quarta-feira, 1 de julho de 2026

Os Dons do Espírito e as Eleições

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   Os Dons do Espírito e as Eleições 

Invoquemos a luz do Santo Espírito, para que façamos sábias escolhas nas eleições que se aproximam, tornando mais humana e fraternas nossas cidades, oferecendo condições melhores de vida para todos, sem feridas insanas de desigualdade, pobreza, violência e exclusão.

Senhor, dai-nos o dom da SABEDORIA, para que aprendamos e nos comprometamos decididamente com um Projeto de vida e paz, e assim sejamos iluminados para governar nossa vida segundo os desígnios divinos, revelados pelos sagrados Mandamentos,  sentindo e dando gosto de Deus à vida.

Dai-nos, o dom do ENTENDIMENTO, para discernir o que é justo e bom, sem ilusões e erros, de modo que nossos pensamentos e sentimentos e ações se tornem a expressão do viver para Deus, que conosco sempre estais, jamais nos desamparando.

Senhor, dai-nos o dom do CONSELHO, para que nos empenhemos na correspondência à vossa vontade, vivendo e ensinando sagrados valores com sinceridade, pureza e retidão de coração, participando da realização do plano divino de salvação, na mais perfeita sintonia entre o que celebramos e vivemos, jamais separando a fé da vida cotidiana.

Sejamos enriquecidos pelo dom da FORTALEZA, e cumulado de graça divina, intensificando e aprofundando nossos momentos de intimidade Convosco, na oração, mas de modo especialíssimo no sublime Sacramento da Eucaristia, fonte e ápice da vida cristã; vivendo com fidelidade o Mandamento do Amor, que se expressa concretamente no amor ao próximo; testemunhando a fé, com serenidade e firmeza.

Senhor, agraciados pelo dom da CIÊNCIA, busquemos o conhecimento pleno da verdade do Evangelho do Reino, com docilidade ao Espírito nas mais diversas situações, agradáveis ou não, favoráveis ou adversas, sem lamentações estéreis, mas com olhar e compromisso renovados, porque acompanhados da fina flor da esperança.

Renove em nós o dom da PIEDADE, para que correspondamos ao Vosso amor, numa profunda comunhão Convosco, acompanhado de maior fidelidade às Sagradas Escrituras, tornando-nos mais fraternos e solidários, comprometidos com a promoção da justiça e da paz, para que misericordiosos como o Pai o sejamos.

Finalmente, Senhor, com o dom do TEMOR, solidifiquemos nossa relação filial para com Deus, adorando-O em espírito e verdade, buscando, em primeiro lugar, o Seu Reino e a Sua justiça, e assim, tudo mais nos será acrescentado. Amém.

A Palavra e as fibras mais íntimas do nosso ser...

                                                             

A Palavra e as fibras mais íntimas do nosso ser...

A Liturgia da quarta-feira da 13ª Semana do Tempo Comum nos apresentará a passagem do Evangelho de Mateus (Mt 8,28-34), e refletimos sobre o itinerário da Palavra de Deus:

“A Palavra de Deus pede para entrar em nossa vida até às fibras mais íntimas do nosso ser, e para se exprimir em amor e procura do bem.

Ela chama-nos a nos entregarmos a isso com todas as nossas forças e com a humildade de sabermos que não temos pretensões a alegar, mas só misericórdia a receber. [...]

O difícil texto do Evangelho descreve o confronto da Palavra da Salvação, que é Jesus, com o mundo das trevas, que manifesta todo o seu poder destruidor. [...]

Jesus está em terra pagã, e não chegou ainda o momento para os pagãos O receberem. Nós podemos ser hoje esses pagãos: está o nosso coração como a terra deles, hostil à Palavra?” (1)

Nisto consiste o itinerário da Palavra lida, ouvida, acolhida, meditada e na vida encarnada: penetrar até as fibras mais íntimas do nosso ser, somente assim ela volta para Deus produzindo os frutos que Ele tanto espera.

A vida é breve, a Palavra proclamada abundante. A sua penetração nas fibras mais íntimas de nosso ser, dependerá de cada um e cada uma.

Oremos:

“Ó Deus, a Vossa Palavra é luz verdadeira para os nossos passos, alegria e paz para os nossos corações; concedei que, iluminados pelo Vosso Espírito, a acolhamos com fé viva, para descobrirmos na escuridão dos acontecimentos humanos os sinais da Vossa presença. Amém!”


(1) Lecionário Comentado - Editora Paulus - Lisboa - pág. 640. 

A Igreja do Senhor

                                                             

A Igreja do Senhor

Reflexão à luz da passagem da Epístola aos Hebreus (Hb 3,7-14).

Assim lemos no Comentário do Missal Cotidiano:

“A tentação de considerar a fé em Deus como uma espécie de apólice de seguro: contra as desgraças e doenças, contra as injustiças e afrontas, contra as calamidades naturais, contra as próprias enfermidades espirituais.

Deus deve intervir para livrar o mundo das desgraças, punir os maus que não O honram e oprimem os Seus fiéis; deve intervir para livrar das insídias da dúvida e do pecado aqueles que O invocam.

A tentação de considerar a Igreja como um lugar de refúgio seguro, de onde se pode tranquilamente escutar o fragor das ondas que tragam os infelizes que estão ‘fora do porto’”. (1)

Refletindo...

Não se pode conceber a Igreja como uma “apólice de seguro” ou “lugar de refúgio seguro”.

Outra questão importante: como conceber uma Igreja em contínua busca da verdade, que se renova, em contínuo esforço de conversão de suas estruturas, para ser sinal de salvação para toda a humanidade, como assim quis o Senhor?

Retomemos o que nos disse o Papa Francisco, em sua Exortação Evangelii Gaudium:

Prefiro uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas, a uma Igreja enferma pelo fechamento e a comodidade de se agarrar às próprias seguranças. Não quero uma Igreja preocupada com ser o centro, e que acaba presa num emaranhado de obsessões e procedimentos” (EG n. 49).

Este é o caminho que devemos trilhar, conduzidos e assistidos pelo Espírito do Senhor, que não nos permite sentir qualquer espécie de orfandade divina, na fidelidade a Jesus e à Boa-Nova do Reino de Deus por Ele inaugurado.

Temos plena confiança de que Deus caminha conosco, e que, mesmo nas provações e dificuldades que tenhamos que enfrentar, Ele não Se faz ausente, como experimentaram os discípulos de Emaús (Lc 24), e as primeiras comunidades, em tempos difíceis de perseguição e martírio e ao longo de toda a história da Igreja, e tantos outros exemplos que nos encorajam no bom combate da fé.

Podemos rezar como o Salmista, e afirmar que Deus é nosso rochedo, nossa fortaleza, nosso libertador (Sl 18), mas não nos tira do mundo, não nos infantiliza.

Desde o princípio, quando Jesus chamou os discípulos, exigiu renúncias cotidianas necessárias, acompanhadas do carregar da cruz, para então, com coragem e liberdade, segui-Lo, anunciá-Lo e testemunhá-Lo até os confins do mundo.

Nem apólice de seguro, nem lugar de refúgio, mas uma barca fazendo a travessia no turbulento mar da vida, com coragem, pois com o Senhor não naufragaremos nos mares das adversidades, tristezas, infidelidades, iniquidades.

Portanto, urge que atravessemos o mar, confiantes na Palavra e Presença do Senhor, sobretudo quando d’Ele nos alimentamos no Sacramento dos Sacramentos: a Eucaristia.

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p.631

Em poucas palavras...

                                               


A necessária humildade

"Os anciãos costumavam dizer que a coroa do monge é a humildade." (1)

 

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto - Editora Vozes - 2023 - n. 98 - p. 89

Em poucas palavras...

                                          


Atitude exemplar de desapego

“Alguém implorou a um ancião que aceitasse dinheiro para suas próprias necessidades, mas ele não estava disposto a aceitar porque tinha o suficiente com o trabalho de suas mãos.

Como a pessoa persistiu implorando que o aceitasse para as necessidades dos que não tinham o suficiente, o ancião replicou:

‘Esta é uma dupla vergonha: Eu aceito sem necessitar e também me orgulho por doar o que pertence a outro’”. (1)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 258 – p. 183

Em poucas palavras...

                                                     



“Nunca...”

 

“Um ancião dizia:

‘Nunca me atrasei em fazer alguma coisa de que eu era capaz’, ou:

‘Nunca repeti alguma coisa que eu já tinha concluído’, ou:

‘Nunca pensei de novo (literalmente: mudei de ideia) sobre alguma coisa que eu podia compreender/captar plenamente’, ou:

‘Nunca considerei de pouca importância realizar qualquer coisa de que eu era capaz’.”(1)

 

(1) Ditos anônimos dos Pais do Deserto – Editora Vozes – 2023 - n. 109 – p. 91

Família: espaço do aprendizado dos valores do Reino

 


Família: espaço do aprendizado dos valores do Reino
 
O Apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo.
 
Apresenta-nos a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união, paz e vida.
 
O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.
 
A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho cotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.
 
Viver o Batismo implica sempre em viver como homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.
 
Empenhemo-nos para que a família cumpra tão importante missão, edificada sobre a Rocha da Palavra de Deus (cf. Mt 7,21-27).
 

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG