domingo, 7 de dezembro de 2025

Conversão: voltar-se à fonte da vida e do perdão, Jesus (IIDTAA)

                                                             


Conversão: voltar-se à fonte da vida e do perdão, Jesus

“Em Jesus, o caminho do homem e o
caminho de Deus se encontram.”

Reflitamos sobre a conversão de que tanto se fala.

O Missal Dominical nos apresenta uma riquíssima reflexão rumo ao Natal do Senhor.

É uma “voz” melodiosa que penetra nossa alma para que trilhemos o caminho da maturação, que passa necessariamente pela conversão, pela transformação de nossa vida, palavras, atos, pensamentos e atitudes.

O primeiro enunciado é uma afirmação que nos enche de alegria e esperança: “Todos os homens encontrarão o Deus que salva”

“O Advento é tempo de conversão, tempo para preparar os caminhos do Senhor, para endireitar as veredas, a fim de que chegue o Reino de Deus.

O homem moderno não é muito atento ao tema da conversão a Deus. Diante dos graves desafios que se lhe impõem (fome, ignorância, guerra, injustiça), mobiliza todas as suas energias, abandona até o comodismo, impõe-se uma conversão cotidiana: a conversão do homem a si mesmo.

Mas a conversão a Deus como disponibilidade radical a Ele é renúncia total a si mesmo, deixa-o insensível ou até hostil, porque o coloca diante de sua fraqueza e parece desviá-lo de sua verdadeira tarefa.

O cristão de hoje está consciente do dever de contribuir para a realização do desígnio de Deus e a solução dos problemas do mundo, colaborando na obra da criação, e dando-lhe o melhor de si mesmo.

Mas, em tudo isso, onde se encontra a conversão a Deus? Se os cristãos perdem o senso da conversão a Deus, e se o cristianismo apresenta apenas o aspecto de um humanismo sem dimensão religiosa, priva-se o mundo de um dom divino."

A segunda parte da reflexão é um imperativo para a nossa vida: Aplanai o caminho!:

“Com João Batista, o Precursor (Evangelho), Deus vai visitar seu povo. A voz severa que clama no deserto nos prepara para o juízo de Deus não com atos puramente exteriores e rituais, mas com a conversão do coração.

Jesus continuará nesta linha de conversão; a opção pelo Reino significará despojamento de si, renúncia a toda forma de orgulho, disponibilidade às inspirações do Espírito, obediência. O homem que quiser seguir a Jesus é chamado a despojar-se de si e a perder-se de algum modo.

Semelhante conversão religiosa é acessível a todos os homens, de qualquer condição social ou espiritual; não está concretamente ligada a nenhuma prática penitencial, embora tenda a exprimir-se em ações significativas, e é proposta a todos os homens, uma vez que todos são pecadores, e Jesus mesmo declara ter vindo só para os pecadores.

É uma mudança radical da mentalidade e das atitudes profundas, que se manifesta em ações novas e vida nova; é uma disponibilidade total a serviço do Amor de Deus e dos homens.

Por isso Paulo pede que os filipenses possam sempre "discernir o que mais convém, ser puros no dia de Cristo" e repletos do "fruto da justiça”.

O Reino de Deus está, pois, a caminho; ninguém poderá detê-lo... O juízo de Deus está sobre nós como o machado na raiz da árvore. Depende de cada um de nós fazer com que seja um juízo de conversão ou de irremediável endurecimento.”

A terceira parte é um convite ao contínuo "caminhar" que devemos todos fazer:

“O itinerário que cada homem deve percorrer em sua vida, como o caminho de toda a humanidade em sua história, não tem a comodidade das modernas estradas de rodagem.

A contínua marcha do homem para a felicidade se abre na precariedade e é semeada de obstáculos, interrompida por encruzilhadas sempre dilacerantes.

Entretanto, o homem não desiste dessa sua contínua peregrinação; como o povo de Israel no deserto, vagueia rumo à "sua" terra. Cristo é a encruzilhada decisiva na estrada dos homens: ou com Ele ou contra Ele.

A de Cristo, porém, é a estrada mais árdua; passa através do Sangue e da Cruz, mas é a única que leva a Deus. Em Jesus, o caminho do homem e o caminho de Deus se encontram.

O convite de Cristo a cada um é sempre premente: "Vem, segue-me". Não há outra estrada para chegar a Deus senão seguir os passos de Cristo; só assim o homem não caminha nas trevas e na incerteza.”

Finalmente, apresenta-nos o caminho do amor e da justiça que devemos fazer como pessoas Eucarísticas que somos:

“Percorrer o caminho de Cristo quer dizer encontrar-se com Ele; quer dizer obstinar-se decididamente em seu caminho vencendo todos os obstáculos.

O sinal visível desse encontro é a Celebração Eucarística. Sinal não só da nossa opção por Cristo, mas também da opção pelos homens como irmãos e companheiros de viagem. É escolher a estrada estreita do amor e da justiça, porque este foi o caminho de Cristo.

Participar humanamente da Eucaristia significa tornar-se pão para os outros, como Cristo o é para nós; significa dar a vida para fazer crescer em torno de nós o amor e a justiça, o sorriso e a esperança.”

Continuemos nossa caminhada de conversão, sempre como um processo contínuo, inacabado, que desabrochará na glória da eternidade.

A cada instante algo clama por conversão em nossa vida, ao nosso redor, em qualquer lugar em que estejamos, que vivamos...

Sem conversão não há Advento, obviamente, não haverá Natal. Somente o esforço contínuo da Conversão nos alcança a alegria do Natal tão esperada, e a contemplação e celebração do mais belo e maior Mistério que a humanidade pode testemunhar: um Deus que Se faz Carne, Se faz gente, habitando em nosso meio, fazendo-Se um de nós, igual a nós, exceto no pecado.

Ele, a fonte do perdão e da vida, nós, os necessitados do perdão e da vida!

Advento: rever o caminho feito (IIDTAA)

                                                               

Advento: rever o caminho feito

Reflexão sobre o Tempo do Advento, quando somos convidados a rever o caminho que estamos fazendo, como peregrinos da esperança:

“A Eucaristia proporciona aos cristãos a oportunidade de provar seu universalismo e recusar uma separação entre ‘fracos’ e ‘fortes’, uma vez que nesta Mesa o Senhor se oferece por todos. É o ‘vínculo da união’: união com os irmãos, união com Deus em Cristo.

O anúncio da libertação trazida por Cristo suscita uma grande esperança. A nossa geração espera ansiosamente um futuro de liberdade, apesar da fuga de muitos para um passado de recordações, ou para um presente de alienações.

O Povo de Deus mantém viva no mundo esta esperança quando, com os olhos no futuro, vive, no presente de modo a merecer confiança, isto é, com fé, caridade e firme esperança”. (1)

Assim ocorre conosco quando da Mesa da Eucaristia participamos: são fortalecidos os vínculos da união com Deus, mas também entre nós, e isto remete ao cotidiano, na superação de toda a desigualdade, para que se viva maior fraternidade, solidariedade, comunhão e partilha dos bens que passam, movidos pelos bens que não passam, os valores do Reino (amor, verdade, justiça, liberdade, fraternidade, perdão, acolhida, alegria...).

É graça e missão que Deus nos concede de sermos no mundo sinal desta nova realidade, porque são solidificados e revigorados os fundamentos de um novo futuro, as virtudes divinas: fé, Esperança e caridade.

Deste modo, não somamos com os que vivem sentimentos nostálgicos de um passado de possíveis boas recordações, até beirando um saudosismo sem fundamentos, que não tenham sido uma expressão concreta (como que fantasiando o passado), porque cada tempo tem seus desafios, suas dificuldades, provações, enfermidades, carências, tristezas, inquietações, superações e o mistério da cruz que nos acompanha.

Não podemos somar também com os que, no presente, se deixam levar pelas alienações, falsas promessas, messianismos sem consistência, promessas infundadas de felicidade, falsa prosperidade, ledo engano de soluções miraculosas ou mesmo mágicas, procura de respostas fundadas em superstições ou algo que não se justifique, até mesmo contradizendo e nos levando a negar a própria fé e os ensinamentos que devem orientar o rumo de nossa vida, de nossa história.

Devemos fixar nossos olhos no futuro, na espera de um novo céu e uma nova terra, mas com compromissos renovados cotidianamente na construção do Reino de Deus.

O Tempo do Advento é um Tempo fecundo de vigilância, conversão, oração, esperança, e, sobretudo, de nos deixarmos envolver pela misericórdia divina, revelada na Pessoa de Jesus, quando Se encarnou em nosso meio, cujo Nascimento, dentro de poucos dias, haveremos de celebrar.

Deste modo, o Natal não será reduzido a uma noite de comidas e bebidas, troca de presentes e amigo secreto, tão pouco reduzindo a montagem de um presépio, ainda que belo seja.

Natal será rever o passado, com seus erros e acertos, dar rumo novo ao presente, para que um novo amanhecer, num futuro cheio de alegria, vida e paz, possamos crer e esperar.

  
(1) Missal Dominical - Editora Paulus - p.11 

Preparar o Caminho do Senhor é…(IIDTAA)

                                                                 

Preparar o Caminho do Senhor é…
 
Advento: é tempo de VIGIAR, de preparar O Caminho do Senhor para que celebremos o verdadeira Natal do Senhor.
 
Deste modo, em muito nos ajudam os profetas Baruc, Isaías e João Batista.
 
Urge nivelar os vales, rebaixar os montes e colinas e endireitar os caminhos tortos: “Preparai o caminho do Senhor!” 
Mas no que consiste em preparar a vinda do Senhor que veio, vem e virá?
 
Preparar o caminho do Senhor é:
 
- Colocar-se em momentos de deserto para o necessário encontro pessoal com Deus no fortalecimento de nossa amizade com Ele: multiplicando momentos de oração pessoal, familiar, comunitária, novena de Natal, confissão…
 
- Dar prioridade aos valores de Deus em nossa vida, diante de tantos apelos que nos cercam;
 
- Procurar por Deus para que por Ele possamos ser encontrados. Ele vem sempre ao nosso encontro, às vezes somos nós que recusamos este vital encontro;
 
- Abrir-se ao futuro de Deus, um futuro que se pode conquistar já nesta terra, mas que se dá em definitivo no céu, com alegre espera, na fidelidade e amor;
 
- Transformar a realidade de exílio e deserto, por que passamos, para uma nova realidade, em que Deus caminha conosco;
 
- Colocar-se num caminho com atitudes de conversão e perdão, procurando o Sacramento da Penitência como expressão do desejo de conversão e esperança de tempos novos;
 
- Procurar viver uma vida pura, sem a mancha do pecado, e na paz. O pecado é a nódoa de nossa alma como disse um santo da Igreja;
 
- Preencher os vales de nossa vida, os nossos vazios existenciais e evitar toda e qualquer forma de omissão;
 
- Rebaixar os montes do orgulho, da vaidade e da ambição que nos destroem;
 
- Endireitar os caminhos do egoísmo, da ganância e do ódio, procurando relações de partilha, solidariedade, justiça, amor e paz;
 
- Procurar uma vida sóbria, desprendida, austera e simples contra toda onda consumista que nos envolve;
 
- Não perder a sensibilidade diante das pessoas e dos fatos, pois a insensibilidade nos embrutece diante do mistério da vida;
 
- Não deixar morrer a alegria e a esperança no coração;
 
- Viver a fidelidade em tudo em nossa vida: à palavra dada, ao compromisso assumido, aos princípios desde a infância aprendido;
 
- Cuidar das ovelhas extraviadas e mais necessitadas, como expressão do amor e da ternura do Bom Pastor;
 
- Oferecer ao outro o melhor que pudermos, colocando, com alegria a serviço do outro, da comunidade os dons que Deus nos concedeu;
 
- Não se acomodar diante do flagelo da fome, das enchentes, dos abandonos e fazer acontecer o milagre do amor que se expressa na alegria da solidariedade, compaixão e partilha;
 
- Procurar a criação e o fortalecimento de relacionamentos verdadeiros e sinceros de amizade na família, na comunidade, no trabalho e em qualquer outro lugar;
 
- Assumir a ética do cuidado da vida humana, do planeta numa espiritualidade ecológica: cuidar da obra do Criador: repensar nossa atitude consumista e depredatória; reutilizar; reciclar; reduzir consumo do que não for reciclável.
 
Reflitamos:
 
- Quais outras possíveis definições poderiam ser somadas às aqui apresentadas?
-  Quais são as definições que mais nos tocam para que preparemos bem a chegada do Senhor? 
 
Esperemos um Natal
belo, maravilhoso e cheio de luz!
Mas não basta esperar. 
Some-se ao verbo esperar o verbo preparar; 
esperar preparando o Caminho do Senhor, 
para que Ele possa irromper 
na escuridão da Noite de Natal, 
 iluminando nossa vida,  
ressoando em nós 
a Sua imprescindível presença amorosa!
E assim poderemos desejar a muitos
Um Santo e Feliz Natal!
Amém.

A alegria do Natal depende de nossa conversão (IIDTAC)


A alegria do Natal depende de nossa conversão

O Tempo do Advento é  favorável para prepararmos um verdadeiro Natal, e a Liturgia do 2º Domingo do Advento (ano C) é um claro e forte convite à conversão, ecoado pelas vozes proféticas que antecederam a chegada do Senhor.

A mensagem transparece na riqueza da Palavra proclamada, Orações e cantos. É preciso que nos coloquemos num processo contínuo de conversão, numa alegre expectativa, como nos falam os Profetas (Baruc e João Batista), e também a acolhida da voz que grita no deserto: “preparai os caminhos do Senhor”.

A passagem da primeira Leitura (Br 5,1-9) é de autor desconhecido, embora se apresente como um secretário de Jeremias durante o exílio da Babilônia (Br 1,1-2).

A passagem proclamada está integrada numa exortação e consolação a Jerusalém. Após a confissão dos pecados, é apresentada a mensagem de esperança da intervenção divina, exortando à confiança em Deus e à possibilidade da alegria com a atitude misericordiosa de Deus para com o povo. 

De fato, o Amor de Deus move a história, pois está sempre disposto a perdoar o afastamento dos filhos rebeldes e a reatar com eles uma história de libertação e de salvação. Um novo êxodo está por vir, é preciso manter a serena alegria e confiança indispensável.

A segunda Leitura (Fl 1,4-6.8-11) é uma exortação ao testemunho da caridade, na superação das divisões, enquanto esperamos a segunda vinda do Senhor. 

É notável o carinho do Apóstolo Paulo para com a comunidade, e seu encorajamento para que ela cresça na fidelidade e na solidariedade, a fim de que, sempre em processo de construção, ela não desanime, aprendendo acolher o Senhor que vem e deixar que Ele nos conduza à plenitude de vida e do amor.

Deste modo, o Tempo do Advento constitui para a comunidade o tempo de romper todas as escravidões, fazendo dela uma espécie de “oásis”, um espaço da comunhão, da alegria reinante pela vinda certa de Deus (Ele veio, vem e virá!), renovando-se as esperanças em cada amanhecer, na fé e confiança incondicional em Deus.

A passagem do Evangelho (Lc 3,1-6) nos apresenta João no deserto. Não se trata mais daquele deserto no tempo e geograficamente situado, mas do deserto de nosso coração, transformado numa realidade plena de alegria, confiança e esperança.

Sua voz continua ecoando e atravessando os séculos: “Preparai os caminhos do Senhor, endireitai as suas veredas”. Há colinas e vales a serem aplainados em nível pessoal, familiar e social, de modo que cresçamos na caridade, no testemunho do amor/solidariedade, da comunhão/fraternidade.

É preciso nivelar as colinas do orgulho, inveja, preguiça, ira, vaidade, egoísmo, materialismo, para que vivamos na planície querida por Deus, marcada pela alegria, amor, esperança, comunhão, paz e fraternidade.

Somente assim celebraremos e viveremos um Santo Natal; não podemos viver o natal das emoções passageiras, mas na alegre e enternecedora acolhida do Senhor, nossa Vida, Paz e Justiça.

É tempo favorável de nossa conversão, de reequacionarmos a nossa vida, com a revisão de nossas prioridades e valores. Numa palavra, é tempo de nos transformarmos para a acolhida da Salvação.

A conversão, como processo, é sempre um verdadeiro êxodo que nos transportará da terra da opressão para a terra nova da liberdade, da graça e da paz.

Deste modo, a alegria do Natal será diretamente proporcional ao esforço de conversão que possamos fazer neste tempo de preparação, que chamamos de Tempo do Advento.

Reflitamos:

- Qual a conversão necessária em minha vida pessoal, comunitária e social, para que eu possa celebrar o Natal Cristão, o verdadeiro Natal do Senhor?

- O que a voz de João continua a gritar corajosamente no deserto da Cidade?

- O que precisa ser transformado em nossa comunidade (Igreja) para que ela seja um “oásis” da comunhão fraterna e solidária, do amor e da paz, sendo para o mundo sinal e testemunho da Luz Divina?

- Como estou me preparando para o Natal (novenas, confissões, Orações mais intensas, leituras espirituais, leitura orante da Sagrada Escritura)?

-   Quais os gestos de solidariedade que o Tempo do Advento me desperta a viver agora e sempre?


 Oremos:

“Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, 
nós Vos pedimos que nenhuma atividade terrena 
nos  impeça de correr ao encontro do Vosso Filho,
mas instruídos pela Vossa  sabedoria,
participemos da plenitude de Sua Vida.
Por N.S. J. C. Amém!”

Para que um Santo Natal tenhamos (IIDTAB)

                                                           


Para que um Santo Natal tenhamos

Com a Liturgia do 2.º Domingo do Advento (ano B) refletimos sobre o reencontro do homem com Deus e o forte apelo à conversão. 

Deus está sempre oferecendo um mundo novo, mas é preciso renovar o coração, abrir-se plenamente aos Seus valores.

A passagem da primeira Leitura (Is 40,1-5.9-11), que pertence ao “Livro da Consolação”, retrata o período do final do Exílio. 

Entre o povo há os frustrados, os desorientados e os acomodados. O Profeta, neste prólogo, anuncia que haverá um futuro novo para o Povo de Deus. Há razões para ter esperança, desde que viva na fidelidade a Javé.

Deus fala ao coração do povo através do Profeta: é preciso que reconheça o seu pecado e volte para Deus em sincera súplica de perdão e, assim, poderá viver um novo êxodo, como uma reedição melhorada. Não há razões para o medo. Deus mesmo vem conduzir Seu povo com amor e solicitude. Porém é preciso que este se abra ao novo de Deus, sem acomodação.

A passagem da segunda Leitura (2Pd 3,8-14) é um convite à vigilância, ou seja, viver de acordo com os ensinamentos de Jesus para a transformação do mundo, sendo válido e precioso instrumento na construção do Reino de Deus.

É preciso que nos conservemos fiéis aos ensinamentos recebidos. Somente assim estaremos vigilantes, na espera de um novo céu e uma nova terra, até que Ele venha, numa grande e esperada Parusia, a segunda vinda, a vinda gloriosa.

Vigilantes, vivendo intensamente cada momento que o Senhor nos concede, pois não sabemos quando e em que momento Ele virá.

Vigilantes o somos quando vivemos a vocação a que fomos chamados, numa vida santa e irrepreensível. Não podemos deixar a vida correr à deriva, tampouco fazer dela um drama absurdo.

Na passagem do Evangelho (Mc 1,1-8), através do Profeta João Batista, somos exortados a um autêntico caminho de conversão, para vivermos a dinâmica do amor e da liberdade que consiste em realizar a vontade de Deus.

João tem uma missão muito própria: preparar a vinda do Messias. Sua pregação, provocação, aceitação ou rejeição, enfim, seu estilo de vida austero revela despojamento e confiança total em Deus.

Ele é a marca de uma era messiânica, em que se prepara corajosamente a vinda do Messias que comunicará o Espírito que transforma o Homem: Jesus.

No deserto, lugar da purificação e conversão (caminho dos antepassados), ele é uma voz que clama e exorta à penitência, à conversão, à mudança radical de vida, comportamento e mentalidade.  Numa palavra, a renúncia aos valores do mundo.

O seu Batismo é para integrar o batizado na comunidade do Messias. É preciso “embarcar” decididamente na “aventura” do Reino de Deus inaugurado por Jesus. 

Nisto consiste o grande convite deste Tempo do Advento. Preparemos o caminho do Senhor! Correspondamos à paciência e à ternura de Deus.

O Tempo do Advento também nos leva a um profundo exame de consciência, para que nosso coração seja menos pedra, mais carne, mais terno e pleno da Graça e do Amor de Deus. 

É tempo de faxina da alma, de limpeza interior, para que o Menino Deus encontre um lugar digno para nascer em mais um Natal que se aproxima.

Limpemos o terreno de nosso coração. Desapropriemos o que for necessário. Que Ele tenha espaço digno quando vier ao nosso encontro.

Inspirados na Palavra de Deus, afirmamos que Advento consiste em limpar os caminhos de nossa vida, de nos voltarmos de coração sincero para Deus.

Reflitamos:

- Quais os pecados que devemos reconhecer e nos arrepender para correspondermos melhor ao Amor de Deus?
-  Em que consiste a preparação do caminho do Senhor?

-  Quais são “os vales” de fragilidades que devem ser preenchidos em nossa vida?
-  Quais são “as montanhas” a serem niveladas?

-  Somos mensageiros da esperança de um mundo novo?
-  Quais são os valores que marcam nossas decisões e opções?

-  Questionamos o mundo com nosso modo de viver?
-  Estamos prontos para “embarcar” nesta “Aventura de Amor” do Reino de Deus?

-  Como valorizamos e quando buscamos o Sacramento da Penitência, que a Igreja nos oferece como manifestação da Misericórdia Divina?

Encerro com a citação do Missal Dominical, enfatizando de modo especial as palavras do Bispo Santo Ambrósio (séc. IV):

A celebração do Sacramento da Penitência não pode ser ‘privatizada’; é sempre um gesto ao mesmo tempo
comunitário e pessoal, como comunitário e pessoal é o pecado.
Por isto, em muitas comunidades eclesiais celebra-se, juntos, este Sacramento: ‘É como se a Igreja inteira tomasse sobre
si o peso do pecador, cujas lágrimas ela deve
 partilhar na oração e na dor’”.

“Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!” (IIDTAB)

“Olhai e vede: o nosso Deus vem com poder!”

“Eis o vosso Deus, eis que o Senhor Deus vem com poder,
Seu braço tudo domina: eis, com Ele, sua conquista,
eis à sua frente a vitória” (Is 40, 10)

Acolhamos o Senhor no Natal que se aproxima,
Cultivando a autêntica alegria,
Renovando n’Ele nossa confiança,
Acompanhada da fina flor da esperança;

Em alegre atitude de acolhida do próximo,
No coração entranhada a Misericórdia
Para o perdão ser dado e também recebido.

Abrindo-nos à Sabedoria Divina, que se nos revela
Com a coragem dos Profetas e Santos,
Renovando, na Palavra e na Eucaristia, o Vigor,

Para que carregando com fidelidade o jugo
Não percamos a mansidão nas adversidades,
Acompanhada da humildade em tudo que fizermos.

É tempo do Advento em preparação da Vinda do Senhor.
Sobretudo na Festa do Natal tão próxima
O acolhamos tão frágil Deus Menino e Criança.

Mas, este mesmo que cresceu em tamanho,
Sabedoria e graça diante de Deus,
Viveu a onipotência de Deus: o Amor.

Será Natal para quem viver esta divina onipotência:
Amor pelo próximo vivido sem desculpas,
Então há de brilhar a mais bela Luz do Natal.

Santo Ambrósio, o intrépido pastor

                                                                  

Santo Ambrósio, o intrépido pastor

“o segredo está em amplas e profundas
meditações sobre a Sagrada Escritura” 

A Igreja celebra no dia 7 de dezembro a memória de Santo Ambrósio, Bispo e Doutor da Igreja, nascido por volta do ano 340, um autêntico pastor da Igreja que teve que lutar corajosamente contra a desagregação da sociedade do seu tempo. 

Lutou também contra o paganismo e o arianismo (teoria segundo a qual Jesus Cristo não era nem homem nem Deus, mas um ser intermediário que era superior aos homens e inferior ao Deus Pai).

O Missal Cotidiano assim nos apresenta: “Nascido de família romano cristã, e educado em Roma, tornou-se governador da Ligúria e Emília. Trazido a Milão para impedir tumultos entre católicos e arianos na eleição do novo bispo, foi imprevistamente aclamado bispo pelo povo”.

Embora catecúmeno, teve de aceitar, sendo Ordenado oito dias depois (08/12/374).

Foi um pai para os pobres e um grande benfeitor de todos os oprimidos. Conseguia ser enérgico, constante, e possuidor de vivo senso do que é prático e realizável, com raros dotes de administrador e homem de governo.

Sua atuação pastoral foi marcada por ideias claras, firmes e de retos objetivos, com bom senso aliado à marca de bondade e amabilidade. 

Além de tudo isto, reformou a Liturgia que levou o seu nome: “ambrosiana”, e nos enriqueceu com hinos religiosos. 

Consta ainda no “De officiis” (II, 136) uma corajosa afirmação e testemunho, como verdadeiro Apóstolo da caridade, pois todos recorriam a ele em qualquer necessidade, e chegou mesmo a vender vasos sagrados para o resgate de escravos – “Se a Igreja tem ouro, não é para guardá-lo, mas para dá-lo a quem dele necessita”.

Mas, chama atenção outro fato: Santo Agostinho o ouvia com entusiasmo, e foi por ele preparado à conversão e recebido na Igreja.

O Missal ainda nos diz qual o segredo da sua penetrante pregação: “o segredo está em amplas e profundas meditações sobre a Sagrada Escritura”. 

Um bispo de grande zelo apostólico, serenidade, sabedoria, coragem, fé intrépida, viva e comprometida, espiritualidade profunda...

Trata-se de um exemplo de pastor que a Igreja nos apresenta, e o temos como modelo de fidelidade no seguimento do Senhor, e contar com sua intercessão na glória da eternidade, uma graça tão indizível Deus nos concede!

Oremos:

“Ó Deus, que fizestes o bispo Santo Ambrósio doutor da fé católica
e exemplo de intrépido pastor, despertai na Vossa Igreja
homens segundo o Vosso coração, que a governem
com força e sabedoria. Por N. S. J. C. Amém!”

Quem sou eu

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