terça-feira, 12 de maio de 2026

O Presbítero e os meios de comunicação social (2010)

                                                     

O Presbítero e os meios de comunicação social

Sobre a missão dos Presbíteros nos meios de comunicação social, sobretudo neste tempo que estamos vivendo, em que se multiplica a sua atuação nos mesmos, oportuno retomar a Mensagem para o 44º dia Mundial das Comunicações Sociais, do Papa Bento XVI, no ano de 2010, dada a pertinência e atualidade do Tema: “O sacerdote e a pastoral no mundo digital: os novos media ao serviço da Palavra”.

Acena para a crescente importância dos modernos meios de comunicação que fazem parte, desde há muito tempo, como instrumentos na ação evangelizadora.

A missão sacerdotal tem como tarefa primária anunciar Cristo, Palavra de Deus encarnada, e comunicar a multiforme graça divina portadora de Salvação mediante os Sacramentos, citando a passagem da Carta de Paulo aos Romanos (Rm 10,11.13-15), sobre esta “altíssima dignidade e beleza da missão sacerdotal – “Todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”. […] Portanto, todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. Mas como hão-de invocar Aquele em quem não acreditam? E como hão-de acreditar n’Aquele de quem não ouviram falar? E como hão-de ouvir falar, se não houver quem lhes pregue? E como hão-de pregar, se não forem enviados?”

Novamente citando o Apóstolo – “Ai de mim se não anunciar o Evangelho!” (1 Cor 9,16), vê no mundo digital a abertura de perspectivas e concretizações notáveis para a evangelização aconteça, de modo que o sacerdote se ocupará pastoralmente disto, colocando todos os media ao serviço da Palavra.

No entanto, é pedido aos presbíteros a capacidade de “...estarem presentes no mundo digital em constante fidelidade à mensagem evangélica, para desempenharem o próprio papel de animadores de comunidades, que hoje se exprimem cada vez mais frequentemente através das muitas ‘vozes’ que surgem do mundo digital, e anunciar o Evangelho recorrendo não só aos ‘media’ tradicionais, mas também ao contributo da nova geração de audiovisuais (fotografia, vídeo, animações, blogues, páginas internet) que representam ocasiões inéditas de diálogo e meios úteis inclusive para a evangelização e a catequese”.

O sacerdote na pastoral digital, como consagrado deve fazer transparecer seu coração de consagrado e revelando a todos e à humanidade desorientada de hoje, que “Deus está próximo, que, em Cristo, somos todos parte uns dos outros” (Bento XVI, Discurso à Cúria Romana na apresentação dos votos de Natal: «L’Osservatore Romano» (21-22 de Dezembro de 2009) pág. 6].

A missão do consagrado nos meios de comunicação, no complexo “ciberespaço”, é “aplanar a estrada para novos encontros, assegurando sempre a qualidade do contacto humano e a atenção às pessoas e às suas verdadeiras necessidades espirituais; oferecendo, às pessoas que vivem nesta nossa era «digital», os sinais necessários para reconhecerem o Senhor; dando-lhes a oportunidade de se educarem para a expectativa e a esperança, abeirando-se da Palavra de Deus que salva e favorece o desenvolvimento humano integral”.

Reafirma a necessidade, como Igreja, colaborar na promoção de uma cultura que respeite a dignidade e o valor da pessoa humana, no exercício da “diaconia da cultura” no atual “continente digital”.

Um desafio para a pastoral no mundo digital: a ter em conta também aqueles que não acreditam, caíram no desânimo e cultivam no coração desejos de absoluto e de verdades não caducas, dado que os novos meios permitem entrar em contato com crentes de todas as religiões, com não crentes e pessoas de todas as culturas.

Citando o Profeta Isaías (Is 56,7), indaga se não é ocaso da necessidade de prever que a internet possa dar espaço – como o “pátio dos gentios” do Templo de Jerusalém – também àqueles para quem Deus é ainda um desconhecido.

Neste sentido os novos media oferecem aos presbíteros:
- perspectivas sempre novas e, pastoralmente, ilimitadas, que os solicitam a valorizar a dimensão universal da Igreja para uma comunhão ampla e concreta;
- possibilidade ser no mundo de hoje testemunhas da vida sempre nova, gerada pela escuta do Evangelho de Jesus, o Filho eterno que veio ao nosso meio para nos salvar.

No entanto, não se pode esquecer a fecundidade do ministério sacerdotal deriva primariamente de Cristo encontrado e escutado na oração, anunciado com a pregação e o testemunho da vida, conhecido, amado e celebrado nos sacramentos, sobretudo da Santíssima Eucaristia e da Reconciliação.

Conclui renovando o convite para que os Sacerdotes aproveitem com sabedoria as singulares oportunidades oferecidas pela comunicação moderna, tornando-se apaixonados anunciadores da Boa Nova na “ágora” moderna criada pelos meios atuais de comunicação.

Se desejar, acesse e leia na integra:

segunda-feira, 11 de maio de 2026

Em poucas palavras...

 


Da Leitura à prática

“Abba Eulógio do Enaton (Nono marco miliário de Alexandria) costumava dizer:

‘Em Kellia vivia um irmão, que depois de passar vinte anos aplicando-se dia e noite à leitura, certo dia levantou-se, vendeu todos os livros que possuía e, tomando sua capa de pele de carneiro, partiu para o deserto interior.

Abba Isaac encontrou-se com ele e lhe disse:

‘Para onde vais, meu filho?’

O irmão respondeu:

 ‘Pai, passei vinte anos ouvindo apenas as palavras dos livros sagrados e agora quero finalmente começar a pôr em prática o que ouvi destes livros’.

O ancião rezou por ele e o despediu.”

 

(1) Ditos anônimos dos pais do deserto – Editora Vozes – 2023 – n. 541 – p. 356

Enviai, Senhor, o Defensor, o Espírito da Verdade

                                            


Enviai, Senhor, o Defensor, o Espírito da Verdade
 
Senhor Jesus, Vossas Palavras nos aquecem e acalentam, quando ao partir, no Mistério de Paixão e Morte, em Vossa despedida, nos dissestes: “É bom para vós que Eu parta; se Eu não for não virá a vós o Defensor, mas, se Eu me for, Eu vo-lo mandarei” (Jo 16,7).
 
Senhor Jesus, também são preciosas Vossas Palavras que nos enchem de coragem e esperança:“O Espírito da Verdade vos conduzirá à plena verdade” Pois Ele não falará por si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido; e até as coisas futuras vos anunciará” (Jo 16,13).
 
Senhor Jesus, no anúncio e testemunho de Vosso Evangelho, quão preciosa e insubstituível a presença do Vosso Espírito, que vem nos  iluminar, guiar, estimular a Igreja a interpretar sempre mais fundo a Vossa Palavra.
 
Senhor Jesus, com o Vosso Espírito, a Palavra de Deus não é um depósito de proposições cristalizadas, mas uma Palavra viva e eficaz que penetra nossa alma, no mais profundo de nós, iluminando os cantos mais obscuros que houver (Hb 4,12).
 
Senhor Jesus, com a assistência do Espírito da Verdade, o Defensor, temos a orientação para a plenitude da verdade, e também estímulo para a compreensão sempre nova e criativa da realidade em que nos encontramos.
 
Senhor Jesus, com Vosso Espírito da Verdade, somos revigorados para uma fidelidade de leitura e interpretação da Palavra Sagrada, a fim de que não incorramos em acomodações humanas, omissões ou conivências incoerentes com a Boa-Nova do Reino.
 
Senhor Jesus, enviai junto do Pai, onde estais, o Vosso Espírito da Verdade, pois Ele é nosso Defensor nesta dura e desafiadora travessia do deserto a ser feita, até que possamos alcançar outras margens por Vós para nós preparadas.
 
Senhor Jesus, enviai de junto do Pai, onde reinais na plena comunhão de amor, o Vosso Espírito, o Defensor, para que não nos curvemos diante das dificuldades, e jamais seja vacilante nossa fé, sem vida nossa esperança e inexpressiva a nossa caridade. Amém.


PS: Oportuna para a passagem do Evangelho de João (Jo 15,26-16,4a)

A ação do Espírito Santo pelo Batismo

                                                     


A ação do Espírito Santo pelo Batismo

Reflitamos a partir do Tratado sobre a Trindade, de Dídimo de Alexandria (Séc. IV) sobre a ação do Espírito Santo que recebemos ao sermos batizados e reintegrados na beleza primitiva! 

“O Espírito Santo, que é Deus juntamente com o Pai e o Filho, nos renova pelo Batismo; e do nosso estado de imperfeição, reintegra-nos na beleza primitiva.

Torna-nos de tal forma repletos de Sua graça, que não podemos admitir em nós qualquer coisa que não deva ser desejada. Além disso, liberta-nos do pecado e da morte. E de terrenos que somos, quer dizer, feitos do pó da terra, nos faz espirituais, participantes da glória divina, filhos e herdeiros de Deus Pai.

Faz-nos ainda conformes à imagem do Filho, seus coerdeiros e irmãos, destinados a ser um dia glorificados e a reinar com Ele. Em vez da terra, dá-nos de novo o céu, abre-nos generosamente as portas do paraíso, honra-nos mais do que os próprios Anjos.

E com as Águas Divinas do Batismo, apaga as imensas e inextinguíveis chamas do inferno...

Os homens são concebidos duas vezes: uma corporalmente, a outra, pelo divino Espírito. Acerca de um e de outro nascimento, escreveram muito bem os autores sagrados. Citarei o nome e a doutrina de cada um.

João diz: A todos que o receberam, deu-lhes a capacidade de se tornarem filhos de Deus, isto é, aos que acreditam em seu nome, pois estes não nasceram do sangue nem da vontade da carne nem da vontade do homem, mas de Deus mesmo (Jo 1,12-13).

Todos os que acreditaram em Cristo, afirma ele, receberam a capacidade de se tornarem filhos de Deus, quer dizer, do Espírito Santo, e participantes da natureza divina.

E para ficar bem claro que o Deus que gera é o Espírito Santo, acrescenta estas palavras de Cristo: Em verdade, em verdade, te digo, se alguém não nasce da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus (Jo 3,5).

A fonte batismal dá à luz de maneira visível nosso corpo visível, pelo ministério dos Sacerdotes; mas o Espírito de Deus, invisível a todas as inteligências, é que batiza e regenera simultaneamente o corpo e a alma, pelo Ministério dos Anjos.

João Batista, historicamente e de acordo com esta expressão: da Água e do Espírito, diz a respeito de Cristo: Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo (Mt 3,11; Lc 3,16).

Como um vaso de barro, o homem precisa primeiro ser purificado pela água; em seguida, fortalecido e aperfeiçoado pelo fogo espiritual (Deus, com efeito, é um fogo devorador).

Precisamos, portanto, do Espírito Santo para nossa perfeição e renovação. Pois o fogo espiritual sabe também regar, e a água batismal é também capaz de queimar como o fogo”. (1)

Agradeçamos a Deus pela indescritível ação do Espírito naquele que O recebe, e é a maior graça que recebemos de nos tornarmos Sua morada.

Como diz São Basílio Magno: “o Espírito nos diviniza...”, e concluindo, renovemos nosso Batismo elevando a Deus este canto:

“Banhados em Cristo somos uma nova criatura, as coisas antigas já se passaram, somos nascidos de novo. Aleluia, Aleluia...” 

(1) Liturgia das Horas - Volume II - Quaresma/Páscoa - p. 794-795

Em poucas palavras...

                                                 




O Espírito Santo nos acompanha em todo o tempo

“A vida cristã é vista, a um só tempo, como vida de tentação e de testemunho.

Por isso, Jesus liga uma à outra e ambas ao Espírito, que dará força e lealdade para o testemunho, assim como para a perseguição.

Sobretudo quando cada cristão não se esquece de seu dever de reforma e conversão permanente.”  (1)

 

 

(1) Comentário do Missal Cotidiano - Editora Paulus, sobre a passagem do Evangelho de João (Jo 15,26-16,4a)- p. 450

domingo, 10 de maio de 2026

Pássaro solitário

                              

Pássaro solitário
 
“Espere no Senhor. Seja forte! Coragem!
Espere no Senhor.”
(Sl 27,14)

Como que sem vontade de voar,
Olhar fixo no horizonte do nada,
Por algum tempo, um pássaro ali parado.
E meu olhar fixo nele, à distância
 
Não queria que ele voasse.
Não por mais um instante.
Aquela solidão, um céu cinza de fundo,
Reportam à solidão de muitos,
 
Que também fixam o olhar
No horizonte do nada,
Sem mais esperança alguma:
Por que resistir? Melhor se entregar...
 
A solidão e o pássaro imóvel,
Um breve instante que soou como uma eternidade.
Assim, por vezes, alguém pode se sentir.
Mas é preciso bater asas,
 
Crer que o céu para sempre cinza, não ficará.
Mais cedo ou mais tarde, voltará o azul,
E também os voos em busca do melhor.
Forças revigoradas, asas bater, voar...
 
O pássaro e o cinza do céu,
Cenário do cotidiano que me fez pensar:
Se preciso, pousar e silenciar,
Ainda que por um instante.
 
Se dos olhos tristes lágrimas verterem,
Que não seja expressão de esforços em vão;
De ações multiplicadas inúteis e desgastantes.
 
O cinza do céu, apenas uma passagem,
Que na vida de todos presente pode estar,
Mas não para sempre, assim cremos.
 
Viver sem perder a fé e a esperança,
virtudes que se cultivam no coração,
de mãos dadas com a virtude maior:
 
O amor necessariamente renovado,
Novos céus há que se esperar e buscar...
 
A solidão e a aparente tristeza do pássaro,
O cinza do céu, o silêncio
O recolhimento, a oração...
 
Voemos nas asas do Espírito,
Que renova nossas forças,
Comunica graça e paz,
 
E derrama, copiosamente, o amor divino;
para voos mais altos e para o eterno,
Haveremos de, incansavelmente, buscar.
 Amém. Aleluia! Aleluia!

Quem fora prometido, veio em nosso socorro!

                                               


Quem fora prometido, veio em nosso socorro!
 
Saí a procura, pelas ruas, praças e jardins,
De alguém que comigo acredita no poder de sonhar.
Na certeza de que sonhos coletivos não serão apenas sonhos.
Porque uma luz de sagrados compromissos nasce inevitavelmente,
E acredita não serem, para sempre, as noites escuras da alma.
 
Vamos sonhar juntos a paz mais que desejável, possível,
Desde que não fique para amanhã, mas que começa no instante
Em que os pés se põem a caminho edificando pontes
Que aproximam, encurtam distâncias, fraternidade promovida.
Enamorados pela beleza da existência, sacralidade da vida.
 
Temos a fé que impulsiona, a esperança que não decepciona,
A caridade que, nas entranhas da coração de quem crê, inflama,
Com a presença e ação do Espírito que vem ao nosso encontro:
“Branda e suave é a Sua aproximação; benigna e agradá­vel é a Sua presença; levíssimo é o Seu jugo!” (1)
 
“A Sua chegada é precedida por esplêndidos raios de luz e ciência. 
Ele vem com o amor entranhado de um irmão mais velho: 
vem para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, ilu­minar a alma de quem O recebe, e, depois,
por meio desse, a alma dos outros”.  (2)
 
Ele vem caminhar conosco, basta suplicarmos.
Não estamos sós, temos um Advogado, Consolador,
Amável Paráclito, que nos conhece mais que nós a nós mesmos.
Habita no profundo de nós: conhece nossas angústias e esperanças,
Alegrias e tristezas e nos confia uma missão a realizar. Amém.
 
“Vinde Espírito Santo, enchei os corações dos vossos fiéis...”
 
 
(1) ;(2) São Cirilo de Jerusalém (séc. IV)

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4º Bispo da Diocese de Guanhães - MG