terça-feira, 12 de maio de 2026
“Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo” (2017)
“Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo”
Apresento alguns pontos da Mensagem do Papa Francisco para o 51ª Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no dia da Ascensão do Senhor de 2017, com o tema - “Não tenhas medo, que Eu estou contigo” (Is 43, 5), tendo como título “Comunicar esperança e confiança, no nosso tempo”.
No início, reconhece que graças ao progresso tecnológico, ao acesso aos meios de comunicação, muitas pessoas podem ter conhecimento, quase instantâneo, das notícias e divulgá-las, sejam boas ou más.
Em seguida, exorta para que tenhamos uma comunicação construtiva que promova a cultura do encontro:
“A todos quero exortar a uma comunicação construtiva, que, rejeitando os preconceitos contra o outro, promova uma cultura do encontro por meio da qual se possa aprender a olhar, com convicta confiança, a realidade”.
Fala-nos da necessidade de romper o círculo vicioso da angústia e deter a espiral do medo, resultante do hábito de se fixar a atenção nas «notícias más» (guerras, terrorismo, escândalos e todo o tipo de falimento nas vicissitudes humanas). Mas sem que caiamos na promoção da desinformação, onde seja ignorado o drama do sofrimento, num otimismo ingênuo que não se deixe tocar pelo escândalo do mal.
Antes, pelo contrário, gostaria que todos procurássemos ultrapassar aquele sentimento de mau-humor e resignação, que muitas vezes se apodera de nós, lançando-nos na apatia, gerando medos ou a impressão de não ser possível pôr limites ao mal. Aliás, num sistema comunicador, onde vigora a lógica de que uma notícia boa não desperta a atenção, e por conseguinte não é uma notícia, e onde o drama do sofrimento e o mistério do mal facilmente são elevados a espetáculo, podemos ser tentados a anestesiar a consciência ou cair no desespero.
Oferece-nos uma contribuição para a busca dum estilo comunicador aberto e criativo, que não se prontifique a conceder papel de protagonista ao mal, mas procurando evidenciar as possíveis soluções, inspirando uma abordagem propositiva e responsável nas pessoas a quem se comunica a notícia.
A necessidade da Boa Notícia que, para nós, cristãos, são os óculos adequados para decifrar a realidade só podem ser os da boa notícia: partir da Boa Notícia por excelência, ou seja, o «Evangelho de Jesus Cristo, Filho de Deus» (Mc 1, 1):
“Esta boa notícia, que é o próprio Jesus, não se diz boa porque nela não se encontra sofrimento, mas porque o próprio sofrimento é vivido num quadro mais amplo, como parte integrante do Seu amor ao Pai e à humanidade. Em Cristo, Deus fez-Se solidário com toda a situação humana, revelando-nos que não estamos sozinhos, porque temos um Pai que nunca pode esquecer os Seus filhos. «Não tenhas medo, que Eu estou contigo» (Is 43, 5): é a palavra consoladora de um Deus desde sempre envolvido na história do Seu povo”.
É preciso manter viva a esperança que não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações (cf. Rm 5, 5), e faz germinar a vida nova, como a planta cresce da semente caída na terra.
Deste modo, qualquer novo drama que aconteça na história do mundo torna-se cenário possível também de uma boa notícia, uma vez que o amor consegue sempre encontrar o caminho da proximidade e suscitar corações capazes de se comover, rostos capazes de não se abater, mãos prontas a construir.
A confiança na semente do Reino: “Para introduzir os Seus discípulos e as multidões nesta mentalidade evangélica e entregar-lhes os «óculos» adequados para se aproximar da lógica do amor que morre e ressuscita, Jesus recorria às parábolas, nas quais muitas vezes se compara o Reino de Deus com a semente, cuja força vital irrompe precisamente quando morre na terra (cf. Mc 4, 1-34)...
O Reino de Deus já está no meio de nós, como uma semente escondida a um olhar superficial e cujo crescimento acontece no silêncio. Mas quem tem olhos, tornados limpos pelo Espírito Santo, consegue vê-lo germinar e não se deixa roubar a alegria do Reino por causa do joio sempre presente”.
Os horizontes do Espírito: é a Boa Nova que ouviremos na Festa da Ascensão do Senhor: “Aparentemente o Senhor afasta-Se de nós, quando na realidade são os horizontes da esperança que se alargam. Pois em Cristo, que eleva a nossa humanidade até ao Céu, cada homem e cada mulher consegue ter «plena liberdade para a entrada no santuário por meio do sangue de Jesus. Ele abriu para nós um caminho novo e vivo através do véu, isto é, da Sua humanidade» (Heb 10, 19-20).
Através ‘da força do Espírito Santo’, podemos ser ‘testemunhas’ e comunicadores duma humanidade nova, redimida, ‘até aos confins da terra’ (cf. At 1, 7-8)”.
É preciso deixar-nos guiarmos pelo Espírito Santo, o Espírito Consolador, que nos capacita para discernir, em cada evento, o que acontece entre Deus e a humanidade, reconhecendo como Ele mesmo, no cenário dramático deste mundo, esteja compondo a trama de uma história de salvação.
Portanto, é preciso alimentar a esperança, sem cessar, com a Boa Notícia, reimpressa na vida dos Santos, que foram homens e mulheres que se tornaram ícones do amor de Deus.
Finaliza dizendo que é preciso, também, que em nós, “canais vivos”, o Espírito semeie o desejo do Reino, através de muitos «canais» vivos e faróis na escuridão deste mundo, que iluminam a rota e abrem novas sendas de confiança e esperança.
“Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo" (2016)
“Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”
Retomo alguns aspectos da Mensagem do Papa Francisco para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2016), celebrado na Festa da Ascensão do Senhor.
O tema da mensagem com plena sintonia com o Jubileu Extraordinário da Misericórdia: “Comunicação e Misericórdia: um encontro fecundo”, pois, afirma o Papa, “com efeito a Igreja unida a Cristo, encarnação viva de Deus Misericordioso, é chamada a viver a misericórdia como traço característico de todo o seu ser e agir.
Em vários momentos ressalta a importância de se usar corretamente as redes sociais para promover o bem da sociedade: “As redes sociais são capazes de favorecer as relações e promover o bem da sociedade, mas podem também levar a uma maior polarização e divisão entre as pessoas e os grupos”.
Se bem feita, “... a comunicação tem o poder de criar pontes, favorecer o encontro e a inclusão, enriquecendo assim a sociedade... As palavras podem construir pontes entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, os povos. E isto acontece tanto no ambiente físico como no digital”.
O Papa faz um convite para que todas as pessoas de boa vontade redescubram “... o poder que a misericórdia tem de curar as relações dilaceradas e restaurar a paz e a harmonia entre as famílias e nas comunidades. Todos nós sabemos como velhas feridas e prolongados ressentimentos podem aprisionar as pessoas, impedindo-as de comunicar e reconciliar-se”.
Citando Shakespeare, nos enriquece na compreensão do sentido de misericórdia: «A misericórdia não é uma obrigação. Desce do céu como o refrigério da chuva sobre a terra. É uma dupla bênção: abençoa quem a dá e quem a recebe» (“O mercador de Veneza”, Ato IV, Cena I).
Neste sentido aqueles que têm responsabilidades institucionais, políticas e de formação da opinião pública, para que estejam sempre vigilantes sobre o modo como se exprimem a respeito de quem pensa ou age de forma diferente e ainda de quem possa ter errado.
Urge um estilo de comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos: “Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. –, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas. É nosso dever admoestar quem erra, denunciando a maldade e a injustiça de certos comportamentos, a fim de libertar as vítimas e levantar quem caiu”.
Não se pode confundir uma sociedade enraizada na misericórdia como idealista ou excessivamente indulgente. Daí a importância fundamental de “escutar” para comunicar, pois, “Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento.”
Faz uma distinção entre escutar e ouvir: “Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. A escuta permite-nos assumir a atitude justa, saindo da tranquila condição de espectadores, usuários, consumidores.
Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de onipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum.
Escutar nunca é fácil. Às vezes é mais cômodo fingir-se de surdo. Escutar significa prestar atenção, ter desejo de compreender, dar valor, respeitar, guardar a palavra alheia. Na escuta, consuma-se uma espécie de martírio, um sacrifício de nós mesmos em que se renova o gesto sacro realizado por Moisés diante da sarça-ardente: descalçar as sandálias na «terra santa» do encontro com o outro que me fala (cf. Ex 3, 5). Saber escutar é uma graça imensa, é um dom que é preciso implorar e depois exercitar-se a praticá-lo”.
Quanto aos meios de comunicação, novamente exorta para que sejam bem utilizados: “Também e-mails, SMS, redes sociais, chat podem ser formas de comunicação plenamente humanas. Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor... O ambiente digital é uma praça, um lugar de encontro, onde é possível acariciar ou ferir, realizar uma discussão proveitosa ou um linchamento moral... Em rede, também se constrói uma verdadeira cidadania. O acesso às redes digitais implica uma responsabilidade pelo outro, que não vemos, mas é real, tem a sua dignidade que deve ser respeitada. A rede pode ser bem utilizada para fazer crescer uma sociedade sadia e aberta à partilha.
Finaliza afirmando que “... o encontro entre a comunicação e a misericórdia é fecundo na medida em que gerar uma proximidade que cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa. Num mundo dividido, fragmentado, polarizado, comunicar com misericórdia significa contribuir para a boa, livre e solidária proximidade entre os filhos de Deus e irmãos em humanidade”.
Comunicar a Família: Ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor (2015)
Comunicar a Família:
Ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor
Retomo alguns aspectos da Mensagem do Papa Francisco para o 49º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2015).
“Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor”. O verbo aprender é quase um “refrão” de toda a Mensagem.
O Papa nos apresenta a família como o lugar privilegiado para o aprendizado da comunicação, partindo da passagem bíblica sobre encontro de Maria com sua prima Isabel (Lc 1,39-56).
Neste acontecimento, temos a comunicação como um diálogo que se tece com a linguagem do corpo, de modo que a exultação pela alegria do encontro é, em certo sentido, o símbolo de qualquer outra comunicação que aprendemos ainda antes de chegar ao mundo, e assim, o ventre que nos abriga é a primeira “escola” de comunicação.
Mesmo vindo ao mundo, permanecemos como num “ventre” que é a família: um ventre feito de pessoas diferentes, inter-relacionando-se; a família torna-se um espaço onde se aprende a conviver na diferença, como mencionara na “Alegria do Evangelho” (cf. n.66).
Na família se aprende a falar na “língua materna”, dos antepassados (cf. 2 Mc 7, 21.27).
Em seguida, apresenta-nos três dinâmicas de comunicação aprendidas na família: a Oração, o perdão e a bênção.
Aprende-se na família a dimensão religiosa da comunicação, que é impregnada do Amor de Deus, que se dá a nós, e que nós oferecemos aos outros.
Na família, acontece a descoberta e a construção de proximidade: aprende-se a capacidade de abraçar, apoiar, acompanhar, decifrar olhares e silêncios, rir e chorar juntos, entre pessoas que não se escolheram e que são tão importantes uma para as outras.
Acena para o aprendizado da “visitação”, abrir as portas, não se encerrar no “próprio apartamento”, sair e ter com o outro: “A própria família é viva, respira abrindo-se para além de si mesma; e as famílias que assim procedem podem comunicar a sua mensagem de vida e comunhão, podem dar conforto e esperança ás famílias mais feridas, e fazer crescer a própria Igreja, que é uma família de famílias”.
A Igreja, como família de famílias, deve aprender a se comunicar de modo inclusivo, tornando nossas comunidades mais acolhedoras para com todos, sem a exclusão de ninguém.
Em alusão aos atuais meios de comunicação mais modernos, acena para sua dupla possibilidade: tanto podem dificultar como ajudar a comunicação em família e entre as famílias.
Dificulta quando se torna uma forma de subtração da escuta, levando ao isolamento, apesar da presença física, saturando todo momento de silêncio e espera.
De outro lado, pode favorecer se ajuda a narrar (compreenda-se “narrar” a necessária superação do produzir e consumir informação) e compartilhar; a permanecer em contato com os de longe, agradecendo e pedindo perdão, tornando possível, sem cessar o encontro pessoal:
“Descobrindo diariamente este centro vital que é o encontro, este ‘início vivo’, sabemos orientar o nosso relacionamento com as tecnologias, em vez de nos deixarmos arrastar por elas. Também neste campo, os primeiros educadores são os pais. Mas não devem ser deixados sozinhos; a comunidade cristã é chamada a colocar-se a seu lado, para que saibam ensinar os filhos a viver, no ambiente da comunicação, segundo os critérios da dignidade da pessoa humana e do bem comum”.
Apresenta-nos a família não como um “modelo abstrato”, e tão pouco como um problema ou uma instituição em crise, e é preciso que cada família seja chamada a contribuir na reflexão de toda a Igreja sobre a vocação e a missão da família hoje, com sua beleza e riqueza, limitações e imperfeições.
Acenando para o protagonismo da família como espaço do aprendizado da comunicação, exorta que esforços sejam multiplicados, não para a defesa do passado, mas com trabalho, paciência e confiança, em todos os ambientes, para a construção do futuro.
Num contexto marcado pelo individualismo, sejam nossas famílias uma grande comunicação, um ambiente concreto de aprendizagem à comunicação, relacionamento e abertura ao outro, acenando que no horizonte outra sociedade é possível, se construída por laços de amor e gratuidade entre esposos, pais e filhos, irmãos e irmãs.
“Silêncio e palavra: caminho de evangelização” (2012)
“No silêncio da Cruz, fala a eloquência
do Amor de Deus vivido até o dom supremo.”
Oportuno retomar a Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais (2012), do Papa Bento XVI: “Silêncio e palavra: caminho de evangelização”.
O Papa nos fala do processo humano da comunicação que deve se dar na perfeita articulação entre silêncio e palavra, que constituem dois momentos da comunicação que devem se equilibrar, alternar e integrar entre si para se alcançar um diálogo autêntico e uma união desejável e profunda entre as pessoas.
É preciso afastar todos os ruídos para o aprendizado deste processo humano de comunicação, para não cairmos na deterioração da comunicação, gerando indiferença, esvaziamento do conteúdo dos relacionamentos.
A ausência do silêncio pode levar à perda da densidade e do conteúdo das palavras, por isto é preciso aprender a escutar e falar, falar e escutar, num movimento contínuo.
Somente a escuta de si mesmo e do outro, num diálogo sincero, possibilita relações humanas mais plenas. Somente através do silêncio somos capazes de perceber o que acontece ao nosso redor: alegrias, preocupações, sofrimentos e quaisquer outras formas de expressão.
O silêncio fecundo também possibilita o discernimento entre o que é essencial e o que é inútil ou acessório, sobretudo num mundo em que as informações são tão abundantes.
O Papa se vale de um conceito muitíssimo interessante para falar do processo de comunicação como uma espécie de “ecossistema”, na perfeita harmonia entre silêncio, palavra, imagens e sons.
Silêncio é precioso também para favorecer o discernimento necessário para questões pertinentes: “Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar?”.
Silêncio e reflexão possibilitarão o encontro para as respostas, e assim será possível que a pessoa desça até o mais fundo de si mesma, abrindo-se para o caminho de resposta inscrito por Deus em seu coração. Numa palavra: aprofundar no silêncio a intimidade com Deus e o encontro consigo mesmo.
O Papa ressalta a importância dos Meios de Comunicação Social através de sites, aplicações e redes sociais, que se bem utilizados podem favorecer o silêncio, ocasiões de Oração meditação ou partilha da Palavra, até mesmo com breves mensagens (por exemplo, um versículo bíblico). Tudo deve colaborar para o “o cultivo da própria interioridade”.
Acenando para a Cruz, nos fala do silêncio da Cruz. Nela ocorre a fala mais eloquente do Amor de Deus vivido até o dom supremo.
Deus nos fala no Mistério do Seu silêncio. Na Cruz se dá o maior momento de seu silêncio, e nele falamos com Deus e de Deus.
É preciso que aprendamos a passar do nível da linguagem que se revela inadequada à contemplação silenciosa, e desta para a missão.
Isto somente se torna possível quando mergulhamos na fonte do Amor que nos guia ao encontro do nosso próximo, e nos tornamos testemunhas do desígnio da salvação divina. Assim anunciamos o verdadeiro Rosto de Deus Pai, a nós revelado por Jesus com Sua Cruz e Ressurreição.
O coração humano somente encontrará respostas para sua inquietação no Mistério de Cristo; do qual nasce a missão da Igreja e nos faz anunciadores de esperança e salvação, e testemunhas do verdadeiro amor, comprometidos com a dignidade humana, construindo relações de justiça e paz.
Finaliza acenando mais uma vez para o necessário processo de educação em comunicação, que consiste em muito mais que falar, mas aprender a escutar e contemplar.
O Papa confia a obra da evangelização da Igreja, através dos meios de comunicação social, a Maria, cujo silêncio “escuta e faz florescer a Palavra” (Oração pela Ágora dos Jovens italianos em Loreto 1-2 de setembro de 2007).
O desafio da Evangelização na rede (2011)
O desafio da Evangelização na rede
Retomo a citação do Papa Bento XVI em que ele ressalta a missão da Igreja que é chamada a “... descobrir, também na cultura digital, símbolos e metamorfoses significativas para as pessoas, que possam ser uma ajuda para falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo.”.
Tenho experimentado a força deste espaço... Quanto bem tem levado a muitas pessoas, conhecidas ou não (esta é uma das múltiplas faces da cultura digital, que nos desafia e nos aproxima).
Evidentemente, tanto aqui como no contato pessoal, com pequenos grupos ou grande número de pessoas em Assembleias, a Palavra é a mesma a ser anunciada e deve ser feito sempre com o mesmo amor.
A cultura digital tem seu fascínio, seu encanto, mas não dispensa o contato pessoal. Impressionante a intuição e a coragem do Papa na busca da compreensão da cultura digital, mais ainda a motivação para que não nos furtemos dela, não sejamos omissos. Haveremos de ser criativos e usar os meios lícitos e pertinentes para comunicar a Boa Nova do Evangelho, sem jamais o trair.
Quais símbolos e metamorfoses significativas haveremos de descobrir e utilizar para que cada letra, cada palavra, cada texto postado ou quaisquer outros trabalhos maiores realizados favoreçam a conversão e a transformação das pessoas, como alegre sinal do Reino a ser anunciado e construído?
Como ajudar, através da cultura digital, a realização do homem contemporâneo sem jamais se distanciar da verdade de Jesus Cristo, da Igreja e do homem?
Por isto manifesto mais uma vez meu anseio que o leitor não apenas visite este blog, mas faça dele um momento forte de oração revitalizando-se no essencial de Deus que é o Amor, e assim amar como Ele ama.
O mundo será mais belo se aprendermos a amar como Deus nos ama, sem nenhum acréscimo e nenhuma complicação. Amar na medida do Amor de Deus, se é que podemos falar em medida...
Ter Sal em nós é preciso para dar ao mundo novo sabor. Ser Luz nas mais diversas situações obscuras, nas "cavernas sombrias e escuras" da existência. Não podemos esconder a luz sob a mesa, tão pouco deixar o sal perder seu sabor, há muito Ele nos advertiu.
Anunciar a Boa Nova do Evangelho é preciso, sobre os telhados, como já anunciara o Senhor.
Reflitamos:
Quais os esforços que realizamos para a compreensão da cultura digital?
De que modo ela com seus símbolos e recursos beirando o infinito podem ajudar a tornar homens e mulheres mais felizes?
Como tornar na cultura digital o Evangelho verdadeiramente uma Boa Nova para homem e mulher contemporâneos?
Alguns princípios não podemos perder de vista, que são acima de tudo pautados no Evangelho e dentre os quais destacamos: amor, verdade, justiça, liberdade, fraternidade, comunhão, respeito, solidariedade, paz, felicidade...
Que a cultura digital não contratestemunhe a própria cultura, que consiste em criar laços de comunhão, no respeito às diferenças, promovendo a realização da pessoa consigo mesma, com o outro e com Deus.
Há um imenso mar a ser descoberto. E, assim é o mar: quanto mais profundo for o mergulho, mais belos e encantadores serão seus mistérios.
PS: Citação extraída da mensagem intitulada “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital", do 45º Dia Mundial das Comunicações Sociais (2011)
O Presbítero e os meios de comunicação social (2010)
O Presbítero e os meios de comunicação social
Sobre a missão dos Presbíteros nos meios de comunicação social, sobretudo neste tempo que estamos vivendo, em que se multiplica a sua atuação nos mesmos, oportuno retomar a Mensagem para o 44º dia Mundial das Comunicações Sociais, do Papa Bento XVI, no ano de 2010, dada a pertinência e atualidade do Tema: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”.
Acena para a crescente importância dos modernos meios de comunicação que fazem parte, desde há muito tempo, como instrumentos na ação evangelizadora.
A missão sacerdotal tem como tarefa primária anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de Salvação mediante os Sacramentos, citando a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 10,11.13-15), sobre esta “altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal – “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?”
Novamente citando o Apóstolo – “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16), vê no mundo digital a abertura de perspectivas e concretizações notáveis para a evangelização aconteça, de modo que o sacerdote se ocupará pastoralmente disto, colocando todos os media ao serviço da Palavra.
No entanto, é pedido aos presbíteros a capacidade de “...estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas ‘vozes’ que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos ‘media’ tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese”.
O sacerdote na pastoral digital, como consagrado deve fazer transparecer seu coração de consagrado e revelando a todos e à humanidade desorientada de hoje, que “Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros” (Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].
A missão do consagrado nos meios de comunicação, no complexo “ciberespaço”, é “aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral”.
Reafirma a necessidade, como Igreja, colaborar na promoção de uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana, no exercício da “diaconia da cultura” no atual “continente digital”.
Um desafio para a pastoral no mundo digital: a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contato com crentes de todas as religiões, com não crentes e pessoas de todas as culturas.
Citando o Profeta Isaías (Is 56,7), indaga se não é ocaso da necessidade de prever que a internet possa dar espaço – como o “pátio dos gentios” do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido.
Neste sentido os novos media oferecem aos presbíteros:
- perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta;
- possibilidade ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar.
No entanto, não se pode esquecer a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos, sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.
Conclui renovando o convite para que os Sacerdotes aproveitem com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna, tornando-se apaixonados anunciadores da Boa Nova na “ágora” moderna criada pelos meios atuais de comunicação.
Se desejar, acesse e leia na integra:
segunda-feira, 11 de maio de 2026
Em poucas palavras...
Da Leitura à prática
“Abba
Eulógio do Enaton (Nono marco miliário de Alexandria) costumava dizer:
‘Em Kellia
vivia um irmão, que depois de passar vinte anos aplicando-se dia e noite à
leitura, certo dia levantou-se, vendeu todos os livros que possuía e, tomando sua
capa de pele de carneiro, partiu para o deserto interior.
Abba Isaac
encontrou-se com ele e lhe disse:
‘Para onde
vais, meu filho?’
O irmão
respondeu:
‘Pai, passei vinte anos ouvindo apenas as
palavras dos livros sagrados e agora quero finalmente começar a pôr em prática
o que ouvi destes livros’.
O ancião
rezou por ele e o despediu.”
(1) Ditos anônimos dos pais do deserto – Editora Vozes – 2023 – n.
541 – p. 356
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