quarta-feira, 22 de julho de 2026

“Graça, misericórdia e paz”

                                                   

“Graça, misericórdia e paz”

Reflexão à luz da passagem da Carta do Apóstolo Paulo a Timóteo (1 Tm 1, 1-2.12-14).

Retomo os dois primeiros versículos:

Paulo, apóstolo de Cristo Jesus, por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus nossa esperança, a Timóteo, verdadeiro filho na fé: a graça, a misericórdia e a paz de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor”.

Sobre estes versículos, o Lecionário Comentado nos enriquece com estas palavras:

“Ao filho Timóteo, que ele gerou na fé e com o qual partilha o ministério, Paulo augura que possa experimentar a ‘graça’, ou seja a presença do Espírito, infundido pelo Pai e pelo Filho; a ‘misericórdia’, isto, é o perdão de Deus (só nas Cartas a Timóteo é que Paulo augura também a misericórdia); a ‘’paz’, ou seja, a reconciliação com Deus, consigo mesmo, com o seu serviço, com os irmãos e com o mundo” (1)

Esta saudação Paulina pode ser repetida por nós a quantos pudermos: “Graça, misericórdia e paz”, pois todos precisamos da graça que nos vem pelo Espírito que em nós habita; da misericórdia, porque imperfeitos que somos, pecadores consequentemente o somos, e colocamos nossa miséria nas mãos de Deus que nos ama e nos perdoa e nos faz uma nova criatura, e por fim, somos plenificados pela paz, pelo “shalon”, plenitude de bens e dons, pela gloriosa presença do Ressuscitado em nosso meio, que conosco caminha, desde aquela aurora, em que se manifestou o Sol Nascente a Maria Madalena e aos primeiros Apóstolos.

Que também possamos ouvir de nossos irmãos e irmãs a mesma saudação: “graça, misericórdia e paz”, para que nossa vida cristã esteja inteiramente situada entre a experiência da misericórdia de Deus por nós, que somos pecadores, e a solicitude misericordiosa pelos nossos irmãos e irmãs, como expressão de quem foi amado e perdoado por Deus, que espera o mesmo de cada um de nós em relação ao nosso próximo.


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - p.322
PS: Apropriado para a passagem - 2Tm 1,1-3.6-12

Em poucas palavras...

                      


Prefácio da Festa de Santa Maria Madalena

“Na verdade, é digno e justo, é nosso dever e salvação louvar-vos em tudo, ó Pai onipotente, cuja misericórdia não é menor que o poder, por Cristo, Senhor nosso.

No jardim, Jesus se manifestou visivelmente a Maria Madalena, que tanto o tinha amado enquanto ele vivia na terra. Ela presenciou sua morte na cruz e, depois de tê-lo procurado no sepulcro, foi a primeira a adorá-lo ressuscitado dos mortos.

Para que a boa notícia da vida nova chegasse até os confins da terra, ela foi honrada com a missão de Apóstola dos Apóstolos...” (1)

 

(1) Prefácio da Festa de Santa Maria Madalena - 22 de julho

Santa Maria Madalena, privilegiada testemunha do Ressuscitado

                                                        

Santa Maria Madalena, privilegiada testemunha do Ressuscitado

Quem tu és, Maria Madalena?

Sou aquela da qual Jesus expulsou sete demônios, como falaram os Evangelistas Marcos e Lucas (Mc 16,9; Lc 8,2). Crendo n’Ele e em Sua Palavra, desde então me senti liberta das amarras do pecado, porque em Seu coração encontrei acolhida, afeto, ternura, e somente Ele tem a Palavra que liberta, porque, de fato, é para a liberdade que Ele nos libertou, e somente Ele tem Palavra de vida eterna, assim como afirmaram os Apóstolos Paulo e Pedro, respectivamente.

Erroneamente, identificam-me com a pecadora que Lucas menciona (Lc 7, 36-50). Ela teve a graça de ungir os pés de Jesus, secá-los com seus cabelos, beijar Seus pés, além de ter recebido do Senhor o perdão de seus pecados, porque muito O amou, como Ele próprio explicitou na casa de Simão.

Quando caminhava com Jesus, eu e outras mulheres garantíamos os bens necessários para que Ele e Seus discípulos pudessem realizar a missão do anúncio da Boa-Nova.

Fui testemunha de Sua crucifixão, como falaram os Evangelistas (Mt 27,61; Mc 15,40; Jo 19,25), assim como do Seu sepultamento (Mt 28,1-10; Mc 16,1-8; Lc 24,10).

Finalmente, tive a graça de contemplá-Lo Ressuscitado (Mc 16,9; Jo 20,1-18). Confesso que fui à espera de encontrar o corpo de Jesus, como fora posto, mas qual surpresa não tê-Lo encontrado.

Quando inclinei para o interior do sepulcro, vi dois anjos vestidos de branco, sentados exatamente no lugar em que o corpo d’Ele fora colocado, sendo um à cabeceira e o outro aos pés.

Perguntaram-me a razão do meu choro, e respondi imediatamente: “Porque levaram o meu Senhor e não sei onde O puseram!” (Jo 20,13).

Não sabia que foi o próprio Jesus que me perguntou – “Mulher, por que choras? A quem procuras?”.

Confesso que O confundi com um jardineiro e lhe disse – “Senhor, se foste tu que o levaste, dize-me onde o puseste e eu o irei buscar!” (Jo 20, 15).

Mas naquele momento, Ele me chamou pelo nome –“Maria”. Imediatamente reconheci Sua voz que estava nas entranhas de minha alma, porque Ele era o Senhor de minha vida. Imediatamente respondi –“Rabbuni!”, que quer dizer “Mestre”.

Em seguida, falou de Sua volta gloriosa ao Pai para ficar conosco para sempre, e me enviou para anunciar aos discípulos, e assim o fiz: –“Vi o Senhor” e tudo o que Ele disse.

Antes d’Ele morrer, quando com Ele estava lado a lado, Sua presença e Palavra nos faziam voar mais alto, na busca das coisas divinas, onde o Seu Pai e nosso Pai de Amor, de que falava, habitava, e isto era possível porque não estava só, o Espírito Santo com Ele estava, em todos os momentos, em todo o Seu agir.

Também nos fazia correr ao encontro da meta do Reino, pelo qual a vida entregou. Corríamos incansavelmente, certos de que era possível alcançar, pois acreditávamos em Suas palavras, críamos piamente no que anunciava, e não apenas, já antecipava. Com Ele, vimos os sinais do Reino acontecendo: pobres sendo evangelizados, a vista devolvida aos cegos, coxos libertos, leprosos curados, mortos ressuscitados e muito mais...

Também com Ele caminhávamos, com os pés no chão, com passos largos e firmes. Sabíamos de onde vínhamos e para onde íamos. Caminhávamos com segurança, pois sabíamos em quem a confiança depositávamos.

E quando não caminhávamos, com Ele nos retirávamos para a  meditação, o recolhimento, o silêncio, e para as forças refazer, porque árdua era a missão. Mas não reclamávamos, porque é próprio de quem ama, tudo fazer com alegria, pois sabe que cada palavra e gesto é uma semente que cai, morre e frutos saborosos e abundantes produz.

Com Ele, ainda que rastejando por um instante, como O vi, carregando a Cruz, aprendemos que é para frente que se caminha, sem jamais recuar; a fé viva e ativa mantendo, porque a âncora da esperança é Ele mesmo, e não desiste quem por Ele um dia sentiu-se acolhido, envolvido e amado.

E agora, Ele está Vivo! Meu Senhor e meu Deus, como Tomé o disse. Ele continua presente em nosso meio, sentimos Sua presença de modo especialíssimo quando nosso coração arde ao ouvir a Sua Palavra; no Banquete da Eucaristia, no Pão e no Vinho, Seu Corpo e Seu Sangue, são partilhados: Alimento Salutar que nos fortalece e nos inebria.

Continuamos sempre em frente. Há um mundo sedento de Sua Palavra. Há muitos que não O conhecem e precisam conhecê-Lo. Há “Marias Madalenas” a serem libertas de sete espíritos que roubam sua alegria, vida, liberdade.

O mundo marcado ainda pelas nódoas do pecado, da ambição, da corrupção, do desânimo, da tristeza, da violência e da morte, precisa ser transformado. E isto é possível, desde que não desistamos da missão que Ele nos confiou.

Ele voltou para junto do Pai para ficar para sempre conosco, e temos certeza de Sua presença, pois podemos senti-La, anunciá-La e testemunhá-La.

Quem por Ele se sentiu amado, é n’Ele e com Ele uma nova criatura. Amado para amar, acolhido para ser enviado a quem precisa ser amado e também enviado. Eis a missão que nos confiou o meu amado, Jesus, Aquele que vive e Reina; a quem damos toda honra, glória, poder e louvor. Amém. Aleluia.

Em poucas palavras...

                                        


Santa Maria Madalena, a Apóstola dos Apóstolos

“Ó Deus, o vosso Filho Unigênito confiou a Maria Madalena a missão de ser a primeira a anunciar a alegria pascal; concedei, nós vos pedimos, por sua intercessão e exemplo, proclamar que Cristo ressuscitou e contemplá-lo no seu Reino glorioso. Ele, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.”  (1)

 

 

(1) Oração da Coleta - Missa da Festa de Santa Maria Madalena

Maria Madalena, amiga e testemunha do Senhor

                                                    

Maria Madalena, amiga e testemunha do Senhor

Ele Vive! Aleluia!

No dia 22 de julho, celebramos a Festa de Santa Maria Madalena e ouvimos na Proclamação do Evangelho, a passagem do Evangelho de São João (Jo 20,1-2.11-18), em que Maria Madalena vai ao túmulo onde Jesus Se encontrava morto, para chorar a Sua ausência.

Neste relato, encontramos uma tríplice dimensão das narrativas de aparições: iniciativa, reconhecimento e missão.

Madalena procura um morto. Entretanto, o conhecimento do Ressuscitado não se dá no mero encontro com Jesus, que ainda permanece desconhecido, o encontro acontece quando Sua presença se torna apelo "pessoal": Maria!

Iluminadora a citação do Lecionário comentado:

Nesta página evangélica Maria Madalena passa da condição inicial de imobilidade e de choro junto do sepulcro, para jubiloso movimento conclusivo com o qual anuncia aos discípulos a sua experiência do Ressuscitado...

A estada de Maria junto do sepulcro é o sinal do seu apego a Jesus, e o seu pranto é determinado pela ausência do corpo do Mestre no túmulo” (1)

Somente quando ela faz o gesto de deter Jesus, temos a revelação do pleno sentido do acontecimento: a volta de Jesus ao Pai e a investidura para a missão do anúncio aos irmãos. Da iniciativa ao reconhecimento, do reconhecimento à missão!

O propósito do Evangelista é levar-nos a compreender o novo modo de presença do Senhor, bem como um o novo modo de entrar em contato com Ele.

Também tem o claro propósito de nos indicar que o novo modo de presença do Senhor entre nós, funda-se a Seu novo modo de "estar com o Pai", glorioso, ainda que não tenha subido para junto do Pai (v. 17):

“Maria não deve deter Jesus, como se Ele tivesse regressado à vida terrena. O Filho, pelo contrário, entrara na comunhão com o Pai, e ela é enviada a anunciar que esta comunhão é oferecida também aos discípulos.

A estes Maria proclama agora a sua fé: ‘Vi o Senhor’ e leva-lhes a mensagem Pascal'” (2)

Sendo nossa fé Pascal, é sempre tempo de exultarmos de alegria, porque a tristeza, o desânimo e o medo cederam lugar à alegria, à esperança e à coragem.

Urge que sejamos alegres testemunhas de Jesus Cristo Ressuscitado, renovando compromissos com uma humanidade nova, pacificadora e justa.

Redescubramos sempre a presença do Ressuscitado que caminha conosco, vivo e vitorioso. Prantos e lamentos não ocuparão lugar, em nosso coração, cedendo lugar para a alegria, a exultação.

Trocaremos palavras e gestos de mútua ajuda, para que jamais recuemos na fé, e assim renovemos nossos sagrados compromissos batismais.

Aprendamos com Maria Madalena a passar da procura ao reconhecimento, e deste à missão de testemunhar que Ele Vive, Ele Reina. Eis a nossa missão!


PS: Fonte de pesquisa: Missal Cotidiano - Editora Paulus - pp. 338-339
(1)          Lecionário Comentado - Volume Tempo Comum - Editora Paulus - Lisboa - p. 378.
(2)         idem - p. 379.

Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

                                                              


Santa Maria Madalena: “Apóstola dos Apóstolos”

Na Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, escrita pelo Papa São João Paulo II (15/08/1988), na Solenidade da Assunção de Maria Santíssima, há uma menção à Santa Maria Madalena que ora retomamos, quando ouvimos a passagem do Evangelho em que ela tem papel fundamental como testemunha da Ressurreição do Senhor.

De fato, as mulheres são as primeiras testemunhas da Ressurreição, como vemos nas passagens dos Evangelhos: Mt 28,1-10; Lc 24,8-11; Jo 20,16-18.

Maria Madalena, é chamada de a “Apóstola dos Apóstolos”, segundo Santo Tomás de Aquino (séc XIII).

“Por isso ela é chamada também ‘a apóstola dos apóstolos’ Maria Madalena foi a testemunha ocular do Cristo ressuscitado antes dos Apóstolos e, por essa razão, foi também a primeira a dar-lhe testemunho diante dos apóstolos.

Este acontecimento, em certo sentido, coroa tudo o que foi dito em precedência sobre o ato de Cristo de confiar as verdades divinas às mulheres, de igual maneira que aos homens” (1).

A exemplo de Maria Madalena, que se pôs a caminho para comunicar a mais bela notícia, a Ressurreição do Senhor, assim também o façamos, sem demora.

Glorifiquemos a Deus, também, pelo protagonismos feminino na missão evangelizadora da Igreja, acompanhado de nossas orações.

Oremos:

“Ó Deus, o Vosso filho confiou à Maria Madalena o primeiro anúncio da alegria Pascal; dai-nos, por suas preces e a seu exemplo, anunciar também que o Cristo vive e contemplá-Lo na glória de Seu Reino. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, na unidade do Espírito Santo. Amém.”


(1) Carta Apostólica “Mulieris Dignitatem”, n. 16 - Papa São João Paulo II (15/08/1988)

O Amor divino nos acompanha na missão profética

                                                                    

O Amor divino nos acompanha na missão profética

Na primeira Leitura da quarta-feira da 16ª Semana do Tempo Comum (ano par), ouvimos a passagem do Livro do Profeta Jeremias (Jr 1,1.4-10).

Oportuna para refletirmos em que consiste hoje a missão da Igreja, na fidelidade a Jesus e à missão que Ele nos confiou sob a ação do mesmo Espírito, que pousou sobre Ele e O acompanhou em todos os momentos na fidelidade ao Pai.

Nesta missão, como discípulos missionários, vivendo a vocação profética pelo Batismo, podemos viver experiências difíceis como perseguições, incompreensões, obstáculos a serem transpostos, mas o amor ágape fala sempre mais alto.

É o que vemos ao refletir sobre a vocação do Profeta Jeremias:  contemplamos a figura do Profeta Jeremias que foi escolhido, consagrado e constituído Profeta por Deus.

Como os demais Profetas, trilhou um árduo caminho de sofrimento, solidão, risco por possuir uma consciência crítica, ser defensor da verdadeira paz, nutrir a verdadeira esperança e confiança na defesa dos pobres, tudo fazendo por amor.

O Profeta é por excelência alguém que se encontrou com Deus e Sua Palavra e aceitou viver o desígnio divino. Ninguém é Profeta por iniciativa própria.


Reflitamos:

- Ontem Jeremias, e hoje quem são os Profetas, aqueles que têm olhos voltados para Deus sem desviar o seu olhar para a realidade na qual estão inseridos?

- Onde e como vivemos a vocação profética recebida no dia de nosso Batismo?

- Como estamos conjugando e vivendo os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, anunciar edificar e plantar?

Enviados por Deus em missão, como discípulos missionários, vivamos o caminho profético, conjugando os verbos denunciar, criticar, demolir, destruir, anunciar, edificar e plantar, contando sempre com a ação, presença e assistência do Espírito Santo.

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG