sexta-feira, 28 de agosto de 2026

Amores...(XXIIDTCA)

                                                         


Amores...

“Mas o Senhor, sempre benigno e compassivo,
não os matava e perdoava seu pecado; quantas vezes
dominou a Sua ira e não deu largas à vazão de Seu furor” (Sl 77, 38)

Amores cantados.
Amores contados.
Amores revelados.
Amores negados.

Amores tantos...
Amores correspondidos.
Amores não correspondidos.
Amores não amores.

Amores de um único amor.
Amores de um verdadeiro amor.
Amores esvaziados.
Amores renascidos.

Amores tão densos.
Amores tão imensos.
Amores tão superficiais.
Amores tão profundos.

Amores assim na Bíblia encontramos;
Amores que não se concretizaram.
Amores que não floresceram.
Amores nos caminhos perdidos.

Amor Verdadeiro Encarnado,
Na Carne e Vida do Verbo,
Amor que amou sem fim,
Que a Morte de Cruz suportou.

Amor Verdadeiro Crucificado.
Amor Verdadeiro Vitorioso.
Amor Verdadeiro Eternizado,
Pelo Pai, com o Espírito glorificado.

Ó incrível Amor de Deus!
Amor fiel e misericordioso,
Que tantos prodígios
Incansavelmente fez e faz.

Ó ínfimo amor que ainda sinto,
Por vezes de braços com a incredulidade,
Por vezes inconstante e frágil.
Mesmo assim o Deus de Amor me ama.

Amores e amores:
Há o Amor divino tão imensurável.
Há o amor por Ele ainda tão pouco.
Quão feliz quem embarca nesta aventura de amor!

Celebrar a Exaltação da Santa Cruz é contemplar o Amor de todos os Amores.
E sentindo-se amado, não pelo mérito, intensamente amar como Ele ama...

Silencio-me!
Do maior pecado
Nasceu o maior Amor.
Ele me ama... Eu O amo...


PS: "De gênero didático este salmo (77) recorda a história de Israel numa alternância de dois momentos: o do Amor fiel e misericordioso de Deus a favor do seu Povo; e, o da incredulidade e da inconstância de Israel"  - Leccionário Comentado p. 919.

Em poucas palavras... (XXIIDTCA)

                                                             


O Mistério da Cruz 

“Senhor Salvador levantou a voz e com incomparável majestade disse: Saibam todos que depois da tribulação se seguirá a graça; reconheçam que sem o peso das aflições não se pode chegar ao cimo da graça; entendam que a medida dos carismas aumenta em proporção da intensificação dos trabalhos. 

Acautelem-se os homens contra o erro e o engano; é esta a única verdadeira escada do paraíso e sem a cruz não há caminho que leve ao céu... 

Ninguém se queixaria da cruz nem dos sofrimentos que lhe adviriam talvez, se conhecessem a balança, onde são pesados para serem distribuídos aos homens."  (1)

 

(1) Santa Rosa de Lima, (1586 -1617), Padroeira da América Latina. 

Quando o céu se torna escuridão… (XXIIDTCA)

                                                       


Quando o céu se torna escuridão…

A Liturgia do 22º Domingo do Tempo Comum (ano A),  retrata as dores e alegrias, angústias e esperanças do Povo de Deus, à luz da Palavra de Deus proclamada.

Como a realidade da cruz, do sofrimento, marca a vida do Povo de Deus! 

Acorre-se a Deus em busca de uma Palavra, um alento, um reacender da chama da esperança, uma luz, um impulso… Não uma fuga, não uma evasão da realidade, mas abastecimento para poder enfrentá-la, transformá-la, renová-la, a partir do mistério da Fé, celebrado na Mesa da Eucaristia.

Na passagem da primeira Leitura (Jr 20,7-9), o Profeta Jeremias, seduzido pelo Amor de Deus levou-nos ao mesmo desejo: deixar nosso coração pelo Amor de Deus ser seduzido, como fogo que o queima por dentro. Vocação profética que não é vontade nossa, mas iniciativa de Deus, dom de Deus, resposta nossa…

Na passagem da segunda Leitura (Rm 12,1-2), o Apóstolo Paulo nos exorta, pela misericórdia de Deus, a nos oferecermos como sacrifício vivo, santo e agradável a Ele, no autêntico culto, na transformação e conversão de nossa maneira de pensar e julgar, não nos deixando moldar pela lógica do mundo, mas pela lógica do Evangelho, procurando sempre o que é agradável a Deus…

Na passagem do Evangelho (Mt 16,21-27), Jesus fez Seu primeiro anúncio da Paixão e Morte: o caminho da glória passa inevitavelmente pela Cruz, para além da compreensão de Pedro que recebeu de Jesus seríssima advertência, por não pensar como Deus: Afasta-te de mim Satanás…”. Quem quiser seguir Jesus deverá renunciar a si mesmo, tomar sua cruz e segui-Lo com coragem, fidelidade, ousadia, confiança, perseverança…

Deste modo, a verdadeira Oração não deve ser nunca para que Deus nos tire a cruz, que a reduza, tão pouco lamento estéril, angustiante. 

A verdadeira Oração é glorificar a Deus por Sua bondade, força, graça e ternura que nos acompanha dando possibilidade de poder carregá-la, transformando a cruz (aparente sinal de fracasso) em sinal de vitória. Cruz: loucura para os gregos, escândalo para os judeus (1 cf. 1 Cor 1,18-25).

De fato, Deus faz renascer a vida das cinzas (o maravilhoso ipê amarelo que neste tempo teimosamente desafia o cenário das cinzas e enfeita os campos com o esplendor de suas flores); faz nascer a imortal obra de arte de Beethoven para Elisa, nascida da experiência fracassada da mesma ao não conseguir tocar sua peça na frente de Beethoven.

Enfim, “quando o céu se torna escuridão pela privação da luz do sol, Deus acende as estrelas”, e o provérbio “no auge da noite se anuncia o nascer de um novo dia”

Sigamos em frente, tomemos livremente nossa cruz, saciados pelo Pão Nosso de cada dia. A cada dia suas preocupações, inquietações, desafios…

Oremos: 

“Pai nosso...

A Cruz e a Glória (XXIIDTCA)

                                                               

A Cruz e a Glória

“Prestai bem atenção às palavras que vou dizer:
O Filho do Homem vai ser entregue nas mãos dos homens” (Lc 8,44)

Senhor, ouvindo Tuas palavras, contemplo-Te caminhando entre os pobres e os pequenos, teus preferidos, rumo a Jerusalém, onde consumaste teu divino projeto de amor em favor de nós, amando-nos até o fim, na morte do Inocente, do justo na Cruz.

Senhor, antes, Te vejo caminhando no meio do povo, uma presença mansa, discreta. Portadora de bem, vida plena para todos, atraindo ódio daqueles que à Tua Palavra e anúncio do Reino se fecharam, porque incomodados em seus privilégios e interesses.

Senhor, ajudai-nos a Te ver além das aparências e dos entusiasmos fáceis, amando-Te por aquilo que és: verdadeiramente homem, verdadeiramente Deus, nosso Redentor, que nos chama para Te seguir, em fidelidade incondicional, com renúncias necessárias.

Senhor, afastai de nós toda a tentação de falsas esperanças de soluções fáceis diante das provações e dificuldades que possamos enfrentar, confiando em tua Palavra, que não engana e nos pede coragem e maturidade para o carregar da cruz cotidiana.

Senhor, afastai a tentação do desejo da glória da Ressurreição sem passar pelo Mistério da Cruz, e ensinai-nos a seguir Teus passos, e viver como viveste, em total fidelidade à vontade do Pai, entregando-Te nas mãos dos homens, Tu, que recebeste do Pai todo o poder.

Senhor, como membros de Tua Igreja, ajudai-nos a fortalecer os vínculos da comunhão fraterna, convictos que também no interior da vida da comunidade, o caminho da harmonia comunitária passa pela caridade e humildade; o caminho para a glória passa pela Cruz.

Senhor, enviai o Teu Espírito sobre nós, para que na fidelidade ao Teu Pai de amor, compreendamos melhor a missão que a nós confias, para que cristãos de fato sejamos, seguindo-Te primeiro nos sofrimentos e depois na glória. Amém.

Em poucas palavras... (XXIIDTCA)

                                                 


“O caminho desta perfeição passa pela cruz...”

“O caminho desta perfeição passa pela cruz. Não há santidade sem renúncia e combate espiritual (2 Tm 4). 

O progresso espiritual implica a ascese e a mortificação, que conduzem gradualmente a viver na paz e na alegria das Bem-Aventuranças: 

«Aquele que sobe, nunca mais para de ir de princípio em princípio, por princípios que não têm fim. Aquele que sobe nunca mais deixa de desejar aquilo que já conhece» (São Gregório de Nissa).” (1)

 

(1)        Catecismo da Igreja Católica – parágrafo n.2015

Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice (XXIIDTCA)

                                                           

Do Cálice à Missão, da Missão ao Cálice

Todos os dias são dias de missão, e a Igreja que vive no tempo é missionária, por sua natureza, tendo sua origem no Espírito Santo, o grande protagonista da Evangelização, na realização do Plano de Deus, sendo sal e luz de um mundo novo.

Viver a missão de cada dia é fortalecer a relação entre culto e vida: a vida celebra-se, o culto vive-se.

Cada tempo nos apresenta desafios e espaços próprios; segredos a serem descortinados; fronteiras a serem alcançadas; horizontes a serem ampliados.

Santo Agostinho, refletindo sobre a vida dos mártires, fala-nos do Cálice do Senhor: Cálice da paixão, amargo e salutar.

Dele bebeu Jesus, para que todos também dele pudéssemos beber, sem medo.

Beber do Cálice é, ao mesmo tempo, assumir a cruz, carregando-a em todos os momentos da vida.

Cruz que é Paixão e Vitória: Paixão porque nos desafia à entrega da vida, voluntariamente, em favor da vida plena; Vitória porque o diabo foi ferido, o mal e a morte foram vencidos.

Missão, Cálice e Cruz, Palavra de Deus e testemunho cotidiano são inseparáveis: É preciso viver missionariamente", como expressou uma Religiosa em um encontro.

A Missão vivida na família, no trabalho, economia, política, cultura, escolas e universidades, novos espaços dos meios de comunicação, na rua, no lazer e em todo e qualquer lugar.

A Missão pode ser uma saída para terras distantes e, ao mesmo tempo, a encarnação da Palavra, fermento e luz no mais profundo de nós mesmos.

Cada coração é campo próprio da missão, como chão da acolhida da Palavra de Deus. Missão lá distante, aqui e em todo o lugar...

Culto agradável a Deus deve repercutir no dia a dia, em gestos de amor e solidariedade: essência da Missão, por uma vida mais salutar, ainda que passe pela cruz...

Missão é a perfeita comunhão do Cálice da Vida para a Missão, da Missão para o Cálice.

PS: Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,35-45; Mt 20,17-28)

A Cruz e o Cálice (XXIIDTCA)

                                                      

A Cruz e o Cálice

Senhor, Vós quando chamastes os discípulos para Vos seguir, jamais ocultastes ou escondestes a realidade da Cruz.

Senhor, em todos os momentos, a Cruz transpareceu no âmago de Vossa Missão: na Apresentação no Templo, na Vossa Transfiguração no Monte Tabor, e em todos os momentos.

Senhor, seguir com coerência o Vosso chamado não é fácil, pois, às vezes, pede que paguemos um alto preço: o desprezo em vez de glória, o isolamento do último lugar, o mal como recompensa pelo bem cumprido.

Mas nem por isto, Vos deixaremos ou Vos abandonaremos. Queremos beber do Vosso Sagrado Cálice, revigorados pelo Alimento da Santa Eucaristia, a cruz carregando com coragem e ardor.

Senhor, não permitais que sejamos no mundo inimigos de Vossa cruz, com palavras, atos, pensamentos ou omissões, que não revelem Vossa luz e presença em nós, desde o dia memorável do Batismo.

Senhor, bebendo do Vosso Cálice Sagrado, queremos continuar firmes no bom combate da fé, renovando a sagrada esperança que anda de passos largos de mãos dadas com a caridade. Amém.


Fonte inspiradora: Lecionário Comentado - Volume Quaresma/Páscoa - Editora Paulus - Lisboa - pp. 119 e 120.
Passagem do Evangelho de Marcos (Mc 10,35-45; Mt 20,17-28)

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