quarta-feira, 1 de julho de 2026

Família: espaço do aprendizado dos valores do Reino

 


Família: espaço do aprendizado dos valores do Reino
 
O Apóstolo Paulo, na passagem da Carta aos Efésios (Ef 5,21-32), fala das consequências daquele que faz sua adesão a Cristo.
 
Apresenta-nos a família como espaço do aprendizado dos valores do Reino: partilha, amor, união, paz e vida.
 
O casal cristão deve ser sinal e reflexo da união de Cristo com a sua Igreja. Uma relação de amor, doação, serviço e edificação do outro. Paulo estabelece um belíssimo paralelo: o amor dos esposos comparado com a relação do Amor de Cristo pela Igreja e da Igreja por Cristo.
 
A vida conjugal, “ser uma só carne”, é o empenho cotidiano de viver neste amor e fidelidade, na partilha de toda a vida, com suas dores e alegrias, angústias e esperanças.
 
Viver o Batismo implica sempre em viver como homens novos, e a família se torna o espaço privilegiado e primeiro de aprendizado das normas e valores do Reino.
 
Empenhemo-nos para que a família cumpra tão importante missão, edificada sobre a Rocha da Palavra de Deus (cf. Mt 7,21-27).
 

Revestidos de Cristo sempre sejamos!

Revestidos de Cristo sempre sejamos!

“Vós sois filhos de Deus pela fé em Jesus Cristo.
Vós todos que fostes batizados em Cristo vos
 revestistes de Cristo” (Gl 3, 26-27)

Em julho de 2013, estávamos com os olhos voltados para o Rio de Janeiro, onde aconteceu a 28ª Jornada Mundial da Juventude, precedida pela Semana Missionária da Juventude em todo o Brasil.

Com o lema “Ide e fazei discípulos entre todas as nações!” (Mt 28,19), testemunhamos um grande sopro do Espírito, como em Pentecostes, em que a Igreja se volta de modo especial para a Juventude,  vendo nesta um potencial imensurável de força evangelizadora, não somente dentro da própria Igreja, mas fora dela, nos diversos ambientes em que vive (familiar, acadêmico, profissional) e se comunica (comunidades e espaços virtuais).

Mas a Evangelização somente alcança o seu objetivo se nos revestirmos de Cristo, com a força da oração, abertos ao que o Espírito diz a Igreja em cada tempo e realidade, nas diferentes circunstâncias. 

Revestidos com esta força e assistidos pelo Espírito Santo, a Palavra de Deus será anunciada e testemunhada, e novos discípulos faremos para o Senhor, em total fidelidade ao seu mandato.

Deste modo, víamos com bons olhos as manifestações populares, num grito profético contra os desmandos e abusos que são cometidos contra a cidadania, desde há muito (evidentemente, sem compactuar com vandalismos ou coisas semelhantes).

É sempre importante que ações organizadas e sérias, com liberdade de expressão, se multipliquem, para que numa atitude de diálogo estabelecido, tenhamos mais igualdade, fraternidade e comunhão, com direitos preservados e deveres cumpridos.

Estávamos vivendo o Ano da Fé, solidificando a nossa fé na rocha firme da Palavra de Jesus Cristo, e assim a esperança, que brota da Vida Nova da Ressurreição, inflame a prática da caridade, em gestos de amor, partilha, solidariedade, perdão.

Estávamos também acolhendo e aprofundando a primeira Encíclica do Papa Francisco – “Lumen Fidei” (A Luz da Fé) ­– para que nossa fé não seja um refúgio e falta de compromissos de santidade e santificação da família e do mundo. 

Uma fé autêntica nos faz olhar para um amanhã mais esperançoso, procurando, no tempo presente, compromissos concretos para a sua viabilização.

Tendo Deus plantado em nós a semente da fé, ela se torna luminosa, incapaz de ser ocultada.

Os desafios da Pós Jornada Mundial da Juventude

Os desafios da Pós Jornada Mundial da Juventude 

“Com o ruído que se produziu a multidão acorreu e ficou perplexa, pois cada qual os ouvia falar em seu próprio idioma” (At 2, 6)

Treze anos passados, vivíamos dias memoráveis com a visita do Papa Francisco e a realização da 28ª Jornada Mundial da Juventude, cujo lema é sempre oportuno lembrar - “Ide e fazei discípulos entre as nações!”. 

Na Basílica Nacional de Aparecida, o Papa foi e é uma “Voz Viva” que o mundo parou para ouvir. Foi um grande Pentecostes, lembrando a passagem da Sagrada Escritura:

“De repente, veio do céu um ruído como o agitar-se de um vendaval impetuoso, que encheu toda a casa onde se encontravam. Apareceram-lhes, então, línguas como de fogo, que se repartiam e pousavam sobre cada um deles. E todos ficaram repletos do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia se exprimirem” (At 2, 2-4).

Ocupando espaço na mídia televisiva, impressa, internet, pelo carisma próprio e, sobretudo, pela mensagem marcada pela simplicidade e profundidade, beleza e profecia, força e ternura.

O Papa veio como que reavivar a chama do rebanho católico, e não há dúvida que suas palavras também aqueceram o coração de quem o viu e ouviu. 

Fomos desafiados a buscar ações solidárias em favor da vida, e de modo especial em favor dos empobrecidos. Fomos exortados a uma conversão sincera a Jesus Cristo e à mensagem de Seu Evangelho.

E, de modo especial está reafirmado o compromisso da evangelização da Juventude, descobrindo métodos, caminhos para que estes sejam, de fato, uma primavera na Igreja, protagonistas preciosos no anúncio e testemunho da Boa-Nova de Jesus.

Temos que continuar o aprofundamento do que o Papa disse e deixou escrito, fazendo uma revisão do caminho feito e alargando sempre os horizontes, para que a opção pelos pobres e os jovens (desde a Conferência Episcopal Latino Americana em Puebla – 1979) seja efetiva. 

Não há alegria verdadeira se nos tornarmos indiferentes à realidade de quem sofre e precisa de uma palavra de carinho, um gesto de solidariedade.  

Como Igreja que somos, o Papa nos convidava e convida a nos deixarmos surpreender pelo Amor de Deus e a Ele correspondermos, servindo com alegria, irradiando a luz da fé, multiplicando ações que viabilizem a esperança de um novo céu e uma nova terra, colocando-nos como eternos aprendizes da linguagem do amor que nos uniu, independentemente de nação, cultura ou língua.

O Papa não somente nos ensinou, mas assim o fez, tornou-se próximo de nós, tocando o rebanho ficou com o seu cheiro, como ele já dissera no começo de seu pontificado: “os presbíteros precisam ter cheiro do rebanho”.

Continuemos sentindo a presença de Deus em nosso meio, como uma incessante e suave brisa divina, e o fogo do Espírito, que faz arder nossos corações, e assim, renovemos a graça da missão que o Senhor nos confia.

terça-feira, 30 de junho de 2026

Virtudes a serem cultivadas

 


                                                           

                               Virtudes a serem cultivadas

Retomo o comentário do Missal Cotidiano sobre as virtudes cardeais da realidade cristã:

“Neste terreno favorável devem florescer e desenvolver-se as virtudes cardeais da realidade cristã: a plenitude da fé (Hb 10,22), uma esperança indefectível que tem seu fundamento na fidelidade de Deus (Hb 10,23) e uma caridade ativa (Hb 10,24)”

É no chão do coração purificado de toda má consciência que a fé lança suas sementes fincando suas raízes, para que se elimine toda erva daninha do desânimo, de modo que a fina e pura flor da esperança exale todo seu odor, que se torna visível pela caridade e boas obras.

Todos nós nas travessias de mares assustadores, de desertos extenuantes com seus temores, de caminhos difíceis porque as pedras são inevitáveis, bem como das flores seus espinhos, precisamos da plenitude da fé.

Uma pessoa que tem fé com certeza não será submergida na travessia dos mares nem terá sua garganta ressequida, ou a alma falecida pela secura e aridez do deserto da existência humana.

Da mesma forma, jamais desistirá de trilhar seu caminho, porque sabe que com Ele, Jesus, o Caminho, é bem sabido o nosso mais desejado destino, não deixando a vida à deriva sem horizonte, sem rumo... (cf. Jo 14,6).

Com esperança indefectível, sem erros, vacilos, defeitos, fará de cada amanhecer uma nova possibilidade; de cada recuo, se necessário for, ponto de um novo avanço (assim são as ondas); se quedas houver, é para que se tome consciência das limitações, para cair toda pseudo-onipotência, para que se aprenda a curvar diante da Divina Onipotência, Deus.

Caridade, também no coração terá; uma caridade com um tom diferencial, que seja ativa. O amor será a mais bela chama que a todos contagia, porque é próprio do Amor de Deus assim fazer. O amor divino é como língua de fogo que aquece as realidades mais frias e sombrias, ilumina outras mais que escuras, desoladoras. O amor é fogo que não se consome, chama ardente de caridade que o coração invade, e luz que jamais se apaga (cf. 1 Cor 13,1-13).

Amar é revelar a presença de Deus e Seu esplendor, e glórias infinitas aos céus elevar... 

Bem disse Jesus ao nos conferir a identidade e a missão de sermos sal e luz do mundo: “Brilhe do mesmo modo a vossa luz diante dos homens, para que, vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16)

Plenitude de fé, esperança indefectível, caridade ativa,
Virtudes cardeais de Deus tão preciosas,
Que haveremos, com todo zelo, cuidar,
Cultivo tão belo e precioso jamais omitido.
Certeza de que o amanhã melhor há de ser,
Pois é próprio do amor de Deus fazer florescer
O que para nós for preciso e a vida mais bela ser...

Vai nascer a flor...

                                                                       

Vai nascer a flor...

Da esperança, na planície árida dos desesperados.
Da confiança, na planície inconstante dos inseguros.
Da alegria, na planície obscurecida dos entristecidos.
Da ação, na planície inibidora de sagrados compromissos.

Vai nascer a flor...

Da pureza, no cume da montanha, no coração dos inocentes.
Da verdade, no cume da montanha dos que não se curvam à mentira.
Da liberdade, no cume da montanha dos que a nada se escravizam.
Da sinceridade, no cume da montanha, dos que são transparentes.

Vai nascer a flor... 

Da acolhida, no vale dos que são rejeitados.
Da ternura, no vale dos que suplicam atenção.
Da valorização, no vale dos que são pisoteados.
Da dignidade sagrada, no vale dos que são violados.

Vai nascer a flor... 

Da fé, no abismo profundo do coração dos que não esmorecem.
Da esperança, no abismo profundo do coração dos que não vacilam.
Da caridade, no abismo profundo do coração dos que cultivam o amor.
Das virtudes divinas, que fazem florir o mais belo jardim.

Vai nascer a flor... 

De mil nomes possíveis, no canteiro imenso do mundo,
Porque assim faz Deus com Suas sementes imensuráveis,
Se acolhidas e regadas com Oração, e por vezes com lágrimas,
Na morte das sementes, vidas novas renascidas – Ressuscitadas.

Vai nascer a flor... 

Que perdemos provisoriamente lá no belo Paraíso,
Mas que pela fidelidade à Palavra vivida,
Com o arado da Cruz, o mundo preparado,
Novo céu, nova terra floridos: esperados, realizados.

Vai nascer a flor... 

No coração dos que não fixaram âncoras no passado,
Mas que se puseram a caminho com o Senhor:
Ora atravessando o deserto com seus desafios,
Ora a turbulenta água do mar da existência.

Vai nascer a flor...

No coração dos poetas e dos Profetas
Que sonham e descrevem um mundo diferente, renovado...
Que olham para o futuro com os olhos de Deus, o mais belo olhar.
Que veem, além do horizonte do sol poente, um novo amanhecer.

Vai nascer a flor...

No coração dos que não perdem a confiança na humanidade,
Que se abrem ao Mistério do Amor 
revelado pela Santíssima Trindade,
Que nutrem e germinam, no tempo presente, flores de eternidade. Amém.

Vai nascer a flor...



PS: Oportuno para refletirmos a passagem do Evangelho de Lucas (Lc 4,1-13) - onde-se lê "planície árida", podemos ler o "deserto" e aprofundar o tema do Jubileu da Esperança - 2025. Também para o Tempo do Advento, tempo de esperança, mudança e alegria pela vinda do Verbo que fez e fará morada entre nós.

A travessia é possível! Temos o Sopro do Espírito

                                                                          

A travessia é possível!
Temos o Sopro do Espírito

Retomo um trecho  do “Tratado sobre a Trindade” (séc IV), do Bispo Santo Hilário.

“... Apesar de ser esta a única manifestação da minha vontade, é preciso suplicar o auxílio de Vossa misericórdia. Desfraldando as velas da nossa fé e do nosso testemunho, vinde enchê-las com o Sopro do Vosso Espírito, e orientai-nos no caminho da pregação que iniciamos. Pois não nos faltará Aquele que prometeu: Pedi e vos será dado. Procurai e achareis.  Batei e a porta vos será aberta (Mt 7,7).”

Primeiramente, ressalto a sua súplica, o auxílio da misericórdia divina. O que seria de nossa miséria humana sem a misericórdia divina. Cada vez mais a humanidade precisa reconhecer sua condição de criatura diante do Criador que é fonte de bondade, ternura e misericórdia. Um mundo que prescinda de Deus e de Sua misericórdia mergulha num abismo absurdo de escuridão e da falta de sentido para a vida.

- Por que muitos se afastam da felicidade?

Inevitavelmente, o afastamento de Deus é a perda da própria felicidade, do sentido mais profundo do existir que dEle procede e para Ele retorna.

Por isto no Sermão da Montanha (Mt 5,1-12) Ele nos apresentou o Projeto da autentica felicidade, que não coincide com a felicidade que o mundo oferece. E, diz textualmente que se permanecermos nEle teremos a felicidade plena (Jo 15).

Dando um passo em suas palavras – “desfraldando as velas de nossa fé e testemunho”. Usando uma metáfora, a vida é como um barco em permanente travessia. Viver movidos pela fé que não dispensa o testemunho, aliás, para que  tenhamos sua autenticidade que sejam apresentadas as obras, o testemunho, a coerência, os fatos. A esterilidade da fé é diretamente proporcional à ausência do testemunho.

É tempo de darmos testemunho de nossa fé, que aliada às outras duas virtudes (esperança e caridade) serão imperativos de uma vida marcada por um salutar testemunho de santidade e santificação.

Santificamo-nos quando santificamos o outro, bem como nos santificamos quando o outro e seus apelos e clamores não ficam sem nossa resposta solidária (fome de: pão, amor, alegria, paz, respeito, dignidade).

Bem diferente do senso comum de santidade que muitas vezes se confunde no distanciamento do mundo, e deste modo acontece lamentavelmente a omissão de compromissos inadiáveis com o próximo, no qual consiste a verdadeira adoração a Deus.

A súplica necessária vem em seguida: “vinde encher com o Sopro do Teu Espírito” as velas da fé e do testemunho.

- O que seria de nossa fé e testemunho sem o Sopro do Espírito?
- Quantas vezes nos sentimos cansados nesta longa travessia e o Sopro do Espírito preenche todo o nosso ser?

E, assim, de súplica em súplica, o Sopro do Espírito enche a vela de nossa fé nos levando bem mais longe, até que um dia alcancemos a margem da eternidade.

É por causa do Sopro do Espírito que a vela de nosso testemunho segue levantada, garantindo travessia segura, não obstante os desafios cotidianos, inquietações, provações.

É por causa deste mesmo Sopro que damos testemunho de nossa fé com coragem e mansidão, cultivando, no mais profundo de nosso ser, a certeza de que nunca estamos sós.

É por causa deste mesmo Sopro que não recuamos, não submergimos nos mares das dificuldades inerentes à condição humana.

É por causa deste vital Sopro do Espírito que acordamos e fazemos de cada aurora a esperança de que um novo mundo há de acontecer. Cremos no novo céu, impelidos pelo Sopro do Espírito. Cremos que com o Sopro do Espírito nossa barca, apesar das agitações, seguirá até o seu porto final.

É por causa desta presença que não perdemos a consciência de onde viemos, por onde nos movemos e somos e para onde rumamos.

A vida é uma longa travessia que somente alcançará o seu êxito se não prescindirmos do Sopro do Espírito.

É preciso ter fé, é preciso testemunhar,
mas sempre com o Sopro do Divino Espírito.
Supliquemos e Ele nos será concedido! 
Amém!

PS:  Memória celebrada no dia 13 de janeiro.

Em poucas palavras...

                                                              


Sejamos levedados pela lógica eucarística

“‘Levedados’ pela ‘lógica eucarística’ da partilha/solidariedade para com todos, os cristãos são verdadeira e realmente ‘gerados’ pela  ‘Palavra da verdade’ que é o Evangelho, ou seja, o próprio Cristo.

Na medida em que aceitaram permanecer com Ele na barca, embora com as fadigas e a dificuldade de compreender e de viver, têm a garantia de uma Humanidade nova (Tg 1,12-18), que vive na escuta da Palavra do Senhor e a ela adequa os seus passos, como fez Noé, o justo (Gn 6,5-8; 7,1-5.10).” (1)

 

(1) Lecionário Comentado – Editora Paulus – Volume I – Lisboa – pp. 279-280

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