sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Em poucas palavras...

                                             


Antes, adquirir virtudes

“Procurai adquirir as virtudes que julgais faltarem nos vossos irmãos, e já não lhes vereis os defeitos, porque vós mesmos não os tereis” (1)

 

(1) Santo Agostinho, Comentário sobre os salmos, 30, 2, 7

O Amor de Deus cura as feridas da alma

                                                                         

O Amor de Deus cura as feridas da alma

Há Missas que ecoam para sempre,
Como deve ecoar sempre o Mistério celebrado,
A Palavra proclamada, na homilia explicada...
Quero então a uma delas voltar.

À Missa se volta? Desde quando?
A Missa continua, prolonga-se, eterniza-se...
Momento de graças vivenciado,
Para sempre eternizado.

O Profeta Isaías cantou a missão do Servo,
Sobre o qual pousaria o Espírito do Senhor,
Para o ano da graça anunciar
E a libertação dos cativos propiciar.

Nesta missão algo maravilhoso fará.
A mais preciosa cura que precisamos
Em grau maior ou menor, vejamos:
“Ele vem curar a ferida da alma”

“Ferida da alma” Sem espiritualizações fúteis.
Quantas vezes ela nos marca e teima permanecer...
O que fazer para curá-la, cicatrizá-la?
Haverá ferida mais difícil a ser curada?

Desconheço, pois ela está no mais profundo do nosso ser.
Para curá-la somente o Seu Extremo Amor.
Reconhecê-la, assumi-la, desejar curá-la.
Sem reminiscências, cicatrizes ardentes.

Somente o Amor de Deus tem poder pleno para curá-la.
O Amor de Deus cura as feridas da alma.
O Amor de Deus cura todas as feridas.
Se assumidas, pelo Amor Divino serão redimidas.

Seu Extremo e Indizível Amor
Que contemplamos em Suas chagas e feridas.
Amor, bondade, mansidão, ternura exaladas,
Para que tantas almas feridas sejam curadas.

Sejamos curados pelo Amor Divino
Destas indesejáveis feridas do íntimo.
Sejamos também desta cura instrumentos.
Bem ao lado há alguém que dela precisa.

Curados para curar com a ação do Santo Espírito.
Curados de nossas feridas para curar do outro as feridas.
Haverá graça maior que Deus possa por nós realizar?
Por isto, Seu Espírito age revitalizando nossas vidas.

Para quem em Deus confia
Não há feridas eternas.
Que Seu Amor imensurável
Nos acompanhe a cada dia!

O sinal da Cruz Redentora

                                                                         

O sinal da Cruz Redentora

Com este Sermão do Bispo e Doutor da Igreja, São João Crisóstomo (séc. IV), reflitamos sobre o Mistério da Cruz Redentora de Nosso Senhor Jesus Cristo, pois tudo se consuma entre nós pela Cruz.

“Portanto, que ninguém se envergonhe dos sagrados símbolos de nossa Salvação, que em si contém a origem de todos os bens, e pelos quais temos vida e existimos. Antes, levemos por toda a parte, como uma coroa, a Cruz de Cristo. Tudo, de fato, se consuma entre nós pela cruz. Quando temos de regenerar-nos, ali está presente a cruz; quando nos alimentamos do místico alimento; quando somos consagrados ministros do altar; se é necessária qualquer outra ação sagrada, ali está sempre presente este símbolo da vitória. Daí o fervor com que o inscrevemos e desenhamos sobre as nossas casas e paredes, sobre as janelas, sobre nossa fronte e sobre o coração.

Porque este é o sinal de nossa salvação, o sinal da liberdade do gênero humano, o sinal da mansidão do Senhor para conosco que como ovelha foi levada ao matadouro.

Portanto, quando te persignar, considera todo o mistério da cruz e apaga de ti toda ira e todas as demais paixões. Quando te persignar, ocupa amplamente toda a tua frente libertando assim a tua alma. Sabeis bem que coisas são as que nos geram a liberdade. Daí que Paulo, para levar-nos a isso, quero dizer, para a liberdade que nos convém, nos conduziu pela memória da Cruz e do Sangue do Senhor. Foram comprados, disse ele, por alto preço. Não vos deixeis escravizar pelos homens.

É como se dissesse: Pensa no preço que foi pago por ti e nunca te farás escravo dos homens; e chama preço à cruz. É necessário que a formemos não somente com os dedos, mas primeiramente o façamos com a vontade e uma grande fé.

Se com esta condição a traças em tua casa, nenhum demônio impuro poderá estar contra ti, pois verá a espada com que foi ferido com ferida mortal. Se nós, que somente ao ver o lugar onde executam os réus, sentimos horror, considera o que sofrerão o seu poder e cortou a cabeça do dragão.

Não te envergonhes, pois, de tão grande dom, para que Cristo não se envergonhe de ti quando venha em sua glória e se veja este sinal que desce, mais brilhante que os raios do sol, diante de Cristo. Porque então verás a cruz clamando somente com sua presença e defendendo diante de todo o orbe a casa do Senhor e demonstrando que da parte Dele nada faltou para salvar-nos.

Este sinal no tempo de nossos antepassados, e também nos atuais, abriu as portas fechadas; este sinal destruiu os venenos; este sinal desfez a força da cicuta; este sinal curou as mordidas das feras venenosas. Pois se abriu as portas infernais, abriu as portas do céu e renovou a entrada ao paraíso; destroçou-se a força dos demônios, porque seria extraordinário que vencesse os venenos, as feras e as outras coisas semelhantes a estas?

Grava isto em tua mente e abraça este sinal, salvação de nossas almas. Porque esta cruz salvou e converteu ao orbe, afastou o erro, trouxe a verdade, fez da terra céu e dos homens fez anjos.

Por virtude da cruz já não são temíveis os demônios; a morte já não é morte, mas sono; pela cruz tudo o que nos era contrário ficou abatido, por terra pisoteado. De modo que se alguém te pergunta: Adoras ao Crucificado? Com voz forte, com rosto alegre, responde-lhe: O adoro e nunca deixarei de adorá-Lo. E se esse tal te ridiculariza, chora tu por sua loucura. Dá graças ao Senhor por tão imensos benefícios que se não fosse pela revelação ninguém poderia nem sequer conhecê-los”. (1)

Somos remetidos às palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: – “Se alguém quer me seguir, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e me siga. Pois, quem quiser salvar a sua vida vai perdê-la; e quem perder a sua vida por causa de mim, vai encontrá-la” (Mt 16,24).

Vemos quão precioso é o sinal da cruz que tantas vezes fazemos, e que não pode ser feito de qualquer maneira, como tão bem expressou São João Crisóstomo.

Bem como não podemos fazer da cruz uma espécie de amuleto, ou coisa semelhante, menos ainda um enfeite para nossos corpos e vestes, ou em nossas paredes.

Concluamos com as palavras do Apóstolo Paulo aos Gálatas:  “Quanto a mim, não aconteça gloriar-me senão na Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, por quem o mundo está crucificado para mim e eu para o mundo” (Gl 6,14).


(1) Lecionário Patrístico Dominical – Editora Vozes – 2013 – pp.205-207

O Senhor Se compadeceu de nós

                                                           

O Senhor Se compadeceu de nós

“Felizes de nós, se o que ouvimos e cantamos também executamos.
A audição é nossa semeadura, e nossos atos, frutos da semente”

Santo Agostinho, Bispo e Doutor da Igreja (séc. V), em um de seus Sermões, nos fala do Senhor que se compadeceu de nós, e espera que não apenas ouçamos e cantemos, mas que também coloquemos em prática.

Ouvir, cantar e viver:
 “Felizes de nós, se o que ouvimos e cantamos também executamos. A audição é nossa semeadura, e nossos atos, frutos da semente.”

Não entremos sem frutos na Igreja:
“Disse isto de antemão para exortar vossa caridade a não entrardes sem fruto na Igreja, ouvindo tantas coisas boas sem realizá-las. Porque por Sua graça fomos salvos, assim diz o Apóstolo, não por nossas obras, não aconteça alguém se ensoberbecer (Ef 2,8-9), pois por Sua graça fomos salvos (Ef 2,5). Pois não precedeu nenhuma vida virtuosa que Deus pudesse amar e dizer: ‘Ajudemos, socorramos estes homens porque vivem bem’.”

Deus se compadeceu e nos salvou:
“Desagradava-lhe nossa vida, desagradava-lhe em nós tudo o que fazíamos, mas não lhe desagradava o que Ele mesmo fez em nós. Por isto, o que nós fizemos, Ele o condenará; o que Ele próprio fez, Ele o salvará. Não éramos bons. Mas Ele se compadeceu de nós e enviou Seu Filho para morrer não pelos bons, mas pelos maus, não pelos justos, mas pelos ímpios. Na verdade Cristo morreu pelos ímpios (Rm 5,6). E como continua? Mal se encontra alguém que morra por um justo, pois talvez alguém se atreva a morrer por um bom (Rm 5,7). Quiçá haja alguém que ouse morrer por um bom. Mas pelo injusto, pelo ímpio, pelo iníquo, quem quererá morrer? Só Cristo, para que, justo, justifique até mesmo os injustos”.

Deus jamais nos abandona e jamais desiste de nós:
“Não tínhamos, meus irmãos, nenhuma obra boa, mas todas eram más. E sendo tais os atos dos homens, Sua misericórdia não abandonou os homens.”

Envia Seu Filho para nos remir pelo preço do sangue derramado:
“Deus enviou Seu Filho, para remir-nos, não por ouro, não por prata, mas ao preço de Seu Sangue derramado, Cordeiro imaculado levado como vítima pelas ovelhas maculadas, se é que só maculadas e não totalmente corrompidas! Recebemos então esta graça.”

Vivamos esta graça e correspondamos ao amor de Deus:
“Vivamos de modo digno dessa graça e não façamos injúria à grandeza do dom que recebemos. Tão grande Médico veio a nós e perdoou todos os nossos pecados."

Não recaiamos na “doença” ingratos ao próprio médico, Jesus:
“Se quisermos recair na doença, não só nos prejudicaremos a nós mesmos, mas seremos ingratos ao próprio Médico.”

Sigamos Jesus, o Caminho, a vida da humildade:
“Sigamos os caminhos que Ele próprio indicou, muito em especial a via da humildade, via que Ele mesmo Se fez por nós. Mostrou-nos pelos preceitos o caminho da humildade e criou-o padecendo por nós. Com o intuito de morrer por nós – e sem poder morrer – o Verbo Se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), para poder morrer por nós, Aquele que não podia morrer. E com Sua morte matar nossa morte.”

Ele que tinha condição divina, não Se apegou a mesma, e despojando-Se foi morto na Cruz:
“Fez isto o Senhor, isto nos concedeu. O excelso humilhou-Se, humilhado foi morto e, ressurgindo, foi exaltado, a fim de não nos deixar mortos nas profundezas, mas de exaltar em Si na Ressurreição dos mortos aqueles que já agora exaltou pela fé e o testemunho dos justos.”

O Senhor nos deu a humildade como caminho para confessar e invocar Seu nome:
“Deu-nos então a humildade como caminho. Se nos agarrarmos a ela, confessaremos o Senhor e com toda razão cantaremos: Nós Te confessaremos, Senhor, confessaremos e invocaremos Teu nome (Sl 74,2).”

Oremos:

Ó Deus, concedei-nos a graça de compreender e corresponder ao Vosso amor, manifestado a nós, por meio do Seu Filho. Assistidos pelo Vosso Espírito, jamais nos apresentemos com as mãos e coração vazios de frutos por vós esperados.

Ó Deus, ajudai-nos a seguir os passos do Vosso Filho, trilhando a via da humildade, fazendo progressos no caminho de santidade, adorando-Vos em espírito e verdade e Vos amando concretamente na pessoa de nosso próximo.

Ó Deus, que não sejamos apenas ouvintes de Vossa Palavra, mas dela praticantes, não nos enganando a nós mesmos, mas empenhados em colocá-la em prática, na defesa da vida e da dignidade humana. Amém.

“O Amor veio ao nosso encontro”

                                                                    

“O Amor veio ao nosso encontro”

Assim falou o Bispo e Doutor Santo Agostinho (séc. V):

“Na procura de Deus, é Ele quem
Se adianta e vem ao nosso encontro."

De fato, já dissera o Senhor que não fomos nós que O escolhemos, mas foi Ele que nos escolheu e nos enviou em missão, com a assistência do Espírito, para que inauguremos novas relações na superação do pecado, procurando construir relações mais justas e fraternas.

Também já dissera o Senhor que não nos chama de servos, mas de amigos. Ainda que paradoxal pareça ser, quanto mais servos o formos, mais amigos de Deus o seremos – “somos servos inúteis” é o que devemos dizer depois de o melhor e mais belo trabalho, por amor, ter feito.

Deste modo, embora O procuremos Ele já nos encontrou muito antes, quando o pecado entrou no mundo e do Seu convívio nos afastamos.

Porém em Sua infinita Misericórdia Deus jamais nos abandonou. Veio sempre ao nosso encontro fazendo Aliança conosco desde Abraão, firmando-a com Moisés, libertando-nos do Egito, dando-nos o Decálogo para que se vivido jamais voltássemos ao tempo de escravidão; suscitou inúmeros Profetas para serem Sua voz audível, uma vez que é próprio de Suas criaturas precisarem ouvir alguém que lhes faça reconhecer a trágica infidelidade e o necessário retorno para o Seu amor, carinho, ternura, bondade e compaixão como tão bem rezam e expressam os Salmistas.

Na plenitude dos tempos, Ele mesmo veio ao nosso encontro, encarnando-Se em Jesus Cristo. Fez-Se Verbo, Carne, assumiu nossa condição humana, viveu em tudo o que vivemos menos o pecado.

É próprio do amor de Deus vir sempre ao nosso encontro, sobretudo quando teimosamente e tragicamente ao Seu amor nos fechamos. Deus que nos criou por amor, não nos ignora. Tudo o que Ele quer de nós é uma resposta de amor.

Quando vemos cenas de violência, infidelidades de toda ordem, destruição da vida em todos os seus aspectos, relações marcadas pelas desigualdades sociais, conflitos étnicos e religiosos, preconceitos que se pretendem eternos, não será tudo isto um fechamento aos Desígnios de Deus e a Sua comunicação universal, a linguagem do amor, como vimos em Pentecostes?

Deus incansavelmente Se antecipa e vem ao nosso encontro. Não haverá jamais  perspectivas para a História se não nos deixarmos encontrar pelo Amor. Somente no encontro amoroso com Deus é que todo nosso existir ganha plenitude de vida, alegria, amor e paz...

Concluo com as palavras de Santo Agostinho, que lemos em suas Confissões:
                
“Onde Te encontrei, Senhor, para Te conhecer?
Não estavas certamente em minha
memória antes que eu Te conhecesse...
Tarde te amei, ó beleza tão antiga e tão nova,
tarde Te amei!

Estavas dentro e eu fora Te procurava.
Precipitava-me eu disforme, sobre as coisas
formosas que fizeste. Estavas comigo,
Contigo eu não estava. (...)

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Ritual da bênção do sino

                                                          


Ritual da bênção do sino

Faze para ti duas trombetas de prata”. Naqueles dias: O Senhor falou a Moisés e disse...”

No dia 15 de setembro de 2024, tivemos a graça de realizar a bênção dos sinos da Paróquia Nossa Senhora das Dores – Dores de Guanhães – MG, ao celebrar a Missa da Padroeira.

Vejamos o que nos diz o Ritual de Bênçãos sobre a bênção dos sinos:

“É antigo o costume de convocar com algum sinal ou som, para uma reunião litúrgica, o povo cristão, e de avisá-lo sobre os principais acontecimentos da comunidade local. Assim, a voz dos sinos exprime, de certo modo, os sentimentos do povo de Deus, quando este se alegra ou chora, dá graças ou faz súplicas, reúne-se num local e manifesta o mistério de sua união em Cristo.” (1)

Na bênção, utilizamos uma das propostas oferecidas pelo Ritual, por sua riqueza imensurável:

“Ó Deus, a Vossa voz na aurora ressoou aos ouvidos do homem para convidá-lo à comunicação divina, ensinando-o e admoestando com doçura.

 Ó Deus, Vós mandastes Moisés, Vosso servo, usar trombetas de prata para reunir o povo.

Ó Deus, Vós não recusais na Vossa Igreja o uso de sinos de bronze para convidar o povo à oração; recebei este sino novo, dedicado por esta + bênção ao Vosso serviço e fazei que todos os Vossos fiéis, ao ouvirem a voz do sino, elevem para o alto os seus corações, participem da alegria e da tristeza dos irmãos, apressem-se até a casa de Deus, onde sintam a presença de Cristo, ouçam a Vossa Palavra e Vos dirijam as suas súplicas. Por Cristo, nosso Senhor. Amém.” (2)

 

(1) Ritual de Bênçãos – Editora Paulus – 2015 – n. 1032  p.378

(2)Idem  n.1047 - p. 383

O Senhor revigora a nossa fé

                                                          

O Senhor revigora a nossa fé
 
Reflexão à luz da passagem da Carta de São Pedro (1Pd 1,6-9):
 
“Isto é motivo de alegria para vós, embora seja necessário que agora fiqueis por algum tempo aflitos, por causa de várias provações. Deste modo, a vossa fé será provada como sendo verdadeira – mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo – e alcançará louvor, honra e glória, no dia da manifestação de Jesus Cristo. Sem ter visto o Senhor, vós O amais. Sem O ver ainda, n’Ele acreditais. Isso será para vós fonte de alegria indizível e gloriosa, pois obtereis aquilo em que acreditais: a vossa salvação”
 
A Carta é dirigida aos cristãos das cinco províncias romanas da Ásia menor, e tem como objetivo a exortá-los para que vivam a fidelidade ao Senhor, apesar de toda provação, perseguição e incompreensão.
 
O discípulo missionário não está livre de aflições e provações, como o próprio Senhor já alertara no Sermão da Montanha: “Bem-aventurados os aflitos porque serão consolados” (Mt 5,5); “Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos Céus. Bem-Aventurados sois, quando vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por causa de mim” (Mt 5,10-11).
 
A autenticidade, solidez, luminosidade e fecundidade da fé somente são alcançadas quando ela for provada, e assim se torna “mais preciosa que o ouro perecível, que é provado no fogo” (1Pd 1,7), e como também podemos ler no Livro do Eclesiástico: “Meu filho, se te ofereceres para servir o Senhor, prepara-te para a prova. Endireita teu coração e sê constante, não te apavores no tempo da adversidade. Une-te a Ele e não separes a fim de seres exaltado no teu último dia. Tudo o que te acontecer, aceita-o, e nas vicissitudes que te humilharem sê paciente, pois o ouro se prova no fogo, e os eleitos, no cadinho da humilhação” (Eclo 2,1-5).
 
É preciso nas contrariedades do cotidiano, sobretudo se inevitáveis, manter a esperança, confiar no amor de Deus, que nos envolve e nos impulsiona, para que jamais recuemos no testemunho da fé, no revigoramento da caridade, virtudes divinas que nos movem, permanentemente, na fidelidade ao Senhor, com a força e presença do Espírito Santo, dom de Deus, e todos os dons que possam nos enriquecer.
 
Vivamos na solidariedade, alegria, coerência e fidelidade na adesão feita ao Cristo Ressuscitado, em total identificação com Aquele a quem amamos, mesmo sem ter visto, pois Ele é o Cristo que, por amor, Se entregou ao Pai em favor de todos nós.
 
Nisto consiste a fé: crer no poder e presença do Senhor, ainda que não O tenhamos visto, mas n’Ele acreditamos, como também nos disse o Senhor, quando Se manifestou aos discípulos, dirigindo a Tomé estas palavras: “Porque viste creste. Felizes os que não viram e creram!” (Jo 20,29).
 
Tão somente deste modo, beberemos de uma fonte genuína e inesgotável de alegria, que é o próprio Senhor Jesus Cristo, que nos ama e nos garante vida plena e feliz, a salvação, e com Ele, chegaremos à glória da Ressurreição.
 
Concluamos com as palavras do Salmista: “O Senhor nos sacia com a fina flor do trigo. E nos farta com o mel que sai da rocha” (cf. Sl 81,17), e assim, satisfeitos e felizes somos, não obstante às provações e dificuldades que tenhamos que enfrentar e superar.



PS: Oportuno para a reflexão da passagem do Livro do Eclesiástico (Eclo 2,1-3) (gr. 1-11)

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