quarta-feira, 13 de maio de 2026

O futuro que esperamos

                                                             

O futuro que esperamos

Deus contemplou toda a Sua obra,
e viu que tudo era bom
(Gn 1,31)

Haverá sorriso contagiante no futuro,
Se aprendermos com as lágrimas do passado.

Haverá luz radiante no futuro,
Se não escrevermos uma história sem Deus.

Haverá frutos saborosos a colher,
Se no presente o melhor soubermos semear.

Haverá família sólida no futuro,
Se a edificarmos em sagrados valores.

Haverá vida bela no futuro,
Se soubermos promovê-la e defendê-la no tempo presente.

Haverá um mundo belo para todos no futuro,
Se revitalizarmos laços de paz e solidariedade.

Haverá vida em nossa Casa Comum no futuro,
Se nos convertermos para uma Ecologia Integral, sem desmedida ambições.

Haverá uma Igreja santa e pecadora no futuro,
A serviço do Reino de amor, verdade, justiça e  paz.

Haverá futuro, se coragem tivermos de reler o passado,
E repensar o presente, que está sempre em nossas mãos...

Com a presença e ação do Santo Espírito, nosso Defensor, o Espírito da Verdade sigamos em frente...

"Sete duelos"

                                                         

"Sete duelos"

Sede sóbrios e vigilantes. O vosso adversário, o diabo, rodeia como um leão a rugir, procurando a quem devorar. Resisti-lhe, firmes na fé.” (1 Pd 5, 8-9a)

Inicialmente, vi a verdade duelando com a mentira que, muitas vezes, se apresentou na boca de pessoas bem maquiadas, trajadas, com palavras bem versadas.

Mentira tão bem apresentada, com convicção e persuasão, que parecia uma verdade incontestável. Vi a verdade tão frágil como se não fosse sobreviver. Mas a verdade não pode morrer, pois seria a morte da própria história e da humanidade.

O duelo continuará. Que vença a verdade no final, a verdade que nos faz verdadeiramente livres, que nos vem do Evangelho, como o próprio Senhor nos diz: – “Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” (Jo 8, 32).

Vi a vida duelando com a morte, e assim o fará até o fim da existência. Vi a vida florescendo teimosamente numa flor na singeleza de um barranco, ou brotando nas fendas do asfalto.

Vi a vida vencendo a morte, quando o pão foi partilhado, quando se fez renascer o sorriso nos lábios de alguém que participou de nosso cotidiano, amenizando a dor e o drama de uma solidão e, por vezes, até mesmo abandono, em visitas solidárias e expressão de compaixão e comunhão.

Vi este duelo de tantas pessoas que, em suas atividades profissionais, com zelo, amor, ética, tudo fazem para resgatar, salvar vidas, dando o melhor de si, mesmo na precariedade de recursos materiais e humanos; vencendo cansaços, limites, descasos e carências em todos os âmbitos (educação, saúde, lazer, habitação...).

O duelo continuará. Que a vida seja no final a mais bela vencedora: a vida plena e feliz que Jesus veio nos trazer – “Eu vim para que todos tenham vida e tenham vida plenamente” (Jo 10, 10).

Vi a luz quase que se apagando diante da imensidão das trevas do pecado, da injustiça, da infidelidade, desobediência aos desígnios divinos para a humanidade. Mas vi que quanto maior a escuridão, maior é o efeito da chama.

Aprendi com muitos que o auge da escuridão é, de fato, o início de um novo dia; luz que haverá de ser irradiada, sobretudo, por aqueles que um dia o Batismo receberam, para ser no mundo luz, na prática da Boa-Nova das Bem-Aventuranças, como projeto e programa de vida.

O duelo continuará. Cremos na Palavra do Divino Mestre e Senhor que assim nos falou: “Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida” (Jo 8,12).

Vi o sonho duelando com os pesadelos, quando pais e mães, incansáveis, se desdobraram para o melhor oferecer aos filhos, enfrentando filas e aprendendo o milagre da partilha do pouco que se tem, para que o milagre do amor possibilitasse a vitória de um filho (a) em objetivos e sonhos cultivados; bem como vi filhos que sonham, dando o melhor de si, para que o sonho de seus pais não se tornem tristes pesadelos, que roubam as forças e a alegria da existência e da razão, porque se deram e se doaram.

O duelo continuará. Que vençam os mais belos e sagrados sonhos, cultivados no sono sagrado, que alimenta de horizontes o tempo acordado de viver, como diz a canção.

Vi a fé, pequena como um grão de mostarda, duelando com a montanha da incredulidade da força de Deus, que vem em socorro de nossa fraqueza.

Vi a fé autêntica duelando com a fé alienante, por vezes mágica, transferindo soluções para Deus, quando Ele tudo dispôs em nossas mãos.

Até mesmo vi a fé com raízes bíblicas duelando com a pseudofé, fonte de renda e enriquecimentos improcedentes, e até escandalizantes.

Vi a fé de mãos dadas com a razão, em muitos que não se cansam de procurar respostas e saídas para amenizar a dor, o pranto, e o lamento de vidas pela enfermidade fragilizadas, agonizadas.

O duelo continuará. Que a fé seja o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se veem (Hb 11,1). Como que uma força e impulso que não nos permitem desistir do bom combate.

Vi a esperança, plantada, cultivada e enraizada em mentes e corações duelando contra o seu oposto, o nada mais esperar, como se tivesse chegado ao fim da história, ao caos absoluto e insuperável.

Vi a esperança no canto dos olhos de enfermos, em novo amanhecer envolvidos em suas atividades, como também no olhar de tantos (crianças, jovens, adultos e idosos) de que algo novo há de surgir.

Vi a esperança de mãos dadas com a alegria no coração dos que conseguem ver além do cinza dos muros, e, se preciso como poetas e cantores, emprestam a voz, o olhar e os ouvidos para anunciar que podemos construir a paz, como incansáveis artesãos.

O duelo continuará. Como Abraão que, em esperança, creu contra a esperança, para que se tornasse pai de muitas nações (Rm 4,18), e como canta o poeta: “mas renova-se a esperança. Nova aurora a cada dia. E há que se cuidar do broto para que a vida nos dê flor, flor e fruto”.

Finalmente, vi o maior de todos os duelos: o amor duelando com o ódio, em tantas notícias de violência, assassinatos, chacinas, sangue de inocentes derramado, o chão tristemente marcando, com manchas execráveis, que ferem nosso olhar e nos fazem sofrer pela triste lembrança.

Vi o ódio sorrindo, em aparente destruição do amor, como se ele pudesse ser e ter a última palavra. Mas cremos que o amor é a força que, ainda que em aparentes últimos suspiros, renasce para além de nossa compreensão e discursos racionais, pois o amor jamais passará, nos disse o apóstolo e assim o cremos (1 Cor 13, 8).

O duelo continuará. Que vença o amor no final, pois fomos criados pelo Amor da Trindade, para viver no amor, e amando, encontrar o sentido do existir e a verdadeira felicidade. Somente quem ama é verdadeiramente feliz. 

Sete duelos que vi e vivi, ou que vimos e vivemos; duelos que continuaremos enfrentando, sem fugas e recuos, sempre com o Amor de Deus, que foi pelo Espírito derramado em nossos corações (Rm 5,5).

Na fidelidade a Jesus, renovemos sagrados compromissos com o Seu Reino; permaneçamos firmes no bom combate da fé (2Tm 4, 7-8), contando sempre com a força do Espírito, para que sejamos totalmente atentos aos desígnios do Pai.
Permaneçamos firmes e vigilantes no bom combate da fé, sempre! Amém. Aleluia!

Em poucas palavras...

                                                  



"Senhor, eu creio...”

“Senhor, eu creio; eu quero crer em vós.
Senhor, fazei que a minha fé seja plena.
Senhor, fazei que a minha fé seja livre.
Senhor, fazei que a minha fé seja firme.
Senhor, fazei que a minha fé seja forte.
Senhor, fazei que a minha fé seja alegre.
Senhor, fazei que a minha fé seja ativa.
Senhor, fazei que a minha fé seja humilde.
Amém.”

(1)        Oração do Papa São Paulo VI que rezava em momentos de dificuldades

https://www.vaticannews.va/pt/santo-do-dia/05/29/s--paulo-vi--papa.html

A floresta de nossos sonhos

                                            


A floresta de nossos sonhos


Sonhos, quem não os tem, ora belos, ora nem tanto assim.

Sonhos que ora nos movem, ora nos inquietam...

Se somados um ao outro, formam uma grande floresta.

Não haveria floresta sem a menor das sementes, folhas e flores.

 

Viver é ter coragem de visitar a floresta de nossos sonhos.

Sonhos que podem ser simples devaneios,

Sem conexão com as marcas da realidade inserida;

Mas, se relidos, podem alargar horizontes de medos e mesquinhez.

 

Sonhos de loucos, de esperanças vãs e insensatas,

De impossível realização, poderão dizer alguns,

Ou apenas o silêncio, palavras contidas,

Pela ausência da coragem, de sincera expressão.

 

Sonhos acordados de poetas nas florestas encantadas,

Enamorados pela vida, olhar transcendente,

Que colore o cinza triste de paisagens sombrias

E emprega a luminosidade para vencer o horror da escuridão.

 

Adentrar as florestas de nossos sonhos em todas as estações.

No verão, refrescar nas fontes revitalizantes da Palavra divina;

Na primavera, não desistir de contar as flores de suave perfume;

No inverno, aquecer-se na fogueira com o Fogo Divino.

 

No outono, coragem de contemplar folhas caídas,

Podas necessárias para um novo germinar, florescer,

Na certeza de que frutos não haverão de faltar:

Saborosos frutos do Espírito, Ele há de nos conceder.

 

Assim são as florestas de nossos sonhos a serem visitadas.

Nelas, por vezes, espaços desertificados ou ajardinados.

Dias difíceis, tempos de escuridão e secura da alma,

Outros, nutridos em “cascatas de leite e mel”. Adentremos...

Não morre para sempre quem tanto amamos

                                         

Não morre para sempre quem tanto amamos
 
“Não se perturbe o vosso coração!
Credes em Deus, crede também em mim.
 Na Casa de meu Pai há muitas moradas.
Se não fosse assim, Eu vos teria dito,
porque vou preparar um lugar” (Jo 14,1-2)
 
Ela veio, não pediu licença, e levou quem eu tanto amava.
Assim ela já fez com tantos que amamos em vida, e a dor deixou.
 
Tentamos nos reerguer e continuar nossa história,
Redescobrindo a beleza das cores das flores,
com seu perfume exalado,
Convidando-nos a, também,
A redescobrir a beleza da melodia.
 
Ela veio, sem pedir licença,
porque sabe que jamais permitiríamos
Que ela levasse quem conosco sorrisos partilhava,
Ou, em outros momentos,
nossas lágrimas, com ternura, secava;
Comia conosco o mesmo pão, no mesmo prato,
Por vezes saboroso, e ainda que não o fosse, também o faria.
 
Ela vem, e leva pessoas que para nós são como anjos;
Que nos falam de Deus, mais que com as palavras, com a vida,
Gestos e exemplos, que continuam falando para sempre,
Em suave e doce lembrança, que nos acompanha em todos os momentos.
Alívio para dores, bem como, em pequenos e grandes sofrimentos.
 
Ela veio, vem ou virá, em qualquer momento, inevitavelmente.
Ora para levar quem tanto amamos,
ora também para nos levar.
Que ela não venha e nos encontre distantes
d’Aquele que nos prometeu, no céu,
uma divina e eterna morada,
e que não fiquemos perturbados.
Assim cremos, esperamos com Ele
e com todos os que partiram, nos encontrar.
 
Ela veio e levou sem pedir licença. Levou?
Não, ela não pode levar para sempre quem tanto nos amou.
Ficará para sempre no coração quem tanto amamos,
Até que, no céu, se possa reencontrar, num abraço celestial,
louvores e cantos com todos os anjos e santos. Amém. Aleluia!
 

Preparemos a Festa da Ascensão do Senhor

                                                

Preparemos a Festa da Ascensão do Senhor

Reflitamos o Sermão do Papa São Leão Magno (séc. V), sobre os dias entre a Ressurreição e a Ascensão do Senhor.

“Caríssimos filhos, os dias entre a Ressurreição e a Ascensão do Senhor não foram passados na ociosidade. Pelo contrário, neles se confirmaram grandes Sacramentos, grandes Mistérios foram neles revelados.

No decurso destes dias foi afastado o medo da morte cruel e proclamada a imortalidade não apenas da alma, mas também do corpo. Nestes dias, mediante o sopro do Senhor, todos os Apóstolos receberam o Espírito Santo; nestes dias foi confiado ao Apóstolo Pedro, mais que a todos os outros, o cuidado do rebanho do Senhor, depois de ter recebido as chaves do Reino.

Durante esses dias, o Senhor juntou-Se, como um terceiro companheiro, a dois discípulos em viagem, e para dissipar as sombras de nossas dúvidas repreendeu a lentidão de espírito desses homens cheios de medo e pavor. Seus corações, por Ele iluminados, receberam a chama da fé; e à medida que o Senhor ia lhes explicando as Escrituras, foram se convertendo de indecisos que eram em ardorosos.

E mais: ao partir o Pão, quando estavam sentados com Ele à mesa, abriram-se-lhes os olhos. Abriram-se os olhos dos dois discípulos, como os dos nossos primeiros pais. Mas quão mais felizes foram os olhos dos dois discípulos ante a glorificação da própria natureza, manifestada em Cristo, do que os olhos de nossos primeiros pais ante a vergonha da própria prevaricação!

Durante todo esse tempo, caríssimos filhos, passado entre a Ressurreição e a Ascensão do Senhor, a providência de Deus esforçou-se por ensinar e insinuar não apenas aos olhos, mas também aos corações dos Seus que a Ressurreição do Senhor Jesus Cristo era tão real como o seu Nascimento, Paixão e Morte.

Os Santos Apóstolos e todos os discípulos ficaram muito perturbados com a tragédia da Cruz e hesitavam em acreditar na Ressurreição. De tal modo eles foram fortalecidos pela evidência da verdade que, quando o Senhor subiu aos céus, não experimentaram tristeza alguma, mas, pelo contrário, encheram-se de grande alegria.

Na verdade, era grande e indizível o motivo de sua alegria: diante daquela santa multidão, contemplavam a natureza humana que subia a uma dignidade superior à de todas as criaturas celestes, ultrapassando até mesmo as hierarquias dos Anjos e a altura sublime dos Arcanjos. Deste modo, foi recebida junto do eterno Pai, que a associou ao trono de Sua glória, depois de tê-la unido na pessoa do Filho à Sua própria natureza  divina.”

Vivendo intensamente o Tempo Pascal, iluminados pela Palavra divina ricamente proclamada em cada Eucaristia, enriquecidos pelo transbordamento da alegria Pascal, damos passos decisivos para melhor celebrarmos a Festa da Ascensão, que é a Festa de nossa missão evangelizadora.

Alegremo-nos no Senhor, pois a sua missão a nós foi confiada.
Portanto, Sua missão é a nossa missão.
Aleluia!

PS: Liturgia das Horas – Volume II - Quaresma/Páscoa - p. 807-808 

Conduzidos pelo Espírito da Verdade

                                                   

Conduzidos pelo Espírito da Verdade

Ouvimos na quarta-feira da sexta Semana da Páscoa a passagem do Evangelho de  João (Jo 16,12-15), em que Jesus nos promete a vinda do Espírito da Verdade que conduziria os discípulos à plena verdade:

“Quando, porém vier o Espírito da Verdade, Ele vos conduzirá à plena verdade. Pois Ele não falará por Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará” (Jo 16,13).

De fato, Jesus cumprindo a missão que o Pai lhe confiou, possui plenos poderes e participa dos Mistérios de Deus, pois Ele e o Pai são um, e tudo o que é do Pai é d’Ele. Por isto pode comunicar a vinda do Espírito da Verdade junto do Pai (cf Jo 10,30; 16,15):

“Era necessário dar conta de que Jesus era o plenipotenciário do Pai, o Seu agente, enviado para a Salvação do mundo. Só quem está na posse dos segredos de Deus como o Seu Espírito, pode conhecer tudo isto e dá-lo a conhecer” (1).

Oremos:

Dai-nos, ó Deus, a graça de abrir a mente e o coração para acolher vossos segredos e desígnios para que participemos do Vosso projeto de amor, vida e paz.

Ajudai-nos, ó Deus, para que  jamais sucumbamos à quaisquer sinais de ignorância, fechamento à graça divina que quereis sempre derramar em nosso coração.

Libertai-nos, ó Deus, por Vosso Divino poder, de todas as amarras e armadilhas do medo, da falta de esperança, incertezas e falta de fé, que roubem nossa alegria e realização humana.

Concedei-nos, ó Deus, continuar a missão realizada pelo Vosso Filho, pleno de poderes, e a nós comunicado com o sopro do Espírito, para trilharmos caminhos da verdade, justiça e fraternidade. Amém. Aleluia!


(1). Comentários à Bíblia Litúrgica – Gráfica Coimbra 2 – pág. 1319-1320

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG