quarta-feira, 22 de julho de 2026

“Ele Ressuscitou. Não está aqui.”

                                                         

“Ele Ressuscitou. Não está aqui.”

No primeiro dia da semana, ao nascer do sol, Maria Madalena e Maria, mãe de Tiago e Salomé, tendo comprado perfumes para a unção do corpo de Jesus, tiveram a grande surpresa da pedra muito grande do túmulo removida e apenas encontraram um jovem que assim falou:

Não vos assusteis! Vós procurais Jesus de Nazaré que foi crucificado? Ele Ressuscitou. Não está aqui. Vede o lugar onde O puseram. Ide, dizei a seus discípulos e a Pedro que Ele irá à vossa frente, na Galileia. Lá O vereis, como Ele mesmo tinha dito” (Mc 16,6-7).

Tendo vivenciado, com empenho e intensidade, o itinerário Quaresmal, e ressoando a Boa-Nova contemplada na proclamação da Vigília Pascal, demos os primeiros passos para o novo itinerário Pascal, na preparação da grande Festa de Pentecostes, o nascimento da Igreja e a comunicação do dom do Espírito Santo, que a conduz com os sete dons.

Voltemo-nos à Palavra dirigida àquelas mulheres no mais belo e radiante amanhecer: “Ele Ressuscitou. Não está aqui”

Não está morto e inerte no túmulo. Não ficaria morto e derrotado Aquele que nos amou até o fim. 

A escuridão experimentada pela morte de Jesus foi transformada na mais plena e perfeita luminosidade: a luz do Ressuscitado, que ilumina os caminhos sombrios da história.

“pedra muito grande” do túmulo foi removida, ou seja, nada pode impedir a ação de Deus vivo e verdadeiro, que não abandonou Seu Filho, mas O ressuscitou, glorificando-O, e fazendo com que Ele se sentasse à Sua direita, para reinar sobre todos os povos, em todos os tempos: Juiz dos vivos e dos mortos.

Tendo ressuscitado, confia-nos a continuidade de Sua missão; tendo passado pela morte, em amor intenso e imenso por nós, agora vive junto do Pai, e está presente em nosso meio com o envio do Seu Espírito, que nos assiste nesta divina missão.

Vivamos o Tempo Pascal como tempo do transbordamento da alegria que se percebeu em nosso coração ao celebrarmos o Sábado Santo e o Domingo da Páscoa: o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de nossa vida, é o vencedor.

Que a nossa alegria seja percebida do mesmo modo como os discípulos se manifestaram ao sentir a presença do Ressuscitado. Como os apóstolos, Pedro e o discípulo que Jesus amava, corramos ao encontro da Boa Notícia: o Senhor Ressuscitou. 

Quem O ama, corre ao seu encontro, vê os sinais de Sua Ressurreição e acredita. Acreditando, anuncia e testemunha, esforçando-se em buscar as coisas do alto onde Ele habita gloriosamente, sentado à direita de Deus (Cl 3,1-2).

Não houvesse Jesus Ressuscitado, vazia seria nossa pregação, ilusória seria a nossa fé, seríamos falsas testemunhas de Deus, como afirmou o Apóstolo Paulo (1 Cor 15,14-15).

“Ele Ressuscitou. Não está aqui”: Este acontecimento mudou o rumo da história. 

Agora é o nosso tempo, tempo de missão, de fazer o mesmo caminho que fizeram as primeiras testemunhas do Ressuscitado: comunicar Sua Palavra, para a Páscoa de um mundo marcado pela tristeza, desânimo, medo, violência, e outros tantos sinais de morte, para a alegria transbordante, à esperança, à coragem, à paz e à vida plena.

Sejamos, pois, sinais de Sua presença viva, em todos os âmbitos de nossa vida. Aleluia! Aleluia!

Mistério de escuridão e luz

                                                         


Mistério de escuridão e luz
 
“No primeiro dia da semana, Maria Madalena
 foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada,
 quando ainda estava escuro, e viu que a
pedra tinha sido retirada do túmulo” (Jo 20,1)
 
Maria Madalena viu a pedra removida e, aos poucos, a Boa Nova da Ressurreição vai aquecer e iluminar seu coração, assim como o coração dos discípulos, que vão testemunhar o glorioso acontecimento que mudou o rumo da história e a condição da humanidade para sempre.
 
A escuridão da noite cedeu à luminosidade de um novo dia, o primeiro dia da semana, “Por que estais procurando entre os mortos Aquele que está vivo? Ele não está aqui. Ressuscitou! Lembrai-vos do que Ele vos falou quando ainda estava na Galileia” (Lc 24,5-6).
 
Ressurreição do Senhor, duelaram o ódio e o amor, a impotência da condição humana e a onipotência do amor divino, no Mistério da agonia, Paixão e Morte crudelíssima do Senhor na Cruz - “Deus amou tanto o mundo que nos deu o Seu Filho para que quem n’Ele crê não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). 
 
A tenebrosa e tétrica escuridão da crueldade e morte do Justo, cedeu ao esplendor da luz da Ressurreição, d’Aquele que tendo nos amado, não poderia morto para sempre ficar, a fim de nos redimir pelo Sangue derramado, na fidelidade ao Pai, jamais abandonado, amado.
 
Não poderiam vencer os vorazes e atrozes inimigos do Redentor, da Luz que Veio para o que era Seu, e os Seus não O receberam. Mas, a todos que O receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que creem em Seu nome” (Jo 1,11-12).
 
Nem todas as luzes das velas, candeias e estrelas serão o bastante para resplandecer a luz que ilumina nossos caminhos, como Ele mesmo dissera – “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue não andará nas trevas, mas terá a luz da vida’ (Jo 8,12).
 
Por vezes, caminhamos quando ainda está escuro a procura de uma luz para situações obscuras, procurando manter aceso o fogo sob as cinzas das verdades que passam, com ânsias da verdade que jamais passa, a Verdade que é Ele próprio, que uma vez conhecida nos faz livres (Jo 8,32).
 
Não há nada que nos amedronte a ponto de nos fazer submergir, devorando a coragem para enfrentar os ventos das contrariedades presentes na história em todos os seus âmbitos: – “Eu vos disse tais coisas para terdes paz em mim. No mundo tereis tribulações, mas tende coragem: Eu venci o mundo!” (Jo 16,33).
 
Não há escuridão que seja para sempre, também os santos tiveram suas “Noites Escuras”, na inquieta procura sedenta e inquieta de Deus, a fim de que a luz dos olhos jamais se apague e as palavras nos lábios, de louvor, encantamento, apaixonamento pelo Senhor aos céus elevadas.
 
Trevas e luz...
Depois da escuridão da noite, a madrugada da Ressurreição.
“A Vida venceu a morte. Aleluia.
Ressuscitou como disse. Aleluia!”

Eucaristia: A força de que tanto precisamos…

                                                         

Eucaristia: A força de que tanto precisamos…

Vida: mistério de alegria e dor, angústia e esperança. 
Morte: mistério que nos desafia e nos acompanha,.
Não só na maturidade, medo presença no coração da criança. 
Morte e Vida, Vida e Morte, duelo de força tamanha.

Nascimento de uma criança, obra do Deus da vida,
Seu crescimento: um Projeto que se realiza. 
Intimidade, amizade divina sempre amadurecida,
Que mais a criatura aberta ao Criador precisa?

Enfermidades, dificuldades, obstáculos, fracassos, corrupções,
Ausências, carências, demências que às vezes nos rodeiam,
Objetivos não alcançados, horizontes estreitados, decepções, 
Êxitos alcançados, certezas na vida que nos norteiam.

Para que a vida não seja apenas um mero existir, 
E tão pouco, para sempre, um fardo  a carregar.
Uma causa boa para morrer é preciso descobrir, 
Por esta mesma causa, na vida, com alegria se entregar.

Força, luz, princípio, impulso a humanidade contemplou:
A Vida Nova irradiada na Madrugada da Ressurreição. 
O Verbo que Se Encarnara, na Cruz morrera: Ressuscitou
E o Amor vivido até o fim tornou-se força e motivação.

A Ressurreição, força dos pobres em espírito, 
Que somente em Deus se entregam e confiam;
Sonham, lutam de coração simples e contrito. 
Ressurreição que os horizontes ampliam.

Assim como a Ressurreição é a força dos pobres, em Deus tementes, 
A vida dos pobres é nas mãos de Deus Sua força evangelizadora. 
Com pescadores, pecadores humildes, lançou as primeiras sementes, 
Do anúncio da Boa Nova, a comunidade se fez portadora.

Há uma força que no Evangelho, rezamos e contemplamos (Lc 8,1-3) 
Maria Madalena, Joana, Suzana, por Jesus chamadas,
Muitas outras mulheres, excluídas da religião do templo, 
Mas por Jesus acolhidas, amadas, valorizadas e reintegradas...

Boa Nova da Ressurreição, força que nos sustenta. 
Que é a âncora para quem da vida não foge e se compromete;
Força que misteriosamente nos revigora e alimenta,
Vitória certa porque Deus cumpre o que ao crente promete.

A fé na Ressurreição não é saudosismo inútil do paraíso. 
Fé na Ressurreição é o alargamento de horizontes.
Sim, alargar horizontes e com o Reino revigorar compromissos,
Por amor à humanidade edificar novas pontes.

No silêncio da inesquecível madrugada se anunciou, 
Que foram vencidas as horríveis trevas do pecado,
E da mansão dos mortos, por amor nos resgatou, 
Para que de todas correntes fôssemos libertados.

Contemplemos o duelo na Cruz em favor da vida, 
Naquela Arvore da vida o paraíso foi reaberto,
O inferno derrotado, diabo ferido, morte vencida,
Prisões dos infernos arrebentadas, estejamos certos.

Contemplemos o lado do Crucificado e Ressuscitado, 
Do qual Sangue e Água abundantes jorraram, 
Para que o mundo, do pecado, fosse lavado e recriado. 
E mais: Nascimento e Alimento de Seu coração brotaram!

Na madrugada da Ressurreição somente o silêncio viu a vida vencer a morte. 
À toda humanidade se conferiu nova aurora de alegria e esperança; 
A maldade, pecado, condenação e Cruz foram caladas, o amor falou mais forte, 
Naquela aurora se anunciou em quem devemos colocar nossa confiança.

Não houvesse Cristo Ressuscitado, nossa fé seria nula e vazia. 
Amor, verdade, justiça e paz discursos nada convincentes,
Evangelho palavra morta, vida sem luz, música sem melodia,
Suas testemunhas inexistentes, no vale de morte padecentes.

Ressurreição: de Deus é a Palavra última que se ouviu. 
Jesus que ao fundo da miséria humana desceu porque morreu, 
Porta para a eternidade à humanidade reabriu. 
À direita do Pai, com e no Espírito, a Vida a Morte Venceu!

No eterno encontro amoroso da Trindade Santa, 
Há algo que ressoa em nosso íntimo mais profundo,
Com os anjos e arcanjos toda humanidade canta, 
O Amor que nos amou até o fim é a Salvação do mundo.


PS: Texto inspirador da música “A força de que tanto precisamos” do CD Suave Brisa Divina.

O mais belo amanhecer

                                                               

O mais belo amanhecer

Quantos amanheceres já pudemos contemplar, e quantos ainda poderemos? Mas não há amanhecer como aquele que Maria Madalena viveu, quando ainda era escuro, na madrugada da Ressurreição do Senhor.

A partir daquele amanhecer, iniciou-se o novo tempo, o tempo do anúncio e do testemunho da mais bela Notícia que o mundo possa ouvir, a Ressurreição de Jesus: vive para sempre Aquele que fora morto (Jo 20, 11-18).

Como seria o diálogo de um discípulo (um entre tantos seguidores de Jesus da época), sedento da Vida Nova que o Cristo Ressuscitado nos alcançou, e que desejasse descobrir, de Maria Madalena, a mais bela Notícia, uma vez que ela foi a primeira a testemunhá-la?

Discípulo: Maria o que foste fazer no túmulo de Jesus?
Maria Madalena: fui apenas para estar com Ele, ainda que estivesse morto, mesmo que tivesse que buscá-lo, onde quer que O tivessem colocado. Chorei, inicialmente, porque não havia encontrado o Seu Corpo.

Discípulo: O que faria para encontrá-Lo?
Maria Madalena: Estaria disposta a qualquer sacrifício para realizar o meu desejo, mas se as pessoas corresponderem ao Amor de Deus, tanto mais Deus corresponde e corresponderá ao amor da humanidade.

Discípulo: Mas você O encontrou?
Maria Madalena: Sim. Recebi a grande recompensa por tê-Lo amado. Fiz a grande experiência do encontro pessoal com o Ressuscitado, e anunciei a quantos pude esta experiência que me trouxe uma alegria imensurável e indescritível, e que o mundo inteiro não poderia me oferecer e tão pouco conter.

Discípulo: Como os discípulos reagiram ao seu anúncio?
Maria Madalena: A Notícia da Ressurreição do Senhor foi uma surpresa para os discípulos. Embora Ele os houvesse alertado, a Notícia os pegou desprevenidos, por isto a sensação desencontrada de temor e alegria.

Discípulo: Mas porque estas sensações?
Maria Madalena: Temor, porque se tratava de avizinhar-se do mundo dos mortos, e as Escrituras proibiam, terminantemente, qualquer prática deste tipo. Alegria, porque renascia a esperança de se reencontrarem com o Amigo querido, que havia sido crucificado, crudelíssima e injustamente. Quanto sofrimento! Que dor indescritível Ele sofreu e nós com Ele.

Discípulo: E o que aconteceu após comunicar aos discípulos o fato acontecido?
Maria Madalena: Foram ao túmulo, Pedro e o discípulo que Jesus amava, e confirmaram o que eu havia dito. O último, embora chegando primeiro, entrou depois, “Viu e Acreditou”. E, assim, foi o início de uma missão que haveria de varar os séculos e se espalhar pelo mundo inteiro.

Discípulo: Então, em que consiste a Ressurreição de Jesus para você e para a Igreja?
Maria Madalena: Constitui o âmago do anúncio evangélico, confiado como missão aos discípulos, quando Ele mesmo comunicou com a Sua presença, colocando-Se no meio deles (reunidos com medo dos judeus), dando o Sopro do Espírito e os enviando a perdoar ou os pecadores reter, como bem descreveu o Evangelista (Jo 20,19-31).

Discípulo: Então, não foi nada fácil para os discípulos e para você o início da Missão?
Maria Madalena: De fato, não. Tivemos que superar todo medo, e só foi possível porque não se consegue conservar apenas para si esta experiência que vivemos. Ela provocou uma reviravolta em nossa existência.

Discípulo: A Ressurreição do Senhor deu a você e aos discípulos uma nova perspectiva de vida?
Maria Madalena: Sem dúvida, porque Jesus Ressuscitou, vale a pena viver, apesar das derrotas e dos fracassos, uma vez que Ele Se tornou penhor de vida e esperança. É preciso sempre anunciar isto ao mundo!

Saindo do diálogo imaginário:

É missão de todos nós, batizados, ser um sinal vivo do Ressuscitado no mundo. Alegres e convictas testemunhas com a mais bela missão de ser sal da terra, luz do mundo, fermento na massa.

Oportunas são as palavras extraídas da “Carta a Diogneto” (escrita no séc. III): "Quando entregues à morte, são vivificados. Na pobreza enriquecem a muitos... São desprezados, mas, no meio de desonras, sentem-se glorificados". E finalmente: "Para resumir numa palavra: o que é a alma no corpo, são os cristãos no mundo".

Como Pascais que somos, cremos que cada dia, em cada amanhecer, nasce a Vida, a Força, a Graça e a Luz do Ressuscitado que nos acompanha, iluminando a “noite escura de nossa alma”.   Aleluia! Aleluia!

A linfa vital

                                                     

A linfa vital

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital...

Senhor, sinto correr em mim a Vossa linfa vital,
Que me fortalece em qualquer circunstância,
Pois sinto mais do que perto Vossa presença, 
Saciando a minha alma de amor, eterna ânsia.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais sinto o Vosso Amor, carinho, ternura, bondade.
Mais sinto que as barreiras podem ser rompidas
Dando-me vida presente, acenando à eternidade.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais fome de Vossa Palavra, lida, meditada, contemplada,
Maior compromisso com a Boa Nova do Vosso Reino
Pela Palavra vivida, anunciada e,  com ardor, testemunhada.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais fome do Pão da Eucaristia, do Cálice da eternidade,
Porque sois Pão da vida, descido do céu, Pão que a alma  sacia,
Antídoto contra o pecado, remédio de imortalidade.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais intensa se torna por Vós minha paixão e amor,
Menos possibilidade do rancor, orgulho, vaidade.
Sois meu tudo, eu Vosso nada ainda, Amado Senhor!

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Em minhas noites escuras sinto Vossa luz resplandecer.
Ó Senhor, não anda nas trevas quem convosco caminha,
Desde aquela Notícia que Maria Madalena anunciou ao amanhecer.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Maior desejo de permanecer em Vós, fidelidade até o fim.
Mais coragem tenho para as necessárias “podas”,
Para que não me afaste de Vós, porque Vós nunca de mim!

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital,
Mais impressos no coração ficam Vossos Mandamentos.
Com a força e presença do Vosso Santo Espírito,
Ajudai-me a dar o pleno e desejável cumprimento.

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital, Sangue divinal.

Mais sede e fome de Vós e, como os discípulos, ponho-me a suplicar:

“fica comigo, Senhor, pois já é tarde, o dia declina, sentai comigo, Senhor. Fazei arder meu coração, abra meus olhos para Vossa presença contemplar!”

Quanto mais sinto correr em mim Vossa linfa vital...


PS: Apropriado para a passagem do Evangelho de São João (Jo 15,1-8) e na Festa de Santa Maria Madalena, Apóstola dos Apóstolos.

Uma saudação que nos fortalece

                                                       

Uma saudação que nos fortalece

Retomemos a saudação do Apóstolo Paulo a Timóteo em sua Primeira Segunda Carta a Timóteo (1 Tm 1, 1-2.12-14):

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Na saudação são explicitadas três palavras:

“Ao filho Timóteo, que ele gerou na fé e com o qual partilha o ministério, Paulo augura que possa experimentar a ‘graça’, ou seja a presença do Espírito, infundido pelo Pai e pelo Filho; a ‘misericórdia’, isto, é o perdão de Deus (só nas Cartas a Timóteo é que Paulo augura também a misericórdia); a ‘paz’, ou seja, a reconciliação com Deus, consigo mesmo, com o seu serviço, com os irmãos e com o mundo” (1)

A saudação Paulina “Graça, misericórdia e paz”  pode ser repetida por nós a quantos pudermos, pois todos precisamos da:

- Graça que nos vem pelo Espírito que em nós habita;

- Misericórdia, porque imperfeitos, pecadores, consequentemente, o somos, e colocamos nossa miséria nas mãos de Deus que nos ama e nos perdoa e nos faz uma nova criatura, e por fim, somos plenificados pela paz;

- Paz - “shalon”, plenitude de bens e dons, pela gloriosa presença do Ressuscitado em nosso meio, que conosco caminha, desde aquela aurora, em que se manifestou o Sol Nascente a Maria Madalena e aos primeiros Apóstolos.

Como é bom ouvirmos de nossos irmãos e irmãs a mesma saudação: “graça, misericórdia e paz”, para que nossa vida cristã esteja inteiramente situada entre a experiência da misericórdia de Deus por nós, que somos pecadores, e a solicitude misericordiosa pelos nossos irmãos, como expressão de quem foi amado e perdoado por Deus, que espera o mesmo de cada um de nós em relação ao nosso próximo.

Desejo a você, portanto, “graça, misericórdia e paz”, hoje e sempre. Amém.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa -  p.322 

Procura, reconhecimento e Missão

                                                          

Procura, reconhecimento e Missão

Ele Vive! Aleluia!

Reflexão à luz da passagem que Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus Se encontrava morto, para chorar a Sua ausência (Jo 20,11-18).

Neste relato, encontramos uma tríplice dimensão das narrativas de aparições: iniciativa, reconhecimento e missão.

Maria Madalena procura um morto. Entretanto, o reconhecimento do Ressuscitado não se dá no mero encontro com Jesus, que ainda permanece desconhecido, o encontro acontece quando Sua presença se torna apelo "pessoal", quando Ele a chama pelo nome: "Maria!".

Iluminadora a citação do Lecionário Comentado:

Nesta página evangélica Maria Madalena passa da condição inicial de imobilidade e de choro junto do sepulcro, para jubiloso movimento conclusivo com o qual anuncia aos discípulos a sua experiência do Ressuscitado... A estada de Maria junto do sepulcro é o sinal do seu apego a Jesus, e o seu pranto é determinado pela ausência do corpo do Mestre no túmulo” (1).

Somente quando ela faz o gesto de deter Jesus, temos a revelação do pleno sentido do acontecimento: a volta de Jesus ao Pai e a investidura para a missão do anúncio aos irmãos. Da iniciativa ao reconhecimento, do reconhecimento à missão!

O propósito do Evangelista é levar-nos a compreender o novo modo de presença do Senhor, bem como um o novo modo de entrar em contato com Ele; e também, indicar-nos 
o novo modo de presença do Senhor entre nós, funda-se a Seu novo modo de "estar com o Pai", glorioso, ainda que não tenha subido para junto do Pai (v. 17):

“Maria não deve deter Jesus, como se Ele tivesse regressado à vida terrena. O Filho, pelo contrário, entrara na comunhão com o Pai, e ela é enviada a anunciar que esta comunhão é oferecida também aos discípulos. A estes Maria proclama agora a sua fé: ‘Vi o Senhor’ e leva-lhes a mensagem Pascal” .(2)

Sendo nossa fé Pascal, é tempo de exultarmos de alegria, porque a tristeza, o desânimo e o medo cederam lugar à alegria, à esperança e à coragem.

Com as forças renovadas no Mistério Pascal celebrado, tornamo-nos alegres testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado, renovando compromissos com uma humanidade nova, pacificadora e justa.

É Páscoa! Ele caminha conosco, vivo e vitorioso. Prantos e lamentos haverão de dar lugar, em nosso coração, à alegria, à exultação, e palavras trocadas de mútua ajuda, para que jamais recuemos na fé.

De fato, a Páscoa do Senhor não dispensa nossos compromissos batismais, antes, são renovados e fortalecidos.

Aprendamos com Maria Madalena a passar da procura ao reconhecimento, e deste à Missão de testemunhar que Ele Vive, Ele Reina. Eis a nossa Missão! Aleluia! Aleluia!

PS: Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 338-339
(1)  Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p. 378.
(2)  idem - p. 379.

Quem sou eu

Minha foto
4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG