quarta-feira, 22 de julho de 2026

O Amor divino nos acompanha na missão profética

                                                                    

O Amor divino nos acompanha na missão profética

Na primeira Leitura da quarta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Livro do Profeta Jeremias (Jr 1,1.4-10).

Oportuna para refletirmos em que consiste hoje a missão da Igreja, na fidelidade a Jesus e à missão que Ele nos confiou sob a ação do mesmo Espírito, que pousou sobre Ele e O acompanhou em todos os momentos na fidelidade ao Pai.

Nesta missão, como discípulos missionários, vivendo a vocação profética pelo Batismo, podemos viver experiências difíceis como perseguições, incompreensões, obstáculos a serem transpostos, mas o amor ágape fala sempre mais alto.

É o que vemos ao refletir sobre a vocação do Profeta Jeremias:  contemplamos a figura do Profeta Jeremias que foi escolhido, consagrado e constituído Profeta por Deus.

Como os demais Profetas, trilhou um árduo caminho de sofrimento, solidão, risco por possuir uma consciência crítica, ser defensor da verdadeira paz, nutrir a verdadeira esperança e confiança na defesa dos pobres, tudo fazendo por amor.

O Profeta é por excelência alguém que se encontrou com Deus e Sua Palavra e aceitou viver o desígnio divino. Ninguém é Profeta por iniciativa própria.


Reflitamos:

- Ontem Jeremias, e hoje quem são os Profetas, aqueles que têm olhos voltados para Deus sem desviar o seu olhar para a realidade na qual estão inseridos?

- Onde e como vivemos a vocação profética recebida no dia de nosso Batismo?

- Como estamos conjugando e vivendo os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, anunciar edificar e plantar?

Enviados por Deus em missão, como discípulos missionários, vivamos o caminho profético, conjugando os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, anunciar, edificar e plantar, contando sempre com a ação, presença e assistência do Espírito Santo.

Identidade, vida e missão do Presbítero diocesano



Identidade, vida e missão do Presbítero diocesano

Reflitamos sobre a vida e missão do presbítero diocesano, à luz dos parágrafos 43-53, do Documento número 110 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), sobre as Diretrizes para a formação dos Presbíteros da Igreja no Brasil.

O Presbítero diocesano é corresponsável pela ação pastoral da Igreja particular, portanto, cabe a este a colaboração para que a Diocese com suas Paróquias reformulem as suas estruturas, tornando-se casas e escolas de comunhão, como redes de comunidades evangelizadoras, na expressão visível da opção preferencial pelos pobres (cf. n.49).

Sua identidade, vida e missão se expressam no vínculo especial de comunhão com o seu bispo, e devem permear todo o itinerário formativo em vista de viver o Ministério segundo o estilo de Jesus, ferido, morto e Ressuscitado, de modo que seja:

- capaz de ter a mesma compaixão de Jesus;
- generosidade;
- amor para com todos e especialmente pelos mais pobres;
- pronta solicitude pela causa do Reino;
- testemunha da caridade pastoral. (cf. n.44)

Deste modo, o Presbítero deverá:

- dar testemunho pessoal de fé e caridade;
- viver uma espiritualidade marca por renúncias e despojamento de si mesmo;
- priorizar a tarefa da evangelização, conferindo o caráter missionário do ministério;

- acolher a exemplo de Cristo Pastor, unindo a firmeza à ternura, sem ceder à tentação de um serviço burocrático e rotineiro;
- viver solidariedade efetiva com a vida do povo, na opção preferencial pelos pobres com especial sensibilidade com os oprimidos e sofredores;

- cultivar a dimensão ecumênica, o diálogo inter-religioso no respeito à pluralidade de expressão da fé em Deus e nos valores do Evangelho;
- apoiar a justas reinvindicações do povo, especialmente dos pobres, de acordo com as orientações do Magistério da Igreja;

- ter a capacidade de respeitar, discernir e suscitar serviços e ministérios para a ação comunitária e a partilha;
- promover a manutenção da paz e da concórdia fundamentada na justiça;

- configurar-se como homem da esperança e do seguimento de Jesus na Cruz;
- ter capacidade para a administração pastoral, patrimonial, econômico-financeira e pessoal.  (cf. n.43).

Concluindo, o presbítero diocesano viverá no mundo, no meio do seu povo, conhecendo as “alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias dos homens de hoje, sobretudo dos pobres e de todos os que sofrem”, e assim, será um bom padre, como nos falou o Papa Francisco:

“Um bom padre é antes de tudo, um homem com sua própria humanidade, que conhece a própria história, com as suas riquezas e as suas feridas, e que aprendeu a fazer paz com as mesmas. Alcançando a serenidade de fundo própria de um discípulo do Senhor” (cf. n.46).

Luzes serão acesas no coração de cada Presbítero!

Luzes serão acesas no coração de cada Presbítero!

O Presbítero em tempo de crise paradigmática,
Contempla o emergir de uma figura sem precisão matemática. 

Traz em si imprescindíveis marcas, 
Para não ser submergido no mar da vida, 
Na outra margem ancorar sua barca. 
Sem medo, não se fixando às margens conhecidas, 
Superando as superficialidades já exauridas.

Luzes serão acesas no coração do Presbítero!
Se tiver mãos de semeador, para o chão preparar e a semente lançar, 
Sem medo do resultado que se há de alcançar.
Se tiver a audácia de pescador, 

Que atira suas redes não mais para peixes pescar; 
Atira suas redes no mar da vida, para vidas resgatar, 
E a sacralidade da vida e dignidade humana preservar.
Se tiver o coração e zelo de um pastor, 

Saberá cuidar de cada ovelha que se extraviou… 
Sobretudo, aquela ferida, machucada, 
Quebrada, por ser sofrida, por toda e qualquer dor.

Se tiver olhar e alma de um poeta, 
Terá a boca e coração de profeta. 
Que acredite num novo horizonte, 
Que o caminho novo à humanidade aponte.

Luzes serão acesas no coração do Presbítero!
Se homem de oração dialogal abrir-se ao Espírito, 
Na adoração, no silêncio, de coração contrito. 
A Missão é de todos nós! 

Urge que volte, mais do que nunca, aos sem vez e voz.
Nutrido pela força da Eucaristia, 
Incansável, noite e dia. 
Homem da mística, sem a perda da utopia, 
Vivendo a fé e a caridade incansável, esperando a grande parusia.

Reapaixonado sempre por Aquele que nos quis e nos chamou, 
Retomando a conduta de outrora, 
Missão assumida em espírito e verdade, 
Prenúncio de uma nova aurora!

Luzes serão acesas no coração do Presbítero!
Se trouxer em si as marcas do semeador,
Pescador, pastor e agricultor, 
Profeta, homem orante, militante, sonhador... 

Luzes serão acesas em seu coração, 
Se não curvar-se ao jugo e ao jogo tirano e opressor. 
Que seja testemunha crível e corajosa de Nosso Senhor, 
Reavivando a chama do primeiro Amor!

Presbítero: Sinal do Cristo Bom Pastor

                                                              

Presbítero: Sinal do Cristo Bom Pastor

Reflexão sobre o Ministério Presbiteral à luz da passagem do Evangelho de João (Jo 21, 1-19).

O Presbítero renova, em cada instante, o seu sim no cuidado do rebanho, como Pedro o fez por três vezes quando o Senhor o interrogou: “Simão, filho de João, tu me ama mais que estes”

O Presbítero, a exemplo de Pedro, amando mais que todos ao Senhor, deve colocar-se sempre na fila dos que devem amar e se entregar ao Senhor, sem medida, incondicionalmente, porque sem Jesus, nada se pode fazer.

Um sim acompanhado de fidelidade, coragem e muito amor, para conduzir a comunidade a ele confiada, e assim como os Apóstolos, não mais pescando peixes, mas resgatando a humanidade do mar da escravidão, do egoísmo, do sofrimento e da morte.

Piedosamente celebrando os Sacramentos e, de modo especial a Eucaristia, assegura pelo Pão e Vinho que consagra, que a comunidade jamais sinta sede e fome de Deus, porque somos mais que saciados e inebriados em cada Eucaristia.

Inseparavelmente, numa relação intrínseca, é o Homem da Palavra, da Eucaristia e do Seguimento do Amado e Divino Mestre.

Assim vivendo, assim sendo sua vida, a comunidade nele poderá contemplar o sinal do Cristo Bom Pastor.

Ser presbítero: graça e missão divinas

 


Ser presbítero: graça e missão divinas

Reflexão sobre a graça da missão do presbítero, que consiste em permanecer na realidade urbana ou rural, e anunciar o Evangelho.

Muitos são os desafios que nos apresentam as cidades; no entanto,  como peregrinos da esperança, precisamos enfrentá-los, pois a “Esperança não decepciona” (Rm 5,5).

Iluminados pela Palavra e fortalecidos pela Eucaristia, não vacilar na fé, nem esmorecer na esperança, tampouco esfriar na caridade, porque  por maiores que sejam os desafios, bem maior é a graça divina que nos acompanha na realização da missão que o Senhor nos confiou, com a presença e ação do Espírito Santo (Lc 4,16-21).

Alguns compromissos e atitudes devem estar presentes na vida de cada agente de pastoral, sobretudo na vida de todos os presbíteros juntamente com toda a comunidade a ele confiada. Deste modo, os presbíteros são homens:

- atentos aos sinais de esperança que clamam aos céus: paz para o mundo; olhar de esperança para o futuro; abertura e paixão pela vida; compromisso com inúmeros rostos do cotidiano, dentre eles: presos; doentes, jovens; migrantes; idosos e pobres;

- da esperança: Santo Agostinho: «Em qualquer modo de vida, não se pode passar sem estas três propensões da alma: crer, esperar, amar»;

- da misericórdia: testemunhas da compaixão, proximidade e solidariedade;

- que promovem a conversão em todos os níveis e de todos os envolvidos na Evangelização: cristãos leigos (as), consagrados (as), ordenados. Empenham-se na conversão das estruturas para que se intensifique a comunhão e a participação, na acolhida sobretudo dos que se encontram nas “periferias existenciais” de nossas paróquias;

- que promovem a acolhida de irmãos e irmãs com alegria, como comunidade do Amor na alegre fraternidade e ternura;

- que promovem a defesa da vida, desde a sua concepção até o seu declínio natural, com sua dignidade e sacralidade; bem como comprometidos com a defesa do meio ambiente, numa espiritualidade ecológica;

- que incentivam a comunicação da Boa-Nova do Evangelho através dos Meios de Comunicação Social já existentes, e presença em desafiadores novos areópagos da cidade: Internet, rádio, TV, jornais, escolas, universidades, hospitais, shoppings...;

- homens que a promovem uma Catequese Permanente e a Evangelização em todo o tempo: não é suficiente a catequese; é preciso Evangelizar, permear a vida toda com o Evangelho, de tal modo que Ele ajude a formar comunidades eclesiais missionárias, e que a vivência do Evangelho seja princípio ético de conduta e promoção do bem comum, na construção de uma sociedade justa e fraterna;

- que promovem a Santificação das famílias: diante dos incontáveis desafios (fragmentação, desestruturação, falta de diálogo...), para que ela seja sacrário vivo da vida, espaço primeiro e privilegiado da formação humana, espiritual, psicológica, assimilação dos valores que devem nortear a vida de toda pessoa e a pessoa toda para sempre;

- que vivem a evangélica opção preferencial pelos pobres no revigoramento e comprometimento sociopolítico, em busca de políticas públicas que assegurem vida, parcerias viáveis, fortalecimento dos diversos conselhos paritários.

Que o mesmo Espírito que pousou sobre Jesus na Sinagoga de Nazaré (cf. Lc 4,16-21), Aquele que é o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim (cf. Ap 21,6), continue repousando sobre nós: Espírito de sabedoria e discernimento, Espírito de conselho e fortaleza, Espírito de ciência, temor e piedade.

Sendo a fé viva quando são as obras que falam, que a vida e missão do presbítero fale no cuidado do rebanho a ele confiado (1Pd 5,1-4), com as bênçãos de Deus e a proteção de Maria, Mãe de Deus e da Igreja, a Estrela da Evangelização, e a intercessão de São Miguel Arcanjo, no bom combate da fé. Amém.

O Padre e a Luz de Cristo resplandecente no rosto da Igreja

O Padre e a Luz de Cristo resplandecente no rosto da Igreja

O exercício do Ministério Presbiteral consiste de modo especial fazer resplandecer pela palavra, e pela vida a Luz de Cristo no rosto da Igreja, dando conteúdo ao que nos ensina a Igreja:

“O Concílio deseja ardentemente iluminar todos os homens com a claridade de Cristo, luz dos povos, que brilha na Igreja, para que o Evangelho seja anunciado a todas as criaturas (cf. Mc 16,15)”. (1)

Verdadeiramente, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja pelo Ministério Presbiteral, confiado pelo Sacramento da Ordem: “Tu és Sacerdote para sempre, segundo a ordem do Rei Melquisedec”, para fazer resplandecer a luz de Cristo no rosto da Igreja. Pe. Paulo, renove hoje, em teu coração, esta imensa graça!

A vida do Presbítero, seu anúncio, acompanhado do indispensável testemunho, celebrando e vivendo o que celebra, em perfeita sintonia, leva muitos a ver o resplandecer da luz de Cristo no rosto da Igreja, a qual se colocou a serviço.

− Torna-se instrumento da publicidade da luz, numa vida simples, coerente, pois a luz não existe para ser escondida;

É impossível guardar para si a luz de Deus que foi acesa no coração, de modo que é impossível esconder e apagar esta chama do Amor de Deus.

− Comunica a universalidade da luz do amor pelos últimos, sem esquecer os primeiros; a luz do amor pelos pobres, pelos pequeninos, pelos humildes, enfermos, e outros tantos rostos com quem Ele Se identificou (Mt 25).

− Comunica a consistência da luz da Palavra Divina, que não se reduz às palavras, teorias, discursos, discussões, mas em obras concretas de amor, justiça, perdão, fraternidade, humildade, compaixão e solidariedade.

− Comunique a transparência da luz, de modo que a tua vida não atraia ninguém para si, mas para Aquele que te chamou e te enviou.

A transparência da vida do Presbítero leva muitos a dar conteúdo às Palavras Evangelho: “vendo vossas boas obras, glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16).

Padre e fiéis, Igreja Ministerial e Missionária do Senhor, seremos quando verdadeiramente revelarmos a luz de Cristo ao mundo.

Quando comunicarmos esta luz, na noite sombria de um mundo marcado por tantos sinais de morte e exclusão.

A devoção a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus faz com que o Presbítero seja cada vez mais compadecido e solidário com a dor dos pobres, um Sacerdote conforme o Coração de Jesus.

Para que tudo isto se torne uma verdade, é preciso que seja acompanhado pela Oração e o apoio da comunidade.

Assim, a luz de Cristo resplandece no rosto da Igreja pela sua vida e pelo exercício do Ministério, assim como pela vida de todos que da Igreja participam pela graça do batismo, como sal da  terra e luz do mundo.


(1) Primeiros parágrafos da Constituição “Lumen Gentium” – Luz dos Povos - sobre a Igreja 

Presbítero: Homem da Mesa da Comunhão e da Comunhão das Mesas

PresbíteroHomem da Mesa da Comunhão
e da Comunhão das Mesas

Todo Presbítero deve ter por excelência profundo amor pelas duas mesas inseparáveis: Mesa da Palavra e a Mesa do Sacrifício Eucarístico, que é a mesa da Comunhão.

Da Mesa da Palavra anuncia, proclama, exorta, instrui, profetiza, anima à luz da Palavra de Deus, que é sustento e vigor para a Igreja; assegurando a firmeza na fé, alimentando a alma dos fiéis participantes. Comunica a Palavra que é pura e eterna fonte de vida espiritual para o tempo presente e para toda eternidade.

Na Mesa da Eucaristia, celebra a Nova e Eterna aliança de Deus conosco, no memorial da morte-ressurreição de Jesus, com o pão e o vinho repartido entre todos.

Ao participar das duas Mesas o Presbítero deixa-se encontrar com todo o Povo da História da Salvação. Na Liturgia da Palavra relata a história da Salvação de Deus com seu povo e na Liturgia Eucarística, todos nos tornamos participantes desta Salvação, realizando-a de modo sacramental.

A participação consciente, piedosa e ativa destas duas mesas, que para nós é um privilégio, leva-nos imediatamente ao compromisso com outras mesas de nosso cotidiano, do contrário esvaziaríamos a beleza e vitalidade de nossas Missas.

A Palavra anunciada na mesa sagrada deve ser luz, critério para decisões, que são tomadas em tantas outras mesas. Sabedoria nas mesas das escolas, escritórios e de toda casa. Critério ético em decisões políticas e econômicas que toquem diretamente a vida do povo. 

A Palavra divina deve estar sempre na mente e coração quando nos assentamos diante de qualquer mesa. Com certeza a realidade será transformada e se aproximará dos desígnios divinos.

Divorciar a Mesa da Palavra da mesa do cotidiano leva à proliferação do pecado, da dor, tendo como consequência inevitável: a morte; quer no sentido espiritual, quer no sentido real.

O Pão partilhado, que é o próprio Cristo Jesus, nos interliga com as mesas de tantos lares. O Banquete Eucarístico aponta para a necessária comunhão das mesas. Passar da mesa da comunhão à comunhão das mesas. Assim ninguém mais será condenado à fome, à miséria, à desnutrição.

Lembremos o canto “Pão em todas as mesas” de Zé Vicente: O presbítero é o primeiro diante de toda a comunidade a carregar dentro do seu coração a inquieta preocupação e solidariedade com os que passam fome: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Mc 6,37).

Impõe-se a todos os que destas mesas participam, presbíteros e fiéis, que no dia a dia se tornem hóstias vivas e agradáveis a Deus, na comunhão com Deus e entre si, para que Deus seja tudo em todos!

Como é bela e frutuosa a estreita e perfeita ligação da Mesa da Palavra, Mesa da Comunhão e a mesa de cada dia, como sinal do Reino de Deus por Jesus inaugurado.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG