terça-feira, 30 de dezembro de 2025

É preciso renascer a Esperança!

                                                                         

É preciso renascer a Esperança!

Quando em Missão em Rondônia, recebi uma Carta de uma Mãe que como milhões de mães, com muito amor e esperança no coração, cuidam de seus filhos e filhas; muitas vezes até mais do que de si mesmas.

Seu filho, portador de uma enfermidade muito grave, necessitava de acompanhamento médico permanente.

Junto com sua carta me enviou uma mensagem, e com esta o desejo que o testemunho desta mãe faça renascer em nosso coração a chama da Esperança, sem o quê não conseguiremos vislumbrar um Novo Ano sem exclusões...

Cultivar a esperança, dar razão à nossa fé, vivenciar concretamente o amor, para sermos, no mundo, construtores da paz...

“Esta é a história de quatro velas:
Da Paz, da Fé, do Amor e da Esperança.
A vela da Paz estava muito triste, pois as pessoas só viviam promovendo guerras, violência e todo tipo de maldade.
Por este motivo, aos poucos, foi se apagando, apagando... e assim como ela, as outras também...

Até que um dia, uma criança apareceu, e triste ao ver as velas se apagando, pôs-se a chorar. Então, a vela da Esperança, vendo o sofrimento da criança, perguntou:

-      Oh bela criança, por que choras? E ela lhe respondeu:
-      Choro, porque as velas estão se apagando.
A vela então lhe disse:
-      Pois não chore mais, bela criança, enquanto houver nas pessoas a Esperança que vejo em teus olhos, a Paz, a Fé e Amor jamais apagarão!”

É exatamente sobre a Esperança que quero aprofundar neste texto. Ela é indispensável para enfrentarmos inúmeras situações difíceis: Pessoais, familiares, comunitárias e sociais; em Rondônia (onde me encontrava em Missão), em Guarulhos ou em qualquer lugar do mundo.

Como disse o poeta: “Vem, vamos embora que esperar não é saber; quem sabe faz a hora não espera acontecer” (G. Vandré).

São inúmeras as Citações Bíblicas sobre a Esperança, tanto no Antigo Testamento como no Novo.

A esperança de um novo céu e uma nova terra não nos afasta, e tão pouco nos dispensa, do compromisso de lutar por dignidade humana e vida no tempo presente.

A esperança bíblica não dispensa a ação humana, não nos permite cruzar os braços, menos ainda fechar os olhos e o coração para as realidades que nos desafiam...

Ela deve ser algo que nos identifica e nos marca como cristãos!

Iniciaremos um Novo Ano, e mais do que nunca, é preciso que renasça em nosso coração:

- de ver as crianças e jovens não morrerem de frio ou de fome;

- de ver pais e mães assumindo, amando e educando seus filhos e filhas;

- de ver as armas de guerra transformadas em instrumentos de vida, em pão...

- de ver dívidas sociais devidamente superadas, com vida plena para todos, sem dividas internas e externas...

- de ver o Poder Político exercer a Política como promoção do bem comum!

ver a Amazônia preservada, acabando com sua exploração descabida, através de derrubadas, queimadas e biopiratarias, visando interesses e lucros internacionais...

- de ver superados os conflitos no Oriente Médio ou em qualquer lugar do mundo e a superação de todas as formas de discriminações raciais e sociais!

- de ver terra e riquezas partilhadas superando toda e qualquer forma de desigualdade social!

- de ver “... um só rebanho e um só Pastor...”

- de que a humanidade redescubra caminhos novos para a prática do Amor, tendo inflamada a chamada Fé!

Renovemos a esperança de vermos todos empenhados, construindo e promovendo a Paz, em pequenos sinais de um novo céu e uma nova terra!

Renovemos sempre a Esperança de  ver a Esperança acontecer!

A Esperança de ver a Esperança Renascida em cada coração com a Vitalidade, Sonhos e Energia de uma Criança! Isto é possível!

Há poucos dias, celebramos o Natal do Senhor, o Nascimento da Fonte e Razão de nossa Esperança, e que continue ressoando as palavras do Profeta Isaías:

“Céus, deixai cair orvalho das alturas, e que as nuvens façam chover justiça; abra-se a terra e germine a salvação; brote igualmente a salvação” (Is 45,8).

Sendo assim, Feliz Ano Novo, com muita esperança, fé e amor, e um mundo cheio de paz; rompendo a cultura de morte que se propaga pelo mundo, empenhados pela cultura da vida, ou seja, a Civilização do amor.            

Uma saudação que nos fortalece

                                                       

Uma saudação que nos fortalece

Retomemos a saudação do Apóstolo Paulo a Timóteo em sua Primeira Segunda Carta a Timóteo (1 Tm 1, 1-2.12-14):

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Na saudação são explicitadas três palavras:

“Ao filho Timóteo, que ele gerou na fé e com o qual partilha o ministério, Paulo augura que possa experimentar a ‘graça’, ou seja a presença do Espírito, infundido pelo Pai e pelo Filho; a ‘misericórdia’, isto, é o perdão de Deus (só nas Cartas a Timóteo é que Paulo augura também a misericórdia); a ‘paz’, ou seja, a reconciliação com Deus, consigo mesmo, com o seu serviço, com os irmãos e com o mundo” (1)

A saudação Paulina “Graça, misericórdia e paz”  pode ser repetida por nós a quantos pudermos, pois todos precisamos da:

- Graça que nos vem pelo Espírito que em nós habita;

- Misericórdia, porque imperfeitos, pecadores, consequentemente, o somos, e colocamos nossa miséria nas mãos de Deus que nos ama e nos perdoa e nos faz uma nova criatura, e por fim, somos plenificados pela paz;

- Paz - “shalon”, plenitude de bens e dons, pela gloriosa presença do Ressuscitado em nosso meio, que conosco caminha, desde aquela aurora, em que se manifestou o Sol Nascente a Maria Madalena e aos primeiros Apóstolos.

Como é bom ouvirmos de nossos irmãos e irmãs a mesma saudação: “graça, misericórdia e paz”, para que nossa vida cristã esteja inteiramente situada entre a experiência da misericórdia de Deus por nós, que somos pecadores, e a solicitude misericordiosa pelos nossos irmãos, como expressão de quem foi amado e perdoado por Deus, que espera o mesmo de cada um de nós em relação ao nosso próximo.

Desejo a você, portanto, “graça, misericórdia e paz”, hoje e sempre. Amém.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa -  p.322 

“Graça, misericórdia e paz”

                                                          

“Graça, misericórdia e paz”

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (1 Tm 1, 1-2.12-14).

Retomo os dois primeiros versículos:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Sobre estes versículos, o Lecionário Comentado nos enriquece com estas palavras:

“Ao filho Timóteo, que ele gerou na fé e com o qual partilha o ministério, Paulo augura que possa experimentar a ‘graça’, ou seja a presença do Espírito, infundido pelo Pai e pelo Filho; a ‘misericórdia’, isto, é o perdão de Deus (só nas Cartas a Timóteo é que Paulo augura também a misericórdia); a ‘’paz’, ou seja, a reconciliação com Deus, consigo mesmo, com o seu serviço, com os irmãos e com o mundo” (1)

Esta saudação Paulina pode ser repetida por nós a quantos pudermos: “Graça, misericórdia e paz”, pois todos precisamos da graça que nos vem pelo Espírito que em nós habita; da misericórdia, porque imperfeitos que somos, pecadores consequentemente o somos, e colocamos nossa miséria nas mãos de Deus que nos ama e nos perdoa e nos faz uma nova criatura, e por fim, somos plenificados pela paz, pelo “shalon”, plenitude de bens e dons, pela gloriosa presença do Ressuscitado em nosso meio, que conosco caminha, desde aquela aurora, em que se manifestou o Sol Nascente a Maria Madalena e aos primeiros Apóstolos.

Que também possamos ouvir de nossos irmãos e irmãs a mesma saudação: “graça, misericórdia e paz”, para que nossa vida cristã esteja inteiramente situada entre a experiência da misericórdia de Deus por nós, que somos pecadores, e a solicitude misericordiosa pelos nossos irmãos e irmãs, como expressão de quem foi amado e perdoado por Deus, que espera o mesmo de cada um de nós em relação ao nosso próximo.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.322

“Graça e Paz!”

                                  

“Graça e Paz!”

Nas Vésperas da Liturgia das Horas, rezamos a passagem da Carta de Paulo aos Colossenses (Cl 1,2b-6a):

“A vós, graça e paz da parte de Deus nosso Pai. Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, sempre rezando por vós, pois ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus e do amor que mostrais para com todos os santos, animados pela esperança na posse do céu. Disso já ouvistes falar no Evangelho, cuja Palavra de verdade chegou até vós. E como no mundo inteiro, assim também entre vós ela está produzindo frutos e se desenvolve”.

Sejamos enriquecidos pela saudação Paulina: “Graça e paz da parte de nosso Pai”.

Todos precisamos desta graça divina, a fim de que sejamos fortalecidos na missão evangelizadora, como discípulos missionários do Senhor, com a força e a presença do Santo Espírito.

Da mesma forma, da paz verdadeira, que tão somente o Senhor pode nos conceder,  e  ela tem um nome, um rosto: é Jesus, o Filho amado do Pai, que nos comunica o “shalom”, a paz, a plenitude de todos os bens.

Troquemos orações mútuas, para que, revigorados e animados sejamos, e vivamos a graça batismal, a vida nova dos filhos e filhas de Deus – “Sempre rezando por vós”.

Revigorados na fé viva, sejamos como a comunidade de Colossas: “Ouvimos acerca da vossa fé em Cristo Jesus”.

Renovemos a esperança de participar de um novo céu e uma nova terra: “Animados pela esperança na posse do céu”.

Finalmente, seja nosso coração inflamado de amor, fortalecendo os vínculos da comunhão fraterna, em frutuosa partilha e solidariedade para com todos, e de modo especial, a quem mais precisar – “do amor que mostrais para com todos os santos, animados pela esperança na posse do céu. 

O retrovisor e o farol de milha (parte I)

                                                         

O retrovisor e o farol de milha

Que bom terminar bem mais um ano para começar outro melhor... Eis o desejo que cada um carrega, dentro de si, neste dias que antecedem o Ano Novo.

Mas, como terminar bem um ano? Olhando pelo retrovisor de nossa história, escrita ao longo de um ano que finda.  Poder terminá-lo, já é terminar bem, quando tantos não o puderam…

Terminar bem é ter a certeza de que é possível recomeçar melhor.

Quando um ano finda e outro começa, mais que mudança de algarismos, deve ser mudança de atitudes, revisão de caminhos, projetos, reorientação dos passos…

É poder olhar pelo retrovisor e contemplar o que de bom fizemos para a santificação de nossa família, pelo bem dos filhos, pela alegria de nossos pais…

É olhar, contemplar no mesmo retrovisor o crescimento da comunidade que fazemos parte, e saber que nela fomos apenas servos inúteis e fizemos o que devíamos fazer, embora ainda pudéssemos fazer muito mais.

É ver a Igreja concretizando propostas de Assembleias para os apelos da modernidade responder… E quantos apelos, quantos desafios! 

Como pobres sempre haveremos de ter, Boa-Nova sempre haveremos de anunciar e à messe, discípulos missionários jamais poderão faltar!

Há sempre muito mais a fazer! Os apelos da Boa Nova são intermináveis!

No retrovisor contemplo pessoas que acreditam que o Verbo Se fez, de fato, morada em nosso meio, conosco veio caminhar.

Se os apelos e desafios são grandes, bem maior é o nosso Deus e Sua força, Sua sabedoria e Sua luz…

É preciso saber que cada dia foi dom, graça para construir verdadeiras amizades, porque afinal são elas o que contam e devem se multiplicar em nossos retrovisores. Feliz quem puder contemplar alguns poucos e bons amigos em seu retrovisor.

É preciso contemplar no retrovisor do mundo passos dados para a construção da democracia, ainda que se insista em perpetuar o vírus do poder que mata, viola a beleza e a sacralidade da vida.

É preciso acreditar que os conflitos, que ainda teimam aparecer em nosso retrovisor, um dia serão coisas do passado:

Bombas lançadas contra pessoas, atrocidades abomináveis e práticas odiáveis serão apenas lembranças amargas de páginas viradas e pelo tempo amareladas...

É preciso ver que todo esforço em defesa da vida, da concepção ao seu declínio natural, não foi apenas um jargão, mas princípio que nos acompanha e nos orienta em todo existir na luta contra toda prática conivente com o aborto e a interrupção da vida…

É preciso ver que apesar da insanidade e nervosismo do mercado, crise mundial repetida incontáveis vezes, em páginas e telas multiplicadas, não dilacerou a esperança daqueles que têm outra métrica, outro parâmetro, outros sonhos, outro modo de ver a economia, o mercado…

É preciso contemplar pessoas que não se curvam ao capital e ao deus do mercado, que sobrevive à custa do sofrimento e miséria dos pobres…

Terminar bem...
É poder ver!
É não ter medo de ver!
É ter a ousadia de ver…

Quem não for capaz de assumir seu passado vive um presente de instabilidade e um futuro de incertezas sepulcrais, em que serão enterrados sonhos, alegrias, esperanças e utopias…

- O que você pode ver no teu retrovisor?
- Recomeçar um ano melhor é possível?

Sim, é possível. É possível para quem não temeu contemplar seu retrovisor existencial. Não temeu rever seus passos. Não temeu rever seus conceitos, parâmetros, passos às vezes sem rumo, outras vezes de rumo incerto.

Com coragem olhemos no retrovisor de nossa história:
Contemplemos os acertos e os multipliquemos; admitamos os erros e os superemos,
subtraiamos decididamente!

O retrovisor e o farol de milha (parte II)

                                                 

O retrovisor e o farol de milha

Feliz Ano Novo diremos uns aos outros. 
Mas como começar melhor o ano?

Acendendo o nosso farol de milha, apontando para os dias do novo ano e iluminando alguns sinais que nos permitirão recomeçá-lo melhor.

Permita-me falar de um “farol de milha existencial”, que nos acompanha em toda a vida:

É preciso saber apontar o farol para acertar o caminho. Não enveredar por caminhos escuros sem a Luz necessária: Deus e Seu Espírito. É lembrar que temos origem e meta.

É nunca esquecer que de Deus viemos, nos movemos e somos, e para Ele haveremos de um dia voltar… O nascimento aponta para o crescimento, morte, eternidade… para além da contagem de segundos, horas, dias, semanas, meses e anos…

É acreditar que outro mundo é possível, não como teimosia inconsequente, mas como sonho e paixão pelo horizonte do inédito ainda não vislumbrado.

É alargar os horizontes e nossos sonhos, projetos, para que não apenas caibam nossas ambições desmedidas, mas possam contemplar a humanidade de que somos parte, uma pequenina e necessária parte.

É saber que não somos o mar, apenas uma gota nele. Mas o que faz o mar existir se não a somatória das gotas?

É não esquecer que o grão de areia ínfimo que somos se perde na imensidão da areia do mundo. Mas não haveria areia do mar e areia no deserto se não fosse o menor dos menores dos grãos.

Consciência de nossa pequenez, sem lugar para arrogância e prepotência que assola tantos corações e mentes.

É acreditar que a seiva de um pequeno ramo faz a mata, a floresta; que a seiva do amor, que em nosso sangue e coração corre, faz a grande humanidade.

É os pilares da casa da paz, revigorar: Verdade, justiça, amor e liberdade, e em todos os telhados esta Boa-Nova anunciar…

É decretar a pobreza como mal a ser eliminado, a partir da solidariedade global; é fazer um lema de nossa vida esta grande verdade: “combater a pobreza é construir a paz”… Não apenas a pobreza material, que por si mesma já é abominável e deplorável, mas também a pobreza espiritual e mental que abate ricos e abastados.

A riqueza da graça de Deus não combina com um mundo em que a pobreza material e espiritual vítimas ainda multiplique...
É cuidar de nossa casa comum, o planeta, com todo carinho: “Dominar a terra” não será destruí-la inescrupulosamente. Somos todos por esta casa responsável: terra, céu, fogo e ar…

É fazer da paz um sonho, uma busca, uma meta, uma conquista, uma utopia. Verdadeiramente, a paz deve guiar o destino da humanidade:

Todo dia há de ser o Natal da Paz,
Da fonte da Paz, de Jesus,
Aquele que nos Salva
E a vida tece e refaz…

É manter acesa e inflamada a chama da fé com o cuidado para que os ventos das contrariedades e dificuldades, enfermidades e mortes não a apaguem…

É cuidar da semente da esperança, que no Natal foi plantada, para que regada em nosso coração, flores e frutos saborosos o mundo possa saborear…

É a incansável subida da escada da caridade continuar: “… conjugar o verbo armar sem a letra r…”. O amor é a nossa grande arma!

Não deixar de buscar a escada que Jacó contemplou, e que Jesus ao mundo apresentou: a escada da caridade que leva para a cruz, para a morte consumar, para a vida por amor entregar. 

O amor que por amor até fim nos amou. Escada que aponta para o alto, para a glória dos céus, para a glória da eternidade.

É pedir ao Pai:

“A escada da caridade de cada dia nos dai hoje
E não nos deixeis desanimar,
ainda que a cruz tenhamos que carregar.
Que o amor possamos testemunhar,
Para a glória dos céus alcançar.
Amém!”

O amor de Deus nos livra do abismo da morte

                                                          

O amor de Deus nos livra do abismo da morte

No dia 30 de dezembro, a Liturgia nos oferece as seguintes proclamações: Leitura (1 Jo 2,12-17); Salmo 95, 7-10, e a passagem do Evangelho (Lc 2, 36-40), em que a viúva Ana fala acerca do Menino apresentado no templo a todos os que esperavam a libertação de Israel.

Vejamos o que nos diz Lecionário Comentado:"

O amor a Deus liberta-nos da transitoriedade que nos arrasta para o abismo da morte. E proclamar em voz alta este caminho de vida é obra profética, sobretudo pela profecia que vem de Cristo”. (1)

De fato, somente com a presença de Deus e Sua misericórdia que vem sempre ao encontro de nossa miséria, podemos firmemente dar passos na busca das coisas do alto, onde Ele habita, fazendo da própria vida um serviço a Ele, porque vivemos da alegria e do amor vivenciado e marcante deste inesquecível e decisivo encontro um dia realizado.

Com a profetisa Ana não foi diferente, uma vez que, depois de oitenta e quatro anos vividos na busca da realização da vontade de Deus, ela tem a alegria do encontro pessoal com Jesus, o Menino Deus.

Aprendamos com esta viúva que não fica com a alegria só para si, retendo-a e guardando como um tesouro, ao contrário, sai anunciando a todos que Aquele Menino, Aquela frágil criança, que oculta a divindade somente percebida pelos corações que creem, é a resposta do próprio Deus a todos os que esperam a verdadeira libertação.

Com Ana, como discípulos missionários do Verbo que Se encarnou e habitou entre nós, façamos nosso anúncio, acompanhado do reconhecimento do amor de Deus, que é fiel às Suas promessas, através do louvor, pois Ele é digno de toda honra, glória, poder e louvor.

Somente quem fez este encontro com Jesus sente a alegria transbordar no coração que palpita mais fortemente, e torna mais inflamada a chama do primeiro amor vivenciado, e envolvido por este amor está livre de todo e qualquer abismo de morte.

Finalizemos o ano vislumbrando novos dias, renovando diante do altar e no altar do Senhor a alegria de sermos seus discípulos.

Concluamos com as palavras do Profeta Isaías:

“Pois nasceu para nós um pequenino, um filho nos foi dado. O principado está sobre seus ombros e seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai para sempre, Príncipe da Paz” (Is 9,5).

E ainda:

“Como são formosos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz, que anuncia coisas boas e proclama a salvação, dizendo a Sião: ‘Teu Deus começou a reinar’” (Is 52,7).


 

(1) Lecionário Comentado - Editora  Paulus - p.284 – Vol. Advento/ Natal.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG