sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Em poucas palavras...

                                       


A garantia da justiça social

“A sociedade garante a justiça social, quando realiza as condições que permitem às associações e aos indivíduos obterem o que lhes é devido, segundo a sua natureza e vocação. A justiça social está ligada ao bem comum e ao exercício da autoridade.”

 

(1) Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n. 1928.

"Muito obrigado"

                                                     


"Muito obrigado"

Sejamos enriquecidos pelo “Tratado sobre Gratidão”, de Santo Tomás de Aquino: 

"A gratidão se compõe de diversos graus. O primeiro consiste em reconhecer (ut recognoscat) o benefício recebido; o segundo, em louvar e dar graças (ut gratias agat); o terceiro, em retribuir (ut retribuat) de acordo com suas possibilidades e segundo as circunstâncias mais oportunas de tempo e lugar" (II-II, 107, 2, c).

São os três níveis assim compreendidos:

- O nível superficial: reconhecimento intelectual, cerebral;

- O nível intermediário: agradecimento, dar graças a alguém por aquilo que esse alguém fez por nós; 

- O nível mais profundo: retribuição, vínculo, quando nos sentirmos vinculados e comprometidos com as pessoas.

O nível mais difícil, o terceiro, o “obrigado”, deve ser compreendido assim: “Fico-vos obrigado”; “Fico obrigado perante vós”; “Fico vinculado perante vós”. Sentimos a necessidade de corresponder ao outro.

Sendo assim, quando dizemos “obrigado” a alguém, não basta o reconhecimento, ou o dar graças, é preciso o estabelecimento de um vínculo de comprometimento e resposta ao bem recebido.

Em relação a Deus, quando dizemos “obrigado, ó Deus”, reconhecemos que somente Deus é Deus e nós somos criaturas d’Ele, do qual tudo nos vem e tudo nos é concedido. Não apenas reconhecemos, mas damos graças aos bens que Ele nos concede e sentimos necessidade de correspondência ao bem que nos fez. Quanto mais profundo for nosso obrigado, maior será nossa necessidade de correspondência.

Dizer obrigado a Deus é sentir a necessidade de fazer algo bom para Ele e Suas criaturas, inseparavelmente.

O “obrigado” a Deus, que sai de nossos lábios, pede, de cada um de nós, renovação de sagrados compromissos com Ele e com Suas criaturas, colocando em comum o melhor que temos e possuímos, para que toda a vida seja melhor, em todos os seus âmbitos e sentidos. 

Em poucas palavras...

                                                    


Supliquemos...

 

Ó Deus, “dai-nos força para resistir à tentação, paciência na tribulação, e sentimentos de gratidão na prosperidade” (1). Amém.

 

(1)Prece da Liturgia das Horas

 

A alegria da ação evangelizadora

                                                                       


A alegria da ação evangelizadora
 
Vinde, Espírito Santo,
protagonista da Ação Evangelizadora.
 
Assisti-nos, com Vossa força, na missão Evangelizadora,
a partir de Jesus Cristo, com a alegria necessária,
como Igreja discípula missionária,
profética e misericordiosa.
 
Alimentados pela Palavra de Deus e pela Eucaristia,
À luz da evangélica opção preferencial pelos pobres,
Para que todos tenham vida,
Rumo ao Reino Definitivo.
 
Vinde, Espírito Santo,
assisti-nos, para que nosso encontro com Jesus
Seja sempre acompanhado de conversão,
Em contínuo empenho na solidificação da comunhão,
E, com coragem, viver a graça da divina missão.
 
Nós suplicamos: ajudai-nos a compreender
As marcas de nosso tempo, que nos desafiam,
com tantos riscos e consequências para a vida
de toda pessoa e do planeta, nossa Casa Comum.
 
Vinde, Espírito Santo,
para que não nos acomodemos
diante das urgências da ação evangelizadora,
A fim de que sejamos uma Igreja
Em estado permanente de missão,
Constituindo-se numa casa da iniciação à vida cristã,
Onde se realiza a animação bíblica da vida
E se revigora para a ação pastoral,
E assim, como comunidade de comunidades,
Em que todos nos colocamos a serviço
Da vida plena para todos.
 
Vinde, Espírito Santo,
para que busquemos novos caminhos
Para responder às urgências que nos acompanham,
Como Igreja, serva e servidora do Senhor Jesus Cristo,
Em incondicional fidelidade ao
Projeto de Deus Pai de Misericórdia.
 
Concedei-nos os Vossos dons:
Sabedoria, Entendimento, Conselho, Fortaleza,
Ciência, Temor e Piedade
Para que saibamos discernir
e concretizar os caminhos e passos
 a serem dados, na esperança e construção
de um novo céu e uma nova terra. 
Amém.  

A comunidade: espaço de relações fraternas e vínculos de amor

                                                        


A comunidade: espaço de relações fraternas e vínculos de amor

“Já não escravos, mas irmãos"

À luz da passagem da Carta de Paulo a Filêmon (Fm 7-20), reflitamos sobre o amor, que é essencial na fortificação do novo modo de se relacionar na comunidade de fé, rompendo barreiras, superando preconceitos, numa relação de irmãos e irmãs em Cristo:

“A fé em Cristo, irmão de todo homem, e o amor para com Ele, extensivo a todas as criaturas, são o fundamento do novo relacionamento interpessoal entre os crentes... A nova ‘humanidade cristã’ liberta o homem de toda forma de escravidão e faz de todos ‘filhos de Deus’, chamados a conviver livremente, todos juntos, vinculados pelo amor fraterno.” (1)

Neste sentido, na mensagem para o 48º Dia Mundial da Paz, celebrado em 1º de janeiro de 2015, o Papa Francisco propôs uma reflexão sobre os conflitos e guerras ideológicas entre as religiões e países, bem como chama a atenção para a necessidade do diálogo e da paz.

Alertou, também, para as diferentes formas de escravidão existentes no mundo, que precisam ser superadas, pois não há lugar para a escravidão aos olhos de Deus e a revelação bíblica - ‘já não escravos, mas irmãos’, que é o versículo inspirador de sua Mensagem, como vemos na Carta de Paulo a Filêmon.

Concluindo, ainda que difícil, é preciso que esta mensagem de Paulo ilumine nossas comunidades e toda a humanidade, pois sem amor, não haverá nunca a liberdade, justiça e paz no mundo.

(1)        Missal Cotidiano – Editora Paulus – 1998 – pág. 1488

Embora rejeitado, amou-nos até o fim!

                                                                  


Embora rejeitado, amou-nos até o fim!

Um Ventre o Pai lhe preparou com todo carinho,
Com a participação de Maria, tão maravilhosamente,
Por obra do Espírito, a Igreja ensina e eu creio.
Ela O acolheu, quando o SIM ao Anjo os lábios pronunciaram.

Porque muito antes em Seu coração de mulher,
Um coração de Mãe Deus imaculadamente preparou,
Para acolhida do Verbo que Se fez Carne e, entre
Nós, humildemente veio, fez morada, habitou.

Mas para nascer, dos homens, em Sua cidade,
Acolhida simples de um leito e quarto não encontrou;
Teve a Sagrada Família, de pôr-se a caminho,
E somente nos pobres morada humilde encontrou.

Primeira rejeição: o Verbo encontrou,
Embora criança, ainda sem falar,
Revela a indiferença e frieza
Que os Seus lhes preparou.

Segunda rejeição: contemplamos no início de Sua missão.
Não é Ele o Filho de Maria, de José, não conhecemos Seus irmãos?
Como pode um filho de carpinteiro, um de nós,
Tantos sinais e coisas tão profundas sair de Seu coração?

Terceira rejeição: contemplamos ao dizer para que veio,
No Templo, confirmando as Palavras do profeta Isaías:
O Espírito do Senhor sobre Ele repousa, para os pobres evangelizar,
Mas não acreditaram, logo puseram a expulsá-Lo de seu meio.

Tendo tomado a firme decisão de ir para Jerusalém
Consumar a obra redentora, culminar Sua divina missão,
Na Samaria não acolhido em hospedagem e ainda, tão mansamente,
Palavras de reprovação ao desejo dos Apóstolos em Sua destruição.

Mas são tão apenas prelúdios da rejeição definitiva
Que lhe alcançará o amargo prêmio: a Cruz.
Que lhe alcançará doce ventura: Ressuscitar,
Com o Pai e o Espírito por todo o sempre Reinar.

Ó crudelíssimas rejeições pelo Amado encontradas!
Uma certeza no coração tinha e isto O movia,
Sem jamais ter desistido de comunicar tão grande Amor,
Fidelidade e entrega total de Sua vida realizou.

Sabia do Amor e do Projeto Redentor do Pai;
Sabia da presença do Espírito que O assistia.
Tinha também ao Seu lado tão maravilhosa presença:
Sua Mãe, tão amável, tão serena, tão temente - Maria!

Amemo-Lo, com toda alma, força e entendimento.
Jamais O rejeitemos e haveremos de vencer!
Vida, paz, alegria, luz, glória, eternidade teremos.
Mergulhemos no Amor Trino da Divina Trindade.

Acolhamo-Lo, em nós, como Deus, e no  pobre, 
com quem Se identificou!
Acolhamo-Lo sempre, para que por Ele um dia sejamos acolhidos!
Acolhamo-Lo no Mistério da Paixão e Morte,
E com Ele, também, a Ressurreição alcançaremos. Amém.

“Para vós sou bispo, convosco, sou cristão”

                                                           

“Para vós sou bispo, convosco, sou cristão”

Um memorável Sermão do Bispo Santo Agostinho (Séc. V), em que reflete a graça de ser cristão e bispo da Igreja:

“Desde que este encargo, do qual tenho de dar tão apertadas contas, me foi posto sobre os ombros, sempre me perturba a preocupação com esta dignidade.

Que se há de temer neste cargo, a não ser que mais nos agrade aquilo que é arriscado para nossa honra do que aquilo que é frutuoso para vossa salvação?

Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou bispo; convosco, sou cristão. Aquele é nome do ofício recebido; este, da graça; aquele, do perigo; este, da salvação.

Enfim, somos sacudidos, como por mar encapelado, na tempestade das decisões a tomar; mas, recordando-nos d’Aquele por cujo sangue fomos remidos, entramos no porto da tranquila segurança deste pensamento; e trabalhando sozinhos neste ofício, descansamos no comum benefício. Se, portanto, mais me alegra ter sido remido convosco do que ser vosso prelado, então, como o Senhor ordenou, serei ainda mais vosso servo, para não me mostrar ingrato diante do preço pelo qual mereci ser vosso companheiro de serviço. Tenho de amar o Redentor e sei o que disse a Pedro:

Pedro, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas’ (Jo 21,17). E isto uma vez, duas vezes, três vezes. Questionava-se o amor e impunha-se o trabalho, porque onde é maior o amor, menor o trabalho.

‘Que retribuirei ao Senhor por tudo quanto me concedeu?’ (Sl 115,12). Se eu disser que retribuo por apascentar Suas ovelhas, também isto faço, ‘não eu, mas a graça de Deus comigo’ (1Cor 15,10). Onde então serei retribuidor, se em toda parte me antecipam?

No entanto, porque amamos gratuitamente, porque pastoreamos as ovelhas, queremos a paga. Como se fará isto? Como podem combinar-se? Amo gratuitamente para apascentar, e: Peço a recompensa porque apascento? De modo nenhum! De modo nenhum pediria o pagamento daquele que é amado gratuitamente, a não ser porque o pagamento é Aquele mesmo que é amado. Se retribuímos a quem nos remiu, apascentando Suas ovelhas, que retribuição lhe daremos por nos ter tornado pastores?

Pois maus pastores, livre-nos Deus, infelizmente o somos; bons, valha-nos Deus, só o podemos com a Sua graça. Por isto também a vós, meus irmãos, ‘prevenimos e rogamos a que não recebais em vão a graça de Deus ‘(2Cor 6,1).

Tornai frutuoso nosso ministério. Sois plantação de Deus’ (1Cor 3,9). Recebei de fora quem planta e quem rega; por dentro, Aquele que dá o incremento. Ajudai-nos não só rezando, mas obedecendo; para que nos maravilhe não tanto estar à vossa frente quanto o vos ser útil”.

Destaco duas afirmações:

- “Aterroriza-me o que sou para vós; consola-me o que sou convosco. Pois para vós sou bispo; convosco, sou cristão. Aquele é nome do ofício recebido; este, da graça; aquele, do perigo; este, da salvação”;

- “Tenho de amar o Redentor e sei o que disse a Pedro: ‘Pedro, tu me amas? Apascenta minhas ovelhas’ (Jo 21,17). E isto uma vez, duas vezes, três vezes. Questionava-se o amor e impunha-se o trabalho, porque onde é maior o amor, menor o trabalho”.

Roguemos a Deus por todos os Bispos, para que vivam a graça do batismo e vivam com solicitude a missão de bispos, como zelosos pastores do rebanho pelo Senhor confiado, contando sempre com a ação e assistência do Espírito Santo.

Roguemos, também, para que seja transbordante, no coração de cada Bispo, o amor pelo Senhor, para que cuide do rebanho com incansável empenho e dedicação, no tríplice múnus de ensinar, santificar e governar a Igreja que lhe foi confiada, pois onde é maior o amor, menor o trabalho”. Amém.

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG