o Seu Espírito, que nos assiste em todos os momentos.

O discípulo de Jesus é alguém que embarcou nesta aventura de amor que dá sentido à vida, o que nos torna cúmplices e instrumentos nas mãos de Deus, para que construamos um mundo novo, de homens e mulheres livres e felizes.

Fundamental voltarmos ao que nos disse o Apóstolo Paulo (1 Cor 7, 32-35), quando nos apresentou as verdadeiras prioridades que devem marcar a vida daquele que abraçou a fé, não se deixando desviar pelas realidades transitórias, afinal, o tempo está abreviado e a figura deste mundo passa.

Aquele que professa a fé no Senhor precisa viver com equilíbrio, discernindo entre as coisas que passam e as que são eternas, o que consiste num aprendizado permanente na definição das escolhas, numa vida marcada pela generosidade, alegria e doação.

Iniciando um novo Ano Litúrgico, em cada Eucaristia que celebramos, somos convidados a seguir, cada vez mais de perto e decididamente, com o coração indiviso, o Senhor, que nos chamou e nos enviou a viver a vida nova que nos foi concedida pela graça do Batismo.

Com o coração seduzido e inflamado por Aquele que voltou para nós o Seu olhar de amor e nos chamou pelo nome, não há como voltar atrás.

Quem pelo Senhor sentiu-se amado, já não pode mais viver sem o Seu Amor, a Sua Palavra e presença.


(1) Missal Cotidiano, dominical e ferial – Paulus – Lisboa – p. 1177

“Emoção, proximidade e coerência” no Ministério Presbiteral (13/01)

                                             

        
“Emoção, proximidade e coerência” no Ministério Presbiteral

A passagem do Evangelho de Marcos (Mc 1,21b-28), nos apresenta a ação de Jesus na sinagoga, ensinando em dia de sábado com notável autoridade, e Sua fama se espalhava por toda a região da Galileia.

Em uma de suas homilias, na Casa Santa Marta (Vaticano), o Papa Francisco falou sobre as três características que se sustentam a autoridade do sacerdote: emoção, proximidade e coerência.

Jesus estabeleceu esta autoridade pastoral, com sua Palavra e ação, pois diferente dos ensinamentos dos escribas e doutores da lei de Israel, que ensinavam de suas cátedras, afastados das pessoas, o ensinamento de Jesus “provoca o estupor, movimento no coração”, afirmou o Papa, e ainda mais, “Jesus tinha autoridade porque se aproximava das pessoas”.

Dada Sua proximidade com o povo, entendia, acolhia, curava e ensinava com proximidade“Porque estava próximo, entendia; mas acolhia, curava e ensinava com proximidade. Aquilo que dá autoridade a um pastor ou desperta a autoridade que é dada pelo Pai é a proximidade: proximidade a Deus na oração – um pastor que não reza, um pastor que não busca Deus perdeu a proximidade das pessoas”, afirmou o Papa.

Também lembrou que “o pastor separado das pessoas não chega a elas com a mensagem. Proximidade, esta dupla proximidade. Esta é a unção do pastor que se comove diante do dom de Deus na oração, e se pode comover diante dos pecados, do problema, das doenças das pessoas: deixa comover o pastor”.

Jesus, diferentemente dos escribas e doutores da lei, tinha a capacidade de se comover, porque estava próximo das pessoas e revelava a própria presença de Deus. Em relação a estes pode dizer: “Façam aquilo que dizem, mas não aquilo que fazem”.

O Papa fez uma advertência contra a vida dupla: “É duro ver pastores com vida dupla: é uma ferida na Igreja. Os pastores doentes, que perderam a autoridade e seguem em frente com esta vida dupla... E Jesus é muito forte com eles. Não somente diz às pessoas para ouvi-los, mas para não fazer aquilo que fazem, mas o que diz a eles? ‘Mas vocês são sepulcros caiados’: belíssimos na doutrina, por fora. Mas por dentro, podridão. Este é o fim do pastor que não tem proximidade com Deus na oração e com as pessoas na compaixão”.

Mas também comunicou uma mensagem de esperança aos sacerdotes e pastores do rebanho: “Eu diria aos pastores que viveram a vida separados de Deus e do povo, das pessoas: ‘Mas, não percam a esperança. Sempre existe a possibilidade’”.

Conclui com estas oportunas palavras: “A autoridade: a autoridade, dom de Deus. Somente vem d’Ele. E Jesus a dá aos seus. Autoridade no falar, que vem da proximidade com Deus e com as pessoas, as duas coisas sempre juntas. Autoridade que é coerência, não dupla vida. É autoridade, e se um pastor a perde, que ao menos não perca a esperança, como Eli: sempre há tempo para aproximar-se e despertar a autoridade e a profecia”.

Unamo-nos ao Papa Francisco, acompanhando, apoiando e rezando pelas vocações sacerdotais e religiosas, para que vivam, de fato, estas três características, que devem estar presentes em suas vidas e ministério:

“Emoção, proximidade e coerência”, em plena e incondicional fidelidade ao Senhor e os enviou, com a presença e ação do Espírito Santo, a serviço do Reino de Deus, como servidores da Igreja, zelosas sentinelas do rebanho.


Fonte:

segunda-feira, 13 de janeiro de 2025

Ser discípulo é deixar-se envolver pelo Amor Trinitário (12/01)

                                                       

Ser discípulo é deixar-se envolver pelo Amor Trinitário 

Com a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 1,14-20), refletimos sobre o chamado que Deus nos faz e a resposta que espera de nós. 

Jesus faz a todos o convite para se tornarem Seus discípulos, mas num necessário caminho de conversão e adesão à Sua Boa Nova. 

A chegada do Reino implica em “metanoia” (conversão) para sua acolhida. Acolher sua Boa Nova e nela acreditar num permanente caminho de conversão. 

Deste modo vemos algumas características que que marcam o discipulado: 

- O chamamento dos discípulos é uma iniciativa de Jesus a homens simples do povo; pessoas com suas histórias de vida, profissão, ocupadas em atividades do cotidiano; 

- O chamado é categórico – não há preparação remota para seguimento. Uma decisão radical que pedirá constante entrega da própria vida; 

- A adesão e o seguimento não são abstratos para depois seguir. Adesão e seguimento num permanente processo de aprendizado para que, como pessoas novas, ame-se a Deus e aos irmãos; 

- O chamado de Deus exige resposta pronta e imediata, total e incondicional. Deixar tudo para segui-Lo. 

Reflitamos sobre nossa disposição e alegria por sermos instrumentos do Reino de Deus, e sobre a nossa disposição em acolher e percorrer o caminho do discípulo, o caminho de conversão. 

Que nossas “trocas de olhares” com o Amado, nos levem a dizer sim ao Deus Amante, Jesus, para que sejamos envolvidos pelo sopro do Amor que nos vem do Divino Espírito. 

Que o olhar cheio de Amor e ternura de Deus pela humanidade tenha de cada de um nós o melhor olhar de quem se sentiu amado, seduzido e por Seu Amor envolvido. 

É impossível ficar indiferente e insensível ao olhar amoroso de Deus e ao apelo de conversão que Ele nos faz insistentemente.

Quanto mais profunda e sincera nossa conversão, mais límpido será nosso olhar, mais felizes o seremos. 

Quanto mais correspondermos ao olhar amoroso de Deus, mais largos horizontes veremos, e um mundo novo vislumbraremos. Esta é a mística do Reino, esta é a mística e o efeito do Amor de Deus em nós. Deus nos ama para nos fazer melhores, realizados. 

Deus nos ama, e quando nos deixamos envolver por este Amor o tempo tem outro sentido, as coisas que nos cercam também. 

Ser discípulo é viver intensamente envolvido na paixão pelo Reino, inserido e envolvido pelo Amor Trinitário.

Chamados pelo Senhor para o discipulado (12/01)

                                                   

Chamados pelo Senhor para o discipulado 

Reflexão à luz da passagem do Evangelho de Marcos (Mc 1,14-20), sobre a vocação, o chamado que Deus nos faz esperando nossa resposta, uma vez que esta é um dom divino e resposta humana: Deus nos ama e nos chama à vida plena. 

Vemos a proposta de conversão (“metanoia”) que Jesus faz para que O aceitemos, em incondicional adesão a Ele e ao Seu Evangelho. 

Este caminho de conversão implica em acolhida da Boa Nova, com a transformação de mentalidade e comportamentos, assumindo novas atitudes, reformulando os valores que norteiam a própria vida. Trata-se de colocar Deus no centro da existência, e Sua vontade acima de tudo. 

Deste modo, temos o chamado dos primeiros discípulos, por Jesus; e tudo largaram e se puserem a seguir o Senhor. 

Jesus convida a todos os homens e todas as mulheres para integrarem à comunidade do Reino de Deus por Ele inaugurado, bem como também é apresentado um modelo para a forma como os chamados devem escutar, acolher a este chamado. 

Acolher o chamado é pôr-se a caminho, e isto nos caracteriza como discípulos, e a conversão será sempre necessária para que correspondamos melhor ao que Deus espera de nós. 

Quanto maior a adesão ao Senhor, quanto mais nos sentirmos por Ele seduzidos, maior será nosso compromisso com o Reino, maior será nossa alegria, porque expressão de uma fé cheia de vigor, com a esperança renovada a cada dia, porque também nutridos pelo amor celebrado e derramado em cada Eucaristia.

Viver a vocação é ser revelador da bondade do Pai, vivendo em plenitude o sentido desta, traduzindo em caridade concreta para com os irmãos e irmãs o sinal de amor expresso na Eucaristia celebrada. 

Correspondamos ao que Cristo espera de nós, sejamos abertos aos apelos de conversão que Ele nos faz, para que com maior disponibilidade e prontidão nos coloquemos a serviço do Reino. 

Na verdade, o discípulo é alguém que sentiu olhado pelo Cristo, como Ele olhou bem para Pedro, e este olhar chegou às entranhas de seu coração, que o seduziu por toda a vida, e este amor será declarado quando três vezes, mais tarde, haverá de declarar seu amor a Jesus para cuidar do rebanho a ele confiado. 

Ele, Jesus, é o Messias esperado, que proclama o Reino de Deus, e para segui-Lo, como discípulos missionários, são apresentadas algumas exigências: 

- A entrada na comunidade do Reino é uma iniciativa do próprio Jesus; 

- Trata-se de um chamado categórico, exigente e radical, com total confiança no chamado, sem prometer garantias e sem dar maiores explicações; 

- O chamado exige a adesão incondicional à Sua pessoa e à Sua Boa-Nova, pois somente assim o discípulo será uma pessoa nova, que vive no Amor de Deus expresso no amor aos irmãos; 

- O chamado exige também uma resposta imediata, total e incondicional: é preciso que se deixe tudo. 

Concluindo, sintamo-nos também olhados por Deus, aceitemos olhá-Lo e vê-Lo no Seu Filho Amado, e o nosso coração para sempre será seduzido e assistido pelo Espírito Santo, e seremos alegres discípulos missionários do Reino. 

 

PS: Fonte de pesquisa: www.Dehonianos.org/portal 

O fruto da penitência é a paz (12/01)

                                               


O fruto da penitência é a paz

Reflexão sobre a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 1,14-20), em que Jesus nos convida à conversão e ao Seu Seguimento, explicitado nestes dois versículos:

“Arrependei-vos e acreditai no Evangelho” (Mc 1,15); “Vinde comigo e farei de vós pescadores de homens” (Mc 1,17). Também podemos mencionar a primeira Leitura (Jn 3,1-5.10), a pregação de Jonas para a conversão de Nínive.

Assim nos falou Tertuliano (séc. III) no “Tratado sobre a Penitência”:

“A penitência é uma vida preferível à morte... Lança-te a ela, abraça-te nela como um náufrago a tábua da salvação. Ela te tirará do marulho do pecado em que te encontras a ponto de naufragar, e te conduzirá ao porto da divina clemência.

Aproveita a ocasião de uma inesperada felicidade, para que tu, que em outra época não eras diante do Senhor mais que uma gotinha d’água em um balde, palha da eira, vaso de barro, possas converter-te em uma árvore, naquela árvore que se planta a beira do regato, onde suas folhas não murcham e dá fruto no seu tempo; aquela árvore que não conhece nem o fogo nem o machado do lenhador”.

Não poucos são os marulhos do pecado em que nos encontramos. A agitação do pecado, a inquietação que causa em nossa alma precisa de alguém que a domine e a acalme.

A penitência bem feita, o desejo de conversão, os sacrifícios realizados e acompanhados da Oração, nos dão a serenidade, o frescor da alma, levando-nos à mortificação das paixões desordenadas, para que reencontremos o equilíbrio, a sobriedade, enfim, a paz tão desejada.

Somente Jesus com Sua Palavra pode fazer cessar os ventos contrários à nossa nau, em nossa grande travessia para a outra margem e, deste modo, não naufragarmos no mar das dificuldades e de nossas fragilidades.

Menos marulho do pecado, mais serenidade no coração, porque abertos para a graça que nos é derramada copiosamente, embora não mereçamos, mas porque Deus é infinitamente bom e misericordioso.

Quanto mais o silêncio orante fizer calar os “barulhos e ruídos” do cotidiano, mais nossa alma estará em paz, na total disponibilidade e fidelidade no seguimento do Senhor.


PS: Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 - pp.372-373

A autêntica fé dos discípulos do Senhor (12/01)

                                                                          

A autêntica fé dos discípulos do Senhor

“A verdadeira fé não conhece hiato; assim
que ouve, crê, segue, e se converte em pescador.”

Reflitamos sobre a vocação dos primeiros discípulos: Pedro, André, Tiago e João, conforme a passagem do Evangelho (Mc 1,14-20).

São Jerônimo, Doutor da Igreja, tem um comentário desta passagem, que nos ajuda no aprofundamento da virtude da fé na vida dos discípulos missionários do Senhor:

"E no mesmo instante, deixando as suas redes, Lhe seguiram. A verdadeira fé não conhece hiato; assim que ouve, crê, segue, e se converte em pescador. ‘No mesmo instante deixando as redes’. Eu penso que nas redes deixaram os pecados do mundo. ‘E o seguiram’. De fato, não era possível que, seguindo a Jesus, mantivessem as redes.”

Neste mesmo comentário São Jerônimo aludindo ao chamado de João e Tiago disse:

“Consertavam as redes no mar, ou seja, sentavam-se em uma pequena barca, com seu pai Zebedeu, e consertavam as redes da lei...”.

Pouco mais adiante, ele mesmo nos explica este sentido espiritual do “consertar as redes da lei”:

“Rompidas como estavam, não podiam capturar peixes; corroídas pela salubridade do mar, não podiam ser reparadas se não tivesse vindo o Sangue de Jesus e as tivesse renovado”.

Verdadeiramente a fé não conhece hiato, não há a mínima possibilidade de separação do ouvir, crer e seguir e se converter. A fé é um ato contínuo que requer perseverança, fidelidade, constância, coragem, empenho, renúncias, dedicação e quanto mais se possa dizer.

A fé que não conhece hiato, tão possível foi para os discípulos, porque se deixaram conduzir pela Palavra que Se fez Carne e habitou entre nós.

Esta tão somente acontece quando a Palavra não fica apenas no ouvir, mas penetra no mais profundo da alma, como aconteceu com os discípulos e com todos os que se tornam discípulos do Senhor.

Não conhecerá hiato algum a fé que se ilumina e se deixa conduzir pela Palavra de Deus lida, ouvida, acolhida, vivida e celebrada no Banquete da Eucaristia, no qual celebramos a Memória da Paixão e Morte do Senhor, e participamos do Cálice Sagrado, Corpo e Sangue do Senhor a nós oferecidos, que nos renova e nos dá coragem, a cada dia, para o bom e ininterrupto combate da fé, até que, na prática da caridade, vejamos sinais da esperança de um novo céu e uma nova terra.


PS: Citações extraídas do Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – pp. 373-374.


- Para ilustrar: a palavra hiato apresenta diferentes conceitos.  No texto, como podemos observar, tem sentido figurado, representando uma falha, uma lacuna, uma separação, ou ainda uma interrupção entre dois acontecimentos. Por isso, insisto: a fé que não conhece hiato, somente acontece quando a Palavra não fica apenas no ouvir, mas penetra no mais profundo da alma...

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