quinta-feira, 2 de julho de 2026

Em poucas palavras...

                                                             


Fidelidade e justiça são inseparáveis

“Deus odeia esse egoísmo coletivo, tanto quanto o individual. Ele faz causa comum com os pobres e oprimidos.

A oração destes vai direto a Ele. Não é por acaso que se dão certos desabamentos humanamente imprevisíveis, insuspeitáveis.

Mas atenção! Isso não atinge somente os ‘poderosos’, os ‘grandes’, porém a todos. Ninguém pode explorar impunemente um irmão e acreditar ser fiel a Deus” (1)

 

(1) Comentário da passagem do Missal Cotidiano sobre a passagem do Livro de Amós (Am 8,4-6;9-12)- p. 981

Em poucas palavras...

                                              


O necessário cuidado das pessoas em apuros

“Um irmão perguntou a um ancião: ‘Existem dois irmãos: um deles vive em hesychia, jejuando seis dias seguidos e entregando-se ao duro trabalho, e o outro cuida das pessoas em apuros. Deus aceitará mais prontamente a tarefa de qual deles?’

O ancião lhe disse: ‘Mesmo que aquele que jejua por seis dias se pendurasse pelas narinas, não pode ser igual àquele que cuida das pessoas em apuros’.” (1)

 

(1)   Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 355 – p. 235

        (hesychia: silêncio, quietude, paz...)

Medos paralisantes?! Jamais!

                                        

                                                              

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos que nos submetem à inércia.

Medos que nos fazem inoperantes,

Longe daquilo que mais ansiamos: a própria liberdade,

Por falta de objetivos, submersos na mediocridade.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medo do congelamento da ética e dos bons princípios,

Que faz sucumbir vorazmente humanidade e planeta.

Medo que rarefaz as mais belas utopias;

Que faz naufragar belos sonhos e fantasias.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos mórbidos que enfraquecem a luta.

Medos sórdidos que fazem perder o brilho da alma.

Medos que nos apequenam e nos fazem decrépitos.

Medos a serem vencidos, se formos intrépidos.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos que desde o ventre nos acompanham,

Enfrentados, cotidianamente, permitem crescimento,

Com a virtude da fé, divina virtude por Deus concedida,

Exorciza o que nos paralisa, tornando bela a vida.

 

Medos paralisantes?!

Jamais!


Medos existem para serem enfrentados.

Se presente a virtude da fé, última palavra, medo, não será!

Se presente a esperança, mais do que superável;

Concretiza-se a caridade mais que desejável: indispensável!

 

Medos paralisantes?!

Jamais!

Com Ele a Palavra, a última Palavra:

“Não tenhais medo!”

(Mt 10,26-33). 



PS: apropriado para reflexão da passagem do Evangelho de Mateus (Mt 10, 24-33; Mt 14,22-33; Mc 4,35-41; Lc 21,5-19; Jo 6,16-21; Jo 20,19-31) 

Em poucas palavras...

 


Revestidos de Cristo

“Se fosse viva em nós a consciência de estarmos ‘revestidos’ de Cristo, de sermos filhos como ‘o Filho’ (Gl 3,26-27), compreender-nos-íamos melhor a nós mesmos.

Compreenderíamos  a nossa vida como liberdade: liberdade de colocar sobre os nossos ombros a nossa cruz e a cruz dos nossos irmãos, de perdermos também a nossa vida como resposta de amor Àquele que nos ama e deu a vida por nós.” (1)

 

(1)Lecionário Comentado – Editora Paulus – Lisboa – 2011 – pág. 573

 

“Com licença, obrigado e desculpa”

                                                           

“Com licença, obrigado e desculpa”

Retomo o “Discurso do Papa Francisco às famílias”, iluminador para a solidificação e santificação das famílias, quando na realização do Encontro com estas, em Roma.

A partir do tema, «Família, vive a alegria da fé!», o Papa indagou se seria possível viver hoje esta alegria, e de que forma.

Destaco alguns pontos do Discurso.

- Há uma necessidade da família viver no amor:

“...aquilo que pesa mais do que tudo isso (fadiga do trabalho) é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável. Penso nos idosos sozinhos, nas famílias em dificuldade porque sem ajuda para sustentarem quem em casa precisa de especiais atenções e cuidados. «Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos», diz Jesus”.

- A família precisa voltar-se para Jesus como a verdadeira fonte de alegria:

 “...Jesus disse: «A vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11). Jesus quer que a nossa alegria seja completa! Disse-o aos apóstolos, e hoje repete-o a nós. E esta Palavra de Jesus levai-a para casa, levai-a no coração, compartilhai-a em família. Convida-nos a ir ter com Ele, para nos dar, para dar a todos a alegria.

- A riqueza do Sacramento do matrimônio celebrado. Ao celebrá-lo, com as promessas feitas diante do altar, os cônjuges se põem a caminho, embora não saibam o que acontecerá:

“Como Abraão; põem-se juntos a caminho. E isto é o matrimônio! Partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor. De mãos dadas, sempre e por toda a vida (...) Com esta confiança na fidelidade de Deus, tudo se enfrenta, sem medo, com responsabilidade. Os esposos cristãos não são ingênuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade (...)”

Iniciam uma longa viagem que devem fazer juntos: uma longa viagem, que não é feita de pedaços, dura a vida inteira e por isto, é mais do que necessário a graça do Sacramento celebrado:

“E precisam da ajuda de Jesus, para caminharem juntos com confiança, acolherem-se um ao outro cada dia e perdoarem-se cada dia. E isto é importante! Nas famílias, saber-se perdoar, porque todos nós temos defeitos, todos! Por vezes fazemos coisas que não são boas e fazemos mal aos outros. Tenhamos a coragem de pedir desculpa, quando erramos em família…”

- Três palavras exortou, para que as famílias viverem mais fortemente:

“(...) para levar por diante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave!

Peçamos licença para não ser invasivos em família. «Posso fazer isto? Gostas que faça isto?» Com a linguagem de quem pede licença.

Digamos obrigado, obrigado pelo amor! Mas diz-me: Quantas vezes ao dia dizes obrigado à tua esposa, e tu ao teu marido? Quantos dias passam sem eu dizer esta palavra: obrigado!

E a última: desculpa. Todos erramos e às vezes alguém fica ofendido na família e no casal, e algumas vezes – digo eu – voam os pratos, dizem-se palavras duras… Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer a paz. A paz faz-se de novo cada dia em família! «Desculpai-me»…, e assim se recomeça de novo.

Com licença, obrigado, desculpa! Podemos dizê-lo juntos? (respondem: Sim!). Com licença, obrigado, desculpa! Pratiquemos estas três palavras em família. Perdoar-se cada dia!

Na vida, a família experimenta muitos momentos felizes: o descanso, a refeição juntos, o passeio até ao parque ou pelos campos, a visita aos avós, a visita a uma pessoa doente... Mas, se falta o amor, falta a alegria, falta a festa; ora o amor é sempre Jesus quem no-lo dá: Ele é a fonte inesgotável. Ele, no sacramento, dá-nos a sua Palavra e o Pão da vida, para que a alegria seja completa”.

Fazendo alusão ao ícone da Apresentação de Jesus no Templo(...), ressalta a necessidade de não perdermos a memória que nos dão nossos avós:

“Mas eu pergunto: «Vós ouvis os avós? Abris o vosso coração à memória que nos dão os avós? Os avós são a sabedora da família, são a sabedoria de um povo. E um povo que não ouve os avós, é um povo que morre! Ouçamos os avós! Maria e José são a Família santificada pela presença de Jesus, que é o cumprimento de todas as promessas. Cada família, como a de Nazaré, está inserida na história de um povo e não pode existir sem as gerações anteriores. E por isso hoje temos aqui os avós e as crianças. As crianças aprendem dos avós, da geração anterior”.

Finalizou exortando a família a voltar-se para o Senhor, citando as palavras do Apóstolo Pedro, que dão força para superação nos momentos difíceis: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

PS: Discurso do Papa Francisco às Famílias em Peregrinação por ocasião do  Ano da Fé - Sábado, 26 de Outubro de 2013 (grifos meus)

Nossa missão: Fortalecer os pilares da comunidade

                                                          

 

Nossa missão: Fortalecer os pilares da comunidade
 
Aprofundando a Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42-47) e do Evangelho (Lc 4, 16-21), refletiremos os “quatro pilares” de uma boa comunidade.
 
Estas passagens bíblicas permitem um “Raio-X” de nossas comunidades, percebendo sua estrutura, o que precisa ser reforçado, para que este texto não seja apenas saudosismo, mas um desafiador projeto a ser realizado, numa autêntica evangelização, no anúncio da Boa Nova aos pobres, em empenho sincero de sua libertação, fazendo acontecer o urgente Ano da Graça do Senhor, como nos exorta o Evangelista Lucas.
 
Em relação ao primeiro texto, comparemos a comunidade a uma cadeira, com seus necessários quatro pés, bons e firmes.
 
Assim deve ser a comunidade: quatro pés, quatro pilares que a faz e a fará mais fiel Àquele que é a sua razão de existir: Jesus Cristo.
 
A comunidade precisa perseverar e cuidar destes pilares:
 
Ensinamentos dos Apóstolos:
Formação bíblica, teológica, doutrinal, Documentos da Igreja, Escola de Ministérios, subsídios diversos disponíveis, livros dos grupos de reflexão, jornal da Diocese, plano de pastoral…

Comunhão Fraterna:
É muito mais que um abraço, um canto de paz na Missa ou culto dominical, é a solidariedade concreta com os empobrecidos, através das Pastorais da Saúde, da Criança, participação sindical, movimentos populares, plebiscitos populares ocasionais, fortalecimento do Grupo Fé e Política, a defesa e promoção de uma Ecologia integral, o amor ao Brasil (seu povo, sua cultura, sua história), a participação na construção de uma nova ordem mundial, diante do idolátrico neoliberalismo e globalização excludente, fortalecimento do trabalho Social da Igreja em favor dos empobrecidos…

Eucaristia + Fração do Pão:
A Celebração Dominical na qual Deus Se faz nosso Alimento e nos fortalece pela Sua Palavra. Quando celebramos nossa vida, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, em busca de novos horizontes para que o Reino de Deus aconteça… Que a Eucaristia seja, de fato, o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida. A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia, como nos falou o Papa São João Paulo II.

Oração:
Individual, familiar e comunitária. Trinta minutos, ao menos por dia, como nos exortou um grande Bispo da Igreja do Brasil (D. Pedro Casaldáliga).
 
A Oração muito mais do que uma reza sistemática, rotineira, é um diálogo profundo com o Eterno que habita em cada um de nós. É colocar-se no colo de Deus, ser beijado e acariciado pelo mesmo e, se preciso, levar um “puxão de orelha” para nossa orientação… A Oração é diálogo no aparente silêncio de Deus.
 
Reflitamos:

-  Como está a minha vivência de fé à luz destes quatro pilares? 
-  Da mesma forma, como está em relação às nossas comunidades?
 
Há muitas “cadeiras mancas, com cupins, brocas, pernas mais curtas…”

Que nossa “cadeira” fique mais firme, segura, forte, bem assentada no chão da realidade.
 
Que os “quatro pilares” refletidos sejam a cada dia mais fortalecidos, para que nossa missão corresponda ao que Deus quer de cada um de nós!

Sabedoria Divina e sabedoria humana...

                                                           


Sabedoria Divina e sabedoria humana...

Há duas Sabedorias que não se opõem, pelo contrário se completam perfeitamente na justaposição da humana à Divina.

O saber humano não pode prescindir do Saber Divino. Da mesma forma o Saber Divino não desmerece o saber humano, pelo contrário, o ilumina   para que este não se volte contra o próprio homem.

A autêntica Sabedoria, tanto a humana quanto a Divina, edifica a nova humanidade, até que vejamos acontecer o Novo Céu e a Nova terra!

É a inter-relação necessária entre a fé e a razão!
A sabedoria humana jamais dispensável.
A Sabedoria Divina, mais que desejável,
Na Sagrada Escritura fundamentada,
Que por homens escrita, pelo Espírito inspirada...

Que a sabedoria humana a serviço da Sabedoria Divina, que a Sabedoria Divina se valendo da sabedoria humana sejam saberes que religam, iluminam, edificam a nova história criando laços fraternos, de ternura, humanidade nova: para passado memorável, presente invejável, futuro belo e promissor realizável!

Invoquemos a Sabedoria do Espírito Santo:

Que o Fogo do Espírito nos inflame, para correspondermos melhor ao Projeto de Deus, e que ela nos seja revelada em perfeita sintonia com a sabedoria humana, que nos levará ao equilíbrio necessário, para agirmos como se tudo dependesse da humanidade sem jamais prescindirmos da Força da Suprema Divindade. 

Quem sou eu

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG