sexta-feira, 30 de outubro de 2026

Ajudai-nos, Senhor, a viver as Bem-Aventuranças (Todos os Santos)

 




Ajudai-nos, Senhor,  a viver as Bem-Aventuranças

Amado Senhor Bom Jesus, nas Bem-Aventuranças contemplo Vosso rosto e vejo descrita Vossa inflamada chama de caridade por toda a humanidade pecadora, da qual também faço parte, sem qualquer mérito merecido.

Nelas medito sobre a vocação dos fiéis associados à glória de Vossa Paixão e Ressurreição, e renovo meu “sim” na fidelidade a Vós, com as renúncias necessárias para seguir-Vos com liberdade e desprendimento.

Nas linhas e entrelinhas da vida cotidiana, elas nos configuram a Vós, porque definem as atitudes e virtudes características da vida cristã, marcando-nos com o Selo do Vosso Santo Espírito, tornando-nos alegres discípulos missionários Vossos.

Renovai a esperança em nossos corações, para que creiamos na luminosidade e na garantia de felicidade que elas trazem, pois  são as promessas paradoxais que sustentam a nossa esperança em meio às tribulações.

Amado Jesus, fazei que sejamos alegres testemunhas das Bem-Aventuranças, e que jamais recuemos no seu anúncio, pois elas são o programa único de autêntica felicidade, nossa carteira de identidade no mundo, para que Vós sejais reconhecido em nossas ações.

Assim vividas, Senhor, derramai sobre nós copiosas bênçãos e concedei-nos as recompensas já obscuramente adquiridas, que já estão inauguradas na vida da Virgem Maria e de todos os santos e santas. Amém. 

 

Fontes: (1)Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1717; Passagens do Evangelho - (Lc 6,17.20-26; Mt 5,1-12)

 

Resquiescat in pace - Descanse em paz!

                                          


Resquiescat in pace  - Descanse em paz!

O sol escondido sob as nuvens, dia sombrio, como ficaram os dias sem você, desde quando partiu, e meus olhos nadam em lágrimas vertentes.

Hoje, uma lembrança com misto de tristeza suave e dilacerante me consome, e volto meus olhos para o passado, procurando preencher o vácuo que você deixou, que por vezes parece impreenchível.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, ficaria apenas a sombra do túmulo, eterna sombra da morte; eterno descanso; ocaso sem esperança; derradeira pulsação da vida, sem desabrochar na outra margem.

Não fosse a fé na ressurreição da carne, aquele momento supremo da vida, seria um eterno sábado; o véu da morte ficaria para sempre posto, e não reconheceríamos os sinais do Ressuscitado, “os panos dobrados e colocados à parte” desde aquela memorável madrugada (cf. Jo 20, 7).

Mas creio na ressurreição da carne, e a morte é o descansar no regaço do Senhor; o dormir o sono da noite, sem horas após o último suspiro e o cerrar dos olhos à luz; o sentimento do frio pelas asas da morte a roçar a fronte; o fugir dos últimos lampejos da vida.

RIP – Resquiescat in pace – Descanse em paz amigo/a. Que o Senhor se compadeça de sua alma e o tenha para sempre em Sua glória, até que um dia também faça a necessária e derradeira passagem e viveremos o epílogo da eternidade e comunhão na glória dos céus, com os anjos e santos. Assim creio. Assim espero. 

Tenho que seguir em frente, lembrando com carinho de cada momento que vivemos; cada sorriso compartilhado; cada lágrima enxugada; cada dificuldade superada...

Descanse em paz! O brilho do Sol nascente vem nos iluminar, até que um dia possamos nos céus nos encontrar. Amém.

Aumentar e transbordar o amor divino

                                      

                            Aumentar e transbordar o amor divino


Retomemos esta passagem da Primeira Carta do Apóstolo Paulo aos Tessalonicenses:

“O Senhor vos conceda que o amor entre vós e para com todos aumente e transborde sempre mais, a exemplo do amor que temos por vós. Que assim Ele confirme os vossos corações numa santidade sem defeito aos olhos de Deus, nosso Pai, no dia da vinda de nosso Senhor Jesus, com todos os Seus santos” (1Ts 3,12-13).

Oremos:

Ó Deus, que nossa comunidade, peregrinando na esperança, cresça abundantemente no amor recíproco e para com todos; e viva a graça da sinodalidade, caminhando sempre juntos.

Ajudai-nos a compreender que o Vosso chamado nos leva à comunhão convosco, e esta, à consagração, que, por sua vez, se torna missão.

Concedei a graça da conversão a toda nossa comunidade, para que ela se torne um espaço fecundo de amor, gerando fraternidade e irradiando a luz divina em todo o mundo.

Enviai Vosso Espírito, para que a luz divina ilumine as situações mais obscuras e sombrias que marcam nossas vidas.

Não permitais que nos omitamos na difícil missão de ser luz, que nasce unicamente da transparência da fidelidade a Vós, da sinceridade do coração e da contemplação mais profunda de Vossos desígnios.

Fortalecei nossa comunidade, para que seja fiel na pregação da Boa-Nova, e jamais nos esqueçamos que a Igreja somente evangeliza, quando também se evangeliza. 

Iluminai-nos, Senhor para que edifiquemos uma Igreja misericordiosa e missionária, fortalecendo os pilares da Evangelização: o pilar da Palavra, do Pão da Eucaristia, da Caridade e da Ação Missionária. Amém.

PS: Apropriado para a passagem da Carta de Paulo aos Filipenses (Fl 1,1-11)

Em poucas palavras... (A generosidade é plural)

                                              


A generosidade é plural

“Notemos que a generosidade, como todas as virtudes, é plural, tanto em seu conteúdo como nos nomes que lhe emprestamos ou que servem para designá-la.

Somada à coragem, pode ser heroísmo.

Somada à justiça, faz-se equidade.

Somada à compaixão, torna-se benevolência.

Somada à misericórdia, vira indulgência.

Mas seu mais belo nome é seu segredo, que todos conhecem: 

somada à doçura, ela se chama bondade” (1)

 

 (1)André Comte Sponville

“Que o vosso amor cresça sempre mais...” (01)

“Que o vosso amor cresça sempre mais...”

Retomemos a passagem da Carta de Paulo aos Filipenses (Fl 1,4-6.8-11), em que ele exorta a comunidade ao testemunho da caridade, na superação das divisões, enquanto espera a segunda vinda do Senhor, Sua vinda gloriosa.

É notável o carinho do Apóstolo Paulo para com a comunidade, e seu encorajamento para que ela cresça na fidelidade e na solidariedade, a fim de que, sempre em processo de construção, ela não desanime, aprendendo a acolher o Senhor que vem, e deixar que Ele nos conduza à plenitude de vida e do amor.

Como Igreja, vivendo o Tempo do Advento, somos exortados a romper todas as escravidões, fortalecendo os vínculos de comunhão fraterna, de modo que seja notável a alegria reinante pela espera da vinda certa de Deus (Ele veio, vem e virá!).

É tempo de renovação das esperanças em cada amanhecer, solidificando nossa na fé em Deus, fazendo progressos cada vez maiores na santidade a ser vivida, procurando em tudo fazer a vontade de Deus.

Acompanhe-nos a súplica do Apóstolo em nosso favor – “E isto eu peço a Deus: que o vosso amor cresça sempre mais em todo o conhecimento e experiência, para discernirdes o que é melhor. E assim ficareis puros e sem defeito para o dia de Cristo, cheios do fruto da justiça que nos vem por Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus” (Fl 4,9-11).

Nestes versículos (Fl 4,8-11), o Apóstolo exprime a doçura de seu amor especial para com esta Igreja, que ele sente próxima, num momento de dor, devido à sua prisão (Fl 4,7) – “Paulo retribui essa solidariedade infundindo o seu coração na oração para que os seus irmãos cresçam na justiça e na caridade” (1).

Importa que o amor cresça, não apenas conhecimento do amor, mas em sua experiência concreta. Não apenas discursos sobre o amor, mas que seja vivido concretamente, em gestos multiplicados de solidariedade, partilha, amor, perdão, acolhida, compreensão e motivações trocadas, para que não sejamos desertores da fé.


(1) Lecionário Comentado – Tempo do Advento e Natal – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – p.95
Postado com vistas ao Tempo do Advento que iniciaremos no próximo Domingo.

Em poucas palavras... (Chorar por amor do Amado)

                                               


Chorar por amor do Amado

“Lembrou‑se o amigo dos seus pecados, e por temor ao inferno quis chorar e não pôde.

Pediu lágrimas ao amor, mas a Sabedoria respondeu‑lhe que mais frequente e fortemente devia chorar por amor do seu Amado do que por temor das penas do inferno, pois agradam‑lhe mais os prantos que são por amor do que as lágrimas que se derramam por temor” (1)

 

(1)          R. Llull, Livro do Amigo e do Amado, 341

 

Em poucas palavras... (A vida do cristão)

                                             


A vida do cristão

“A fé, a verdade e a esperança devem ser alimentadas e caracterizadas por comportamentos, atitudes que, na fidelidade à doutrina e ao ensinamento transmitido, manifestem também exteriormente o rosto da fé.

A vida do cristão não é uma vida tomada ao de leve, que se adapta ao comportamento comum ou àquilo que é mais cômodo, mas é uma vida que compromete continuamente a pessoa na coragem da escolha da fé.” (1)

 

 

(1)Lecionário Comentado – Tempo Comum – Volume II – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – pág. 763 

Comentário sobre a passagem da Leitura: Tt 1,1-9

 

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG