terça-feira, 31 de março de 2026

Fixemos nosso olhar na Cruz de Nosso Senhor (Semana Santa)

                                                         

Fixemos nosso olhar na Cruz de Nosso Senhor

Celebremos a Semana Santa, a semana do indizível e imenso amor de Deus por nós, e o poder radiante da Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo, como rezamos no Prefácio da Missa da Paixão do Senhor (I):

“Pois, pela paixão salvadora do vosso Filho, o mundo inteiro recebeu a missão de proclamar a vossa glória.

A força radiante da cruz, manifesta o julgamento do mundo e o poder de Jesus Crucificado.”(1)

Fixemos nossos olhos no Senhor, que é sempre uma graça que eleva nossos pensamentos e revigora nossas forças, e meditemos as palavras do Apóstolo Paulo aos Coríntios:

“Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a Ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual Se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação,” 
(1Cor 1,27b-30).

Oportunas as palavras do Papa São Leão Magno (séc V):

“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

Olhos fixos no Senhor e vemos que em Sua “fraqueza”, deixou-se atraiçoar e crucificar, revelando e confiando no Seu amor oblativo e o amor do Pai que não O abandonará, mas O Ressuscitará.

Olhos fixos no Senhor, para ficar com Ele até o fim, no indizível amor que testemunha em nosso favor, ainda que imerecidamente.

Mantenhamos os olhos da alma fixos no Senhor e o coração em plena sintonia com o Seu Sagrado Coração trespassado e dilatado para que nele coubéssemos, como tão bem expressou São Pedro Crisólogo (séc V), na contemplação  da humanidade/divindade de Jesus:

“Talvez vos perturbe a enormidade de meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em mim o amor por vós.

Estas Chagas não Me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O Meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o Meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para mim, mas é o preço do vosso resgate”.

No silêncio e no recolhimento permaneçamos. Com os olhos e o coração fixos no Senhor, pois quem nos amou tanto assim?

Concluo com as palavras do Papa Francisco que assim falou:

“Há tanto barulho no mundo. Aprendamos a estar em silêncio dentro de nós mesmos e diante de Deus”.

(1) Missal Romano - Edição antiga

Olhos fixos no Senhor (Semana Santa)

                                                             

Olhos fixos no Senhor

Olhos fixos no Senhor, é sempre uma graça que eleva nossos pensamentos e revigora nossas forças.

Olhos fixos no Senhor, meditando as palavras do Apóstolo Paulo aos Coríntios (cf. 1Cor 1,27b-30):

“Deus escolheu o que o mundo considera como fraco, para assim confundir o que é forte; Deus escolheu o que para o mundo é sem importância e desprezado, o que não tem nenhuma serventia, para assim mostrar a inutilidade do que é considerado importante, para que ninguém possa gloriar-se diante dele. É graças a ele que vós estais em Cristo Jesus, o qual se tornou para nós, da parte de Deus: sabedoria, justiça, santificação e libertação”. 

Mais uma vez lembramos as palavras do Papa São Leão Magno (séc V):

“Através d’Ele (Jesus Cristo morto na Cruz) é dado aos crentes a força na fraqueza, a glória na humilhação, a vida na morte”.

Olhos fixos no Senhor e vemos que em Sua “fraqueza”, deixou-se atraiçoar e crucificar, revelando e confiando no Seu amor oblativo e o amor do Pai que não O abandonará, mas O Ressuscitará.

Olhos fixos no Senhor, para ficar com Ele até o fim, no indizível amor que testemunha em nosso favor, ainda que imerecidamente.

Mantenhamos os olhos da alma fixos no Senhor e o coração em plena sintonia com o Seu Sagrado Coração trespassado e dilatado para que nele coubéssemos, como tão bem expressou São Pedro Crisólogo (séc. V), na contemplação  da humanidade/divindade de Jesus:

“Talvez vos perturbe a enormidade de Meus sofrimentos por vós. Não tenhais medo. Estes cravos não Me provocam dor, mas cravam mais profundamente em Mim o amor por vós.

Estas Chagas não Me fazem soltar gemidos, mas vos introduzem ainda mais intimamente em Meu coração. O Meu corpo, ao ser estirado na Cruz, não aumenta o Meu sofrimento, mas dilata espaços do coração para vos acolher. Meu Sangue não é uma perda para Mim, mas é o preço do vosso resgate”.

No silêncio e no recolhimento permaneçamos com os olhos e o coração fixos no Senhor, pois quem nos amou tanto assim?

Imitar Jesus na vida e na morte sempre!

                                                           

Imitar Jesus na vida e na morte sempre!

Sejamos iluminados pelo texto “Do Livro sobre o Espírito Santo”, de São Basílio Magno, Bispo (Séc. IV).

"O desígnio de nosso Deus e Salvador em relação ao homem consiste em levantá-lo de sua queda e fazê-lo voltar, do estado de inimizade ocasionado por sua desobediência, à intimidade divina.

A vinda de Cristo na carne, os exemplos de Sua vida apresentados pelo Evangelho, a Paixão, a Cruz, o Sepultamento e a Ressurreição não tiveram outro fim senão salvar o homem, para que, imitando a Cristo, ele recuperasse a primitiva adoção filial.

Portanto, para atingir à perfeição, é necessário imitar a Cristo, não só nos exemplos de mansidão, humildade e paciência que Ele nos deu durante a Sua vida, mas também imitá-Lo em Sua morte, como diz São Paulo, o imitador de Cristo:

'Tornando-me semelhante a Ele na Sua morte, para ver se alcanço a ressurreição dentre os mortos' (Fl 3,10).

Mas como poderemos assemelhar-nos a Cristo em Sua morte?
Sepultando-nos com Ele por meio do Batismo.

Em que consiste este sepultamento e qual é o fruto dessa imitação?

Em primeiro lugar, é preciso romper com a vida passada. Mas ninguém pode conseguir isto se não nascer de novo, conforme a Palavra do Senhor, porque o renascimento, como a própria palavra indica, é o começo de uma vida nova. Por isso, antes de começar esta vida nova, é preciso por fim à antiga.

Assim como, no estádio, os que chegam ao fim da primeira parte da corrida, costumam fazer uma pequena pausa e descansar um pouco, antes de iniciar o retorno, do mesmo modo, era necessário que nesta mudança de vida interviesse a morte, pondo fim ao passado para começar um novo caminho.

E como imitar a Cristo na Sua descida à mansão dos mortos?
Imitando no Batismo o Seu sepultamento. Porque os corpos dos batizados ficam, de certo modo, sepultados nas águas.

O Batismo simboliza, pois, a deposição das obras da carne, segundo as palavras do Apóstolo:

'Vós também recebestes uma circuncisão, não feita por mão humana, mas uma circuncisão que é de Cristo, pela qual renunciais ao corpo perecível. Com Cristo fostes sepultados no Batismo' (Cl 2,11-12).

Ora, o Batismo, por assim dizer, lava a alma das manchas contraídas por causa das tendências carnais, conforme está escrito:

'Lavai-me e mais branco do que a neve ficarei'(Sl 50,9). 

Por isso, reconhecemos um só Batismo de salvação, já que é uma só a morte que resgata o mundo e uma só a ressurreição dos mortos, das quais o Batismo é figura”.

Somos convidados a imitar Cristo na mansidão, humildade e paciência que são atitudes que marcaram Sua vida. 

Imitá-Lo na Sua morte, assumindo o Mistério da Paixão e Cruz, de modo que se morrermos com Ele, com Ele também ressuscitaremos e poderemos celebrar a verdadeira Páscoa do Senhor em nossa vida. 

Eis a Boa Nova do Batismo que um dia recebemos: A semente de imortalidade, e deste modo, urge que O imitemos, num amor incondicional e fidelidade expressa da mesma forma!

Reflitamos:

-  Quais são as atitudes de Jesus que devo intensificar mais em minha vida?

--- De que modo me configuro a Cristo no Mistério de Sua Paixão e Morte?

- -  O que significa morrer com Cristo para ressuscitar com Ele concretamente na vivência do meu Batismo?
- 
- - O que me falta ainda para uma rica e frutuosa preparação para a Celebração da Páscoa do Senhor?

Oremos:

"Concedei, ó Deus, ao vosso povo que desfalece, por sua fraqueza, recobrar novo alento pela Paixão do Vosso Filho. Que Convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo. Amém".

O Olhar do Amado...

                                                      


O Olhar do Amado...

“Moisés fez, pois, uma serpente de bronze e
colocou-a como sinal sobre uma haste.
Quando alguém era mordido por uma serpente,
e olhando para a serpente de bronze, ficava curado”
(Nm 21,9)

Contemplo os olhares cheios de confiança,
Olhares suplicantes, silenciosos,
Acompanhados de dor e esperança,
À Misericórdia Divina que não nos ignora.

Contemplo os mesmos olhares no Calvário,
Diante do Corpo mutilado, dilacerado
Da Divina Fonte, agora sem vida,
Pela maldade morto, Coração trespassado...

Contemplo Jesus erguido entre o céu e a terra,
Tendo como causa, incompreendida e última,
A salvação do mundo, a humanidade redimida.
Como suportar dor assim tão grande, na Cruz vivida?

Contemplo o próprio Olhar de Jesus,
Enquanto ainda vida tinha,
Antes de dizer: “tudo está consumado, 
Pai, em Tuas mãos entrego meu Espírito”.

Aquele Olhar que se volta para cada um de nós
Em meio à dor, gemidos, prantos incontidos,
Como também incontida Sua manifestação
De Amor e tão grande ternura.

Um pouco antes, de Seus doces lábios
Aquelas palavras que atravessarão séculos,
Milênios, até o fim da humanidade:
“Pai, perdoai-lhes, pois não sabem o que fazem”.

Seu Olhar, enquanto pôde, cruzou amavelmente
Com nossos olhares, ainda que não o tenhamos feito,
Comunicou-nos a riqueza do Seu Amor,
Haverá quem nos ame tanto assim?

Que nosso olhar não se desvie de Seu olhar
Reconhecendo em Sua humanidade lapidada
A divindade, ainda que não possa ser vista,
Ali presente, para nossa humanidade redimida.

Ó Senhor, como não Te contemplar?
Como meu olhar de Ti desviar?
“Se trouxeste o Céu à terra,
E elevaste a terra ao céu”?

Ó Senhor, como não Te amar?
Como Teu Amor não testemunhar?
Quero ser Teu servo indigno, mas com ardor,
E minha vida consumir em chama eterna de amor. Amém!

Em poucas palavras...

                                                               

Gloriemo-nos na Cruz de Nosso Senhor

“Suspenso da Cruz, elevado da terra, o Filho de Deus atrai tudo a Si. O aniquilamento coincide com Sua exaltação, a Sua Morte ignominiosa com a Sua glorificação. 

Já não é a serpente de bronze que dá a cura, mas é o Crucificado que dá a vida a todos os que se dirigem a Ele com fé. Cá embaixo e lá em cima, encontram-se na Cruz, não por uma explosão, mas por um abraço”. (1) 

 

(1) Bispo Santo Ambrósio (séc. IV)

Fidelidade e amor ao Senhor

                                                       

Fidelidade e amor ao Senhor

A Liturgia, da terça-feira da Semana Santa, nos apresenta a passagem do Evangelho, em que Jesus, à mesa com Seus discípulos, prediz a negação de Pedro e a traição de Judas (Jo 13, 21-33.36-38).

Vejamos o que nos diz Comentário do Missal Cotidiano:

“Enquanto Jesus revela, com os gestos e Palavras da Ceia, a plenitude do Seu Amor, ganha um relevo extremo, pelo contraste, a fragilidade do homem.

A traição de Judas e a de Pedro são muito diferentes em sua motivação moral e em seu resultado. Ambas são, entretanto, sinal da fraqueza da carne em face da lógica do Reino de Deus.

Pode ser que Judas fosse dominado por interesses ignóbeis, como o dinheiro, ou por outros menos ignóbeis, como o nacionalismo fanático. Sua memória faz jus a toda a nossa capacidade de execrar!

Mas será que o entusiasmo puramente afetivo tem força para introduzir o homem no Mistério de Deus? Pedro tinha entusiasmo, mas aquela noite para ele foi noite de traição.

O que vale, portanto, é somente a fé. Só a fé pode compreender que para Jesus noite de traição é noite de glorificação, e o patíbulo da Cruz é já um trono de glória.

Entrar nesta ‘impossível’ identidade é milagre da fé. Observando que era noite, não pretende João dar indicações de tempo; quer sim dizer que Judas agora caiu, sem esperança de salvação, em poder das trevas (Lc 22,52). Agora veio a noite que pôs termo à ação de Jesus (Lc 9,4; 11,10; 12,35)". (1)

São duas traições distintas: Judas trai por ação, enquanto Pedro pela palavra, pela negação de conhecer Jesus.

Também distintas são as atitudes de ambos diante da Misericórdia de Deus que nos faz novas criaturas, pois Deus está sempre pronto a perdoar, a destruir o pecado e jamais o pecador: Judas não suporta o peso da traição. O vazio e o amargo da traição, o levaram ao suicídio.

Pedro, de outro lado, faz um salto qualitativo de reconhecimento de sua condição pecadora, e por três vezes também terá que confirmar o seu amor incondicional por Jesus, antes de lhe ser confiado o cuidado do rebanho (cf. Jo 21, 15-17).

Semana Santa é tempo de reflexão, de oração e de revermos também nossas atitudes diante de Jesus e do Evangelho; também nós podemos, de um modo ou de outro, negar e trair o Senhor.

É simplismo estéril lançarmos pedras em Judas e mesmo em Pedro, execrando suas fraquezas.

Trata-se de vermos o quanto as atitudes de ambos podem estar presentes dentro de nós, e erradicá-las totalmente, extirpando qualquer possibilidade de trair o Amor extremo e incondicional de Deus por nós, para que celebremos verdadeiramente a Páscoa do Senhor. 

(1) Missal Cotidiano - Editora Paulus - p. 323

Coração fortalecido, rosto iluminado

                                                                       

Coração fortalecido, rosto iluminado

Reflitamos sobre pequeno trecho da “Catequese de Jerusalém” (séc. IV):

“Se foste bem instruído pela doutrina da fé, acreditas firmemente que aquilo que parece pão, embora seja como tal sensível ao paladar, não é pão, mas é O Corpo de Cristo. E aquilo que parece vinho, muito embora tenha esse sabor, não é vinho, mas é o Sangue de Cristo.

Antigamente, bem a propósito, já dizia Davi nos Salmos: O pão revigora o coração do homem e o óleo ilumina a sua face (Sl 104,15). Fortifica, pois, teu coração, recebendo esse pão espiritual e faze brilhar a alegria no rosto de tua alma.

Com o rosto iluminado por uma consciência pura, contemplando como num espelho a glória do Senhor, possas caminhar de claridade em claridade, em Cristo Jesus, Nosso Senhor, a quem sejam dadas honra, poder e glória pelos séculos sem fim. Amém!”.

Voltemo-nos ao Salmo citado:

 “De vossa casa as montanhas irrigais,
Com vossos frutos saciais a terra inteira;
Fazeis crescer os verdes para o gado
E as plantas que são úteis para o homem;

Para da terra extrair o seu sustento
E o vinho que alegra o coração,
O óleo que ilumina a sua face
E o pão que revigora suas forças”.

Relacionando o Salmo com a Eucaristia, que Jesus instituiu como sinal permanente do Seu Amor por nós, concluímos:

Nela, na Palavra Proclamada, somos iluminados... Nosso coração arde! Nela, com o Pão e o Vinho, somos fortalecidos, revigorados, nutridos, inebriados… Nossos olhos se abrem! Na Eucaristia recebemos a força, a alegria e a luz!

Tenhamos, como eucarísticos que devemos ser, a alegria no rosto de nossa alma, porque não nos alimentamos de um pão qualquer, mas do Pão que não passa: o Pão da Eternidade!

O grande teólogo e Doutor da Igreja, Santo Tomás de Aquino, afirmou: 

“Não há outro Sacramento mais salutar do que este, pois nele, os nossos pecados são destruídos (nos renovamos e reconciliamos com a Trindade Santa); nossas virtudes crescem, bem como nossa alma é plenamente saciada, enriquecida de todos os dons espirituais.”

Santo Inácio de Antioquia definia o Pão eucarístico como “remédio de imortalidade e antídoto para não morrer”.

Tenhamos sempre o coração fortalecido e o rosto iluminado, como é próprio de quem acolheu a Luz do Santo Espírito. Amém.

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