domingo, 8 de fevereiro de 2026

Em poucas palavras... (VDTCA)

                                         


Jesus,  o homem perfeito

“Em toda a sua vida, Jesus mostra-Se como nosso modelo (Rm 15,5; Fl 2,5): é «o homem perfeito» (Gaudium et spes n.38), que nos convida a tornarmo-nos seus discípulos e a segui-Lo; com a sua humilhação, deu-nos um exemplo a imitar (Jo 13,15); com a Sua oração, convida-nos à oração (Lc 11,1); com a Sua pobreza, incita-nos a aceitar livremente o despojamento e as perseguições (Mt 5,11-12).” (1)

  

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.520 

Bem-Aventuranças e Santidade (VDTCA)

 


Bem-Aventuranças e Santidade
 
Senhor, nesta Montanha Santa, sento-me aos Vossos pés para aprender convosco, Sublime Mestre, o caminho para a felicidade, sonho e desejo de toda pessoa, cultivado no mais profundo de nosso ser (cf. Mt 5,13-16)
 
Aprendo convosco que a felicidade é, na exata medida, o caminho da santidade, o caminho das Bem-Aventuranças, que ao mesmo tempo  nos fascina e angustia, porque exige de nós renúncia e coragem.
 
Senhor, quero viver as Bem-Aventuranças, fazer delas um projeto de vida, mais que um santo propósito, um caminho a ser trilhado, com suas exigências. Que eu seja pobre, manso, misericordioso, pacificador.
 
Fixo meu olhar em Vós, Senhor, que não apenas anunciastes, mas praticastes de forma perfeita e plena as Bem-Aventuranças, com amor, um amor total ao Pai, com a unção do Espírito, e no-las ensinou.
 
Vós que fostes tão pobre, que nascestes numa estrebaria; tão manso, que Vos propusestes como modelo desta virtude (cf. Mt 11,29; 21,5); tão misericordioso, que pudestes afirmar: “Quero misericórdia e não sacrifício” (Mt 9,13; cf. Os 6,6).
 
Vós que fostes tão pacificador, que Vos tornastes “a nossa paz”’ (Ef 2,14); tão puro de coração, tão orientado para Deus totalmente e sempre, que pudestes afirmar: “O meu Alimento é fazer a vontade d’Aquele que me enviou e realizar a Sua obra!” (Jo 4,34).
 
Vós que fostes tão perseguido, que acabastes por morrer mártir, e muito mais que mártir, derramastes no alto da Cruz, do coração transpassado, a Água que nos renova e o Sangue que nos redime – “Mas um dos soldados transpassou-lhe o lado com a lança e imediatamente saiu Sangue e Água” (Jo 19,34).
 
Senhor, acolho Vossas Palavras nesta Santa Montanha, como fonte de graça, com o firme propósito de vivê-las na planície do cotidiano, fazendo da mensagem das Bem-Aventuranças o caminho em direção à santidade. 
 
Alimentado e nutrido pelos Vossos Sacramentos, que nos unem à Sua Pessoa e à Sua obra, de modo especialíssimo no Santo Banquete da Eucaristia, vivendo a vocação à santidade que é para todos os membros de vossa diletíssima Igreja. Amém.
 
 
 
PS: Fonte inspiradora - Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 -pp. 928-927.

PS: Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)

A suavidade da sincera caridade (VDTCA)

                                                                 

A suavidade da sincera caridade

Para a reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 5,13-16), acolhamos o Sermão escrito por São Cesário de Arles (séc. V).

“O bem-aventurado patriarca José, movido pela suavidade de uma sincera caridade, tratou de repelir, com a graça de Deus, de seu coração, o veneno da inveja, da qual sabia estar infeccionado o coração de seus irmãos.

Portanto, ao povo cristão não lhe é lícito estar cioso, não lhe está permitido invejar, apoiando-se na humildade eleva-se ao cume da virtude.

Escuta o bem-aventurado Apóstolo João em sua Carta: Aquele que odeia ao seu irmão é um homicida; e novamente: Quem diz que está na luz e abomina ao seu irmão ainda está nas trevas, caminha nas trevas, e não sabe aonde via, porque as trevas cegaram os seus olhos.

Aquele que abomina, diz, ao seu irmão, caminha nas trevas e não sabe aonde vai; pois sem perceber desce ao inferno e, como cego que é, precipita-se na pena, apartando-se da luz de Cristo que nos admoesta e nos diz: Eu sou a luz do mundo, e aquele que crê em mim não caminha nas trevas, mas terá luz da vida.

De fato, como vai possuir a paz do Senhor ou a caridade o que, dominado pelos ciúmes, é incapaz de permanecer na paz e segurança?

Quanto a nós, irmãos, fujamos, com a graça de Deus, da peçonha dos ciúmes e da inveja, e levemos a suavidade da caridade para nossas relações não só com os bons, mas também com os maus; assim Cristo não nos reprovará pelo pecado da inveja, antes nos felicitará e nos convidará ao prêmio dizendo-nos: Vinde, benditos, herdai o Reino.

Tenhamos nas mãos a Sagrada Escritura, e no espírito o pensamento do Senhor; que jamais cesse a oração contínua, e persevere sempre a operação salvadora, de maneira que, quantas vezes o inimigo se aproxime para tentar-nos, nos encontre sempre ocupados nas boas obras.

Examine, pois, cada qual a sua própria consciência, e se descobrir-se afetado pelo veneno da inveja frente à prosperidade de seu irmão, arranque de seu peito os espinhos e abrolhos, para que nele a semente do Senhor, como em campo fértil, produza um fruto multiplicado e a divina e espiritual colheita se traduza em messe fertilíssima.

Que cada um pense nas delícias do paraíso e anseie o Reino celestial, no qual Cristo somente admite aos que têm um só coração e uma só alma. Pensemos, irmãos, que ‘filhos de Deus’ somente podem ser chamados aos que trabalham pela paz, conforme o que está escrito: 
Nisto conhecerão que sois meus discípulos: em que vos ameis uns aos outros.

Que o piedoso Senhor vos conduza sob a proteção e pelo caminho das boas obras a este amor. A Ele a honra e a glória juntamente com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.” (1)

Como discípulos missionários do Senhor, devemos aspirar alcançar o cume da virtude, movidos pela sincera caridade, repelindo de nossa mente e coração todo sentimento de inveja ou ciúmes.

Isto é possível quando a vigilância permanente é acompanhada da oração, tendo nas mãos e no coração a Sagrada Escritura, empenhados em realizar as boas obras que somos chamados a multiplicar todos os dias, na realização da vontade de Deus, assim na terra como no céu.

Deste modo, arrancaremos de nosso peito os espinhos e abrolhos, para que, como falou São Cesário, “nele a semente do Senhor, como em campo fértil, produza um fruto multiplicado e a divina e espiritual colheita se traduza em messe fertilíssima”.

Oremos:

Ó Deus que alcancemos o cume da virtude, movidos pela suavidade da sincera caridade, assistidos por Vós e iluminados e libertos por Vossa Santa Palavra, expulsemos de dentro de nós todo sentimento de ciúme e inveja, e deles livres, sejamos sal e luz, instrumentos de boas obras, levando muitos a Vos glorificar pelos séculos dos séculos. Amém.

(1) Lecionário Patrístico Dominical –Editora Vozes – 2013 - pp.131-132

Sal da terra e luz do mundo (VDTCA)

                                                          

Sal da terra e luz do mundo

À luz da passagem do Evangelho proclamado na terça-feira da 10ª Semana do Tempo Comum (Mt 5,13-16), refletimos a missão de ser sal da terra e luz do mundo, como graça do batismo e discípulos missionários do Senhor.

Destacam-se quatro características:

1 – A publicidade: a luz, por sua natureza, existe para iluminar, para se mostrar visível e pública, e não para ficar escondida. Não se pode ficar no anonimato.

2 – A universalidade: sal da terra e luz do mundo. No entanto, esta universalidade que Jesus anuncia deve começar pelos últimos, a fim de que os primeiros também sejam incluídos: os últimos devem ser os primeiros, e assim não haverá nenhuma possibilidade de exclusão.

3 – A consistência: o testemunho se dá pelas obras e não pelas palavras ou teorias. Não se pode incorrer na tentação das palavras em excesso. É preciso as obras de misericórdia (Mt 25,31), pela partilha realizada, pela Palavra de Deus colocada em prática (Mt 7,21).

4 – A Transparência: o discípulo, na prática das boas obras, não concentra a atenção sobre ele próprio, mas leva os outros a dirigirem o olhar para Deus, que é nosso Pai – “Vendo as vossas boas obras, glorifiquem Vosso Pai que está nos Céus” (M 5,16). De fato, Jesus foi a verdadeira transparência do Pai pelas palavras, obras e na Sua própria Pessoa – “Quem me viu, viu o Pai” (Jo 14, 9). (1)

Somente com as obras de misericórdia (corporais e espirituais), seremos, de fato, sal e luz.  Não seremos também pelas obras do poder, da riqueza ou do sucesso, mas do amor vivido concretamente em solidariedade concreta com os empobrecidos.

Este é o caminho que todo o discípulo de Jesus deve fazer, assim como o Apóstolo Paulo e tantos outros, o caminho da fraqueza da Cruz e não o caminho do poder ou da glória.

Supliquemos a Deus que estas características: publicidade, universalidade, consistência e transparência, estejam presentes em nosso agir, assim como em todas as nossas atividades pastorais. E assim, na fidelidade ao Senhor, confiando em Sua Palavra, Pessoa e presença, seremos da terra o sal e do mundo a luz.


(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2010 – pp. 206-207

Sabor e Luz (VDTCA)

                                                        

Sabor e Luz

Reflexão à luz da passagem do Evangelho, em que Jesus nos diz que, como Seus seguidores, devemos ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5,13-16).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

Todo pequeno esforço para o bem não fica perdido: é como um fiozinho de erva que contribui para tornar verde um campo.

Tem-se hoje a tentação de desconhecer os pequenos valores, mas uma pequenina luz ilumina passo sobre passo.

‘Ser’ cristão é um empenho social, missionário. Não depreciemos a mais ínfima contribuição para a construção do Reino: o oceano e feito de gotas” (1).

De fato, nisto consiste a vida cristã: ser sinal da presença de Deus, com nossos pequenos gestos, mas se por amor, tornam-se grandes aos Seus olhos.

Cada gesto de amor que fizermos é sal que dá gosto de vida ao outro; uma luz que se acende, por vezes, em situações adversas e sombrias.

Estamos no mundo, na exata medida, para sermos sal da terra e luz do mundo. Entretanto, em nome de fazer grandiosas ações, muitas vezes, nos calamos, com indesejável omissão, e perdemos a oportunidade e a graça de sermos a presença de Deus na vida de nosso próximo.

Reavivemos a chama da fé em nosso discipulado, renovando em nós e no coração do outro, a esperança, ainda que com gestos pequenos de caridade, fazendo a diferença na vida de quem mais precisa de nossa acolhida, compreensão e solidariedade.

Um dos caminhos que a Igreja nos ensina é a prática das Obras de misericórdia corporais e espirituais.

As obras de misericórdia corporais: 
1ª Dar de comer a quem tem fome;
2ª Dar de beber a quem tem sede;
3ª Vestir os nus;
4ª Dar pousada aos peregrinos;
5ª Assistir aos enfermos;
6ª Visitar os presos;
7ª Enterrar os mortos.

As obras de misericórdia espirituais são:
1ª Dar bom conselho;
2ª Ensinar os ignorantes;
3ª Corrigir os que erram;
4ª Consolar os aflitos;
5ª Perdoar as injúrias;
6ª Sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo;
7ª Rogar a Deus por vivos e defuntos

(Catecismo de S. Pio X. Capítulo IV. "Das obras de misericórdia").

Oremos:

Ó Deus, que nos confiastes a graça de sermos sal da terra e luz do mundo, ajudai-nos a viver na fidelidade aos Vossos desígnios, para que jamais percamos o sabor e não ofusquemos o esplendor que  nos concedestes no dia de nosso Batismo. 

Ajudai-nos também a dar sabor, como o sal ao alimento, a quantos precisarem redescobrir o gosto de viver, de Vos conhecer e amar, e assim, da luminosidade divina,  frágeis instrumentos Vossos sejamos. Amém.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.881

Tempo de evangelizar (VDTCC)

                                                   

Tempo de evangelizar

Quando acabou de falar, disse a Simão:
“Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca’.” (Lc 5, 4)
 
Noite de fracasso, redes vazias.
Nada mais a não ser esperar por outro dia...
 
A presença do Senhor à beira do mar,
Diálogo para novidade comunicar.
 
A ordem a Pedro é dada, sabe a quem a Igreja confiará:
Pedro, avançar para águas mais profundas, redes lançar.
 
A ordem não é apenas de um carpinteiro,
Que, provavelmente, nada saberia sobre pescaria.
 
Pedro, pescador como Tiago e João,
Por ofício, a missão o Senhor a ele confia.
 
Não coloca em dúvida a Palavra do Senhor,
Ainda que possua toda experiência.
 
Para pescar,  as exigências próprias necessárias:
Observação, paciência, persistência e confiança.
 
Serão elas marcantes na nova missão,
a barca da Igreja, por mares agitados a condução.
 
À frente da Igreja, necessárias virtudes,
Somadas à sua humildade, obediência de um pecador.
 
Manhã que mudou seus planos para sempre,
De homens, o Senhor o fez o primeiro pescador.
 
Agora é nossa hora, como peregrinos de esperança,
Na Palavra do Senhor, com ousadia, sem medo, confiar.
 
É tempo de também lançarmos nossas redes,
Para águas profundas, avançar: tempo de evangelizar.
 
Pedro, um pecador, mais que um pescador,
Ensina-nos a evangelizar com mesmo amor e ardor. Amém.
 

Confiemos plenamente na Palavra de Deus (VDTCC)

Confiemos plenamente na Palavra de Deus

“Avancemos para águas mais profundas”

Com a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 5,1-11), contemplamos a presença e ação de Jesus que assegura  a grande pesca milagrosa.

A passagem pode ser dividida em três partes:

- A descrição do lugar da pregação de Jesus (v. 1-3);
- A pesca milagrosa (v.4-10a);
- O chamamento de Simão (v. 10b-11).

Através de Sua presença e Palavra, Jesus nos revela a face de Deus, que vai sempre ao encontro do homem, de suas necessidades, e  manifesta Sua ação gloriosa nos momentos de aparente fracasso, transformando-os em êxitos, que revelam Sua magnificência e onipotência e amor incondicional por nós.

Estar na barca de Jesus (símbolo da Igreja), exige que escutemos a Sua Palavra e O reconheçamos como a presença de Deus em nosso meio; aceitando a Sua proposta libertadora e deixando tudo por Ele, com a certeza de êxito numa “pesca milagrosa”:

“A pesca extraordinária é símbolo da atividade futura de Pedro: o seu barco, ou seja, a Igreja, tem em nome de Jesus, a tarefa de ‘pescar’ os homens para o Reino dos Céus. E Jesus está sempre junto dos Seus para os ajudar” (1)

Reflitamos:

- Estamos na barca de Jesus, de fato?
- Escutamos Sua voz, Sua Palavra?

- Reconhecemos Sua presença em nosso meio?
- Aceitamos Sua missão libertadora a nós confiada?
- Somos capazes de tudo deixar por causa de Sua Proposta?

Sigamos Jesus crendo na força, ação e presença do Ressuscitado, confiando plenamente em Sua Palavra, assim como fez o Apóstolo Pedro, e todos os que se puseram a caminho, como discípulos missionários Seus.

(1) Leccionário Comentado - Volume Tempo Comum I- Editora Paulus - pág.215

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