quinta-feira, 2 de julho de 2026

“Com licença, obrigado e desculpa”

                                                           

“Com licença, obrigado e desculpa”

Retomo o “Discurso do Papa Francisco às famílias”, iluminador para a solidificação e santificação das famílias, quando na realização do Encontro com estas, em Roma.

A partir do tema, «Família, vive a alegria da fé!», o Papa indagou se seria possível viver hoje esta alegria, e de que forma.

Destaco alguns pontos do Discurso.

- Há uma necessidade da família viver no amor:

“...aquilo que pesa mais do que tudo isso (fadiga do trabalho) é a falta de amor. Pesa não receber um sorriso, não ser benquisto. Pesam certos silêncios, às vezes mesmo em família, entre marido e esposa, entre pais e filhos, entre irmãos. Sem amor, a fadiga torna-se mais pesada, intolerável. Penso nos idosos sozinhos, nas famílias em dificuldade porque sem ajuda para sustentarem quem em casa precisa de especiais atenções e cuidados. «Vinde a Mim todos os que estais cansados e oprimidos», diz Jesus”.

- A família precisa voltar-se para Jesus como a verdadeira fonte de alegria:

 “...Jesus disse: «A vossa alegria seja completa» (Jo 15, 11). Jesus quer que a nossa alegria seja completa! Disse-o aos apóstolos, e hoje repete-o a nós. E esta Palavra de Jesus levai-a para casa, levai-a no coração, compartilhai-a em família. Convida-nos a ir ter com Ele, para nos dar, para dar a todos a alegria.

- A riqueza do Sacramento do matrimônio celebrado. Ao celebrá-lo, com as promessas feitas diante do altar, os cônjuges se põem a caminho, embora não saibam o que acontecerá:

“Como Abraão; põem-se juntos a caminho. E isto é o matrimônio! Partir e caminhar juntos, de mãos dadas, entregando-se na mão grande do Senhor. De mãos dadas, sempre e por toda a vida (...) Com esta confiança na fidelidade de Deus, tudo se enfrenta, sem medo, com responsabilidade. Os esposos cristãos não são ingênuos, conhecem os problemas e os perigos da vida. Mas não têm medo de assumir a própria responsabilidade, diante de Deus e da sociedade (...)”

Iniciam uma longa viagem que devem fazer juntos: uma longa viagem, que não é feita de pedaços, dura a vida inteira e por isto, é mais do que necessário a graça do Sacramento celebrado:

“E precisam da ajuda de Jesus, para caminharem juntos com confiança, acolherem-se um ao outro cada dia e perdoarem-se cada dia. E isto é importante! Nas famílias, saber-se perdoar, porque todos nós temos defeitos, todos! Por vezes fazemos coisas que não são boas e fazemos mal aos outros. Tenhamos a coragem de pedir desculpa, quando erramos em família…”

- Três palavras exortou, para que as famílias viverem mais fortemente:

“(...) para levar por diante uma família, é necessário usar três palavras. Três palavras: com licença, obrigado, desculpa. Três palavras-chave!

Peçamos licença para não ser invasivos em família. «Posso fazer isto? Gostas que faça isto?» Com a linguagem de quem pede licença.

Digamos obrigado, obrigado pelo amor! Mas diz-me: Quantas vezes ao dia dizes obrigado à tua esposa, e tu ao teu marido? Quantos dias passam sem eu dizer esta palavra: obrigado!

E a última: desculpa. Todos erramos e às vezes alguém fica ofendido na família e no casal, e algumas vezes – digo eu – voam os pratos, dizem-se palavras duras… Mas ouvi este conselho: Não acabeis o dia sem fazer a paz. A paz faz-se de novo cada dia em família! «Desculpai-me»…, e assim se recomeça de novo.

Com licença, obrigado, desculpa! Podemos dizê-lo juntos? (respondem: Sim!). Com licença, obrigado, desculpa! Pratiquemos estas três palavras em família. Perdoar-se cada dia!

Na vida, a família experimenta muitos momentos felizes: o descanso, a refeição juntos, o passeio até ao parque ou pelos campos, a visita aos avós, a visita a uma pessoa doente... Mas, se falta o amor, falta a alegria, falta a festa; ora o amor é sempre Jesus quem no-lo dá: Ele é a fonte inesgotável. Ele, no sacramento, dá-nos a sua Palavra e o Pão da vida, para que a alegria seja completa”.

Fazendo alusão ao ícone da Apresentação de Jesus no Templo(...), ressalta a necessidade de não perdermos a memória que nos dão nossos avós:

“Mas eu pergunto: «Vós ouvis os avós? Abris o vosso coração à memória que nos dão os avós? Os avós são a sabedora da família, são a sabedoria de um povo. E um povo que não ouve os avós, é um povo que morre! Ouçamos os avós! Maria e José são a Família santificada pela presença de Jesus, que é o cumprimento de todas as promessas. Cada família, como a de Nazaré, está inserida na história de um povo e não pode existir sem as gerações anteriores. E por isso hoje temos aqui os avós e as crianças. As crianças aprendem dos avós, da geração anterior”.

Finalizou exortando a família a voltar-se para o Senhor, citando as palavras do Apóstolo Pedro, que dão força para superação nos momentos difíceis: «A quem iremos nós, Senhor? Tu tens palavras de vida eterna!» (Jo 6, 68).

PS: Discurso do Papa Francisco às Famílias em Peregrinação por ocasião do  Ano da Fé - Sábado, 26 de Outubro de 2013 (grifos meus)

Nossa missão: Fortalecer os pilares da comunidade

                                                          

 

Nossa missão: Fortalecer os pilares da comunidade
 
Aprofundando a Leitura dos Atos dos Apóstolos (At 2, 42-47) e do Evangelho (Lc 4, 16-21), refletiremos os “quatro pilares” de uma boa comunidade.
 
Estas passagens bíblicas permitem um “Raio-X” de nossas comunidades, percebendo sua estrutura, o que precisa ser reforçado, para que este texto não seja apenas saudosismo, mas um desafiador projeto a ser realizado, numa autêntica evangelização, no anúncio da Boa Nova aos pobres, em empenho sincero de sua libertação, fazendo acontecer o urgente Ano da Graça do Senhor, como nos exorta o Evangelista Lucas.
 
Em relação ao primeiro texto, comparemos a comunidade a uma cadeira, com seus necessários quatro pés, bons e firmes.
 
Assim deve ser a comunidade: quatro pés, quatro pilares que a faz e a fará mais fiel Àquele que é a sua razão de existir: Jesus Cristo.
 
A comunidade precisa perseverar e cuidar destes pilares:
 
Ensinamentos dos Apóstolos:
Formação bíblica, teológica, doutrinal, Documentos da Igreja, Escola de Ministérios, subsídios diversos disponíveis, livros dos grupos de reflexão, jornal da Diocese, plano de pastoral…

Comunhão Fraterna:
É muito mais que um abraço, um canto de paz na Missa ou culto dominical, é a solidariedade concreta com os empobrecidos, através das Pastorais da Saúde, da Criança, participação sindical, movimentos populares, plebiscitos populares ocasionais, fortalecimento do Grupo Fé e Política, a defesa e promoção de uma Ecologia integral, o amor ao Brasil (seu povo, sua cultura, sua história), a participação na construção de uma nova ordem mundial, diante do idolátrico neoliberalismo e globalização excludente, fortalecimento do trabalho Social da Igreja em favor dos empobrecidos…

Eucaristia + Fração do Pão:
A Celebração Dominical na qual Deus Se faz nosso Alimento e nos fortalece pela Sua Palavra. Quando celebramos nossa vida, com suas alegrias e tristezas, angústias e esperanças, em busca de novos horizontes para que o Reino de Deus aconteça… Que a Eucaristia seja, de fato, o ponto alto e a fonte de toda a nossa vida. A Eucaristia edifica a Igreja e a Igreja faz a Eucaristia, como nos falou o Papa São João Paulo II.

Oração:
Individual, familiar e comunitária. Trinta minutos, ao menos por dia, como nos exortou um grande Bispo da Igreja do Brasil (D. Pedro Casaldáliga).
 
A Oração muito mais do que uma reza sistemática, rotineira, é um diálogo profundo com o Eterno que habita em cada um de nós. É colocar-se no colo de Deus, ser beijado e acariciado pelo mesmo e, se preciso, levar um “puxão de orelha” para nossa orientação… A Oração é diálogo no aparente silêncio de Deus.
 
Reflitamos:

-  Como está a minha vivência de fé à luz destes quatro pilares? 
-  Da mesma forma, como está em relação às nossas comunidades?
 
Há muitas “cadeiras mancas, com cupins, brocas, pernas mais curtas…”

Que nossa “cadeira” fique mais firme, segura, forte, bem assentada no chão da realidade.
 
Que os “quatro pilares” refletidos sejam a cada dia mais fortalecidos, para que nossa missão corresponda ao que Deus quer de cada um de nós!

Sabedoria Divina e sabedoria humana...

                                                           


Sabedoria Divina e sabedoria humana...

Há duas Sabedorias que não se opõem, pelo contrário se completam perfeitamente na justaposição da humana à Divina.

O saber humano não pode prescindir do Saber Divino. Da mesma forma o Saber Divino não desmerece o saber humano, pelo contrário, o ilumina   para que este não se volte contra o próprio homem.

A autêntica Sabedoria, tanto a humana quanto a Divina, edifica a nova humanidade, até que vejamos acontecer o Novo Céu e a Nova terra!

É a inter-relação necessária entre a fé e a razão!
A sabedoria humana jamais dispensável.
A Sabedoria Divina, mais que desejável,
Na Sagrada Escritura fundamentada,
Que por homens escrita, pelo Espírito inspirada...

Que a sabedoria humana a serviço da Sabedoria Divina, que a Sabedoria Divina se valendo da sabedoria humana sejam saberes que religam, iluminam, edificam a nova história criando laços fraternos, de ternura, humanidade nova: para passado memorável, presente invejável, futuro belo e promissor realizável!

Invoquemos a Sabedoria do Espírito Santo:

Que o Fogo do Espírito nos inflame, para correspondermos melhor ao Projeto de Deus, e que ela nos seja revelada em perfeita sintonia com a sabedoria humana, que nos levará ao equilíbrio necessário, para agirmos como se tudo dependesse da humanidade sem jamais prescindirmos da Força da Suprema Divindade. 

Paraíso: saudade ou compromisso?

                                                             

Paraíso: saudade ou compromisso?

Nas primeiras páginas da Sagrada Escritura, ao refletir sobre o paraíso, perguntamo-nos:

Nostalgia de um passado ou profecia do futuro, ou dom de Deus já concedido ou a ser conquistado?

Quais as intenções do autor bíblico ao escrever estas páginas, ao descrever a obra da criação feita por Deus:

- descreve um mundo diferente, que é exatamente o oposto à realidade conhecida e vivida, ou seja, acena para como deveria ser o mundo conforme o desejo de Deus;

- o "paraíso" é como se fosse o projeto do mundo, cuja realização Deus continua a esperar, confiando-a a livre decisão do homem;

- olhando em torno de si, tem aguda consciência dos males que afligem a vida familiar e social, não podem ser aceitos como situação normal da humanidade;

- pelo realismo de sua fé, está convencido, como toda a Bíblia, de que Deus é bom e justo, quer o bem dos homens e não sua condenação;

- Deus não pode ter querido o mundo assim como é: o homem, sobretudo o homem de fé, não pode dizer: "Paciência, aguentemos! A vida é assim. Deus a quer assim! ".

Retomando a questão acima, creio que a única resposta é que o Paraíso é uma profecia do futuro e algo a ser conquistado.

Relendo as primeiras páginas da Sagrada Escritura, vemos que está em nossas mãos a criação, para o aperfeiçoamento e não a degradação, como vemos em notícias e acontecimentos multiplicados.

Deus coloca em nossas mãos todas as possibilidades de recriarmos um mundo novo. No entanto, não podem falar mais alto o egoísmo, a ganância e o lucro a qualquer preço.

Mais do que nunca, é tempo de retomar a Encíclica "Laudato S'i” escrita pelo Papa Francisco (2015), em que nos apresenta a necessária ecologia integral, que garantirá o devido cuidado de nossa casa comum, com vida plena para todos, no tempo presente e garantindo também para as gerações que hão de vir.



Fonte: Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.747

Perdoados e libertos pelo Senhor

                                                               

Perdoados e libertos pelo Senhor

A Liturgia da Palavra, da Sexta-feira da 1ª Semana do Tempo Comum, nos apresenta a passagem do Evangelho (Mc 2,1-12).

Reflitamos sobre o Projeto de Salvação que Deus tem para toda a humanidade, e que se viu realizado na Pessoa de Jesus, que deve ser acolhido como Caminho, Verdade e Vida (Jo 14,6). 

Reflitamos, também,  sobre o perdão dos pecados, a verdadeira doença da humanidade que Jesus combate e derrota ao cuidar da pessoa humana em sua totalidade.

Através d’Ele, a humanidade pode se voltar novamente para Deus (reconciliação), sobretudo se considerarmos que em cada um de nós existe uma profunda necessidade de libertação do exílio de nós mesmos, das nossas múltiplas paralisias, do nosso afastamento de Deus (pecado).

Deste modo, Jesus é a manifestação da bondade, da misericórdia e do Amor divino que liberta o homem de toda paralisia, de todo pecado. Começa a ser desenhado um conflito que o levará à Cruz, por ação e rejeição das autoridades constituídas.

Lembramos que Marcos não faz uma reportagem jornalística, mas uma autêntica catequese sobre a pessoa e a missão de Jesus, que deverá ser por sua vez a missão de todo aquele que O seguir.

Um paralítico é levado por quatro homens e introduzido pelo telhado na casa onde Jesus Se encontrava. Ele será liberto e perdoado manifestando o poder que Jesus possuía, pelo Pai confiado.

Quatro homens significa a humanidade solidária com quem sofre, e vai ao encontro d'Aquele que tem a última Palavra, a resposta, a libertação.

O paralítico sem nome é a mesma humanidade sedenta de vida, liberdade, movimento, dinamismo, enfim, de uma nova possibilidade.

Também revela que a Salvação de Jesus não é somente para a comunidade judaica, mas para a humanidade inteira. Os esforços feitos para que o paralítico chegasse até Jesus retratam os esforços que devemos fazer para chegarmos até Jesus.

Nada pode impedir nosso encontro com a Fonte da Vida e da Liberdade. Tudo se torna nada, para conhecê-Lo, encontrá-Lo. Os esforços são a revelação da ânsia por libertação. Normalmente Jesus Se revela precisamente em nossas fraquezas, temores, cansaços, incertezas.

Ele tem a Palavra e a resposta. Ele é a própria Palavra que cura, liberta, perdoa, porque a plena manifestação do Amor de Deus.

O perdão que Jesus nos concede é a oportunidade do começo de uma nova vida, ao mesmo tempo revela o poder divino que possui, pois é Deus, e somente Deus pode perdoar (aqui o grande conflito: as autoridades reagem dizendo tratar-se de blasfêmia).

A grande mensagem catequética do Evangelista: Jesus tem autoridade para trazer a vida em plenitude. N’Ele, Deus Se revelou como misericórdia, bondade, amor e perdão.

A humanidade que percorre diariamente as estradas de sofrimento e angústia encontra em Jesus uma resposta, uma palavra de Libertação e Vida plena. Somente Ele pode colocar a humanidade numa órbita de vida nova. Sem Ele nada pode ser feito.

O pecado redimido deixa a lembrança no coração do pecador perdoado, não para imobilizá-lo, mas para que relembre sempre a história de um amor vivenciado, de uma nova oportunidade encontrada. 

Recorda-se como uma História de Salvação, como que um sigilo de um amor que foi e continua a ser maior do que qualquer enfermidade, qualquer pecado, quaisquer deslizes ou infidelidades.

O perdão purifica e renova. No coração de quem foi perdoado, por um pecado cometido, fica a  lembrança do amor vivido; força impulsionadora para um novo modo de ser e agir, para a não repetição indesejável das mesmas faltas.

Reflitamos:

- Como testemunhamos Jesus e Seu poder?
- Quem nós conduzimos até Jesus?
- Quem recebe da Igreja a solidariedade necessária para o encontro da vida digna e plena?

- Procuramos superar a cada instante o perigo de uma forma de vida cômoda, instalada, medíocre?

- Testemunhamos nossa fé com coragem para a transformação em todos os níveis?

- Quais são as paralisias que nos roubam o compromisso com a construção do Reino?

- Quais são os pecados assumidos, para que confessados diante da misericórdia de Deus mereçam o perdão?

- Antes de nosso pedido de perdão chegar até Deus, quais são os esforços que fazemos para alcançá-lo?

Deste modo, por meio de palavras e gestos, Jesus ama, salva, perdoa, liberta.

Concluindo:
A Face misericordiosa de Deus Se revela em Sua ternura, solidariedade, fidelidade, perdão, liberdade e vida plena para todos.

PS: Passagem paralela - Evangelho de Mateus (Mt 9,1-8)

“Ó abismo de indizível caridade!”

                                                              

“Ó abismo de indizível caridade!”


Sejamos enriquecidos por este trecho do “Diálogo sobre a Divina Providência”, escrito por Santa Catarina de Sena (séc. XIV):

“Meu dulcíssimo Senhor, volta complacente Teus misericordiosos olhos para este povo e para o Corpo místico de Tua Igreja; porque maior glória advirá a Teu santo nome por perdoar a tamanha multidão de Tuas criaturas do que só a mim, miserável, que tanto ofendo a Tua majestade.

Como poderei eu consolar-me, vendo-me possuir a vida, se Teu povo está na morte? E vendo em Tua diletíssima Esposa as trevas dos pecados brotadas de minhas faltas e das outras criaturas Tuas?

Quero, pois, e para cada um peço aquela inestimável caridade que Te levou a criar o ser humano à Tua imagem e semelhança. Que coisa ou pessoa foi o motivo de colocares o ser humano em tão grande dignidade? Sem dúvida, só inapreciável amor que Te fez olhar em Ti mesmo Tua criatura de quem Te enamoraste. Mas reconheço abertamente que pela culpa do pecado com justiça perdeu a dignidade que lhe deras.

Tu, porém, movido pelo mesmo amor, desejando por graça reconciliar contigo o gênero humano, nos deste a Palavra de Teu Filho Unigênito. Verdadeiro reconciliador e mediador entre Ti e nós e também nossa justiça, que castigou e carregou em si todas as nossas injustiças e iniquidades, em obediência ao que Tu, Pai eterno, lhe ordenaste, ao determinar-lhe assumir nossa humanidade.

Ó abismo de indizível caridade! Que coração há tão duro que continue impassível sem se partir por ver a máxima sublimidade descer à máxima baixeza e abjeção, que é a nossa humanidade?

Nós somos Tua imagem e Tu, nossa imagem, pela união que realizaste com o ser humano, velando a eterna Divindade com a mísera nuvem e infecta matéria da carne de Adão.

Donde vem tudo isto? Unicamente Teu inefável amor está em causa. É, pois, por este inestimável amor que humildemente imploro Tua majestade, com todas as forças de minha alma, que concedas gratuitamente às Tuas miseráveis criaturas Tua misericórdia.”

Com a Doutora da Igreja, contemplamos o abismo de indizível caridade a nós revelado por Jesus que vive na plena comunhão Trinitária de amor, com o Pai e o Espírito Santo.

Não apenas contemplamos, mas por meio de Jesus, nosso Senhor, também fomos inseridos e mais que isto, mergulhados neste mar infinito de misericórdia, por Sua Morte e Ressurreição, e por meio desta nos foi comunicando Seu Espírito, com aquele sopro que nos descreve o Evangelista João.

Contemplamos e suplicamos, que Deus nos conceda, a nós reconhecidamente miseráveis criaturas, a infinita misericórdia, porque tão somente por esta enriquecidos e envolvidos, poderemos também sermos misericordiosos como o Pai (Lc 6,36).

Oportuno para que também aprofundemos sobre as obras de misericórdia corporais (Dar de comer a quem tem fome; dar de beber a quem tem sede; vestir os nus; dar pousada aos peregrinos; assistir aos enfermos; visitar os presos; enterrar os mortos); espirituais(Dar bom conselho; ensinar os ignorantes; corrigir os que erram; consolar os aflitos; perdoar as injúrias; sofrer com paciência as fraquezas do nosso próximo; rogar a Deus por vivos e defuntos.).

Num mundo marcado por guerras, conflitos, violências, é preciso redescobrir, anunciar e estabelecer relações de misericórdia, para que, como miseráveis criaturas, reaprendamos sempre a construir a civilização da misericórdia, que se notabilizará concretamente em relações expressivas de amor e respeito à vida humana e de todo o planeta. 

quarta-feira, 1 de julho de 2026

A Palavra e as fibras mais íntimas do nosso ser...

                                                             

A Palavra e as fibras mais íntimas do nosso ser...

A Liturgia da quarta-feira da 13ª Semana do Tempo Comum nos apresentará a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,28-34), e refletimos sobre o itinerário da Palavra de Deus:

“A Palavra de Deus pede para entrar em nossa vida até às fibras mais íntimas do nosso ser, e para se exprimir em amor e procura do bem.

Ela chama-nos a nos entregarmos a isso com todas as nossas forças e com a humildade de sabermos que não temos pretensões a alegar, mas só misericórdia a receber. [...]

O difícil texto do Evangelho descreve o confronto da Palavra da Salvação, que é Jesus, com o mundo das trevas, que manifesta todo o seu poder destruidor. [...]

Jesus está em terra pagã, e não chegou ainda o momento para os pagãos O receberem. Nós podemos ser hoje esses pagãos: está o nosso coração como a terra deles, hostil à Palavra?” (1)

Nisto consiste o itinerário da Palavra lida, ouvida, acolhida, meditada e na vida encarnada: penetrar até as fibras mais íntimas do nosso ser, somente assim ela volta para Deus produzindo os frutos que Ele tanto espera.

A vida é breve, a Palavra proclamada abundante. A sua penetração nas fibras mais íntimas de nosso ser, dependerá de cada um e cada uma.

Oremos:

“Ó Deus, a Vossa Palavra é luz verdadeira para os nossos passos, alegria e paz para os nossos corações; concedei que, iluminados pelo Vosso Espírito, a acolhamos com fé viva, para descobrirmos na escuridão dos acontecimentos humanos os sinais da Vossa presença. Amém!”


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - pág. 640. 

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