quarta-feira, 29 de outubro de 2025
A Sabedoria de Deus
“A necessidade e o limite”
Evangelizar: Missão de todos nós
A necessária conversão cotidiana
A necessária conversão cotidiana
Discípulos
missionários do Senhor que somos, peregrinamos na penumbra da fé, em permanente
vigilância na espera de Vossa gloriosa Vinda.
Abri nossa mente
e coração ao apelo da conversão, pois nem sempre podemos estar no caminho
certo, afastando-nos de Vosso Plano e Projeto de amor, consequentemente da
realização e felicidade.
Libertai-nos da
falsa segurança e comodismo, e curai nossa cegueira que não nos permite ver a
necessária conversão.
Ensinai-nos que
a conversão é mover-se, dar o primeiro passo; ver claro, portanto, o ponto de
chegada, que se encontra sempre além do ponto em que nos encontramos.
Ajudai-nos na constante
revisão de nossa vida, porque é frequente em nós estudar belos planos de
conversão para os outros, publicar documentos e permanecer bem estabelecidos no
próprio lugar.
Fortalecei nosso
empenho como Igreja Sinodal que somos, para caminharmos juntos, fazendo
progressos contínuos na prática da caridade, e jamais vivermos um servilismo frio
e legalista, pois seria a traição da própria caridade. Amém.
Fonte:
Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.1504 – passagem do Livro do
Apocalipse (Ap 3,1-6.14-22)
Oração: Diálogo no aparente silêncio de Deus (21/05)
Oração: Diálogo no aparente silêncio de Deus
No que consiste a Oração?
Uma reflexão sobre a vitalidade da Oração em nossa vida.
Discípulos missionários do Senhor precisam intensificar momentos mais prolongados e fecundos de oração, pois é preciso orar sem cessar, como nos falou o Apóstolo Paulo (1 Ts 5,17).
Percebamos as maravilhas que Deus realiza em nós através da oração, o quanto Ele nos fala em Seu aparente silêncio e as diversas formas que temos para orar.
Entre a ação humana e a Ação Divina, a Oração se interpõe como diálogo amoroso em que a criatura perscruta os desígnios de Deus e Ele manifesta no mais profundo do coração humano os Seus sonhos e Projetos.
A Oração é uma forma que Deus encontrou para manter um diálogo constante, com aqueles a quem formou desde o princípio. Feliz quem na vida descobriu tão belo meio de avançar no caminho da felicidade pessoal, familiar, comunitária, social e em todos os níveis...
Pela Oração mantém-se a estreita e íntima relação dialogal de Deus com Sua criatura, e que há de ser contínua e perseverante em todos os momentos: alegria e tristezas, angústias e esperanças, fracassos e vitórias.
Oramos louvando, agradecendo, suplicando, disponibilizando-nos em abertura à vontade de Deus para toda humanidade.
Diante das comunidades, bispos e padres são por excelência pessoas de oração, e mesmo desafiados pelas inúmeras atividades e solicitações do dia a dia, devem cultivar a oração, pessoal e comunitária, vivenciada no ápice da Celebração Eucarística, que é, ao mesmo tempo, fonte e manancial inesgotável de forças sabedoria, graça e luz; vencendo o perigo do ativismo que resultaria no estresse, esvaziamento e inquietação diante dos resultados.
A Oração não é uma fuga da realidade, tão pouco delegar a Deus responsabilidades que são próprias de cada criatura. É antes de tudo compromisso.
Oração no trabalho como se tudo dependesse de nós e nada de Deus, mas, ao mesmo tempo, esperar tudo de Deus como se nada fosse fruto de nossas atividades, como dizia Maurice Blondeu, grande filósofo cristão e de sólida fé. A Palavra de Deus, por sua vez, é a grande fonte para nossa Oração.
No aparente silêncio Deus na verdade nos fala ao íntimo. Alguns Santos e místicos fizeram esta grande descoberta.
Santo Ambrósio, no século IV, assim definiu a Oração:
“A Deus falamos quando rezamos; a Ele ouvimos quando lemos os Divinos Oráculos”.
Os Santos Padres nos ensinavam que procurando pela Leitura Sagrada nos encontraríamos meditando, batendo a porta em Oração nos seria aberta pela contemplação.
O grande Bispo Santo Agostinho disse:
“Jesus Cristo ora por nós como nosso Sacerdote; ora em nós como nossa cabeça e recebe a nossa oração como nosso Deus. Reconheçamos n'Ele a nossa voz, e em nós a Sua voz”.
No século VIII, São João Damasceno via na Oração uma elevação da alma até Deus, em que fazemos o pedido dos bens convenientes.
A jovem Teresinha do Menino Jesus assim falou sobre a Oração:
“Ela é para mim um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria”.
Há alguns anos, o Papa Bento XVI nos falou da Oração como a força motriz para o amor ao próximo; amor que por sua vez é a fonte de Oração.
Diante de um mundo globalizado, marcado por inúmeros e crescentes desafios, urge que Padre e todos (as) da comunidade redescubram a força, a beleza e a vitalidade da Oração, como sopro revitalizador do Espírito de Deus, que incansavelmente nos renova e reorienta nossos passos, conduz a Sua Igreja na participação da construção do Reino.
Como Deus nos fala em Seu aparente silêncio! Aprendamos a fazer silêncio para podermos escutá-Lo e com Ele dialogarmos numa conversa que nunca termina...
É sempre Tempo de Oração!
PS: Oportuno para refletirmos a passagem do Evangelho de João (Jo 17,20-26)
Sem lamentações inúteis
Não maculemos nossa veste batismal
Não maculemos nossa veste batismal
“Conservai pura e sem mácula a veste espiritual que Ele vos entregou”
Sejamos enriquecidos pela Catequese Batismal escrita por São João Crisóstomo (séc. V), bispo e doutor da Igreja:
“Conscientes, portanto, de que, após a graça de Deus, tudo depende de nós e de nosso empenho, respondamos generosamente sobre o que já nos foi confiado, para tornar-nos dignos de dons ainda maiores.
Por isso vos exorto: vós, que fostes recentemente considerados dignos do dom divino, demonstrai um grande discernimento, e conservai pura e sem mácula a veste espiritual que Ele vos entregou; nós, os que já faz tempo que recebemos este dom, demonstremos uma boa mudança de vida. Porque existe, sim, um retorno, se queremos, e é possível voltar novamente à antiga beleza e ao esplendor original, contanto, unicamente, que nós contribuamos com nossa parte.
De fato, no que se refere à beleza corporal, é impossível que volte ao seu melhor momento a aparência que, uma vez por todas, tornou-se feia, e que, por velhice, por enfermidade ou por qualquer outra circunstância corporal, perdeu sua primitiva beleza. É, na verdade, um acidente da natureza, e por essa razão é impossível regressar ao esplendor da primitiva beleza.
Porém, a respeito da alma, se nós queremos, sim, é possível, graças à inefável bondade de Deus, e desta forma a alma que uma vez se manchou, e pela multidão dos pecados tornou-se feia e envelheceu, pode rapidamente regressar a sua primitiva beleza, contanto que nós demonstremos uma intensa e rigorosa conversão.
Contudo, isto o digo para mim mesmo e para aqueles que já foram dignos do Batismo anteriormente. Vós, porém, os novos soldados de Cristo, deem-me atenção, e empenhai-vos por todos os meios em conservar pura vossa veste.
Realmente, é muito melhor ter agora a preocupação e o cuidado de seu brilho, de modo que possais permanecer continuamente na pureza e não adquirir mácula alguma, do que, por ter-vos descuidado, chorar depois e golpear vosso peito para poder limpar a mácula sobrevinda. Não passeis o que nós passamos, vo-lo suplico, antes, que a negligência daqueles que vos precederam vos sirva de exemplo.
E como soldado espiritual, nobre e vigilante, limpe cada dia vossas armas espirituais, para que o inimigo, ao ver o fulgor das armas, afaste-se e não pense que pode aproximar-se.
Efetivamente, quando veja, não só que as armas brilham, mas também que vós estais protegidos por todos os lados, e que o tesouro de vosso espírito está bem guardado com todo rigor, como em uma casa, ele se ocultará e irá partir, sabedor que nada mais alcançará, ainda que tente o ataque mil vezes.
Porque ele pode ser descarado e atrevido em alto grau, e mais cruel que uma fera, porém, quando vê completamente vossa armadura espiritual e a força que o Espírito vos concedeu, percebe com maior clareza sua própria debilidade e se retira com grande vergonha e grande desprezo de si mesmo, porque sabe que tenta o impossível.
Portanto, vo-lo suplico, vivamos todos sobriamente: nós que anteriormente fomos considerados dignos deste dom, para que possamos regressar à primitiva beleza e purificar-nos da mácula sobrevinda; e aqueles que acabais de degustar a generosidade do rei, demonstrai vigilância e grande firmeza, de modo que possais permanecer em contínua pureza e não recebais a mais leve mancha ou ruga por insídia do diabo.
Ao contrário, como se este se apresentasse, se colocasse próximo e disparasse os dardos da maldade, fortifiquemo-nos bem por todos os flancos e resistamos-lhe com muito esforço e com grande preocupação por nossa própria salvação, para que possamos evitar as insídias dele, e por nossa fidelidade consigamos atrair o auxílio do alto, pela graça e bondade de nosso Senhor Jesus Cristo, com o qual se dê ao Pai, juntamente com o Espírito Santo, a glória, a força, a honra, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém.” (1)
Somos exortados a conservar pura e sem mácula a veste espiritual que nos foi entregue quando de nosso batismo.
Isto implica em permanente vigilância e esforço no peregrinar da fé, mantendo viva a fé, esperança e caridade.
Que o Espírito Santo nos anime e nos conduza neste santo propósito, fazendo todo esforço para passar pela porta estreita da fé (cf. Lc 13,22-30). Amém.
(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – pág. 702-704







