sábado, 19 de setembro de 2026

Discípulos missionários e a Vinha do Senhor (XXVDTCA)

                                                       

Discípulos missionários e a Vinha do Senhor

À luz da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,1-16a), refletimos sobre os pensamentos de Deus, que não são como os pensamentos dos homens, pois seguem a lógica da gratuidade e do amor, doação, partilha e serviço, graça sobre todos derramada.

A passagem do Evangelho é um convite de Nosso Senhor para trabalharmos em Sua Vinha, na construção do Reino.

A prática de Jesus e a Parábola revelam que todos somos filhos amados do Pai, que por amor assegura-nos o essencial para vivermos.

Através da Parábola, Jesus revela  o Amor de Deus pelos últimos, pelos excluídos; e revela-nos o rosto e o coração de um Deus que ama a todos sem exceção; tão diferente do Deus dos escribas e fariseus, que muitas vezes se assemelha a um “Deus contabilista” que nos recompensa conforme nossas ações, como se tivesse um lápis na mão para fazer as nossas contas e nos dar o pagamento conforme nossos merecimentos.

A nós cabe o imitar a Deus amando na gratuidade! Simplesmente, amar na gratuidade, a mais bela lógica da ação divina que a Parábola nos revela.

No trabalho da Vinha, ou seja, na Comunidade há lugar para todos. Alguns iniciaram mais cedo, até mesmo dentro do ventre materno. Outros um pouco mais tarde sentiram o chamado do Senhor. Outros bem mais tarde, já adultos. Outros ainda não responderam, são os últimos que nos fala a Parábola, aos quais Deus também quer revelar Seu amor e contar como servos de Sua Vinha.

Na Igreja, trabalho é o que não falta. Os desafios clamam por respostas. A messe é grande, mas poucos são os trabalhadores. A Palavra de Jesus tem que ecoar no coração de todos nós: “Ide vós para a minha Vinha!”

Faltam vocações: há lugares a serem ocupados nos bancos de nossas Igrejas e salas de reuniões; há realidades externas que nos desafiam (escolas, universidades, presídios, condomínios, favelas, hospitais, bolsões de miséria e tantos outros lugares...).

As palavras do Papa Bento XVI, no dia de sua eleição (19/4/2005) são oportunas:

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na Vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”.

Deus nos paga não pelos nossos méritos, 
nem nos chama não por nossa capacidade,
Mas até mesmo por não termos, para nos capacitar.

Como é bom ser Igreja,
servir como Igreja,
amar na gratuidade!
Amém.

 

Em poucas palavras... (XXVDTCA)

                                           


Insuficientes instrumentos nas mãos de Deus 

“Amados Irmãos e Irmãs, depois do grande Papa João Paulo II, os Senhores Cardeais elegeram-me, simples e humilde trabalhador na Vinha do Senhor. Consola-me saber que o Senhor sabe trabalhar e agir também com instrumentos insuficientes”. (1)

 

(1) Papa Bento XVI, no dia de sua eleição (19/4/2005)

  

A morte da inveja (XXVDTCA)

                                                  


A morte da inveja

Um dia aparecerá nos noticiários e em todos os informativos,
Será partilhado nas comunidades virtuais que se quer existem,
Uma nota de falecimento: Morreu, nesta madrugada fria, a inveja.

Morreu congelada, por inanição, porque não mais foi alimentada,
Não encontrou mais a seiva que a alimentasse e desse vigor,
Porque falou mais alto o princípio de alegrar-se com o bem do outro.

Com sua morte, cessaram as labaredas do ódio que queimavam almas,
Porque faziam arder no coração sentimentos de inveja sem controle,
Levando ao desejo do que não se possui, não valorizando o já adquirido.

A morte da inveja, a morte do pecado que cegava, feria,
matava a quem este pecado cultivava, ainda que em disfarçado silêncio,
Mas que não conseguia simular por muito tempo por causa da desenfreada ambição.

Ela morrendo, já não mais se vê mais as coisas e as pessoas com os olhos da inveja;
Não mais nos faz sombra, porque a inveja presente, corrói, destrói, mata.
Foi sepultada, ressuscitou a pureza da alma, a alegria pelo bem alheio.

Morreu a inveja, já não somos acometidos pela zelotipia,
Porque aprendemos a controlar nossos desejos, por vezes doentios,
Agradecidos, aprendemos a viver com o que temos e somos.

Morreu a inveja, não a ressuscitemos sob nenhuma hipótese,
E relacionamentos mais sinceros e edificantes, teremos,
Mais felizes conosco e com os outros seremos.

O pecado capital da inveja (XXVDTCA)

                                                        

O pecado capital da inveja

“A inveja pode levar às piores ações.
‘É pela inveja do demônio que a morte
entrou no mundo’ (Sb 2, 24).

O Apóstolo Tiago em sua Epístola (Tg 3,16-4,3) nos apresenta alguns problemas que maculam a comunidade:  rivalidade, desordem de toda espécie de más ações, a desordem das paixões dentro de cada pessoa, e por fim a cobiça.

Destaco a inveja, um dos sete pecados capitais que muito destrói a comunidade, a família ou qualquer outro espaço de vivência e relacionamento.

O Catecismo da Igreja, que nos enriquece, para que todos nos coloquemos em atitude de conversão, banindo quaisquer sentimentos de inveja que possam tomar conta de nossa mente e coração:

“A inveja pode levar às piores ações (Gn 4,3-8). É pela inveja do demônio que a morte entrou no mundo: 

‘Nós nos combatemos mutuamente, e é a inveja que nos arma uns contra os outros... Se todos procuram por todos os meios abalar o Corpo de Cristo, onde acabaremos? Nós estamos enfraquecendo o Corpo de Cristo... Declaramo-nos membros de um mesmo organismo e nos devoramos como feras’ (São João Crisóstomo).

A inveja é um vício capital. Designa a tristeza sentida diante do bem do outro e do desejo imoderado de sua apropriação, mesmo indevida. Quando deseja um grave mal ao próximo, é um pecado mortal:

Santo Agostinho via na inveja ‘o pecado diabólico por excelência’.

‘Da inveja nascem o ódio, a maledicência, a calúnia, a alegria causada pela desgraça do próximo e o desprazer causado por sua prosperidade’ (São Gregório Magno).

A inveja representa uma das formas da tristeza e, portanto, uma recusa da caridade; o batizado lutará contra ela, mediante a benevolência. A inveja provém muitas vezes do orgulho; o batizado se exercitará no caminho da humildade:

‘Quereríeis ver Deus glorificado por vós? Pois bem, alegrai-vos com os progressos do vosso irmão e imediatamente Deus será glorificado por vós. Deus será louvado, dirão, porque seu servo soube vencer a inveja, colocando a sua alegria nos méritos dos outros’(São João Crisóstomo”. (1)

Para vencermos este pecado, peçamos a Deus o dom da fortaleza, para que gastemos nossas forças no desenvolvimento das capacidades que nos foram dadas pela graça divina.

Não devemos invejar ninguém, pois cada pessoa tem seus dons, qualidades, capacidades. Importa que cada um desenvolva as aptidões que possui, e as coloque generosamente a serviço do outro.

Sentimento de inveja nutrido traz enfraquecimento e empobrecimento; e uma vez vencido nos faz mais fortes e agradecidos a Deus pelos bens e graças que Ele nos oferece.


(1) Catecismo da Igreja Católica - parágrafos nn. 2538-2540
Apropriado para a passagem do Livro dos Números (Nm 12,1-13)

Alegres servos da Vinha do Senhor (XXVDTCA)

                                                     

Alegres servos da Vinha do Senhor

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 20,1-16a), o Senhor chama operários para a Sua vinha: há escolhidos na primeira hora da madrugada; outros as nove, doze, quinze e dezessete horas, à uma hora do fim da jornada (a undécima hora).

Com a Parábola sobre o Amor de Deus por todos, sobretudo pelos últimos, refletimos sobre como é a lógica de Deus. Como são misteriosos Seus Planos, como é maravilhosa Sua ação!

Deus sabe se servir de nossa pobreza para derramar com largueza sobre tantos Seu Amor, Sua bondade, Sua graça! Deus escolhe os fracos para confundir os fortes, como disse São Paulo.

Compromissados e iluminados pela Palavra e revigorados pela Eucaristia, na fidelidade à Igreja, somos todos humildes servos e trabalhadores da vinha!

Trabalhadores da última hora por Deus chamados, mas com resposta amorosa e decidida: amar a Deus e servi-Lo, na vida da Igreja, no compromisso com a vida dos pobres.

A vinha do Senhor precisa de féis servidores, cujos ouvidos, olhos, mão e coração jamais se fechem aos pobres e seus clamores; que pela soberba não se deixem seduzir, pois como disse Santo Agostinho, ela gera separação; mas que pela caridade, sejamos movidos, pois ela é a mais genuína fonte de unidade.

Deus com Seu Amor revelado por Jesus, na ação do Espírito Santo paira sobre todos nós; portanto, renovemos hoje e sempre a alegria de sermos servos da Vinha do Senhor, participando com ardor e alegria, como Igreja, na construção do Reino de Deus.

A misericórdia divina não exclui ninguém (XXVDTCA)

                                                   


A misericórdia divina não exclui ninguém

Sejamos enriquecidos pelos escritos de Santo Efrém, diácono e Doutor da Igreja (séc. IV)

“Estes homens queriam trabalhar, porém ‘ninguém os contratou’; eram trabalhadores, mas ociosos por falta de trabalho e de Senhor. Em seguida uma voz lhes contratou, uma palavra os colocou no caminho e, em seu zelo, não combinaram o preço de seu trabalho como fizeram os primeiros. O Senhor avaliou seu trabalho com prudência e lhes pagou tanto como aos demais.

Nosso Senhor pronunciou esta parábola para que ninguém diga: ‘Visto que não fui chamado quando era jovem, não posso ser recebido’. Ensinou que, seja qual for o momento de sua conversão, todo homem é acolhido...

Saiu ao amanhecer, ao meio da manhã, ao meio-dia, no meio da tarde e ao final da tarde: com o que dá a entender desde o início de sua pregação, depois ao longo de sua vida até a cruz porque é ‘à hora undécima’ que o ladrão entrou no paraíso. Para que ninguém reclame do ladrão, nosso Senhor afirma Sua boa vontade; se lhe tivessem contratado antes, teria trabalhado: Ninguém nos contratou.

Aquilo que damos a Deus é muito pouco digno d’Ele, e o que Ele nos dá é muito superior a nós. Somos contratados para um trabalho proporcionado às nossas forças, porém nos propõe um salário muito acima do que o nosso trabalho merece...

Trata-se da mesma aos primeiros e aos últimos; receberam um denário cada um com a imagem do rei. Tudo isso significa o Pão da vida que é o mesmo para todos; é único o remédio de vida para aqueles que o comem.

No trabalho da vinha não se pode reprovar ao Senhor Sua bondade, e nada tem a se dizer de Sua retidão. Segundo Sua retidão dava como achava justo, e, segundo Sua bondade, mostra a Sua misericórdia como quer. É para dar-nos este ensinamento que nosso Senhor disse esta parábola, e a resumiu com estas palavras: Eu não tenho liberdade para fazer o que quiser em meus assuntos?”

Como vemos, seja qual for o momento da conversão, toda pessoa pode ser acolhida pela bondade e misericórdia divinas.

Deus nos chama a todos/as para trabalhar em Sua vinha, no anúncio e testemunho da Boa Nova do Reino.

Como Igreja sinodal que somos, renovemos a alegria de caminharmos juntos, com o coração ardente e os pés a caminho, iluminados pela Sagrada Palavra e fortalecidos pelo Pão da Eucaristia. Amém.

 

 

Fonte: Lecionário Patrístico Dominical, Editora Vozes - p.221.

Em poucas palavras...

                                            


Jesus e Sua conduta misericordiosa

“Jesus escandalizou, sobretudo, por ter identificado a Sua conduta misericordiosa para com os pecadores com a atitude do próprio Deus a respeito dos mesmos (Mt 9,13; Os 6,6).

Chegou, até, a dar a entender que, sentando-Se à mesa dos pecadores (Lc 15,1-2), os admitia no banquete messiânico (Lc 15,23-32). 

Mas foi muito particularmente ao perdoar os pecados que Jesus colocou as autoridades religiosas de Israel perante um dilema.

É que, como essas autoridades justamente dizem, apavoradas, «só Deus pode perdoar os pecados» (Mc 2, 7). 

Jesus ao perdoar os pecados, ou blasfema por ser um homem que se faz igual a Deus (Jo 5,18; 10,33), ou diz a verdade e a Sua pessoa torna então presente e revela o nome de Deus (Jo 17,6.26).” (1)

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 589

 

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