sábado, 14 de fevereiro de 2026

O milagre do amor e da partilha

                               

O milagre do amor e da partilha

Na passagem do Evangelho de Mateus (Mt 15,29-37), vemos Jesus curando os enfermos e fazendo o sinal da multiplicação dos pães.

Oremos:

Cristo Jesus, contemplamos na multiplicação dos pães a representação e o pré-anúncio do Vosso Banquete Eucarístico, mais tarde celebrados com Seus Apóstolos, e por nós para sempre até que volteis gloriosamente.

Cristo Jesus, neste Vosso Banquete tiveram lugar, principalmente, os pobres, doentes, desamparados, humildes e todos aqueles que ajudam os necessitados, com gestos de amor, partilha e solidariedade.

Cristo Jesus, também queremos dele participar, procurando a Vós com humildade, conscientes de nossa miséria, e acolhidos pela Vossa infinita misericórdia, que nos convida e nos acolhe, não pelos nosso méritos.

Cristo Jesus, por Vós somos curados, de modo especial através dos Sacramentos da Penitência e da Eucaristia, principalmente, na mais estreita e desejada relação e interação.

Cristo Jesus, com poucos pães e poucos peixes, Vos revelastes como nossa divina fonte de vida e Salvação, no sinal do amor, partilha e comunhão.

Cristo Jesus, que a oferta de nossas ações, sofrimentos e alegrias, e de nosso trabalho, se tornem para nós matéria por Vós assumida e eucaristizada, como parte integrante do Vosso Divino Sacrifício Redentor.

Cristo Jesus, convosco, neste sinal, aprendemos a recolher os fragmentos, cuidando das minúcias, dos pormenores, com atenção às pequenas coisas, as únicas que podemos oferecer para que nada a ninguém venha a faltar.

Cristo Jesus, seja também para nós uma advertência à nossa civilização de abundância e do consumo de poucos e a fome e a miséria de muitos, para um mais generoso desinteresse no uso dos bens, de modo que ninguém fique excluído do essencial para uma vida digna e feliz.

Cristo Jesus, que partícipes do Vosso Banquete, aprendamos com a mais bela lição que nos destes neste sinal, o mesmo a fazer, em alegre e generosa doação de tudo que temos e somos, de modo especial aos que nada possuem. Amém.



Fonte de Inspiração: Comentário do Missal Cotidiano – Editora Paulus – p.21.

Apropriado para a passagem do Evangelho de Marcos (Mc 8,1-10; Lc 9,11b-17)

Peregrinar na esperança, crescer no amor fraterno

                                                              


Peregrinar na esperança, crescer no amor fraterno
 
Na passagem da Carta de São Paulo aos Romanos (Rm 12,9-12), temos um "pequeno decálogo" que nos ilumina no testemunho de nossa fé e adesão ao Senhor, sobretudo para nós, Seus discípulos missionários:
 
“O amor seja sincero. Detestai o mal, apegai-vos ao bem. Que o amor fraterno vos una uns aos outros com terna afeição, prevenindo-vos com atenções recíprocas. Sede zelosos e diligentes, fervorosos de espírito, servindo sempre ao Senhor, alegres por causa da esperança, fortes nas tribulações, perseverantes na oração”.
 
Vejamos o  “pequeno decálogo:
 
1.           Viver um amor sincero;
2.           Detestar o mal, apegando-se ao bem;
3.       Viver o amor fraterno, que nos une aos outros com terna afeição;
4.           Cuidar dos relacionamentos com atenções recíprocas;
5.           Ser zeloso e diligente;
6.           Ser fervoroso de espírito;
7.           Servir sempre ao Senhor;
8.           Ser alegre por causa da esperança;
9.           Forte nas tribulações;
10.        Perseverante na oração.
 
Fundamental que, em todo o tempo, nossas comunidades se empenhem em viver relações mais fraternas, contando com a presença e ação do Espírito, para pôr em prática este “pequeno decálogo”, dando razão de nossa esperança, numa fé íntegra e esforçada caridade.
 
Oremos:
 
Vinde, Espírito Santo, sobre a Igreja, com o amor entranhado de um irmão mais velho, para que nossa alma ao receber a Vossa luz, seja elevada acima da inteligência humana, e veremos o que antes ignorávamos.
 
Vinde, Espírito Santo,  como raios de luz para iluminar também os que se encontram nas trevas, e assim como ao nascer do sol, recebam nos olhos a Sua luz,  enxergando claramente coisas que até então não viam.
 
Vinde, Espírito Santo, sobre a Igreja, para salvar, curar, ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar, iluminar nossa alma e a de todos que nos foram confiados.  Amém!  (1)
 
(1) Inspirado nos escritos do Bispo de Jerusalém, São Cirilo (séc. IV)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

A supremacia da caridade na fidelidade a Cristo Jesus!

                                                    

A supremacia da caridade na fidelidade a Cristo Jesus!

O Bem-aventurado Isaac, abade do mosteiro de Stella (Séc. XII), em um de seus Sermões nos exorta à prática da caridade, que é a essência de nossa vida cristã e nos configura com a fonte da Caridade: Jesus.

“Por que, irmãos, somos tão pouco solícitos em buscar ocasiões de salvação uns para os outros?

Tão pouco cuidadosos em mais ajudarmo-nos mutuamente onde a necessidade for maior em carregar os fardos dos irmãos?

O Apóstolo a isto nos exorta dizendo: Carregai os fardos uns dos outros e cumprireis assim a lei de Cristo; e em outro lugar: Suportando-vos reciprocamente na caridade. É esta, na verdade, a lei de Cristo.

Se há em meu irmão – seja por indigência seja por fraqueza corporal ou de educação – alguma coisa de incorrigível, por que não a suporto com paciência, e não a levo de bom grado?

Pois está escrito: Seus filhos serão levados aos ombros e consolados no regaço? Não será porque me falta aquela caridade que tudo sofre, que é paciente para suportar e benigna para amar?

Certamente esta é a lei de Cristo, d'Ele que assumiu verdadeiramente nossas enfermidades pela paixão e suportou nossas dores pela compaixão, amando os que carregava, carregando os que amava.

Quem ataca o irmão em necessidade, quem põe armadilhas de qualquer tipo à sua fraqueza, está, sem dúvida alguma, sujeito à lei do demônio e a obedece.

Sejamos então compassivos uns pelos outros, amantes da fraternidade, pacientes com as fraquezas, perseguidores dos vícios.

Toda vida que se preocupa sinceramente com o amor de Deus e, por Ele, com o amor do próximo, é mais aprovada por Deus, sejam quais forem suas observâncias ou seus usos religiosos.

A caridade é aquela em vista da qual tudo se deve fazer ou não fazer, mudar ou não mudar. É ela o princípio e o fim que devem regular tudo.

Nada é culpável quando feito por ela e em conformidade com ela. Oxalá ela nos seja concedida por Aquele a quem não podemos agradar sem ela, pois sem Ele nada absolutamente podemos, Ele que vive e reina, Deus, pelos séculos infindos. Amém.” (1)

Como vemos, a supremacia da caridade deve definir nossos princípios e atitudes, a fim de que nossa conduta nos assegure passos firmes na construção de laços mais fraternos, para que um dia possamos viver o amor em plenitude nos céus.

A credibilidade de uma comunidade é diretamente proporcional ao amor que ela vive. Mesma credibilidade devemos incansavelmente buscar, correspondendo ao incansável amor de Deus.

Urge amadurecer na prática da verdadeira caridade, em todos os âmbitos da vida, reconhecendo que quanto mais a vivenciarmos, mais configurados a Cristo o seremos.

Prescindir da caridade é prescindir do próprio Deus, que é fonte inexaurível da caridade, e assim, com este distanciamento, frutos amargos colhidos.

Oremos:

Ó Deus, Vós que sois, desde sempre, a Suprema Caridade, chama de amor inextinguível, eternamente inflamável, fortalecei-nos na prática do amor evangélico, incansável, para que assim, Convosco, novo mundo possamos recriar. Por N.S. J. C. Amém.

(1) Liturgia das Horas - Volume I Tempo Comum - pp.169-170

Rezando com os Salmos - Sl 132 (133)

 


O amor e a comunhão fraternas

“–1 Vinde e vede como é bom, como é suave
os irmãos viverem juntos bem unidos!

–2 É como um óleo perfumado na cabeça,
que escorre e vai descendo até à barba;
– vai descendo até à barba de Aarão,
e vai chegando até à orla do seu manto.

–3 É também como o orvalho do Hermon,
que cai suave sobre os montes de Sião.
– Pois a eles o Senhor dá Sua bênção
e a vida pelos séculos sem fim.”

Com o Salmo 132(133) contemplamos e rezamos pela alegria da união fraterna, e fazemos ressoar as palavras do Evangelista – “Amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus” (1Jo 4,7).

“Salmo de romaria. A alegre experiência de uma vida fraterna e solidária, num clima de paz e serenidade, é comparável ao perfume que atrai e ao orvalho que gera uma vida nova.” (1)

Renovemos, como Igreja, a graça de continuar a missão confiada por Jesus, ou seja, proclamar e testemunhar o Evangelho em todos os lugares e em todos os tempos, com a marca fundamental e que nos identifica como cristãos: o testemunho do amor.

Vivendo o Mandamento do Amor que Ele nos deixou, damos à nossa vida e à vida da Igreja, matizes Pascais, até que um dia possamos vislumbrar o novo céu e a nova terra, firmados numa sólida fé, firme esperança e vivificante caridade, porque movidos pelo Espírito de Deus que nos assiste e nos conduz nos caminhos da história.

Concluímos com as palavras de Tertuliano (séc. III) - “Vede como se amam."  Amém.

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 842

Rezando com os Salmos - SL 131 (132)

 




O Senhor é fiel às Suas promessas

“–1 Recordai-Vos, ó Senhor, do rei Davi
e de quanto vos foi ele dedicado;
–2 do juramento que ao Senhor havia feito
e de seu voto ao Poderoso de Jacó:

–3 'Não entrarei na minha tenda, minha casa,
nem subirei à minha cama em que repouso,
–4 não deixarei adormecerem os meus olhos,
nem cochilarem em descanso minhas pálpebras,
–5 até que eu ache um lugar para o Senhor,
uma casa para o Forte de Jacó!'

–6 Nós soubemos que a arca estava em Éfrata
e nos campos de Iaar a encontramos:
–7 Entremos no lugar em que Ele habita,
ante o escabelo de Seus pés o adoremos!

–8 Subi, Senhor, para o lugar de Vosso pouso,
subi Vós, com vossa arca poderosa!
–9 Que se vistam de alegria os Vossos santos,
e os Vossos sacerdotes, de justiça!
–10 Por causa de Davi, o Vosso servo,
não afasteis do vosso Ungido a Vossa face!

–11 O Senhor fez a Davi um juramento,
uma promessa que jamais renegará:
– 'Um herdeiro que é fruto do teu ventre
colocarei sobre o trono em teu lugar!

–12 Se teus filhos conservarem minha Aliança
e os preceitos que Lhes dei a conhecer,
– os filhos deles igualmente hão de sentar-se
eternamente sobre o trono que te dei!'

–13 Pois o Senhor quis para si Jerusalém
e a desejou para que fosse Sua morada:
–14 'Eis o lugar do meu repouso para sempre,
eu fico aqui: este é o lugar que preferi!'

–15 'Abençoarei suas colheitas largamente,
e os seus pobres com o pão saciarei!
–16 Vestirei de salvação seus sacerdotes,
de alegria exultarão os seus fiéis!'

–17 'De Davi farei brotar um forte Herdeiro,
acenderei ao meu Ungido uma lâmpada.
–18 Cobrirei de confusão seus inimigos,
mas sobre ele brilhará minha coroa!'”

Com o Salmo 131(132) contemplamos as promessas do Senhor à casa de Davi, como também podemos ver na passagem do Evangelho de São Lucas – “O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi” (cf. Lc 1,32):

“Salmo de Romaria, recordando a promessa do rei Davi, de preparar uma morada estável para Deus, e a dupla promessa de Deus, de manter no trono a dinastia de Davi, e fixar no monte Sião a sua morada.” (1)

 

(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p. 841

Rezando com os Salmos - Sl 130 (131)

 


Confiança e Serenidade necessárias


“Jesus, manso e humilde coração,
fazei nosso coração semelhante ao Vosso”
 

“–1 Senhor, meu coração não é orgulhoso, 
nem se eleva arrogante o meu olhar;
– não ando à procura de grandezas, 
nem tenho pretensões ambiciosas!

–2 Fiz calar e sossegar a minha alma; 
ela está em grande paz dentro de mim,
– como a criança bem tranquila, amamentada 
no regaço acolhedor de sua mãe.

–3 Confia no Senhor, ó Israel, 
desde agora e por toda a eternidade!”

Com O Salmo 130(131) expressamos nossa confiança filial em Deus e n’Ele repousamos confiantes e serenos:

“Salmo de romaria. Num ato de entrega confiante a Deus, o salmista se comprara com uma criança que confia plenamente na sua mãe.” (1)

Cremos na Palavra de Jesus alcança as entranhas mais profundas de nossa alma e coração: “Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos, e Eu vos darei descanso” (Mt 11,28).

De fato, somente Jesus pode nos oferecer o verdadeiro “descanso”, porque é “manso e humilde de coração” (Mt 11,29), e nos oferece os distintivos, que haveremos de carregar e viver, para que o mundo O reconheça e O veja em nós: a Cruz e o Mandamento do amor a Deus e ao próximo. Amém.


(1) Comentário da Bíblia Edições CNBB – p.841

Tomemos consciência da dignidade nossa natureza

 


Tomemos consciência da dignidade nossa natureza

Sejamos enriquecidos por um dos Sermões escrito pelo Papa São Leão Magno (Séc. V):

“Tendo nascido, Nosso Senhor Jesus Cristo, verdadeiro homem, que jamais deixou de ser Deus verdadeiro, iniciou em Si uma nova criação.

Na figura do Seu nascimento, Ele entregou ao gênero humano um princípio segundo o espírito.

Que inteligência poderá compreender este mistério? Que lábios o poderão contar? A iniquidade voltou à inocência, a velhice, à novidade, filhos alheios são adotados como próprios, e estranhos têm parte na herança!

Acorda, ó homem; toma consciência da dignidade de tua natureza. Recorda-te de teres sido feito à imagem de Deus que, embora corrompida em Adão, foi recriada em Cristo. Portanto, usa de modo justo das criaturas visíveis, como gozas da terra, do mar, do céu, do ar, das fontes, dos rios e tudo quanto neles achas de belo e de admirável. Por tudo dá louvor e glória ao Criador!

Aprecia com os sentidos do corpo a luz material. Com toda a intensidade do espírito abraça aquela verdadeira luz que ilumina todo homem que vem a este mundo e à qual se refere o Profeta: Aproximai-vos dele e sereis iluminados e vossos rostos não se cobrirão de confusão. Se somos templo de Deus e se o Espírito de Deus habita em nós, o que qualquer fiel possui no coração é muito maior do que tudo quanto se admira no céu.

Caríssimos, não vos estamos sugerindo ou aconselhando a desprezardes as obras de Deus ou a julgardes haver algo contrário à vossa fé nos bens criados pelo Deus de bondade.

Nós vos exortamos, porém, a usardes com medida e discernimento da beleza de toda criatura e dos valores do universo, pois Aquilo que se vê é temporário, como diz o Apóstolo, quanto ao que não se vê, é eterno. Por conseguinte, nascidos para as realidades presentes, renascidos, porém, para as futuras não nos entreguemos aos bens temporais, mas estejamos atentos aos eternos. Para percebermos mais de perto nossa esperança, pensemos sobre o que a graça divina trouxe à nossa natureza.

Ouçamos o Apóstolo: Estais mortos e vossa vida está escondida com Cristo em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer, então também vós aparecereis com ele na glória. Ele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo por todos os séculos dos séculos. Amém.” (1)

Somos exortados a tomar consciência da dignidade de nossa natureza, e quão precioso somos aos olhos de Deus, porque feitos à Sua imagem e semelhança.

Assim, haveremos de ver em cada homem e mulher, templos sagrados da divina presença de Deus, e esta é uma das mais belas mensagem que podemos comunicar ao mundo.

E pelo Batismo nos tornamos morada do Espírito Santo, como nos falou o Apóstolo Paulo (cf. 1 Cor 3,16-23). Amém.


(1) Liturgia das Horas- Volume I do Tempo Comum – Editora Paulus – pp.166-167

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