terça-feira, 12 de maio de 2026

Ascensão do Senhor: Ele confia em nós a continuidade da missão (Ascensão do Senhor)

                                                      

Ascensão do Senhor: Ele confia em nós a continuidade da missão

Sejamos enriquecidos pelo Tratado n.74, escrito pelo Papa e Doutor da Igreja, São Leão Magno (séc. V):

“O mistério de nossa Salvação, amadíssimos, que o Criador do universo abonou no preço de Seu sangue, foi realizado segundo uma economia de humildade desde o dia de Seu nascimento corporal até o término de Sua Paixão. E ainda que sob a condição de servo irradiaram muitos sinais manifestativos de Sua divindade, contudo, toda a atividade deste período esteve orientada propriamente para demonstrar a realidade da humanidade assumida.

Apesar disso, depois da Paixão, rompidas as cadeias da morte que, ao recair n’Aquele que não conheceu o pecado perdera toda a sua malignidade, a debilidade se converteu em fortaleza, a mortalidade em eternidade, a ignomínia em glória, glória que o Senhor Jesus tornou manifesta diante de muitas testemunhas através de numerosas provas, até o dia em que introduziu nos céus o triunfo da vitória obtida sobre os mortos.

E assim como na Solenidade da Páscoa a Ressurreição do Senhor foi para nós causa de alegria, assim também agora Sua Ascensão ao céu é para nós um novo motivo de júbilo, ao recordar e celebrar liturgicamente o dia em que a pequenez de nossa natureza foi elevada, em Cristo, acima de todos os exércitos celestiais, de todas as categorias de anjos, de toda a sublimidade das potestades até compartir o trono de Deus Pai.

Fomos estabelecidos e edificados por este modo de operar divino, para que a graça de Cristo se manifestasse mais admiravelmente, e assim, apesar da presença visível do Senhor ter sido afastada da vista dos homens – pela qual se alimentava o respeito deles para com Ele –, a fé se mantivesse firme, a esperança impassível e o amor ardente.

Nisto consiste, de fato, o vigor dos espíritos verdadeiramente grandes, isto é, o que a luz da fé realiza nas almas realmente fiéis: crer sem vacilação o que nossos olhos não veem; ter o desejo fixo naquilo que nosso olhar não pode alcançar.

Como esta piedade poderia nascer em nossos corações, ou como poderíamos ser justificados pela fé se a nossa salvação consistisse somente no que nos é dado ver? Por isso o Senhor disse àquela Apostolo que não cria na Ressurreição de Cristo enquanto não averiguasse com a vista e o tato, em Sua carne, os sinais da Paixão:

Crestes porque me vistes? Bem-aventurados os que creram sem terem visto.

Assim, para tornar-nos capazes, amadíssimos, de semelhante bem-aventurança, nosso Senhor Jesus Cristo, após ter realizado tudo o que convinha para a pregação evangélica e aos mistérios do Novo Testamento, quarenta dias após a Ressurreição, elevando-Se ao céu à vista dos Seus discípulos, findou a Sua presença corporal para sentar-Se à direita do Pai, até que se cumpram os tempos divinamente estabelecidos nos quais se multipliquem os filhos da Igreja, e Ele volte, na mesma carne com a qual ascendeu aos céus, para julgar os vivos e os mortos.

Assim, todas as coisas referentes a nosso Senhor que antes eram visíveis, passaram a ser ritos sacramentais; e para que nossa fé fosse mais firme e valiosa, a visão foi substituída pela instrução, de maneira que, doravante, nossos corações, iluminados pela luz celestial, devem apoiar-se nesta instrução”.

À luz do Tratado, oremos:

Cremos, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, que todas as coisas referentes a Vós, que foram contempladas e visíveis para os primeiros que chamastes, agora contemplamos verdadeiramente presente nos Sacramentos que celebramos

Cremos que, depois da Vossa Paixão, rompidas as cadeias da morte que, ao recair em Vós que não conhecestes o pecado, elas perderam toda a sua malignidade.

Cremos, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, que a debilidade se converteu em fortaleza, a mortalidade em eternidade, a ignomínia em glória.

Cremos, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, que, após Vossa Ressurreição, Vos manifestastes diante de muitas testemunhas através de numerosas provas, até o dia em que fostes introduzidos no triunfo da vitória obtida sobre os mortos.

Portanto, Senhor Jesus Cristo, vivo e Ressuscitado, Vos pedimos que mantenhamos firmes nossa fé, impassível a nossa esperança, e ardente a caridade em nossos corações, contando com a presença e ação do Espírito da Verdade, na plena fidelidade a Deus, como plenamente vivestes. Amém. Aleluia!


Fonte: Lecionário Patrístico Dominical –Editora Vozes – 2013 – pp. 109-110 – Editora Vozes

Ascensão do Senhor: continuemos a Sua missão (Ascensão do Senhor - Ano A)

                                                            

Ascensão do Senhor: continuemos a Sua missão
 
    “Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em         nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19)
 
Com a Festa da Ascensão do Senhor (Ano A), renovamos a alegria de crermos que, após um caminho percorrido com amor e doação, desabrochamos na eternidade, plena comunhão com Deus, assim como foi a vida de Jesus Cristo.
 
A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós, a comunhão com Deus, o Céu, e nos convida a renovar a alegria de sermos continuadores da missão que Ele realizou, e a nós confiou, enviando-nos do Pai o Espírito Santo de Deus, o Paráclito, fato que celebraremos com a Festa de Pentecostes.
  
A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.
 
Antes é preciso assumir, com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados decididamente no Projeto de Salvação Divina, superando a passividade alienante indo para o meio do mundo, como sal, luz e fermento. 
 
Nada falta à Igreja, portadora da plenitude de Cristo, para cumprir esta missão, portanto renovemos a alegria de crermos que, após um caminho percorrido com amor e doação, desabrocharemos na eternidade, pela comunhão com Deus, assim como foi a vida de Jesus Cristo.
 
Na passagem da primeira Leitura (At 1,1-11), Jesus depois de ter apresentado ao mundo o Projeto do Reino, entrou na comunhão plena e definitiva do Pai, e este é também o destino daqueles que percorrem o mesmo caminho. Fica com isto, afastada toda possibilidade de passividade alienante, imobilismo estéril.
 
A comunidade vivia um contexto de crise (anos 80 dC), marcado pela desilusão e frustração, e se fazia necessário manter-se firme no testemunho do Ressuscitado, sem jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e tão pouco esfriar na caridade.
 
O tempo vai passando e não vemos realizar o Projeto Salvador. Quando será enfim realizado?
 
Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização que é o Espírito Santo e conta com a participação e ação dos Apóstolos na construção do Reino que exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.
 
Os sinais e palavras tem mensagens próprias: 
 
- A elevação aos céus - trata-se do culminar de uma vida;
- A nuvem - sempre um sinal teofânico (manifestação de Deus);
- Olhar para o céu - acena para a segunda vinda de Cristo, que não devemos esperar de braços cruzados;
- Dois homens vestidos de branco - anunciam o mundo de Deus.

Jesus, depois de ter apresentado ao mundo o Projeto do Reino, entrou na comunhão plena e definitiva do Pai, e este é também o destino daqueles que percorrem o mesmo caminho. Fica com isto, afastada toda possibilidade de passividade alienante, imobilismo estéril.
 
Ele nos apresenta a Ascensão quarenta dias depois da Ressurreição: quarenta é um número simbólico, define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir com fidelidade e coragem as lições do Mestre.
 
A descrição da elevação de Jesus ao céu, assim como a nuvem, os discípulos a olhar para o céu, os homens vestidos de branco têm uma mensagem própria: os discípulos, animados pelo Espírito, devem continuar no mundo a história e obra de Jesus, aguardando a Sua segunda vinda definitiva e gloriosa.
 
A comunidade não pode ficar “olhando para o alto e de braços cruzados”, precisa seguir o caminho que é o próprio Jesus, com olhar para o futuro, renovando cotidianamente os compromissos com o Projeto de Salvação que Deus tem para a humanidade.
 
Deste modo podemos afirmar que a Ressurreição e Ascensão de Jesus, nos garante uma vida vivida na fidelidade ao projeto do Pai: “Uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo ‘caminho’ de Jesus subirá, com Ele, à vida plena”. (1)
  
Reflitamos:
 
- Tenho sido fiel à missão que o Senhor me confiou?
- O que gero com o meu testemunho nos diversos âmbitos em que vivo?
- Quais são meus compromissos solidários na transformação do mundo?
- Fico a olhar para o céu ou me comprometo com a transformação em todos os níveis?
 
Com a passagem da segunda Leitura (Ef 1,17-23), acolhemos uma mensagem de confiança e esperança, em que a comunidade é exortada a pôr-se a caminho, numa comunhão sólida, formando um só Corpo, que é a Igreja, cuja cabeça é o próprio Cristo.
 
Trata-se de uma síntese da teologia paulina, e o Apóstolo Paulo fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo - “o corpo de Cristo” – formado por muitos membros, e que Paulo já havia dito em outras Cartas, mas agora escreve da prisão, e faz parte das “cartas do cativeiro”.
 
Temos uma mensagem de confiança e esperança, em que a comunidade é exortada a pôr-se a caminho, numa comunhão sólida: Cristo sendo cabeça e a comunidade um corpo, juntos forma-se uma comunidade indissolúvel, da qual Cristo está no centro, e nada falta a Igreja para levar a diante a missão por Ele confiada:
 
“Dizer que a Igreja é a 'plenitude' ('pleroma') de Cristo significa dizer que nela reside a ‘plenitude’”, a ‘totalidade’ de Cristo.
 
Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse 'corpo' onde reside que Cristo continua todos os dias a realizar o Seu Projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse ‘corpo’, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo ‘seja tudo em todos’ (vers. 23)”. (2)
 
Com isto, a Igreja é chamada a testemunhar Cristo, torná-Lo presente no mundo, comprometida com o Projeto de Libertação que Ele inaugurou em favor da humanidade. Esta missão só findará, quando pelo testemunho, fidelidade, ação daqueles que creem, Cristo seja 'um em todos'.
 
A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus garantem a nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho, superando as dificuldades.
 
Na passagem do Evangelho (Mt 28,16-20), encontramos a descrição do encontro final de Jesus com Seus discípulos, no monte da Galileia.
 
Além de reconhecer Jesus como Senhor, a comunidade recebe d’Ele a missão de continuar o Seu Projeto de Libertação da humanidade, no testemunho do Reino por Ele inaugurado.
 
O Evangelista Mateus, por três momentos significativos, nos fala da montanha:
 
- A tentação de se atirar do alto monte (Mt 4,8);
- No Monte Tabor, com a Transfiguração (Mt 17,1)
- E finalmente na Sua Ascensão. No Antigo Testamento, de modo especial, monte é sempre o lugar onde Deus se revela às pessoas (Moisés, Elias etc.).
 
E ainda mais, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a Sua vida; foi onde começou a anunciar o Evangelho do Reino (Mt 4,12-22). É também lá que se recomeça a missão. Onde tudo começou foi onde tudo recomeçou...

Deste modo, celebrar a Ascensão de Jesus é:
 
- Tomar consciência da missão que foi confiada por Jesus aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do “Reino” na vida dos homens;
 
- Tomar consciência também de que, como Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, somos a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens;
 
- Rever como procuramos testemunhar o Reino de Deus em todos os âmbitos da vida;
 
- Assumir a missão que Jesus confiou aos discípulos, que consiste numa missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculos para a presença de Sua Proposta libertadora no mundo.
 
 Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início a nossa missão, sentando-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.
 
Urge não ficarmos apenas admirando, mas nos colocarmos constantemente a caminho, com renovados compromissos com o Projeto da Salvação; de modo que é preciso viver o Batismo,  inseridos na mais perfeita comunidade de comunhão e amor, a comunidade Trinitária: Pai, filho e Espírito Santo.
 
Vivendo a Boa-Nova anunciada, em confronto com o mundo, pode gerar desilusão, sofrimento e frustração. Mas é exatamente aqui que o discípulo deve dar razão da esperança que possui, testemunho de n’Aquele em quem confia, Jesus, com a força e ação do Espírito Santo Paráclito, o Defensor, o Espírito da Verdade que estará conosco até o fim dos tempos.
 
Urge levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus, de modo que celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é afirmar uma bela verdade de nossa fé, pois a Ascensão do Senhor liga-se necessariamente à Sua Encarnação, e comunica o seu significado autêntico: O Filho de Deus tornou-Se como nós para nos tornar como Ele.
 
Exultemos de alegria por sermos continuadores da missão que Ele realizou, e a nós confiou, enviando-nos do Pai o Espírito Santo de Deus, o Paráclito, fato que celebraremos com a Festa de Pentecostes. De fato, o Espírito Santo é derramado, como dom de Amor do Pai, para continuarmos, fiéis na Missão do Cristo, na mais profunda e frutuosa vivência do Amor e da Vida Trinitária.
 
Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus.
 
Que esta certeza alimente a nossa coragem para que testemunhemos o que acreditamos e professamos; o que nos move e nos direciona rumo ao encontro definitivo com Deus, na mais perfeita e plena comunhão de amor, empenhados, por ora, na construção do Reino de amor, vida, alegria, luz e paz.
 
Reflitamos:
 
- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?
 
- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho esta certeza em meu coração?
 
- No seguimento de Jesus não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão a nós confiada?
 
- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.
 
- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?
 
- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?
 
Seja a Festa do Envio, da continuidade da missão que Jesus nos confia –“Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo” (Mt 28,19).
Missão é graça divina, e é preciso que a vivamos como uma resposta permanente, confiante e perseverante.


(1) (2) www.Dehonianos.org/portal

Missão: graça divina, resposta nossa (Ascensão do Senhor - Ano A)

                                         

Missão: graça divina, resposta nossa

 “Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”

A Solenidade da Ascensão aponta para o fim último de todos nós, a comunhão com Deus, o Céu (ano A).

A ida de Jesus para o Céu, não é a afirmação de Sua partida e ausência, mas é a garantia de Sua eterna presença conosco até que Ele venha pela segunda vez, como afirmamos na Missa: “anunciamos Senhor a Vossa morte e proclamamos a Vossa Ressurreição, vinde Senhor Jesus”.

Antes é preciso assumir com coragem, no tempo presente, a missão por Deus a nós confiada: anunciar o Evangelho a todos os povos, empenhados decididamente no Projeto de Salvação Divina, superando a passividade alienante indo para o meio do mundo, como sal, luz e fermento. 

Nada falta à Igreja, portadora da plenitude de Cristo, para cumprir esta missão, portanto renovemos a alegria de crermos que, após um caminho percorrido com amor e doação, desabrocharemos na eternidade, pela comunhão com Deus, assim como foi a vida de Jesus Cristo.

A passagem da primeira Leitura (At 1,1-11) retrata uma comunidade que vive num contexto de crise (anos 80), marcado pela desilusão e frustração. 

O tempo vai passando e não vê realizar o Projeto Salvador. Quando será enfim realizado?

São Lucas, autor dos Atos dos Apóstolos, escreve em tons de catequese sólida, substancial, e se fazia necessário manter-se firme no testemunho do Ressuscitado, sem jamais vacilar na fé, esmorecer na esperança e tão pouco esfriar na caridade.

Lucas escreve a Teófilo (aqueles que são amados por Deus = amigos de Deus) apresentando o Protagonista maior da Evangelização que é o Espírito Santo e conta com a participação e ação dos Apóstolos na construção do Reino que exige empenho contínuo e nisto consiste o papel da comunidade formada por aqueles que creem e se afirmam cristãos.

Jesus depois de ter apresentado ao mundo o Projeto do Reino, entrou na comunhão plena e definitiva do Pai, e este é também o destino daqueles que percorrem o mesmo caminho. Fica com isto, afastada toda possibilidade de passividade alienante, imobilismo estéril.

Ele nos apresenta a Ascensão quarenta dias depois da Ressurreição: quarenta é um número simbólico, define o tempo necessário para que um discípulo possa aprender e repetir com fidelidade e coragem as lições do Mestre.

A descrição da elevação de Jesus ao céu, assim como a nuvem, os discípulos a olhar para o céu, os homens vestidos de branco têm uma mensagem própria: os discípulos, animados pelo Espírito, devem continuar no mundo a história e obra de Jesus, aguardando a Sua segunda vinda definitiva e gloriosa.

A comunidade não pode ficar “olhando para o alto e de braços cruzados”, precisa seguir o caminho que é o próprio Jesus, com olhar para o futuro, renovando cotidianamente os compromissos com o Projeto de Salvação que Deus tem para a humanidade.

Deste modo, a Ressurreição e a Ascensão de Jesus, nos garantem uma vida vivida na fidelidade ao Projeto do Pai: “Uma vida destinada à glorificação, à comunhão definitiva com Deus. Quem percorre o mesmo ‘caminho’ de Jesus subirá, com Ele, à vida plena”. (1)

Os sinais e palavras tem mensagens próprias: 

- A elevação aos céus - trata-se do culminar de uma vida;
- A nuvem - sempre um sinal teofânico (manifestação de Deus);
- Olhar para o céu - acena para a segunda vinda de Cristo, que não devemos esperar de braços cruzados;
- Dois homens vestidos de branco - anunciam o mundo de Deus.

Reflitamos:

- Tenho sido fiel à missão que o Senhor me confiou?
- O que gero com o meu testemunho nos diversos âmbitos em que vivo?
- Quais são meus compromissos solidários na transformação do mundo?
- Fico a olhar para o céu ou me comprometo com a transformação em todos os níveis?

A passagem da segunda Leitura (Ef 1,17-23) nos apresenta a síntese da teologia paulina, e o Apóstolo Paulo fala da comunidade como um corpo. Cristo é a cabeça e a Igreja é o corpo.

Trata-se de uma mensagem de confiança e esperança, em que a comunidade é exortada a pôr-se a caminho, numa comunhão sólida, formando um só Corpo, que é a Igreja, cuja cabeça é o próprio Cristo.

A comunidade cristã é um corpo – “o Corpo de Cristo” – formado por muitos membros, e que Paulo já havia dito em outras Cartas, mas agora escreve da prisão, e faz parte das “cartas do cativeiro

Cristo sendo cabeça e a comunidade um corpo, juntos forma-se uma comunidade indissolúvel, da qual Cristo está no centro, e nada falta a Igreja para levar a diante a missão por Ele confiada:

“Dizer que a Igreja é a 'plenitude' ('pleeroma') de Cristo significa dizer que nela reside a ‘plenitude’, a ‘totalidade’ de Cristo.

Ela é o receptáculo, a habitação, onde Cristo Se torna presente no mundo; é através desse 'corpo' onde reside que Cristo continua todos os dias a realizar o Seu Projeto de salvação em favor dos homens. Presente nesse ‘corpo’, Cristo enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que o próprio Cristo ‘seja tudo em todos’ (vers. 23)”. (2)

A Igreja é, portanto, a habitação onde Cristo Se torna presente no mundo, em quem Cristo está presente neste Corpo, Ele enche o mundo e atrai a Si o universo inteiro, até que Ele “seja tudo em todos” (Ef 1, 23).

A Ressurreição/Ascensão/Glorificação de Jesus garantem a nossa própria ressurreição/glorificação, por isto é preciso avançar no caminho superando as dificuldades.

Na passagem do Evangelho (Mt 28,16-20), encontramos a descrição do encontro final de Jesus com Seus discípulos no monte da Galileia. 

Jesus voltando para o Pai, e ficando para sempre no meio dos Seus discípulos, confia a eles a continuidade da missão. 

Além de reconhecer Jesus como Senhor, a comunidade recebe d’Ele a missão de continuar o Seu Projeto de Libertação da humanidade, no testemunho do Reino por Ele inaugurado.

Deste modo, com a Ascensão, podemos afirmar que Jesus cumpriu plenamente a Sua missão e reentrou na comunhão do Pai, e assim dá início a nossa missão, sentando-Se à direita do Pai para reinar sobre tudo e todos, através da missão dos discípulos.

O Evangelista Mateus, por três momentos significativos, nos fala da montanha:

- A tentação de se atirar do alto monte (Mt 4,8);
- No Monte Tabor, com a Transfiguração (Mt 17,1)
- E finalmente na Sua Ascensão. No Antigo Testamento, de modo especial, monte é sempre o lugar onde Deus se revela às pessoas (Moisés, Elias etc.).

E ainda mais, foi na Galileia que Jesus viveu quase toda a Sua vida; foi onde começou a anunciar o Evangelho do Reino (Mt 4,12-22). É também lá que se recomeça a missão. Onde tudo começou, foi onde tudo recomeçou...

Viver a Boa-Nova anunciada, em confronto com o mundo, pode gerar desilusão, sofrimento e frustração. Mas é exatamente aqui que o discípulo deve dar razão da esperança que possui, testemunho de n’Aquele em quem confia, Jesus, com a força e ação do Espírito Santo Paráclito, o Defensor, o Espírito da Verdade que estará conosco até o fim dos tempos.

Esta certeza alimenta a nossa coragem para que testemunhemos o que acreditamos e professamos; o que nos move e nos direciona rumo ao encontro definitivo com Deus, na mais perfeita e plena comunhão de amor, empenhados, por ora, na construção do Reino de amor, vida, alegria, luz e paz.

Portanto, Celebrar a Ascensão de Jesus é:

- Tomar consciência da missão que foi confiada aos discípulos e sentir-se responsável pela presença do “Reino” na vida dos homens;

- Tomar consciência também de que, como Igreja, comunidade dos discípulos de Jesus, somos a presença libertadora e salvadora de Jesus no meio dos homens;

- tomar consciência do quanto Deus em nós confia;

- Rever como procuramos testemunhar o Reino de Deus em todos os âmbitos da vida;

- Assumir a missão que Jesus confiou aos discípulos, uma missão universal: as fronteiras, as raças, a diversidade de culturas, não podem ser obstáculos para a presença de Sua Proposta libertadora no mundo;

- É a Festa do Envio, da continuidade da missão que Jesus nos confia –“Ide pelo mundo e ensinai todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”;

- É a urgência de não ficarmos apenas admirando, mas nos colocarmos constantemente a caminho, com renovados compromissos com o Projeto da Salvação;

- É viver o Batismo, inseridos na mais perfeita comunidade de comunhão e amor, a comunidade Trinitária: Pai, filho e Espírito Santo.

Reflitamos:

- Tenho consciência da universalidade da missão?
- Como discípulo, procuro aprender, assimilar e viver os ensinamentos de Jesus para que a missão tenha crédito e seja uma luz para o mundo?

- A vida dos discípulos não está livre da desilusão, sofrimento, frustração... Mas também está presente uma certeza que alimenta a coragem do que cremos: “Eu estarei convosco até o fim dos tempos”. Tenho esta certeza em meu coração?

- No seguimento de Jesus não podemos nos instalar. Ser cristão é ser pessoa do tempo, sem medo de novidades. Estou instalado, acomodado, de braços cruzados, ou fascinado por Cristo e pela missão a nós confiada?

- Procuro a sabedoria e força do Espírito para corresponder à altura?
- Ser cristão é ser alguém que deixou se levar pelo grande sopro do Espírito; é saber que pode contar com Ele na missão.

- Quais são os medos que temos a enfrentar no desempenhar na missão evangelizadora?
- Sentimos a presença do Ressuscitado em nossa missão?

- Temos sentimentos de gratidão pela confiança de Deus em nós depositada para levar adiante a missão?

Urge levar a humanidade a viver a comunhão querida por Deus, a fim de que todos sejamos um em Cristo Jesus, de modo que celebrar a Solenidade da Ascensão do Senhor é afirmar uma bela verdade de nossa fé, pois a Ascensão do Senhor liga-se necessariamente à Sua Encarnação, e comunica o seu significado autêntico: O Filho de Deus tornou-Se como nós para nos tornar como Ele.

Exultemos de alegria por sermos continuadores da missão que Ele realizou, e a nós confiou, enviando-nos do Pai o Espírito Santo de Deus, o Paráclito, fato que celebraremos com a Festa de Pentecostes. De fato, o Espírito Santo é derramado, como dom de Amor do Pai, para continuarmos, fiéis na Missão do Cristo, na mais profunda e frutuosa vivência do Amor e da Vida Trinitária.

Como pessoas que creem, deixemos de olhar para o céu, não façamos do cristianismo uma “agência de serviços sociais”, não meçamos esforços para encontrar Cristo, tanto na Palavra como na Eucaristia e nos demais Sacramentos, para que então renovados, revigorados, nos empenhemos apaixonadamente por Cristo na construção do Reino de Deus.



Ascensão: O Senhor subiu aos céus para ficar conosco para sempre (Ascensão do Senhor - Ano A)

                                             

Ascensão: O Senhor subiu aos céus para ficar conosco para sempre 


"Eis que Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo" (Mt 28,20)

A Ascensão de Jesus ao céu é muito mais que uma Festa de Sua partida deste mundo, na verdade trata-se da Festa de Sua permanência na terra, no meio daqueles que n’Ele creem.

Jesus subindo aos céus, e como Senhor de nossa vida, não deixou este nosso universo, como tão bem expressou Santo Agostinho:

Não abandonou o céu quando de lá desceu até nós e nem se afastou de nós quando novamente subiu ao céu. Ele é exaltado acima dos céus: todavia, sofre aqui na terra todos os dissabores que nós, Seus membros, suportamos. Disto deu testemunho gritando: ‘Saulo, Saulo, porque me persegue?’”.

Cristo está presente e comprometido com este mundo com todo seu corpo que é a Igreja, de uma forma nova, que somente a fé é capaz de apreender e perceber.

Enriquece a Igreja com Sua presença na Palavra proclamada, na Eucaristia celebrada, na comunidade reunida em Seu nome, como Ele mesmo dissera antes de partir. –“Eis que Eu estarei convosco todos os dias até o fim do mundo” (Mt 28, 20) - (ano A).

Quando celebramos a Eucaristia a Igreja se torna plenamente visível, através de vários sinais: a assembleia dos fiéis, o sacerdócio, o sacrifício, a Palavra, os sinais Sacramentais.

Realiza-se em cada Eucaristia a verdadeira comunhão de vida da Igreja, enquanto instituída pelo Senhor, e a Igreja oculta que é o próprio Cristo glorioso à direita do Pai e o Espírito que d’Ele procede para santificar os que creem.

Da mesma forma que na manifestação aos discípulos de Emaús Ele é reconhecível no partir do Pão e faz arder seus corações anunciando a Palavra enquanto caminha, realiza-se a unidade da Igreja no Sacramento maior que é a Eucaristia, e nós que cremos somos chamados a viver intensamente e em profundidade esta experiência de unidade, para manifestá-la depois em toda nossa vida e para sermos Suas testemunhas perante o mundo, com renovado ardor e compromisso com o Reino por Jesus inaugurado.

Ao celebramos a Festa da Ascensão, entremos na grande expectativa da vinda do Espírito de Deus, o Paráclito, o Defensor, o Espírito de Verdade, na expressiva e esperada Festa de Pentecostes, quando o Espírito se manifestou a toda a Igreja.

Deste modo, como Igreja, seremos cumulados de todos os dons necessários, para que continuemos a missão de Jesus, que morreu, foi Ressuscitado por Deus, e Se faz presente em nosso meio; caminha conosco e nos acompanha na missão do anúncio e testemunho da Boa Nova do Evangelho.
  

Fonte inspiradora: O Verbo Se Fez Carne - Raniero Cantalamessa - Editora Ave Maria - 2013 - p. 92.

A Missão do Senhor é a nossa missão (Ascensão do Senhor)

                                                          


A Missão do Senhor é a nossa missão

Senhor, com a Vossa Ascensão aos céus, nos convidais a voltarmos os nossos olhos para o mundo em que vivemos, e darmos continuidade à Vossa Divina Missão, embora não merecedores o sejamos, mas em Vós confiamos e agradecemos.

Celebramos e contemplamos a Vossa partida como a marca do começo da missão universal confiada aos Apóstolos, porque tendes todo o poder no Céu e na Terra, e sois Cabeça da Igreja, que é o Vosso Corpo, e a ela nada falta para que esta missão realize.

Renovamos hoje o compromisso de construir, paciente e humildemente, no amor, a Vossa Igreja, como pedras vivas e escolhidas Vossas, e jamais nos sentindo órfãos, porque nos enviastes do Pai o Vosso Santo Espírito.

Cremos, contemplamos e sentimos a Vossa presença, Senhor, não mais como outrora, sujeita às limitações da condição humana, que restringia a Vossa ação no tempo e no espaço. Nada mais pode impedi-Lo de estar aqui ou ali, agora estais em todo lugar e caminhais conosco.

Contemplamos Vossa presença, Senhor, sublimemente na Palavra, na Eucaristia e no pobre, faminto, sedento, nu, enfermo, forasteiro, preso, e em tantos quantos possamos reconhecer-Vos, amando e servindo com humildade e alegria.

Nós Vos agradecemos, Senhor, por esta nova presença, e como discípulos missionários nada temos a temer no mundo. E que cada vez mais, como Igreja em saída, missionária e misericordiosa, coloquemo-nos a serviço da vida e da esperança, impelidos pelo Fogo do Vosso Amor. Amém. Aleluia!

A Ascensão do Senhor e as Virtudes Cardeais (Ascensão do Senhor)

A Ascensão do Senhor e as Virtudes Cardeais

Celebraremos a Ascensão do Senhor aos céus no próximo Domingo, e ao longo da semana, nos prepararemos, mais intensamente, para a Festa de Pentecostes, a vinda do Espírito Santo sobre a comunidade reunida, logo após a Ressurreição do Senhor.

A vinda do Espírito Santo nos acompanha em todo o momento na ação evangelizadora, e muito nos ajuda a orientá-la a partir das Virtudes Cardeais.

Vejamos o que nos diz o Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 1805-1809) sobre estas quatro virtudes, que desempenham o papel como de uma dobradiça.

As virtudes da prudência, da justiça, da fortaleza e da temperança denominam-se “cardeais”, pois todas as outras se agrupam em torno delas.

Aparecem em inúmeras passagens da Sagrada Escritura, e uma delas, encontramos no Livro da Sabedoria (Sb 8,7): “Se alguém ama a justiça, o fruto dos seus trabalhos são as virtudes, porque ela ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza” (Sb 8, 7).

Vejamos as quatro virtudes:

Prudência: virtude que dispõe a razão prática para discernir, em qualquer circunstância, o nosso verdadeiro bem e para escolher os justos meios de atingi-lo. O homem prudente vigia os seus passos” (Pr 14, 15);  “Sede ponderados e comedidos, para poderdes orar” (1 Pd 4, 7).

A prudência não pode ser confundida com a timidez ou o medo, a duplicidade ou dissimulação, e é também chamada de auriga virtutum – condutor das virtudes”, porque guia as outras virtudes, indicando-lhes a regra e a medida.

Justiça: é a virtude moral que consiste na constante e firme vontade de dar a Deus e ao próximo o que lhes é devido.

A justiça para com Deus chama-se “virtude da religião”, em relação aos homens, ela leva ao respeito dos direitos de cada qual e a estabelecer, nas relações humanas, a harmonia que promove a equidade em relação às pessoas e ao bem comum.

O homem justo, tantas vezes evocado nos livros santos, distingue-se pela retidão habitual dos seus pensamentos e da sua conduta para com o próximo – Não cometerás injustiças nos julgamentos. Não favorecerás o pobre, nem serás complacente para com os poderosos. Julgarás o teu próximo com imparcialidade’ (Lv 19, 15); “Senhores, dai aos vossos escravos o que é justo e equitativo, considerando que também vós tendes um Senhor no céu” (Cl 4, 1).

Fortaleza: é a virtude moral que, no meio das dificuldades, assegura a firmeza e a constância na realização do bem.

Torna firme a decisão de resistir às tentações e de superar os obstáculos na vida moral, dando a capacidade para vencer o medo, mesmo da morte, e enfrentar a provação e as perseguições.

Ela dispõe a pessoa para ir até à renúncia e ao sacrifício da própria vida, na defesa de uma causa justa – “O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14); “No mundo haveis de sofrer tribulações: mas tende coragem! Eu venci o mundo!” (Jo 16, 33).

Temperança: é a virtude moral que modera a atração dos prazeres e proporciona o equilíbrio no uso dos bens criados.

Ela garante o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade, bem como orienta os apetites sensíveis da pessoa para o bem, com uma sã discrição e não se deixa arrastar pelas paixões do coração. 

No Antigo Testamento é muitas vezes louvada – “Não te deixes levar pelas tuas más inclinações e refreia os teus apetites” (Sir 18, 30).

No Novo Testamento, é chamada “moderação’, ou “sobriedade” – Devemos “viver com moderação, justiça e piedade no mundo presente” (Tt 2, 12).

Finaliza com uma citação de Santo Agostinho, que sintetiza tudo quanto se disse:

“Viver bem é amar a Deus de todo o coração, com toda a alma e com todo o proceder [...], de tal modo que se lhe dedica um amor incorrupto e íntegro (pela temperança), que mal algum poderá abalar (fortaleza), que a ninguém mais serve (justiça), que cuida de discernir todas as coisas para não se deixar surpreender pela astúcia e pela mentira (prudência)” .

Deste modo, nossa vida, conduzida pelas virtudes cardeais, nos fortalecerá no caminho de evangelização, na Proclamação da Palavra de Deus, participando da construção de uma autêntica cultura de vida e de paz, vendo no outro o nosso irmão, afinal somos todos irmãos - “Vós sois todos irmãos!” (Mt 23,8).

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